No relatório de hoje, você verá:
- Uma visão geral do cenário nacional e internacional. Nos Estados Unidos, tivemos um mês conturbado com inflação e payroll acima do esperado, e novamente o adiamento do início do corte de juros nos EUA, o que afetou as bolsas no mundo todo.
- A mudança da meta fiscal. O ministro da Fazenda apresentou em abril uma nova meta para 2025, que indica uma flexibilização em comparação com a projeção feita no ano passado, quando o governo pretendia alcançar um superávit de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano. Dessa forma, a perspectiva de Haddad é que esse superávit nas finanças públicas seja atingido apenas em 2026.
- As principais notícias do mercado de fundos imobiliários e o desempenho do setor. Em abril, tivemos o primeiro mês negativo no ano no segmento de fundos imobiliários.
- Mudança nas carteiras Finclass de Valorização e Renda. No relatório extraordinário anterior, tivemos a saída e entrada de FIIs na carteira.
Cenário macroeconômico
Europa
Na Europa, apesar de termos dados econômicos de inflação alinhados com as projeções e atividade industrial satisfatória, as principais bolsas do bloco fecharam o mês em queda – em grande parte explicada por uma escalada em tensões no Oriente Médio devido ao ataque do Irã a Israel, e principalmente por mudanças de expectativas de corte de juros nos Estados Unidos.
Banco Central Europeu manteve as taxas de juros
O BCE se reuniu no dia 11 de abril para mais uma decisão de política monetária. A deliberação foi pela manutenção do nível de taxa de juros, em linha com o esperado pelos investidores. Assim, a taxa de refinanciamento de depósitos e empréstimos manteve-se em 4,50%, 4% e 4,75%, respectivamente. O mercado ainda espera que o ciclo de cortes se inicie em junho.
Inflação e PMI na Europa
O IPC anual de 12 meses da Zona do Euro de março veio em 2,4%, em linha com o esperado pelas projeções, ante os 2,6% no mês anterior. O PMI composto preliminar referente a abril, divulgado no dia 23, aumentou para 51,4, ante os 50,3, e foi impulsionado pelos serviços. Lembrando que o PMI acima de 50 indica expansão, enquanto abaixo desse valor indica contração.
Já na Alemanha, o IPC anual de março desacelerou para 2,2% ante 2,5%. O PMI composto preliminar referente a abril, divulgado também no dia 23, acelerou para 50,5 ante os 47,7.
Vale ressaltar que, tanto na Alemanha quanto na Zona do Euro, o PMI composto vem sendo positivamente impulsionado pelo setor de serviços, e negativamente pelo setor industrial, que continua em contração.
Entretanto, mesmo com os índices de inflação vindo em linha com o esperado, e cada vez mais desacelerando para que a meta seja alcançada, as principais bolsas do continente acumularam perdas.
Principais bolsas europeias
O índice Stoxx 600, principal indicador das bolsas europeias, encerrou o mês com queda de -2,58%, acumulando 1,74% em 2024. Na Alemanha, principal economia da Europa, o DAX fechou com uma redução de -3,03%, acumulando 7,05% em 2024. A exceção foi o FTSE 100, índice da bolsa de Londres, que acumulou alta pelo segundo mês seguido de 2,19%, com 5,02% acumulado no ano.
Como mencionado acima, grande parte do resultado negativo veio principalmente por questões geopolíticas no Oriente Médio, além das mudanças nas expectativas de corte de juros nos EUA, que explicaremos melhor abaixo.
Estados Unidos
Em abril, tivemos um mês complicado para os ativos de risco do país, que impactaram os ativos de todo o mundo:
Inflação nos Estados Unidos
Neste mês, a inflação nos Estados Unidos trouxe incômodo aos investidores.
No dia 10 de abril, foi divulgado o CPI americano que surpreendeu negativamente o mercado. O índice de preços aumentou 0,4% em março, contra a projeção de 0,3%. O acumulado de 12 meses cresceu para 3,5%, ante os 3,4% no mês anterior.
Mesmo que essa diferença tenha sido de 0,1% acima do esperado, já foi o suficiente para os investidores repercutirem tal informação nas expectativas de cortes de juros futuros.
