Como funciona a marcação a mercado. Aqui, vou te explicar de maneira didática e com exemplos como funciona essa dinâmica nos títulos de renda fixa, e como você pode se beneficiar disso.
O que esperar para a renda fixa em 2026
Escrito por Guilherme Cadonhotto em RENDA FIXA
Neste relatório, você encontrará:
Como estamos posicionados para 2026. Esse será um ano importante para destravar valor na renda fixa, e fizemos um breve resumo do porquê estamos posicionados em indexados à inflação, prefixados de curto prazo e FIs-Infra.
O ano de 2026 pode ser muito lucrativo para os ativos de maior risco na renda fixa, sobretudo para quem estiver bem-posicionado.
Olhando para a nossa carteira atualmente, temos uma posição razoavelmente alta em ativos com prazos de vencimento mais longos, aqueles que tendem a se beneficiar de um momento de queda nas expectativas de juros futuros.
Porém, ainda vejo muitos de vocês, investidores e investidoras da Finclass, com dúvidas sobre como funciona a valorização e desvalorização de um título de renda fixa, e como um profissional pode fazer muito dinheiro sabendo analisar os ciclos de mercado.
É por isso que, neste relatório, quero explicar como a marcação a mercado nos títulos de renda fixa pode chegar a triplicar o seu patrimônio em um horizonte de 3 a 5 anos.
Além disso, vou abordar com mais detalhes as classes da renda fixa que recomendamos atualmente na Finclass.
Um conceito importante: a renda fixa não garante estabilidade nos retornos
O maior mito que criaram na sua cabeça sobre a renda fixa é que ela pode ser de fato fixa.
Explico.
Quando um iniciante investe pela primeira vez em um título do Tesouro Direto, é comum ele chegar à conclusão de que terá uma rentabilidade garantida, ou seja, que seu patrimônio vai aumentar de forma linear todos os dias e anos, sob um rendimento anual fixo até o vencimento do título.
Vamos observar se isso acontece na prática, abrindo o site do Tesouro Direto, e analisando um dos títulos do governo, o Tesouro Prefixado.
Fonte: Tesouro Direto
No momento em que escrevo este relatório (ainda em 2025), veja que o Tesouro Prefixado 2032 estaria me trazendo um rendimento anual de 13,59% com vencimento em 01/01/2032:
Fonte: Tesouro Direto
Entretanto, perceba que existe uma coluna chamada “Preço Unitário”. Essa coluna não está aí por acaso; ela traz o valor em reais que você irá pagar em um título que, em seu vencimento, vai valer R$ 1.000.
Isso mesmo, o que está fixo nos títulos de renda fixa não é o rendimento que você irá receber, e sim o montante final.
Isso significa que se você vai comprar 1 Tesouro Prefixado 2032, que custa atualmente R$ 465,77, aplicando uma taxa de 13,59% ao ano até o seu vencimento em 2032, terá um valor bruto de R$ 1.000
E por que o Tesouro, assim como o mercado de renda fixa, usa esse conceito de “Preço Unitário” (P.U.) e não só a taxa?
Porque o ganho do investidor acontece via valorização no preço. Se você compra um título e o segura até o vencimento, você receberá R$ 1.000. A diferença entre esse valor e o preço que você pagou (o P.U.) será o seu rendimento.
Por curiosidade, para descobrir o P.U. de um título, utilize essa equação:
Onde:
P.U. = Preço Unitário
i = Taxa de juros
n = Período
Para te provar de uma vez por todas que isso não é uma invenção da minha cabeça, abri o site do Tesouro Direto um dia depois, olhei o mesmo título, e veja que houve uma mudança no rendimento anual e no preço unitário:
Fonte: Tesouro Direto
Entender esse conceito é o primeiro passo para descobrir por que é possível ter altos ganhos na renda fixa, às vezes até maiores do que em ações e fundos imobiliários.
Agora vamos ao segundo passo, onde destaco a importância de entender que esse preço unitário atualiza todos os dias (assim como acabamos de ver), pelo valor que o mercado estaria disposto a pagar por ele hoje, mesmo se você não vender o título. Isso vale para os títulos do Tesouro Direto (Prefixado, IPCA+, Selic), CRIs e CRAs, debêntures e outros títulos de crédito.
Essa atualização de preço acontece por causa da “famosa” marcação a mercado. Mas antes de explicar o conceito técnico, vamos utilizar o Tesouro Prefixado 2032 para criar um cenário fictício.
