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O plano para a temporada de baixa de 2026

Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS

17 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Atualização do cenário macro. Apesar de algumas semanas sem divulgação de dados econômicos dos Estados Unidos, tivemos uma exceção na última sexta-feira, com a divulgação do CPI, importante índice para o sentimento da inflação. O dado surpreendeu positivamente o mercado e reforçou a possibilidade de um segundo corte de juros na reunião do FOMC no final deste mês. Temos inclusive altas probabilidades (acima de 90%) de um terceiro corte de juros até o final do ano.

  • Flash crash do BTC dia 10 de outubro. Quando a China anunciou que cortaria a exportação de terra-raras para os Estados Unidos, Trump respondeu ameaçando o país asiático com uma taxação de 100%. Temendo a instabilidade política, o BTC derreteu 16% no dia, chegando a ser negociado a US$ 102 mil na Binance e provocando a maior liquidação de operações alavancadas da história do mercado cripto. Enquanto isso, as altcoins caíram em média 60%.

  • O plano para a temporada de baixa de 2026. Antes mesmo de começarmos a desfazer nossas posições nos criptoativos, precisamos ter um plano, seja realizar em stablecoins ou transformar o lucro em reais. Além disso, devemos saber especificamente o que fazer durante a temporada de baixa. Compras consistentes a partir dos 30% de queda, em relação à máxima do ciclo, já passam a valer a pena e devem ser realizados novos aportes fielmente, conforme a queda persiste. O segredo para o ano que vem será a paciência e a consistência.

Antes de começarmos a vender nossos preciosos criptoativos, precisamos fazer algumas reflexões.

Você já parou para pensar qual seu objetivo com as realizações do lucro? Quer transformar esse lucro em reais para usufruir do dinheiro adquirindo algum bem? Simplesmente vai vender para rebalancear sua carteira investindo em outros mercados? Pretende realocar esse lucro no próprio mercado cripto caso tenha oportunidade no futuro? Está ciente dos riscos dessa venda? Ou está vendendo simplesmente porque eu vou recomendar venda?

Se você não tem a resposta para todas essas perguntas, sugiro que leia este relatório com toda a calma do mundo, pois nele vamos imaginar os cenários possíveis para 2026 e como você deve se comportar em cada uma das situações. Vamos nessa?

Cenário macro

Apesar de algumas semanas sem divulgação de dados consistentes dos Estados Unidos, o mercado segue extremamente otimista com a continuidade do corte de juros por lá.

No meio do shutdown, como uma exceção, devido à extrema importância do CPI, no último dia 24, tivemos a divulgação deste dado, um dos principais índices para medir a inflação e, claro, uma referência fundamental para o Fed. O dado veio 0,1% abaixo do esperado, ou seja, a inflação segue desacelerando aos poucos conforme podemos ver no gráfico a seguir, que abrange desde 2021.

Fonte: Investing

Essa nova informação reforçou a expectativa de corte para a próxima reunião do FOMC no dia 29 deste mês. As expectativas de um terceiro corte este ano também seguem elevadas e mantidas acima dos 90% há algumas semanas.

Expectativa de corte de juros nos EUA

Fonte: CME (24/10/2025)

Mas não se anime muito ainda. Certamente o impacto positivo para o corte deste mês já está precificado. Quem sabe até mesmo boa parte do impacto positivo de dezembro devido às altas probabilidades.

Enquanto isso, as questões políticas de Trump com a China seguem no radar, assim como algumas tarifas que estavam impactando negativamente os Estados Unidos e, por isso, foram revogadas pelo presidente norte-americano. Aparentemente, apesar de um período conturbado, tudo caminha para uma estabilidade.

Portanto, temos a expectativa de uma melhora do cenário macro, o que favorece o mercado financeiro, principalmente a renda variável, que não gosta de incertezas. Com esse otimismo predominante, ainda temos tempo para mais uma pernada de alta até o final do ano.

