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O que são ativos alternativos?

Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS

14 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Atualização do cenário macro. As probabilidades de corte de juros nos Estados Unidos seguem relativamente estáveis. Tivemos apenas um pequeno adiamento na expectativa do corte, de junho para julho. Sendo o segundo corte do ano esperado somente para outubro.

  •  Introdução aos ativos alternativos. Esse tema pode variar bastante dependendo da interpretação de cada investidor. Para alguns, até mesmo fundos imobiliários são considerados alternativos por serem investimentos em imóveis. Mas também podemos citar os mais variados ativos, como precatórios, Venture Capital, Private Equity, artigos colecionáveis, obras de arte, direitos musicais e propriedade intelectual de forma geral.

  • Possibilidades de ativos alternativos. Na Finclass, para esta faixa da carteira, consideramos ativos “fora do radar” da grande massa de investidores. Por isso, tendem a ser setores que ainda não se popularizaram e, consequentemente, ainda possuem um grande potencial de valorização. Porém, sempre com altíssimo risco. Por exemplo, urânio, temas relacionados à sustentabilidade, biotecnologia, terras-raras e países emergentes.

Apesar de todo esse período de existência das carteiras recomendadas na Finclass, a fatia de alternativos ter sido preenchida exclusivamente com criptoativos não quer dizer que será sempre assim.

Eu, Thales, de fato, sou especialista em criptoativos, mas nessa fatia mais arriscada da carteira de valorização temos a flexibilidade de colocar outros ativos que não sejam do mercado cripto. E por isso, todo o time de análise pode colaborar com a escolha.

O foco desta alocação é sempre buscar um potencial de retorno fora da curva, seja no mercado cripto ou não.

Mesmo com uma pequena representatividade no seu portfólio, o investimento pode fazer toda a diferença no desempenho da sua carteira. Por outro lado, se der errado, o impacto negativo já está estimado pelo time.

No relatório de hoje, vou esclarecer melhor essa visão de alocação, fazer uma breve análise sobre alguns mercados que estamos acompanhando atualmente, bem como citar algumas opções que já podemos considerar praticamente descartadas.

Cenário macro

Certamente a expectativa de corte de juros dos Estados Unidos não está atendendo à vontade de Trump.

Mesmo com o fim do mandato do atual presidente do Fed em maio, a expectativa do próximo corte foi adiada em um mês, para a reunião do Fomc no dia 29 de julho, conforme a tabela abaixo.

Expectativa dos cortes de juros nos EUA

Fonte: CME (25/02/2026)

Conforme comentado no relatório anterior, Kevin Warsh, ex-diretor do Banco Central, era um dos favoritos ao cargo e isso foi confirmado com o anúncio de Trump no final de janeiro. Por ser uma indicação de Trump, Warsh tem mais propensão a seguir suas ideias do que Jerome Powell, atual presidente do Fed.

De forma geral, como a expectativa predominante é de praticamente só mais dois cortes para todo o ano e, quem sabe, até mesmo para 2027, muito deste dado já  está sendo precificado neste momento. Não sabemos quando efetivamente vai acontecer o corte, mas isso é o de menos.

O que são ativos alternativos?

Esse é um tema bem amplo e, por isso, a interpretação do termo pode variar bastante.

Inclusive, algumas corretoras costumam categorizar até mesmo fundos imobiliários como ativos alternativos. Isso porque comprar imóveis pode ser considerado um jeito de investir “fora do mercado financeiro” e de diversificar sua carteira.

Outros consideram investimentos como Private Equity e Venture Capital (capital em extremo risco investido em startups) ou até mesmo dívidas do governo, como os chamados precatórios. Outras possibilidades de acesso mais restrito que podem ser consideradas como alternativos são artigos colecionáveis e obras de arte.

Claro, cada um desses investimentos possui suas especificidades, mas podemos destacar aqui algumas características em comum:

-        Baixa correlação com o mercado financeiro;

-        Menor liquidez;

-        Alto risco;

-        Forte potencial de retorno;

-        Tempo de maturação maior;

-        Necessidade de diversificação para diluir o risco.

Aqui na Finclass, não temos como recomendar o investimento em uma startup, incentivar você a assumir a dívida de um precatório específica e muito menos sugerir que adquira um artigo colecionável, pois você não teria acesso fácil ao ativo e também não conseguiríamos acompanhar o desempenho desse investimento.

Por isso, o meio de acesso com certeza sempre será uma das nossas prioridades na hora de escolher um ativo alternativo aqui na Finclass, que deverá ser preferencialmente acessado pelo mercado brasileiro.

