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PENDLE: o pioneiro no mercado de antecipação de recebíveis

Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS

16 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Atualização do cenário macro. A expectativa do início de corte de juros dos Estados Unidos já está praticamente confirmada para a próxima reunião do dia 18 de setembro. Também temos altas probabilidades de um segundo corte para novembro e um terceiro corte em dezembro. Esse é um cenário bastante positivo para o mercado cripto, desde que o corte seja saudável e não tenha como objetivo principal amenizar uma possível recessão.

  • Análise do PENDLE. O projeto está abrindo caminho em um novo setor no mercado cripto, o de restaking, na tokenização de recebíveis futuros e na negociação desses ativos. A renda passiva proveniente dessas operações certamente também vai chamar a atenção do mercado. Além disso, com certeza o PENDLE se favorecerá bastante com o crescimento da Ethereum.

  • Movimentação da carteira. Para colocarmos o PENDLE na carteira, vamos aproveitar o bom momento do mercado para aumentar a posição das altcoins; para isso, vamos precisar diminuir a posição no BTC em 0,5%. Deste modo, a mudança começa a partir da carteira de R$ 50 mil, na qual vamos ter 1,0% de BTC, 1,0% de ETH, 0,5% de LINK e 0,5% de PENDLE. Nas carteiras a partir do patrimônio de R$ 100 mil, agora vamos ter 1,0% de BTC, 0,75% de ETH, 0,5% de LINK, 0,5% de PENDLE e 0,25% de AVAX.

Depois do pânico do mercado financeiro no início do mês, juntamente com o aumento no medo de uma recessão, o otimismo do mercado financeiro global permanece predominante. Conforme uma estimativa recente do Goldman Sachs na semana passada, a chance de uma recessão nos próximos 12 meses é de 20% a 25%. Já o JP Morgan considerava entre 25% e 35% no início do mês, no ápice do pânico.

O raciocínio é claro. Enquanto os juros se mantiveram elevados, de fato aumenta-se o risco da economia, pois juros elevados incentivam as pessoas a investirem seu dinheiro, inclusive de forma conservadora, ao mesmo tempo que desincentivam o consumo. Consequentemente, isso desacelera a indústria, gerando mais desempregos, o que resulta em uma recessão.

Para evitar esse efeito em cadeia, por alguns dias de agosto, até se cogitou um corte de 50 bps (0,50%) na taxa básica de juros dos Estados Unidos, mas agora que o desespero passou, um corte de apenas 25 bps já pode ser considerado um movimento natural, que não levaria tanto em conta o risco de uma recessão. Por isso, tudo indica que o corte de juros dos Estados Unidos começará já na próxima reunião do FOMC, no dia 18 de setembro. 

Esse cenário de corte de juros saudável, juntamente com um sentimento predominantemente otimista para a economia, favorece o mercado cripto, pois os investidores ficam mais confortáveis em investir em mercados mais arriscados para buscar melhores retornos. Todo esse positivismo favorece as altcoins, e podemos estar prestes a começar a tão esperada altseason, também chamada de “temporada das altcoins”.

Cenário macro

O cenário econômico dos Estados Unidos mudou completamente este mês. Em julho, chegamos a ter uma expectativa do primeiro corte de juros dos Estados Unidos somente em dezembro. Agora, depois do pronunciamento do presidente do FED, Jerome Powell, na semana passada, ele deixou claro que o corte de juros, de pelo menos 25 bps (0,25%), deve começar já na próxima reunião do FOMC, no dia 18 de setembro. 

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Fonte: CME

Devido ao medo de uma possível recessão nos Estados Unidos, ainda existe uma pequena probabilidade de até mesmo um corte de 50 bps (0,50%), o que levaria a taxa básica de juros dos Estados Unidos de 525-550 para 475-500. Apesar do corte de juros ser predominantemente positivo para os mercados agressivos, um corte de 50 bps demonstraria que a recessão ainda seria uma forte possibilidade e, consequentemente, poderia ser interpretado como um sinal majoritariamente negativo para o mercado cripto, pois, em um cenário de recessão, os investidores tendem a aportar em investimentos mais conservadores. 

Por isso, se tivermos um corte de apenas 0,25%, conforme as probabilidades da CME, isso indicará que o mercado de trabalho e a indústria dos Estados Unidos seguem saudáveis, não sendo ainda necessário incentivar o consumo, e portanto, a recessão ainda é pouco provável.

