Relatórios

O mercado de FIIs em fevereiro de 2024

Escrito por Ricardo Figueiredo em FUNDOS IMOBILIÁRIOS

17 min de leitura

No relatório de hoje, você encontrará:

·         Fatores macroeconômicos no exterior e no Brasil que ditaram os rumos dos ativos de risco. Com decisão de política monetária apenas por parte do BoE, autoridade monetária do Reino Unido, os olhos do mercado se voltaram para dados de inflação e desemprego nos EUA, além dos resultados das empresas no 4T23. O CPI (inflação ao consumidor) nos EUA veio acima da expectativa de mercado, o que tem viés negativo para ativos de risco. A geração de empregos em nível acima do previsto foi outro fator que pressionou as ações, mas os bons resultados das empresas no 4T23 foram suficientes para apagar o pessimismo instaurado com os dados econômicos. No Brasil, sem reunião do Banco Central para definir taxa de juros, observamos o IPCA-15 de fevereiro ficar abaixo do esperado pelo mercado (0,78% vs 0,82%), mas com resiliência na inflação de serviços. A expectativa para março se mantém de corte de 0,50% na taxa Selic. Em fevereiro, o movimento na curva de juros mostrou leve aumento nos vencimentos mais longos, assim como vimos em janeiro, já como reflexo da interpretação do mercado quanto à dificuldade do governo para entregar a meta de superávit primário acordada para o ano.

·         No mercado de fundos imobiliários, fevereiro pode ser chamado de janeiro 2.0: alta do Ifix em 0,79%, com emissões sendo propostas, anunciadas ou concluídas, além de negócios com imóveis sendo anunciados ou concluídos, mostrando que o mercado de FIIs e o mercado de ativos reais seguem ativos. O DY do Ifix ficou levemente acima do mês anterior, em 11,2%, estabelecendo um prêmio de 5,7% para o Tesouro IPCA 2035, acima da média histórica (2,9%).

Cenário global

Na Europa, fevereiro teve humor ambíguo para o mercado acionário. Entre os índices mais importantes, o principal indicador da Zona do Euro, Stoxx 600, encerrou fevereiro com alta de 1,84%, acelerando em relação ao mês anterior e acumulando alta de 3,25% no ano. Na Alemanha, a principal economia da Europa, o DAX teve impressionante alta de 4,66% no mês e com isso acumula ganhos de 5,7% no ano. Pelo segundo mês consecutivo, destoou dos pares o mercado londrino. O FTSE100 teve queda de 0,27% e acumula baixa de 1,17%, e lembro que o indicador tem um peso maior de commodities do que outros índices acionários europeus. Outro fator importante que precisamos destacar é que tivemos divulgação de resultados do 4T23 das empresas e isso movimentou sobremaneira alguns papéis e ajuda a explicar performances distintas.

Na Alemanha, o dado de inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de janeiro, divulgado ao longo de fevereiro, acelerou para 2,9% na visão anualizada, ante 3,7% na medição anterior e veio em linha com a expectativa do mercado. A desaceleração na inflação alemã foi muito positiva e ampliou as apostas de postura mais dovish do Banco Central local para antecipar o ciclo de redução de juros. Observemos as próximas medições e aí teremos mais um fator determinante para o bom desempenho do mercado acionário alemão em fevereiro.

Observando a Zona do Euro de forma consolidada, o CPI divulgado em fevereiro (base de janeiro de 24) marcou alta anualizada de 2,8%, mantendo desaceleração, mas ficou acima da expectativa de mercado (2,7%). No Reino Unido, o CPI britânico caiu 0,6% no mês e apresentou variação de +4% na taxa anual, mantendo-se estável em relação ao mês anterior, abaixo da expectativa de mercado, que era 4,2%, mas ainda se encontra em patamar elevado. Na visão do núcleo do CPI britânico, onde excluem-se os itens mais voláteis (alimentos e energia), o número é ainda mais elevado, com inflação anual em 5,1%.

