Relatórios

Performance das carteiras original e alternativa da série Renda Total em novembro de 2022

Escrito por Felipe Arrais, Fillipe Colus, Guilherme Cadonhotto em RENDA TOTAL

5 min de leitura

Olá, queridas e queridos assinantes da série Renda Total!

Neste relatório, trazemos uma atualização dos principais acontecimentos internacionais e nacionais que afetaram não somente o mercado como um todo, mas também as carteiras original e alternativa da série Renda Total.

O mês de novembro foi desafiador tanto para os ativos da renda variável no Brasil quanto para as nossas carteiras, que apresentaram performances de -3,5% e -3,2%, respectivamente, e já acumulam taxas de dividendos anual de 8,00% e 7,21%, nesta ordem.

No mês passado, os "desafios internacionais" dominaram os jornais e as análises, com o noticiário em particular expressando amplas preocupações sobre a economia global em 2023.

Isso sem falar no receio de recessões e/ou desacelerações em grandes partes do mundo, principalmente na Europa, a política de Covid zero na China, que, mesmo com as recentes flexibilizações, aumentou as regulações ainda mais nos últimos dias, e inflação alta em quase todo o mundo registrada em novembro.Além disso, no Brasil, após a definição das eleições, as preocupações em relação às questões domésticas se voltaram principalmente para o fiscal – em específico, a falta de definição de um regime e regras novos.

Ao nos aproximarmos do recesso parlamentar e com pouca margem de manobra com a dívida já num patamar elevado, os próximos meses precisam ser cirúrgicos no andar de decisões importantes. Por conta disso, o mês de novembro castigou quando o assunto foi elevação de juros.

Internacional

Um dos fatores que tomou conta dos noticiários no mês foi seguramente as perspectivas de mercado para a evolução das atividades econômicas global para os próximos trimestres, e um tópico volta à tona toda vez que isso entra em pauta: a inflação corrente.

Um dos fatores que ainda segura o desenrolar das economias desenvolvidas é a inflação, que, a despeito das recentes elevações de juros de seus respectivos países, cede de forma comedida e continua presente em patamar elevado:

Fonte: Investing

O receio é de que essa redução lenta faça com que os juros precisem ficar elevados por mais tempos e isso possa desembocar em uma desaceleração econômica significativa.

Outro fator que trabalha para reduzir as expectativas da atividade global vem da China, que vem apresentando desempenho econômico fraco.

O ponto mais importante que justifica o mau desempenho da economia chinesa pode ser atribuído à sua política de Covid zero. Com a recente explosão do assunto nas mídias sociais, a questão é se o país abandonará ou relaxará sua política sanitária.

Devido à natureza do regime político da China, a opinião ocidental, bem como as pressões naturais que vemos, são irrelevantes para orientar as decisões internas. No entanto, o momento atual de atividade abaixo do esperado, o início do novo mandato do atual presidente Xi Jinping e a ambição de atingir metas de crescimentos são fatores que podem trabalhar a favor da flexibilização da dura política.

Ainda assim, a situação de novos casos de Covid no país, segundo seus próprios indicadores, não está ainda em linha com o modelo atual a ponto de o país conseguir de fato acabar com sua política Covid zero de uma vez por todas de modo rápido, o que dá indícios de que ainda poderá levar meses até que mudanças efetivas tomem corpo. Ou seja, até lá podem ocorrer ainda outras medidas do tipo em partes da China. E esse cenário aponta para uma trajetória de crescimento menos aquecida para 2023.

Veja abaixo um resumo das previsões do FMI (Fundo Monetário Internacional) para a economia global em 2023.

Fonte: FMI

E, assim como vimos na China, o cenário global também não é o dos mais aquecidos, o que pode também trazer impactos no preço das commodities no curto prazo.

Cenário nacional

Aa principais referências para as perspectivas e o sentimento do mercado são as notícias relacionadas ao orçamento de 2023 e a política fiscal mais ampla para o próximo governo eleito.

A questão de curto prazo mais importante a ser considerada é o nível de gastos acima do teto (estabelecido pela Emenda Constitucional 95/2016, que estabelece esse patamar). Durante o mês de novembro, as especulações variaram de R$ 80 bilhões a R$ 200 bilhões, e a atual proposta que tramita no Senado está na casa dos R$ 160 bilhões. Os detalhes ainda não foram definidos, mas é mais provável que, com tanta incerteza, o Brasil volte a ter déficit primário em 2023.

E aumento do déficit significa um aumento da dívida.

Com isso, a dívida nacional deve subir novamente, sendo que algumas projeções mostram que será de 81% do PIB até o fim de 2023.