Mudanças nas expectativas de juros
Segundo a CME Fedwatch, ferramenta que fornece uma análise das expectativas do mercado sobre a taxa de juros americana definida pelo Fed a cada 45 dias, no dia 8 de abril (dois dias antes da divulgação do CPI), o mercado projetava uma probabilidade de 46,1% de queda de juros para a banda de 500-525 na reunião de junho (12 de junho de 2024):
Fonte: CME
Entretanto, após a divulgação do CPI, as expectativas foram jogadas para a reunião de setembro (18 de setembro de 2024):
Fonte: CME
Lembramos que, no relatório anterior em que abordamos o desempenho de março, mencionamos que, no início do ano, o mercado aguardava o primeiro corte em março. Devido à ausência de sinalização do Fed, as expectativas foram rearranjadas para junho.
Agora, após os dados de inflação virem acima do esperado, Jerome Powell (presidente do Fed) adotou um discurso novamente mais duro, levando o mercado a projetar o corte para setembro. Vamos acompanhar de perto esse movimento para entender os próximos passos.
Emprego e salário médio por hora
O número de empregos fora do setor agrícola cresceu em 303 mil em março, superando o aumento médio mensal de 231 mil nos últimos 12 meses. Neste período, os setores governamental, de saúde e construção civil foram os que mais contrataram.
A estimativa de crescimento do emprego total fora do setor agrícola em janeiro foi ajustada para cima em 27 mil, de +229 mil para +256 mil, enquanto a estimativa de fevereiro foi ajustada para baixo em 5 mil, de +275 mil para +270 mil. Com esses ajustes, os empregos adicionados em janeiro e fevereiro totalizam 22 mil a mais do que o inicialmente reportado.
A taxa de desemprego manteve-se estável em 3,8%, com 6,4 milhões de pessoas desempregadas em março. A taxa de desemprego tem variado entre 3,7% e 3,9% desde agosto de 2023.
Em março, o salário médio por hora para todos os trabalhadores de empresas privadas não agrícolas aumentou R$ 0,12, ou 0,3%, para US$ 34,69. Nos últimos 12 meses, esse salário médio por hora teve um aumento de 4,1%.
As principais bolsas americanas
As bolsas americanas, em resposta ao adiamento das expectativas de corte de juros, terminaram o mês no negativo. O índice S&P500, que compreende as 500 maiores empresas dos EUA, registrou queda de -4,16% em abril, fechando o ano em 5,21%. O índice da Nasdaq, que representa as maiores empresas de tecnologia, teve perda de -4,41%, acumulando 3,96% em 2024. Por fim, o Dow Jones, que consiste nas 30 maiores empresas industriais públicas americanas, apresentou um resultado de -5% no mês e 0,57% no ano.
Brasil
Existe uma narrativa comum no mercado financeiro de que muito do que acontece nos Estados Unidos, diferentemente de algumas regiões, impacta a Bolsa brasileira.
Apesar dos ruídos e polêmicas na política brasileira nos últimos meses, acreditamos que grande parte do resultado negativo no Brasil este ano se deve principalmente aos EUA.
Como mencionamos anteriormente, as mudanças nas expectativas de juros afetaram bolsas ao redor do mundo – e nós não ficamos imunes a isso.
Por esses e outros fatores, as principais instituições financeiras do país projetam que a Selic terminal (nível da Selic estimado ao final de um ciclo de política monetária) termine o ano em 10%, ante OS 9%.
Inflação e atividade econômica
O IPCA de março, divulgado no dia 10 de abril (mesmo dia do IPC nos Estados Unidos), acelerou em 0,16%, enquanto o mercado esperava uma alta de 0,25%.
Esse fato surpreendeu positivamente o mercado, mas não foi o suficiente para que os ativos de risco terminassem o dia positivos, devido aos dados de inflação nos Estados Unidos que, conforme mencionamos, impactaram negativamente as bolsas do mundo todo:
Fonte: Bloomberg | Elaboração: Finclass
IPCA-15
Para trazermos a inflação de abril, utilizaremos o IPCA-15, dado que o índice contém a mesma cesta que o IPCA, com a particularidade de ser coletado em um período diferente – geralmente, entre o dia 16 do mês anterior e o dia 15 do mês referente.