Probabilidades de corte de juros nas próximas reuniões

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Fonte: CME

Também é interessante observarmos as reuniões seguintes, nas quais temos praticamente garantido mais um corte de 25 bps em novembro e, surpreendentemente, 64,3% de chance de um terceiro corte, desta vez de 50 bps, para dezembro. Para o ano que vem, a expectativa é de um corte contínuo de 25 bps praticamente até o meio do ano.

O corte nem começou, mas, como sempre, o mercado já está se antecipando ao movimento. Já podemos sentir os primeiros efeitos do mercado financeiro tradicional no mercado cripto por meio dos ETFs de BTC à vista. As gestoras seguem conseguindo capitalizar diariamente, e no dia 23, após o pronunciamento do Powell, os ETFs ganharam bastante força, levando o BTC a se valorizar mais de 6% no dia.

Captação dos ETFs de BTC

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Fonte: Farside

Assim, podemos notar como o mercado cripto está reagindo bem à mudança de cenário recente, porém o otimismo absoluto só deve acontecer com a renovação da máxima histórica do BTC, por volta dos US$ 75 mil, fato que eu acredito que deve acontecer ainda este ano.

Novo ativo recomendado: Pendle (PENDLE)

Conforme comentamos acima, devido ao aumento do otimismo do mercado, vamos aproveitar o momento para diminuir a posição no BTC e nos preparar para a altseason, aumentando a posição das altcoins com um novo ativo recomendado na carteira de valorização.

O Pendle passa a ser o menor ativo da nossa carteira e, por isso, o ativo de maior risco. Por outro lado, ele possui uma forte relação com a oscilação de preços da Ethereum e, por isso, deve se beneficiar bastante do seu ETF de ETH à vista até o ano que vem.

Captação dos ETFs de ETH à vista

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Fonte: Farside

Apesar da saída de capital predominante no saldo final dos ETFs dos últimos dias, esse movimento de venda da Grayscale já era esperado, pois foi exatamente isso que aconteceu nos ETFs de BTC à vista. Inclusive, é possível que essa fuga de capital do ETHE ainda possa durar mais alguns meses. 

Com o BTC lateral há quase meio ano, isso também não está colaborando para a captação dos ETFs de ETH. Esse movimento positivo para o ativo deve começar de forma mais expressiva na superação dos US$ 75 mil do BTC, quando também vamos ter a renovação da sua máxima histórica. Caso você ainda não tenha visto, deixo a sugestão de leitura do relatório do mês passado sobre as projeções da Ethereum, tanto com as expectativas para os ETFs, a estimativa da sua usabilidade e até mesmo referências de preços para o ativo.

Todo esse crescimento da Ethereum, certamente vai impactar positivamente o PENDLE, pois podemos considerar que o PENDLE pertence à classe de Finanças Descentralizadas (DeFi), muito forte no ecossistema da Ethereum, e da subclasse chamada Liquid Staking. Mais especificamente para o PENDLE, seria Liquid Restaking, pois seria o staking do ativo recebido do staking da Ethereum. Sei que ficou confuso, mas eu explico.

Fazendo uma breve recapitulação, o Staking é um modelo de validação de blocos, adotados por projetos como Ethereum, Solana, Cardano, Avalanche, entre outros. Um modelo que não depende da mineração, assim como no BTC. No staking, basta depositar seus ativos em determinada rede, que você já será recompensado por aumentar a segurança do projeto.

Por exemplo, quando você coloca seu ETH em staking na plataforma da Lido, além do rendimento anual por volta de 3%, você também recebe um token como garantia, o stETH, uma espécie de comprovante de depósito, que você deve utilizar para recuperar seus ETH quando quiser desfazer a operação de staking.

O que o PENDLE faz é dar uma usabilidade para este token stETH que você recebeu após realizar o staking. Deste modo, se você colocou 1 ETH em staking na Lido e recebeu 1 stETH como garantia, ainda consegue realocar este 1 stETH no Pendle para otimizar seu rendimento, provendo liquidez (Liquid Provider - LP) e aumentando seu rendimento de renda passiva. Perceba que, deste modo, seu 1ETH inicial está agora rendendo em dois lugares simultaneamente.

