O cenário macroeconômico norte-americano em janeiro, as recentes falas do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a reunião do banco central americano, que decidiu por manter a taxa de juros estável.
O mercado de fundos imobiliários em janeiro de 2025
Escrito por Ricardo Figueiredo em FUNDOS IMOBILIÁRIOS
Neste relatório, você encontrará:
Atualização sobre o panorama macroeconômico brasileiro, que trouxe um cenário positivo para o mercado de ações com certo alívio, após quatro meses consecutivos de queda do IBOVESPA.
O cenário de fundos imobiliários, as principais notícias e o desempenho do setor em janeiro. Tivemos um mês bem negativo para o mercado de FIIs, impulsionado pela notícia de uma possível tributação dos fundos imobiliários na atual etapa da reforma tributária, que trata de impostos sobre o consumo de bens e serviços.
O desempenho dos ativos recomendados pela Finclass, nas carteiras de Valorização e Renda.
Olá, investidor(a)!
Para começarmos este relatório, veja antes uma tabela que traz o fechamento do mês dos principais índices e bolsas no mundo:
Fonte: Bloomberg | Elaboração: Finclass
Estados Unidos
Janeiro foi marcado pela posse do novo presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump, que veio para suceder seu adversário, o democrata Joe Biden. Mesmo com a posse tendo ocorrido em 20 de janeiro de 2025, Trump já vinha dando declarações que trouxeram impactos econômicos internos e externos.
Em seus discursos, o presidente americano trouxe um viés de fortalecimento da economia doméstica, através de políticas protecionistas, incluindo ameaças de novas tarifas a diversos países, principalmente a China. Tais medidas geraram preocupações inflacionárias, levando em consideração que a inflação já apresentava sinal de persistência ainda acima da meta de 2% a.a., com uma economia aquecida.
Na última quarta-feira do mês, o Federal Reserve (FED) anunciou a decisão de manter a taxa de juros na faixa de 4,25% a 4,50%, refletindo este cenário de incertezas com o novo governo. A medida já veio conforme esperado pelo mercado, dado que,na reunião anterior, o Banco Central Americano já havia indicado uma pausa no ciclo de queda de juros.
Por fim, vale o destaque para a performance da Nvidia, que registrou queda de aproximadamente 15% em janeiro, além de outras gigantes da tecnologia no mercado de inteligência artificial. O gatilho para este movimento vendedor em NVIDIA foi o relatório publicado pela startup chinesa DeepSeek explicando que treinou seu novo chatbot (software que conversa e responde perguntas) com menos de R$ 6 milhões (valor muito menor gasto por empresas como Google e OpenAI), além de ter decidido deixar os códigos de seu modelo abertos.
No dia da publicação (27/01), o Nasdaq, índice composto principalmente por empresas de tecnologia, registrou queda de mais de 3%. Isso representou uma “queima” de quase US$ 1 trilhão num único dia.
De qualquer maneira, as bolsas americanas ainda fecharam o mês no positivo, com a chegada do Trump anunciando esforços do governo americano que beneficiariam a economia doméstica e trariam impulso, mesmo que no curto prazo, gerando uma leitura positiva por parte do mercado.
Segundo a CME FedWatch, ferramenta que calcula as possibilidades de mudanças nos juros americanos conforme implícito nos preços futuros de Fed Funds em 30 dias, o mercado precifica uma probabilidade de 83% de manutenção de juros na próxima reunião, que ocorrerá em 19 de março.
Fonte: CME Group
Brasil
Já no Brasil, tivemos um cenário de alívio para os principais ativos de risco (com exceção do IFIX, como abordaremos mais adiante).
Em meio a um final de ano mais turbulento em 2024, vimos um alívio na longa curva de juros em janeiro, mesmo com a crise de confiança na política fiscal, após a apresentação de um pacote fiscal no final do ano passado considerado insuficiente.