Divulgado em 26 de abril, o IPCA-15 apresentou alta de 0,21%, abaixo da projeção de mercado pelo segundo mês consecutivo, de 0,29%. Os maiores contribuidores foram saúde e cuidados pessoais, e alimentação e bebidas.
Fonte: IBGE
Por curiosidade, o item de transportes (que registrou deflação de 0,49%) foi puxado principalmente pela redução nas passagens aéreas, que caíram 12% no período. Não houve um motivo específico para tal queda; apenas a mera volatilidade do item que, estruturalmente, é alta.
No Relatório Focus, divulgado dia 30 de abril pelo Banco Central, a expectativa para o IPCA em março era de 0,35%. Vale ressaltar que o IPCA e o IPCA-15 possuem a mesma cesta, variando apenas o período de coleta de dados. Vamos considerar que ambos os índices estarão alinhados, com todos os outros fatores permanecendo constantes.
Se essa previsão se confirmar, teremos um IPCA acumulado com alta de 3,72% nos últimos 12 meses até março, ficando abaixo do teto da meta de inflação para 2024, que é de 4,50% com alvo (centro do intervalo da meta em 3%), e desacelerando em comparação com o mês anterior, quando encerrou em 4,13%.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
IGP-M
O IGP-M, índice de inflação calculado pela FGV e muito utilizado para o reajuste de contratos imobiliários, variou 0,31% em março, contra a projeção de 0,11% do mercado. Vale lembrar que o período de referência é entre o dia 21 do mês anterior e o dia 20 do mês de coleta. O dado foi divulgado no dia 27 de abril. No acumulado do ano, o índice encontra-se em -3,04% nos últimos 12 meses.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
Política Fiscal
No dia 5 de abril, foi divulgado o relatório do Prisma Fiscal, sistema de coleta de expectativas do mercado para acompanhamento da evolução de diversos indicadores, incluindo dados sobre a saúde fiscal do país.
Neste mês, as instituições financeiras diminuíram a projeção do déficit do Resultado Primário do Governo Central de 2024, indo de R$ -82,8 bilhões para R$ -78,6 bilhões. Vale lembrar que, nos últimos dois meses, a projeção continua caindo.
Fonte: Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda (06/04)
Além disso, tivemos uma surpresa em abril com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciando a revisão da meta fiscal para 2025 e para os próximos anos. Antes, era previsto um resultado primário do Governo Federal de 0,5% em 2025, caindo para 0%. Espera-se agora que o superávit seja apenas em 2026.
Mesmo assim, em nossa visão, a parte fiscal teve menos impacto na formação de preços dos ativos de risco do que o panorama macroeconômico americano em abril.
Não estamos dizendo que o governo pode gastar mais do que arrecada; apenas que o que está impactando mais a bolsa brasileira neste momento é o que acontece lá fora. Vale destacar que, comparando a bolsa brasileira e a nossa moeda com seus pares emergentes, o Brasil teve um desempenho bem pior.
Fonte: Bloomberg | Elaboração: Kinea Investimentos
Curva de juros
Seguindo o mesmo movimento dos três primeiros meses do ano, a curva de juros, em sua ponta longa, abriu ainda mais em abril. A diferença na ponta longa foi de 28 pontos-base para 82 pontos-base (0,82%) no fechamento de abril. Já na ponta curta, observa-se que a diferença também foi grande, de 39 pontos-base (0,39%).
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
Relatório Focus
O relatório Focus, publicado no dia 30 de abril, mostrou aumento nas expectativas dos indicadores coletados pelo Banco Central para 2024 - incluindo a Taxa Selic -, em relação ao último relatório do mês de março.
Fonte: Banco Central | Data: 28/03/2024
Fonte: Banco Central | Data: 26/04/2024
Os fundos imobiliários em abril
Principais notícias sobre os fundos imobiliários
Tivemos alguns destaques referentes ao setor de fundos imobiliários que impactaram o mercado:
BBIG11: Captação de R$ 991 milhões
O BB Premium Malls, fundo imobiliário de gestão BB Asset, divulgou o anúncio de encerramento da 1ª Emissão de Cotas do fundo, perfazendo o montante total de R$ 990 milhões, superando o valor inicial de R$ 800 milhões.