Lembra de quanto era o rendimento anual e o preço unitário? Vamos utilizá-los novamente para sintetizar o raciocínio:
- P.U. = R$ 465,77
- Rendimento: 13,59%
- Vencimento do título: 2032
Isso significa que, se o P.U. do Tesouro Prefixado em 6 anos é de R$ 465,77, com um rendimento anual de 13,59%, então o mercado está estimando que a taxa Selic irá render em média este valor ao ano até 2032.
Mas é aí que está o pulo do gato: o mercado nem sempre está certo. Ele apenas precifica esse “rendimento anual” com base nas expectativas que as pessoas têm sobre a economia e os mercados.
Vamos supor que amanhã saiam diversas notícias pró-queda nos juros, com uma inflação sendo divulgada abaixo das expectativas, o mercado de trabalho e a atividade econômica apresentem uma desaceleração maior do que o esperado, o que forçaria o Banco Central a reavaliar a rota e começar a cortar a taxa de juros ainda mais rápido e com mais intensidade do que o esperado.
Sabe o que vai acontecer com a taxa desse título amanhã? Ela vai diminuir, e o preço unitário do título aumentar.
É uma espécie de “conta de chegada”: dada a equação que mostramos acima, para o preço unitário subir, a taxa necessariamente precisa cair, partindo de um cenário em que o prazo de vencimento pode ser alterado.
Vamos colocar a taxa em 12% ao ano naquela equação que mostramos acima, e veja o que acontece:
Elaboração: Finclass
Veja que houve uma valorização no preço unitário de 8,83% com essa mudança na taxa de juros. Por isso falamos que, quando a taxa cai, o preço sobe, e vice-versa.
Agora, vamos colocar um cenário diferente, em que aconteça o contrário do primeiro exemplo: a inflação sobe mais do que esperávamos, o mercado de trabalho está muito aquecido, e com isso as expectativas da inflação sobem para além da meta definida pelo Banco Central, o que o forçará a aumentar ainda mais a taxa de juros.
Nesse cenário, a nossa taxa de juros subiu para 15%. Veja o que acontece com o nosso título:
Elaboração: Finclass
Isso que você acabou de ver se chama marcação a mercado.
Essa marcação reflete o preço que o título teria se fosse negociado hoje no mercado. Essa precificação atualiza diariamente o valor dos títulos de acordo com as condições de mercado e, principalmente, com base na curva de juros vigente – que é de onde saiu a taxa de 13,59% que vimos no site do Tesouro Direto.
Quando o mercado passa a precificar uma alta na curva de juros (ou seja, espera juros futuros maiores), as taxas exigidas pelos títulos sobem e, como consequência, o preço desses títulos cai; o inverso também é verdadeiro.
Esse movimento ocorre porque títulos já existentes precisam ajustar seu preço para oferecer o novo retorno de mercado. Por exemplo, se um título prefixado foi emitido com taxa de 13,59% a.a. e, após uma alta nos juros, títulos similares passam a pagar 15% a.a., o título antigo perderá valor de mercado até que sua rentabilidade efetiva seja compatível com o que o mercado pratica hoje.
Mas isso não representa perda permanente, pois se você mantiver o título até o vencimento, receberá o valor integral de R$ 1.000 na taxa contratada inicialmente, mas as oscilações temporárias no valor de mercado do papel antes do vencimento serão algo normal. É exatamente assim que a marcação a mercado opera.
Ressalto que os títulos de renda fixa não sofrem igualmente com marcação a mercado. A sensibilidade depende do prazo e do tipo de remuneração.
Títulos de prazo mais longo têm maior duration (prazo médio de recebimento do seu investimento) e, portanto, são mais sensíveis a mudanças na taxa de juros, podendo se valorizar ou desvalorizar bem mais do que títulos de curto prazo; e entre os indexadores, os prefixados são os mais voláteis, seguidos dos indexados à inflação (IPCA+), enquanto os pós-fixados atrelados ao CDI/Selic praticamente não sofrem oscilações de mercado, pois na prática sua sensibilidade à variação dos juros é de apenas um dia.
Mas obviamente depende também do prazo dos títulos, pois temos o Renda + 2065/2084, que é basicamente um Tesouro IPCA+, sendo hoje o título público mais sensível do mercado dado a sua duration ser a maior de todos os títulos.
