O cenário econômico norte-americano. Em maio, os Estados Unidos mantiveram a taxa de juros entre 4,25% e 4,50%. Houve aumento na tensão fiscal com a proposta de um novo pacote de gastos trilionário, o que aumentou o prêmio exigido pelo mercado referente aos títulos americanos de longo prazo. Mesmo assim, as bolsas fecharam positivas, com um certo alívio da tensão comercial entre Estados Unidos e China, além dos resultados corporativos positivos ante as expectativas de mercado.
O mercado de FIIs em maio de 2025
Escrito por Ricardo Figueiredo em FUNDOS IMOBILIÁRIOS
Neste relatório, você encontrará:
O cenário econômico brasileiro. O Banco Central elevou a Selic para 14,75%, o maior nível em nove anos; a inflação, nos últimos 12 meses, seguiu apresentando aceleração. Apesar disso, o mês foi marcado por certo alívio fiscal e político, com o avanço de medidas para aumentar receitas e a ausência de conflitos relevantes entre os poderes. A estabilidade e o ambiente externo mais favorável contribuíram para o desempenho positivo dos ativos locais.
O mercado de Fundos Imobiliários em maio de 2025, além das principais notícias envolvendo a indústria. O mês foi marcado pela aprovação da recompra de cotas de FIIs e Fiagros pela CVM, um avanço relevante para a indústria. Houve também movimentações importantes, como a venda de imóvel pelo RBVA11 e a nova aquisição do VISC11.
O desempenho dos Fundos Imobiliários recomendados e as alterações nas carteiras. A Carteira de Renda foi ajustada, com a saída do KNSC11 e a entrada do BTHF11 em seu lugar.
Olá, investidor(a)!
Para começarmos este relatório, trouxemos uma tabela com o fechamento do mês dos principais índices e bolsas no mundo:
Fonte: Bloomberg | Elaboração: Finclass
Estados Unidos
Neste mês, o cenário estadunidense apresentou certo alívio após a volatilidade observada nos quatro primeiros meses.
Em maio, houve a decisão de manutenção da taxa de juros no mesmo patamar de dezembro de 2024, entre 4,25% e 4,50%, sinalizando que o Banco Central Americano continua adotando maior cautela diante das tensões geradas pelo conflito comercial entre Estados Unidos e China com a nova política tarifária do presidente Donald Trump.
Inclusive, o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se encontrou com o presidente do Federal Reserve (FED), Jerome Powell, pressionando-o por mais cortes nas taxas de juros para este ano - mesmo com um risco crescente na inflação devido à agressiva política tarifária de seu governo. Entretanto, Powell reafirmou a independência do Banco Central e condicionou decisões futuras ao que os dados de inflação e a atividade econômica indicarem.
No cenário fiscal, o governo apresentou mais detalhes sobre um pacote trilionário, com gastos elevados em infraestrutura e defesa, o que aumentou preocupações sobre a elevação da dívida pública estadunidense - uma das maiores dívidas do mundo comparada ao PIB. Isso fez com que o rendimento das treasuries de longo prazo aumentasse, ou seja, mostra que o mercado está exigindo um prêmio maior diante do maior risco.
Um ponto positivo é que a inflação em 12 meses continua apresentando tendência de desaceleração e convergência para a meta do FED, que terminou abril em 2,3%. Entretanto, a autoridade monetária e o mercado continuam vigilantes com a expectativa de inflação para os próximos meses, que segue em alta com o aumento das tarifas de importação dos Estados Unidos para diversos países.
Fonte: US Bureau of Labor Statistics | Elaboração: USA Facts
Ainda assim, como março e abril apresentaram uma volatilidade negativa nos principais ativos de renda variável, maio trouxe um “rali” positivo, atribuído principalmente aos dados de inflação mais encorajadores e balanços corporativos positivos das principais empresas estadunidenses.