PVBI11: Aquisição de 100% do Faria Lima
O PVBI11, fundo imobiliário de escritórios e gestão VBI Real Estate, anunciou um fato relevante sobre a compra do imóvel Faria Lima 4440. Foi concluída a aquisição no montante total de R$ 194,8 milhões do FLFL11 (lembramos que o imóvel é listado em bolsa com o ticket acima), e agora o PVBI11 possui 100% das cotas do FLFL11.
Os ofertantes da Oferta Secundária FLFL se obrigaram a constituir um fluxo de renda mínima em favor dos investidores no âmbito da Oferta Secundária FLFL no valor de R$ 9,6 milhões, devendo esta quantia ser utilizada pelo PVBI para constituição do fluxo da Renda Mínima Garantida.
Deste modo, o PVBI11 passou a ser o único cotista do fundo – ou seja, o dono do imóvel.
HGLG11 e HGRU11: Assembleia para aquisição da CSHG pelo Pátria
Anunciamos há alguns meses na comunidade da Finclass, o Finclub, que o Grupo UBS decidiu vender a propriedade da CSHG, gestora de Real Estate do Credit Suisse, subsidiária do grupo UBS. A gestora Pátria Investimentos, empresa listada em bolsa de valores nos EUA, efetuou a aquisição da gestora, trazendo todo o time de gestão CSHG para a estrutura. Para tal mudança, é necessária a aprovação em assembleia. Nossa recomendação é que o voto seja favorável.
Para mais detalhes, acesse a comunidade.
BRCR11 e CNES11: Cisão concluída
O BRCR11, fundo imobiliário de escritório, anunciou recentemente uma reciclagem de portfólio de ativos classe B, além da cisão do CENESP (imóvel listado em bolsa pelo código CNES11). Fizemos um relatório extraordinário detalhando mais sobre o movimento. Nele, recomendamos a venda do CNES11.
LVBI11: Resultado de alocação da 5ª emissão de cotas
O LVBI11 divulgou o comunicado ao mercado de resultado de alocação da 5ª emissão de cotas do fundo. O total do montante de oferta foi de 1.874.893 novas cotas. A 5ª emissão atingiu a meta do total de R$ 220 milhões, conforme anunciado no início da oferta pública.
Desempenho do IFIX
O IFIX teve seu primeiro mês negativo neste ano; fechou abril com -0,77% e acumulou um ganho de 2,13% em 2024. Refletindo as notícias e mudanças nos cenários macroeconômicos, o IBOVESPA, índice que representa a bolsa brasileira, fechou abril com queda de -1,7%, acumulando -6,15% em 2024. Já o IMOB, índice estruturalmente volátil, registrou uma perda de -11,56%, fechando os quatro primeiros meses com queda de -17,11%.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
Retorno por setor
Os únicos dois setores que não apresentaram queda foram os de CRIs e híbridos, que finalizaram o mês praticamente estáveis. Já os fundos de tijolo (com destaque para os setores de logística e de agências bancárias) tiveram quedas de -2,3% e -2,9%, respectivamente.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
Top 10 melhores e piores performances
Destacaram-se no ranking das maiores altas e baixas o DEVA11 (fundo de papel), com alta de 14,6%, e o RECT, (fundo de escritório), que registrou a maior baixa do mês, com queda de -11,6%.
*Consta entre os recomendados Finclass
Fonte: Economatica | Elaborado por Finclass
DY anualizado por setor
Em relação aos dividendos, o setor de CRIs continua liderando a distribuição de proventos, com DY anualizado de 13%, seguido pelo setor de agro com 11,4%. O IFIX ficou em terceiro lugar, apresentando um DY anualizado de 11,2%, alta de 0,3% em relação ao mês anterior.
Dividend Yeld ponderado do vs IPCA
O DY ponderado do IFIX em abril ficou em 11,19% na visão anualizada, o que representa um prêmio de 534 pontos-base (5,34%) em relação à taxa do Tesouro IPCA+ 2035, que encerrou o mês em 5,85% a.a. Esse prêmio ainda é superior à média histórica do IFIX, que possui um prêmio médio de cerca de 290 pontos-base (2,9%). Em relação ao relatório do mês anterior, a taxa do título IPCA+ teve um aumento de 1 ponto-base (0,01%).
