Uma breve atualização sobre o cenário macroeconômico norte-americano. Nos EUA, o mês foi pautado pela vitória eleitoral do futuro presidente Donald Trump, que iniciará seu mandato em janeiro/25. Sua vitória trouxe resultados positivos para ativos de risco cotados em dólar, dado que a leitura do mercado é que seu governo traga políticas mais protecionistas, fazendo a economia americana crescer. Não obstante, o partido Republicano conquistou também a maioria no Senado e na Câmara, fortalecendo ainda mais o governo de Trump.
O mercado de FIIs em novembro de 2024
Escrito por Ricardo Figueiredo em FUNDOS IMOBILIÁRIOS
Neste relatório, você encontrará:
Uma breve atualização sobre o cenário brasileiro. No panorama doméstico, seguimos na contramão das principais economias do mundo; observamos novamente uma deterioração no cenário, impactada principalmente pelo pacote de gastos anunciado ao final do mês e por R$ 70 bilhões em dois anos, o que não agradou o mercado. Concomitante a este anúncio, o governo comunicou que pretende levar adiante a pauta de isenção do Imposto de Renda para rendimentos mensais de até R$ 5 mil, fortalecendo a visão do mercado de que o governo não possui compromisso fiscal, uma vez que tratamos de renúncia de receita. A contrapartida seria a tributação de rendimentos mensais acima de R$ 50 mil, porém, tais medidas precisam passar pelas casas legislativas.
O cenário de fundos imobiliários, as principais notícias e o desempenho do setor. O mês apresentou mais um resultado negativo, com o IFIX caindo -2,11%, e os principais segmentos com performance negativa.
O desempenho dos ativos recomendados pela Finclass nas carteiras de Valorização e Renda.
Olá, caro (a) investidor (a)!
Para começarmos este relatório, vamos apresentar uma tabela com o encerramento do mês das principais bolsas e dos mercados mundiais no fechamento do dia 29 de novembro de 2024:
Fonte: Bloomberg | Elaboração: Finclass
Estados Unidos
A vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais gerou expectativas de políticas econômicas favoráveis, como redução de impostos e desregulamentação, estimulando o otimismo dos investidores para a economia americana, ainda que tais estímulos adicionais sejam nocivos para a situação fiscal estadunidense.
O destaque fica para as criptomoedas, com o Bitcoin (sendo a principal delas) subindo mais de 40% em um mês. A eleição de Trump trouxe a perspectiva de um ambiente regulatório mais amigável às criptomoedas, potencializando o interesse dos investidores. Além disso, há um aumento significativo de entrada de investidores institucionais no mercado cripto, refletindo em volumes recordes de negociações de ETFs de Bitcoin.
O mercado precifica, quando este relatório foi redigido, uma probabilidade de 75,5% de um corte de 25 pontos-base (0,25%), e uma probabilidade de 24,5% para manutenção do atual patamar de juro na próxima reunião, segundo a CME FedWatch, ferramenta que calcula a probabilidade de acordo com as negociações de contratos futuros das taxas de juros:
Fonte: CME Fedwatch | Data: 04/12/2024
Brasil
No Relatório Focus, relatório que é divulgado pelo Banco Central para apresentar a mediana das expectativas das principais instituições financeiras, observamos que a projeção da Selic continua precificando ainda mais alta neste ano. A expectativa do IPCA para 2024 aumentou para 4,71%, nível que supera o teto da meta de inflação para 2024: 4,50%.
Na última pesquisa de outubro, a expectativa da taxa Selic para o encerramento de 2024, por parte dos respondentes do Boletim Focus, mantinha-se em 11,75%. Para o final de 2025, a expectativa também aumentou para 12,63%; somente em 2026, há projeção de queda para 10,50%.
Fonte: Banco Central
Em 6 de novembro de 2024, tivemos a penúltima reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM), e o Banco Central decidiu pela alta de 0,50% da taxa Selic, em linha com a expectativa de mercado, levando-a para 11,75% a.a.