Além disso, o modelo de LP do Pendle foi otimizado em relação aos outros projetos, gerando um melhor desempenho no lucro e menores prejuízos nas perdas impermanentes. Mas não vamos nos aprofundar nesses detalhes mais técnicos, o que nos importa aqui é a evolução dos modelos atuais.

Se você quiser, também pode trocar seu stETH por outros ativos e, com isso, negociar esses tokens de rendimentos futuros para buscar um rendimento extra. Mas essa operação mais complexa vamos ver mais adiante neste relatório.

Fundadores

O projeto conquistou sua primeira rodada de investimentos em abril de 2021, com um seed round de US$ 3,7 milhões, do qual participaram diversas empresas reconhecidas no mercado, como a Hashkey Capital, Mechanism Capital, CMS Holdings, Crypto.com e outras 10 empresas.

O projeto foi fundado por TN Lee (CEO) e Vu Nguyen (CTO). Sua sede fica em Singapura, e o time é composto por 22 funcionários, sendo predominantemente do sudeste asiático, além de Singapura, Vietnã e Malásia.

Investidores

Depois do Seed round inicial de US$ 3,7 milhões, no final do mesmo mês, o projeto realizou uma Oferta Inicial de DEX (IDO) pela plataforma de Balancer, para o lançamento do token PENDLE,; neste momento, eles conseguiram capitalizar mais US$ 11,83 milhões.

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Em 2023, também conseguiram parceiros estratégicos de renome no mercado cripto, como o lançamento do token na Binance e a expansão dos serviços para a Arbitrum, bem como investidores de peso, que não tiveram seus valores divulgados.

É muito interessante que, mesmo em um período relativamente desaquecido do mercado cripto de 2023, o projeto conseguiu chamar a atenção dos investidores. Mas precisamos acompanhar se o projeto vai conseguir, durante a atual temporada de alta, acelerar o ritmo de conquistar novos investidores.

Distribuição dos tokens

O Pendle está classificado hoje como o 110º maior criptoativo do mundo. Levando em consideração os demais ativos alternativos recomendados aqui na Finclass, certamente é um ativo relativamente pequeno. Só para termos uma referência, a LINK é cerca de 15x maior.

Atualmente, são 157,9 milhões de moedas em circulação, que somam uma capitalização de US$ 538 milhões e estão distribuídas da seguinte forma:

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Fonte: Pendle

É interessante destacarmos que já temos grande parte dos tokens iniciais do projeto, colocados em circulação, o que diminui a inflação do ativo, sem diluir a participação dos investidores. 

A partir de agora, já é possível considerar que as próximas moedas que serão produzidas e distribuídas servirão somente para o pagamento do time de desenvolvedores e dos incentivos de uso da rede.

Agenda de desbloqueio de tokens

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Fonte: Coinmarketcap

Outra estratégia interessante é que a inflação do token vai diminuir 1,1% semanalmente até abril de 2026. A partir deste momento, a inflação doa PENDLE será contínua de apenas 2% ao ano, o que podemos considerar aceitável.

Por outro lado, precisamos destacar que não existe um número máximo de moedas, o que pode não ser saudável para o longo prazo. Mas ainda é muito cedo para nos preocuparmos com isso, pois assim como na Ethereum, podemos ter alguma atualização no projeto que implemente o chamado burn do ativo.

Análise On-chain

Fazendo uma breve recapitulação, os dados on-chain são coletados diretamente do blockchain e fazem parte da análise fundamentalista adaptada para os criptoativos.

  • Total Value Locked (TVL)

Começando pelo principal dado do projeto, o TVL leva em consideração o número de ETH depositados no PENDLE e a cotação do ETH. A combinação desses dois dados é indicada pela linha azul no gráfico abaixo.

Número de ETH depositados no Pendle (azul)

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Fonte: defillama

Mesmo com a queda do mercado no início de agosto, o projeto não sofreu um saque significativo dos ativos depositados; pelo contrário, para manter seu TVL, foi necessário um aumento no número de ETH depositados no projeto. Portanto, temos uma sustentabilidade do TVL bem interessante.

A expectativa é que, com o aumento do TVL, tenhamos um aumento na credibilidade do projeto, maior capitalização e, claro, uma valorização do PENDLE. Foi nítida a queda no seu TVL em julho, quando o mercado cripto desacelerou e, por isso, o projeto precisou retomar a tração que tivemos no começo do ano com o início da temporada de alta do mercado em 2023.

