Relatórios

Performance das ações da carteira Renda Total + Análise dos resultados do 4T22 de Vivo Telefônica (VIVT3), B3 (B3SA3), Banco do Brasil (BBAS3) e Minerva (BEEF3)

Escrito por Felipe Arrais, Fillipe Colus, Guilherme Cadonhotto em RENDA TOTAL

16 min de leitura

No dia 14 de março, é celebrado o aniversário de nascimento de Albert Einstein, um dos maiores cientistas de todos os tempos.

Einstein foi conhecido por sua genialidade e inovação, que mudou a forma como entendemos o universo. No entanto, para fazer isso, ele se baseou nos maiores estudiosos do assunto e de seu campo de estudo na época, como Isaac Newton e James Clerk Maxwell, entre outros, para formular suas teorias revolucionárias sobre a natureza do espaço, do tempo e da gravidade.

Da mesma forma, no mundo dos investimentos, existem teorias fundamentadas, como a CML, Teoria de Markowitz e do Portfólio Moderno, utilizadas por grandes investidores da Bolsa, como Warren Buffett. Elas mudaram a forma como entendemos os investimentos, possibilitando uma abordagem mais estratégica e inovadora para maximizar o retorno e minimizar o risco.

Conforme demonstraremos hoje, é possível manter uma parcela significativa de ações com volatilidade relevante sem comprometer a volatilidade anualizada da carteira, que é de 7,15% a.a.

Neste relatório, discutiremos a estratégia que adotamos para selecionar as empresas que compõem nossa carteira, bem como a relação entre risco e retorno de cada uma delas. Também compartilharemos informações sobre nossa exposição a diferentes setores de nossas ações, incluindo o setor de mineração, agropecuário, transmissão de energia e mercado financeiro e bancário.

Por fim, traremos uma análise aprofundada de algumas empresas que compõem nossa carteira, incluindo seus desempenhos recentes e projeções futuras: Vivo Telefônica (VIVT3), B3 (B3SA3), Banco do Brasil (BBAS3) e Minerva (BEEF3).

Estamos sempre buscando maximizar o retorno e minimizar o risco para nossos investidores, e acreditamos que esta abordagem estratégica tem sido eficaz até agora.

Comentários sobre nossas recomendadas

Em relação ao retorno comparado com o Ibovespa, podemos observar que o desempenho das nossas ações tem sido positivo nos últimos meses. Enquanto o principal índice da Bolsa apresentou um retorno de -4,25% no ano, nossas ações estão em campo positivo, avançando 0,39%.

Desde o início, as ações da carteira Renda Total apresentaram um retorno de 41,92% e o Ibovespa, 4,01%. Isso indica que a estratégia adotada tem conseguido superar o desempenho do índice de referência em longo prazo.

No entanto, é importante ressaltar que a comparação com o Ibovespa deve ser feita com cautela, já que a nossa carteira é composta por ações selecionadas de forma estratégica e com uma estratégia de gestão de risco específica, enquanto o índice leva em consideração todas as ações que entram nos seus requisitos.

Sobre a relação entre risco e retorno das nossas selecionadas, é importante destacar que a carteira de ações do Renda Total apresenta uma volatilidade moderada para alta, na cifra de 18,03% a.a. Porém, como vamos mostrar, esse valor é compensado pelas outras categorias de investimentos.

Isso significa que, além de entregar resultados acima do Ibovespa, a carteira de ações apresenta um nível de risco mais baixo do que a referência, que apresentou volatilidade de 21,06% a.a. para o mesmo período.

Essa relação entre volatilidade e retorno é um fator importante na construção de uma carteira de investimentos equilibrada, pois permite a quem investir obter uma rentabilidade satisfatória com um nível de risco aceitável.

Vale destacar que o segmento de ações representa 30% da carteira completa. Isso indica que a exposição a esse mercado é calculada de forma estratégica e balanceada, buscando maximizar o retorno e minimizar o risco e conseguimos verificar isso através dos dados de volatilidade.

