Introdução;
O fluxo estrangeiro na B³ e o rebalanceamento na ARCA Renda
Escrito por Evandro Medeiros em AÇÕES
Neste relatório, você encontrará:
Modificações nos pesos da ARCA Renda;
Contextualização sobre cada empresa cujo peso foi modificado.
Olá, estimado(a) assinante,
O ano de 2026 tem sido de fortes emoções: fluxo estrangeiro robusto até abril e sua consequente (e brutal) retirada posterior, El Niño, eleições, guerra no Oriente Médio, enfim, diversos fatores que acentuaram a volatilidade.
Nos primeiros dias do ano, o estrangeiro chegou a retirar R$ 917 milhões da bolsa brasileira, mas logo passou a injetar recursos, chegando a um saldo acumulado de R$ 69 bilhões no auge em março.
Contudo, a partir desse momento houve uma retirada em massa: entre o pico e o dia em que escrevo (11 de agosto), o fluxo estrangeiro retirou quase R$ 40 bilhões, fazendo o IBOV devolver boa parte da alta e o SMLL cair pouco mais de 10%.
Fontes: B3 (fluxo) e Bloomberg (IBOV e SMLL).
No curto prazo, passamos pela ditadura do fluxo estrangeiro. A boa notícia é que isso é passageiro e que esse fenômeno abre uma enorme oportunidade para investidores(as) sagazes que buscam negócios de qualidade. Aqui, abordaremos as que julgamos ser as principais delas, tanto as que caíram como as que subiram e seguem atrativas.
Com essas quedas, entendemos que se abriu uma janela ideal para reequilibrar nosso portfólio de ações. Vale ressaltar que você NÃO deve vender nenhum ativo para se readequar ao portfólio, mas direcionar os novos aportes e reinvestir os dividendos nos ativos cuja proporção está abaixo da indicada.
ARCA Renda
No portfólio de Renda, elevamos a alocação em 0.5 p.p. em BRBI11 e também de 0.5 p.p. em WIZC3, reduzindo em 0.5 p.p. KLBN4 e 0.5 p.p em KEPL3.
ARCA Valorização
Nessa carteira, optamos por deixá-la intocada, com PRIO3 seguindo como nossa maior posição, seguido de GMAT3, uma varejista alimentar com um enorme potencial, e demais posições equivalentes em WIZC3, VAMO3, KEPL3 e SLCE3 e 1% alocado em BRBI11, que deverá entregar crescimento e dividendos.
A seguir, trazemos a contextualização dos ativos com proporção modificada, começando pelas reduzidas.
Klabin
A declaração com o maior grau de sinceridade que posso lhes dar é: chega a doer reduzir a exposição à KLBN4 nos preços atuais. A questão é que o ativo tinha uma alocação de 3,5% do portfólio e, mesmo entregando um potencial enorme, entendemos que elevar a exposição em WIZC3 e BRBI11 é salutar e oportunístico. Trata-se de um mero rebalanceamento e, de forma alguma, de uma redução da nossa convicção na tese.
Kepler Weber
Essa empresa também apresenta diferenciais competitivos ímpares, como dominância geográfica, a marca mais benquista pelos agricultores do segmento e uma baixa necessidade de reinvestimento no negócio, auferindo ROICs impressionantes.
Fonte: Kepler Weber.
Contudo, a exposição de 3,5% foi reduzida marginalmente para 3% para elevar outras posições que julgávamos subalocadas, como WIZC3 e BRBI11.
Reiteramos que a mudança de forma alguma representa redução do grau de convicção na tese. A Kepler é uma empresa centenária e uma contumaz pagadora de dividendos que atravessa a baixa do ciclo o que é, historicamente, o melhor momento para alocar em negócios cíclicos.
BR Partners
As units BRBI11 caíram após divulgar um resultado fraco no 2T26. Contudo, o ROE trimestral do banco é notoriamente volátil e, no pior trimestre desde o IPO (4T21), o banco voltou a entregar resultados melhores nos trimestres seguintes.