Flash crash do BTC

Antes de entrarmos no tema do relatório de hoje, gostaria de comentar sobre um fato que foi extremamente relevante no mercado cripto este mês, e que vamos utilizar como exemplo para o que pode acontecer nesse mercado esporadicamente — e você deve estar preparado para este tipo de situação.

Recentemente, tivemos um flash crash (forte queda) no mercado cripto, mais precisamente, no dia 10 de outubro. Tudo começou em uma manhã de sexta-feira, quando a China anunciou a suspensão da exportação de terras-raras para os EUA.

Logo em seguida, Trump publicou nas redes sociais um textão criticando as atitudes de Xi Jinping e que o mercado de renda variável já vinha repercutindo negativamente.

Fonte: Truth Social

A escassez de terras-raras impacta diretamente diversas empresas de tecnologia, pois diminui a fabricação de ímãs, utilizados em motores elétricos, turbinas, lasers e até mesmo equipamentos militares.

Para se ter uma ideia da gravidade do caso, a China detém hoje 70% de toda a produção mundial de terras-raras do mundo, ou seja, seria extremamente difícil remanejar essa negociação. Curiosamente, o Brasil possui a segunda maior reserva de terras-raras, porém ela é pouco explorada devido à falta de tecnologia.

Depois do fechamento do pregão nos EUA, por volta das 17h30 do dia 10 de outubro, Trump anunciou a taxação de 100% a produtos importados da China. Enquanto as bolsas estavam fechadas, o mercado cripto reagia de forma extrema, caindo 16% em poucas horas.

Isso porque essa guerra comercial gera instabilidade econômica, reorganização comercial do mundo todo e, claro, impactos financeiros. O mercado financeiro tem aversão às incertezas e corre para investimentos mais conservadores nesses momentos de estresse.

Assim, o BTC chegou a ser negociado na Coinbase a US$ 107 mil, em outra exchange dos Estados Unidos, a Kraken, chegou a US$ 103 mil e na Binance, a maior exchange do mundo, foi negociado a US$ 102 mil, um dos patamares mais baixos. Mas provavelmente a Binance só chegou a esse nível por causa de uma ineficiência operacional da plataforma, que travou e descoordenou algumas operações, liquidando mais investidores do que deveria. Nem mesmo as chamadas de margem funcionaram, não era possível fazer depósitos de colateral e ocorreu uma liquidação em massa dos investidores alavancados na Binance. Tanto quem estava no prejuízo quanto aqueles que estavam no lucro tiveram suas posições fechadas, muitas vezes encerrando no zero a zero.

Seguindo um raciocínio pela ordem dos fatos, tivemos uma queda inicialmente fraca com o anúncio da China proibindo a exportação, em seguida uma queda reforçada com o textão do Trump e, depois, uma queda mais acentuada com o anúncio da taxação. O último fato ativou o stop loss e a liquidação dos primeiros investidores. Como essa liquidação das posições alavancadas são feitas a mercado, isso afundou mais os preços, o que liquidou mais posições ainda e gerou um efeito dominó não só na Binance, pois ela puxou a cotação de outras exchanges.

Nas altcoins, tivemos um movimento ainda mais extremo. Enquanto o BTC caía cerca de 16%, o ETH caiu mais de 21%, e as altcoins em geral chegaram a cair em média 60% a 70%, pois quem atuava como market maker parou de operar e deixou a queda rolar para não queimar todo seu caixa.

Assim, o mercado cripto sofreu um prejuízo de US$ 19 bilhões naquela sexta-feira, o maior da sua história em um só dia, inclusive maior do que o do Corona-Crash, que foi de “apenas” US$ 3,8 bilhões, com o BTC chegando a cair 45% em um dia.

O que chamou a atenção do mercado é que durante toda essa bagunça de operações a exchange descentralizada Hyperliquid continuou operando com consistência, ao contrário da Binance e da Bybit, que travaram as operações pela alta demanda. Consequentemente, as liquidações na Hyperliquid foram mais eficientes, porém muito maiores, pois as operações não pararam.