Podemos observar que a carteira completa do Renda Total tem uma volatilidade anualizada de 7,15%. Mesmo representando 30% da carteira, essa oscilação advinda da exposição da escolha de ações é contrabalanceada pelas nossas outras seleções de ativos.

Os setores da carteira

Vamos falar agora um pouco sobre a nossa exposição aos setores que foram escolhidos por sua característica de serem bons pagadores de dividendos.

O primeiro é o de mineração, que representa 16,6% da carteira de ações, conhecido por ter uma forte geração de caixa e por distribuir bons dividendos aos acionistas. Já o agropecuário, com participação de 8,33%, apresenta empresas com uma forte posição de mercado e um histórico consistente de geração de lucros e distribuição de dividendos.

O setor de transmissão de energia, também com 16,6%, possui empresas com fluxos de caixa estáveis e previsíveis, o que permite uma distribuição consistente de dividendos.

Por fim, o segmento financeiro e bancário, representando 40% da carteira de ações, é aquele que historicamente apresenta altos níveis de rentabilidade e distribuição de dividendos, além de ser um setor com forte presença no mercado brasileiro. Falando especificamente sobre ele, um dos bancos que apresentou resultados positivos no quarto trimestre de 2022 (4T22) foi o Banco do Brasil.

Já a Vivo, empresa de telefonia móvel, divulgou seus resultados no mesmo período, apresentando crescimento em receitas e Ebitda recorrente, mas com uma redução significativa no lucro líquido em relação ao 4T21.

Dito isso, vamos então detalhar os resultados divulgados do 4T22 até o momento das ações recomendadas, com o auxílio da equipe de Bolsa, liderada pelo Leandro Siqueira.

Vivo (VIVT3): avançando onde importa

Fonte: Shutterstock

No dia 15 de fevereiro, a Vivo divulgou seu resultado referente ao quarto trimestre de 2022.

DESTAQUES: (i) receita operacional líquida de R$ 12,6 bilhões no 4T22, aumento de 10,1% versus o 4T21; (ii) receita líquida com telefonia móvel atingiu R$ 8,9 bilhões, crescimento de 13,4% na comparação anual; (iii) Ebitda recorrente atingiu R$ 5,2 bilhões, crescimento de 6,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior; e (iv) lucro líquido totalizou R$ 1,1 bilhão, redução de 57,2% versus o 4T21, explicado principalmente pelo reconhecimento no 4T21 de crédito fiscal no valor de R$ 1,4 bilhão.

Fonte: RI Vivo

RECEITA: a Vivo reportou receita operacional líquida de R$ 12,6 bilhões no 4T22, aumento de 10,1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. No ano como um todo, a receita operacional líquida totalizou R$ 48 bilhões, crescimento de 9,1% em comparação a 2021.

A receita líquida com telefonia móvel atingiu R$ 33 bilhões, crescimento de 12,6% na comparação anual e de R$ 8,9 bilhões no 4T22 (+13,4% versus 4T21).

As receitas de pós-pago (80% da receita de serviço móvel) e de pré-pago cresceram 11,4% e 15,1% no ano, respectivamente, impulsionadas: (i) pelo aumento da base de clientes, com saldo positivo de portabilidade de outras operadoras; (ii) pelos reajustes anuais de preços; e (iii) churn (porcentagem de clientes que cancelam o plano) em níveis mínimos históricos.

A receita com a venda de aparelhos atingiu R$ 3,1 bilhões no ano, crescimento de 17,5%, impulsionada pela venda de smartphones compatíveis com 5G (que já representam mais de 50% do faturamento total) e acessórios oferecidos pela Vivo.

A receita com telefonia fixa totalizou R$ 14,9 bilhões, aumento de 2,1% na comparação anual. Destaque para a receita com fibra (FTTH), que alcançou R$ 5,3 bilhões, superior em 22% à receita de 2021. Nos últimos 12 meses, a rede de fibra da Vivo adicionou 3,7 milhões de casas passadas, conectou 874 mil novos clientes e chegou a 82 novas cidades, cobrindo 409 municípios até agora. Ao final de 2022, a companhia alcançou 23,3 milhões de casas passadas e atingiu a marca de 5,5 milhões de clientes.