Em fevereiro, não tivemos decisão de política monetária por parte do Banco Central Europeu (BCE). Já o BoE, autoridade monetária do Reino Unido, realizou o primeiro encontro do ano e optou pela manutenção dos juros, como esperado pelo mercado, em decisão dividida. Seis dirigentes votaram pela manutenção do patamar de juros e dois membros votaram pela elevação de juros em 25 pontos-base, ou 0,25%, tendo ainda um terceiro membro que votou pela redução de juros em 0,25%. Tarefa indigesta tentar antever o movimento do BoE.

Já nos EUA, sem reunião do Fed, a autoridade monetária americana, os olhos do mercado se voltaram para resultados corporativos de 4T23, dados de inflação e dados do mercado de trabalho durante o mês de fevereiro.

A inflação de janeiro, divulgada em fevereiro nos EUA, mostrou o índice de preços ao consumidor (CPI) com alta de 0,3% ante o mês anterior, acima da expectativa de mercado, que era de alta de 0,2%, mesmo patamar de alta do mês anterior. A medição anualizada ficou em 3,1%, desacelerando em relação ao mês anterior, quando marcou alta de 3,4%. O núcleo do CPI, que desconsidera os itens mais voláteis como alimentos e energia, marcou alta de 3,9% na taxa anual, mantendo o nível verificado no mês anterior. Mas ao mostrar um dado de inflação acima da expectativa de mercado, investidores começaram a precificar o corte de juros nos EUA para o segundo semestre.

Os dados de payroll (relatório sobre mercado de trabalho) divulgados em fevereiro reforçaram essa redução do otimismo do início do ciclo de corte de juros nos EUA. A maior economia do planeta informou a criação de 353 mil vagas, bem acima da expectativa de mercado, que estava em 185 mil vagas. Ainda que saibamos que este dado foi revisado posteriormente para uma criação de 229 mil postos de trabalho, é fato que no momento da divulgação a notícia prejudicou a performance dos ativos de risco. A taxa de desemprego ficou em 3,7%, estável. O salário médio por hora avançou 0,55%, acelerando ante a alta de 0,44% na medição anterior e acima da expectativa de mercado (0,30%).

Apesar dos dados adversos exibidos pelo mercado de trabalho (sob a ótica de arrefecimento da economia e antecipação do corte de juros), o ciclo positivo de divulgação de resultados das empresas listadas gerou um fevereiro muito positivo para ações nos EUA, especialmente papéis do mercado de tecnologia. Os principais índices do mercado de ações nos EUA trouxeram ganhos aos investidores: o Dow Jones subiu 2,22% e acumula alta de 3,5% no ano. O S&P 500 avançou 5,17% acumulando ganhos de 6,8% em 2024 e o Nasdaq teve impressionante alta de 6,12% e acumula alta de 7,2% no ano.

Em relação às commodities, o minério de ferro teve forte recuo em fevereiro. O contrato futuro do minério de ferro refinado 62% (CFR) encerrou o mês com queda de 7,6%. O petróleo engatou o segundo mês de alta. A medição pelo contrato futuro do tipo Brent encerrou o mês com alta de 2,3%.

Cenário nacional

Em relação aos dados econômicos divulgados ao longo de fevereiro no mercado local, comecemos com a inflação. Ainda não tivemos a divulgação do IPCA de fevereiro quando redijo este relatório, portanto, para traçar a curva de IPCA, vamos assumir para fevereiro o IPCA-15, uma vez que o índice tem a mesma composição, mudando apenas o período de coleta de dados para aferição do índice do mês. O IPCA-15 de fevereiro veio acelerando em relação ao mês anterior, de 0,31% para 0,78%, mas abaixo da expectativa do mercado, que aguardava uma medição de 0,83%. Com alta de 5,1% no grupo Educação, temos a tradicional sazonalidade de início de ano como vilã para essa aceleração do indicador. Mas um importante grupo chamou atenção: o grupo Alimentação e Bebidas teve alta de 0,97%, sendo que o subgrupo alimentação no domicílio subiu ainda mais, 1,16%. Condições climáticas adversas prejudicaram diversas culturas e causaram elevação nos preços de alimentos.

