Olá, assinantes do Spiti One!
Quem é mais antigo aqui na Spiti sabe que defendemos uma alocação estrutural de longo prazo para os nossos investimentos. É isso que explica mais de 90% dos resultados de uma carteira, segundo mostrou um estudo da Vanguard, uma das maiores gestoras do mundo, com cerca de US$ 6 trilhões em ativos sob gestão.
Começamos com o Método das Caixas, uma alocação estrutural voltada para o investimento via fundos. Depois evoluímos para o HIIT, que contava com duas versões, uma para montar a carteira via fundos e outra para a compra de ativos diretamente, em que incluímos novas classes que passamos a cobrir como casa de análise, entre elas os fundos imobiliários.
Ao longo da nossa jornada, entretanto, identificamos algumas questões que achamos por bem endereçá-las. Assinantes de fundos que também eram clientes de outras séries, por exemplo, tinham dificuldades de distribuir todos os seus investimentos conforme o Método das Caixas.
Em que caixinha colocar fundos imobiliários? Quanto reservar para criptomoedas? Devo montar a carteira global à parte? Com ou sem exposição cambial? Ativos internacionais entram na caixinha de proteção?
Essas eram algumas das dúvidas mais frequentes e que nos inspiraram a trabalhar em uma nova alocação estrutural, que foi batizada de Spiti One, na qual reunimos todas as classes de ativos que cobrimos e entendemos que não podem faltar na sua carteira: renda fixa, ações, fundos imobiliários, fundos multimercados, ativos internacionais e ativos alternativos.
Neste relatório, contamos o papel das diferentes classes de ativos no Spiti One e mostramos como definimos o peso de cada uma delas. O resultado, alcançado depois de meses de estudos, testes e discussões com a participação de todos os analistas da Spiti, mostra que evoluímos ao chegar a uma alocação estrutural com um melhor retorno ajustado ao risco para a multiplicação do nosso patrimônio no longo prazo.
Com diferentes classes de ativos, aumentamos a diversificação e, consequentemente, as fontes de retorno. Ao mesmo tempo, conseguimos reduzir o risco total do portfólio, sem abrir mão de retorno. É isso que vai permitir que nos mantenhamos no jogo durante os períodos difíceis de mercado.
A nossa alocação
Comecemos com o gráfico de pizza exibindo como ficou a distribuição da carteira no Spiti One:
Fonte: Spiti
Para chegar à melhor composição, rodamos uma série de estudos no mercado, como explicaremos mais à frente. No gráfico abaixo, apresentamos o backtest do Spiti One, em que usamos dados históricos dos índices de mercado que melhor representam cada classe de ativos da carteira, a fim de testar a nossa alocação estrutural.
Comparamos o resultado tanto com o nosso custo de oportunidade no Brasil, o CDI, quanto com o Método das Caixas, em que também usamos índices. Em todos os casos, o Spiti One mostrou retornos melhores com uma volatilidade mais baixa, ou seja, conseguimos alcançar uma alocação mais eficiente.
Fontes: Quantum Axis e Bloomberg | Elaboração: Spiti | Período: de julho/2012 até julho/2022 (estudo da época pré-lançamento)
Além do retorno mais atrativo (possível de ver no gráfico acima), também notamos que a carteira Spiti One oscilou menos, com volatilidade de 5,9% contra 8,2% da proposta anterior.
Essa é a alocação estrutural base, que parte do desempenho médio do mercado e é responsável por 90% dos resultados de uma carteira. Mas, como você bem sabe, nosso trabalho aqui na Spiti é buscar os melhores ativos para cada fatia do portfólio, com o grande e único objetivo de conquistar retornos acima da média de mercado, ou seja, “gerar alfa”, de forma consistente pelos próximos anos.
Com a nossa seleção de ativos, seja para investir diretamente, seja via fundos, conseguimos otimizar ainda a mais alocação sugerida, potencializando os ganhos. Também testamos o nosso trabalho. Adiante, mostramos o nosso passo a passo para chegar à nova alocação e os resultados dos testes. Mas, antes, vamos às funções de cada classe na alocação estrutural.