Fonte: RI Vivo

O segmento de dados corporativos, TIC e outros também apresentou grande crescimento, com receita de R$ 3,7 bilhões (+16,1% versus 2021), por conta do portfólio de produtos da companhia, que conta com soluções de cloud, TI, cibersegurança e equipamentos que auxiliam empresas a digitalizar suas operações. 

As receitas de telefonia fixa não core (voz fixa, xDSL e DTH) somaram R$ 992 milhões, redução de 17,1% na comparação anual.

EBITDA: o Ebitda recorrente atingiu R$ 19,3 bilhões, crescimento de 7% na comparação com 2021. A margem Ebitda ficou em 40,1% (-0,8 p.p. versus 2021), impactada pelo aumento de custos com pessoal (R$ 4,8 bilhões) em 18,9%, devido a reajuste anual de salários, despesas com remuneração variável, maior atividade comercial no B2B e aquisição da Vita IT. Os custos comerciais e de infraestrutura, com maior representatividade na operação como um todo, somaram R$ 12,7 bilhões (+3,9% versus 2021), por conta das maiores despesas com publicidade e tecnologia.

RESULTADO LÍQUIDO: o lucro líquido totalizou R$ 4 bilhões, queda de 34,5% contra 2021, explicada principalmente pelo reconhecimento no 4T21 de crédito fiscal no valor de R$ 1,4 bilhão. Esse valor era referente à decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a inconstitucionalidade da incidência do IRPJ e da CSLL sobre as correções à taxa Selic recebidas em razão de devolução de impostos recolhidos indevidamente. Houve também aumento das despesas financeiras, com o resultado financeiro atingindo R$ -1,7 bilhão (+56,8% versus 2021), consequência do maior endividamento médio e do aumento das taxas de juros no período.

NOSSA VISÃO: a Vivo entregou mais um resultado resiliente, com as receitas de fibra e telefonia móvel continuando a ganhar representatividade no seu resultado. Além disso, a empresa vem evoluindo nos seus negócios digitais, tanto no B2C, com o Vivo Money e a oferta de serviços financeiros aos clientes pós-pago, quanto no B2B, com uma ampla oferta de serviços de cloud, cibersegurança, IoT e Big Data, que tendem a continuar crescendo fortemente com o avanço do 5G. 

Com um histórico consistente de pagamento de dividendos, a possibilidade de redução de capital social em R$ 5 bilhões, que aguarda aprovação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e que será restituída aos acionistas, além do novo programa de recompra de ações de R$ 500 milhões, vemos com bons olhos as perspectivas futuras de retorno aos acionistas. 

Dessa forma, reiteramos nossa recomendação de compra para VIVT3.

B3 (B3SA3): juros altos, o "estraga-prazeres"

Fonte: Shutterstock

No dia 15 de fevereiro, a B3 divulgou seu resultado referente ao quarto trimestre de 2022.

DESTAQUES: (i) no 4T22, o lucro líquido recorrente da B3 foi de apenas R$ 1,23 bilhão, ficando 6% abaixo das expectativas do mercado; (ii) embora o resultado tenha sido ruim, a B3 apresentou receita líquida de R$ 2,31 bilhões, crescimento de 5,9% em relação ao 4T21; (iii) o resultado financeiro no 4T22 foi fortemente impactado pela alta de juros e ficou em R$ 48,6 milhões, queda de 43,9% em relação ao mesmo período do ano passado; e (iv) a margem Ebitda no 4T22 foi de 70,5%, queda de 5 pontos percentuais em relação ao 4T21.

RESULTADO: no 4T22, a B3 (B3SA3) apresentou lucro líquido recorrente de R$ 1,23 bilhões, queda de 6,3% em relação ao 4T21 e de 0,2% em relação ao 3T22. No acumulado do ano, o lucro líquido da B3 foi de R$ 4,23 bilhões, queda de 10,4% em relação ao lucro líquido em 2021.

A projeção do mercado era de lucro líquido próximo a R$ 1,3 bilhão, ou seja, o resultado ficou cerca de 6% abaixo das expectativas.