Segundo a CME FedWatch, ferramenta que calcula as possibilidades de mudanças nos juros americanos (conforme implícito nos preços futuros de Fed Funds em 30 dias), o mercado precifica uma probabilidade de 98,7% de haver uma manutenção de juros na próxima reunião, que ocorrerá em 18 de junho. Vale lembrar que o mercado precificava um corte nessa reunião semanas atrás, ou seja, observamos cada vez mais uma postergação da continuação do ciclo de corte.
Fonte: CME Group | Data: 03/06/2025
Brasil
No dia 7 de maio, o Banco Central do Brasil, por meio do Comitê de Política Monetária (COPOM), decidiu elevar a Taxa Básica de Juros (Selic) em 50 pontos percentuais, atingindo 14,75% - o maior patamar dos últimos nove anos. Estas foram as principais motivações da alta, de acordo com o divulgado pela ata do COPOM:
● O cenário internacional adverso devido à conjuntura e política econômica dos EUA;
● O aumento das incertezas globais, fazendo com que países emergentes mantenham maior cautela, especialmente com tensões geopolíticas;
● A economia brasileira segue dinâmica, mas com sinais de moderação no crescimento. Entretanto, a inflação segue acima da meta, tanto a cheia quanto as medidas subjacentes;
● As expectativas de inflação dos agentes econômicos permanecem elevadas para 2025 (5,5%) e 2026 (4,5%), segundo o Relatório Focus anterior à reunião.
No cenário fiscal, houve um sentimento de alívio em maio, dado que o Governo Federal obteve aprovação de um pacote de aumento de receita para ajudar nos gastos públicos. Além disso, no lado político, não tivemos grandes movimentações que aumentassem a tensão entre executivo e legislativo. Nesse sentido, essa relativa estabilidade trouxe um ambiente mais favorável para os ativos de renda variável; somando o alívio do sentimento do mercado global, registramos um mês positivo.
No campo fiscal, o governo trabalhou para implementar o novo arcabouço fiscal (regra que substitui o antigo teto de gastos) com intuito de sinalizar a sustentabilidade das contas públicas e ajudar a ancorar as expectativas de inflação. Entretanto, incertezas quanto à disciplina fiscal permanecem: investidores monitoram se as despesas federais estarão sob controle e se reformas (como a reforma tributária) avançarão. Essa incerteza fiscal foi apontada como um risco pelos analistas, ainda mais com a dívida pública bruta aproximando-se de 80% do PIB.
No último Relatório Focus do mês (com dados coletados em 23 de maio e divulgados em 26 de maio), observamos que as principais instituições financeiras possuíam uma previsão de inflação em 5,50% para 2025, acima da meta estipulada pelo Banco Central (3,0%), mas desacelerando em relação ao mês anterior.
Fonte: Banco Central do Brasil | Data de divulgação: 28/04/2025
IPCA de maio de 2025
O IPCA (índice de preços ao consumidor amplo, calculado pelo IBGE e utilizado no sistema de metas de inflação) registrou alta de 0,26% no mês de maio - abaixo das expectativas. A principal contribuição para o aumento foi a cesta de Habitação, que subiu 1,19% no mês, enquanto a cesta de transportes apresentou a maior queda, com -0,37% - uma boa notícia, porque indica menor espalhamento da inflação.
Fonte: IBGE | Elaboração: Finclass
No acumulado de 12 meses, o índice atingiu o nível de 5,32%, desacelerando em relação ao mês anterior. Destacamos que a meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3,00%, com intervalo de tolerância de 1,50%, ou seja, o IPCA acumulado de 12 meses poderia ficar acomodado no intervalo de 1,50% até 4,50%; isto é, atualmente, temos a inflação acima do teto da meta.
Fonte: IBGE | Elaboração: Finclass
Fonte: IBGE | Elaboração: Finclass
IGP-M de maio de 2025
O IGP-M (índice de inflação calculado pela FGV e muito utilizado para o reajuste de contratos imobiliários, prestação de serviços, energia e telefonia) caiu -0,49%, após ter apresentado alta acima do esperado no mês anterior. Vale lembrar que o período de referência vai do dia 21 do mês anterior ao dia 20 do mês de coleta. O índice desacelerou para 7,02%, no acumulado de 12 meses.