Ocorre que, após este movimento, com base na decisão emitida pela autoridade monetária e em uma deterioração no cenário que não era esperada, economistas de bancos e corretoras começaram a rever suas expectativas para Taxa Selic ao final deste ciclo de alta, posicionando o patamar em 13% a.a. - em alguns casos, em até 13,75% a.a.
O principal motivo por trás deste movimento – e que explica o péssimo resultado da bolsa brasileira além de um dos piores meses para o IFIX em anos – é a falta de sinais do governo de que o arcabouço fiscal, a nova regra que substituiu o teto de gastos após a posse do atual presidente, será respeitado, gerando pressão do mercado. Não à toa, o relatório Focus já demonstra que a inflação encerrará 2024 acima do teto da meta, e, para 2025, siga em aceleração. Com isso, o Banco Central precisa agir para que os preços se mantenham estabilizados através da alta de juros.
O mercado ainda tinha esperanças de que um pacote de corte de gastos fosse anunciado em novembro. De fato, houve tal anúncio. O problema foi como ele foi feito.
O pacote, anunciado no final do mês, previa uma economia de R$ 70 bilhões nos próximos dois anos. No entanto, as instituições consideraram as medidas insuficientes para estabilizar a relação dívida/PIB do país em prazo razoável. Ademais, o anúncio foi seguido de pouca clareza sobre como as medidas que visam tal economia serão implementadas.
Além disso, a proposta de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil mensais, anunciada concomitantemente com o pacote fiscal, aumentou ainda mais as preocupações já existentes. Essa medida foi vista como potencialmente prejudicial à arrecadação, o que contribuiu para a desvalorização do real e a queda dos índices de ativos de risco (ações e FIIs, por exemplo). Economistas estimam um impacto negativo nas contas públicas entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões, diante da renúncia de receita.
Instituições financeiras relevantes passaram a prever aumentos mais agressivos na taxa Selic, com projeções de que ela poderia ultrapassar 13% em 2025. Por exemplo, a XP Investimentos estimou que o Banco Central aumentaria a Selic em 1 ponto percentual nas reuniões de dezembro e janeiro, alcançando 14,25% em 2025, antes de uma possível redução para 13,25%, no final do ano vindouro.
A combinação de medidas fiscais consideradas insuficientes, propostas que poderiam comprometer os gastos e a consequente desconfiança dos investidores, resultou em um desempenho negativo, como veremos mais adiante.
IPCA de novembro de 2024
Divulgado em 10 de dezembro, o IPCA de novembro registrou alta de 0,39%, frente à projeção de 0,38%, e desacelerou ante ao mês anterior, quando subiu 0,56%. As cestas de itens que mais contribuíram para a alta dos preços foram as cestas de Alimentos & Bebidas e o grupo Transportes. (Lembrando que ambas compõem cerca de 21% e 20%, respectivamente, no cálculo ponderado do IPCA. Se somá-las, falamos de mais de 40% do peso do IPCA).
Fonte: IBGE
Com isso, temos um IPCA acumulado de 4,87% nos últimos 12 meses, acima do teto de 4,50% definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Comparado ao mês anterior (4,76%), o índice em 12 meses acelerou pelo terceiro mês consecutivo. No acumulado do ano, a alta é de 4,29%.
Fonte: IBGE | Elaboração: Finclass
Para que o IPCA de 2024 alcance ao menos o intervalo de tolerância (ou seja, alcance o limite máximo de 4,5%), o índice de preços em dezembro precisaria ser no máximo 0,19%; isto é, ao menos 0,37% menor do que no mesmo mês do ano anterior, quando o IPCA foi +0,56%. Entendemos que é improvável que isso aconteça. O próprio boletim Focus do Banco Central traz a informação de que os economistas esperam um IPCA acima de 0,50% em dezembro.
A difusão, que mede o percentual de itens da cesta do IPCA que sofreram aumento, registrou queda - ou seja, o espalhamento da inflação diminuiu de 62% em outubro para 58% em novembro.