RECEITA: a B3 apresentou receita líquida de R$ 2,31 bilhões no quarto trimestre de 2022. Essa receita representa um crescimento de 5,9% em relação ao mesmo período de 2021 e um aumento de 2,2% em relação ao terceiro trimestre de 2022.

Os grandes responsáveis pelo crescimento da receita foram o mercado de balcão, que cresceu 15,8% em relação ao 4T21, e a receita com tecnologia, dados e serviços, que aumentou em 26%.

Já a receita com o segmento listado da Bolsa, que representa a maior parte da receita da B3, cerca de 64%, apresentou queda de 0,2% em relação ao 4T21, e crescimento de 1,2% em relação ao 3T22.

Fonte: RI B3

RESULTADO FINANCEIRO: o desempenho financeiro pífio no 4T22 é o grande responsável pelo desempenho abaixo do esperado nos resultados da B3. 

No 4T22, a B3 teve resultado financeiro de apenas R$ 48,6 milhões, uma queda de incríveis 43,9% em relação ao 4T22. 

Essa queda no resultado financeiro aconteceu por causa do aumento da despesa financeira, que foi de R$ 396,7 milhões no trimestre, 30% maior na comparação ano a ano. No acumulado de 2022, as despesas financeiras foram de R$ 1,6 bilhão, frente a R$ 685 milhões em 2021, ou seja, crescimento de 133%.

A B3 atribui esse crescimento nas despesas financeiras, principalmente, ao aumento da taxa de juros. 

Fonte: RI B3

EBITDA: o Ebitda recorrente totalizou R$ 1,63 bilhão no 4T22, quedas de 1,7% em relação ao 4T21 e de 4,8% em relação ao 3T22. Já a margem Ebitda recorrente no 4T22 foi de 70,5%, frente a uma margem de 75,9% no 4T21 e 74% no 3T22.

Embora essa queda nunca seja algo positivo, as margens continuam semelhantes ao nível pré-pandemia, o que mostra a resiliência do negócio mesmo com um cenário macroeconômico desafiador.

Fonte: RI B3

NOSSA VISÃO: a alta taxa de juros impactou o resultado da B3 de diversas formas, principalmente no aumento das despesas financeiras. 

Porém, mesmo com esse enorme empecilho, a empresa deu sinais de fortalecimento do desempenho operacional. Além do crescimento da receita já comentada, o volume financeiro médio de ações negociadas aumentou 2,4% em relação ao 4T21 e 23,4% em relação ao 3T22.

Além disso, a B3 vem dando sinais de que pretende diversificar suas fontes de receita. Em fevereiro, a empresa concluiu a compra da Datastock, uma empresa de tecnologia especializada em gestão de estoque de lojas de veículos. No futuro breve, após o cumprimento de algumas condições, a B3 deve anunciar a aquisição da Neurotech, outra empresa de tecnologia.

Adicionalmente, nos últimos meses, a B3 anunciou o início das negociações do Tesouro RendA+, um novo produto do Tesouro Direto voltado para o investidor pessoa física, e a disponibilização para listagens de ETFs que distribuem proventos aos cotistas.

O fato é que, no momento em que o cenário macroeconômico melhorar e a taxa de juros cair, acreditamos que a B3 será positivamente impactada, tanto pelo desempenho operacional quanto pela melhora no resultado financeiro. Diante desse cenário, reiteramos nossa recomendação de compra para B3SA3.

Banco do Brasil (BBAS3): habemus um vencedor

No dia 14 de fevereiro, o Banco do Brasil divulgou seu resultado referente ao quarto trimestre de 2022.

DESTAQUES: (i) o 4T22 foi marcado pelo aumento no lucro líquido ajustado de mais de 8% em relação ao trimestre anterior; (ii) a carteira de créditos do Banco do Brasil ultrapassou R$ 1 trilhão; (iii) mesmo aumentando a carteira, o BB manteve a qualidade do crédito e conseguiu crescer a margem financeira bruta para R$ 21,5 bilhões no 4T22; e (iv) o guidance de 2023 mostra que o banco acredita conseguir manter o crescimento, uma ótima notícia para seus acionistas.