Qual o papel de cada classe?
Nossa carteira está fundamentada em seis pilares fundamentais, conforme descrevemos a seguir:
1. Pilar da sobrevivência: 35%
Uma carteira de investimentos só será bem-sucedida caso ela tenha capacidade de sobreviver aos piores ciclos de mercado. Afinal, mais do que ganhar dinheiro, quando o assunto é investir para o longo prazo, o importante é evitar o “risco da ruína”, ou seja, evitar perder tudo, a ponto de a pessoa ser obrigada a sair do jogo.
Concentrar os recursos em um único ativo ou classe de ativos é a pior coisa que um investidor ou uma investidora pode fazer, porque isso pode tirar a pessoa do jogo. O mercado é cíclico, o que deu certo ontem talvez não dê mais certo amanhã e com o risco de levar a grandes prejuízos.
Quem decidiu colocar todo dinheiro no índice S&P da Bolsa norte-americana em 2022 perdeu 19,4% em dólar (prejuízo que nem todos têm estomago para suportar). Entretanto, essa foi a aplicação que mais rendeu em 2021 (a valorização foi de 26,9%).
É disso que se trata também a tríade “frágil, robusto e antifrágil”, de Nassim Taleb. Como não temos capacidade de prever o futuro nem controle sobre o desenrolar dos mercados – e eventos inesperados e de alto impacto (“cisnes negros”) acontecem –, precisamos estar sempre preparados para momentos ruins.
Um portfólio diversificado resolve boa parte do problema, mas desde que os ativos andem em direções distintas. Para toda parcela “frágil” da nossa carteira, que é aquela que aumenta o potencial de retorno no longo prazo (no pilar do potencial falamos mais sobre ela), mas sofre em momentos de crise, reserve sempre uma fatia menor para os ativos “antifrágeis”, que, segundo o conceito criado por Taleb, ganham com os choques, como o dólar aqui no mercado brasileiro.
Também destine parcela relevante para os ativos “robustos”, que integram a parcela mais conservadora da nossa carteira, formando o nosso pilar da sobrevivência. Aqui, entram ativos cuja expectativa de ganho é menor, mas também o risco de perda.
Estamos falando dos investimentos de renda fixa, ativos que resistem a crises, balançam pouco e, portanto, contribuem para nos manter no jogo, sobreviver.
No Brasil, em especial, a renda fixa tem sido uma classe de investimentos que não apenas traz segurança, como também bons retornos. Não à toa, destinamos a ela 35% da nossa carteira.
Para se ter uma ideia, se pegarmos os últimos dez anos e vinte anos do CDI, o principal índice da renda fixa e custo de oportunidade do mercado brasileiro, e compará-lo com o Ibovespa, o mais importante índice de ações, chegamos aos seguintes resultados:
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Período: de 27/4/2013 até 26/4/2023
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Período: de 27/4/2003 até 26/4/2023
A questão é que, até chegarmos ao longuíssimo prazo, em que os ativos de risco devem se provar mais rentáveis, passamos por muitas incertezas no curto prazo. Precisamos permanecer vivos e com o emocional preservado para que tenhamos condições de permanecer investidos por vinte anos ou mais.
No Brasil dos juros altos, não é tarefa fácil superar a renda fixa, mesmo quando se trata do índice mais conservador, o CDI. Por isso, além de servir como um pilar de preservação de patrimônio, se essa fatia for feita de maneira inteligente, ela tem potencial para turbinar ainda mais os nossos retornos. Por isso, dividimos os 35% da renda fixa em duas partes, conforme segue:
- 15% para renda fixa pós fixada;
- 20% para renda fixa dinâmica.
A renda fixa pós-fixada tem a rentabilidade atrelada a um índice de mercado, em geral, a taxa básica de juros (Selic) ou o CDI. É o caso do Tesouro Selic ou dos fundos de crédito pós-fixados.