Então para nós o foco é o forte potencial de retorno, sempre estando ciente do risco. Se possível, conciliar com um timing de mercado compatível, mas como vocês sabem, isso não é tão simples de estimar.

Também identificamos a classe como “ativos fora do radar” da grande maioria dos investidores, pois quando muita gente já está ciente da oportunidade, ela já pode ter passado, assim como está acontecendo com a inteligência artificial atualmente.

Deste modo, podemos abrir um pouco mais o leque de opções para analisarmos e enquadrar como um ativo alternativo. Por exemplo:

-        As mais diversas commodities, como prata, urânio e terras raras;

-        ETFs de países emergentes como Argentina e Índia;

-        BDRs dos mais diversos ativos internacionais;

-        Mercados mais exóticos, como o de Cannabis.

-        Até mesmo mercados abstratos, como o de Economia do Espaço, que abrange turismo espacial, satélites e mineração de asteroides.

Para isso, vamos começar essa análise com as possibilidades mais plausíveis e, no final do relatório, comentar brevemente outras opções que provavelmente já foram excluídas.

Mercados com potencial

Antes de analisarmos as possibilidades, preciso reforçar que as principais características que procuramos para esta alocação são:

-        Encontrar um mercado fora do radar;

-        Que seja de fácil acesso aos brasileiros;

-        Com forte potencial de valorização;

-        Em um timing de crescimento relativamente inicial.

Além disso, gostaria de deixar claro que não será nosso foco esgotar cada um desses temas no relatório de hoje. Caso algum desses ativos alternativos sejam recomendados, aí, sim, vamos ter um relatório completo com a análise do setor e o ativo em questão.

Nosso objetivo hoje é introduzir o tema para termos uma visão ampla e abrir nossa cabeça para novas possibilidades fora do mundo cripto.

●    Urânio

Certamente as catástrofes envolvendo usinas de energia nuclear foram responsáveis por barrar o crescimento deste mercado. A mais marcante da história foi o acidente em Chernobyl, em 1986, que praticamente quebrou o forte crescimento no qual vinha o setor na época.

Fonte: Poder360

Mais recentemente, em 2011, também tivemos o acidente em Fukushima, porém na época o setor já estava em baixa e simplesmente se estabilizou.

É inegável que esses incidentes são uma catástrofe para a humanidade e para o meio ambiente. Porém, quebrando os preconceitos contra o setor, acredite, essa é uma das formas mais seguras de gerar energia, com um risco humano equivalente a energia solar e eólica.

Enquanto a Alemanha acabou com a geração nuclear em 2023, a China está puxando novamente este mercado.

Atualmente o país tem 37 reatores em construção e, com isso, pode passar os Estados Unidos em números de usinas em breve. O que será que eles estão prevendo?

Na verdade, esse movimento não é de agora. Desde quando a China começou neste mercado de forma significativa, em 1999, o país asiático vem se dedicando bastante a ele conforme a faixa verde do gráfico abaixo. Enquanto isso, os Estados Unidos é outro país que praticamente abandonou o modelo.

 

Entretanto, hoje, o cenário é outro. A alta demanda por energia pelo mundo todo já é uma realidade. Inclusive, já está em falta na Europa. Agora, com a propagação da inteligência artificial, carros elétricos e data centers, a demanda de energia deve aumentar radicalmente. Algumas big techs estão até mesmo fazendo parcerias para garantir o fornecimento de energia.

Por isso, podemos estar próximos do aumento da demanda pelo urânio com a retomada das usinas nucleares. Enquanto isso, novas minas demoram de 10 a 15 anos para começar a produzir, ou seja, se a construção de novas usinas for acelerada e simultânea, as minas podem não acompanhar seu ritmo, fazendo a demanda pelo urânio explodir.

As usinas possuem uma boa flexibilidade de alocação, são capazes de produzir uma grande quantidade de energia em uma região relativamente pequena e, ainda por cima, são seguras. Inclusive, hoje, já existem “mini usinas nucleares”, que podem ser transportadas até o local de necessidade.

Os riscos do setor já são amplamente conhecidos: os acidentes nucleares e questões geopolíticas.

Temos algumas opções para investir nesse mercado a partir do Brasil:

-        C1CJ34: BDR da Cameco Corporation (CCJ), maior mineradora do Canadá e uma das maiores do mundo.

-        BURA39: BDR baseado no ETF URA, da gestora Global X nos Estados Unidos, ativo bem diversificado que abrange toda cadeia do a urânio.