O EFEITO AMERICANAS: o resultado do Banco do Brasil (BBAS3) foi impactado pelo desastre financeiro da Americanas, ainda que em uma escala menor em comparação a outros bancos.

Para conter possíveis danos na carteira de crédito, o Banco do Brasil provisionou R$ 788 milhões, equivalente a 50% do total dos créditos concedidos a Americanas. 

Com esse provisionamento, o BB apresentou lucro líquido de R$ 9 bilhões no 4T22 e de R$ 31,8 bilhões no ano de 2022. Desconsiderando o efeito Americanas, o lucro líquido do trimestre analisado teria sido de R$ 9,4 bilhões e, no ano de 2022, de R$ 32,2 bilhões.

O resultado do Banco do Brasil foi consideravelmente superior ao dos demais bancos em 2022.

RESULTADO: o lucro líquido ajustado de R$ 9 bilhões no 4T22 representa um aumento de 8,1% em relação ao 3T22 e um crescimento de 52,4% em relação ao 4T21.

No acumulado de 2022, o lucro líquido ajustado de R$ 31,8 bilhões corresponde a um aumento de 51,3% em relação ao de 2021.

O retorno sobre o patrimônio líquido (RSPL) também mostrou um aumento expressivo. O RSPL do 4T22 foi de 23%, frente a um RSPL de 21,8% no 3T22 e um de 16,6% no 4T21.

No acumulado de 2022, o RSPL resultante foi de 21,1%, enquanto em 2021 esse índice foi de apenas 15,8%.

CARTEIRA DE CRÉDITO: a carteira de crédito do BB fechou o ano de 2022 com um perfil bastante parecido ao de outros trimestres. 

Cerca de 36% da carteira (R$ 358,5 bilhões) são destinados ao crédito à pessoa jurídica. Já 29% da carteira (R$ 289,6 bilhões) vão para crédito à pessoa física, e os 31% restantes (R$ 309,7 bilhões), destinados ao crédito ao agronegócio.

No último trimestre, a carteira de crédito ultrapassou o total de R$ 1 trilhão, representando um crescimento de 3,7% em relação ao trimestre anterior e 14,8% em relação ao fechamento de 2021.

Fonte: Banco do Brasil

O grande destaque é o fato de o BB ter conseguido aumentar a carteira de crédito sem comprometer a qualidade dele. 

Em dezembro, o índice de inadimplência acima de 90 dias foi de 2,51%, inferior aos 3% apresentados pela média do sistema financeiro nacional.

Ademais, o índice de cobertura, ou seja, a relação entre o saldo de provisões e o saldo de operações apresentado pelo BB no fechamento do ano, foi de 227,1%, superior aos 200% observados na média do sistema financeiro nacional.

A grande explicação para a capacidade do BB em aumentar crédito sem diminuir a qualidade dele é o fato de boa parte dos clientes ser de um setor em alta (agronegócio) e servidores públicos.

MARGEM FINANCEIRA: tanto no trimestre quanto no ano, o BB conseguiu aumentar a margem financeira em todas as carteiras: pessoa física, pessoa jurídica e agronegócio. 

Fonte: Banco do Brasil

Esse efeito também pode ser observado na margem financeira bruta. No 4T22, esta totalizou R$ 21,5 bilhões, um crescimento de 9,7% em comparação ao trimestre anterior.

Em 2022, a margem financeira bruta foi de R$ 73,4 bilhões, ou seja, crescimento de 23,8% em relação a 2021.

RECEITA DE SERVIÇOS: no 4T22, as receitas de prestação de serviços somaram R$ 8,4 bilhões. Esse resultado foi cerca de 1% inferior ao 3T22. Boa parte dessa queda é explicada pela receita com a Administração de Fundos, que teve uma queda de 7,4% no trimestre.

Porém, quando olhamos para o acumulado do ano, o aumento das receitas é formidável. Em 2022, a receita total com prestação de serviços foi de R$ 32,3 bilhões, mais de 10% maior que a observada em 2021. 

