Relatórios

O mercado de FIIs em janeiro de 2024

Escrito por Ricardo Figueiredo em FUNDOS IMOBILIÁRIOS

17 min de leitura

O cenário do mês de janeiro de 2024

Cenário global

Na Europa, abrimos 2024 com humor positivo para boa parte dos mercados acionários, mas em ritmo menor do que experimentamos no final de 2023. Entre os índices acionários mais importantes, o principal indicador da Zona do Euro, Stoxx 600, abriu 2024 com alta de 1,39%. Na Alemanha, a principal economia da Europa, o DAX teve alta de 0,99% no mês. Destoou dos pares o mercado londrino. O FTSE100 teve queda de 0,91%.

Na Zona do Euro, o dado de inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de dezembro, divulgado ao longo de janeiro, acelerou para 2,9% na visão anualizada, ante 2,4% na medição anterior, e veio em linha com a expectativa do mercado. O núcleo, que descarta itens mais voláteis, como alimentos e energia, marcou alta de 3,5% na visão anualizada, em linha com as expectativas de analistas e economistas e perdendo força em relação ao mês anterior, quando apontou alta de 3,6%. Ainda que a notícia de redução no núcleo seja muito positiva, a aceleração no índice cheio traz dúvida quanto à postura mais dovish do Banco Central local para antecipar o ciclo de redução de juros. Observemos as próximas medições.

O próprio resultado do CPI de dezembro na maior economia da Europa, a Alemanha, mostra que a batalha para controlar a inflação na região não está em estágio tão avançado quanto nos EUA. O dado divulgado em janeiro mostrou que no último mês de 2023 a inflação ao consumidor subiu 3,7% na visão anualizada, avançando ante os 3,2% do mês anterior, confirmando expectativa do mercado.

Em 25/01 houve a primeira reunião do Banco Central Europeu (BCE) em 2024. A autoridade monetária optou pela manutenção do patamar de juros: 4,5% a.a. para refinanciamento e 4% a.a. para a taxa que remunera os depósitos bancários e segue como guia para os custos de empréstimos na Zona do Euro. Este é o nível mais elevado desde a criação do BCE. A decisão veio em linha com a expectativa do mercado. A presidente do BCE, Christine Lagarde, reforçou a mensagem de que manterá nível restritivo pelo tempo necessário para que a inflação convirja à meta, mas o mercado já projeta início de ciclos de cortes em 2024, de modo que a mesma taxa que está em 4% chegue ao final do ano entre 2,50% e 2,75% a.a. A próxima reunião do BCE para definição de taxa de juros será em 07/03.

Já nos EUA, a autoridade monetária (Fed) decidiu, na primeira reunião em 2024, pela manutenção da taxa de juros no intervalo entre 5,25% e 5,50% ao ano, conforme amplamente esperado pelo mercado. A coletiva de imprensa do Fomc, órgão equivalente ao Copom no Brasil, procurou conter a onda de apostas para início do ciclo de cortes de juros nos EUA já na reunião de março. Não obstante, o mercado já se prepara para ver um corte anunciado na reunião de maio. Os dados mais fortes de atividade econômica geram dúvidas sobre o eventual tamanho do ciclo, mas o momento de início vai ganhando contorno mais claro: maio de 2024. A próxima decisão de política monetária nos EUA ocorrerá em 20/03.

Nos EUA, ao longo de janeiro também tivemos divulgação de resultado do PIB no 4T23. A soma das riquezas da maior economia do planeta cresceu 3,3% no quarto trimestre (medição anualizada) superando o teto das expectativas do mercado e corroborando o cenário de resiliência dos EUA. O mercado já esperava um crescimento menor do que o do 3T23, quando a medição marcou alta de 4,9%, mas a desaceleração foi mais amena.