O que contribuiu para a queda do índice foram os preços de atacado, representados pelo IPA-M, e que compõem 60% da cesta de itens do IGP-M, sendo influenciados pela forte queda nos preços das commodities de maior peso, como milho e minério de ferro.
Fonte: FGV IBRE
Fonte: FGV IBRE | Elaboração: Finclass
Curva de juros futuros
Neste mês, observamos uma leve queda de 3 pontos-base (0,03%) na curva de juros futuros, na ponta longa (cinco anos ou mais de prazo), em relação ao mês anterior, refletindo que o mercado não precificou grandes mudanças entre abril e maio. Entretanto, destacamos que ainda estamos em patamares historicamente elevados. Lembre-se de que juros longos mais elevados geram pressão negativa nos preços dos ativos de risco, tais como ações e fundos imobiliários.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
O mercado de fundos imobiliários
As principais notícias do setor
Recompra de cotas e o impacto na indústria de Fundos Imobiliários
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou, no dia 20 de maio de 2025, que Fundos Imobiliários e Fiagros possam realizar a compra de suas próprias cotas negociadas na Bolsa de Valores, prática já comum entre empresas listadas.
Isso significa que, no entendimento da CVM, os gestores de FIIs e Fiagros poderão adquirir cotas de seus próprios fundos no mercado secundário, com a possibilidade de posteriormente cancelá-las. Esse movimento pode fazer com que, ao reduzir a quantidade de cotas em circulação, o resultado por cota se eleve – caso o valor utilizado para a recompra de cotas remunere a um valor inferior às receitas que o fundo faz com a sua operação primária.
Para facilitar o acesso à informação, vamos destacar os principais pontos negativos e positivos (mas já deixamos claro que, em nossa humilde opinião, os pontos positivos se sobressaem).
Pontos positivos
● Maior flexibilidade da gestão: Com mais uma ferramenta disponível para os gestores, a equipe terá mais um leque de possibilidades para usar o caixa ocioso para gerar mais valor aos cotistas, ao invés de deixar o dinheiro aplicado ao CDI (por mais que no atual momento estejamos vivendo com o CDI nas alturas, lembre-se de que as receitas financeiras de FIIs aplicadas na renda fixa são tributadas, ou seja, geram uma ineficiência tributária).
● Aumento do valor patrimonial por cota: Se um FII tem um patrimônio líquido de R$ 100 milhões, 1 milhão de cotas, terá um VP por cota de R$ 100. No mercado secundário, sua cota está sendo negociada a R$ 80. Caso ele utilize, por exemplo, R$ 10 milhões em caixa para recomprar suas cotas e cancelá-las, o novo saldo de cotas será de 875 mil cotas, seu novo patrimônio líquido de R$ 90 milhões e um VP por cota de R$ 102,86.
Elaboração: Finclass
● Possibilidade de um aumento no resultado por cota: Ao recomprar cotas, o fundo perde os direitos econômicos referentes àquelas cotas. Isso significa que ele não terá direito a receber dividendos, ou seja, pode ser que a distribuição por cota aumente, caso o valor utilizado para recomprar as cotas tenha uma pior remuneração do que o resultado do fundo (como dissemos acima, neste caso, o caixa estaria rendendo CDI descontado de impostos. Esse rendimento precisa ser menor do que o potencial aumento no resultado, com menos cotas tendo que dividir a distribuição).
Pontos Negativos
● Potencial de conflito de interesse: Gestores podem ser incentivados a realizar recompras apenas para elevar artificialmente o valor das cotas no curto prazo e, assim, tentar chegar ao cenário propício para uma nova emissão.
● Má alocação de recursos: Podem existir outras alocações, no mercado de atuação do FII, em que o uso de caixa seja mais eficiente, ainda que estejamos falando de um volume caixa, por vezes, muito reduzido em relação ao tamanho do patrimônio do fundo.
