Fonte: Shutterstock
Não é de hoje que sabemos, mas a cada quatro anos acontece um dos eventos mais importantes do mundo. Sim, eu estou falando da Copa do Mundo de futebol masculino, que vai começar daqui a duas semanas no Catar.
Para quem não conhece, o evento é organizado pela Fifa, uma organização internacional formada em 1904, com intuito de supervisionar, organizar e promover o número crescente de competições internacionais de futebol.
Apesar de ser uma organização ligada ao esporte, a maior parte de seus ganhos vem de marketing e da venda de direitos de transmissão de competições internacionais – inclusive, quase metade da receita do período de 2015 até 2018 veio desse tipo de negócio.
Fonte: Fifa
O evento mais popular é, claro, a Copa do Mundo masculina, mas os campeonatos continentais e a Copa das Confederações também chamam atenção.
No entanto, se analisarmos os números, a Copa é o evento mais importante quando o assunto é geração de receita para a instituição. Em 2018, quando foi realizada a última edição, na Rússia, a Fifa obteve mais de US$ 4,6 bilhões em receita.
Fonte: Fifa
O mais interessante é que o evento foi determinante para a instituição finalizar o período de 2015 a 2018 com Ebitda positivo em mais de US$ 1 bilhão. A sigla vem do inglês e significa lucro antes dos impostos, juros, depreciação e amortização, é e uma das métricas mais importantes de uma empresa.
Fonte: Fifa
No entanto, apesar de sua grandiosidade, a próxima Copa não despertou tanta atenção de quem estava acompanhando as notícias do mês de outubro. Quem se destacou nesse âmbito foi outro evento, que também acontece a cada quatro anos: a eleição para presidente no Brasil.
Como pano de fundo do cenário local, a eleição afetou a última semana do mês de outubro nos ativos brasileiros. E, no relatório de hoje, vamos falar um pouco sobre os acontecimentos internacionais que, juntamente às disputas a cargos no Executivo e Legislativo, tiveram seus desdobramentos no cenário de investimentos e impactaram nossa carteira durante o mês. Por fim, apresentaremos os dados de performance das nossas carteiras.
Mas já adiantando, no mês de outubro a carteira original avançou 1,27%, e a alternativa, 0,58%. Em relação a dividendos, a carteira original pagou 0,33% em proventos, já a alternativa, 0,46%. No agregado de 12 meses, a original tem taxa de dividendos de 7,30%, e a alternativa, 8,01%.
Cenário internacional
Tivemos uma sequência de importantes resultados sendo divulgados no mês de outubro, como o da inflação nos Estados Unidos e os PIBs norte-americano e chinês.
O principal ponto de atenção foi o que os índices sobre a trajetória da elevação de juros norte-americanos para conter a inflação indicaram, isto é, que ainda não temos sinais claros de arrefecimento.
Os apertos do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) vêm mantendo o dólar fortalecido em relação às principais moedas mundiais, uma vez que a elevação de juros em um país tende a aumentar o interesse do dinheiro global, e isso impacta nas cotações das moedas.
Os dados econômicos disponíveis sugerem que a atividade e a inflação permanecem resilientes na maior economia do mundo. Mas sinais sobre uma possível moderação do primeiro aspecto começam a ser observados, o que pode balizar os próximos aumentos de juros da instituição, especialmente no que tange a atividade econômica:
Fontes: BEA e LCA
Por exemplo, os resultados do PIB dos EUA para o terceiro trimestre de 2022 mostraram que a demanda privada doméstica (composta por consumo das famílias e investimentos privados, residencial e não residencial) continuou a desacelerar e marcou crescimento próximo de zero em comparação com o segundo trimestre.
O amortecimento da demanda privada é acompanhado por uma queda acentuada do investimento residencial, dado um aumento relevante nos custos das hipotecas com as elevações de juros, além do fato de que as condições financeiras apertaram significativamente a construção de novos imóveis, cifra que desacelerou significativamente.
