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O fim (ou até logo) da recomendação dos FoFs Previdenciários na Finclass

Escrito por Felipe Arrais em FUNDOS

15 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Aprofundamento nos Funds of Funds (FoFs), instrumento que permite ao investidor acessar diversos fundos por meio de um único veículo.

  • Os FoFs podem oferecer boas oportunidades ao incluir na carteira fundos mais restritos ou até mesmo fechados para captação direta.

  • Embora muitos considerem os FoFs produtos caros e, portanto, ineficientes, mostramos que é possível estruturá-los de forma mais acessível, mantendo sua atratividade.

  • Retirada da recomendação dos FoFs Previdenciários: apesar de continuarmos enxergando muito valor nesse tipo de instrumento, inclusive nos produtos até então recomendados, optamos por retirar a recomendação da Superprevidência 1 e SuperPrev 1 e 2, devido a alguns pontos cruciais, que não estão totalmente alinhados à nossa filosofia de investimento.

Quem nos acompanha já sabe: somos entusiastas dos Fundos de Fundos, os conhecidos FoFs, principalmente no universo da previdência.

Neste contexto, a vantagem desse tipo de estrutura é ainda mais evidente. Isso porque, a cada fundo escolhido em um portfólio previdenciário, é necessário abrir um plano separado, o que torna o processo mais burocrático e trabalhoso. Por isso, contar com um único plano de previdência que, por meio de um FoF, distribui o capital em uma carteira diversificada de fundos é uma solução bastante eficiente.

Em diversas lives e debates no Circle, sempre destacamos as boas oportunidades que esse tipo de produto pode oferecer, especialmente como uma porta de entrada para fundos, que, a princípio, estariam fora do alcance da maioria dos investidores - seja por estarem fechados para captação, por exigirem aportes iniciais elevados ou por serem voltados exclusivamente para investidores institucionais.

Ainda que continuemos enxergando muito valor nesses instrumentos, anunciamos hoje a retirada da recomendação dos FoFs Previdenciários Superprevidência 1 e SuperPrev 1 e 2. Adiantamos que a decisão, longe de ser simples, não está relacionada à performance dos produtos, nem à falta de convicção nas estratégias. O principal motivo é devido a alguns pontos cruciais que não estão totalmente alinhados à nossa filosofia de investimento.

Recomendar um produto como esse exige, não apenas transparência e entendimento profundo da estratégia, mas também um certo grau de influência e proximidade com a tomada de decisão. Quando essas condições deixam de existir, ou tornam-se restritas, manter a recomendação passa a ser uma escolha difícil de sustentar.

Apesar de seguirmos acreditando no potencial dos FoFs, especialmente quando bem estruturados, reconhecemos que acompanhar de perto a construção e manutenção desses veículos, principalmente os montados por times de alocação no mercado brasileiro, ainda representa um desafio relevante. Por isso, optamos por adotar uma postura mais cautelosa e, por ora, retirar os FoFs Previdenciários da nossa lista de fundos aprovados.

A seguir, apresentamos uma análise mais detalhada sobre esse tipo de estrutura;  reforçamos que ainda enxergamos com bons olhos e explicamos os principais motivos que nos levaram à decisão de saída dos dois produtos.

O que são FoFs e quais suas principais características

Fund of Funds (FoFs) ou, em bom português, Fundos de Fundos, são fundos de investimento que fazem exatamente o que o nome intuitivo sugere: investir em uma gama ampla de outros fundos. 

Fonte: Finclass

É um tipo de estrutura muito comum, principalmente entre clientes de alta renda, já que existem algumas vantagens em se montar uma carteira de bons gestores através de um único fundo. 

Por essa razão, um FoF deve ser interpretado como uma carteira e não como um fundo individual. Essa carteira pode ser das mais diversas maneiras, contendo apenas uma classe de ativos (um FoF que investe apenas em fundos de ações, por exemplo) ou um FoF, que poderia ser a carteira completa de uma pessoa, por conter diversas classes de ativos.