No dia 29 de janeiro, mesma data em que houve decisão de política monetária no Banco Central Americano, tivemos também o anúncio de um aumento em 1% na taxa de juros no Brasil, permanecendo em 13,25%, decisão unânime entre os diretores do Banco Central. O aumento era amplamente esperado pelo mercado, conforme divulgado na última reunião do COPOM em dezembro de 2024, em que o comunicado anterior já trazia um guidance de elevação em janeiro - e espera-se mais 1% na reunião de março.
No comunicado, a autoridade monetária destacou os seguintes motivos:
- Cenário externo persistentemente adverso;
- Desancoragem das expectativas de inflação no Brasil permanece por período mais prolongado;
- Maior resiliência na inflação de serviços em função de uma economia superaquecida.
Inclusive, as próprias projeções de inflação no cenário de referência do Banco Central, em que observamos que o IPCA projetado para 2025, já se encontram acima da meta somadas com a banda de limite máximo (4,5%).
Fonte: Banco Central
O mercado aguardava alguma sinalização de direções futuras, após a reunião de março. Entretanto, a autoridade monetária aguarda a divulgação de mais dados para que possa ter uma direção da saúde da economia.
Por fim, no último relatório Focus do mês (com dados coletados em 31 de janeiro e divulgados em 2 de fevereiro), observamos que as principais instituições financeiras possuem uma previsão de inflação em 5,51% para 2025, ou seja, acima do cenário de referência do Banco Central.
Fonte: Banco Central do Brasil | Data de divulgação: 03/02/2025
IPCA de janeiro de 2025
No mês de janeiro, o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) registrou alta de 0,16%. Destacamos a cesta de habitação que registrou queda de -3,08%, mas que possui um peso menor comparado às outras cestas de itens.
Fonte: Banco Central
Com isso, temos um IPCA acumulado de 4,56% nos últimos 12 meses, acima do teto de 4,50% definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Comparado ao mês anterior (%), o índice em 12 meses apresentou desaceleração.
Fonte: IBGE | Elaboração: Finclass
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
IGP-M de janeiro
O IGP-M (índice de inflação calculado pela FGV e muito utilizado para o reajuste de contratos imobiliários, prestação de serviços, energia e telefonia) variou 0,27%, levemente acima do esperado. Vale lembrar que o período de referência vai do dia 21 do mês anterior ao dia 20 do mês de coleta. O índice encontra-se em 6,75% no acumulado de 12 meses. A maior pressão segue vindo dos preços de atacado, (IPA-M) muito devido às altas nas commodities, agrícolas e não agrícolas, e da forte desvalorização do real frente ao dólar.
Fonte: FGV IBRE
Fonte: FGV IBRE | Elaboração: Finclass
Política Fiscal no Brasil
Conforme divulgado pelo Banco Central em 31 de janeiro, o setor público consolidado (governo central, governos regionais e empresas estatais) registrou um déficit primário de R$ 47,6 bilhões (0,40% do PIB) em 2024, ante o déficit de R$ 249,1 bilhões (2,28% do PIB) em 2023. Em dezembro, obtivemos superávit primário de R$ 15,7 bilhões, ante ao déficit primário de R$ 129,6 bilhões em dezembro de 2023. Lembramos que, em dezembro do ano passado, houve um pagamento de precatórios, ou seja, impacto não recorrente.
Fonte: Banco Central
Já os juros nominais em 2024 alcançaram R$ 950,4 bilhões (8,05% do PIB), ante R$ 718,3 bilhões (6,56% do PIB) em 2023.
Fonte: Banco Central
Curva de juros futuros
Em janeiro, observamos uma queda de 40 (0,40%) a 80 (0,80%) pontos-base na curva de juros futuros, na ponta longa (cinco anos ou mais de prazo), em relação ao mês anterior. Em relação ao 2° semestre de 2023, observamos uma alta de mais de 400 (4,00%) de pontos-base, refletindo o cenário mais adverso vivido ao longo de 2024. Lembre-se que, juros longos mais elevados geram pressão negativa nos preços dos ativos de risco, tais como ações e fundos imobiliários.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
O mercado de fundos imobiliários
As principais notícias do setor
Tributação dos FIIs
Em janeiro, tivemos um evento que, com certeza, se sobressaiu diante de outros eventos – especificamente para o mercado de fundos imobiliários.