A inflação de dezembro, divulgada em janeiro nos EUA, mostrou o índice de preços ao consumidor (CPI) com alta de 0,3% ante o mês anterior, acima da expectativa de mercado, que era de alta de 0,2%, e acelerando em relação ao mês anterior, quando teve alta de 0,1%. A medição anualizada em dezembro ficou em 3,4%, acelerando em relação ao mês anterior, quando marcou alta de 3,1%. O núcleo do CPI, que desconsidera os itens mais voláteis como alimentos e energia, em dezembro marcou alta de 0,3% em relação ao mês anterior. O dado anualizado marcou redução de 4% para 3,9%, acima da expectativa de mercado.

Os dados de payroll (relatório sobre mercado de trabalho) divulgados em janeiro mostraram que os EUA criaram 216 mil vagas, bem acima da expectativa de mercado, que estava em 175 mil vagas. A taxa de desemprego ficou em 3,7%, estável. O salário médio por hora avançou 0,44%, acelerando ante a alta de 0,35% na medição anterior e acima da expectativa de mercado (0,30%).

Em janeiro, os principais índices do mercado de ações nos EUA abriram o ano trazendo ganho aos investidores, na esteira do início de ciclo de corte de juros que se avizinha, além do início de temporada de balanços das companhias O Dow Jones subiu 1,22%, o S&P 500 avançou 1,59% e o Nasdaq teve alta de 1,02%.

Em relação às commodities, o minério de ferro teve leve recuo em janeiro, depois de dois meses de fortes altas. O contrato futuro do minério de ferro refinado 62% (CFR) encerrou janeiro com queda de 0,9%. O petróleo finalmente teve um mês de expressiva alta depois de um trimestre de fortes quedas. A medição pelo contrato futuro do tipo Brent encerrou janeiro com alta de 6%.

Cenário nacional

No cenário local, em janeiro com as férias do Legislativo e um cenário exterior sem eventos de grande repercussão no front econômico, restou-nos destacar o resultado do governo central em 2023, com déficit de R$ 230,5 bilhões, ou seja, -2,1% do PIB, colocando pressão sobre o Ministério da Fazenda para o ano de 2024 na busca da meta de zeragem de déficit. Não nos enganemos, não há medidas claras para arrefecer as linhas de despesa, muito pelo contrário, a busca por novas fontes de receitas por parte do governo federal será a marca de 2024, pois só assim ainda será minimamente verossímil a materialização deste cenário onde não teremos déficit no resultado primário neste ano, ainda que alguns, e me incluo em tal grupo, esperem que, mesmo com novas linhas de receita surgindo, o marco seria utopia para 2024.

Em relação aos dados econômicos divulgados ao longo de janeiro, comecemos com a inflação. Ainda não tivemos a divulgação do IPCA de janeiro quando redijo este relatório. Portanto, para traçar a curva de IPCA, vamos assumir para janeiro o IPCA-15 uma vez que o índice tem a mesma composição, mudando apenas o período de coleta de dados para aferição do índice do mês. O IPCA-15 de janeiro veio desacelerando em relação ao mês anterior, de 0,40% para 0,31%, abaixo da expectativa do mercado, que aguardava uma medição de 0,47%. Copo meio cheio ou copo meio vazio? O grupo “transportes públicos” acabou tendo pressão baixista na medição e a própria medição do grupo “alimentos e bebidas”, em especial o subgrupo “alimentação em domicílio”, mostrou-se sem pressão inflacionária que ligasse alerta. O ponto negativo ficou para a difusão que mostra qual percentual dos itens da cesta do IPCA-15 apresentaram inflação, ou seja, mede o nível de espalhamento da inflação. A difusão de janeiro acelerou de 56% para 67%.

Como o boletim Focus do Banco Central, que exibe a expectativa de mercado para indicadores econômicos, mostrou na divulgação de 02/02 uma expectativa de IPCA para janeiro de 2024 em +0,38%, entendo que podemos assumir o IPCA-15 realizado de 0,31% como boa base para traçarmos nossa tradicional curva do IPCA. Caso se materialize a alta de 0,31% para a medição de janeiro, temos um IPCA acumulando alta de 4,39% nos 12 meses findos em janeiro, abaixo do teto da meta de inflação para 2024, que é 4,50%, com alvo (centro do intervalo da meta) em 3% e recuando em relação ao mês anterior, quando marcou +4,62%.