  • Número de endereços em hold
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Fonte: Coinmarketcap

Por ser um projeto ainda pequeno, as carteiras que detêm PENDLE continuam com valores baixos do ativo, com cerca de 75% dos investidores possuindo menos de US$ 1 mil. Também vale observar que, mesmo durante os últimos seis meses, nos quais o BTC ficou de lado, enquanto o PENDLE se desvalorizou, o número de carteiras continuou aumentando em um ritmo constante.

  • Tokenomics e governança

Agora, finalmente, vamos entrar em alguns conceitos mais técnicos do projeto. Já adianto para você não se assustar, que esse é um projeto extremamente complexo, de difícil entendimento, e isso certamente afasta alguns investidores. Mas não se preocupe; você não precisa entender cada detalhe de como ele funciona, da mesma forma que não entendemos como funciona um computador ou um simples chip do cartão de crédito; nós apenas o utilizamos.

O Pendle possui basicamente três pilares:

1- Standardized Yield Stripping

É a capacidade de tokenizar um rendimento futuro em um ativo chamado Standardized Yield (SY). Seguindo no exemplo anterior, o stETH recebido ao se realizar o staking de ETH na Lido é transformado em SY-stETH. A partir dele, é possível gerar outros dois tokens: o Principal (PT), que representa o valor efetivamente investido, e o Yield Token (YT),/* que representa o rendimento gerado pelo ativo. Com essa separação, ambos poderão ser negociados separadamente nas "pools" de liquidez.

Por essa separação, no token PT, o seu valor varia somente com a oscilação do ativo, que é a dinâmica padrão do mercado. Enquanto no YT você ganha somente no recebimento do rendimento, como, por exemplo, o rendimento proporcionado pela Lido.

Como, no YT, esses rendimentos variam com o tempo, o token também pode se valorizar ou desvalorizar e, por isso, também temos oportunidades de ganhos, porém, isso também implica um aumento no risco.

Ao separar os tokens PT e YT, os investidores conseguem um melhor gerenciamento do risco e podem utilizá-los em estratégias diferentes, como hedge ou simplesmente especulação.

2- Pendle Automated Merket Maker (AMM)

Essa estrutura foi criada para que os usuários consigam negociar os três tokens SY, PT e YT; ou seja, se você quer manter apenas o seu ativo, pode vender separadamente o seu token de rendimento futuro (YT) e antecipar esse recebimento.

Para realizar esse processo, foi criada uma “pool” de liquidez concentrada do par PT/SY. Já a troca do token YT é por meio de flash swaps, que utiliza a oscilação do par PT/SY para manter a paridade dos ativos. Deste modo, a negociação desses ativos fica extremamente eficiente.

Com isso, os investidores se beneficiam de uma perda impermanente mínima, que conforme os testes do projeto, chega a no máximo 0,85%, pois o AMM consegue balancear muito bem a volatilidade dos ativos por concentrar a liquidez nos ranges de alto volume, absorvendo movimentos bruscos. Ele também otimiza os lucros dos investidores, que recebem as taxas de negociação dos swaps, ao mesmo tempo em que conseguem prover liquidez para as "pools".

3- vePENDLE: governança

O token PENDLE é o instrumento utilizado para a governança do protocolo. Para participar das votações, é necessário depositar o PENDLE para adquirir o vePENDLE (vote-escrowed PENDLE). Essa troca torna o ativo ilíquido por dois anos, período no qual o poder de voto diminui com o passar do tempo. Esse modelo faz com que os investidores mais interessados em manter seu poder de voto renovem suas posições frequentemente, gerando assim uma demanda contínua pelo ativo, que tira moedas de circulação e isso tende a aumentar a escassez do ativo.

Os holders podem, inclusive, votar para direcionar o fluxo de incentivos para as "pools" de sua preferência. Se a “pool” for vencedora, os holders votantes nela podem receber até 80% das taxas geradas por aquela “pool”, e ainda recebem um rendimento extra de até 250% ao prover liquidez para a plataforma.

O interesse no poder de voto gerou uma disputa acirrada pela governança inicialmente. Os dois players mais relevantes do ecossistema, parceiros do Pendle, o projeto Penpie e Equilibria, até setembro de 2023, possuíam cerca de 25% do poder de voto cada um.