Fonte: Finclass

Uma das principais vantagens desse tipo de estrutura é a possibilidade de acessar investimentos que, de forma direta, estariam fora do alcance do investidor geral - ou até mesmo dos qualificados -, seja por se tratarem de fundos fechados ao varejo, mas ainda abertos a investidores institucionais, seja por incluírem veículos mais restritos, voltados exclusivamente a investidores profissionais.

Um exemplo que costumamos usar é o do SPX Raptor, versão mais alavancada do fundo SPX Nimitz, que permaneceu fechado por muitos anos. Trata-se de um fundo restrito a investidores profissionais, com aplicação mínima de nada menos que R$ 1 milhão, o que, naturalmente, dificulta bastante o acesso direto para a maioria dos investidores.

No entanto, se um FoF alocar parte da sua carteira nesse fundo, o cotista do FoF passa a ter exposição indireta a esse produto restrito, mesmo sendo um investidor geral. Essa é justamente uma das grandes vantagens dos FoFs: viabilizar o acesso a estratégias diferenciadas e exclusivas, que, de forma individual, estariam fora do alcance da maior parte dos investidores.

Por isso, aqui, já temos a dúvida muito comum para quem se depara com uma estrutura de FoF pela primeira vez: 

“Não é mais barato investir nos fundos individualmente?”.

Não necessariamente. Isso porque, quando investimos diretamente em uma carteira de fundos, pagamos a totalidade das taxas de administração e performance cobradas por eles. No entanto, ao investir por um FoF, há a devolução das comissões (que chamamos de rebate) de distribuição, que retornam para o patrimônio do fundo. 

Por isso, apesar de os FoFs frequentemente possuírem taxas de administração para prover este acesso e comodidade, a depender de sua carteira, podem ter uma taxa efetiva muito próxima do que pagaríamos para investir individualmente em todos os fundos.

Veja abaixo uma simulação simples que ilustra o custo final ao investir em um FoF com taxa de 0,75% ao ano, alocado em porções iguais em fundos com taxa de administração 2% ao ano, sem taxa de performance e desconsiderando o efeito da devolução dos rebates.

Fonte: Finclass

Neste cenário, a taxa do FoF se somaria às taxas pagas, ao investir nos fundos da carteira. Dessa maneira, investir nos fundos separadamente seria mais barato. 

Ainda poderíamos argumentar que pagar um pouco mais pela conveniência, e/ou para acessar algumas estruturas mais exclusivas, poderia valer a pena. No entanto, se a taxa for alta demais, pode prejudicar os retornos em relação ao benefício trazido pelas estratégias investidas. 

Agora, se pudermos ao menos baratear um pouco o custo da estrutura, através da devolução dos rebates, teremos ainda mais vantagem. 

Observe, agora, uma simulação, considerando que um quarto da taxa de administração de cada fundo investido fosse devolvida ao fundo (devolução dos rebates). 

Fonte: Finclass

Neste exemplo, o custo adicional da estrutura do FoF seria de apenas 0,25% ao ano, que, a depender da carteira escolhida e considerando a conveniência agregada, pode ser uma boa oportunidade. 

A comodidade, por optar por um FoF, pode ser expandida, ainda mais quando falamos de previdência privada, na qual o processo de abertura de vários planos pode ser burocrático.

FoFs Previdenciários são facilitadores

No mundo da previdência, a vantagem de um FoF é amplificada por conta da burocracia adicional em montar uma carteira diversificada de fundos previdenciários.

Para cada fundo escolhido no mundo da previdência, um plano previdenciário é criado, o que pode ser mais trabalhoso. Fazer um único plano de previdência, que distribua seu dinheiro em uma carteira bem diversificada, é algo muito interessante.

Mas não é só comodidade que um FoF Previdenciário pode agregar. Um FoF Previdenciário pode investir parte de sua carteira em produtos que não sejam previdenciários, o que agrega uma baita vantagem em relação à carteira com os fundos individuais. 

Veja os FoFs recomendados, que possuem ETFs em sua carteira, por exemplo. São instrumentos não previdenciários que podem ser incluídos dentro do produto, o que pode potencializar o ganho tributário dos investimentos. 

Agora, como você deve imaginar, nem tudo são flores - já que o título do relatório deixa claro que estamos nos despedindo dos FoFs Previdenciários que recomendávamos. Falaremos sobre os motivos que nos levaram até essa difícil decisão. 