Fonte: Economatica | Elaborado por Finclass

Lembro que as medições de IPCA entre maio e novembro de 2023 oscilaram, entre -0,96% e 3,41%, com média de 2,2% na visão anualizada, ou seja, abaixo de 0,20% a.m. Este cenário impactou de forma negativa os rendimentos distribuídos pelos FIIs de CRI indexados à inflação. Já em dezembro com +0,56% e com o IPCA de janeiro se materializando em algo entre 0,30% e 0,40%, teríamos os dois últimos meses com as maiores medições nos últimos 3 trimestres. Observando as expectativas do boletim Focus para o IPCA de fevereiro próximo a 0,70%, é de se esperar que tenhamos níveis maiores de rendimentos em tais FIIs nas distribuições de fevereiro deste ano em diante, o que deve ser benéfico para a precificação da cota de tais fundos no mercado secundário. A bem da verdade, alguns rendimentos de fundos de papel anunciados no final de janeiro já se mostraram superiores aos níveis apresentados nos meses anteriores.

Fonte: Economatica | Elaborado por Finclass

Sobre a curva de juros futuros, houve uma pequena abertura de 20 pontos-base nos vértices mais longos, e aqui há ajuste do próprio cenário externo com as Treasuries nos EUA reagindo a um cenário de corte de juros por parte do Fed em maio, e não em março, além do cenário interno com a divulgação do déficit em 2,1% do PIB em 2023 como já mencionamos. A ponta curta ficou inalterada, na medida em que o mercado segue com expectativa inalterada para ritmo de corte de taxa Selic por aqui.

O Comitê de Política Monetária (Copom) realizou a primeira reunião do ano e, conforme esperado pelo mercado, fez novo corte na Selic, de 0,50%, levando a taxa básica de juros da economia a 11,25% a.a.

Fonte: Economatica | Elaborado por Finclass

Em relação ao câmbio, em janeiro a cotação do dólar voltou a se aproximar do patamar de R$ 5,00. A moeda norte-americana fechou janeiro cotada a R$ 4,95, abrindo 2024 com alta de 2,07%, lembrando que o câmbio acumulou queda de 8,2% em 2023.

O Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, encerrou janeiro em forte queda de 4,8%, e fechou o mês aos 127.752 pontos. Já as ações do setor imobiliário, medidas pelo Imob, tiveram uma queda ainda mais severa em janeiro, -8,5%.

O mercado de fundos imobiliários em janeiro de 2024

Tivemos importantes notícias no mercado de FIIs em janeiro, com amplo domínio de fundos de tijolos, especialmente com compras, vendas e movimentação de locatários:

·         XPML11: anunciou a 10ª emissão de cotas do FII de shopping center, a terceira em menos de 6 meses, com objetivo de captação de R$ 800 milhões, podendo atingir R$ 1 bilhão com lote adicional, a depender da demanda. O objetivo de uso do recurso é a aquisição de participação em shopping centers com cap rate entre 7,7% e 9,2%, além de pré-pagamento de dívida e recomposição de caixa.

·         XPML11: além da emissão, janeiro foi movimentado para o FII, que anunciou alienação de fração no Caxias Shopping destravando lucro imobiliário equivalente a R$ 0,55/cota, além das aquisições de frações no Shopping Plaza Sul e Estação Shopping e pré-pagamento de despesa financeira que tem potencial para gerar incremento de R$ 0,02/cota.