Fonte: Bloomberg

Mais do que os números que influenciarão as perspectivas de curto prazo , o novo governo terá que definir quais as regras fiscais serão introduzidas ou abandonadas, como a Emenda Constitucional 95.

Sem essas definições, fica difícil estabelecer expectativas para a evolução da dívida, uma vez que trazem as regras e modelos que o governo tem como referência para usar como cenário base, sendo que, sem elas, a perspectiva é de praticamente nenhum rumo.

Desempenho das carteiras original e alternativa Renda Total em novembro de 2022

Tanto o cenário internacional adverso quanto o local cheio de indefinições podem ser associados ao movimento negativo que vimos na carteira no mês de novembro. Os destaques positivos ficam apenas para a parcela de proteção e para a Vale (VALE3).

No gráfico a seguir, que traz as performances de cada categoria em novembro, é possível observar o efeito positivo da fatia de proteção, que foi o único mês no ano a trabalhar abaixo do benchmark. Em todas as outras observações, estivemos melhor que os principais índices de renda variável:

Fonte: Spiti

Fonte: Spiti

Fonte: Spiti

Performance dos ativos

Individualmente, nenhum ativo se destacou de forma negativa frente aos outros. Porém, todos contribuíram, ainda que de forma marginal, para a construção do retorno abaixo de zero no mês – apenas VALE3 performou positivamente em ambas as carteiras.

A evolução dos riscos fiscais em novembro e a elevação dos juros foram os pontos majoritários que colaboraram para o resultado negativo do mês, sendo que a única classe que andou na contramão e atuou como contraponto foi nossa fatia de proteção.

No entanto, destaco que os principais índices no mês tiveram performance negativa: o Ifix fechou em -4,2%, e o Ibovespa, em -3,1%.

Mesmo assim, tivemos no mês alguns destaques positivos. Ainda que majoritariamente alocados em FIIs, a diversificação dos ativos nas carteiras auxiliou em manter essa parcela acima do Ifix.

Performance dos fundos de debêntures incentivadas

Importante salientar sempre que, para obter o cálculo de rentabilidade dos nossos fundos de debêntures, utilizamos a metodologia da Anbima, a entidade que representa as instituições do mercado de capitais nacional.

Como comentamos em Performance das carteiras original e alternativa da s[erie Renda Total em julho de 2022, consideramos o pagamento de dividendos do quinto dia útil do mês – como os fundos recomendados IFRA11 e KDIF11 fazem. Além disso, o retorno apresentado se refere ao das cotas patrimoniais, e não o das de mercado, uma vez que o exercício aqui é verificar a geração de valor para quem investe.

No mês de novembro, assim como nossos ativos de renda variável, mesmo ajustadas pelos dividendos, as cotas de KDIF11 e IFRA11 caminharam em patamar negativo:

Taxa de dividendos

A taxa de dividendos paga mês a mês pode ser encontrada na tabela a seguir:

Carteira alternativa

Antes de fecharmos o relatório, trazemos nesta seção o percentual recomendado da carteira alternativa, bem como o preço máximo dos FIIs que foram recomendados exclusivamente para essa carteira: PORD11 e KNCR11.

Agora, se você segue a carteira original e quer saber as informações relativas a ela, basta entrar na seção de recomendados da série.

Conclusão

Afetada pelos receios em relação à questão fiscal do país, indecisões e elevação de juros futuros, nossa carteira apresentou o pior mês do ano.

No entanto, ainda que com o resultado negativo, não destoamos do mercado, inclusive destaco alguns pontos positivos: mesmo tendo 60% de FIIs em sua composição, a carteira alternativa performou melhor que o Ifix no mês e supera o índice no ano, e a carteira original ainda supera os principais referenciais de renda variável em 2022.

Abraços,

Filipe Colus e Gui Cadonhotto

Sobre os analistas

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.

Fillipe Colus

É especialista em renda fixa da Spiti, bacharel em Engenharia Mecânica e especialista em Finanças. Auxiliou mais de 15 empresas com recomendações financeiras e operacionais em dois anos de consultoria estratégia e trabalhou na KPMG, ao lado de executivos e diretores de empresas líderes de segmentos, bem como no mercado público, auxiliando órgãos federais. Acredita que conhecimento bom deve ser repassado de uma forma simples e direta. Por isso, adora falar de finanças para quebrar tabus, e faz isso até nas horas vagas.

Guilherme Cadonhotto

Sócio

Além de estrategista-chefe da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como uma das principais autoridades brasileiras em renda fixa, ensinando seus assinantes e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.