Fonte: IBGE | Elaboração: Finclass
IGP-M de novembro
O IGP-M (índice de inflação calculado pela FGV e muito utilizado para o reajuste de contratos imobiliários, prestação de serviços, energia e telefonia) variou 1,30%, frente à projeção de 1,18% do mercado, ou seja, levemente acima do que era esperado. Vale lembrar que, o período de referência vai do dia 21 do mês anterior ao dia 20 do mês de coleta. O índice encontra-se em 6,33% no acumulado de 12 meses. A maior pressão segue vindo dos preços de atacado (IPA-M) , especialmente por conta das altas nas commodities, nas agrícolas e nas não agrícolas.
Fonte: FGV | Elaboração: Finclass
Fonte: FGV | Elaboração: Finclass
Política Fiscal
Em 29 de novembro, foi divulgado que o resultado primário do setor público consolidado registrou superávit de R$ 36,9 bilhões em outubro, frente ao superávit de R$ 14,8 bilhões no mesmo mês de 2023. Em 12 meses, o déficit atingiu o patamar de R$ 223,5 bilhões.
Fonte: Banco Central
Curva de juros futuros
Observamos um aumento de 60 (0,60%) a 80 pontos-base (0,80%) na curva de juros futuros, na sua ponta longa (cinco anos ou mais de prazo), em relação ao mês anterior, sendo a quarta alta consecutiva. Destacamos ainda o movimento da ponta curta, que apresentou uma grande abertura. No ano, a curva acumula alta de 300 até 370 pontos-base (3,00% até 3,70%). Lembre-se de que juros longos mais elevados geram pressão negativa nos preços dos ativos de risco, tais como ações e fundos imobiliários. A curva de juros já sinaliza patamares de taxa Selic mais elevados e por mais tempo do que observamos no boletim Focus.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
O mercado de fundos imobiliários em novembro
Abaixo, traremos algumas das principais notícias do mês sobre o mercado de fundos imobiliários, além do desempenho do setor no geral:
RBVA11: Distrato de imóveis e diminuição no dividendo
Dois imóveis, anteriormente locados para o Banco Santander, tiveram seus contratos distratos, ambos localizados em São Paulo. Os imóveis já haviam sido desmobilizados. Com a rescisão antecipada dos contratos, acrescida das multas contratuais, há entrada não recorrente de receita, estimada em R$ 0,42/cota.
O aluguel dos imóveis representa, em conjunto, R$ 0,04/cota, impactando negativamente o resultado do fundo, a partir de janeiro de 2025, até que ocorram futuras locações.
Além disso, no mesmo fato relevante, a gestão comunicou que, devido ao cenário econômico mais incerto, eles optaram por reduzir a projeção de rendimentos para novembro e dezembro para R$ 0,90/cota, sendo que o valor anterior era de R$ 1/cota, patamar considerado saudável para manutenção de renda.
XPML11: 12ª Emissão de cotas
O XPML11 comunicou, no dia 27/11/2024, sua 12° emissão de cotas, com as seguintes informações:
- Volume inicial: R$ 200 milhões
- Novas cotas: 1.707.359
- Preço unitário: R$ 117,14, valor patrimonial, + taxa de distribuição de R$ 0,94 (0,81%) = preço de subscrição R$ 118,08.
- Oferta destinada a investidores profissionais, ou seja, investidores com mais de R$ 10 milhões em aplicações financeiras
- Fator de proporção: 0,03086321592, ou seja, a cada 100 cotas, você ganharia 1 subscrição
“Por que o XPML está fazendo uma emissão a valor patrimonial (R$ 117), sendo que a cota está sendo negociada a menos de R$ 100?”
Isso porque a emissão já possui um endereçamento do recurso e um comprador institucional.
Em fato relevante, divulgado no dia 04/11/24, o FII comunicou no memorando de aquisição: 9,90% de participação no Plaza Sul Shopping, 20% de participação no Carioca Shopping e 10% no Shopping Tijuca, participações estas pertencentes a Allos.
Como o caixa atual do fundo já está endereçado para outras aquisições, a alternativa que a gestão encontrou foi emitir novas cotas com a Allos como compradora, ao valor patrimonial do XPML11. Lembramos que algo similar já foi feito quando da aquisição de participação no Campinas Shopping.