Fonte: CoinGlass

Acontece que, na manhã de domingo (12) , Trump fez outro post dizendo para o mercado não se preocupar, pois nem ele nem Xi Jinping querem prejudicar a economia dos seus países, o que acabou acalmando um pouco o mercado. Até o fechamento de domingo, o mercado já havia recuperado boa parte da queda. Assim, toda a notícia já havia sido digerida pelo mercado financeiro tradicional até as bolsas abrirem novamente na segunda-feira, apenas em leve queda, na casa dos 2%.

No final das contas, essa pressão do Trump segue dentro da expectativa, pois não passa da famosa estratégia de pressionar e acelerar as negociações. Já tínhamos a leitura disso. Uma narrativa antiga, um susto exagerado do mercado cripto principalmente, pois uma taxação de 100% inviabiliza qualquer negociação entre os países. Trump e Xi têm até o dia 1º de novembro para negociarem antes de as taxas entrarem em vigor.

Até aí, o estrago no mercado cripto já havia sido feito, porém, para quem não foi liquidado, o resultado é predominantemente positivo, pois agora o BTC segue mais “limpo” de alavancagens e de especuladores do que nunca, portanto, muito mais leve para retomar a alta. Por outro lado, as altcoins mostraram sua fragilidade nos momentos de estresse.

As lições que ficam são:

●      Não opere alavancagem

Jamais opere alavancado, ainda mais se você não tem experiência com o mercado financeiro. Essa é a porta da ruína. Se for fazer, faça com um dinheiro que não vai te fazer falta.

●      Nem ao menos tente fazer trade

Não perca tempo tentando fazer compras e vendas frequentes, o chamado trade. Você vai ficar de fora da alta e, depois, vai comprar menos BTC no futuro. Porque o que importa mesmo, no final das contas, é simplesmente aumentar seus BTCs.

●      Cuidado redobrado com as altcoins

Lembre-se de que as altcoins são muito mais voláteis do que o BTC e são projetos menores, por isso, há muito mais chances de fracassarem do dia pra noite. Além disso, mesmo que sobrevivam, nas temporadas de baixa, são projetos que tendem a cair mais de 80%, mesmo sem flash crashes como o que tivemos.

●      Invista para o longo prazo

Pensando no longo prazo, você absorve todo esse ruído. Invista com o mínimo de estresse possível nesse mercado que já é naturalmente frenético. Lembre-se de que o mercado recompensa os pacientes.

Para finalizar essa parte do relatório, aproveito o espaço para uma reflexão.

Caso você tenha acompanhado o mercado nesses dias de extrema volatilidade,

use-o como referência para medir sua ansiedade nesses momentos de estresse.

Você conseguiu manter o controle psicológico mesmo vendo o ETH cair 20% e as altcoins caindo 70%? Você estava tranquilo, pensando que em poucos dias o mercado já poderia voltar? Ou estava entrando em desespero e até mesmo pensando em vender tudo?

Seu sentimento mostra o quanto seu perfil de investidor está evoluindo ou não. Além disso, dá uma referência se sua exposição está adequada ao seu perfil. Porque se você perdeu a calma nesse momento, provavelmente tem mais cripto do que deveria. Da mesma forma que, se você se manteve extremamente tranquilo, poderia ter um pouco mais. Isso é autoconhecimento.

Resumindo, esse acontecimento foi um exemplo do que pode acontecer no mercado esporadicamente e você deve ter esse risco dentro da sua expectativa. Mas, claro, pode inclusive ser pior do que isso também. Projetos podem ir a zero do dia para a noite, como foi o caso da TERRA-LUNA e da FTX.

O resultado foi que muito dinheiro evaporou do mercado cripto, saímos machucados e possivelmente isso afastou investidores que estavam prestes a entrar. Agora, para retomarmos a alta, precisaremos de paciência para atrair capital novo, o que deve demorar mais ainda com um mercado lateralizado.