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Fonte: Dune

Desde então, o Equilibria simplesmente se estabilizou, enquanto o Penpie seguiu crescendo por mais alguns meses. Atualmente, ambos projetos estão conseguindo manter seus ativos mesmo em um período desafiador do mercado, o que é um ponto positivo.

Por um lado, podemos ver que devido ao grande poder de voto desses dois participantes, as decisões ficam um pouco centralizadas. Por outro, os rendimentos das "pools" também podem ficar mais concentrados, e isso, consequentemente, deve atrair mais investidores para a plataforma. Pelo menos neste momento inicial do projeto, pode ser uma boa estratégia, pois dificilmente projetos pequenos conseguem ser amplamente descentralizados desde o seu início. Então, apesar da centralização do poder, esse ponto negativo já está sendo considerado e equilibrado.

Outra vantagem para os investidores é que esse interesse deles pelo ativo faz com que eles tirem ativos de circulação, pois as moedas ficam presas no protocolo por dois anos, o que aumenta a escassez do PENDLE, característica essa que tende a valorizá-lo.

Dados off-chain

Os dados de fora da blockchain (off-chain) são dados diversos, como pesquisas no Google, seguidores nas redes sociais, entre outros. Para o PENDLE, separei os dois que achei mais relevantes.

  • Atividade dos desenvolvedores

Por ser um projeto ainda pequeno, com um time enxuto, precisamos acompanhar de perto a frequência de atualização dos desenvolvedores, pois qualquer indício de inatividade já seria um sinal de alerta.

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Fonte: Santiment

Recentemente, tivemos um movimento positivo nesse dado. Estamos consolidando um pico de atualizações no projeto, o que pode resultar em novidades em breve, bem como um aumento no time.

  • Auditoria

Todo projeto de DeFi precisa de empresas de auditoria para validar processos, verificar códigos e aumentar a segurança das operações.

Auditores do Pendle

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Fonte: Pendle

O PENDLE possui seis auditores contratados para o processo de validação, todos com grande experiência no mercado cripto. Por se tratar de um projeto relativamente novo e pequeno, essa é uma etapa importante para termos alguma segurança no investimento.

O futuro do ativo

O Pendle ainda é um projeto muito novo, pioneiro no seu mercado e certamente ainda tem muito o que evoluir. Seu foco principal precisa ser o aumento do Total Value Locked (TVL) na plataforma, característica essa que reflete diretamente no aumento da sua capitalização e, consequentemente, na apreciação do ativo. Para isso, o projeto vai focar em duas características.

  • Expansão para outras blockchains e parcerias

Atualmente, o projeto é compatível com a rede da Ethereum e as suas segundas camadas Arbitrum, Mantle e Optimism. Também já é compatível com a Binance Smart Chain.

Quanto mais redes forem compatíveis com o Pendle, maior será seu poder de atrair usuários, aumentar a liquidez das operações e crescer seu TVL. Atualmente, cerca de 0,5% do total de stETH está no Pendle e, mesmo assim, o stETH representa cerca de 50% do TVL do projeto. Por isso, só a rede da Ethereum já possui um poder enorme de impactar o Pendle; agora imagine se o modelo for aplicado para as diversas redes.

Aqui, também podemos acrescentar parcerias como prestação de serviço para outras empresas do mercado cripto, por exemplo, para as exchanges como a Binance e Coinbase, que já oferecem serviços de “earn” semelhantes.

  • Simplificar sua usabilidade

A complexidade e usabilidade certamente são um dos pontos negativos do projeto. Ela disponibiliza diferentes meios de se investir, o que confunde os investidores iniciantes,; os derivativos elevam a complexidade das operações e a plataforma em si ainda não é muito intuitiva. Tudo isso gera uma dificuldade no seu entendimento e uma barreira para novos investidores e usuários.

O modelo Pendle Earn veio justamente para facilitar o processo, trazendo a ideia de taxas fixas (fixed rate deposits). O desafio de usabilidade já está no radar do time e esperamos que essa simplificação seja um processo contínuo.

A recomendação

Por ser um projeto relativamente pequeno (110º de capitalização), em fase inicial, que ainda não foi amplamente compreendido pelo mercado e que, certamente, vai se beneficiar do bom desempenho do ETH, o PENDLE ainda tem muito potencial de crescimento.

A facilidade de mensurar seu crescimento pelo TVL ajuda na precificação do ativo, e a narrativa de renda passiva otimizada também tende a atrair muitos investidores. Com sua ampliação para outras redes, a sua capacidade de captar dinheiro do mercado é muito grande e, certamente, será um dos principais casos de liquid restaking. 