Carteiras Finclass
Carteira de Renda
A carteira de renda não teve alterações em abril. No entanto, conforme o relatório publicado na primeira semana de maio, concluímos a revisão da carteira e fizemos algumas mudanças.
Portanto, a configuração atual permanece a seguinte:
Fonte: Finclass
Lembrando que o total de FIIs na Carteira de Renda é de 40%. Ao observarmos apenas a fatia de FIIs, ou seja, ao considerarmos que apenas a alocação em FIIs totaliza 100%, temos a seguinte alocação setorial:
Fonte: Finclass
Fonte: Finclass
Todas as alterações foram tratadas no relatório anterior. Por isso, sugerimos que faça a leitura dele. Mas, em resumo:
- Saíram os FIIs: RBRR11, KNIP11, HGLG11 e HGRU11.
- Entraram os FIIs: FATN11, KNSC11 e GARE11.
Os FIIs recomendados na carteira de renda divulgaram os seguintes rendimentos em abril (considerando as recomendações do mês vigente):
Fonte: Finclass
O resultado da alocação de fundos imobiliários, bem como a contribuição do segmento para o retorno auferido pela Carteira de Renda em março de 2024, será abordado no relatório de resultado da carteira completa, que será publicado em breve.
Carteira de Valorização
A Carteira de Valorização encerrou o mês sem movimentações. Entretanto, a carteira teve alterações, conforme o último relatório publicado.
Desta forma, considerando a alocação mais ampla em FIIs, aquela presente na lista de recomendados para a Carteira de Valorização com patrimônio a partir de R$ 100 mil, temos a seguinte configuração (para saber a lista de recomendados para carteiras com patrimônio inferior a este patamar, por favor, acesse a área de recomendados no site da Finclass):
Fonte: Finclass
Fonte: Finclass
Lembrando que o total de FIIs na Carteira de Valorização é de 15%. Ao observamos apenas a fatia de FIIs, ou seja, ao considerarmos que apenas a alocação em FIIs totaliza 100%, temos a seguinte alocação setorial:
Fonte: Finclass
Todas as alterações foram tratadas no relatório anterior. Por isso, sugerimos que faça a leitura dele. Mas, em resumo:
- Saíram os FIIs: KFOF11, HGLG11 e HGRU11.
- Entraram os FIIs: RBFF11, BCIA11 e FATN11.
As alocações variam conforme a sua faixa de patrimônio. Por isso, antes de fazer qualquer movimentação, consulte a carteira na plataforma.
Os FIIs recomendados na carteira de valorização divulgaram os seguintes rendimentos em abril (considerando as recomendações do mês vigente):
Fonte: Finclass
Assim como na Carteira de Renda, na Carteira de Valorização, o resultado da alocação de fundos imobiliários, bem como a contribuição do segmento para o retorno auferido para a carteira em abril de 2024, serão abordados no relatório de resultados da carteira completa, que será publicado posteriormente.
Seção especial: FIIs que estavam na carteira “O Melhor dos Fundos Imobiliários” e não estão em nenhuma carteira Finclass (Renda ou Valorização)
No momento da fusão entre Finclass e Spiti, quando adotamos apenas as soluções de carteira completas (valorização e renda), a construção de tais portfólios fez com que alguns FIIs anteriormente recomendados não estivessem mais em nenhuma das carteiras.
Para minimizar o impacto da mudança para os assinantes que estavam na Spiti e agora estão na Finclass, assumi o compromisso de manter a cobertura destes FIIs. Quando chegar o momento em que este analista entender ser o ideal para desmontar a posição, informarei com relatório de recomendação de venda. Importante salientar que não existe recomendação de compra para tais FIIs; apenas há a liberdade para que o estoque detido anteriormente seja carregado, sem novos aportes. Isto posto, caso o (a) investidor (a) não queira já executar a adequação de sua alocação em FIIs para o indicado na Carteira de Renda ou de Valorização. Seus investimentos, suas regras!