Como o boletim Focus do Banco Central, que exibe a expectativa de mercado para indicadores econômicos, mostrou na divulgação de 5 de março uma expectativa de IPCA para fevereiro de 2024 em +0,77%, entendo que podemos assumir o IPCA-15 realizado de 0,78% como boa base para traçarmos nossa tradicional curva do IPCA. Caso se materialize a alta de 0,78% para a medição de janeiro, temos um IPCA acumulando alta de 4,44% nos 12 meses findos em fevereiro, abaixo do teto da meta de inflação para 2024, que é 4,50%, com alvo (centro do intervalo da meta) em 3% e acelerando levemente em relação ao mês anterior, quando marcou +4,39%.

image.png
image.png

Fonte: Economatica | Elaborado por Finclass

Já trouxe esta informação em relatórios anteriores, mas acho importante reforçar esta comunicação aqui. Lembro que as medições de IPCA entre maio e novembro de 2023 oscilaram, entre -0,96% e 3,41%, com média de 2,2% na visão anualizada, ou seja, abaixo de 0,20% a.m. Este cenário impactou de forma negativa os rendimentos distribuídos pelos FIIs de CRI indexados à inflação. Já em dezembro com +0,56%, em janeiro com IPCA +0,42% e com o IPCA de fevereiro se materializando em algo entre 0,70% e 0,80%, teríamos os três últimos meses com as maiores medições nos últimos trimestres. É de se esperar que tenhamos níveis maiores de rendimentos em tais FIIs nas distribuições de março, assim como já vimos em fevereiro, fator que alertei que ocorreria há pelo menos seis meses. Níveis mais elevados de rendimentos certamente serão benéficos para a precificação da cota de tais fundos no mercado secundário.

image.png
image.png

Fonte: Economatica | Elaborado por Finclass

Em janeiro, abrimos estre trecho do relatório dizendo que a curva de juros futuros, em sua ponta longa, apresentou abertura (aumento) de 20 pontos-base (0,20%). Pois em fevereiro tivemos novamente o mesmo efeito. Um olhar mais apurado detectará que mesmo a ponta curta colocou uma eventual Taxa Selic em final de ciclo de corte de juros mais próxima de 9,75% do que de 9,50% como no mês anterior. Em janeiro tivemos arrecadação recorde conforme dados divulgados pela Secretaria da Receita Federal. No primeiro mês de 2024, as receitas com impostos e contribuições federais cresceu, em termos reais, 6,7% e chegou a R$ 280,4 bilhões. Aliviamos nosso índice de endividamento? Pelo contrário, mesmo com arrecadação recorde, a dívida bruta subiu 0,7% e atingiu 75% do PIB. Eis o calcanhar de Aquiles do momento positivo que esperamos para ativos de risco no Brasil: o ímpeto gastador do governo. Em março teremos Copom, o corte na Taxa Selic já está encomendado, deveremos então nos atentar à comunicação da autoridade monetária.

image.png
image.png

Fonte: Economatica | Elaborado por Finclass

Em relação ao câmbio, em fevereiro a cotação do dólar se aproximou ainda mais do patamar de R$ 5,00. A moeda norte-americana fechou o mês cotada a R$ 4,98, alta de 0,38%. Em 2024 a moeda se valoriza 2,5% ante o real.

O Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, encerrou fevereiro recuperando parte das perdas de janeiro, com alta de 0,99%, aos 129.020 pontos. No ano, o Ibovespa acumula baixa de 3,8%. As ações do setor imobiliário, medidas pelo Imob, também recuperaram em fevereiro parte das perdas de janeiro, com uma alta de 1,27%. No ano, acumulam queda mais severa: - 7,3%.

O mercado de fundos imobiliários em fevereiro de 2024

Tivemos importantes notícias no mercado de FIIs no mês, com amplo domínio de fundos de tijolos, especialmente com compras, vendas e movimentação de locatários:

·         XPML11: informou o encerramento da captação da 10ª emissão de cotas, em que foram subscritas e integralizadas 8.935.752 cotas perfazendo o total de R$ 1 bilhão. Com isso, o FII será o primeiro fundo do segmento de shopping centers a ver seu patrimônio ultrapassar a marca de R$ 4 bilhões. A alocação do recurso vem ganhando mais detalhes ao longo de março e trataremos disso no próximo relatório mensal.