·         PVBI11: a gestora VBI anunciou a 6ª emissão de cotas deste fundo de edifícios corporativos. Espera-se captar R$ 800 milhões, mas a demanda pode elevar o volume até R$ 1 bilhão, considerando lote complementar. O principal alvo de aquisição é a participação de 49,5% no AAA Faria Lima 4440 e, com isso, consolidar a totalidade da posse do ativo pelo PVBI11. Além disso, há mais 3 ativos de características similares que estão em negociação e ao menos mais um deles seria adquirido com o recurso base da oferta.

·         RBVA11: o fundo de renda urbana, da gestora Rio Bravo, anunciou que foram encerradas as tratativas para alienação do imóvel Planalto Paulista, localizado em São Paulo. Mesmo com o negócio caindo, o guidance de distribuição de R$1,00/cota no primeiro semestre segue mantido pela gestora.

·         VISC11: anunciou que concluiu a aquisição de fatia de 35% do Estação Shopping em Curitiba (PR) por R$ 156,3 milhões, o que representa um cap rate de 10,3% considerando o resultado esperado para o empreendimento nos 12 meses subsequentes.

·         BTLG11: o fundo de logística com gestão do BTG anunciou a 13ª emissão de cotas, buscando captar R$ 1,2 bilhão, podendo atingir R$ 1,5 bilhão considerando lote complementar. O pipeline indicativo mostra 13 ativos, todos triple A e 96% no estado de São Paulo, com cap rate entre 9% e 10%.

O Ifix abriu o ano na contramão das ações, repetindo, com menor intensidade, o bom humor visto nos meses anteriores, com alta de 0,67%, encerrando o mês aos 3.333 pontos.

Fonte: Economatica | Elaborado por Finclass

Em janeiro, mês marcado por alta dos preços das cotas dos FIIs, os destaques positivos de retorno ficaram com os fundos de fundos imobiliários, os FoFs, que seguem como ótima opção para capturar o movimento de recuperação do mercado de FIIs por permitirem, com uma única cota, atingir bom nível de diversificação setorial, com a aquisição de portfólios descontados em relação ao seu valor justo.

Das 10 maiores altas entre os FIIs do Ifix, 4 pertencem ao segmento de FoFs, sendo 2 presentes na lista de nossos recomendados na Finclass. Liderou os ganhos no mês o FII de desenvolvimento MFII11. A natureza de maior risco inerente ao desenvolvimento imobiliário traz um nível maior de rendimentos para o FII e, em cenário de redução do retorno da renda fixa (CDI), investidores começam a rotacionar carteiras para buscar satisfazer seu nível desejado de remuneração.

Continuando o pódio, o TVRI11, FII de agência bancária que busca se tornar um fundo com maior diversidade de segmentos e locatários, movimento similar ao já endereçado pelo RBVA11. Em janeiro, o TVRI11 deu início a essa estratégia com alienação de uma agência locada ao Banco do Brasil. A terceira maior alta ficou com o FoF de gestão do Bradesco BCIA11, que segue o movimento de recuperação já iniciado em 2023.

Entre as quedas destacaram-se FIIs de CRI com carteira high yield com problemas de crédito, casos de HCTR11, DEVA11 e TORD11, além de fundos de escritórios que sofrem com vacância e alavancagem, casos de XPPR11 e RECT11. O agro também se fez presente, com BTRA11, fundo de terras, e BTAL11, fundo de logística voltada ao agro, com fortes quedas no mês.

* Consta entre os recomendados Finclass

Fonte: Economatica | Elaborado por: Finclass

Observando o retorno setorial, o destaque do mês foi para o segmento de agências, ancorado pela ótima performance do TVRI11 como citamos. No outro extremo ficou o setor de shopping centers, que viu um movimento de emissões com XPML11, HSML11 e MALL11 e, como bem sabemos, emissões tendem a pressionar o preço da cota no mercado secundário.