A dificuldade em se recomendar um FoF

Por mais que gostemos do instrumento e acreditemos que, dependendo de como o FoF é construído, ele pode ser extremamente vantajoso para pessoas físicas; é muito complicado recomendar e acompanhar FoFs que sejam montados por times de alocação no Brasil. 

Isso ocorre, principalmente, quando esses produtos são elaborados por times que têm a Finclass como concorrente direta. 

Hoje, temos a recomendação do FoF Superprevidência 1, produto que eu, Arrais, ajudei a idealizar,  é tocado pela Empiricus e gerido pelo BTG. Os outros FoFs recomendados seguem a mesma estratégia: a SuperPrev 1 e SuperPrev 2, elaborado pela Indê e executado pela XP. 

Nosso compromisso é com a independência e, por isso, sempre nos propusemos a procurar por bons produtos, mesmo que elaborados por concorrentes. Entretanto, recomendar FoFs nos traz grandes dificuldades adicionais. 

  • É necessário conhecer e aprovar a totalidade (ou, pelo menos, a maior parte) dos fundos que constituem a carteira do FoF; o que não é trivial, pois times de seleção de fundos possuem opiniões diferentes. 
  • É necessário aprovar a distribuição entre classes de ativos (alocação estrutural) proposta pelo FoF, que dificilmente será igual ou parecida com a alocação proposta pela Finclass. 
  • Além de aprovar a carteira, é preciso aprovar o time que faz a seleção de fundos e a elaboração da alocação estrutural. 
  • É preciso considerar, também, o estilo de gestão do time que elabora o FoF. Por exemplo, a carteira da SuperPrev é estática, enquanto a Superprevidência revê semestralmente seu posicionamento, tendo liberdade para alterar ligeiramente os percentuais de investimento. 

Esse contexto gera um grande desconforto em nosso time, pelo fato de sempre estarmos fazendo algum tipo de concessão para aprovar um FoF. Ou toleramos alguns fundos dos quais não gostamos, ou aceitamos uma alocação que não é exatamente como preferiríamos, entre outras concessões. 

Desta maneira, acabamos ficando com o ônus da cobrança por resultados de um produto que não temos ingerência e possuímos baixa influência para propor mudanças importantes de alocação ou fundos escolhidos. 

Por ser uma recomendação, temos responsabilidade de assegurar uma grande probabilidade de a performance ser satisfatória em prazos longos, mesmo tendo muito mais camadas de incerteza sobre todo o processo. 

Para tentar diminuir esses “pontos cegos”, temos recomendado, há algum tempo, a adição de peças previdenciárias, de forma que a composição final da carteira de previdência de nossos assinantes se aproxime ao máximo da alocação sugerida pelo time de analistas da Finclass. 

O futuro dos FoFs na Finclass

Por conta de todos os pontos levantados anteriormente, decidimos abandonar a cobertura de FoFs do mercado. Isso implica na retirada das recomendações atuais e no encerramento de procura por outros FoFs existentes no mercado. 

Acreditamos que, assim, deixaremos de recomendar estruturas que nos proporcionam desconfortos frequentes e liberaremos tempo de nossa equipe para melhorar ainda mais nossa seleção atual de fundos recomendados. 

Não é segredo que nosso time gostaria de tocar um projeto de FoF que siga a alocação recomendada da Finclass no futuro. No entanto, por sermos independentes, a única vantagem que um projeto desse trará para nós será a satisfação de nossos assinantes. 

Portanto, precisamos ter uma ideia se existe demanda para um produto como este. Se em algum momento sentirmos que essa necessidade é latente em nossa comunidade, procuraremos os parceiros apropriados no mercado para desenhar um excelente FoF. 

Se você gosta da ideia, conte para a gente durante nossas lives e/ou nas publicações na comunidade Circle. 

Na eventualidade de encontrarmos algum FoF que minimize os pontos levantados anteriormente, poderemos rever esta diretriz. Por exemplo, existem algumas ideias de que há FoFs Previdenciários, feitos com alocações passivas e proporções de alocação fixas; o que pode ter algum valor na composição de uma carteira diversificada. 