·         XPML11: além da emissão, janeiro foi movimentado para o FII, que anunciou alienação de fração no Caxias Shopping destravando lucro imobiliário equivalente a R$ 0,55/cota, além das aquisições de frações nos shoppings Plaza Sul e Estação Shopping e pré-pagamento de despesa financeira que tem potencial para gerar incremento de R$ 0,02/cota.

·         KFOF11: a gestora Kinea anunciou a 4ª emissão de cotas deste fundo de fundos imobiliários. Espera-se captar R$ 194 milhões, mas a demanda pode elevar o volume até R$ 242 milhões, considerando lote complementar. É um dos primeiros FoFs a anunciar emissão, procurando aproveitar o momento oportuno para compra de FIIs.

·         RBVA11: o fundo de renda urbana da gestora Rio Bravo anunciou que foi assinada a escritura definitiva para aquisição de imóvel localizado na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, uma das principais e mais nobres vias de comércio na cidade de São Paulo. O imóvel terá locação atípica, na modalidade BTS (built to suit), firmada com a Portobello, empresa de capital aberto listada na B3 e figurante como um dos maiores grupos do setor cerâmico brasileiro. O local receberá a loja conceito (flagship) da marca após reforma na edificação do espaço, que abrigava anteriormente uma agência bancária.

·         HGBS11: o fundo do setor de shopping centers, com gestão da Hedge Investments, anunciou que concluiu a venda de fração de 10,6% do Fashion Outlet Novo Hamburgo (RS) com cap rate de 7,3% (considerando resultado do ativo em 2023) e gerando lucro imobiliário equivalente a R$ 1,51/cota, que será destravado até o final do primeiro semestre de 2025, uma vez que a venda terá recebimento parcelado por parte do FII.

·         LVBI11: fundo de logística com gestão da VBI anunciou que ampliou a participação de 60% para 65,74% no desenvolvimento do empreendimento imobiliário que contará com dois ativos com vocação para Last Mile no ativo Pirituba, que já tem uma unidade em operação, 100% pertencente ao FII e locada à Alfa Laval.

·         GCRA11: o fiagro com gestão da Galápagos informou através de comunicado ao mercado que em 06/02 foi formulado pelo Grupo Elisa Agro pedido de recuperação judicial da companhia. Os CRAs que possuem tal empresa como devedora representavam na data aproximadamente 8,3% do patrimônio líquido do fiagro. Haverá solicitação de vencimento antecipado da dívida, que conta com garantia real representada pela alienação fiduciária de terras, que, segundo o gestor e administrador, possuem valor de avaliação de aproximadamente 100% do saldo devedor da dívida. Quem me acompanha a mais tempo sabe que minha surpresa com a situação mora na escolha de administrador e gestor pelo instrumento “Comunicado ao Mercado” para informar aos cotistas. Me resta imaginar o que seria considerado um “Fato Relevante” para ambos...

Em fevereiro, o Ifix repetiu janeiro e foi na contramão das ações. Alta de 0,79% para o principal índice do mercado de FIIs, encerrando o mês aos 3.360 pontos. No acumulado do ano o Ifix acumula ganhos de 1,5%.

image.png
image.png
image.png
image.png

Fonte: Economatica | Elaborado por Finclass

Em fevereiro, mês marcado por alta dos preços das cotas dos FIIs, o destaque setorial ficou com o grupo de FIIs de Renda Urbana, especialmente pela boa performance do TRXF11, que subiu 3% no mês. O segmento Logístico, com alta de 1,60%, também foi destaque e ao observamos os dez FIIs com melhores retorno no mês, dentre aqueles que compõem o Ifix, temos três representantes do setor. Na ponta negativa dos setores, fundos de CRI com ganhos de apenas 0,36%, bem abaixo do Ifix, puxados pela performance ruim de FIIs de maior risco de crédito (High Yield), que ainda sofrem com inadimplência e necessidade de concessões de condições especiais para devedores.

image.png
image.png

Fonte: Economatica | Elaborado por Finclass

Observando a lista de dez maiores altas, destaque para o FII de escritórios com gestão da XP Asset, o XPPR11, que teve alta de 20,2% em fevereiro com a expectativa de que a gestora esteja prestes a anunciar a alienação do portfólio de ativos e encerramento do FII.