Na renda fixa dinâmica, entram os ativos com taxas prefixadas, como o Tesouro Prefixado, também conhecido como LTN ou NTN-F, e os indexados à inflação, como o Tesouro IPCA (ou NTN-Bs) ou ainda as debêntures que pagam uma taxa prefixada mais correção pela inflação.
Por conta do componente de juro prefixado, esse segmento sofre a marcação a mercado dos preços dia após dia, o que embute mais risco, mas também um potencial maior de retorno. Em ciclos de queda dos juros básicos, as taxas de mercado tendem a ceder, abrindo espaço para a valorização dos papéis. Nos momentos de aperto monetário, o inverso é verdadeiro: os juros de mercado sobem, provocando a desvalorização dos ativos.
Mas, no longo prazo, os dados mostram enorme vantagem em ter exposição a prefixados e indexados à inflação.
Nos gráficos a seguir, comparamos o retorno dos índices de renda fixa CDI, IRF-M (composto pelos títulos públicos prefixados) e IMA-B (dos títulos públicos atrelados à inflação) com o Ibovespa acumulado em dez anos e desde setembro de 2003 (início da série histórica dos índices de renda fixa).
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Período: de 27/4/2013 até 26/4/2023
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Período: de 17/9/2003 até 26/4/2023
2. Pilar do potencial: 15%
Esse é o pilar com potencial de aumentar consideravelmente o retorno da carteira no longo prazo, mas que traz mais risco, portanto, sofre em momentos de crise. Estamos falando do investimento em ações (os ativos frágeis), para o qual reservamos uma fatia de 15% da alocação estrutural.
Investir em empresas que fazem parte da economia real – que é o que fazemos quando compramos ações – deveria trazer mais retorno por conta do risco maior. Afinal, nos tornamos sócios do negócio, e não credores, que emprestam dinheiro a uma taxa de juros.
Mas, como mostramos anteriormente, no Brasil, o Ibovespa tem dificuldade de bater a renda fixa, por estarmos em uma economia e em um mercado ainda em desenvolvimento – nos Estados Unidos, por exemplo, os investimentos em ações chegam a representar pelo menos 60% da alocação. Isso explica por que optamos por reduzir o peso da Bolsa local em nossa alocação estrutural, de 30% (Método das Caixas) para 15% (Spiti One).
Entretanto, vale destacar também que o Ibovespa não é o melhor indicador de desempenho da Bolsa, uma vez que ele é muito concentrado em algumas empresas e setores – até pela sua metodologia de cálculo, que leva em conta volume de negociação e valor de mercado das empresas.
O segredo aqui é fazer uma boa seleção de ações com potencial de superar o índice – gerar o tal do alfa ou excesso de retorno em relação à média de mercado –, combinando empresas consolidadas e robustas com aquelas de alto potencial de crescimento.
Aqui, é possível fazer isso seguindo a carteira de ações recomendada da Spiti ou ainda delegando essa responsabilidade para gestores de alta qualidade.
Bom lembrar também que o nosso objetivo aqui é buscar uma alocação com o melhor retorno ajustado ao risco para o longo prazo. Investir em boas empresas que gerem resultados de forma consistente tem potencial para multiplicar nosso patrimônio no futuro.
3. Pilar da multiplicação: 20%
O pilar da multiplicação, para o qual definamos uma fatia de 20%, é formado pelos ativos internacionais. Ele é chamado assim porque, ao investir no exterior, estamos multiplicando o nosso campo de atuação e, consequentemente, as oportunidades de obter retornos expressivos.
Para você ter uma ideia, o Brasil representa 1,7% do PIB mundial, 2,7% do mercado de renda fixa mundial e 1,3% do mercado de renda variável mundial, mas 99,5% da alocação do investidor brasileiro.
Ou seja: apesar de o Brasil ter uma representatividade pequena no mercado global, é nele que a maioria dos investidores está concentrado.
Ao reservamos 20% da nossa carteira a ativos internacionais, passamos a ter uma exposição maior a mercados muito mais relevantes, de diferentes países, de desenvolvidos a emergentes, e classes de ativos, de ações a renda fixa, passando por investimentos imobiliários, o que aumenta o potencial de retorno da carteira.