Fonte: Economatica | Elaborado por: Finclass

Em relação aos dividendos, raro mês sem o segmento de recebíveis imobiliários (CRIs) na liderança. O setor agro ficou com melhor rendimento, puxado pela amortização do BTRA11, que gerou nível anualizado superior a 37%, ou seja, seguramente no mês de fevereiro, sem evento desta natureza, os chamados fundos de papel deverão retomar a liderança. Destaco ainda os FoFs, que, mesmo após mais um mês de valorização, seguem entregando níveis de rendimentos acima de boa parte dos demais setores.

Fonte: Economatica | Elaborado por: Finclass

Já entre aqueles que geraram menor patamar de rendimento, ficaram os FIIs de logística em um raro mês em que os fundos de escritório não ficaram com tal posto, ainda que estejam muito próximos, 9,5% para logístico e 9,8% para lajes corporativas. Lembro que em janeiro não tivemos eventos que costumam elevar os rendimentos, que tipicamente ocorrem em dezembro, por conta da obrigatoriedade legal de distribuir 95% do lucro caixa a cada semestre e, por isso, o Ifix teve DY médio em janeiro abaixo ao mês anterior (11,1% vs 10,5%).

Este DY do Ifix de janeiro em 10,5% na visão anualizada significa um prêmio de 511 pontos-base para a taxa do Tesouro IPCA+ 2035, que encerrou o mês em 5,34% a.a. Tal nível de prêmio é substancialmente superior à média histórica do Ifix, que tem prêmio médio de 290 pontos-base.

Fonte: Economatica | Elaborado por: Finclass

Carteiras Finclass

A Carteira de Renda encerrou janeiro com alterações visando melhor capturar o movimento positivo para FIIs neste ciclo de corte de juros que está em curso no Brasil, buscando o equilíbrio entre a geração de renda recorrente, objetivo prioritário da carteira, e a preservação de capital.

A Carteira de Renda finalizou o primeiro mês do ano com a seguinte configuração:

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Fonte: Finclass

Considerando apenas a fatia de FIIs da Carteira de Renda para totalizar 100%, temos a seguinte alocação setorial:

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Fonte: Finclass

Essa alocação setorial está absolutamente em linha com aquilo que tínhamos na série O Melhor dos Fundos Imobiliários, até porque o analista responsável permanece o mesmo e a minha leitura de mercado não mudou apenas porque deixamos os produtos monoclasse para focar em soluções de carteiras completas.

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Fonte: Finclass

Os FIIs recomendados na Carteira de Renda divulgaram os rendimentos da tabela abaixo no mês de janeiro.

Importante ressaltar que o BTCI11 ingressou na lista de recomendados em 29/01/2024 e informou distribuição antes disso, por isso não consta na lista. Da mesma forma, RBRF11 e BCFF11 estavam com recomendação de manutenção até 29/01/2024, depois saíram da carteira, mas geraram rendimentos no mês e por isso são apresentados na tabela.

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Fonte: Finclass | * Saíram da lista de recomendados em 29/01/2024

O resultado da alocação de fundos imobiliários, bem como a contribuição do segmento para o retorno auferido pela Carteira de Renda em janeiro, será tema do relatório de resultado da carteira completa que será publicado em 16/02

A Carteira de Valorização encerrou janeiro sem inclusões ou retiradas na lista de recomendados, ou mesmo alterações nos percentuais dos FIIs. Apenas realizamos ajuste no preço máximo de compra (Pmax) conforme divulgado no relatório de 29/01.

Desta forma, considerando a alocação em FIIs mais ampla, aquela presente na lista de recomendados para a Carteira de Valorização com patrimônio a partir de R$ 100 mil, temos a seguinte configuração (para saber a lista de recomendados para carteiras com patrimônio inferior a este patamar, acesse a área de recomendados no site da Finclass):

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Fonte: Finclass

Na Carteira de Valorização, temos uma exposição um pouco menor aos FIIs de papel (CRI) do que tínhamos no Melhor dos FIIs e compensamos com aumento em renda urbana e logístico justamente por conta do momento mais propício para os tijolos dado o cenário de redução de juros.