Fecham as três maiores altas o BTRA11, FII do setor agro com gestão do BTG, que teve alta de 18,64% e recuperou-se da queda de 17% do mês anterior, e o BROF11, FII do setor de escritórios que subiu 9,36% no mês, apagando a queda superior a 6% vista em janeiro. Destacamos ainda no top 10 de altas de fevereiro três FIIs logísticos: RZAT11 (+3,9%), PATL11 (+3,7%) e HGLG11 (3,6%), sendo que temos os dois últimos em nossa carteira de Renda. Entre as quedas destacaram-se FIIs de CRI com carteira high yield com problemas de crédito, casos de HCTR11, VSLH11 e TORD11, que novamente figuraram entre as dez maiores baixas do mês. As top 3 quedas foram de HCTR11 (-20%), AIEC11 (-9,5%) e HTMX11 (-8,5%).

image.png
image.png

* Consta entre os recomendados Finclass

Fonte: Economatica | Elaborado por Finclass

Em relação aos dividendos, o segmento de CRIs retomou a liderança, com DY de 12,6% a.a., já refletindo a recuperação da distribuição nas carteiras que são majoritariamente indexadas ao IPCA. FoFs seguem como boa alternativa tanto para carrego de renda quanto para expectativa de valorização. O segmento exibiu DY ponderado em fevereiro de 11,8% a.a.

image.png
image.png

Fonte: Economatica | Elaborado por Finclass

Já entre aqueles que geraram menor patamar de rendimento, ficaram os FIIs de logística, com DY de 9,4%, mesmo patamar do setor de escritórios. Únicos com DY abaixo de 10% a.a., entre os principais setores. O Ifix teve DY médio em fevereiro levemente acima do mês anterior (11,2% vs 11,1%).

Este DY do Ifix de fevereiro em 11,5% na visão anualizada significa um prêmio de 556 pontos-base para a taxa do Tesouro IPCA+ 2035, que encerrou o mês em 5,62% a.a. Tal nível de prêmio é substancialmente superior à média histórica do Ifix, que tem prêmio médio de aproximadamente 290 pontos-base. Aproveito para destacar a taxa do título público federal: IPCA + 5,62% a.a., ou seja, 28 pontos-base (0,28%) acima do fechamento do mês anterior. Volte no gráfico da curva de juros futuros: não é mera coincidência.

image.png
image.png

Fonte: Economatica

Carteiras Finclass

A Carteira de Renda encerrou fevereiro sem alterações em relação ao mês anterior, lembrando que em janeiro promovemos diversas mudanças na carteira e tratamos disto no relatório do referido mês.

A Carteira de Renda finalizou fevereiro com a seguinte configuração:

image.png
image.png

Fonte: Finclass

Considerando apenas a fatia de FIIs da Carteira de Renda para totalizar 100%, temos a seguinte alocação setorial:

image.png
image.png

Fonte: Finclass

Agora falo especialmente com os assinantes oriundos da série O Melhor dos FIIs, quando ainda estávamos com a marca Spiti. Essa alocação setorial está absolutamente em linha com aquilo que tínhamos na série O Melhor dos Fundos Imobiliários. O analista responsável permanece o mesmo e minha leitura de mercado não mudou.

image.png
image.png

Fonte: Finclass

Os FIIs recomendados na Carteira de Renda divulgaram os seguintes rendimentos no mês de fevereiro:

image.png
image.png

Fonte: Economatica | Elaborado por: Finclass

O resultado da alocação de fundos imobiliários bem como a contribuição do segmento para o retorno auferido pela Carteira de Renda em fevereiro de 2024 será abordado no relatório de resultado da carteira completa, que será publicado em breve.

A Carteira de Valorização encerrou o mês sem inclusões ou retiradas na lista de recomendados, ou mesmo alterações nos percentuais dos FIIs na carteira. Lembro que em janeiro realizamos ajuste no preço máximo de compra (Pmax) e abordamos no relatório anterior.