Mais que isso, tudo em moeda forte, principalmente o dólar, que tem um papel importante de proteção na carteira, reduzindo o risco e tornando-a mais resiliente. Além disso, algo que pouco levamos em conta é o fato de a nossa economia e, por consequência, nossa cesta de consumo ser muito mais dolarizada do que possa parecer em um primeiro momento.
Portanto, ter uma fatia relevante de investimentos no exterior atrelados a moedas mais fortes aumenta o potencial de retorno e diminui o risco da carteira.
Para a parcela internacional, optamos por construí-la, majoritariamente, de forma passiva, por exemplo via ETFs, que são fundos listados em Bolsa que acompanham índices de mercado e que têm custos mais baixos.
Isso porque os mercados financeiros no exterior, em especial o dos Estados Unidos, são muito mais competitivos e desenvolvidos que o brasileiro, o que torna a tarefa de bater os índices mais difícil.
Além disso, a regulação ainda restringe os fundos que investem no exterior a investidores qualificados, o que os torna pouco acessíveis. Mesmo quem tem a possibilidade de investir por meio de fundos globais, não deveria escolher só a gestão ativa, e sim priorizar uma alocação passiva no investimento em ações. Sobre este tema da restrição, temos uma boa notícia: a resolução 175/22, que atualiza as normas de fundos, já prevê uma flexibilização que permitirá acesso ao público geral, e nós estaremos sempre monitorando para lhe trazer as melhores opções de investimentos.
3.1. Como ficam as proteções
A recomendação de alocação proposta pelo Método das Caixas tinha uma fatia estrutural de 7,5% de proteções, especialmente em dólar. Havia também a orientação de que parte dessa caixinha fosse alocada em ouro.
A partir dessa diretriz, qualquer alocação que tivesse exposição cambial acabaria consumindo um pedaço dessa fatia.
Na prática, se você tem apenas 7,5% de exposição cambial e parte dessa pequena fatia ainda é consumida pelo investimento em ouro, não sobra espaço para uma alocação no exterior que seja suficientemente representativa.
Todos nossos estudos apontaram para a vantagem de se ter uma exposição cambial maior e, de preferência, por meio de uma carteira de ativos globais, a fim de otimizar a alocação.
Isso porque R$ 1 mil investidos em um ETF de ações globais, por exemplo, equivalem a R$ 1 mil investidos simultaneamente nas ações do índice e no dólar. O conceito de melhoria da eficiência da alocação vem pelo fato de podermos fazer mais com a mesma quantia.
Agora, você pode estar se perguntando: “onde é que fica o ouro nessa nova alocação?”.
Ele é parte estrutural da caixinha internacional, ocupando um espaço de 3% da carteira como um todo.
Na prática, é como se nossa carteira de ativos globais tivesse um tamanho de 17% e o ouro respondesse pela diferença (3%) para se chegar aos 20%, e tudo com exposição cambial.
Fonte: Spiti
4. Pilar da bola de neve: 15%
No pilar da bola de neve, para o qual devemos separar 15% da carteira, colocamos os fundos de investimentos imobiliários (FIIs), listados em Bolsa. Essa é uma classe caracterizada por retornos potencialmente maiores, uma vez que faz parte da economia real por investir majoritariamente em imóveis de diversas naturezas.
Investir em imóveis é a paixão dos brasileiros, principalmente por ser visto como uma fortaleza contra a queda do poder de compra de nossa moeda. Um imóvel é sinônimo de segurança por sua capacidade de repassar a inflação na renda gerada, ou seja, por meio dos aluguéis que são ajustados ao longo do tempo.
