A Oaktree em detalhes
Antes de falar do fundo em si, eu quero contar para você sobre a Oaktree Capital e como a conheci.
Fundada em 1995, ela está entre as principais gestoras globais especializadas em investimentos alternativos, através da utilização de estratégia de investimentos value-oriented (orientadas pelo valor da empresa), e com foco no controle de riscos em diferentes classes de ativos. O principal fundo (flagship fund) é o famoso Global Credit Fund.
Eles têm mais de 900 funcionários, presentes em 18 cidades do mundo, e com US$ 160 bilhões em ativos sob gestão (dados de setembro de 2022).
Eu tive o prazer de conhecer o Wayne Dahl, head de gestão de risco, da Oaktree pessoalmente, inclusive temos um vídeo e um podcast gravado com a Oaktree em que Wayne Participou - fica a dica de conteúdo para conhecer ainda mais de perto a equipe de gestão.
Ele trabalha diretamente com o famoso Howard Marks e com uma equipe igualmente impressionante na gestora.
Listarei a seguir algumas características fundamentais da filosofia de gestão do fundo:
- Controle de riscos: evite os perdedores, e os ganhadores atuarão por conta própria.
- Consistência: um histórico superior é conquistado com uma média de retornos constantemente positivos ao longo do tempo, e não através da expectativa de que anos satisfatórios superem os ruins.
- Importância da ineficiência do mercado: é apenas nos mercados menos eficientes que o trabalho árduo e as habilidades tendem a produzir retornos superiores.
- Previsão macroeconômica não é tão importante para investimentos: investimentos baseados na análise bottom-up são mais produtivos. (Bottom-up é algo como “de baixo para cima”; nada mais é que da visão micro para a visão macro, sendo que o micro trata da empresa em si e o macro da economia de forma geral. Logo, a estratégia bottom-up deverá focar primeiramente nos aspectos financeiros específicos de cada empresa. Só depois é que ela partirá para o estado macroeconômico do local em que a empresa está inserida.)
- Timing de mercado: bons negócios são fechados independentemente de palpites sobre direção da economia no futuro. Essa visão está relacionada à análise bottom-up, onde a empresa e os aspectos micro, tais como estado financeiro da empresa, análise de seus concorrentes, qualidade da administração, a satisfação de seus clientes etc., são analisados primeiro. Somente depois dessa análise micro é que se passa a olhar o estado da economia, ou seja, olhar o setor que a empresa está inserida é muito importante.
O mais incrível é que todas as estratégias da Oaktree operam dentro dessa filosofia de investimentos que, desde de 1995, permanece inalterada.
A empresa foca em retorno absoluto e renda recorrente com risco sob controle. A capacidade de gestão de risco da Oaktree é impressionante, eles são referência mundial nesse tema.
Outro fato interesse sobre a gestora, e que eu particularmente gosto muito, é que eles são signatários do United Nations Principles for Responsible Investment (Princípios para Investimento Responsável), o compromisso dos grandes investidores institucionais do mundo de investir em negócios sustentáveis, ou seja, de estarem atentos aos aspectos social, ambiental e de governança corporativa na escolha de ativos e carteiras para investimento dos seus recursos.
O programa consiste em seis princípios básicos que focam em viabilizar a incorporação das questões socioambientais e de governança às práticas de análise, decisão e gestão de investimentos. A adesão aos princípios é voluntária, uma vez que se trata de um acordo de intenção e vontade dos signatários para com a sustentabilidade nos negócios. No site da Oaktree, você poderá ver vários vídeos e projetos de sustentabilidade dos quais eles fazem parte.
No que o fundo investe?
Os espelhos do fundo Oaktree Global Credit criados no Brasil aplicam no mínimo 95% do seu patrimônio líquido nas cotas do Oaktree Global Credit FIM-IE, que investe no Oaktree Fund (Lux.) III (por questões regulatórias brasileiras, o fundo local deve investir em um fundo com a mesma estratégia em Luxemburgo, é o que chamamos de fundo espelho). O fundo brasileiro acaba sendo somente o veículo para captação de investimento, as alocações são feitas no fundo de Luxemburgo.
O fundo foca em crédito privado através de uma estratégia global atuando em nichos de mercado de difícil acesso, como mercados imobiliários e de infraestrutura. O objetivo, assim como em outros produtos da Oaktree, é retorno absoluto e renda recorrente, sempre mantendo o risco sob controle.
O fundo estrangeiro faz alocação em dez setores:
- Crédito corporativo estruturado;
- Dívida imobiliária comercial;
- Serviço comercial e fornecedores;
- Petróleo, gás e biocombustíveis;
- Serviços de telecomunicações;
- Saúde;
- Software;
- Hotéis, restaurantes e lazer;
- Mídia;
- Serviço ao consumidor.
E a alocação é global, com investimentos nos EUA, Europa, Reino Unido, Ásia e América do Sul.
Em todo o portfólio, continuarão priorizando a análise de crédito fundamental com ênfase na seleção de crédito de setores de nichos e com expertise especializada e com foco na proteção ao lado negativo.
Lembre-se de que, devido à regulação brasileira, atualmente os fundos com o sufixo Investimentos no Exterior podem ser oferecidos apenas a investidores qualificados, mesmo quando investem em fundos UCITS, que são fundos disponíveis para o varejo em Luxemburgo, como é o caso do fundo da Oaktree, uma vez que UCITS são altamente regulados.
Por que escolhemos esse fundo da Oaktree?
Além da boa performance histórica o fundo oferece fatores diversificação muito interessantes, já que investe em muitos mercados diferentes e diferentes categorias de crédito.
Outro ponto relevante é justamente o mandato de crédito do fundo da Oaktree. Ele atua em nichos em que poucos gestores, até nos EUA, conseguem atuar num único fundo, pois eles combinam crédito estruturado com corporate bonds (títulos privados, emitidos por empresas privadas visando à captação de recursos com prazo e um rendimento predeterminado, como debêntures, Certificado de Depósito Bancário, letras hipotecárias e letras de câmbio).
Além dos ótimos retornos, da excelente gestão de risco, da baixa correlação com o Brasil e da diversificação global, vou terminar o relatório como comecei, me apropriando das palavras do Howard Marks, para explicar por que investir em um fundo, e não diretamente no mercado, pode ser tão interessante:
“Investir é contraintuitivo. A maioria das pessoas não sabe o que isso significa e não consegue fazer isso. As pessoas não têm o que é necessário para comprar na baixa quando as coisas estão péssimas e vender na alta quando tudo parece maravilhoso. É uma atividade difícil e a maioria das pessoas é mais bem servida dando o seu dinheiro para que outros o administrem.”
Um grande abraço,
Felipe Arrais, Alessandra Belloto, Rodrigo Marras Xavier e Vinicius Yoshida