Conforme o tempo passa, certamente, menos provável fica a continuidade de alta por causa da contagem no tempo, entretanto, ainda acredito, sim, que teremos mais um movimento de alta e até mesmo uma altseason até o final deste ano.

O plano para a temporada de baixa do BTC em 2026

Meu objetivo aqui é otimizar ao máximo seu retorno nesse mercado frenético e, na medida do possível, te proporcionar certa segurança ao navegar nessas águas agitadas. Mas, claro, você também pode ter uma opinião própria ou um perfil mais conservador ou mais agressivo do que atendemos na Finclass, então fique à vontade para fazer suas próprias adaptações.

Como especialista no mercado cripto, trabalhando nele desde 2017, posso me dar ao luxo de me arriscar um pouco mais e trazer você comigo nessa jornada.

Tenho certeza de que muitos de vocês, se não fossem assinantes da Finclass, já teriam vendido boa parte dos seus ativos. É justamente para isso que estou aqui, para poder te apoiar nesses momentos difíceis do mercado e te manter nele o maior tempo possível para aproveitarmos ao máximo esse momento predominantemente positivo do mercado, que tem potencial inclusive de ser um dos maiores e melhores movimentos de todo o ciclo.

Por isso, antes de começarmos a desfazer nossas posições, quero deixar bem clara a estratégia que vamos seguir daqui para a frente. Pois ter um plano de ação evita que você tome decisões no calor do momento, que aja com base no impulso e no seu emocional abalado.

Seguindo um plano, é muito mais fácil manter a calma, seja em uma euforia de alta, para você segurar por mais tempo seus ativos, seja para conseguir um controle emocional e confiança para aportar em uma queda que pode ser duradoura. E por isso você precisa de uma estratégia para todas as situações possíveis. Depois disso, basta executá-las.

Mas tem um detalhe: você precisa traçar suas estratégias o mais detalhadamente possível para não ter margem para outro tipo de interpretação.

Por exemplo: comprar aos poucos, todos os meses do ano que vem.

Isso não é o suficiente. Você abre margem para comprar qualquer dia do mês, qualquer valor financeiro, realizar mais de um compra por mês, seja no momento de alta ou na baixa, entre outras variáveis.

Tendo um plano completo em mãos, você terá um gerenciamento de risco muito melhor, porque você vai estar ciente do risco que está correndo a cada passo que der, e o principal: conseguirá traçar a estratégia com a cabeça fria, com toda a calma do mundo, sem pressão.

Alguns analistas do mercado cripto estão falando que o ciclo do BTC foi quebrado, que entramos no chamado “superciclo de alta”, uma espécie de alta infinita, e que provavelmente nunca mais teremos a tão temida temporada de baixa.

Mas caso você ainda não saiba, eu sou do time que acredita, sim, na continuidade do ciclo, e consequentemente que a temporada de baixa vai se repetir ano que vem, com uma queda entre 50-60%.

Pensando na maior possibilidade de continuidade do ciclo, como você se comportaria ano que vem? Iria comprar desde o início de 2026, de pouco em pouco? Iria comprar a partir do meio do ano depois de grande parte da queda? Ou quem sabe esperaria até o final do ano para comprar pesado nos três últimos meses do ano?

Mas e se o BTC não cair de forma significativa até lá, você nunca mais vai comprar? Abortaria o plano de queda a partir de que preço?

Por tudo isso, conforme comentei, independentemente da nossa opinião, você precisa estar preparado para todos os cenários!