Desta forma, considerando a alocação em FIIs mais ampla, aquela presente na lista de recomendados para a Carteira de Valorização com patrimônio a partir de R$ 100 mil, temos a seguinte configuração (para saber a lista de recomendados para carteiras com patrimônio inferior a este patamar, por favor, acesse a área de recomendados no site da Finclass):

image.png
image.png

Fonte: Finclass

Na Carteira de Valorização, temos uma exposição um pouco menor aos FIIs de papel (CRI) do que tínhamos no Melhor dos FIIs. Uma alocação que visa à geração de renda passiva não pode simplesmente ter uma visão limitada com seleção de maiores geradores de renda recorrente sem a devida preocupação com a preservação de capital. Buscamos isso com aumento em renda urbana e logístico, esperando os reflexos positivos nestes setores como resultado do momento mais propício para os tijolos, por conta do ciclo de redução de juros.

image.png
image.png

Fonte: Finclass

Os FIIs recomendados na Carteira de Valorização divulgaram os seguintes rendimentos no mês:

image.png
image.png

Fonte: Finclass

Assim como destacamos na Carteira de Renda, aqui na Carteira de Valorização, o resultado da alocação de fundos imobiliários bem como a contribuição do segmento para o retorno auferido para a carteira em fevereiro de 2024 será abordado no relatório de resultado da carteira completa que será publicado na semana seguinte à publicação deste relatório.

Seção especial: FIIs que estavam na carteira O Melhor dos Fundos Imobiliários e não estão em nenhuma carteira Finclass (Renda ou Valorização)

No momento da fusão entre Finclass e Spiti, onde adotamos apenas as soluções de carteira completas (Valorização e Renda), a construção de tais portfólios fez com que alguns FIIs anteriormente recomendados não estivessem em nenhuma das carteiras.

Para minimizar o impacto da mudança para os assinantes que estavam na Spiti e agora estão na Finclass, assumi o compromisso de manter a cobertura destes FIIs. Quando chegar o momento em que este analista entender ser o ideal para desmontar a posição, informarei com relatório de recomendação de venda. Importante salientar que não existe recomendação de compra para tais FIIs, apenas a liberdade para que o estoque detido anteriormente seja carregado, sem novos aportes, isso claro, caso o investidor ou investidora não queira já executar a adequação de sua alocação em FIIs para o indicado na Carteira de Renda ou de Valorização. Seus investimentos, suas regras!

Enquanto este momento de venda não se materializa através de relatório de recomendação, nos relatórios mensais de atualização sobre o mercado de fundos imobiliários teremos um capítulo dedicado exclusivamente a trazer como tais FIIs se comportaram no mês. Estes FIIs são CVBI11, FII de papel (CRI) com gestão da VBI, e AIEC11, FII de escritórios com gestão da Autonomy.

AIEC11: em 29/02 anunciou rendimento de R$ 0,71/cota com pagamento em 08/03. Considerando a cotação de fechamento na data-com (29/02), gerou um DY de 1,41% a.a., ou 18,3% a.a. O valor foi muito superior ao mês anterior pois, tivemos a normalização das receitas imobiliárias com o efeito caixa do pagamento de ambas as locatárias (no mês anterior não contamos com a receita da Dow, locatária do Rochaverá, porque ela antecipou em dezembro de 2023).

Não houve mudanças na carteira de locatários do AIEC11, que permanece com 100% de sua área bruta locável ocupada. Lembro que a Dow, locatária do Rochaverá, comunicou ainda em 2023 que deixará a área ocupada ao final do contrato, em janeiro de 2025, inclusive já é de domínio público que ela ocupará outro empreendimento na mesma região. A gestora segue em tratativas comerciais buscando gerar ocupação total ou parcial de tal área para evitar vacância física/financeira quando da efetiva saída da Dow. No último relatório gerencial, a equipe de gestão demonstrou o status da comercialização da área do Rochaverá.

image.png
image.png

Fonte: Autonomy

Quanto ao status da comercialização da ABL do AIEC11 em relação ao mês anterior, a gestora informou aumento de 9 mil m² no grupo de demandas totais e um crescimento ainda mais expressivo, de 13.500 para 42.200 m², a demanda considerada ativa. Mas tivemos em mais de 50% na demanda engajada, aquela com visitas ou reuniões mais aprofundadas já realizadas, e a pequena demanda que existia em negociação acabou caindo uma vez que o interessado precisava da área antes da saída da Dow, prevista para janeiro de 2025, como já citamos.