Os FIIs surgem como uma alternativa de expor parte do patrimônio ao setor imobiliário por meio de um veículo muito mais eficiente e sofisticado do que o investimento direto em imóveis. Os fundos são geridos por profissionais do ramo, com profundo conhecimento do mercado e capacidade de negociação com locatários; têm muito mais liquidez, uma vez que suas cotas são negociadas em Bolsa; e permitem que pequenos investidores, com poucos recursos, tenham acesso a uma carteira diversificada de empreendimentos de alta qualidade das mais diversas naturezas e nas melhores localizações.
Vale lembrar também que, além da possibilidade de obter ganho de capital com a valorização das cotas negociadas em Bolsa, os FIIs distribuem renda recorrente e com uma baita vantagem: a isenção de IR.
5. Pilar do hedge decisório: 12%
Para o pilar de hedge decisório, você deve destinar 12% da sua carteira de investimentos. E ele deve ser preenchido com uma classe de fundos: os multimercados. E sabe por quê?
Há dois motivos. O primeiro deles, que inspirou o nome do pilar, é a possibilidade de mitigar o risco de tomarmos uma decisão equivocada delegando a gestão de parte da carteira para profissionais. Aqui, estamos falando tanto de escolher mal um ativo quanto de fazer um movimento na carteira em hora errada, por pura emoção, de pânico ou euforia.
Além disso, ao buscarmos uma exposição aos multimercados, ganhamos um componente tático que pode proteger a nossa carteira em momentos de maior aversão a risco, desde que bem escolhidos os gestores.
Esses fundos costumam ter um horizonte de investimentos mais curto e agilidade para trocar de posições quando o cenário muda. Eles também têm flexibilidade para fazer apostas não só na alta como na queda dos ativos, em diferentes mercados, como renda fixa, moedas e ações, assim como nas variadas regiões no mundo.
Essa é a primeira vez que incluímos os multimercados na alocação estrutural da Spiti, concorrendo com ativos diretamente. Até então, essa classe só integrava alocações exclusivamente dedicada a fundos.
No Spiti One, os multimercados ficam com 12% da alocação, uma vez que as demais classes de ativos têm caixinhas próprias. Acreditamos que, assim, conseguimos tirar o melhor proveito dos diferentes fatores de risco.
Os multimercados têm como meta superar o custo de oportunidade, o CDI. Já com a renda fixa dinâmica, por exemplo, buscamos retornos reais no longo prazo, ou seja, bater os índices prefixados ou atrelados à inflação, que, como vimos nas simulações anteriores, estão entre os que apresentaram o melhor retorno histórico.
Ainda que muitos dos nossos multimercados recomendados entreguem retornos bem acima do CDI e até dos índices IMA-B ou IRF-M, defendemos reservar parcela para a renda fixa dinâmica, assim como para fundos imobiliários e até ativos alternativos.
6. Pilar da convexidade: 3%
Para completar a nossa alocação estrutural, contamos com os ativos alternativos.
O fundamento desse pilar é o da convexidade, que caracteriza investimentos de alto risco, mas com potencial de oferecer retornos expressivos, que podem fazer a carteira mudar completamente de patamar. Por isso, limitamos essa fatia a um percentual pequeno, de 3%.
Nessa parcela, entram, por exemplo, as criptomoedas. Para você ter uma ideia da diferença que esses ativos podem fazer para sua carteira, simulamos a alocação nova com e sem o Bitcoin (BTC), a partir do início de 2018, quando o ativo já tinha uma certa estabilidade de preços – como mostramos mais adiante, qualquer estudo que inclua o BTC desde sua criação em 2009 será altamente distorcido pela gigantesca valorização apresentada por um ativo que não valia quase nada e passou a valer milhares de dólares.
Fontes: Quantum Axis e Bloomberg | Elaboração: Spiti | Período: de julho/2017 até julho/2022 (estudo da época pré-lançamento)
A alocação estrutural que desenhamos supera o CDI e a inflação com ou sem os ativos alternativos. Mas ela se torna muito melhor com o Bitcoin. E se o ativo tivesse com uma performance negativa? A perda seria limitada pela fatia pequena de 3%.