●    Plano para a temporada de baixa de 2026

Vamos imaginar que você está realizando aos poucos neste momento, até o final do ano, com o objetivo de comprar mais barato ano que vem. Só para deixar bem claro, vender aos poucos neste momento não tem como objetivo fazer o chamado trade de compra e venda frequente. Nosso objetivo agora não é especulação de curtíssimo prazo, de poucos dias ou semanas, e sim uma estratégia pontual para esse momento específico do ciclo. Depois que realizarmos as compras novamente em 2026, vamos manter um ritmo de compra em 2027 e segurar o BTC até pelo menos 2029. Foco no longo prazo.

Começando então pela análise da estratégia que na minha opinião tem maior chance de acontecer e que também é mais complexa: repetição do ciclo e, consequentemente, temporada de baixa em 2026.

Caso você ainda não conheça o ciclo do BTC, sugiro a leitura deste relatório. Mas fazendo uma breve revisão, desde a origem do BTC, basicamente tivemos três anos de alta, seguidos de um ano de baixa. E caso você não saiba, neste momento, estamos no final do terceiro ano de alta, ou seja, ano que vem, 2026, conforme o ciclo, será um ano inteiro de baixa.

Conforme o gráfico abaixo, as fortes quedas passadas, foram de 86%, 84%, 77% e por isso, uma queda de 65% ainda seria possível na minha opinião.

Fonte: TradingView | Adaptação: Finclass

Agora a dúvida é: devemos comprar desde o início do ano que vem, de pouco em pouco, mesmo sabendo da queda, ou esperar até o final de 2026 para comprar pesado de uma só vez?

Claro, se tivéssemos a certeza de que o BTC cairia 65% ano que vem, ninguém compraria antes disso. Então precisamos ser mais realistas. Como desde o início de 2023 as quedas do BTC durante toda temporada de alta foram na casa dos 20% a 30%, diria que, com alta probabilidade, quedas de 30% vão se repetir ano que vem. Por isso, para considerarmos uma temporada de baixa completa, a queda deve ser pelo menos um pouco maior do que a que tivemos recentemente, ou seja, de no mínimo 40%.

Fonte: TradingView | Adaptação: Finclass

Então, sendo mais realista, diria que a partir de uma queda de 40% em relação ao topo do ciclo, já me sentiria confortável para iniciar meus aportes. Esse será o cenário que vamos utilizar como referência.

Conforme defendido pelos que acreditam na quebra do ciclo, de fato, existe a possibilidade do investidor institucional e a evolução do mercado cripto amenizarem essa queda. Então, sendo conservador, diria que uma queda em relação ao topo do ciclo entre 50% e 60% seria a minha expectativa base para 2026.

Então supondo que você tenha R$ 10 mil para alocar no mercado cripto no futuro, a estratégia inicial é se basear nos percentuais de queda, e não necessariamente no preço.

Por exemplo:

●      Quando o BTC cair 30% em relação à máxima do ciclo, você pode começar comprando só um pouco, cerca de R$ 1 mil dos R$ 10mil;

●      Quando cair para 40%, comprará um pouco mais, cerca de R$ 2 mil;

●      Se cair para 50% comprará mais forte, cerca de R$ 3 mil;

●      Caso venha a cair 60% reforçará a compra de outros R$ 3mil;

●      Se cair 65% comprará o restante, no caso R$ 1mil e, se possível, tudo mais que você conseguir.

Ou seja, não precisa esperar teimosamente a queda de 50-60% chegar para começar a comprar, muito menos esperar a queda de 65% para comprar tudo de uma só vez, porque é possível que alguma dessas quedas não aconteça.

Desenhando a estratégia, fazendo uma suposição de que o BTC vá até os US$ 149 mil. Conforme indicado no gráfico abaixo, uma queda de 30% faria o BTC voltar aos US$ 101 mil, onde você compraria R$ 1 mil. Uma queda de 40% voltaria para US$ 88 mil, onde você compraria mais R$ 2 mil. Uma queda de 50% voltaria para UUS$ 75 mil, onde você compraria mais R$ 3 mil. Uma queda de 60% voltaria para os US$ 60 mil, onde você compraria mais R$ 3 mil. E uma queda de 65%, voltaria para os US$ 51 mil, onde você compraria o restante e tudo mais que você conseguisse.