Faço atualização com reuniões com o time de gestão do FII justamente para mantê-los informados e entendo que o esforço de comercialização segue ativo. Observando os dados recentes de melhoria na ocupação da região da Chucri Zaidan em queda, localização do Rochaverá, e com informação de que outros proprietários de áreas em outras torres do complexo anunciaram recentemente novas locações no ativo, caso do JSRE11, que recentemente informou locação na Torre Ebony do complexo, mantenho expectativa de sucesso na locação parcial do espaço a ser deixado pela Dow, com informações ainda em 2024 (2º semestre).

Reforço que não existe recomendação de compra para tal FII. Aqueles que preferiram manter a posição previamente adquirida porque ele era um dos recomendados no Melhor dos FIIs podem seguir com esse estoque, sem novas aquisições, até que recomendemos venda, que será informada e justificada com relatório. Em fevereiro o AIEC11 apresentou retorno total (valorização + dividendo) de -9,51%. Em 2024 acumula queda de 10,2%.

CVBI11: em 08/03 anunciou rendimento de R$ 0,95/cota com pagamento em 15/03. Considerando a cotação de fechamento na data-com (8/3), gerou um DY de 0,99% a.a., ou 11,5% a.a., segunda maior distribuição nos últimos 8 meses. Em fevereiro o CVBI11 apresentou retorno total (valorização + dividendo) de +2,77%. Em 2024 acumula alta de 5,4%.

O relatório gerencial divulgado em fevereiro, com as informações de janeiro, mostrou que o fundo conseguiu fazer uma geração de resultado equivalente a R$ 1,05/cota, em linha com aquilo que anunciou como rendimento em janeiro (R$ 1,05/cota) e ainda conta com reserva de lucros permanece em R$ 0,24/cota, o que é muito útil pois poderá ser utilizada em meses em que temos expectativas de inflação mais baixa, por conta da natureza sazonal.

image.png
image.png

Fonte: VBI

O CVBI11 encerrou fevereiro com desconto para patrimonial de 0,8%, ou seja, PVP de 0,99. Reforço que não existe recomendação de compra para tal FII. Aqueles que preferiram manter a posição previamente adquirida porque ele era um dos recomendados no Melhor dos FIIs podem seguir com esse estoque, sem novas aquisições, até que recomendemos venda, justificando com relatório de recomendação.

Assim encerramos nossa atualização do mercado de fundos imobiliários com as informações do mês de fevereiro. No mundo dos FIIs, tivemos um início de 2024 bem positivo, especialmente quando comparamos com a performance negativa das ações. Esperamos que essa seja a dinâmica de 2024, sem obviamente desconsiderar a boa e velha volatilidade, seja por fatores internos, seja por questões advindas do exterior com dinâmica econômica, política ou bélica.

Agradeço a costumeira paciência.

Bons investimentos!

Ricardo Figueiredo

Sobre os analistas

Ricardo Figueiredo

Sócio

É analista CNPI, especialista em fundos imobiliários da Finclass. Bacharel em Economia com especialização em Mercados Financeiros e MBA em Gestão Financeira e Atuarial, começou a carreira como professor na área de tecnologia. Migrou para mercado financeiro, no qual atua há quase 20 anos. Entre 2003 e 2021, passou pela área de investimentos da Vivest, maior fundo de pensão de capital privado do país. Realizou análise e gestão de investimentos em imóveis e carteira de fundos imobiliários, que totalizavam mais de R$ 1,2 bilhão. Acredita que todo e qualquer conhecimento não disseminado perde sua utilidade e, por isso, quer levar conteúdo de finanças para todos, com linguagem leve e de forma responsável.