Encerrar a cobertura, portanto, não significa que ignoraremos uma boa oportunidade, quando ela bater em nossa porta. 

O que fazer com o atual investimento

Estamos encerrando a cobertura da análise de FoFs, não por julgarmos que os produtos recomendados são ruins. Pelo contrário, eles permaneceram muito tempo em nossas recomendações, por serem opções interessantes. 

No entanto, como não serão mais cobertos por nós, entendemos que um desconforto pode ser gerado em nossa base de assinantes, que espera nossa opinião sobre os produtos investidos. 

No caso de sentir esse desconforto, nossa orientação é de fazer a portabilidade (não o resgate) da previdência para produtos individuais, conforme orientado no Grande Manual de Previdência, publicado no ano passado. 

Você pode optar por fazer a portabilidade para um único fundo, ou até mesmo efetuar uma portabilidade para mais de um fundo ao mesmo tempo, já saindo com uma nova carteira previdenciária. 

Confira as previdências recomendadas, na tabela de fundos aprovados; não se esqueça de checar a aderência delas no relatório de previdência, mencionado anteriormente. 

Solicitando a portabilidade

O processo operacional é diferente, a depender da plataforma que você utilize para contratar o seu plano de previdência; porém o processo tende a ser o mesmo. 

A maneira mais simples é contar com a ajuda de seu assessor ou gerente de conta, já tendo em mente a previdência que pretende fazer a portabilidade. Para que ele possa te auxiliar, é necessário que a previdência nova esteja disponível na plataforma em que o profissional trabalha (Ex: o assessor da XP só conseguirá executar a portabilidade, se a previdência destino estiver disponível na XP).

Se quiser executar o processo evitando esse tipo de interação, faça a portabilidade a partir da criação de um novo plano de previdência. 

Ao escolher a previdência desejada na plataforma de sua preferência, você iniciará o processo de criação do plano previdenciário. Neste processo, você receberá a pergunta se deseja “iniciar uma previdência do zero” ou “trazer recursos de uma previdência existente”. Escolha a segunda opção. 

Você deverá apontar se quer uma portabilidade total ou parcial. Se estiver montando uma carteira de previdência com fundos à parte, selecione o montante apropriado para ser enviado para cada nova previdência, conforme o exemplo da ilustração abaixo:

Fonte: Finclass

Nossa experiência conta que este processo, nem sempre tranquilo, por conta de intermediários, que tendem a atrasar o andamento. 

O principal exemplo é quando o cliente está fazendo uma portabilidade para fora da instituição que o FoF se encontra. É comum, conforme já reportado por centenas de clientes, que o assessor ou gerente tente ligar para “entender” os motivos de você estar fazendo aquela portabilidade, com o intuito de reter o cliente em questão. 

É o trabalho do profissional fazer isso; mas lembre-se que você está buscando recomendações de investimento com profissionais que são habilitados e capacitados para tal (analistas da Finclass). Por isso, nossa sugestão é que você sempre saiba o que quer comprar e vender e utilize os profissionais das corretoras e bancos como um apoio, e não como provedor de recomendações. 

Os nossos recomendados até aqui.

A retirada da cobertura dos FoFs não significa que os fundos deixaram de ser bons, como já destacamos nas seções anteriores. Muito pelo contrário: ainda reconhecemos diversos pontos positivos nesses produtos. Por isso, não consideramos um “pecado mortal” manter o investimento por ora; nem achamos que seja necessário fazer uma portabilidade imediata para outro fundo previdenciário, até porque esse processo costuma exigir tempo, pesquisa e reflexão.

Para ajudar nessa decisão, trazemos a seguir um resumo dos FoFs recomendados até aqui, relembrando suas principais características e destacando os principais indicadores quantitativos de cada um.

Não abordaremos a discussão de resultado, por sabermos que, historicamente, o resultado de curto prazo tende a pesar na decisão dos cotistas sobre se o fundo é bom ou ruim. O contexto macroeconômico, desenhado desde o surgimento da pandemia, tornou muito difícil ganhar dinheiro, tomando risco justamente em um momento de forte elevação de juros e de um CDI cada vez mais competitivo.