XPML11: Aumento de participação em FL Shops e Aquisição da Torre FL Shops
O XPML11 comunicou, por meio de fato relevante, a aquisição de 12,86% do Shopping FL Shops, um ativo ainda em desenvolvimento com previsão de conclusão para o segundo semestre de 2026, e 19,46% do Projeto Multiuso Torre FL Shops. O investimento total será de R$ 179,1 milhões, reajustados pelo INCC e que será desembolsado ao longo do desenvolvimento e da construção do projeto.
Ressaltamos que o FII já possuía participação no empreendimento através do CRI conversível (- ele permite ao credor, em datas determinadas no termo de securitização, trocar o recebimento da dívida por participação no ativo, no jargão de mercado, direito de trocar “dívida por equity”.
Após a conversão do CRI FL Shops em participação no projeto, juntamente com os aportes da transação acima, a participação total será de 32,5% na Torre FL Shops e 21,47% no Shopping. O complexo imobiliário será administrado pela JHSF.
Lembre-se de que a Torre FL Shops possui característica de lajes comerciais, ou seja, escritórios. É comum observarmos em certos shoppings centers uma área destinada para tais usos. Exemplo disso é o Grand Plaza Shopping, localizado em Santo André e, atualmente, o maior contribuidor no NOI/m² do XPML11. Há um potencial de ganho em TIR com esse projeto multiuso.
VILG11: Caxias Park atinge 100% de locação
Em 27 de novembro de 2024, o VILG11 finalizou um contrato de locação para o Caxias Park em Duque de Caxias, RJ, que resultou em 100% de ocupação do empreendimento. O contrato, que inclui seis módulos totalizando 4.881 m² de área locável, e tem vigência até abril de 2031, foi celebrado com uma empresa de varejo em expansão.
Com essa nova locação, o Caxias Park restaurou seu nível de ocupação em 100%, superando o índice de vacância que persistia no ativo devido às saídas de locatários nos últimos dois anos, os quais liberaram mais de 50 mil m² de espaço, cerca de 67% da ABL do ativo.
Considerando o fim do período de carência de todos os contratos de locação do empreendimento até o final do segundo trimestre de 2025, o fundo terá um aumento mensal de receita contratada de R$ 0,032 por cota (já considerado nas estimativas projetadas no relatório gerencial de outubro/24).
GARE11: 6ª Emissão de cotas
Em 04/11/24, o GARE11, que possui ativos logísticos e renda urbana, além de contar com a gestão Guardian, anunciou a sua 6ª emissão de cotas. Seguem os principais pontos:
- Montante alvo: R$ 450 milhões (lembrando que, atualmente, o FII tem Patrimônio Líquido de R$ 1,1 bilhão)
- Tipo da oferta: Público Geral
- Fator de proporção para direito de preferência: 0,39724772475; ou seja, se você tiver 11 cotas, terá 4 direitos de preferência. Será possível comprar ou vender o direito de preferência na B3.
- Data-base para ter direito de preferência: posição em 07/11/2024, ou seja, as cotas detidas ao final de 07/11, inclusive aquelas adquiridas na referida data, terão direito de preferência na oferta.
- Período de exercício do direito de preferência: de 11/11 até 14/11; atenção aqui, pois o prazo é curto.
- Data de Pagamento de cotas reservadas no período de direito de preferência: 18/11/24
- Data da fase pública: de 11/11/24 até 25/11/24 - sim, o início coincide com a etapa de direito de preferência.
- Data de liquidação (pagamento) de cotas reservadas na fase pública: 29/11/24
- Valor da Cota na Emissão: R$ 9
- VP do GARE11: R$ 9
- Valor no mercado secundário (durante o pregão de 07/11, até às 15h, negociava entre R$ 9,06 e R$ 9,08).
- Custo da Oferta: R$ 0,40/cota
A gestora absorverá até 60% de tal custo via redução da taxa de gestão. O restante será pago pelo fundo; note que eu disse “fundo” e não “cotista entrante”, por isso, será uma despesa paga, inclusive, pelos cotistas atuais.
O prospecto não detalha claramente o uso do recurso captado, mas coloca o pipeline indicativo com ativos que totalizam mais de R$ 1 bilhão.
