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Performance das carteiras original e alternativa da série Renda Total em dezembro e no ano de 2022 + Análise do cenário nacional no ano passado

Escrito por Felipe Arrais, Fillipe Colus, Guilherme Cadonhotto em RENDA TOTAL

11 min de leitura

Neste relatório, vamos analisar os principais tópicos que afetaram o cenário nacional em 2022. Ao longo do ano, o campo econômico foi impactado por uma série de fatores, incluindo aumentos nas taxas de juros, incertezas políticas e econômicas, a guerra entre Rússia e Ucrânia, o cenário desafiador de recuperação econômica após o abrandecimento dos casos de Covid-19 e o sentimento de aversão ao risco global.

Além disso, vamos comparar como esses tópicos podem ter afetado o desempenho dos principais indicadores econômicos, como o CDI, o Ibovespa (principal índice da Bolsa) e o Ifix (referência do setor de fundos imobiliários).

E para fecharmos o relatório traremos a performance anual de nossas carteiras. Dezembro foi um mês positivo para as carteiras original e alternativa, com ambas apresentando performance positiva. A carteira original teve uma performance de 1,0% e a alternativa teve uma performance de 0,9%.Ao olhar para o desempenho anual, vemos que a carteira original teve uma performance de 9,00% e a alternativa teve uma performance de 4,10%. A menor performance é em partes fruto da sua menor volatilidade, uma vez que a carteira alternativa foi a que teve uma performance mais consistente e superior ao longo de todo o ano.

Outra ponto a ser notado é a taxa de dividendos anual das duas carteiras. A carteira original teve um DY (taxa de dividendos) de 7,07% enquanto a alternativa teve um DY de 7,87%, isso mostra que a carteira alternativa também foi a que teve uma taxa de dividendos anual mais elevada e consistente dentre as duas.

Cenário nacional: a soma de uma série de acontecimentos

Como mostramos em relatório passado, a inflação continuou a ser um problema para os países mais desenvolvidos, o que levou, de acordo com o cenário de cada lugar, ao aumento ou início da elevação das taxas de juros.

No Brasil, não foi diferente, mas esse início ocorreu ainda em 2021. A taxa básica de juros da economia, a Selic, foi fortemente ajustada, saindo de 9,25% ao ano em janeiro de 2022 e terminando o ciclo em 13,75% a.a., justamente no fim do ano passado, tornando o Brasil o país com o maior retorno na operação de carry trade no mundo.

Fonte: Banco Central do Brasil

A inflação continuou a surpreender negativamente o mercado, mesmo após a redução do ritmo de aumento. Em maio, o governo aprovou o Projeto de Lei Complementar (PLP) 18 para limitar a alíquota do ICMS em 17% com o objetivo de evitar aumentos nos preços de diesel e gasolina, o que poderia afetar a arrecadação de impostos. A medida entrou em vigor apenas ao final de junho.

Porém, mesmo que apresentasse um alívio momentâneo nos preços de combustíveis a redução de arrecadação de impostos sem uma correspondente redução de gastos do governo pode levar a uma diminuição na confiança de um país. Isso ocorre porque essa situação tende a ser vista como sinal de falta de responsabilidade fiscal e gestão econômica ineficiente por parte do governo.

Quando existe uma queda na arrecadação de impostos, é esperado que o governo busque medidas para equilibrar as contas públicas, como a diminuição de gastos ou aumento de impostos.

No entanto, se o governo não toma essas medidas e mantém os gastos em níveis elevados, pode ser visto como irresponsável e pouco comprometido com a estabilidade econômica do país. Isso pode afetar negativamente a confiança dos cidadãos no governo, investidores e na política do país.

As eleições

Fonte: Shutterstock

Tivemos a escolha de governadores e presidente, mas os impactos de uma eleição podem ultrapassar as barreiras políticas e ter também um impacto significativo na credibilidade fiscal de um país. Numa corrida eleitoral, não é estranho ver o governo em exercício aumentando os gastos com o objetivo de aumento de popularidade na tentativa de se reeleger, mesmo que atenuado pela oposição.

E isso pode ser visto como falta de responsabilidade fiscal e comprometimento com a estabilidade econômica do país, o que pode afetar negativamente a confiança dos cidadãos no governo e na política, e, possivelmente, levar a uma queda na credibilidade fiscal.

