Fonte: Shutterstock
É difícil encontrar quem não conheça a Ferrari, a fabricante de carros italiana que é sonho de entusiastas do automobilismo, por conta da potência, renome, velocidade e estilo de seus carros.
Tanta qualidade tem um preço, e os valores dos carros podem chegar à casa de dezenas de milhões de reais! Até para quem tem condições, comprar uma Ferrari nova é quase um devaneio.
E numa conversa com amigos que adoram o mundo automotivo, a seguinte discussão apareceu:
Qual seria o valor mínimo para se ter um modelo da Ferrari?
De prontidão, todos concordaram que não valeria a pena sequer continuar o debate. Isso porque provavelmente o modelo mais barato que conseguisse comprar será o mais caro que você terá, tendo em vista não somente o valor do automóvel em si, mas também os custos de manutenção, impostos e a idade do carro.
Diferentemente de uma Ferrari, que é preciso desembolsar milhares de reais para ter pelo menos um exemplar da marca, aqui no Renda Total é possível ter uma carteira geradora de renda, mesmo que não tenha muitos recursos, mantendo a qualidade de dividendos, relação risco e retorno e taxa de dividendos.
E, nesta semana, me fiz a mesma pergunta em relação ao Renda Total: qual seria o valor mínimo para que as pessoas possam adquirir todos os ativos, respeitando os percentuais recomendados?
Pois com essa pergunta em mente, fizemos os cálculos e verificamos que, com pouco mais de R$ 7.500, já é possível montar a carteira Renda Total original completa, salvo ativos que possuem o mínimo de investimento elevado, como a LCA do BTG e a debênture participativa da Vale (CVRDA6), ambos de R$ 1 mil. Já para a alternativa, o valor é um pouco superior a R$ 10 mil.
E como fizemos tais cálculos? Qual deve ser a composição exata? É o que abordaremos nos próximos tópicos.
Quanto é necessário para montar a carteira mínima?
Para determinar a carteira mínima e possuir todos os ativos que recomendamos atualmente com a proporção indicada, precisamos identificar inicialmente o ativo mais caro que temos com o menor percentual.
Essa categoria fica empatada entre dois ativos: a LCA do BTG Pactual que paga juros mensais e a debênture participativa da Vale, a CVRDA6, ambos com valor mínimo de R$ 1 mil e percentual recomendado de 2,5%.
A partir disso, para calcular o valor mínimo a fim de termos todos os ativos da carteira na proporção indicada, basta fazer a seguinte conta:
Pronto, agora sabemos que são necessários R$ 40 mil.
No entanto, sabemos que nem todo mundo possui em montante disponível. Assim, se esse for o caso pode ser feita uma pequena alteração para alocar esses 5% relacionados aos dois ativos mais caros, que podem ser distribuídos igualmente entre IFRA11 e KDIF11, fundos de infra recomendados. Eles podem servir como alternativas caso não consiga adicionar os ativos mais custosos na carteira e, ainda assim, ficar dentro do percentual. Outra sugestão é alocar esse dinheiro na reserva de oportunidade em detrimento da taxa de dividendos.
Seguindo a mesma metodologia, ao procurar o ativo mais caro e com o menor percentual, encontramos o FII BTLG11, com valor de compra de R$ 98,67 no dia 24 de novembro e mínimo de 1,25%, e o FII RBRF11, a R$ 69,56 representando 1% da carteira.
Ao aplicar a fórmula, temos:
Um valor bem menor que os R$ 40 mil calculados anteriormente!
Se fizéssemos a mesma conta com o RBRF11, estimaríamos que seria possível montar a carteira mínima com R$ 6.956,00. Porém, após simularmos na planilha de Excel a construção com esse FII, identificamos um erro percentual que consideramos elevado e, por isso, descartamos tal possibilidade.
Depois dessas importantes ponderações, vamos falar do mais importante agora: a construção da carteira em si.
Montando a carteira mínima
Parte majoritária dos nossos ativos podem ser adquiridas no home broker – fizemos um vídeo mostrando o passo a passo sobre como usar a plataforma. Lá, você pode comprar aqueles que são negociados em Bolsa, como ações, FIIs, FI-Infra listados, ETFs (exchange traded funds), BDRs (que foram tema do nosso último relatório), entre outros.
Dito isso, um ponto positivo é que nossa carteira pode ser montada praticamente em qualquer corretora que tenha acesso a home broker e plataforma do Tesouro Direto disponíveis.
Sem mais delongas, vamos aos números que são necessários para montar a carteira mínima original recomendada da série:
Carteira mínima Renda Total original (exceto LCA e CVRDA6)
Fonte: Spiti
Passaremos brevemente pelas colunas da tabela, sendo que a mais importante para entender todo o processo é a Quantidade a ser comprado (B). Nela, você encontra o número que deve ter de cada ativo para montar a carteira mínima original sem deixar de lado os percentuais recomendados.