Passo a passo para chegar à alocação estratégica
Vamos explicar de maneira objetiva as etapas do processo que levaram ao consenso de todos os analistas da Spiti para a alocação estrutural. A ideia não é entrar em todos os detalhes do estudo, mas compartilhar os principais cuidados que tivemos e ideias que abordamos.
Separaremos o relato em etapas para que fique claro o processo do começo ao fim.
1. Analisando o poder da diversificação em 12 países
Não há dúvida de que a diversificação é primordial quando se trata de montar uma carteira de investimentos. Mas como distribuir os recursos nas diferentes classes de ativos, especialmente no Brasil?
Para responder a essa pergunta, a primeira coisa que fizemos foi estudar outros mercados, de economias desenvolvidas a emergentes. Entretanto, focamos nos países que detêm mercados de capitais minimamente representativos em volume e quantidade de ativos.
Chegamos a uma lista de 12 países: África do Sul, Alemanha, Austrália, Brasil, China, Estados Unidos, França, Índia, Japão, México, Reino Unido e Turquia. Dessa forma, cobrimos todos os continentes, contemplando economias em diversos estágios de desenvolvimento econômico-financeiro. Por conta da limitação de histórico para alguns países, nos restringimos a observar um período de dez anos.
Analisamos composições diferentes de carteira usando os índices mais representativos de seus mercados acionários (com dividendos reinvestidos), imobiliários (com dividendos reinvestidos), a taxa livre de risco (representada pela taxa básica de juros estabelecida pelos bancos centrais), além da simulação de um investimento no exterior, representada na maioria dos casos pelo índice MSCI ACWI World, de ações globais, com exposição cambial.
Diversos cuidados foram tomados para que os dados estivessem coesos e comparáveis nessa etapa do processo. Além disso, calculamos diversos prazos de rebalanceamento para as carteiras.
Notamos que, em todos os países analisados, a diversificação trouxe benefícios para a alocação de investimentos do ponto de vista da relação entre risco e retorno, superando as inflações locais e as taxas livres de risco. Esses resultados comprovaram quantitativamente a Teoria Moderna de Portfólios, de Harry Markowitz (prêmio Nobel de Economia em 1990), que diz que a diversificação é essencial para reduzir riscos e aumentar os ganhos no longo prazo e mostra como fazer essa composição, e nos forneceram insights importantes sobre o que considerar na nossa alocação focada em Brasil.
Elaboração: Spiti
2. Uma lupa em Brasil e Estados Unidos
Dentre os países que elegemos, encontramos mercados financeiros em diversos estágios de evolução. Mas, sem dúvida, os Estados Unidos têm o mercado mais desenvolvido, por isso, ele se tornou o nosso espelho quando projetamos o futuro e aonde queremos chegar.
Reproduzimos o estudo da primeira etapa para Brasil e Estados Unidos com alguns tratamentos adicionais. Com os dados disponíveis, só conseguimos retroagir a julho de 1994, marco da implantação do Plano Real. Nosso objetivo era levantar o máximo de informações possível sobre como o mercado brasileiro vem evoluindo e em qual velocidade poderia se aproximar de um mercado eficiente.
3. Projetando o futuro
Nessa fase, compartilhamos e discutimos entre nós estudos e projeções para os ativos elaboradas por bancos e consultorias especializadas, com o objetivo de estimar a evolução dos mercados brasileiro e global, vislumbrando o longo prazo.
Nossa intenção era nos aprofundarmos nos possíveis cenários para o futuro e não limitar nossa análise apenas a reflexões baseadas em dados passados. Sabemos que não é possível “adivinhar” o futuro, mas ter em mente essas projeções nos ajudaria a interpretar melhor os resultados auferidos a partir dos backtests.
4. Testando a alocação no mercado brasileiro
Com a definição das classes de ativos que não podiam faltar na nossa alocação, o passo seguinte foi escolher os índices de mercado para representar cada uma delas.