Sabemos que os FoFs recomendados perderam para o CDI nos últimos anos, o que era, de certa forma, esperado pela movimentação de mercado observada. Entretanto, isso não os torna produtos ruins; eles continuam muito bem-posicionados para capturar uma retomada dos mercados. 

Vale também relembrar que a previdência é um investimento para horizonte muito longo, para além de 10 anos. 

Superprevidência 1

A história da Superprevidência 1 é tão importante para a indústria quanto o primeiro FoF Previdenciário feito para o investidor de varejo. Tive o prazer de acompanhar o nascimento e o desenvolvimento do produto ao longo de anos, uma vez que foi criado pelo time de análise de fundos da Empiricus Research, do qual eu fiz parte em 2019. 

O produto prometia entregar retornos atrativos, contando com uma análise independente, que procurava inovar e procurar bons fundos para compor a carteira. 

Posteriormente, uma segunda versão da previdência foi lançada e tinha praticamente a mesma alocação da Superprevidência, mas com uma taxa superior - um dos principais motivos dessa versão não ter sido recomendada pela, então, equipe de análise da Spiti. 

O projeto foi atualizado e relançado sob os moldes da Nova Superprevidência, que foi adequado à legislação atual do universo da previdência, trazendo ainda mais flexibilidade para o produto. 

Esta nova versão, lançada em junho de 2022, momento em que eu, Felipe Arrais, já estava à frente da equipe de análise de fundos da Spiti (hoje Finclass), era interessante, mas esbarrou nos conceitos expostos neste relatório. 

Desde lá, já julgávamos que era difícil recomendar um FoF que não fosse feito sob medida para nossa comunidade, e preferimos não dedicar energia em trazer novas recomendações da classe. 

O fundo possui bastante diversificação, além de um conceito de alocações táticas e estratégias nas quais  é permitido fazer alterações calculadas nos percentuais da carteira. 

Abaixo, você pode verificar a atual alocação da carteira, retirada do site oficial da Empiricus. 

Fonte: Empiricus

SuperPrev

A SuperPrev foi um projeto que visou continuar o legado criado pela Superprevidência. Luciana Seabra, foi a analista que idealizou a Superprevidência ainda nos tempos de Empiricus (enquanto éramos parte da mesma equipe). Após a saída da empresa, ela criou uma casa de análise concorrente, que veio a se chamar Spiti e, logo, procurou parceiros no mercado para continuar seu projeto de previdência para investidores de varejo. 

Para esse projeto, o produto teve apoio da XP; e, em abril de 2020, nasce a SuperPrev. 

Uma das principais diferenças entre esse produto e o discutido anteriormente é o viés de alocação. A Superpreviência explora benchmarks diferentes, tentando otimizar a relação risco e retorno;  para isso, conta com a possibilidade de alterar seus percentuais de exposição ao longo do tempo. 

Isso não quer dizer que um produto seja melhor do que o outro, mas sim que  possuem estilos diferentes. Um é mais estático e com grande peso em multimercados (que terão a responsabilidade de alocar o dinheiro de maneira diversificada), enquanto o outro tem um perfil mais tático e busca tirar um pouco da responsabilidade dos gestores, trazendo alternativas de diversificação na própria alocação estrutural  - como índices de inflação, cripto, internacional, entre outros. 

Com a saída de Luciana Seabra do comando da Spiti, ela cria uma casa de análise e manifesta seu desejo de continuar tocando o produto que idealizou. Nós, da Spiti, não nos opusemos e ajudamos a conduzir o processo formal de transferência de carteira da Spiti para a Indê. 

Dessa maneira, a Superprev 1 e 2 passou a ser apenas mais um produto recomendado como qualquer outro, já que não estava mais sob nossos cuidados como alocadores. 

A Superprev nasce com uma maior alocação de risco, em relação ao outro FoF recomendado; sua data de estreia foi muito favorável, já que os mercados passavam por uma forte recuperação em abril de 2020, depois da queda causada pela pandemia. Esse timing fez com que, desde o nascimento da Superprev, ela tenha sido mais rentável que a Superprevidência. 

