Olá, queridas e queridos assinantes da série Renda Total!
Neste relatório, trazemos uma atualização dos principais acontecimentos internacionais e nacionais que afetaram não somente o mercado como um todo, mas também as carteiras original e alternativa da série Renda Total.
O mês de novembro foi desafiador tanto para os ativos da renda variável no Brasil quanto para as nossas carteiras, que apresentaram performances de -3,5% e -3,2%, respectivamente, e já acumulam taxas de dividendos anual de 8,00% e 7,21%, nesta ordem.
No mês passado, os "desafios internacionais" dominaram os jornais e as análises, com o noticiário em particular expressando amplas preocupações sobre a economia global em 2023.
Isso sem falar no receio de recessões e/ou desacelerações em grandes partes do mundo, principalmente na Europa, a política de Covid zero na China, que, mesmo com as recentes flexibilizações, aumentou as regulações ainda mais nos últimos dias, e inflação alta em quase todo o mundo registrada em novembro.Além disso, no Brasil, após a definição das eleições, as preocupações em relação às questões domésticas se voltaram principalmente para o fiscal – em específico, a falta de definição de um regime e regras novos.
Ao nos aproximarmos do recesso parlamentar e com pouca margem de manobra com a dívida já num patamar elevado, os próximos meses precisam ser cirúrgicos no andar de decisões importantes. Por conta disso, o mês de novembro castigou quando o assunto foi elevação de juros.
Internacional
Um dos fatores que tomou conta dos noticiários no mês foi seguramente as perspectivas de mercado para a evolução das atividades econômicas global para os próximos trimestres, e um tópico volta à tona toda vez que isso entra em pauta: a inflação corrente.
Um dos fatores que ainda segura o desenrolar das economias desenvolvidas é a inflação, que, a despeito das recentes elevações de juros de seus respectivos países, cede de forma comedida e continua presente em patamar elevado:
Fonte: Investing
O receio é de que essa redução lenta faça com que os juros precisem ficar elevados por mais tempos e isso possa desembocar em uma desaceleração econômica significativa.
Outro fator que trabalha para reduzir as expectativas da atividade global vem da China, que vem apresentando desempenho econômico fraco.
O ponto mais importante que justifica o mau desempenho da economia chinesa pode ser atribuído à sua política de Covid zero. Com a recente explosão do assunto nas mídias sociais, a questão é se o país abandonará ou relaxará sua política sanitária.
Devido à natureza do regime político da China, a opinião ocidental, bem como as pressões naturais que vemos, são irrelevantes para orientar as decisões internas. No entanto, o momento atual de atividade abaixo do esperado, o início do novo mandato do atual presidente Xi Jinping e a ambição de atingir metas de crescimentos são fatores que podem trabalhar a favor da flexibilização da dura política.
Ainda assim, a situação de novos casos de Covid no país, segundo seus próprios indicadores, não está ainda em linha com o modelo atual a ponto de o país conseguir de fato acabar com sua política Covid zero de uma vez por todas de modo rápido, o que dá indícios de que ainda poderá levar meses até que mudanças efetivas tomem corpo. Ou seja, até lá podem ocorrer ainda outras medidas do tipo em partes da China. E esse cenário aponta para uma trajetória de crescimento menos aquecida para 2023.
Veja abaixo um resumo das previsões do FMI (Fundo Monetário Internacional) para a economia global em 2023.
Fonte: FMI
E, assim como vimos na China, o cenário global também não é o dos mais aquecidos, o que pode também trazer impactos no preço das commodities no curto prazo.
Cenário nacional
Aa principais referências para as perspectivas e o sentimento do mercado são as notícias relacionadas ao orçamento de 2023 e a política fiscal mais ampla para o próximo governo eleito.
A questão de curto prazo mais importante a ser considerada é o nível de gastos acima do teto (estabelecido pela Emenda Constitucional 95/2016, que estabelece esse patamar). Durante o mês de novembro, as especulações variaram de R$ 80 bilhões a R$ 200 bilhões, e a atual proposta que tramita no Senado está na casa dos R$ 160 bilhões. Os detalhes ainda não foram definidos, mas é mais provável que, com tanta incerteza, o Brasil volte a ter déficit primário em 2023.