O Fed fez outra reunião no dia 2 de novembro, em que aumentou a taxa de juros em 75 pontos-base, em linha com as expectativas do mercado. E ainda que a instituição tenha reforçado seu comprometimento em domar a inflação, reforçando suas intenções em elevar sua taxa básica de juros para que a política monetária seja suficientemente restritiva para fazer a inflação voltar a 2% ao longo dos meses, vimos uma mudança no tom sobre o nível dos aumentos.
Com o tom mais brando em seu comunicado, vimos as apostas da elevação da taxa em 0,75 p.p. em dezembro cair de 49,7% para 43,2%, e as indicações de uma elevação de 0,50 p.p. aumentar de 44,5% para 56,8%. Esses dados mostram um aumento das opiniões dos participantes do mercado em uma subida mais branda, de 50 em vez de 75 pontos-base.
Enquanto isso, a moeda brasileira continua a exibir o melhor desempenho em relação à média dos emergentes desde o início do ano.
Fonte: Broadcast | Elaborado por Spiti
Um dos fatores que afetaram positivamente a cotação do real ao longo do ano foi o diferencial de juros internos, que configurou a maior cifra dentre as 40 maiores economias, como já mostramos em relatório passado:
Fonte: Investing
Além disso, outros fatores que trabalham a favor de nosso câmbio são:
- O fato de nossa moeda estar em patamar depreciado, tendo em vista os anos de 2020 e 2021, em que nosso câmbio teve uma performance negativa em relação ao dólar – no período de janeiro de 2020 até dezembro de 2021, a moeda norte-americana teve valorização de 38,4% em relação ao real.
- O cenário global adverso para os países emergentes, com dados de atividade econômica chinesa vindo abaixo do esperado juntamente à política rígida de Covid zero no país, além da guerra entre Rússia e Ucrânia, que ainda parece longe de uma resolução.
Cenário nacional
A eleição para presidente dominou o noticiário em outubro. E, após dois disputados turnos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o escolhido, com 50,9% dos votos válidos, para seu terceiro mandato. Ele assumirá a presidência no início de 2023 após o término do mandato do atual chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (PL).
A reação inicial do mercado ao resultado tem sido cautelosamente positiva, mas os desafios do cenário fiscal de 2023 continuam persistentes e significativos. E, apesar dos resultados pós-eleitorais vantajosos para o real no dia após a eleição, no agregado do mês, a performance de outubro não foi a melhor do ano – março é o destaque de 2022 até agora.
Além disso, é importante lembrar o desempenho da moeda no agregado anual, que, como mostramos, foi a que melhor performou no ano de 2022 dentre as economias emergentes.
Fonte: Quantum
Fontes: Bloomberg e LCA
Em relação ao processo de transição, os nomes dos principais ministros do próximo governo ainda não foram anunciados formalmente, ainda que o mercado esteja ansioso por tais definições, principalmente de cargos estratégicos.
Isso ocorre porque as reações do mercado doméstico aos desenvolvimentos políticos estão amplamente relacionadas aos sinais de que os governos eleitos estão tentando forjar alianças que não se restrinjam a apenas um espectro político e econômico, comtemplando uma frente ampla para dar sequência aos desafios do país.
Falando em desafios, a situação fiscal continua na mira dos grandes investidores, que, além de projetar possíveis ampliações extra-teto de gastos, também tende a ter um desafio no campo de arrecadação.
Vale notar que, nos últimos dois anos a contabilidade do governo central se beneficiou de dois fatores:
- Um aumento da arrecadação associado a dois fatores: recuperação econômica e aceleração da inflação, que em 2021 atingiu 10,06%;
- E contenção de custos recorrentes, principalmente em relação a pagamentos a funcionários públicos, sendo que muitos destes não recebem aumentos salariais nominais há anos.