Além disso, nessa eleição em especial vimos o novo governo eleito iniciando sua gestão com uma série de divulgações que discutiam sem um foco aparente que não fosse uma redução da confiabilidade fiscal e colocaram em risco a confiança no país, que pode ter um impacto ainda mais negativo na credibilidade fiscal.

Essa combinação de movimentos pode levar a uma diminuição da atração de investimentos estrangeiros e a uma desvalorização da moeda local, prejudicando o crescimento econômico e a competitividade do país no mercado global no médio e longo prazos.

Inflação

A inflação do ano de 2022 foi fortemente impactada pelo ano anterior, que foi surpreendente e impulsionada por diversos fatores, como a maior seca das últimas décadas nas bacias hidrográficas, o aumento dos preços de energia e petróleo e dos alimentos, sem contar a quebra da cadeia de suprimentos. Esses fatores contribuíram para a elevação dos preços de muitos produtos e serviços, o que levou a uma inflação mais alta do que a esperada em 2021.

Para tentar conter a inflação, o Banco Central entrou em ação e aumentou a taxa básica de juros. Essa medida tem como objetivo frear a atividade diminuindo a demanda por bens e serviços, o que pode ajudar a conter os preços. No entanto, ela também pode ter um impacto negativo na economia, pois tende a encarecer esse crédito para empresas e pessoas e afetar o crescimento econômico.

O desafio de domar a inflação que chegou em 2021 e perdurou em 2022 foi um desafio para o BC e para o governo, que precisaram encontrar maneiras de equilibrar controle do índice de preços com o crescimento econômico.

Lembremos que a escolha de medidas eficazes para conter a inflação sem prejudicar o crescimento econômico é crucial para garantir a estabilidade financeira e econômica do país.

Ontem, dia 10, foi divulgado o índice de inflação oficial do Brasil, o IPCA, referente a dezembro de 2022, e os resultados vieram acima das expectativas. O indicador subiu 0,62% em relação ao mês anterior, superando a previsão dos analistas, que esperavam uma variação de 0,46%. Além disso, também superou a do consenso, que era de 0,45%.

Apesar de a inflação ter ficado acima do esperado no último mês do ano, a tendência de desaceleração foi mantida. A inflação acumulada em 12 meses, que mede a variação do IPCA ao longo de um ano, caiu para 5,78% ao ano, em comparação com 5,9% registrado no mês anterior.

Vamos lembrar que a meta de inflação para 2022, fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), foi de 3,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Dessa forma, a inflação pelo IPCA poderia ficar entre 2% e 5% em 2022.

Portanto, apesar da desaceleração na inflação acumulada, é importante notar que ficou acima da meta de inflação estabelecida pelo CMN para 2022. Isso significa que é importante continuar acompanhando os dados futuros para ver se essa tendência vai se manter e se o objetivo da meta será alcançado.

Dezembro movimentado para finalizar 2022

O último mês do ano foi marcado pelas escolhas de nomes para os ministérios do novo governo e pela tentativa de aprovação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que permitiria aumentar os gastos sociais.

Após a tramitação da PEC, o texto aprovado foi um pouco melhor do que o esperado, pois limitou a expansão de gastos a um ano. A economia brasileira mostrou sinais de forte desaceleração e acreditamos que cortes nas taxas de juros sejam prováveis em 2023. Nesse cenário, a curva de juros inclinou, o real ficou estável e a Bolsa fechou em queda.

Apesar de a PEC aprovada ter limitado a expansão de gastos sociais a um ano, vemos como pouco provável que haja uma redução nos gastos ao final desse período. Isso se deve ao fato de que cortar gastos sociais é uma medida impopular e pouco provável de ser implementada pelo governo. Portanto, é importante considerar que a expansão dos gastos sociais possa se estender por mais tempo do que o previsto inicialmente.

O impacto da credibilidade sobre os juros

Fonte: Shutterstock

A redução da credibilidade fiscal de um país pode ter um impacto significativo nas suas expectativas de taxa de juros. Isso se dá quando investidores e atores internacionais perdem confiança na capacidade do governo em gerir as finanças de maneira responsável. Como resultado, eles tendem a exigir uma taxa de juros mais alta para emprestar dinheiro ao país, o que pode levar a uma elevação da curva de juros e das expectativas destes.