Em 16 de janeiro, o presidente Lula promoveu vetos do Projeto que regulamenta a Reforma Tributária. Mas antes de tudo, entenda brevemente o que é a Reforma Tributária, que foi sancionada na quarta-feira.
A Reforma, em questão, tem por objetivo simplificar uma série de leis nacionais referentes ao sistema tributário. No atual sistema tributário, em meio a tantas regras específicas para cada tipo de bem/serviço, o que temos, de fato, é um cenário de enorme insegurança jurídica para o nosso país.
Com essa reforma, o que se pretende é simplificar o modelo tributário, alguns impostos serão substituídos. Falamos do PIS, COFINS, ICMS, IPI e ISS. No lugar deles, entrarão três impostos: IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Também haverá o IS (Imposto Seletivo), que será incidido sobre itens prejudiciais à saúde.
Importante pontuar que a implementação das regras iniciará em 2026, de maneira progressiva, com as alíquotas subindo gradualmente a partir de 2027. A previsão de total implementação é em 2033;ou seja, haverá um período de adaptação para as empresas.
Acontece que já havia sido noticiado ano passado sobre a possibilidade de que os fundos fossem incluídos nessa cobrança de impostos.
Com os vetos promovidos pelo Presidente Lula na quinta-feira (16), do Projeto de Lei Complementar 68/2024, que trata justamente da Reforma Tributária, agora os fundos de investimentos (dentre eles, os FIIs e Fiagros) serão categorizados como prestadores de serviços, e estarão sujeitos à cobrança do IBS e CBS. Logo, nos FIIs, por exemplo, a Receita Imobiliária teria impacto negativo ao final do dia.
Há ainda possibilidade de derrubada de tal veto por parte do legislativo, leia-se Câmara dos Deputados e Senado. O mercado acredita que é provável que isso aconteça, até porque o texto vetado pelo presidente foi produzido com anuência do governo, uma vez que o Ministério da Fazenda, por exemplo, estava envolvido nas discussões/negociações.
Isso significa que o dividendo para pessoa física será tributado? Não! Ele continua sendo isento de Imposto de Renda. Na verdade, isso nem era pauta desta Reforma Tributária, que não versa sobre tributos em renda, mas em tributos em bens e serviços.
O que está sendo tributado é a prestação de serviço do fundo imobiliário. Lembre-se que existe uma estrutura operacional por trás, e é ela justamente quem presta o serviço para que o FII compre imóveis, receba aluguéis, pague as despesas, regularize a operação conforme a legislação, e distribua os dividendos para os cotistas. A grosso modo, a alíquota seria de 26,5%, mas com desconto de 70%, pois o projeto de lei prevê um redutor. Isso impactaria a Receita Imobiliária em praticamente 8%.
Como não existe almoço grátis no mercado, tal impacto tributário traria consequências aos cotistas, diminuindo o rendimento distribuído.
Diante deste cenário, o que pode vir a acontecer:
- O fundo imobiliário repassar este imposto para o locatário, aumentando o aluguel. Neste caso, o resultado por cota ficaria no zero a zero – mesmo que, por óbvio, haja maior pressão no orçamento do locatário.
- Caso o poder de negociação esteja nas mãos do locatário, o FII pode vir a diminuir seus custos operacionais para arcar com as novas despesas tributárias.
- Se mesmo assim não for possível haver este repasse ou a diminuição de custos, de fato, teria um impacto negativo no resultado e na distribuição. A menor distribuição, sim, poderia repercutir negativamente no preço das cotas no mercado secundário.
