Neste relatório, vamos avaliar como as forças externas e internas impactaram a performance de nossas carteiras e o cenário de investimentos em janeiro de 2023.
Em relação a forças externas, mostramos como a economia chinesa, que reduziu drasticamente suas restrições relacionadas à pandemia, e os indicadores econômicos dos Estados Unidos, que apresentaram melhoras significativas, impulsionaram os ativos locais. Por aqui, a incerteza fiscal no Brasil limitou o entusiasmo dos investimentos.
Janeiro foi um mês positivo para as carteiras original e alternativa, já que apresentaram resultados positivos: 0,76% e 0,17%, respectivamente.
Outro ponto a ser destacado é a taxa de dividendos mensais das carteiras. A carteira original apresentou uma taxa de dividendos de 0,62%, enquanto a alternativa, 0,81%. Nos últimos 12 meses acumulados, a taxa de dividendos da alternativa (cujo foco é gerar renda) foi de 8%, e a da original, de 7%.
Cenário nacional
O final do último trimestre de 2022 foi desafiador para o país, com as mudanças políticas e o risco fiscal sendo os fatores geradores de risco local. As eleições e a chegada de novos mandantes trouxeram incerteza e, junto com a transição de governo, afetaram as perspectivas de segurança fiscal e política em pouco tempo.
A transição de governo é um momento crucial para a economia, já que a troca de poder sempre gera expectativas e incertezas. Esse período é sempre delicado, pois é necessário estabelecer novas políticas econômicas e ajustar as atuais para garantir a estabilidade financeira. Dessa vez, não foi diferente.
A postura de novos governos e seu alinhamento também são fatores importantes que contribuem para o risco do cenário financeiro. A posição e as ações influenciam diretamente a economia de um país, e é necessário acompanhar essas movimentações para avaliar a rentabilidade dos investimentos.
Antes mesmo de tomar posse, os novos postos e os cotados a ministérios conseguiram trazer à tona indícios de uma falta de alinhamento prévio, que posteriormente era rebatida. No entanto, as perspectivas de juros não perdoaram e apresentaram forte oscilação durante janeiro. Atualmente, estão em níveis próximos daqueles da época das eleições:
Taxa de juros para 2031
Fonte: Broadcast
Com o andamento da transição política e redução das instabilidades políticas pontuais que surgiram com a eleição, as incertezas se transformam em riscos precificados na curva de juros. Assim, o que balizou o sentimento positivo veio lá de fora motivado por eventos internacionais.
Cenário internacional
Nesta seção, destacamos dois acontecimentos: o cenário inflacionário norte-americano e a reabertura da economia chinesa.
No mês de dezembro, a variação de preços dos Estados Unidos deu sinais de melhora, devido à deflação de 0,1%. O índice encerrou 2022 com alta de 6,5%, menor valor na taxa anualizada desde novembro de 2021.
O desempenho foi em linha com as expectativas. Enquanto a inflação geral foi impulsionada pela queda dos preços de energia, a de serviços (excluindo aluguel) acelerou, alcançando 0,4%.
Fonte: Bloomberg
O mercado viu o resultado de inflação e seus subíndices com otimismo. Esse indicador tem grande relevância para o banco central norte-americano (Federal Reserve) no que diz respeito à política monetária.
Dados como inflação completa, “core” (leitura que exclui alimentos e combustíveis) e indicadores de atividades apontam que as pressões inflacionárias mais duras podem estar arrefecendo.
Com isso, o Federal Reserve pode ter um maior nível de confiança de que a inflação está, de fato, se recuperando. Isso abriria espaço para a normalização na política monetária, reduzindo as incertezas no mercado.
Em sua última reunião, a instituição elevou as taxas de juros em 25 pontos-base, em linha com a expectativa do mercado, e numa consulta no dia 6 de fevereiro de 2023, vemos que as maiores apostas do mercado são de mais duas elevações de 25 bps até chegar à taxa de juros básica, o Fed Funds Rates, de 5,00%.
Sobre o segundo ponto, tivemos divulgação de dados da China sobre crescimento econômico e alterações nas políticas de Covid zero. De maneira geral, a performance para o país foi fraca no último ano devido às medidas rigorosas tomadas pelo governo para conter a Covid-19, resultando em uma taxa de crescimento de apenas 3% em 2022, abaixo da meta de 5%.
Em dezembro, a produção industrial aumentou apenas 1,3% e as vendas no varejo caíram 1,8%, melhores que o consenso, porém não demonstram atividade plena. Com esses dados, a reabertura da economia chinesa é incerta e será um dos grandes temas para 2023. No entanto, a economia global ainda enfrenta o risco de uma recessão, o que pode prejudicar esse processo.
Agora, resta entender como ficaram as performances de nossas carteiras em meio a esse cenário.
Desempenho das carteiras original e alternativa Renda Total em janeiro de 2023
O mês de janeiro apresentou resultados distintos para as carteiras original e alternativa. A primeira teve uma performance geral de 0,76%, com destaque para ações, que tiveram um resultado positivo de 2,4%. Por outro lado, a segunda apresentou um desempenho geral de 0,17%, com ações (também destaque da carteira) subindo em 1,8%.