Além disso, a redução da credibilidade pode afetar negativamente a capacidade do país em obter financiamento externo e possivelmente levar a uma pressão sobre os juros internos. Quando um país tem dificuldades em obter financiamento externo, corre o risco de ser obrigado a aumentar os juros para atrair investimentos no mercado interno e garantir a liquidez necessária para cumprir suas obrigações financeiras.

As eleições também podem trazer riscos em relação à mudança de um novo governo. Quando isso ocorre, é comum que tenhamos mudanças nas políticas econômica e fiscal do país. Isso costuma gerar incertezas quanto ao resultado e às políticas futuras e afetar a confiança dos investidores e atores internacionais na economia.

Em resumo, a elevação da curva de juros e das expectativas de juros pode ser causada pela redução da credibilidade fiscal de um país, bem como pelos riscos de mudança de governo decorrentes de eleições. Esse foi praticamente o movimento uníssono que a curva apresentou ao longo do ano.

Fonte: Broadcast | Elaborado por Spiti

Resultados nos índices

Em 2022, a cotação do dólar caiu mesmo se mostrando mais forte em relação ao real, devido à elevação de juros nos Estados Unidos e incertezas políticas e econômicas no Brasil.Em janeiro de 2022, o dólar estava cotado em R$ 5,57, e, no decorrer do ano, chegou a R$ 5,24 em junho, e se manteve estável em R$ 5,22 em dezembro.

A Bolsa também foi afetada pelo aumento da Selic e pelas incertezas políticas e econômicas. O Ibovespa apresentou um desempenho volátil, com variações mensais positivas e negativas, tendo seu pior desempenho em abril, com -10,1%, e o melhor desempenho em janeiro, com 7%. Em termos anuais, o índice retornou 4,69%, mas, comparado ao CDI, que foi de 12,37% no mesmo período, teve um desempenho menor.

Já o Ifix, o índice que mede o desempenho dos fundos imobiliários, também mostrou volatilidade, tendo seu pior desempenho em novembro, com -4,2%, e o melhor em agosto, com 5,8%. O índice no ano apresentou retorno de 2,22%, performance também menor quando comparada ao CDI.

Desempenho das carteiras original e alternativa Renda Total em dezembro de 2022

No mês, os principais destaques foram a contribuição de ações e FIIs para o retorno total.

As ações tiveram uma contribuição média de 0,5%, enquanto os FIIs apresentaram uma contribuição média de 0,4% e, em terceiro lugar, nossa fatia de renda fixa internacional, entregando 0,2%.

Por outro lado, os títulos públicos tiveram uma contribuição negativa de -0,1%. No geral, a performance da carteira original foi de 1,0%, e a alternativa, de 0,9% no mês de dezembro.

Fontes: Quantum, Broadcast, Economatica | Elaborado por Spiti

 jan/22fev/22mar/22abr/22mai/22jun/22jul/22ago/22set/22out/22nov/22dez/22        2022
CDI     0,7%     0,8%     0,9%      0,8%     1,0%      1,0%     1,0%    1,2%    1,1%    1,0%    1,0%    1,1%      12,4%
Ibovespa     7,0%     0,9%     6,1%  (10,1%)     3,2%  (11,5%)     4,7%    6,2%    0,5%    5,5%  (3,1%)  (2,5%)        4,7%
Ifix   (1,0%)   (1,3%)     1,4%      1,2%     0,3%     (0,9%)     0,7%    5,8%    0,5%    0,0%  (4,2%)    0,0%        2,2%
RT - Alternativa     0,6%     0,6%     3,3%    (0,6%)     0,6%    (2,7%)   (0,1%)    3,8%    0,3%    0,6%  (3,2%)    0,9%        4,1%
RT - Original     0,3%     1,5%     4,2%    (1,1%)     1,4%    (2,8%)     0,3%    5,4%    1,0%    1,3%  (3,5%)    1,0%        9,0%

Fonte: Spiti

No mês de dezembro, as ações da carteira original apresentaram variação entre -0,02% e 0,25%, enquanto os FIIs oscilaram entre -0,13% e 0,16%. Já na carteira alternativa, as ações tiveram variação entre -0,1% e 0,3%, enquanto os FIIs oscilaram entre -0,17% e 0,2%. A seleção de FIIs e ações da carteira alternativa apresentou um aumento total de 0,87%, enquanto a original, retorno de 0,93%.