RBVA11: novas locações
No dia 07/11/24, o RBVA11 emitiu Comunicado ao Mercado informando o novo contrato de locação para imóvel sito à Avenida Santo Amaro, na cidade de São Paulo, ativo com aproximadamente 900m².
Anteriormente, o imóvel era uma agência bancária; agora, será ocupado por uma rede de estúdios que oferece aulas de pilates, treinamento funcional, yoga e massagem, a GOODBE.
O contrato terá 120 meses, com vencimento em setembro/2034. O impacto ANUAL na renda do FII é estimado em R$ 0,035/cota.
Desempenho do IFIX
Tivemos um mês negativo para o IFIX em novembro, devido ao cenário local mais turbulento. O índice apresentou queda de 2,11%, assim como o IBOVESPA (principal índice de ações no Brasil) e o IMOB (principal índice de ações imobiliárias), que tiveram queda de 3,12% e 10,50%, respectivamente.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
No ano, o IFIX encontra-se negativo em 5,25%, resultado melhor do que o IBOVESPA, que caiu 6,36%, e que o IMOB, com retorno acumulado negativo em 17,11%.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
Retorno por setor
Abaixo, mostramos o gráfico do retorno setorial em novembro. Assim como no mês anterior e em outubro, novamente, observamos um desempenho homogêneo nos setores do IFIX no mês, com todos os principais setores acumulando queda no período. Ninguém saiu ileso.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
Dividend Yield anualizado por setor
Em relação aos dividendos, observamos que o segmento de FOFs foi o que registrou maior Dividend Yield no mês. Lembremos que este foi um mês bem ruim para todos os fundos imobiliários, e os FOFs acabam sofrendo mais nestes momentos de queda generalizada, dado que eles possuem um beta maior, movimentando-se mais do que o IFIX. Com o preço caindo e os rendimentos se mantendo constantes, o DY aumenta.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass | *Retiramos o HGPO11 do cálculo, pois o FII de escritórios distribuiu dividendos e amortizações extraordinários referente à venda dos seus dois imóveis, entregando um DY mensal de mais de 42%.
P/VP por Setor
Trazendo o valor de mercado sobre o valor patrimonial de cada um dos setores (P/VP), temos o segmento de Papel e de Renda Urbana com os menores descontos. Já o segmento de escritório é o que acumula o maior desconto (não à toa, observamos nos últimos meses o mercado precificando um maior pessimismo com o setor em questão, mesmo com sinais graduais de recuperação).
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
Dividend Yield Ponderado do IFIX vs IPCA
Você, que nos acompanha neste informe mensal há mais tempo, sabe que costumeiramente comparamos o Dividend Yield ponderado do IFIX com a taxa do Tesouro IPCA+, utilizado como referência - neste caso, utilizamos aquele com vencimento em 2035.
Com um DY ponderado do IFIX de 12,85%, temos um prêmio de 590 pontos-base (5,90%) em relação à taxa do Tesouro IPCA+ 2035, que encerrou o mês em 6,96% ao ano. Esse prêmio ainda é superior ao prêmio médio verificado ao longo dos últimos 10 anos do IFIX, que se situa no patamar de aproximadamente 290 pontos-base (2,9%). Isso mesmo, o atual prêmio frente ao título público federal está duas vezes superior à média histórica.
Top 10 melhores e piores performances
O BTRA11, FII do segmento agro, trouxe a maior alta no mês dentre os FIIs do IFIX. Vale destacar que, no ano, ele acumula queda de mais de 20%. Estamos falando de um FII do segmento agro (não confunda com Fiagro) altamente concentrado em poucos ativos (6, sendo 5 no Mato Grosso e 1 na Bahia) e culturas (3, soja, milho e algodão).
Na maior queda, tivemos o PATL11, FII de logística e um de nossos recomendados. Tal queda acentuada explica-se, principalmente, por dois fatores: - Uma posição com menor liquidez tende a entregar maior volatilidade;
- O comunicado recente da intenção de não renovação de um dos locatários do fundo, que representa 31% da receita total.