Fonte: BR Partners. Elaboração: Finclass.
A verdade é que os últimos anos foram atipicamente duros para bancos de investimento que dependem de fusões & aquisições (M&A) e o BR Partners provou saber navegar com maestria em mares turbulentos.
Um leve arrefecimento da Selic, que pode encerrar o ano entre 13,25% e 13,75%, já seria suficiente para estimular a demanda por transações que geram os serviços mais rentáveis para o banco. Ademais, mesmo se os juros persistirem elevados por mais tempo do que o esperado, a área de Mercado de Capitais se beneficia pela robustez da demanda de emissões de dívida.
Assumindo um lucro líquido de R$ 170 milhões para 2026, a empresa estaria negociando a um P/L de somente 8x (na cotação de R$ 12,02) e a um dividend yield de 8,4%. A questão é que em 2027 o lucro será superior e, consequentemente, o yield, também. O acionista leva proventos interessantes no presente e crescentes ao longo do tempo.
Wiz Co.
A Wiz vem apresentando bons resultados, com uma geração de caixa surpreendente:
Fonte: Wiz Co. Elaboração: Finclass.
O caixa da Wiz ajustado pela sua participação nas subsidiárias e controladas cresce consideravelmente a cada trimestre.
Fonte: Wiz Co. Elaboração: Finclass.
Para 2026, estimamos um dividendo total por ação de R$ 0,63, o equivalente a um dividend yield de 8,5% na cotação de R$ 7,42. Assim como BR Partners, esse retorno via proventos deverá crescer em 2027, especialmente por conta da Inter Seguros, da recuperação da BMG Corretora e da alavancagem minguando, que melhora o resultado financeiro.
Nos preços atuais, em um cenário catastrófico em que o BRB é liquidado e a BRB Seguros valeria somente o caixa da corretora que está desvinculado aos passivos do banco, o retorno real é interessante. Na hipótese de um cenário mais brando, o retorno de WIZC3 é bastante atrativo, com previsibilidade no pagamento de dividendos e baixo risco. Portanto, estamos confortáveis em manter uma exposição crescente na companhia.
Considerações finais
Sabemos que meses como os últimos testam a paciência de qualquer investidor(a). Ver a carteira devolver boa parte da alta do ano incomoda e seria desonesto dizer o contrário. Mas é fundamental separar o que mudou de fato do que apenas oscilou de preço.
Nada do que aconteceu desde abril alterou de forma material a capacidade das empresas que carregamos de gerar caixa, pagar dividendos e crescer. O que mudou foi o preço que o mercado está disposto a pagar por elas, e isso ocorreu por um motivo que pouco tem a ver com fundamentos: quase R$ 40 bilhões saíram da bolsa brasileira em poucos meses. Preço é o que você paga, valor é o que você recebe e em poucas vezes os dois estiveram tão descolados nas nossas teses.
É por isso que insistimos: seja contracíclico(a). Na prática, isso significa manter os aportes regulares mesmo (e principalmente) quando a tela está vermelha, e reinvestir integralmente os dividendos recebidos.
Siga o processo, respeite os pesos da carteira e deixe o tempo trabalhar a seu favor.
Forte abraço,
Evandro Medeiros
CNPI 9270
Sobre os analistas
Evandro Medeiros
Especialista em Ações
Analista CNPI, economista e especialista em mercado acionário da Finclass. Iniciou sua trajetória em análise de ações em 2019, cobrindo inicialmente o mercado brasileiro e, posteriormente, ampliando seu escopo para os mercados globais, com foco especial em ativos dos Estados Unidos e da Argentina, países onde também teve a oportunidade de residir. É um apaixonado declarado pela filosofia do Value Investing e um entusiasta das empresas “pouco empolgantes”, que muitas vezes oferecem uma precificação mais atrativa do que os grandes nomes conhecidos.