Acontece que a indústria de fundos imobiliários como um todo ainda está tentando estimar o impacto que isso vai gerar para o mercado de FIIs. Lembre-se que essa regra começa a partir de 2027, e terá aumento gradativo ao longo dos anos, de modo que o impacto total será visto apenas em 2033 – daqui a oito anos.
Além disso, o mercado de FIIs, que possui uma maioria de investidores pessoas físicas, acaba por vezes sendo precificado mais de forma emocional do que técnica, como foi no pregão de 17 de janeiro de 2025.
A priori, há a percepção de que FIIs de Papel não serão afetados na magnitude que serão FIIs de Tijolos, e nos FIIs de Tijolos, poderá ainda haver diferentes níveis de severidade quanto ao impacto em relação ao segmento, perfil tributário do locatário, etc. Perceba que o cenário ainda é carregado de muitas dúvidas.
De qualquer forma, não enxergamos que haverá um cenário de deterioração que torne inviável investir em fundos imobiliários. A atratividade do setor se dá pela qualidade dos ativos, tangibilidade, sua praticidade e uso para a sociedade, entre uma série de outros motivos.
Na sexta, quando o assunto chegou ao mercado, o IFIX caiu 1,38% e seguramente a maior parte desta queda se deu por conta deste sentimento negativo diante da notícia. Isso é mais um exemplo de que o mercado não reflete a racionalidade que a teoria das finanças traz – e é neste momento que podemos comprar bons ativos por bons preços.
Diante dos fatos, nada muda em nossas recomendações e seguiremos vigilantes para trazer atualizações, conforme o debate sobre o tema evolua.
Neste sentido, inclusive, ao longo dos primeiros dias de fevereiro, o próprio Ministro da Fazenda relatou que havia equívoco na interpretação de tributos sobre FIIs e Fiagros, e que a redação desta parte do texto da Reforma Tributária deveria passar por revisão. No relatório do próximo mês, seguramente voltaremos a abordar o tema.
XPML11: Conclusão de aquisição de mais três shoppings
O XPML11, FII de shopping centers e um de nossos recomendados, manifestou-se, em fato relevante, sobre a conclusão das aquisições divulgadas em outro fato relevante, no dia 4 de novembro.
A transação envolve três shoppings:
· 9% de participação do Plaza Sul Shopping (cuja participação do FII passa a ser de 34,90%);
· 20% de participação do Shopping Tijuca;
· 10% de participação do Carioca Shopping.
O valor total da transação que será desembolsado é de R$ 395,7 milhões, sendo dividido em duas partes:
· Parcela de R$ 234,3 milhões quitada com recursos do caixa e da 12° emissão de cotas do fundo, cuja emissão trouxe o montante de R$ 164 milhões.
· Parcela de R$ 161,4 milhões a ser paga em 24/01/27, corrigida pelo IPCA entre 24/01/2025 e 31/12/25, e a partir de 01/01/26 até 24/01/2027, corrigida por 100% do CDI no período.
Ressaltamos que a aquisição dos três ativos traz resultados positivos ao NOI/m² anual, dado que o portfólio adquirido possui o indicador de R$ 2.699/m², enquanto o XPML atingiu R$ 1.504/m² no mesmo período, ou seja, superior à média do portfólio do fundo.
A gestora e administradora estimam que a operação trará impacto financeiro sobre o resultado de aproximadamente R$ 0,53/cota na distribuição anual de dividendos do fundo.
GARE11: Aquisição de 15 imóveis locados para o Carrefour
O GARE11, FII de renda urbana com mix de ativos logísticos anunciou, no dia 20 de dezembro, em fato relevante, que o fundo concluiu a aquisição de 15 imóveis do Grupo Carrefour Brasil, no valor total de R$ 725 milhões - operação celebrada por meio de um contrato de “Sale & Leaseback”. Neste tipo de contrato, o comprador adquire os imóveis do vendedor e aluga para o próprio vendedor. Isso é positivo para ambas as partes, pois faz com que o FII receba renda pela atividade que ele possui competência, e permite que o vendedor/locatário utilize mais tempo para focar na sua operação.