Os grandes destaques no ano foram os aumentos da Receita de Operações de Créditos ( +27,2%), Processamento de Convênios (+22,7%) e Seguros (+14,6%).

ÍNDICE DE CAPITAL: o BB fechou 2022 com Índice de Basileia de 16,65%. Já o índice de capital nível II apresentado foi de 14,74%.

O índice de capital atual sugere que o banco poderá continuar com política de dividendos atual, com índice payout de 40%.

GUIDANCE 2022: em relação ao guidance apresentado para o ano de 2022, o Banco do Brasil conseguiu superá-lo em boa parte.

Os destaques positivos ficam por conta da carteira de crédito ao agronegócio e às empresas, além da margem financeira bruta, que cresceram acima da projeção mais otimista do guidance.

A margem financeira bruta foi fortemente beneficiada pelo crescimento das receitas de crédito e do resultado da tesouraria, favorecido pela taxa Média Selic do período.

Já o destaque negativo é o crescimento da carteira de crédito às pessoas físicas, que cresceu apenas 9% no ano. O desempenho inferior ao guidance é justificado pelo cenário macroeconômico ruim vivido atualmente.

Fonte: Banco do Brasil

GUIDANCE 2023: para 2023, o guidance apresentado mostra que o BB pretende preservar o modelo de negócio atual e continuar crescendo, principalmente na carteira de crédito, sem comprometer a margem financeira.

O guidance projeta crescimento no lucro líquido ajustado, que pode chegar a R$ 37 bilhões no próximo ano.

Fonte: Banco do Brasil

NOSSA VISÃO: entre os resultados apresentados pelos bancos até agora, o do Banco do Brasil foi o melhor.Além de possuir a melhor qualidade e uma das maiores carteiras de crédito, é o banco que possui o maior índice de cobertura sobre créditos atrasados e um dos menos expostos à variação da taxa de juros.Como se isso não bastasse, aos nossos olhos, o BBAS3 é uma das ações mais descontadas no setor, com forte potencial de pagamento de dividendos.

Diante desse cenário, reiteramos nossa recomendação de compra para BBAS3.

Minerva (BEEF3): um olhar sobre a foto inteira

Fonte: Shutterstock

No dia 23 de fevereiro, a Minerva divulgou seu resultado referente ao quarto trimestre de 2022.

DESTAQUES: (i) receita de R$ 32,9 bilhões em 2022; (ii) Ebitda de R$ 2,8 bilhões em 2022, com margem de 9,2%; (iii) dívida líquida/Ebitda de 2,15, a menor em 16 anos; e (iv) prejuízo de R$ 25,7 milhões no 4T22.

RESULTADO: se olharmos um pedaço da fotografia, no caso, a comparação trimestral, o resultado da Minerva não foi bom. Excetuando um ligeiro aumento na receita bruta vinda do Brasil e uma boa queda no CMV, os resultados do 4T22 foram piores que o 4T21. Porém, se olharmos a grande imagem, é possível perceber que, na comparação anual e nas perspectivas de longo prazo, temos um caso interessante.

OPERACIONAL: no 4T22, a Minerva sofreu um pouco com a queda no preço médio da carne, tanto em dólar quanto em reais. Aliás, essa baixa não impediu que a empresa aumentasse o volume de vendas trimestral (+5,3%) e anual (+5,4%). O trimestre analisado também foi marcado pela conclusão da aquisição da  ALC (Australian Lamb Company).

RECEITA: a receita bruta no 4T22 foi de R$ 7,3 bilhões, queda de 8,2% em relação ao 4T21, enquanto o lucro bruto foi de R$ 1,3 bilhão, valor 4,8% menor que o 4T21. Aqui, precisamos destacar que, para a maior exportadora de carne bovina da América do Sul, as receitas vindas do Brasil representam aproximadamente 50% da receita bruta. Mesmo assim, o aumento de 5,6% na comparação trimestral não salvou. 

Porém, como dissemos, o resultado como um todo foi interessante: receita bruta de R$ 32,9 bilhões em 2022, crescimento de 15,1% em relação a 2021. A empresa atingiu uma fatia de, aproximadamente, 20% do market share de exportações da América do Sul, a maior de todas.