Enquanto este momento de venda não se materializa por meio do relatório de recomendação, nos relatórios mensais de atualização sobre o mercado de fundos imobiliários, teremos um capítulo dedicado exclusivamente a trazer como tais FIIs se comportaram no mês. Estes FIIs são o CVBI11, FII de papel (CRI) com gestão da VBI, e AIEC11, FII de escritórios com gestão da Autonomy.
AIEC11 – Atualização
O Fundo apresentou uma valorização de 1,66% no mês de abril, encerrando em R$ 52,80 por cota. O P/VP ficou em 0,61, representando um desconto de 39% em relação ao seu montante patrimonial. Nestes quatro primeiros meses de 2024, houve uma queda de -3,03% (considerando os dividendos).
A distribuição de dividendos em março foi de R$ 0,71 por cota, equivalente a um DY de 1,36% ao mês, ou 17,64% ao ano, considerando o valor de fechamento em abril. O resultado do fundo foi de R$ 0,24 por cota, e R$ 0,47 por cota saíram do caixa para completar o pagamento de dividendos.
Não houve mudanças na carteira de locatários do AIEC11, que permanece com 100% de sua área bruta locável ocupada. É importante lembrar que a Dow, locatária do Rochaverá, comunicou, ainda em 2023, que deixará a área ocupada ao final do contrato, em janeiro de 2025. Além disso, já é de conhecimento público que ela ocupará outro empreendimento na mesma região. A gestora segue em negociações comerciais para garantir a ocupação total ou parcial da área, evitando assim a vacância física/financeira quando a Dow se retirar. No último relatório gerencial, a equipe de gestão apresentou o status da comercialização da área do Rochaverá.
Quanto ao status da comercialização da ABL do AIEC11 em relação ao mês anterior, a gestora informou um aumento de 13.280 m² nas demandas totais. Observa-se um crescimento nas demandas ativas (conversas iniciais), que passaram de 37.200 m² para 42.500 m². Ocorreu também um aumento nas demandas engajadas (visitas e/ou reuniões realizadas) e em negociação inicial (proposta comercial enviada), o que demonstra que as conversas estão evoluindo para uma futura locação do prédio em São Paulo. É importante ressaltar que o prédio é locado atualmente apenas para a Dow, porém, não há impedimento para haver múltiplos inquilinos, o que trará uma diversificação importante para o portfólio.
Novamente, reiteramos que nossa equipe realiza atualizações com o time de gestão para mantê-lo (a) informado (a); o esforço de comercialização segue dentro do esperado.
Reforçamos também que não há recomendação de compra para este FII. Aqueles que optaram por manter a posição previamente adquirida, porque era uma das recomendadas no “Melhor dos FIIs”, podem seguir com esse estoque, sem fazer novas aquisições, até que a venda seja recomendada. Qualquer recomendação será comunicada e justificada por meio de um relatório.
CVBI11 - Atualização
O fundo valorizou 0,13% no mês de abril, fechando no valor de R$ 94,21 por cota. O P/VP ficou em 0,98, representando um desconto de 2% em relação à sua cota patrimonial. No primeiro trimestre de 2024, acumulou alta de 6,24% (valorização + dividendos).
Se você se atentou ao relatório anterior, sabe que já demos call de venda para o CVBI11. Caso ainda não tenha lido, reforçamos que você já pode – e deve – vender suas cotas do CVBI11.
Conclusão
Assim, encerramos o relatório de atualização do mercado de fundos imobiliários referente ao mês de abril.
Tivemos o primeiro mês do IFIX em negativo neste ano, refletindo o cenário macroeconômico global e nacional, e uma abertura de juros que, normalmente, afeta de forma negativa os ativos de risco. Lembramos, por fim, que o mercado de fundos imobiliários, por ser dominado pela pessoa física, acaba tendo momentos adversos em alguns casos – o que ainda não tira o nosso viés otimista para este ano.
Mas você, investidor (a) que confia em nosso trabalho, com certeza tem um nível de consciência acima da média seguindo a nossa visão de longo prazo.
Agradecemos a costumeira paciência,
Ricardo Figueiredo e Ted Duarte