Na renda fixa, usamos o CDI como representante para o segmento pós-fixado, o IRF-M para o prefixado e o IMA-B para o indexado à inflação. Escolhemos ainda o Ifix para o mercado imobiliário, o Ibovespa para a Bolsa local, o IHFA para os multimercados, o Bitcoin para ativos alternativos e um indicador hipotético para investimentos globais composto por 60% de ACWI MSCI World (ações globais) e 40% de Bloomberg Global-Aggregate Total Return Index Value Unhedged USD (renda fixa soberana e corporativa global).
Com alguns ajustes e composições de séries, conseguimos analisar dados dos últimos 15 anos, o que nos permitiu fazer recortes de curto, médio e longo prazos.
Nossas premissas básicas pressupunham custo zero de transação e rebalanceamento anual da carteira, ainda que o estudo das carteiras que fizemos nos 12 países tenha mostrado que não existe um prazo ideal para fazer ajustes. Nossa orientação, entretanto, é para que os balanceamentos sejam feitos sempre que forem feitos novos aportes para evitar custos de transação oriundos do excesso de movimentação na carteira.
Por fim, criamos um simulador que trazia rapidamente os dados quantitativos das carteiras escolhidas manualmente por nós, tais como rentabilidade, volatilidade, máximo drawdown (MDD, ou perda máxima), índice de Sharpe (que mede a relação entre risco e retorno), matrizes de correlação, entre outros.
Com essa ferramenta fomos capazes de testar centenas de hipóteses de composição de carteira, o que nos serviu como base para a continuidade do estudo.
5. Calibrando a tolerância ao risco
Manter-se firme à estratégia escolhida e controlar a parte emocional é fundamental para o sucesso nos investimentos. Afinal, de que adianta ampliar o potencial de retorno da carteira às custas de noites mal dormidas e cheias de preocupação? Quando isso acontece, a chance de sucumbir no meio do caminho é alta.
Calibrar o risco da carteira é tão importante quanto estimar o seu potencial de retorno. Levando em conta a experiência de cada um dos analistas da Spiti, chegamos a um consenso de que uma carteira com perfil de risco similar à média dos nossos multimercados recomendados atenderia à maior parcela dos nossos assinantes. Isso significa uma volatilidade entre 5% e 7%.
Com esses limites de risco definidos, passamos a perseguir o maior retorno possível do nosso portfólio, em busca da alocação mais eficiente.
6. Lição de casa para os analistas
Já com diversos conceitos assimilados sobre dados passados, perspectivas de futuro, melhores combinações de portfólio, limite de riscos, entre outros, reservamos um tempo para que cada analista pudesse “brincar” individualmente com o simulador e fizesse uma proposta do que seria a melhor alocação, já com os testes em mãos.
Nenhum de nós teve acesso às carteiras escolhidas pelos demais analistas, a fim de evitar que pudéssemos sofrer algum tipo de influência.
Com a lição de casa feita, nos reunimos para confrontar as propostas de alocação e eleger a melhor para a Spiti. Para nossa grata surpresa, as sugestões finais propostas por todos os analistas ficaram muito parecidas, o que tornou o debate mais tranquilo.
Chegamos, assim, à nova alocação estrutural.
7. Novo backtest, agora com a seleção de ativos da Spiti
Com a alocação definida, era hora de confrontar os nossos estudos com a realidade. Partimos para um backtest utilizando ativos reais, escolhidos a dedo por cada um dos analistas para o Spiti One. Afinal, nem todos os índices são ótimas referências para estimar o desempenho dos ativos, assim como não incorporam o nosso trabalho de recomendação de investimentos, cujo objetivo é gerar alfa, superar os benchmarks.
Nesse momento, cada analista chegou a uma seleção de ativos para compor cada fatia da alocação, para sete diferentes tamanhos de carteira, a partir de R$ 5 mil e 10 ativos até valores acima de R$ 1 milhão e 44 ativos.
Para esse estudo, só foi possível retroagir três anos, pois parte dos ativos era muito nova, uma vez que nosso mercado está em constante evolução. As análises foram feitas levando em conta rebalanceamento diário, visto que o histórico era mais curto e gostaríamos de testar a composição de maneira fixa, sem as alterações do dia a dia com as mudanças de preço.