Para acrescentarmos o PENDLE em nossas carteiras, vamos fazer a alteração nas carteiras a partir da faixa de patrimônio de R$ 50 mil. Nelas, vamos diminuir 0,5% do BTC para alocar no PENDLE, conforme as tabelas abaixo.

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O ativo pode ser encontrado nas três principais exchanges recomendadas: Binance, Mercado Bitcoin e Novadax. Até é possível negociar o ativo na Bitybank, mas não é possível realizar seu saque. O PENDLE pode ser armazenado praticamente qualquer carteira de criptoativos, pois é um token da rede da Ethereum, que pode ser enviado para o mesmo endereço da Ethereum. A diferenciação do ativo é feita automaticamente pela carteira no momento do recebimento.

Vale lembrar que não precisa ter pressa em realizar essa transição; você pode realizá-la gradativamente ou realizar novos aportes somente no PENDLE, já que eu espero que o mercado cripto ainda deva seguir lateral por mais algum tempo.

Entusiasta Cripto

Com essa nova recomendação, hoje vamos acrescentar um novo ativo na lista de aprovados, mais especificamente na classe de Finanças Descentralizadas e na subclasse de Liquid Staking. Por ser o menor projeto de DeFi, já vou aproveitar este espaço para comentar sobre os riscos do ativo.

O primeiro ponto é que, quanto menor o projeto, maior é o risco de falhar, justamente porque não passou no teste do tempo. Qualquer valor que saia do seu TVL já pode ser bem impactante, e ainda podemos considerar um risco de execução elevado, com um time enxuto de desenvolvedores, o que também faz com que o projeto cresça de forma mais lenta, co, atualizações mais demoradas e novas funcionalidades menos frequentes.

Todo projeto novo também sofre uma grande dificuldade de ser reconhecido, a dúvida se dará certo e a complexidade no seu entendimento, que é um ponto delicado no Pendle. Porém, esse já é um mercado amplamente utilizado no mercado financeiro tradicional e, por isso, já podemos considerar um setor validado.

Um ponto muito importante para o projeto é consolidar parcerias para propagar seu serviço e facilitar seu acesso às suas aplicações. Mas, por ser um projeto pioneiro na sua aplicação, acredito que não terá grandes dificuldades neste ponto.

Ativos aprovados

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Fonte: Finclass 25 de agosto

Conclusão

Essa mudança significativa na carteira visa aumentar o risco da fatia de alternativos, tanto para aproveitar o momento estratégico do mercado diminuindo a participação do BTC, como também colocando um ativo relativamente pequeno em relação aos demais. Esse movimento é para nos preparar melhor para a chamada altseason, também conhecida como temporada das altcoins, que deve se iniciar com a renovação da máxima histórica do BTC, na casa dos US$ 75 mil.

Vale lembrar que uma possível recessão dos Estados Unidos pode adiar a retomada da temporada de alta do mercado cripto e a altseason, mas, conforme as grandes instituições financeiras dos Estados Unidos, ainda temos uma chance relativamente pequena de isso acontecer.

Enquanto isso, o PENDLE é um projeto que também vai se beneficiar do crescimento Ethereum e do seu recente ETF à vista. Devido à capitalização relativamente pequena do PENDLE, sendo apenas o 110º maior criptoativo, ele tem um grande potencial de valorização.

Apesar de ser um projeto mais complexo, de difícil entendimento, o que afasta alguns investidores, ele é pioneiro no seu setor de atuação e, por isso, também ganha bastante vantagem competitiva, mesmo que surjam outros projetos concorrentes. Por todas essas dificuldades, podemos considerar que ele ainda não precificou seu crescimento recente do último ano e isso pode acontecer em breve.

Outro fator que pode acelerar sua adoção é o atrativo de rendimentos extras tanto para o ETH quanto para o PENDLE. Essa renda passiva tende a atrair muitos usuários para as plataformas e só deve aumentar com o crescimento do mercado de DeFi, das "pools" de liquidez, staking e até mesmo RWAs.

Por isso, com o PENDLE, temos certa segurança devido à alta dependência da Ethereum e um forte potencial de retorno, por ser um ativo novo, pequeno e com uma narrativa pioneira.

Forte abraço,

Thales

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.