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Fonte: Finclass

Os FIIs recomendados na Carteira de Valorização divulgaram os seguintes rendimentos no mês de janeiro:

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Fonte: Finclass

Assim como destacamos na Carteira de Renda, na Carteira de Valorização o resultado da alocação de fundos imobiliários, bem como a contribuição do segmento para o retorno auferido para a carteira em janeiro, será tema do relatório de resultado da carteira completa que será publicado em breve.

Seção especial: FIIs que estavam na carteira O Melhor dos Fundos Imobiliários e não estão em nenhuma carteira Finclass (Renda ou Valorização)

Lembro que no momento da fusão entre Spiti e Finclass, onde adotamos apenas as soluções de carteira completas (Valorização e Renda), a construção de tais portfólios fez com que alguns FIIs anteriormente recomendados não estivessem em nenhuma das carteiras.

Para minimizar o impacto da mudança para os assinantes que estavam na Spiti e agora estão na Finclass, assumi o compromisso de manter a cobertura destes FIIs. Quando chegar o momento que este analista entender ser o ideal para desmontar a posição, informarei com um relatório de recomendação de venda. Importante salientar que não existe recomendação de compra para tais FIIs, apenas a liberdade para que o estoque detido anteriormente seja carregado, sem novos aportes — isso, claro, caso o investidor ou investidora não queira já fazer a adequação de sua alocação em FIIs para o indicado na Carteira de Renda, ou Carteira de Valorização, aquela que decidir seguir.

Enquanto este momento de venda não se materializa através de relatório de recomendação, nos relatórios mensais de atualização sobre o mercado de fundos imobiliários, teremos uma seção dedicada exclusivamente a trazer como tais FIIs se comportaram no mês. Estes FIIs são CVBI11, FII de papel (CRI) com gestão da VBI, e AIEC11, FII de escritórios com gestão da Autonomy.

AIEC11: em 31/01 anunciou rendimento de R$ 0,17/cota com pagamento em 08/02. Considerando a cotação de fechamento na data-com (31/1), gerou um DY de 0,31% a.a., ou 3,7% a.a. O valor foi substancialmente menor do que no mês anterior (R$ 1,33/cota) porque em dezembro a Dow, locatária do Rochaverá, que representa mais de 2/3 da receita imobiliário do FII, efetuou pagamento de dois meses de aluguel, antecipando o mês de janeiro. Com isso, em janeiro houve apenas o pagamento normal da Ibmec, locatária do Standard Building.

Se somarmos os valores distribuídos em dezembro e janeiro, temos o total de R$ 1,50/cota, ou seja, média de R$ 0,75/cota por mês, valor absolutamente em linha com as distribuições anteriores, e tal movimento sequer é novidade para os cotistas do fundo, lembrando que em dezembro de 2022 e janeiro de 2023 tivemos exatamente a mesma situação.

O AIEC11 teve retorno total (valorização + dividendo) em janeiro de -0,82%.

Não houve mudanças na carteira de locatários do AIEC11, que permanece com 100% de sua área bruta locável ocupada. Lembro que a Dow, locatária do Rochaverá, comunicou ainda em 2023 que deixará a área ocupada ao final do contrato, em janeiro de 2025. A gestora segue em tratativas comerciais buscando gerar ocupação total ou parcial de tal área para evitar vacância física/financeira quando da efetiva saída da Dow. No último relatório gerencial, a equipe de gestão demonstrou o status da comercialização da área do Rochaverá.

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Fonte: Autonomy

Existe apenas uma pequena área de 422 m² com negociação em estágio de envio de proposta, mas há outras negociações que representam mais do que 2x a área do AIEC11 no Rochaverá que está com status de visitas ao ativo e/ou reunião com proprietário já realizada, portanto, poderemos ter mais novidades nos próximos relatórios.