-        NUCL11: ETF de urânio e energia nuclear da gestora Investo. Segue o MVIS Global Uranium & Nuclear Energy Index.

Como esse é um mercado de extremo risco, não é uma má ideia investir apenas em uma das maiores mineradoras do mundo, pois o processo de procura pelo minério é extremamente complexo e caro, podendo afetar gravemente mineradoras menores.

Entretanto, o ETF URA é composto por empresas que cobrem toda a cadeia produtiva, ou seja, possui uma boa diversificação e inclusive variedade geográfica.

Composição do URA

Fonte: Global X

Enquanto no ETF NUCL11 temos um pouco menos de peso na Cameco e, consequentemente, menor peso do Canadá. Com isso, há uma distribuição mais uniforme entre os ativos.

Composição do NUCL11

Fonte: Investo

Ambos os modelos representam muito bem o mercado, com diversificação de aplicações, descentralização geográfica e fácil acesso. Certamente são boas opções.

●    Argentina

É inegável que Javier Milei está fazendo história na Argentina.

No início do seu mandato, a inflação no país estava fora do controle e chegou a passar dos 289% ao ano em abril de 2024. Depois que Milei assumiu, deixou o país mais responsável fiscalmente, tornou o câmbio mais estável e, com isso, em pouco tempo, conseguiu trazer a inflação de volta para baixo dos 40%, patamar equivalente ao do início de 2021.

Entretanto, ainda está longe de ser um cenário estável. Por isso, podemos considerar o investimento no país como uma estratégia de ativos estressados.

Depois de uma alta da bolsa argentina de mais de 200% no primeiro ano do seu mandato, ela estagnou e está praticamente de lado desde o início de 2025. Ou seja, os resultados mais recentes, juntamente com as novas expectativas, ainda podem apresentar grandes oportunidades.

Um dos grandes diferenciais do país é sua reserva de xisto em Vaga Muerta, a segunda maior do mundo. Também possui uma forte base agrícola com mão de obra qualificada.

Por outro lado, o risco político ainda é elevado. Em setembro, Milei sofreu uma derrota no Congresso, dia no qual estudantes e trabalhadores das universidades foram às ruas protestar contra seu governo ultraliberal.

Os deputados derrubaram os vetos do presidente para garantir o financiamento das instituições públicas e de hospitais. Neste dia, Milei perdeu de lavada e a bolsa despencou cerca de 15% nos dias seguintes.

De qualquer forma, o nível de aprovação e desaprovação de Milei segue equilibrado, o que proporciona certa estabilidade, pelo menos até chegarmos perto das próximas eleições no país.

Como investir na Argentina?

Temos algumas opções para investir exclusivamente em uma empresa como:

-        MELI34 - BDR do Mercado Livre, e-commerce conhecido aqui no Brasil;

-        Y2PF34 - BDR da Estatal Petrolera de Vaca Muerta (YPFD);

 

Mas também temos opções mais diversificadas por meio dos ETFs compostos por empresas argentinas listadas na bolsa dos Estados Unidos.

-        ARGT39 - BDR de ARGT MSCI All Argentina, composto por pelo menos 25 ativos em diferentes setores, uma opção bem diversificada.

Fonte: Global X

-        ARGE11 - ETF que replica o índice MarketVector US Listed Argentina Index, composto por 15 ADRs. Por ter menos ativos, está mais concentrado na Petrolífera e no Grupo Financiero do que o ARGT39.

Fonte: Investo

 

●    Sustentabilidade

Um dos cases mais famosos certamente são os créditos de carbono, que vêm ganhando cada vez mais relevância no mundo inteiro, mas principalmente na Europa.

Os estoques em breve devem se tornar ativos escassos. Porém, já adianto que não vamos investir diretamente no crédito de carbono. Ele nos serve como um indicador de como o mundo está cada vez mais preocupado com a sustentabilidade.

Recentemente, também surgiu outro mercado, chamado de Climate Tech. Uma tecnologia capaz de capturar o CO2 diretamente da atmosfera.

Porém, ainda é um processo extremamente caro devido ao alto consumo de energia e, por isso, não é viável nos dias atuais.

De forma geral, podemos enquadrar essa categoria de investimentos em sustentabilidade como um todo como um meio de diversificação.

A desvantagem segue sendo algum risco político com governos mais conservadores ou radicais, mudanças nas regras globais repentinas, corte de subsídios, questões burocráticas, entre outros fatores mais generalistas, por isso, não vamos nos limitar às aplicações específicas.