Entretanto, ainda precisamos aguardar a publicação da regulamentação específica pela CVM, que deverá trazer mais detalhes sobre a implementação das recompras - ou seja, como e quando a gestão poderá aplicar essa nova ferramenta, que entendemos ser um marco importante para o mercado de Fundos Imobiliários e Fiagros no Brasil.
KFOF11: Proposta de mudanças no regulamento (orientação sobre como votar)
O KFOF11 enviou uma proposta de alterações em alguns pontos do regulamento no fundo. Aqui, vamos explicá-los e orientar você sobre como votar em cada um destes pontos:
Proposta 1 - Aquisição de Ativos com Potencial Conflito de Interesses
A proposta permite que o fundo invista até 100% do seu patrimônio em cotas de fundos que tenham sido estruturados ou distribuídos pela própria Kinea, ou por empresas do mesmo grupo econômico, desde que sigam critérios objetivos definidos em anexo.
Na prática, isso não quer dizer que a gestão adquirirá 100% do seu patrimônio em FIIs da própria Kinea. Isso dá mais flexibilidade ao gestor para que ele não precise fazer movimentações que gerem prejuízo para se adequar ao regulamento.
Entretanto, da mesma forma que compreendemos ser improvável a totalidade do patrimônio líquido do fundo estar alocado em ativos da gestora ou do mesmo grupo econômico, também entendemos que não é razoável para o atual momento do mercado de Fundos Imobiliários a gestora enviar uma proposta de ter a liberdade de adquirir 100% do seu patrimônio em ativos da Kinea.
Como votar: Nossa orientação é que você se abstenha nesse ponto.
Proposta 2 - Inclusão do Capital Autorizado para novas emissões
A proposta autoriza o fundo a fazer novas emissões de cotas até o limite de R$ 2 bilhões, sem necessidade de nova assembleia para cada emissão. As emissões seguirão critérios de preço estabelecidos pelo gestor:
● O preço das novas cotas poderá considerar: valor patrimonial, valor de mercado, rentabilidade esperada ou uma combinação desses.
● Haverá direito de preferência para os cotistas atuais.
● Será possível ceder esse direito a terceiros, se desejado.
● Não será iniciada nova emissão antes de concluir a anterior.
● Objetivo: Agilizar futuras captações e dar maior autonomia para o gestor operar em um limite previamente aprovado.
Como votar: Nossa orientação é aprovar a matéria.
Proposta 3 - Ajuste no regulamento para refletir o Capital Autorizado
Hoje, qualquer nova emissão exige aprovação em assembleia. A mudança altera esse trecho para permitir emissões dentro do valor autorizado (R$ 2 bi), sem necessidade de nova votação.
Como votar: Nossa orientação é aprovar a matéria.
Proposta 4 - Atualização do fator de risco no regulamento
Será incluída uma observação de que existe o risco de diluição da participação dos cotistas que não conseguirem exercer o direito de preferência em novas emissões.
Ou seja, se você não participar das futuras emissões, sua fatia no fundo pode diminuir. Na prática, isso já acontece em praticamente todas as novas emissões de cotas de qualquer fundo imobiliário. A gestão está apenas adicionando essa observação no regulamento, para estar em conformidade com a legislação.
Como votar: Nossa orientação é aprovar a matéria.
Como e onde votar em todas essas matérias?
Você pode votar de forma eletrônica pelo site da sua corretora, ou diretamente pelo Portal de Assembleias da B3.
Na corretora onde você tem os ativos, acesse a seção de "Eventos Corporativos" ou "Assembleias". No site da B3, acesse o Portal de Assembleias da B3, faça login com seus dados e siga as instruções.
O prazo limite para votar é até 11 de julho de 2025, às 17h.
RBVA11: Venda de imóvel com lucro de R$ 0,03/cota
O RBVA11, FII de renda urbana e um de nossos recomendados, publicou um fato relevante que trata da venda do Imóvel Santa Cecília, localizado em São Paulo/SP por R$ 9,4 milhões, ou R$ 7.794/m².