Outro estudo interessante apresentado pela gestora no relatório gerencial foi o nível de rendimento esperado para o AIEC11 considerando o preço da cota no fechamento de janeiro (R$ 55,70) para diferentes níveis de ocupação e para preço de locação por m² em linha com a média de edifícios de  padrão na Chucri Zaidan (R$ 93,40/m²) e para a média de preço pedido em outras torres do Rochaverá que possuem áreas vagas (R$ 120,00/m²).

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Fonte: Autonomy

Com ¾ de ocupação e para o nível mais baixo de valor de locação, o AIEC11 já rodaria com DY em 8,4%, acima dos pares que possuem vacância e estruturas alavancadas, lembrando que o AIEC11 não tem nenhuma alavancagem.

Reforço que não existe recomendação de compra para tal FII. Aqueles que preferiram manter a posição previamente adquirida porque era um dos recomendados no Melhor dos FIIs podem seguir com esse estoque, sem novas aquisições, até que recomendemos venda, justificando com relatório de recomendação.

CVBI11: em 09/01 anunciou rendimento de R$ 0,85/cota com pagamento em 16/01. Considerando a cotação de fechamento na data-com (9/1), gerou um DY de 0,90% a.a., ou 11,4% a.a. O rendimento acelerou de R$ 0,80/cota para R$ 0,85/cota já refletindo um cenário de inflação maior como observamos especialmente no IPCA de dezembro. Em janeiro o CVBI11 apresentou retorno total (valorização + dividendo) de +2,60%.

O relatório gerencial divulgado em janeiro, com as informações de dezembro, mostrou que o fundo conseguiu fazer uma geração de resultado equivalente a R$ 0,88/cota e, ao optar pelo anúncio de distribuição de R$ 0,85/cota em 09/01, conseguiu elevar a reserva de lucros em R$ 0,03/cota e com isso tal reserva está em R$ 0,24/cota.

Fonte: VBI

Um estudo muito interessante apresentado pela gestora foi o resultado auferido pela posição de FIIs montada pelo CVBI11, que representa atualmente 10,5% do patrimônio líquido. Sempre alvo de críticas de parte dos investidores que não gostam de ver fundos de papel adquirindo cotas de outros FIIs, o estudo mostra que a estratégia trouxe resultados acima da média, batendo não apenas o Ifix, como também o subíndice Ifix Recebíveis, ou seja, um recorte do Ifix considerando apenas fundos de papel (CRI) e até mesmo o CDI.

Fonte: VBI

O CVBI11 encerrou janeiro com desconto para patrimonial de 2,9%, ou seja, PVP de 0,97. Reforço que não existe recomendação de compra para tal FII. Aqueles que preferiram manter a posição previamente adquirida porque ele era um dos recomendados no Melhor dos FIIs podem seguir com esse estoque, sem novas aquisições, até que recomendemos venda, justificando com relatório de recomendação.

Assim, encerramos nossa atualização do mercado de fundos imobiliários com as informações do mês de janeiro. Abrimos o ano com o pé direito e esperamos que essa seja a dinâmica de 2024, sem obviamente desconsiderar a boa e velha volatilidade, marca registrada dos ativos de risco e, claro, do nosso Brasil.

Agradeço a costumeira paciência.

Bons investimentos!

Ricardo Figueiredo

Sobre os analistas

Ricardo Figueiredo

Sócio

É analista CNPI, especialista em fundos imobiliários da Finclass. Bacharel em Economia com especialização em Mercados Financeiros e MBA em Gestão Financeira e Atuarial, começou a carreira como professor na área de tecnologia. Migrou para mercado financeiro, no qual atua há quase 20 anos. Entre 2003 e 2021, passou pela área de investimentos da Vivest, maior fundo de pensão de capital privado do país. Realizou análise e gestão de investimentos em imóveis e carteira de fundos imobiliários, que totalizavam mais de R$ 1,2 bilhão. Acredita que todo e qualquer conhecimento não disseminado perde sua utilidade e, por isso, quer levar conteúdo de finanças para todos, com linguagem leve e de forma responsável.