Fonte: TradingView | Adaptação: Finclass

Observe também que destaquei em roxo o risco que você está correndo desde a primeira posição. Em relação à primeira compra, nos US$ 101 mil, é possível o BTC cair mais 50% caso aconteça uma queda de 65% em relação ao topo. Do mesmo jeito, sobre a segunda compra, dos US$ 88 mil, corre o risco de uma queda de 42% caso chegue a uma queda total de 65%. Assim como a compra dos US$ 74 mil ainda tem um risco significativo de mais de 30%.

Esse risco de comprar durante a temporada de baixa deve ser considerado na sua estratégia, baseado no seu perfil de investidor, para estimar o risco que você tolera correr.

No meu ponto de vista, a chance de chegarmos a um queda de 65% existe, mas é relativamente pequena, menor do que 20%. Por isso, reforço, não fique dependendo disso para realizar suas compras. Se chegar, melhor, pode encher o carrinho nesse patamar e depois é só esperar.

Seguindo essa ideia, podemos também separar por perfil de investidor. E aqui não estou falando do risco, mas sim do comportamento. Para quem tiver perfil mais conservador, sugiro ir comprando a partir dos 30% de queda, aos poucos, para segurar a ansiedade mais fácil e diluir as compras em um período de tempo maior.

Quem já for mais experiente no mercado financeiro pode adiar as compras o máximo de tempo que conseguir, na tentativa de otimizar as compras em patamares mais baixos ou quem sabe só depois do meio do ano que vem, e idealmente, mais próximo do último trimestre de 2026. Essa estratégia concentra a posição em um período menor de tempo e por isso tem um risco maior. Sem contar que, se nem mesmo uma queda de 50% acontecer, você pode ficar de fora de uma retomada de alta antecipada.

Independentemente de onde será o topo deste ciclo de alta, a minha expectativa base é de o BTC chegar aos US$ 75 mil, patamar próximo do topo do ciclo anterior e, quem sabe, em uma das melhores situações, chegar aos US$ 60 mil, onde já vou estar comprando com força.

Mas não se preocupe muito com esse timing perfeito. De qualquer forma, você não precisa ter pressa para comprar, pois boa parte de 2027 deve ser predominantemente lateral e você também terá tempo para comprar a um preço bem interessante.

“Mas, Thales, se não chegarmos nem perto de uma queda de 40% até o meio do ano que vem, o que eu faço?”

●    Super ciclo de alta e quebra do ciclo do BTC

Se você quer embolsar parte dos lucros desta atual temporada de alta, visando, quem sabe, conseguir comprar mais barato ano que vem, saiba que ficar de fora de uma “alta infinita” também é um risco significativo, pois gera um “custo de oportunidade”, ou seja, em que você poderia estar ganhando e não está.

Justamente por isso, comentei que você não deve zerar suas posições no BTC mesmo acreditando na temporada de baixa. Então a estratégia base é guardar pelo menos 25-33% do que você possui atualmente para o longo prazo, o que te permitirá se beneficiar da alta caso, de fato, tenhamos uma alta infinita, sem fortes correções, a partir de agora.

Conforme comentei, se uma queda de 40% não acontecer até o meio do ano que vem aproximadamente, podemos ter quebrado o ciclo. Por isso, você precisa estar ciente de que pode perder uma continuidade da alta na casa dos 100%. Como você se sentiria se isso acontecesse?

Essa situação pode resultar em uma frustração maior do que uma queda de 50%, porque se subir 100% você conseguirá comprar menos BTC no futuro e muitas pessoas só querem aumentar seu número de BTCs e não estão nem aí pro valor dele atualmente.

Mas já te digo que acredito em uma probabilidade muito baixa, cerca de 10%, de que o BTC subirá 100% ano que vem.