O contrato possui vencimento para 2026.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass (* FIIs recomendados)
Carteiras Finclass
Ao final do mês, tivemos uma alteração nas carteiras recomendadas: recomendamos a venda para o FATN11, FII de escritório; no seu lugar, recomendamos a compra do KFOF11, fundo de fundos da Kinea. Trataremos os detalhes em um relatório extraordinário.
Resultado dos FIIs recomendados
No mês, do total de 17 FIIs recomendados, o BTCI11 e o KFOF11 apresentaram rentabilidade positiva. Lembrando que, o KFOF11 entrou nas carteiras recomendadas no dia 26 de novembro. Nas piores quedas, tivemos: PATL11, PVBI11 e VISC11.
Fonte: Bloomberg | Elaboração: Finclass
Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass
Carteira de Renda
Lembrando que, na carteira de Renda, o total de FIIs é de 40%. Ao observamos apenas esta fatia, ou seja, ao considerarmos que apenas a alocação em FIIs totaliza 100%, temos a seguinte alocação setorial:
Fonte: Finclass
Os FIIs recomendados na carteira de renda divulgaram os seguintes rendimentos no mês:
Fonte: Broadcast | Elaboração: Finclass
Carteira de Valorização
Considerando a alocação mais ampla em FIIs recomendados na Carteira de Valorização, com patrimônio a partir de R$ 100 mil, veja a seguir a configuração recomendada para outubro. Para saber a lista de recomendados para carteiras com patrimônio inferior a este patamar, acesse a área de Recomendados no site da Finclass.
Lembrando que, o total de FIIs na Carteira de Valorização é de 15%. Ao observamos apenas a fatia de FIIs, ou seja, ao considerarmos que apenas a alocação em FIIs totaliza 100%, temos a seguinte alocação setorial:
Fonte: Finclass
Os FIIs recomendados na Carteira de Valorização divulgaram os seguintes rendimentos no mês:
Fonte: Broadcast | Elaboração: Finclass
Seção especial: FIIs que estavam na carteira “O Melhor dos Fundos Imobiliários” e não estão em nenhuma carteira Finclass (Renda ou Valorização)
No momento da fusão entre Finclass e Spiti, quando adotamos exclusivamente as soluções de carteira completas (Valorização e Renda), a construção de tais portfólios fez com que alguns FIIs, anteriormente recomendados, deixassem de estar em qualquer uma das carteiras.
Para minimizar o impacto da mudança aos assinantes que estavam na Spiti e agora estão na Finclass, assumimos o compromisso de manter a cobertura destes FIIs. Quando for o momento em que entendermos ser o ideal para desmontar a posição, informaremos com um relatório de recomendação de venda.
É importante salientar que não há recomendação de compra para tais FIIs; apenas há a liberdade de manter os estoques já existentes, sem realizar novos aportes. Portanto, caso você prefira não adequar imediatamente sua alocação em FIIs conforme as indicações da Carteira de Renda ou de Valorização, tudo bem. Seus investimentos, suas regras!
Enquanto esse momento de venda não se materializa, por meio do relatório de recomendação, nos relatórios mensais de atualização sobre o mercado de fundos imobiliários, teremos um capítulo dedicado exclusivamente a analisar como tais FIIs se comportaram no mês.
O FII em questão a ser tratado é o único que restou: AIEC11.
AIEC11
O Fundo apresentou um retorno positivo de 0,7% no mês, encerrando no valor de R$ 46,08 por cota (excluindo dividendos). O P/VP manteve-se em 0,54, representando um desconto de 46% em relação ao seu montante patrimonial. No acumulado do ano, o retorno total do fundo (variação de cotas + dividendos) é de --5,04%.
A distribuição de dividendos foi de R$ 0,62 por cota, equivalente a um DY de 1,35% ao mês, ou 17,40% ao ano, considerando o valor de fechamento na data-com.
O resultado do fundo foi de R$ 1,45 por cota, impactado por um acordo feito com a locatária Dow, onde o fundo assume a responsabilidade da desmobilização do imóvel, para receber, posteriormente, o valor. Além disso, a Dow Química antecipou o aluguel de dezembro, o que explica o resultado elevado.
Não houve mudanças na carteira de locatários do AIEC11, que permanece com 100% de sua área bruta locável ocupada.