EBITDA: a lógica da receita permaneceu para o Ebitda: trimestre ruim, ano melhor. No 4T22, foi de R$ 607,5 milhões, queda de 17,4% em relação ao 4T21. Já na comparação anual, o Ebitda foi de R$ 2,8 bilhões, um valor 17,6% maior que no ano passado. A margem Ebitda do ano foi de 9,2%, um valor que está num intervalo médio da empresa, com seus desempenhos recentes.

RESULTADO LÍQUIDO: no 4T22, a empresa mostrou uma piora relevante nas despesas SG&A (vendas, gerais e administrativas), nas despesas financeiras e um péssimo resultado de hedge cambial. Isso tudo colaborou para que o resultado líquido da empresa fosse um prejuízo de R$ 25,7 milhões contra um lucro de R$ 150,3 milhões do 4T21. Aqui, precisamos entender que a queda do dólar e os níveis elevados da taxa Selic foram os fatores que mais levaram a empresa a esse resultado. Porém, na comparação anual, 2022 foi melhor (pra variar), registrando um lucro líquido de R$ 655,1 milhões, uma alta de 9,4% em relação a 2021.

ENDIVIDAMENTO: considerando os valores proforma da ALC, o índice dívida líquida/Ebitda da empresa foi de 2,15 (contra 2,4 de 2021). Esse é o menor nível de alavancagem líquida desde 2007. A Minerva possui uma política de distribuição que indica que no mínimo 50% do lucro líquido vai ser distribuído como dividendo sempre que a alavancagem líquida for menor ou igual a 2,5. Dessa forma, planeja distribuir R$ 208,6 milhões ou R$ 0,36/ação de dividendos complementares.

NOSSA VISÃO: no curto prazo, o cenário ainda é bem complicado por conta das incertezas do governo, que afetam o câmbio e os juros, e com o recente caso atípico de vaca louca (EEB), que suspendeu as exportações para a China. Porém, no longo prazo, é possível enxergar uma empresa com boa diversificação geográfica e líder de exportações na região, que está com o menor patamar de investimento em mais de 15 anos. O ciclo bovino está um pouco incerto, mas a companhia continua mostrando resiliência em crescer as receitas.

Dessa forma, reiteramos nossa recomendação de compra para BEEF3.

Conclusão

Assim como na física, o mercado de investimentos é um universo amplo, com diversas teorias e estratégias que podem ser utilizadas para maximizar os retornos e minimizar os riscos.

Nesse sentido, as teorias atuais têm ajudado grandes investidores e a nós a tomarem decisões informadas e estratégicas quanto à gestão de carteiras de investimentos.

Neste relatório, apresentamos uma análise aprofundada das principais empresas que compõem a nossa carteira, demonstrando o desempenho recente e as projeções futuras para cada uma delas.

Ressaltamos que a estratégia adotada na série Renda Total tem sido eficaz em maximizar o retorno e minimizar o risco para nossos investidores, como indicado pelo nosso retorno comparado ao Ibovespa e pela volatilidade moderada em relação ao retorno das nossas selecionadas.

Por fim, esperamos que este relatório ajude nossos investidores a entender melhor nossa estratégia de investimento em ações e a tomar decisões informadas sobre seus investimentos.

Abraços,

Filipe Colus e Gui Cadonhotto

Sobre os analistas

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.

Fillipe Colus

É especialista em renda fixa da Spiti, bacharel em Engenharia Mecânica e especialista em Finanças. Auxiliou mais de 15 empresas com recomendações financeiras e operacionais em dois anos de consultoria estratégia e trabalhou na KPMG, ao lado de executivos e diretores de empresas líderes de segmentos, bem como no mercado público, auxiliando órgãos federais. Acredita que conhecimento bom deve ser repassado de uma forma simples e direta. Por isso, adora falar de finanças para quebrar tabus, e faz isso até nas horas vagas.

Guilherme Cadonhotto

Sócio

Além de estrategista-chefe da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como uma das principais autoridades brasileiras em renda fixa, ensinando seus assinantes e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.