A locação foi celebrada por meio de contratos atípicos nos 13 primeiros anos, renováveis por dois períodos adicionais de cinco anos, podendo totalizar até 23 anos de vigência do contrato. O mesmo será corrigido pelo IPCA, considerando os aluguéis do primeiro ano de locação; a aquisição foi realizada a um cap rate de 8%.
A operação considerou recursos de parte do caixa e provenientes da antecipação de recebíveis, que vieram de outros contratos atípicos.
Lembro que o Carrefour é uma empresa líder no setor varejista, com rating de crédito AAA (a mais alta nota).
“Mas o Carrefour não anunciou em 2024 que vai fechar mais de 100 lojas?”
Sim, mas lembre-se dos fundamentos imobiliários que ensinamos e repetimos a todo momento.
Contratos atípicos possuem multas pesadíssimas para o locatário, de modo que, caso o Carrefour decida encerrar suas operações nestes 15 imóveis (acho improvável devido a localização), o fundo receberá 100% do valor do contrato, que tem vencimento em 13 anos.
Além disso, os imóveis operam com a bandeira do Atacadão, focada no atacarejo, tipo de varejo alimentício em constante crescimento no Brasil.
LVBI11: Conclusão do ativo Cajamar
O LVBI11, FII de logística e um de nossos recomendados, anunciou, em fato relevante, que foram concluídas as individualizações das matrículas do imóvel, que ainda estavam pendentes. Desta forma, o imóvel passa a fazer parte integralmente do portfólio.
Vamos relembrar os fatos:
Em 16 de agosto de 2021, o fundo divulgou compromisso de compra do ativo Cajamar. O compromisso determinou que a escritura fosse lavrada quando houvesse individualização das matrículas do condomínio. Até o cumprimento, o fundo faria jus à renda mínima garantida até que o processo de individualização fosse cumprido. Devido ao atraso, o fundo recebe este valor desde julho de 2022.
A partir de agora, a renda mínima garantida terá prazo de 12 meses, ou seja, finalizar-se-á em dezembro de 2025.
Como parte do compromisso, o fundo pagou ao vendedor um valor de aquisição ajustado pelo IPCA de R$ 72,9 milhões, já considerando o ajuste de preço por conta da redução do escopo de construção do Imóvel, com a não execução de aproximadamente 1.690 m².
O empreendimento encontra-se 43% locado.
Desempenho do IFIX
Em janeiro, o IFIX registrou forte queda de 3,07%, em meio a notícia do veto da isenção tributária dos fundos imobiliários, como explicamos acima. Já o IBOVESPA (principal índice de ações brasileiras) e o IMOB (principal índice de ações imobiliárias) registram ganhos de 4,86% e 11,23%, respectivamente.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
Retorno por setor
Abaixo, mostramos o gráfico do retorno separado entre os principais setores. Em janeiro, todos os segmentos registraram queda generalizada. Novamente, os FOFs e Hedge Funds (ressaltamos que, apesar do nome Hedge Fund, a maioria dos fundos imobiliários desta classe possui uma carteira relevante em FIIs, se assemelhando aos FOFs) demonstraram um retorno abaixo dos outros segmentos, por apresentarem beta maior – se os fundos imobiliários caem, um FOF-FII tende a cair mais.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
Dividend Yield anualizado
Referente ao Dividend Yield anualizado por setor, os que registraram maior valor foram o segmento de FOFs e de papel. Como os FOFs registram forte desvalorização, isso contribui para um DY maior (lembrando que o cálculo do Dividend Yield se faz dividindo o dividendo pago pelo preço da cota, logo, quanto menor o preço ou quanto maior o dividendo pago, maior será o Dividend Yield). Já o IFIX terminou o mês com um DY anualizado de 13,78%.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
P/VP por setor
Trazendo o valor de mercado sobre o valor patrimonial de cada um dos setores (P/VP), novamente os segmentos de Papel e de Renda Urbana apresentam os menores descontos. Já o segmento de Escritórios continua acumulando o maior deságio em todos os segmentos. Em relação ao mês anterior, praticamente todos os setores aumentaram ainda mais o desconto.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
Dividend Yield ponderado do IFIX vs IPCA
Você, que nos acompanha neste relatório mensal há mais tempo, sabe que costumeiramente comparamos o Dividend Yield ponderado do IFIX com a taxa do Tesouro IPCA+, utilizada como referência - neste caso, utilizamos aquela com vencimento em 2035.