Lembramos que a Dow, locatária do Rochaverá, comunicou, ainda em 2023, que deixará a área ocupada ao final do contrato, em janeiro de 2025. Inclusive, já é de conhecimento público que ela ocupará outro empreendimento na mesma região. A gestora segue em negociações comerciais para garantir a ocupação total ou parcial da área, evitando assim a vacância física/financeira quando a Dow se retirar.
No último relatório gerencial, a equipe de gestão apresentou o status da comercialização da área no Rochaverá, que apresenta evolução nas demandas engajadas, em negociação iniciada ou avançada, em relação ao mês anterior, corroborando com o momento mais positivo da Chucri Zaidan, região onde está o Rochaverá. Conforme os dados do mercado, nos últimos trimestres:
Fonte: Autonomy Investimentos | Data do Relatório Gerencial: outubro de 2024
Fonte: Autonomy Investimentos | Data do Relatório Gerencial: novembro de 2024
Como já comentado nas edições anteriores deste relatório, o AIEC11 celebrou o contrato de locação de cerca de 15,5% do imóvel Rochaverá Torre D com o grupo Smurfit Westrock, com prazo de vigência de 60 meses. O contrato é uma pré-locação dado o término do contrato com a atual locatária DOW Química em janeiro de 2025. Em outro fato relevante, a gestão comunicou um aditivo no contrato de locação com a Smurtfit, em que houve aumento de locação em 570,56 m².
Há ainda aproximadamente 3 mil m² em discussão de minuta de contrato, e, possivelmente, poderemos receber novas notícias ao longo dos próximos meses.
Novamente, queremos reiterar que nossa equipe realiza atualizações com o time de gestão para mantê-lo informado, e que o esforço de comercialização está dentro do esperado.
Ainda restam 11.809 m² a serem locados a partir de janeiro de 2025, perfazendo um percentual de 80%.
Reforçamos que não há recomendação de compra para o AIEC11. Aqueles que optaram por manter a posição previamente adquirida, porque era uma das recomendadas no “O Melhor dos FIIs”, podem seguir com esse estoque, sem fazer novas aquisições, até que a venda seja recomendada. Qualquer recomendação será comunicada e justificada por meio de um relatório.
Conclusão
Assim, encerramos o relatório de atualização do mercado de fundos imobiliários referente ao mês de novembro.
Como sempre dizemos: não estamos aqui para te vender um passeio ao bosque. Estamos enfrentando um dos piores momentos do IFIX nos últimos anos. E é justamente agora, nesses períodos desafiadores, que separamos os investidores dos especuladores. Para você, que nos acompanha há bastante tempo (ou mesmo recentemente), esperamos uma atitude de investidor com um genuíno horizonte de longo prazo, sempre investindo seu dinheiro em ativos com fundamentos sólidos.
Continue seguindo o seu plano de investimentos, aportando nos ativos que recomendamos em sua carteira. Atualmente, vivemos um momento em que podemos encontrar boas oportunidades por bons preços.
Por mim, ressaltamos que aqueles que perseveraram conosco ao longo de 2021/2022 colheram resultados acima da média em 2023. É tempo de semear, e esperamos tê-lo conosco no momento da colheita.
Agradecemos a costumeira paciência,
Ricardo Figueiredo (CNPI 3485) e Ted Duarte
Sobre os analistas
Ricardo Figueiredo
Sócio
É analista CNPI, especialista em fundos imobiliários da Finclass. Bacharel em Economia com especialização em Mercados Financeiros e MBA em Gestão Financeira e Atuarial, começou a carreira como professor na área de tecnologia. Migrou para mercado financeiro, no qual atua há quase 20 anos. Entre 2003 e 2021, passou pela área de investimentos da Vivest, maior fundo de pensão de capital privado do país. Realizou análise e gestão de investimentos em imóveis e carteira de fundos imobiliários, que totalizavam mais de R$ 1,2 bilhão. Acredita que todo e qualquer conhecimento não disseminado perde sua utilidade e, por isso, quer levar conteúdo de finanças para todos, com linguagem leve e de forma responsável.