A operação gerou um lucro de R$ 4.931.172,66 ou R$ 0,03/cota (considera o desdobramento de cotas), valor que foi recebido nessa data. Relembro que o imóvel estava locado para a Caixa Econômica Federal, ou seja, a gestão mostra que vem seguindo a estratégia de reciclagem do portfólio adotada desde o início, diminuindo a concentração no setor bancário.
Essa operação trouxe uma TIR de 17,75% ao ano, equivalente a um IPCA + 11,2% ao ano ou CDI + 7,8% ao ano.
Fonte: Rio Bravo
RBVA11: Desdobramento de cotas (1 cota se torna 10 cotas)
O RBVA11 divulgou um fato relevante no qual confirmou a aprovação, por parte dos cotistas, do desdobramento de cotas na razão 1:10, sendo que o pregão de 9 de maio foi o primeiro em que o FII começou a ser negociado, já na base 10.
Como funciona para você: para cada 1 cota detida de RBVA, você passará a deter 10, mas o preço ajustado na mesma proporção não gera impacto patrimonial.
Exemplo: suponha que você tenha 20 cotas, atualmente com o RBVA11 precificado em R$ 86,80. Após o evento, considerando que todos os demais fatores permaneçam constantes, você terá 200 cotas ao preço de R$ 8,68 cada. Logo, o patrimônio que era R$ 1.736 (20 × R$ 86,80) continuará sendo o mesmo (200 × R$ 8,68).
A mudança em nada alterará a recomendação do fundo.
VISC11: Aquisição de fração adicional no Shopping Paralela (Salvador – BA)
O VISC11 informou ao mercado que exerceu o direito de preferência para aquisição de 25% do Shopping Paralela, localizado na cidade de Salvador/BA.
A compra deu-se da seguinte forma:
● Valor dos 25% adicionais será R$ 119,8 milhões e o pagamento parcelado da seguinte forma:
● R$ 5,1 milhões na data da conclusão da aquisição.
● R$ 57,4 milhões, 12 meses após a conclusão da aquisição.
● R$ 57,4 milhões, 18 meses após a conclusão da aquisição.
A gestão estima um DY médio de 12,4% para o segundo ano, quando o preço de aquisição será quitado. O Cap Rate estimado para o NOI de 12 meses seguintes ao momento da aquisição é 10,1%.
A participação do VISC11 no Shopping Paralela passará dos atuais 11,26% para 36,26%. A operação requer aprovação junto ao CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
Para mais informações sobre a aquisição, acesse a comunidade da Finclass.
Desempenho do IFIX
Em maio, os três principais índices de renda variável que observamos (Ibovespa, IMOB e IFIX) apresentaram alta, acumulando ganhos de 1,45%, 7,18% e 1,44% no mês, respectivamente. No ano, fecharam os cinco primeiros meses com altas robustas.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
Retorno por setor
Abaixo, mostramos o gráfico do retorno separado entre os principais setores para Fundos Imobiliários.
Em maio, observamos que todos os segmentos registraram variação positiva, com os Hedge Funds liderando o retorno, seguido dos FIIs de Papel. Já o segmento de Renda Urbana apresentou uma leve queda, influenciado negativamente pelo TRXF11 e GARE11.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
Quando analisamos o retorno por setor em 12 meses, observamos que os Hedge Funds, Shopping Centers, Escritórios e FOFs seguem no campo negativo. Em contraste, os FIIs de Papel se beneficiaram, já que, no período analisado, tivemos manutenção da Selic em patamares elevados. A partir de setembro, observamos mais um ciclo de alta de juros, seguido de uma inflação também acima da meta, favorecendo ativos indexados ao CDI e ao IPCA.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
Dividend Yield anualizado
Referente ao Dividend Yield anualizado por setor, os FIIs de Papel mantiveram a primeira posição neste mês como maiores pagadores, seguido dos Hedge Funds. Já o IFIX terminou o mês com um DY anualizado de 13,10%, maior quando comparado ao mês anterior.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
Os investidores mais atentos devem ter estranhado o fato de o DY médio do IFIX ter aumentado, mesmo com o IFIX registrando alta em maio. Isso pode ser explicado pelo fato de os FIIs de papel dentro do IFIX terem pagado mais dividendos em maio do que em abril.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
P/VP por setor
Trazendo o valor de mercado sobre o valor patrimonial de cada um dos setores (P/VP), seguem sendo os segmentos de Renda Urbana e de Papel aqueles que apresentam os menores descontos em relação ao seu valor patrimonial. Já o segmento de Escritórios continua com o maior deságio em todos os segmentos.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
Dividend Yield ponderado do IFIX vs IPCA
Você, que nos acompanha neste relatório mensal há mais tempo, sabe que costumeiramente comparamos o Dividend Yield ponderado do IFIX com a taxa do Tesouro IPCA+, utilizada como referência - neste caso, utilizamos aquela com vencimento em 2035.