Fonte: Quantum | Elaborado por Spiti

Fonte: Quantum| Elaborado por Spiti

Entre os FIIs, os melhores ativos da carteira foram HGRU11, o PVBI11 e o KNIP11. Já no campo de ativos detratores, o CPTS11 teve um retorno negativo de -0,03%, assim como o KNRI11 e o PATL11, com retorno de -0,04% cada. E, finalizando a lista, XPML11 e RBRR11, recém adicionados na carteira alternativa, apresentaram um mês com performance negativa.

Performance dos fundos de debêntures incentivadas

Importante salientar sempre que, para obter o cálculo de rentabilidade dos nossos fundos de debêntures, utilizamos a metodologia da Anbima, a entidade que representa as instituições do mercado de capitais nacional.

Como comentamos em relatório passado, consideramos o pagamento de dividendos do quinto dia útil do mês – como os fundos recomendados IFRA11 e KDIF11 fazem. Além disso, o retorno apresentado se refere ao das cotas patrimoniais, e não das de mercado, uma vez que o exercício aqui é verificar a geração de valor para quem investe.

No mês de dezembro, assim como nossos ativos de renda variável, mesmo ajustadas pelos dividendos, as cotas de KDIF11 e IFRA11 caminharam em patamar negativo:

Taxa de dividendos

A taxa de dividendos paga mês a mês pode ser encontrada na tabela a seguir:

A partir da tabela acima, é possível observar que ambas as carteiras original e alternativa apresentaram uma taxa de dividendos similar ao longo de 2022.

A carteira original apresentou uma taxa de dividendos de 0,57% no mês de dezembro e uma taxa de dividendos anual de 7,07%. Já a carteira alternativa, 0,68% em dezembro e 7,87% anual.

Carteira alternativa

Antes de fecharmos o relatório, trazemos nesta seção o percentual recomendado da carteira alternativa, bem como o preço máximo dos FIIs que foram recomendados exclusivamente para essa carteira: PORD11 e KNCR11.

Carteira Renda Total alternativa

Fonte: Spiti
Fonte: Spiti

Agora, se você segue a carteira original e quer saber as informações relativas a ela, basta entrar na seção de recomendados da série.

Conclusão

O ano de 2022 foi marcado por uma série de fatores que afetaram o cenário econômico nacional. A elevação das taxas de juros e as incertezas políticas e econômicas foram alguns dos principais, que impactaram o mercado cambial, a Bolsa de Valores, a inflação e a economia como um todo.

A análise dos principais indicadores econômicos, como as expectativas de juros, o Ibovespa e o Ifix, mostrou que tais fatores tiveram um impacto significativo sobre eles. Além disso, também foi possível observar, a partir da performance das carteiras tradicional e alternativa, como cada uma foi afetada pelos eventos ocorridos em 2022.

No ano passado, a carteira alternativa teve uma performance positiva, mas mais modesta quando comparada à tradicional, que teve um aumento mais significativo. A carteira tradicional teve um rendimento de 9%, enquanto a alternativa obteve 4,1%.

É importante lembrar aqui que a carteira alternativa é composta por ativos considerados mais conservadores e possui percentuais específicos quanto à distribuição setorial, ao passo que a original foi composta por um percentual maior de ações e fundos imobiliários de diferentes setores.

Isso sugere que a estratégia conservadora da carteira alternativa, além de ter proporcionado uma menor volatilidade, também resultou em menor ganho em relação à tradicional, justamente por conta de sua natureza mais estável.

Além disso, a taxa de dividendos das carteiras veio sem surpresas no campo negativo. Inclusive, ela mostrou que a carteira alternativa teve ao longo do ano uma taxa de dividendos ligeiramente maior que a original, a despeito de sua menor volatilidade.

Abraços,

Filipe Colus e Gui Cadonhotto

Sobre os analistas

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.

Fillipe Colus

É especialista em renda fixa da Spiti, bacharel em Engenharia Mecânica e especialista em Finanças. Auxiliou mais de 15 empresas com recomendações financeiras e operacionais em dois anos de consultoria estratégia e trabalhou na KPMG, ao lado de executivos e diretores de empresas líderes de segmentos, bem como no mercado público, auxiliando órgãos federais. Acredita que conhecimento bom deve ser repassado de uma forma simples e direta. Por isso, adora falar de finanças para quebrar tabus, e faz isso até nas horas vagas.

Guilherme Cadonhotto

Sócio

Além de estrategista-chefe da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como uma das principais autoridades brasileiras em renda fixa, ensinando seus assinantes e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.