Em ambas as carteiras, os FIIs tiveram quedas, sendo -1,3% na original e -1,4% na alternativa. Já os títulos públicos e a fatia de proteção apresentaram resultados similares, com variações negativas em ambas as composições. Por fim, nossa parcela de crédito privado também apresentou retorno positivo, ainda que modesto, com variações positivas de 0,02% e 0,01%, respectivamente.
| jan/23 | 2.023 | |
| CDI | 1,1% | 1,1% |
| Ibovespa | 3,4% | 3,4% |
| Ifix | (1,6%) | (1,6%) |
| RT - Alternativa | 0,2% | 0,2% |
| RT - Original | 0,8% | 0,8% |
Fonte: Spiti
As ações da carteira alternativa apresentaram variação entre 0,1% e 0,8%, enquanto os FIIs oscilaram entre -0,2% e 0,1%. Na original, as ações tiveram variação entre -0,1% e 0,7%, enquanto os FIIs oscilaram entre -0,1% e 0,1%.
Quando agregados, FIIs e ações da carteira alternativa apresentaram um aumento total de 0,4%, enquanto os ativos da original, retorno de 1,1%.
Fonte: Spiti
Falando especificamente de ações, entre as melhores destacaram-se TAEE11, BBAS3 e VIVT3, que apresentaram variações positivas de 0,7%, 0,5% e 0,4%, respectivamente. Já entre as detratoras, apontamos B3SA3, com -0,1%, e ITUB4, que não apresentou variação alguma.
No que se refere aos fundos imobiliários (FIIs), o desempenho foi bastante similar entre todos, com apenas um ativo trabalhando em patamar positivo, XPML11, com 0,1%, e variações de 0,0% a -0,2% para os demais. Destacamos ainda os desempenhos negativos mais acentuados de LVBI11 e PVBI11, ambos com -0,2%.
Comportamento similar foi observado nos ativos da carteira alternativa, que apresentou retorno positivo menos acentuado, dada a menor participação nas ações.
Performance dos fundos de debêntures incentivadas
Importante salientar sempre que, para obter o cálculo de rentabilidade dos nossos fundos de debêntures, utilizamos a metodologia da Anbima, a entidade que representa as instituições do mercado de capitais nacional.
No caso, consideramos para a conta de rendimento o pagamento de dividendos do quinto dia útil do mês – conforme é feito o pagamento dos fundos recomendados IFRA11 e KDIF11 fazem. Além disso, o retorno apresentado se refere ao das cotas patrimoniais, e não das de mercado, uma vez que o exercício aqui é verificar a geração de valor para quem investe.
No mês de janeiro, o desempenho dos nossos fundos de crédito foi misto. Enquanto a cota de KDIF11 apresentou uma performance positiva de 0,32%, a de IFRA11 apresentou uma performance negativa de -0,11%. Já o IMA-B apresentou performance neutra.
| IFRA11 | KDIF11 | IMA-B | |
| Jan | -0,11% | 0,32% | 0,00% |
Fonte: Spiti
Taxa de dividendos
A taxa de dividendos paga mês a mês pode ser encontrada na tabela a seguir:
Carteira alternativa
Antes de fecharmos o relatório, trazemos nesta seção o percentual recomendado da carteira alternativa, bem como o preço máximo dos FIIs que foram recomendados exclusivamente para essa carteira: PORD11 e KNCR11.
Agora, se você segue a carteira original e quer saber as informações relativas a ela, basta entrar na seção de recomendados da série.
Conclusão
Em janeiro, o ambiente externo contribuiu para a valorização dos ativos brasileiros, mas a incerteza fiscal no país limitou o entusiasmo. Mesmo com tal dilema, por meio de diversificação conseguimos entregar retorno positivo em nossas carteiras.
Em resumo, foi um período de desafios para a carteira Renda Total, com algumas classes de ativos apresentando desempenho negativo, enquanto outras mantiveram seu valor estável.
No entanto, é importante destacar que a carteira é composta por uma ampla variedade de ativos, como ações, fundos imobiliários e fundos, e sua diversificação ajuda a minimizar os riscos e maximizar os retornos a longo prazo.
Ao avaliarmos o desempenho da carteira desde sua criação, é possível perceber que a estratégia adotada tem se mostrado eficaz, levando a resultados satisfatórios de retorno e de pagamento de dividendos. Ao investirmos, é importante ter uma perspectiva de tempo maior e não se deixar levar por flutuações de curto prazo, mantendo o foco na meta de construção de patrimônio a longo prazo.
Falando dos números em si, em janeiro, a carteira original apresentou um retorno de 0,76%, enquanto a alternativa teve um retorno de 0,17%. Quando comparadas aos benchmarks, o retorno de ambas as carteiras ficou abaixo do CDI (1,1%) e do Ibovespa (3,4%), mas acima do Ifix (-1,6%). É importante destacar que os índices servem apenas como referência, e o desempenho de uma carteira pode ser influenciado por diversos fatores, como diversificação, estratégia de investimento, entre outros.
A taxa de dividendos segue em linha com o observado ao longo do ano passado, com a carteira original entregando 7%, e a alternativa, 8% nos últimos 12 meses acumulados.
Abraços,
Filipe Colus e Gui Cadonhotto