Com um DY ponderado do IFIX de 13,10%, temos um prêmio de 582 pontos-base (5,82%) em relação à taxa do Tesouro IPCA+ 2035, que encerrou o mês em 7,28% ao ano, menor do que no mês passado. Esse prêmio ainda é superior ao prêmio médio verificado ao longo dos últimos cinco anos do IFIX, que se situa no patamar de aproximadamente 518 pontos-base (5,18%).
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
Top 10 melhores e piores performances
O HCTR11, Fundo Imobiliário de Papel, registrou o maior retorno no mês, com alta de 16,44%. Já o Fundo Imobiliário com a maior queda foi o URPR11, também do segmento de Papel.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
Carteiras Finclass
No dia 5 de maio, alteramos a Carteira de Renda com a retirada do GARE11. Em seu lugar, entrou o BTHF11, multiestratégia ou Hedge Fund do BTG Pactual. As imagens abaixo retratam os FIIs recomendados atualmente.
Reiteramos que as Carteiras de Valorização permaneceram inalteradas.
Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass
Resultados dos FIIs recomendados
No total dos 17 FIIs recomendados, o RVBI11, FII Hedge Fund ou Multiestratégia apresentou a maior queda, de -2,31%. Já o BTHF11, também Hedge Fund ou Multiestratégia, foi o FII que registrou maior alta no mês, de 7,28%.
Fonte: Bloomberg | Elaboração: Finclass
Carteira de Renda
Lembrando que, na Carteira de Renda, o total de FIIs é de 40%. Ao observarmos apenas essa fatia, ou seja, ao considerarmos que apenas a alocação em FIIs totaliza 100%, temos a seguinte alocação setorial:
Elaboração e Classificação: Finclass
Para saber os rendimentos divulgados, acesse a plataforma da comunidade.
Carteira de Valorização
Considerando a alocação mais ampla em FIIs recomendados na Carteira de Valorização, com patrimônio a partir de R$ 100 mil, veja a seguir a configuração recomendada. Para saber a lista de recomendados para carteiras com patrimônio inferior a este patamar, acesse a área de Recomendados, no site da Finclass.
Lembrando que o total de FIIs na Carteira de Valorização é de 15%. Ao observarmos apenas a fatia de FIIs, ou seja, ao considerarmos que apenas a alocação em FIIs totaliza 100%, temos a seguinte alocação setorial:
Fonte: Finclass
Para saber os rendimentos divulgados, acesse a plataforma da comunidade.
Seção especial: FIIs que estavam na carteira “O Melhor dos Fundos Imobiliários” e não estão em nenhuma carteira Finclass (Renda ou Valorização)
No momento da fusão entre Finclass e Spiti, quando adotamos exclusivamente as soluções de carteiras completas (Valorização e Renda), a construção de tais portfólios fez com que alguns FIIs, anteriormente recomendados, deixassem de estar em qualquer uma das carteiras.
Para minimizar o impacto da mudança aos assinantes que estavam na Spiti, e agora estão na Finclass, assumimos o compromisso de manter a cobertura desses FIIs. Quando for o momento em que entendermos ser o ideal para desmontar a posição, informaremos com um relatório de recomendação de venda.