Ou seja, se você partir do zero, deve adquirir 1 cota do BTLG11, 4 do KNIP11 e assim por diante, até completar todos os ativos. E, caso fizesse todas as compras no dia 24/11/2022 (como indicado no quadro), você desembolsaria R$ 7.791,60, o valor mínimo factível da carteira original, muito próximo do que obtivemos na seção anterior.
Falando das outras partes, na coluna (A), você encontra a cotação e a data nas quais nos baseamos para o cálculo; na coluna (D), o percentual recomendado na carteira original; na coluna (E), o valor representativo de cada ativo; e na (D - E), o valor da diferença entre a recomendada e o percentual da composição mínima.
Vemos que a maior divergência é de 0,76% no FII KNRI11, sendo que 50% das discrepâncias são menores de 0,16% entre os ativos, ou seja, mais da metade deles na carteira têm uma divergência menor que 0,16% entre o que recomendamos e o que obtivemos na prática – margem bem pequena!
Outro ponto importante: quem já possui a carteira Renda Total balanceada e deseja investir novo capital, pode usar a tabela da composição mínima como norte para novos investimentos, uma vez que, ao adquirir os valores recomendados por cada ativo, você aumenta sua posição sem desconfigurar aquela que já se encontrava balanceada.
Agora, se o seu caso for reajustar uma posição inicial da carteira, recomendamos que use nossa planilha de reajustes para ajudar você a balancear posições já existentes e guiar você sobre quais ativos podem receber novos aportes a fim de proporcionar esse equilíbrio
Quanto de dividendo será pago?
A taxa de dividendos não muda em relação ao que abordamos nos relatórios de performance mensal, já que ela é representada por uma porcentagem, ou seja, proporcional ao quanto se investe. O valor nominal, no entanto, pode mudar, pois este é relacionado ao montante alocado na carteira.
Por exemplo, se tiver R$ 100 mil em uma carteira que paga 8% de dividendo, receberá de R$ 8 mil de proventos no ano; se tiver R$ 10 mil, receberá R$ 800.
Em relação à carteira mínima, a taxa de dividendo é a mesma do portfólio original, de 7,30%. Então, investindo os R$ 7.791,60 citados neste relatório, o montante de dividendos pagos nos últimos 12 meses seria de R$ 568,79 no ano.
Vale mencionar que os proventos podem ser utilizados para aumentar a sua carteira, para que gere mais dividendos nos próximos períodos, ou investir em outros ativos fora do que recomendamos. Se for o caso de estar na fase de usufruto, pode ainda ser utilizada como parte de sua renda.
E a carteira alternativa?
Assim como na carteira original, a alternativa tem como ativos mais caros a LCA do BTG Pactual que paga juros mensais e a debênture participativa da Vale (CVRDA6), ambos com valor mínimo de R$ 1 mil e percentual recomendado de 2,5%.
Portanto, para montar a carteira alternativa sem nenhuma modificação em relação ao que recomendamos, o mínimo também é de R$ 40 mil.
Agora, ao fazermos a mesma distribuição dos ativos mais caros entre KDIF11 e IFRA11, conseguimos uma versão otimizada, com um valor ainda menor e que cumpre seu objetivo – veja os números a seguir:
Carteira mínima Renda Total alternativa (exceto LCA e CVRDA6)
Fonte: Spiti
A mesma lógica é válida para a aquisição dos ativos da carteira alternativa – mudam apenas alguns investimentos e o número a ser adquirido em alguns casos. O total alocado aqui, com base na mesma data de 24/11/2022, é de R$ 10.195,70.
Sobre a taxa de dividendos, ela é de 8,03% ao ano nos 12 meses acumulados. Então, tendo como referência os R$ 10.195,70, o valor de proventos pagos foi de aproximadamente R$ 845.
Conclusão
No relatório de hoje, matamos uma dúvida que vários assinantes traziam em nossas lives semanais: qual o valor mínimo para montar a carteira Renda Total, seja a original (R$ 7.842,70), seja a alternativa (R$ 10.195,70). Nos dois casos, as taxas de dividendos também se mantêm.
Vale mencionar que esse cálculo serve também como base para quem quer fazer novos aportes e já possui a carteira balanceada, uma vez que comprar os ativos das composições citadas mantém o percentual em linha com o recomendado por dois motivos:
- Você tem como referência uma carteira balanceada. Portanto, a sua alocação geral já tem um ponto de partida equilibrado;
- Vai adquirir o número de ativos propício, que vai manter sua carteira dentro da margem de oscilação aceita, que é de 0,16% na média por ativo – um valor de desvio pequeno.
Abraços,
Filipe Colus e Gui Cadonhotto