Então, a partir do momento em que confirmarmos a quebra do ciclo, simplesmente vamos comprar aos poucos, a cada queda mínima de 15%, 20% e comprar forte a cada queda de 30%, 35%, pensando sempre no longo prazo, porque não teremos mais referências do passado que podem se repetir e, por isso, a partir deste momento, nunca mais venderíamos nossos BTCs, somente acumularíamos. Simples assim.

O risco que precisa estar no radar constantemente a partir deste momento seria uma possível queda na casa dos 50%, a qualquer hora, para cálculo do manejo de risco da sua alocação.

Por isso, se a correção de fato não vier, precisamos de um plano B. Uma estratégia que não leve em consideração os preços nem os percentuais de queda, como uma referência no tempo.

Por exemplo, caso o BTC não chegue aos 50% de queda até novembro de 2026, você precisa planejar seus aportes até o final de 2026 independentemente dos preços.

“Mas, Thales, se cair só 40%, eu faço todo meu aporte em dezembro nos 40% de queda?” Sim.

O nosso plano B limita o prazo no qual você topa esperar uma queda. Como historicamente ela durou aproximadamente um ano, então se o BTC não chegou ao patamar desejado dentro do prazo determinado por você, você precisa alocar o seu capital de qualquer forma.

Sendo um pouco mais flexível para os investidores mais conservadores, você não precisa aportar tudo rigorosamente até dezembro, você pode ampliar um pouco o tempo conforme seu perfil até o primeiro trimestre de 2027, por exemplo com aportes semanais. Mas você precisa estipular um prazo máximo para a estratégia, pra você não ficar à deriva no mercado e ser pego de surpresa.

Perceba que mesmo pensando na estratégia com calma você vai precisar de um controle emocional e psicológico em dia para segurar a ansiedade durante todo o ano que vem, e esperar o tempo que for necessário para desenrolar a estratégia, seja ela a favor ou contra sua expectativa. E daí sim, o mercado vai te recompensar no longo prazo de qualquer forma!

Entusiasta Cripto

Aproveitarei este espaço para abordar a estratégia para as altcoins.

Caso tenhamos de fato uma temporada de baixa, a estratégia é a mais simples possível. Vender todas as altcoins assim que identificarmos o fim da temporada de alta.

Isso porque, se o BTC cair 60%, é altamente provável que 99% das altcoins vão cair mais de 80%, isso se não caírem na casa dos 90%. Nesse momento, não vamos tentar encontrar as exceções, que podem cair menos do que o BTC, pois a chance de acertá-las será mínima.

Então, se for manter algum criptoativo durante uma temporada de baixa, pensando na possibilidade de quebra do ciclo, precisa ser somente o BTC. Outra opção seriam as stablecoins, caso você pretenda se manter em alguma estratégia de DeFi conforme foi comentado neste outro relatório.

Fonte: Finclass (25 de outubro)

Conclusão

Apesar da evolução do mercado cripto nos últimos anos com o aumento da sua aceitação pelo mercado financeiro tradicional, certamente ele ainda é extremamente desafiador, estressante e mexe com nosso psicológico a todo momento.

Por isso, é fundamental estar ciente do risco que corremos para conseguirmos dimensionar eventuais prejuízos e não nos expormos a riscos desnecessários e muito menos à ruína.

Com o seu perfil de risco adequado, e utilizando como base as probabilidades, podemos preparar diferentes estratégias para os mais diversos cenários, sejam eles favoráveis ou contrários às nossas expectativas.

O ideal é realizarmos esse estudo em momentos de neutralidade do mercado, como agora, para não deixarmos a ganância nem o medo atrapalharem nossas decisões. Tirando, assim, completamente o emocional da jogada.

Devemos traçar nossas estratégias o mais detalhadamente possível para não termos margem de interpretação que abra brechas para sairmos dos planos.

Trace seu plano conforme seu perfil e simplesmente execute.

Forte abraço,

Thales

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.