Até poderíamos considerar investir no setor por alguma small cap que tenha forte relação com preocupações ecológicas, mas certamente esse não seria o foco da empresa e, deste modo, também continuaríamos expostos praticamente ao mercado de ações.

Ao invés de uma única ação, também existe a possibilidade de optar por um ETF focado em empresas que buscam eficiência de carbono como o ECOO11 - iShares Índice de Carbono Eficiente.

Porém, da mesma forma, continuam sendo empresas tradicionais da bolsa, ou seja, sem muita novidade no modelo. Para a fatia de alternativos, precisamos de uma solução mais fora da caixa.

Outra opção acessível é o BICL39, um BDR do ETF ICLN da iShares Global Clean Energy, que possui uma exposição mais ampla, composto por diversas empresas de energia, tecnologia e serviços públicos ao redor do mundo.

O ativo de fato segue sendo relacionado ao mercado de ações, porém é um mercado que não temos no Brasil. Ele possui uma representatividade de 24% do ETF ligado a energia renovável, bem como exposição significativa a equipamentos e até mesmo semicondutores. Uma opção bem interessante.

 

●    Terras-raras

O assunto veio à tona recentemente quando a China anunciou ano passado que iria limitar a exportação de terras-raras para os Estados Unidos durante as negociações das tarifas de Trump. Curiosamente, o Brasil é o segundo maior detentor dessa commodity, mas ainda não a explora de forma eficiente.

Podemos comparar estas commodities com o petróleo, pois acabam tendo diversas funcionalidades. A partir do minério, se extrai diversos outros materiais importantes, como cobre, lítio, níquel e cobalto. Eles são indispensáveis para a fabricação de imãs e, por consequência, necessário para a fabricação dos mais diversos componentes eletrônicos.

Um dos grandes fatores que podem aumentar sua demanda é a popularização dos carros elétricos, mas também precisamos destacar um dos principais temas do momento, que é a inteligência artificial e os diversos aparelhos eletrônicos relacionados.

Com o crescimento desses mercados de forma acelerada, pesquisas estimam que o material passará a ser escasso em breve e sofrerá um déficit durante toda a próxima década.

A grande barreira de entrada para o mercado é o licenciamento para exploração, pois o tempo para obter a autorização pode passar de 20 anos, e os processos judiciais ambientais, os quais costumam ser frequentes.

Quanto menor a empresa de exploração, menos capital ela possui para manter sua operação e, consequentemente, maiores as chances de fracasso, com a empresa podendo falir antes mesmo de encontrar um veio.

Não temos um ativo que represente essas commodities especificamente, mas temos algumas alternativas relacionadas no mercado brasileiro.

-        S2GM34: BDR da Sigma Lithium, mineradora canadense, com operação no vale do Jequitinhonha (MG), conhecida por produzir “lítio verde” de alta pureza;

-        A1LB34: BDR da Albemarle, uma das maiores produtoras de lítio do mundo;

-        BLBT39: BDR do ETF LIT Global X Lithium & Battery Tech, relacionado a baterias de lítio, mas que investe em toda sua cadeia, desde a mineração até o produto final, por exemplo, na Samsung.

Composição do LIT

Conforme comentado no item anterior, a concentração em uma só empresa representa um risco extremo, por isso, o BDR pode ser uma opção mais interessante, nos proporcionando exposição ao setor, diversificação do risco e até mesmo diversidade geográfica.

●    Biotecnologia

Esse mercado também pode ser chamado de Deep Biotech. Como o próprio nome já sugere, são aplicações radicais, focadas principalmente em longevidade ou cura de doenças.

As pessoas estão cada vez mais conscientes de que uma boa saúde, nos ajuda a viver mais, ou seja, todos pensam em longevidade. Com isso, o assunto vem ganhando bastante interesse e, claro, a indústria da saúde está de olho nesse mercado.

Para isso, a proposta do setor, chega a patamares radicais, por exemplo, a edição genética, para obter o maior sucesso possível.

Outra relação é a utilização da inteligência artificial para reduzir o tempo de diagnósticos, identificação precoce de doenças e descoberta de novas moléculas para remédios, esta última um processo que pode demorar vários anos.

Para investir no setor, temos BDRs de algumas empresas internacionais negociadas aqui na B3, como:

-        C2RS34 - CRISPR Therapeutics, pioneira em edição de genes;

-        I1LM34 - Illumina INC, de sequenciamento de DNA;

-        VRTX34 - Vertex Pharmaceuticals.

O risco de se investir em uma só empresa é que a chance de fracasso de uma droga  é elevada, e se for um dos principais produtos do laboratório, o resultado ruim pode fazer a empresa perder grande valor de um dia para o outro.