Abaixo, segue a alocação atual da Superprev:

Fonte: Indê. Adaptação: Finclass

A carteira passou por mudanças recentes e, por isso, mesmo que estejamos nos despedindo da recomendação, queremos te atualizar sobre elas, a partir do comunicado oficial emitido pela equipe da Indê.

Atualizações da SuperPrev

Entre as principais mudanças, destaco duas trocas importantes na caixa da Diversificação, em nome da eficiência:

  • Entrada do Kinea Zeus Prev, disponível apenas para Fundos de Fundos, no lugar do Kinea Atlas;
  • Entrada da nova previdência da Verde no lugar do Verde AM Prev.

Também foram feitas alterações a fim de melhorar a diversificação dentro da fatia de Valorização, distribuindo melhor o peso entre os diferentes subtipos. Assim, retiramos Athena Prev, parte do subtipo “Qualidade”, incluímos Real Investor, entre os fundos “Fora do Radar”, e passamos a classificar Alaska, ao lado de Núcleo, como “Pimentinha”.

Dentre essas mudanças, que entraram em vigor na carteira teórica, algumas já foram realizadas nos fundos SuperPrev 1 e 2, da XP Seguros, que se inspiram em nossa alocação de previdência. São elas:

  • Troca dos fundos de previdência da Verde, encerrada no início de fevereiro;
  • Troca das previdências da Kinea, finalizada nesta semana;
  • Entrada da previdência da Real Investor, concluída nesta semana;
  • Retirada do fundo Athena Prev.

Os ajustes no peso de cada fundo dentro da alocação das diferentes fatias estão em curso, justamente por conta dos prazos de cotização mais longos de boa parte dos veículos.

No geral, julgamos que as mudanças vêm para melhorar o produto e, por isso, contam com nossa aprovação. O que pode ser importante caso decidamos continuar investindo no produto. 

E a Previdência Arca?

É difícil passar uma semana sem que alguma pergunta sobre a previdência ARCA apareça em nossas lives. Para colocar todos na mesma página, a Finclass é uma empresa pertencente ao Grupo Primo, assim como a gestora Grão. 

A Grão, na condição de gestora, tem a liberdade de criar seus produtos próprios sem qualquer interferência da análise feita pela Finclass;assim como a Finclass não tem qualquer obrigação de recomendar os produtos da Grão. 

Por serem empresas “irmãs”, uma recomendação da previdência ARCA geraria a desconfiança sobre nossa independência, mesmo que gostemos do produto genuinamente. 

Portanto, desde o final de 2021, temos um protocolo que seguimos à risca: não recomendar produtos financeiros da casa que não sejam pensados pelo time de análise da Finclass. Achamos que, assim, geramos uma assimetria favorável;  por mais que possamos deixar de recomendar algo legal, nos blindamos de qualquer possibilidade de conflito de interesses.

Na prática, nossa decisão de hoje, em encerrar a cobertura de FoFs, não alterará nada em relação à ARCA, pois já não tínhamos o produto em nossas recomendações, por conta desta política de preservação de independência. 

Ficamos por aqui...

Nós, da Finclass, gostamos do instrumento de Fundos de Fundos para investidores de varejo. Quando bem montados e com uma taxa justa, eles podem beneficiar muitas pessoas, tanto em termos de comodidade quanto de performance, dadas as características positivas que comentamos ao longo deste relatório.

No entanto, é extremamente difícil chancelarmos FoFs estruturados por equipes distintas - tanto pela necessidade de tolerar desconfortos (como fundos e alocações que não aprovamos), quanto pela dificuldade em obter informações para  manter nossos assinantes atualizados. Afinal, tratam-se de casas concorrentes, o que tende a reduzir a disposição em compartilhar informações essenciais conosco. 

Por isso, estaremos aqui para te dar apoio ao longo do processo de ajuste da carteira previdenciária. 

Antes de nos despedir, gostaríamos também de ressaltar nosso desejo de um dia elaborar um FoF Finclass, seja no mundo da previdência ou fora dele. Por isso, precisamos que você manifeste sua opinião na comunidade Circle. 

Continue contando conosco para procurar as melhores opções de fundos de investimento para sua carteira. 

Um grande abraço, 

Felipe Arrais, Ana Farias e Rodrigo Xavier

Sobre os analistas

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.