É importante salientar que não existe recomendação de compra para tais FIIs; apenas há a liberdade de manter os ativos já existentes em carteira, sem novos aportes. Portanto, se você preferir não ajustar imediatamente sua alocação em FIIs, conforme indicado na Carteira de Renda ou de Valorização, a decisão é sua. Seus investimentos, suas regras!
Enquanto esse momento de venda não se materializa, por meio do relatório de recomendação, nos relatórios mensais de atualização sobre o mercado de Fundos Imobiliários, teremos um capítulo dedicado exclusivamente a analisar como tais FIIs se comportaram no mês.
O FII, em questão a ser tratado, é o único que restou: AIEC11.
AIEC11
O Fundo apresentou um retorno positivo de 3,93% no mês (incluindo dividendos). O P/VP ficou em 0,60, representando um desconto de 40% em relação ao seu montante patrimonial.
No mês, o AIEC11 distribuiu R$ 0,32/cota. Isso equivale a um DY no mês de 0,67% e um DY anualizado de 8,34%.
Lembrando que as novas locações do Edifício Rochaverá ainda estão em prazo de carência, ou seja, a receita atual não reflete a receita total que o AIEC deverá receber nos próximos meses de 2025.
Fonte: Arch Capital | Data do Relatório Gerencial: junho de 2025
Relembramos o cenário do edifício Standard Building (conforme noticiado em relatórios anteriores), localizado no Rio de Janeiro e locado para o IBMEC: a locatária optou pela rescisão antecipada do contrato, que cumprirá o aviso-prévio de 12 meses, permanecendo no imóvel até 29 de dezembro de 2025, além de ter pagado uma multa contratual de aproximadamente R$ 2,62 por cota, em janeiro de 2025, sendo que 95% deste valor deverá ser pago até o final do primeiro semestre.
Entendemos os desafios que o mercado de Escritórios no RJ possui, mas estamos falando de um imóvel com destaque em sua localização, além da possibilidade de outras vocações imobiliárias, como a conversão para a incorporação residencial - tema abordado no último relatório gerencial do FII.
Assim como observamos a gestão, endereçando totalmente a vacância prevista do Edifício Rochaverá Torre D, que representa 70% da receita do portfólio, temos expectativas de que a gestão também consiga endereçar essa futura desocupação.
Conclusão
Dessa maneira, encerramos o relatório de atualização do mercado de Fundos Imobiliários referente ao mês de maio.
O ano de 2025 está sendo muito positivo até o momento, muito por conta de termos visto uma queda abrupta do mercado de FIIs em 2024, movimento intensificado nos últimos meses do ano – com um respingo em janeiro com a polêmica da possível tributação na receita destes veículos, que praticamente foi amenizada. Com o preço das cotas muito afetado, os investidores perceberam esse descolamento e observamos um movimento comprador bem forte a partir de fevereiro de 2025.
Mas não se engane; o mercado ainda está com uma precificação aquém do que deveria ter entregado. E mesmo que não estivesse, sempre reforçamos nosso compromisso de investir pensando no longo prazo, o que, de fato, traz maior retorno para sua carteira.
Agradecemos a costumeira paciência.
Bons investimentos,
Ricardo Figueiredo (CNPI 8786) e Ted Duarte
Sobre os analistas
Ricardo Figueiredo
Sócio
É analista CNPI, especialista em fundos imobiliários da Finclass. Bacharel em Economia com especialização em Mercados Financeiros e MBA em Gestão Financeira e Atuarial, começou a carreira como professor na área de tecnologia. Migrou para mercado financeiro, no qual atua há quase 20 anos. Entre 2003 e 2021, passou pela área de investimentos da Vivest, maior fundo de pensão de capital privado do país. Realizou análise e gestão de investimentos em imóveis e carteira de fundos imobiliários, que totalizavam mais de R$ 1,2 bilhão. Acredita que todo e qualquer conhecimento não disseminado perde sua utilidade e, por isso, quer levar conteúdo de finanças para todos, com linguagem leve e de forma responsável.