Os resultados mostraram claramente a geração de alfa em todas as carteiras em relação aos seus índices de referência. Além disso, algumas classes que nos backtests com índices tiveram um desempenho pior, como o Ibovespa, mostraram-se recompensadoras na hora que consideramos o “stock picking” e fundamentais para a construção da carteira.
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Período: de 1º/10/2019 até 30/9/2022 (estudo da época pré-lançamento)
Completada essa etapa, nos sentimos seguros e satisfeitos em manter a alocação estrutural que já havia sido definida anteriormente de forma consensual entre os analistas
Considerações finais na definição da nova alocação
A decisão final teve e sempre terá um grande peso qualitativo, pois, na prática, não há como dizer que uma composição de carteira é melhor que outra levando em conta apenas dados quantitativos históricos.
Diversos fatores emocionais e de comportamento podem influenciar essa jornada. Sem contar que estamos tratando de futuro. Mas temos certeza de alcançamos uma alocação eficiente, com base em aspectos quantitativos e qualitativos.
Plano de transição
Essa alocação representa nossas maiores convicções para o longo prazo. Portanto, nossa recomendação é que você adeque sua carteira caso queira continuar alinhado ou alinhada à nossa maneira de pensar.
Agora, sabemos que esse processo de adequação pode gerar algumas dúvidas e inseguranças. Portanto, preparamos algumas dicas de como fazer ajuste na sua carteira.
A melhor maneira de adaptar a alocação é usando dinheiro novo.
Vamos supor que a sua carteira já esteja com um percentual superior a 15% em ações, no limite. Você simplesmente pode parar de aportar em ações e injetar o dinheiro novo nas novas caixinhas de forma que a fatia de Bolsa, ou qualquer outra que esteja maior do que deveria, seja diluída ao longo do tempo.
Vale destacar que, para pessoas que possuem um patrimônio relevante, mas não costumam fazer aportes recorrentes, esse processo pode durar meses (ou até anos). Faça uma simulação estimando o quanto você costuma poupar por mês e quanto tempo demoraria para ajustar o portfólio com novos aportes, ignorando as flutuações de mercado.
Se o resultado apontar para algo até seis meses, siga o plano de aportes para adequar sua carteira de maneira suave. Se sua estimativa apontar para um prazo superior a seis meses, comece a pensar na possibilidade de fazer um regime “meio a meio”, em que você faz um resgate parcial e dilui a diferença com os aportes novos.
Caso não consiga fazer aportes recorrentes (como um aposentado que vive do dinheiro da aposentadoria e dos investimentos), a solução passa por fazer resgates maiores, a fim de transferir parte dos recursos para as fatias menores. Nossa recomendação, entretanto, é que faça o resgate em etapas.
Lembre-se também de que investimentos que estão amargando prejuízo não estarão sujeitos ao pagamento de impostos no caso de um resgate.
A regra do jogo é paciência. Não há necessidade de ter pressa neste período de adequação.
Conclusão
O Spiti One foi um passo importante para o amadurecimento da instituição. Os ideais de defesa dos interesses de nossos clientes por meio de bons investimentos recomendados de maneira independente e sempre com horizonte de longo prazo permanecem os mesmos.
O que muda agora é que existe uma mesma diretriz de alocação que se desdobra para todos as séries da casa.
Unimos esforços, testamos inúmeros cenários a fim de chegarmos a um consenso e acreditamos termos encontrado uma solução que deixou todos os analistas confortáveis, inclusive, para servir de base para investirmos o nosso próprio dinheiro.
Reforçamos que você não precisa fazer movimentos bruscos em sua carteira e destacamos que estaremos ao seu lado ao longo dessa jornada. É importante, também, que você leia os relatórios e que participe das nossas lives semanais.
Este relatório pode e deve ser revisitado sempre que tiver dúvidas sobre como a alocação estrutural foi estabelecida.
Um grande abraço,
Felipe Arrais, Rodrigo Xavier e Vinicius Yoshida