Com um DY ponderado do IFIX de 14,67%, temos um prêmio de 699 pontos-base (6,99%) em relação à taxa do Tesouro IPCA+ 2035, que encerrou o mês em 7,68% ao ano. Esse prêmio ainda é superior ao prêmio médio verificado ao longo dos últimos 10 anos do IFIX, que se situa no patamar de aproximadamente 290 pontos-base (2,9%). O atual prêmio, frente ao Título Público Federal, está duas vezes maior do que a média histórica.
Top 10 melhores e piores performances
O HCTR11, FII de papel que acumula queda de mais de 80% desde o seu início e que possui uma série de ativos em carência de juros ou inadimplentes, registrou o maior retorno em janeiro, com alta de 31,06%. Já o FII com a maior queda foi o BBIG11, FII de shopping center lançado recentemente pelo Banco do Brasil, com queda de 16,37%.
Fonte: Economatica | Elaboração: Finclass
Carteiras Finclass
Em janeiro, mantivemos as carteiras de Valorização e de Renda inalteradas.
Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass
Resultados dos FIIs recomendados
No total dos 17 FIIs recomendados, o único FII que registrou alta foi o XPML11, FII de shopping center que subiu 0,79% no mês. Já o que apresentou maior queda foi o RBFF11, FOF de FIIs, que caiu 9,78%.
Fonte: Bloomberg | Elaboração: Finclass
Carteira de Renda
Lembrando que, na Carteira de Renda, o total de FIIs é de 40%. Ao observarmos apenas esta fatia, ou seja, ao considerarmos que apenas a alocação em FIIs totaliza 100%, temos a seguinte alocação setorial:
Fonte: Finclass
Os FIIs recomendados na carteira de Renda divulgaram os seguintes rendimentos no mês:
Fonte: Broadcast | Elaboração: Finclass
Carteira de valorização
Considerando a alocação mais ampla em FIIs recomendados na Carteira de Valorização, com patrimônio a partir de R$ 100 mil, veja a seguir a configuração recomendada para outubro. Para saber a lista de recomendados para carteiras com patrimônio inferior a este patamar, acesse a área de Recomendados, no site da Finclass.
Lembrando que o total de FIIs na Carteira de Valorização é de 15%. Ao observarmos apenas a fatia de FIIs, ou seja, ao considerarmos que apenas a alocação em FIIs totaliza 100%, temos a seguinte alocação setorial:
Fonte: Finclass
Os FIIs recomendados na Carteira de Valorização divulgaram os seguintes rendimentos no mês:
Fonte: Finclass
Seção especial: FIIs que estavam na carteira “O Melhor dos Fundos Imobiliários” e não estão em nenhuma carteira Finclass (Renda ou Valorização)
No momento da fusão entre Finclass e Spiti, quando adotamos exclusivamente as soluções de carteira completas (Valorização e Renda), a construção de tais portfólios fez com que alguns FIIs, anteriormente recomendados, deixassem de estar em qualquer uma das carteiras.
Para minimizar o impacto da mudança aos assinantes que estavam na Spiti, e agora estão na Finclass, assumimos o compromisso de manter a cobertura destes FIIs. Quando for o momento em que entendermos ser o ideal para desmontar a posição, informaremos com um relatório de recomendação de venda.