Por isso, a ideia de investir nessas empresas é que, se a solução pesquisada funcionar, pode multiplicar seu valor de mercado, enquanto se falhar pode cair 90%. A ideia de investir em uma só empresa até poderia ser compatível com o que procuramos, mas temos outras opções.

Por meio do BGNO39, BDR do ETF da Global X Genomics & Biotechnology, conseguimos diversificar nosso risco, pois ele é composto por diversas empresas, focadas em pesquisa, inclusive as citadas anteriormente.

Fonte: Global X

O ativo também nos fornece uma pequena diversidade geográfica.

 

 

Fonte: Global X

Outra opção seria pelo fundo de investimento Trend Biotecnologia FIC FIA, multimercado da XP disponível para o público em geral. Ele replica o índice NASDAQ Biotechnology (IBBQ), composto por 260 empresas do setor.

Outro fator a ser levado bastante em consideração, devido à solução radical da edição de genes, envolve temas relacionados à ética, religião, política e diversas regulamentações rígidas ao redor do mundo, o que pode ter impacto positivo ou negativo a qualquer momento.

Alternativos com limitações

Para não limitarmos a análise de hoje com apenas as poucas opções citadas anteriormente, também é interessante comentarmos brevemente sobre outras possibilidades que já passaram por uma análise e que, por alguma dificuldade específica, já foram inviabilizadas.

Claro, essa visão pode mudar com o tempo, mas as barreiras encontradas em cada uma delas já nos dão uma grande preferência para os casos analisados anteriormente.

●       Precatórios

Cada contrato é único, há a necessidade de auxílio jurídico especializado, retorno extremamente variável, prazo relativamente indefinido e não há um ativo específico para acompanharmos na carteira da Finclass.

●       Royalties de músicas e propriedade intelectual

Acesso complexo por empresas especializadas, sem liquidez, cada conteúdo com sua aplicação extremamente específica, impossível de acompanhar de perto o seu desempenho pela Finclass.

●       Infraestrutura de data centers

Mercado focado em empresas de tecnologia, basicamente investimento em Equity, pois são empresas tradicionais e, por isso, apesar de serem ativos com potencial, não são ativos muito fora do radar.

●       Cannabis medicinal

Extremamente dependente de questões políticas, éticas, regulamentações, processos extremamente demorados. Trump até se mostra favorável à aplicação, porém, não podemos ficar dependendo da sua canetada, e, por isso, provavelmente não estamos próximos do momento de grande adoção do mercado.

●       Private Equity e Venture Capital

Até existem alguns fundos como o XP Private Equity I e II, XP Selection Alternativo FIP e o SPX Private Equity I Advisory FIP Mult, entretanto, por serem carteiras de ativos extremamente arriscados, são somente para investidores qualificados, o que inviabiliza nossa recomendação para o público em geral.

 

●       Economia do espaço

O setor deu um passo enorme principalmente depois das inovações de Elon Musk e seus foguetes reutilizáveis. Essa conquista derrubou o custo operacional das missões espaciais para uma fração.

Também viabilizou novos modelos de negócio, como turismo espacial, satélites, internet, clima, mercado bélico e até fabricação de semicondutores no espaço com cristalização perfeita.

Porém o risco é extremo. Acidentes devem acontecer, foguetes devem falhar e anos de pesquisa estão em jogo a cada tentativa. Um único acidente pode impactar demais os ativos.

●       Computação quântica

O tema está em alta, mas o retorno do investimento não é para “os próximos anos”. Quem sabe para 10 anos. Hoje, as empresas dedicadas dão prejuízos colossais e muitas delas, certamente, vão falir nos próximos anos antes de obterem o mínimo de sucesso. Este ainda pode ser considerado um mercado de startups e, provavelmente, a opção mais arriscada discutida neste relatório.

Conclusão

Claro, cada ativo tem suas vantagens e desvantagens contextuais, maior ou menor potencial de sucesso e pontos fracos. Mas precisamos dar foco principal para uma característica específica: o momento de mercado.

O “timing” do investimento nesse caso é importante, pois, caso algum desses ativos seja de fato recomendado na Finclass, ele deve ficar na nossa carteira por um curto espaço de tempo, algo entre meio ano até no máximo um ano.

Isso porque, na minha opinião, até o final deste ano, há grandes chances de o BTC atingir um patamar de preços tão baixo que sua relação risco x retorno o torne novamente o ativo com maior convexidade para preencher na totalidade a fatia de alternativos.

Forte abraço,

 

Thales

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.