Isso explica por que, por exemplo, um Tesouro Selic é considerado “porto seguro” de curto prazo – ele rende a taxa básica e seu preço praticamente não varia, já que diariamente se ajusta ao DI/CDI do período.
Em contrapartida, um Tesouro IPCA+ 2050, Renda+ 2065 ou um prefixado 2032 pode variar significativamente no curto prazo conforme mudam as expectativas de juros.
Nem sempre a meta Selic definida pelo Banco Central altera o preço dos títulos imediatamente
“Como assim, Gui, não é a mudança na Selic que valoriza ou desvaloriza meus títulos de renda fixa?
Como eu expliquei ali em cima, os preços dos títulos respondem muito mais à curva de juros futura do que à taxa Selic hoje.
A curva de juros – refletida nos contratos futuros de CDI – é o que embute as expectativas do mercado sobre a trajetória da Selic nos próximos meses e anos. Ela mostra quais taxas de juros o mercado exige hoje para emprestar dinheiro ao governo (ou a empresas) em diferentes prazos. É um “mapa” das taxas de juros por prazo: curto, médio e longo.
Por exemplo, se os investidores já antecipam que o Banco Central vá cortar a Selic em 1% ao longo do próximo semestre, essa expectativa já estará refletida nas taxas futuras de hoje. Assim, quando o corte de fato ocorrer, os preços dos títulos podem nem se mexer, pois nada mudou em relação ao que o mercado já projetava.
Em outras palavras, a marcação a mercado dos títulos depende da curva de juros esperada, não apenas do valor atual da Selic.
Somente mudanças inesperadas ou uma revisão nas perspectivas (por exemplo, o mercado passa a esperar cortes mais agressivos, ou ao contrário, uma manutenção dos juros por mais tempo) é que movimentam significativamente os preços.
É por isso que, em 2025, nós vimos a Selic se mantendo em 15% por um período bastante prolongado, e mesmo assim, vimos uma valorização nos títulos por causa do fechamento da curva de juros, isto é, o mercado precificando menos juros no longo prazo:
Fonte: Bloomberg | Elaboração: Finclass
Veja que a curva de juros apresentou um fechamento robusto no ano, o que pode explicar parte da valorização do Ibovespa, Ifix, entre outros índices que representam o mercado de renda variável.
Entretanto, ainda vemos que essa curva permanece historicamente elevada e com juros reais (a diferença entre juros nominais e a inflação) também acima da média histórica.
Fonte: Bloomberg | Elaboração: Finclass
A nossa carteira e o que esperar para a renda fixa em 2026
Diante do panorama em que nos encontramos, a alocação em renda fixa para 2026 foca em aproveitar os juros ainda elevados, enquanto nos posicionamos para ter bons ganhos com marcação a mercado.
A seguir, vou explicar como pretendemos ganhar dinheiro nos diferentes segmentos da renda fixa em que estamos posicionados.
· Títulos públicos indexados à inflação
Uma parcela importante da carteira de valorização está em títulos públicos indexados à inflação de longo prazo, por meio do Tesouro IPCA+ com vencimento em 2050 (NTN-B 2050).
No final de 2025, o Tesouro IPCA+ 2050 chegou a oferecer cerca de IPCA + 7% a.a. de retorno real (retorno acima da inflação), nível que figura entre os mais altos dos últimos anos (no gráfico abaixo, mostramos a taxa do Tesouro IPCA+ 2045 por ter um histórico mais longo):
Fonte[TJ1] : Economatica | Elaboração: Finclass
Optamos por aproveitar esse momento raro de taxas reais tão elevadas possuindo posição nesse título longo indexado.
Uma taxa de 7% acima da inflação ao ano significa multiplicar o poder de compra por mais de 100% em uma década (isso sem contar a correção pela própria inflação). Em um mundo onde juros reais globais estão próximos de zero ou negativos, travar uma taxa real dessa magnitude é extremamente vantajoso – uma assimetria muito positiva para o investidor.
Além disso, como discutido, quando os prêmios estão tão altos, parte desse prêmio é na verdade um “seguro” contra cenários pessimistas exagerados, que raramente se concretizam totalmente. Se o Brasil atravessar 2026-2027 sem um agravamento fiscal dramático e com a inflação gradualmente convergindo para a meta, é provável que essas taxas reais recuem (a curva de juros feche), propiciando ganhos de marcação a mercado substanciais.