E aumento do déficit significa um aumento da dívida.
Com isso, a dívida nacional deve subir novamente, sendo que algumas projeções mostram que será de 81% do PIB até o fim de 2023.
Fonte: Bloomberg
Mais do que os números que influenciarão as perspectivas de curto prazo , o novo governo terá que definir quais as regras fiscais serão introduzidas ou abandonadas, como a Emenda Constitucional 95.
Sem essas definições, fica difícil estabelecer expectativas para a evolução da dívida, uma vez que trazem as regras e modelos que o governo tem como referência para usar como cenário base, sendo que, sem elas, a perspectiva é de praticamente nenhum rumo.
Desempenho das carteiras original e alternativa Renda Total em novembro de 2022
Tanto o cenário internacional adverso quanto o local cheio de indefinições podem ser associados ao movimento negativo que vimos na carteira no mês de novembro. Os destaques positivos ficam apenas para a parcela de proteção e para a Vale (VALE3).
No gráfico a seguir, que traz as performances de cada categoria em novembro, é possível observar o efeito positivo da fatia de proteção, que foi o único mês no ano a trabalhar abaixo do benchmark. Em todas as outras observações, estivemos melhor que os principais índices de renda variável:
Fonte: Spiti
Fonte: Spiti
Fonte: Spiti
Performance dos ativos
Individualmente, nenhum ativo se destacou de forma negativa frente aos outros. Porém, todos contribuíram, ainda que de forma marginal, para a construção do retorno abaixo de zero no mês – apenas VALE3 performou positivamente em ambas as carteiras.
A evolução dos riscos fiscais em novembro e a elevação dos juros foram os pontos majoritários que colaboraram para o resultado negativo do mês, sendo que a única classe que andou na contramão e atuou como contraponto foi nossa fatia de proteção.
No entanto, destaco que os principais índices no mês tiveram performance negativa: o Ifix fechou em -4,2%, e o Ibovespa, em -3,1%.
Mesmo assim, tivemos no mês alguns destaques positivos. Ainda que majoritariamente alocados em FIIs, a diversificação dos ativos nas carteiras auxiliou em manter essa parcela acima do Ifix.
Performance dos fundos de debêntures incentivadas
Importante salientar sempre que, para obter o cálculo de rentabilidade dos nossos fundos de debêntures, utilizamos a metodologia da Anbima, a entidade que representa as instituições do mercado de capitais nacional.
Como comentamos em Performance das carteiras original e alternativa da s[erie Renda Total em julho de 2022, consideramos o pagamento de dividendos do quinto dia útil do mês – como os fundos recomendados IFRA11 e KDIF11 fazem. Além disso, o retorno apresentado se refere ao das cotas patrimoniais, e não o das de mercado, uma vez que o exercício aqui é verificar a geração de valor para quem investe.
No mês de novembro, assim como nossos ativos de renda variável, mesmo ajustadas pelos dividendos, as cotas de KDIF11 e IFRA11 caminharam em patamar negativo:
Taxa de dividendos
A taxa de dividendos paga mês a mês pode ser encontrada na tabela a seguir:
Carteira alternativa
Antes de fecharmos o relatório, trazemos nesta seção o percentual recomendado da carteira alternativa, bem como o preço máximo dos FIIs que foram recomendados exclusivamente para essa carteira: PORD11 e KNCR11.
Agora, se você segue a carteira original e quer saber as informações relativas a ela, basta entrar na seção de recomendados da série.
Conclusão
Afetada pelos receios em relação à questão fiscal do país, indecisões e elevação de juros futuros, nossa carteira apresentou o pior mês do ano.
No entanto, ainda que com o resultado negativo, não destoamos do mercado, inclusive destaco alguns pontos positivos: mesmo tendo 60% de FIIs em sua composição, a carteira alternativa performou melhor que o Ifix no mês e supera o índice no ano, e a carteira original ainda supera os principais referenciais de renda variável em 2022.
Abraços,
Filipe Colus e Gui Cadonhotto