Essa posição financeira relativamente confortável provavelmente tenderá a ser revertida em 2023, quando a desaceleração da atividade e a inflação afetarem a arrecadação de impostos, juntamente a uma possível ampliação de pressão por reajustes salariais dos servidores públicos.
Fora isso, as recentes medidas de redução de impostos e aumento de transferência de renda prescreverão ao final de 2022, e será politicamente custoso ir contra o seu prolongamento, fatores que poderão pressionar a saúde fiscal do próximo ano.
Resumo feito, vamos agora falar dos desdobramentos dos acontecimentos nos nossos ativos.
Desempenho das carteiras original e alternativa Renda Total em outubro de 2022
A despeito do receio causado pelas eleições, nossas carteiras performaram positivamente no mês de outubro. Os destaques positivos ficam para nossa parcela de ações e os títulos públicos, que ficaram em segundo lugar como classe a trazer os maiores retornos do mês na atribuição de resultados.
Fonte: Spiti
No gráfico a seguir, que traz as performances de cada categoria em outubro, é possível observar o efeito positivo das fatias de títulos públicos e ações nas duas carteiras recomendadas:
Fonte: Spiti
Fonte: Spiti
Fonte: Spiti
Os destaques positivos do mês ficam para as nossas ações selecionadas, que, mesmo com a performance negativa de nossas estatais em carteira (VALE3 e BBAS3), foram as grandes responsáveis pela geração de retorno, com destaque para ITUB4 e B3SA3.
No campo dos FIIs, ambas as carteiras tiveram performances levemente negativas, num mês em que o principal índice do setor, o Ifix, andou em patamar neutro. E vale ressaltar o desempenho positivo de KNIP11, que, após uma sequência de meses negativos, teve o maior retorno na parte de fundos imobiliários.
Performance dos fundos de debêntures incentivadas
Para obter o cálculo de rentabilidade dos nossos fundos de debêntures, utilizamos a metodologia da Anbima, a entidade que representa as instituições do mercado de capitais nacional. Como comentamos em relatório passado, consideramos o pagamento de dividendos do quinto dia útil do mês – como os fundos recomendados, IFRA11 e KDIF11, fazem. Além disso, o retorno apresentado se refere ao das cotas patrimoniais, e não o das de mercado, uma vez que o exercício aqui é verificar a geração de valor para quem investe.
No mês de outubro, ambas as cotas patrimoniais ajustadas pelos dividendos de KDIF11 e IFRA11 caminharam em patamar positivo:
Taxa de dividendos
A taxa de dividendos paga mês a mês pode ser encontrada na tabela a seguir:
Carteira alternativa
Antes de fecharmos o relatório, trazemos nesta seção o percentual recomendado da carteira alternativa, bem como o preço máximo dos FIIs que foram recomendados exclusivamente para essa carteira: PORD11 e KNCR11.
Agora, se você segue a carteira original e quer saber as informações relativas a ela, basta entrar na seção de recomendados da série.
Conclusão
Apesar do mês de outubro conturbado, com as notícias sobre eleição e suas possíveis ramificações, nossa carteira performou positivamente, e aqui mérito para nossa diversificação setorial.
Os principais pontos que balizaram os mercados no mês foram a redução das apostas de elevação mais forte de juros nos Estados Unidos para a reunião de dezembro e a divulgação de dados auxiliares que mostram possível arrefecimento na atividade norte-americana.
Fora isso, o cenário local foi dominado pelas eleições, que tiveram definição no fim do mês. No entanto, ainda no radar dos investidores, estão as ramificações das decisões do próximo governo eleito, que podem ditar possíveis mudanças nos cenários político e econômico do país.
Sobre nossas duas carteiras, o destaque do mês ficou com a fatia de ações, que teve performance positiva e foi a responsável por boa parte dos ganhos de capital do mês, seguido da nossa fatia de títulos públicos.
Abraços,
Filipe Colus e Gui Cadonhotto