E isso também vale para o Renda + 2065/2084, apelidado carinhosamente por nós de IPCA+ Praia. Como seu vencimento é maior, a sensibilidade a mudanças de juros – e a variação dos seus preços – acaba sendo ainda maior, uma posição de maior risco, com maior potencial de retorno.
Esteja consciente de que a marcação a mercado pode oscilar significativamente no curto prazo – por exemplo, alguma surpresa inflacionária ou ruído fiscal pode fazer a taxa saltar e o preço cair, temporariamente.
No curto prazo isso impacta o retorno da carteira, mas não pretendemos nos desfazer nesses momentos de estresse. Pelo contrário, a saída se dará quando o cenário estiver favorável para nós.
Importante: o Tesouro IPCA 2065/2084, o famoso Tesouro “Praia”, não está na carteira base da Finclass, pois o risco embutido, por conta das fortes oscilações do dia a dia, é muito alto. Ainda assim, trata-se de um ativo monitorado por nós e que pode servir para investidores com mais apetite a risco.
Há um estudo feito pela gestora de investimentos ASA que corrobora esse argumento: sempre que se comprou títulos IPCA+ (representados pelo índice IMA-B nesse estudo) com taxa real próxima ou acima de 7% em um período de 3 anos ou mais, o resultado em poucos anos tendeu a superar o CDI e a inflação:
Fonte: Anbima e BCB. Elaboração: ASA. Período analisado: desde 2006
Se você leu o último relatório de renda fixa, viu na prática que poderemos ter um bom retorno em um prazo entre 3 e 5 anos com a marcação a mercado nestes títulos se o cenário econômico se mostrar mais otimista.
Elaboração: Finclass
Antes de seguir para o próximo tipo de estratégia, vale destacar que, na carteira de renda, temos os títulos do Tesouro IPCA+ 2035, 2045 e 2060. Esses papéis pagam juros semestrais aos seus detentores, o que ajuda a suavizar parte do impacto da marcação a mercado, embora ainda apresentem alta sensibilidade às variações dos juros futuros.
Assim como os demais ativos citados nesta seção, eles foram escolhidos para a carteira de renda pela nossa perspectiva de queda dos juros mais à frente.
· Títulos públicos prefixados
Para equilibrar os riscos potenciais da carteira de valorização optamos por títulos com vencimento em prazos de 2 a 3 anos, por meio de ETFs que replicam os prefixados nesses vencimentos (FIXA11 ou IDKA11).
A motivação aqui é aproveitar as altas expectativas de inflação, que dificilmente podem trazer surpresas relevantes, dado que estamos em níveis ainda historicamente altos.
Veja a tabela abaixo, que mostra a curva de juros de títulos prefixados e indexados à inflação:
Fonte: ANBIMA
Esta tabela nos mostra a taxa dos títulos prefixados (ETTJ PRE) e IPCA (ETTJ IPCA) em um horizonte de 8 anos (um ano equivale a vértice de 252 dias, e 8 anos a 2.016).
Perceba que existe uma terceira coluna com o nome de Inflação Implícita, que é a diferença entre um e outro. Essa diferença é como uma estimativa média do mercado para a inflação em cada um desses vencimentos, o que mostra que as expectativas estão bem acima da meta de inflação definida pelo Banco Central, de 3%.
No Relatório Focus, observamos que as principais instituições financeiras projetavam uma inflação bem menor do que a inflação implícita aufere entre 2026-2028:
Fonte: Banco Central do Brasil | Data de divulgação: 2 de janeiro de 2026
Com a inflação dando sinais de acomodação e a taxa de juros potencialmente caindo em 2026, estamos confiantes para também ter posição nos prefixados de curto prazo, capturando esse retorno elevado por alguns anos.
Atualmente, os prefixados de 3 anos giram na casa de 12% a.a. ou mais. Travar uma rentabilidade acima de 12% ao ano em títulos do governo é interessante, ainda mais em uma janela em que as expectativas de inflação estão altas – e considerando a consistência desse investimento em bater o CDI.
Entretanto, a nossa preferência fica para investir através de ETFs que repliquem esses títulos prefixados com prazo médio de 3 anos, por trazer mais acessibilidade a você. Fizemos um relatório explicando esse investimento. Para ler, basta clicar aqui.