É importante salientar que não existe recomendação de compra para tais FIIs; apenas há a liberdade de manter os ativos já existentes em carteira, sem novos aportes. Portanto, se você preferir não ajustar imediatamente sua alocação em FIIs, conforme indicado na Carteira de Renda ou de Valorização, a decisão é sua. Seus investimentos, suas regras!
Enquanto esse momento de venda não se materializa, por meio do relatório de recomendação, nos relatórios mensais de atualização sobre o mercado de fundos imobiliários, teremos um capítulo dedicado exclusivamente a analisar como tais FIIs se comportaram no mês.
O FII em questão a ser tratado é o único que restou: AIEC11.
AIEC11
O Fundo apresentou um retorno positivo de 1,81% no mês (incluindo dividendos). O P/VP ficou em 0,63%, representando um desconto de 37% em relação ao seu montante patrimonial. A cota encerrou o mês no valor de R$ 46,75.
O AIEC11 gerou resultado de R$ 0,87 por cota e distribuiu R$ 0,17 por cota em janeiro; ou seja, R$ 0,70 por cota foram alocados para o resultado acumulado e não distribuído. Isso representa um DY no mês de 0,36%. Lembremos que, no mês anterior, a distribuição foi de R$ 1,22 por cota, ante à distribuição de R$ 0,62 por cota nos meses anteriores.
Além disso, a gestão locou recentemente o Edifício Rochaverá Torre D para dois novos locatários, após a saída da Dow Jones. Entendemos que faz parte da estratégia trazer linearidade na distribuição, observando o histórico de dividendos distribuídos.
Referente ao edifício Building, localizado no Rio de Janeiro e locado para o IBMEC, a locatária optou pela rescisão antecipada do contrato, que cumprirá o aviso prévio de 12 meses, permanecendo no imóvel até 29 de dezembro de 2025, além de ter pagado multa contratual de aproximadamente R$ 2,62 por cota.
Entendemos os desafios que o mercado de escritórios em RJ possui, mas estamos falando de um imóvel cuja localização tem maior qualidade do que outros lugares na região, além da possibilidade de outras vocações imobiliárias, como a conversão para a incorporação residencial, tema abordado no último relatório gerencial do FII
Assim como observamos a gestão endereçando totalmente a vacância prevista do Edifício Torre D, que representa 70% da receita do portfólio, temos expectativas de que a gestão também consiga endereçar esta futura desocupação.
Conclusão
Desta maneira, encerramos o relatório de atualização do mercado de fundos imobiliários referente ao mês de janeiro.
Sabemos que estamos trazendo mensagens repetitivas nas conclusões dos últimos relatórios, e que às vezes é difícil enxergar uma luz no fim do túnel, em um cenário turbulento como o que vivemos hoje.
O mercado de fundos imobiliários, neste momento, conta com diversos ativos de qualidade sendo negociados a preços que não condizem com o valor real de seus portfólios. Por isso, mantenha seus aportes conforme o plano que montamos para você. Estamos na época de plantio, e esperamos colher bons frutos em uma janela mais favorável.
Agradecemos a costumeira paciência!
Bons investimentos,
Ricardo Figueiredo (CNPI 8786) e Ted Duarte
Sobre os analistas
Ricardo Figueiredo
Sócio
É analista CNPI, especialista em fundos imobiliários da Finclass. Bacharel em Economia com especialização em Mercados Financeiros e MBA em Gestão Financeira e Atuarial, começou a carreira como professor na área de tecnologia. Migrou para mercado financeiro, no qual atua há quase 20 anos. Entre 2003 e 2021, passou pela área de investimentos da Vivest, maior fundo de pensão de capital privado do país. Realizou análise e gestão de investimentos em imóveis e carteira de fundos imobiliários, que totalizavam mais de R$ 1,2 bilhão. Acredita que todo e qualquer conhecimento não disseminado perde sua utilidade e, por isso, quer levar conteúdo de finanças para todos, com linguagem leve e de forma responsável.