Na carteira de renda, temos uma alocação pequena no Tesouro Prefixado 2035, que paga juros semestrais. Apesar de não ser um título de curto prazo, esse pagamento periódico ajuda a controlar um pouco o risco da carteira, já que a sua duration acaba ficando mais baixa.
Fundos de Infraestrutura isentos de IR (FIs-Infra)
Essa classe, à qual nos expomos por meio de fundos de investimento em infraestrutura negociados em bolsa — tanto na carteira de renda quanto na de valorização —, foi destaque nos últimos anos por conta da isenção fiscal para pessoas físicas e dos juros em patamares elevados, combinação que proporcionou retornos bastante atrativos.
Para quem não sabe, existe isenção fiscal tanto no ganho de capital quanto nos dividendos de FIs-Infra, ou seja, é uma isenção completa, o que traz uma atratividade ímpar para quem investe nessa classe.
No que diz respeito à capacidade dos gestores que cuidam dos fundos que recomendamos, nós estamos muito tranquilos, pois temos acesso a eles e acompanhamos de perto o trabalho. Além disso, o time de fundos da Finclass nos dá um apoio adicional nessa diligência.
Em 2025, porém, observamos que os prêmios de risco das debêntures incentivadas encolheram a mínimas históricas. Havia tanta procura que alguns papéis chegaram a negociar sem spread acima dos títulos públicos equivalentes (IPCA+):
Fonte: Anbima, Bloomberg, BB-BI.
Esse fechamento excessivo dos spreads gerou preocupação quanto à assimetria de risco e retorno, ainda mais com rumores (não concretizados) de possível tributação futura dos ativos isentos.
Felizmente, após a não aprovação da Medida Provisória 1.303/2025 (que discutia tributação) e diante de uma correção técnica do mercado, houve um ajuste desses prêmios para cima no fim de 2025.
Hoje, entramos em 2026 com os spreads das debêntures incentivadas em patamares mais razoáveis, o que consideramos positivo para novas alocações.
Embora as projeções de retorno em crédito privado possam ser um pouco mais modestas que em momentos de estresse (quando os spreads estavam muito largos), ainda assim as taxas oferecidas, somadas ao incentivo fiscal, mantêm a classe competitiva.
Vale lembrar que, mesmo após a correção, é comum encontrar debêntures de empresas bem avaliadas pagando algo como IPCA + 0,3% a 0,5% a.a. acima do Tesouro IPCA de mesmo prazo – pode parecer um spread pequeno, mas considerando a isenção de IR, o investidor pessoa física obtém um yield líquido superior ao do Tesouro, com risco adicional relativamente controlado nesses casos de emissores robustos.
Em resumo, estamos bem posicionados no crédito privado, colhendo um retorno isento de impostos através de FIs-Infra. Esse posicionamento contribui para aumentar o retorno depois de impostos da carteira e adicionar diversificação a nossas carteiras.
Conclusão
Com este relatório, espero ter mostrado a você como estamos posicionados na renda fixa para 2026 – e a importância de ser paciente para colher bons frutos com a dinâmica da marcação a mercado.
Entramos em 2026 com uma estratégia de renda fixa equilibrada entre aproveitar os juros reais altos de longo prazo e retornos nominais elevados de curto/médio prazo.
A marcação a mercado continuará no radar – entendemos sua importância e riscos –, mas acreditamos que, com disciplina e escolhas de qualidade, a renda fixa brasileira seguirá entregando excelentes resultados.
Seja com um Tesouro IPCA+ garantindo juros gordos para a aposentadoria, um prefixado de 3 anos blindando retorno nominal, uma debênture de infraestrutura isenta, o investidor bem-posicionado poderá colher os frutos de uma conjuntura que, embora desafiadora para a economia, oferece oportunidades raras na renda fixa doméstica.
Meu foco aqui sempre foi te entregar o maior retorno correndo o menor risco possível, e acredito que, se seguir as recomendações da Finclass, você conseguirá atingir esse objetivo.
Abraços,
Guilherme Cadonhotto
[TJ1]Atuaizar o gráfico na primeira semana de 2026
Sobre os analistas
Guilherme Cadonhotto
Sócio
Além de Estrategista da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como um grande especialista em Renda Fixa. Bacharel em Economia pela FGV e pela Nova School of Business and Economics, além de ter mais de 10 anos na gestão de fundos de investimento de Renda Fixa, Crédito Privado e Multimercado, hoje ele ensina seus alunos e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.