Olá, queridas e queridos assinantes da série Renda Total!
Neste relatório, trazemos uma atualização dos principais acontecimentos internacionais e nacionais que afetaram não somente o mercado, mas também as carteiras original e alternativa da série Renda Total, que, no ano, registram altas, respectivamente, de 6,0% e 10,5%, e pagaram em dividendos nos últimos 12 meses 8,05% e 7,35%, respectivamente.
Performance dos principais ativos brasileiros
Na contramão das performances ruins dos ativos mundo afora em setembro, os principais índices do mercado brasileiro não tiveram um desempenho tão desfavorável.
Para você ter ideia, o Eurostoxx50, índice formado a partir do desempenho das 50 maiores empresas do mercado europeu, fechou o mês passado com -5,66%. Já o S&P 500, constituído pelas 500 principais empresas do mercado norte-americano, registrou um amargo -9,34% no período.
Ainda que, no retorno consolidado do mês, a nossa Bolsa tenha agregado modestos ganhos de 0,47%, durante o mês o Ibovespa oscilou 5,22%! Já o Ifix, índice do mercado imobiliário, subiu 0,49% no mês e apresentou pequena variação, trabalhando a maior parte do mês sem grandes oscilações e juros praticamente estáveis.
Fonte: Broadcast | Elaborado por Spiti
O destaque do mês ficou para as notícias internacionais, que impulsionaram o dólar a ser o ativo com melhor performance da nossa carteira em termos nominais, com alta de 4,39%.
No entanto, mesmo com a forte elevação da moeda norte-americana em setembro, no ano o real ainda é a mais resiliente em relação ao dólar quando comparada às moedas dos demais países em desenvolvimento:
Fonte: Broadcast | Elaborado por Spiti
Principais acontecimentos de setembro
Um dos acontecimentos internacionais que tiveram maior efeito nos nossos mercados foi a aceleração da alta de juros internacionais em virtude dos números de inflação registrados, que não deram trégua em setembro. Na zona do euro, por exemplo, a cifra atingiu a marca de 10% no último mês, superando o atual recorde de 9,1% de agosto.
A menção honrosa para o continente europeu foi a contribuição do novo governo britânico, em que a primeira-ministra Liz Truss anunciou corte intenso de impostos e de aumento dos gastos públicos, num momento que as contas públicas se mostram sensíveis e a inflação persistente. Tais medidas fizeram com que a libra esterlina desvalorizasse de maneira sem precedentes, e que o banco central do país interviesse de forma a estabilizar a moeda britânica.
Além disso, a guerra na Ucrânia tomou novos rumos após anúncio de anexação oficial de territórios conquistados pela Rússia e de uma nova ofensiva da Ucrânia sobre estes territórios, fato que colocou mais instabilidade e põe ainda mais em xeque uma possível resolução do conflito na região.
Vale lembrar que a guerra pressiona não somente o suprimento de gás da Europa, que está sofrendo a duras penas com os atuais cortes da commodity, mas também o escoamento de grãos originários da Ucrânia, em especial o trigo – o país foi o sexto maior exportador em 2021, com 10% de toda a produção global do grão, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
Por aqui, foi dado como encerrado o ciclo de alta de juros básica do país feita pelo Banco Central, informação confirmada após divulgação da ata de setembro da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Lembrando que o Brasil começou o ciclo de elevação da taxa Selic para controlar a inflação antes dos países desenvolvidos e levou os juros de 2% a.a. para 13,75% a.a., a maior taxa desde 2019. Para isso, precisou realizar um aumento de 1.175 pontos-base, a maior elevação dentro de um mesmo ciclo de alta desde 1999.
Com isso, o Brasil se consolida como o país com a maior taxa de juros real entre as quarenta maiores economias do mundo. A taxa corrente, já descontada a inflação projetada, se encontra próxima de 8% ao ano.
Análise do prêmio do Ibovespa
Apesar de intensa volatilidade no mês, o cenário para os ativos da Bolsa no Brasil segue atrativo quando se analisa seu prêmio pago em relação aos títulos públicos.
No mês de setembro, os ativos do Ibovespa continuaram apresentando margens de prêmio maiores do que seus pares internacionais, e o potencial associado à valorização desses papéis se mantém presente nos indicadores.
Uma das formas de mensurar esse potencial de valorização na renda variável é através do prêmio do Ibovespa, que é obtido utilizando o múltiplo preço-lucro (P/L) do índice e a taxa de juros de longo prazo do Brasil. O resultado dessa equação é o chamado prêmio da Bolsa, que é a taxa estimada de retorno recebida pelo investidor em renda variável em relação a um título público de longo prazo.
Fontes: Broadcast e Economatica | Elaborado por Spiti
Nos atuais níveis, vemos que existe margem para redução do prêmio, que se encontra, na nossa visão, em patamar elevado, acima de um desvio padrão na análise histórica.
Dessa forma, tanto sinalizações positivas do lado fiscal do país quanto melhorias nas perspectivas dos negócios brasileiros podem atuar como polos a fim de reduzir o prêmio e se tornarem benéficos para os ativos de renda variável.
Inclusive, em levantamento feito pela Kinea, uma das principais gestoras do país, observamos que o prêmio dos ativos brasileiros se destaca até mesmo em comparação aos internacionais:
Fonte: Kinea
Desempenho das carteiras original e alternativa Renda Total em setembro de 2022
Os efeitos gerados pela intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia e novos dados de inflação dos países desenvolvidos que não deram trégua podem ser considerados alguns dos fatores que mantiveram investidores reticentes quanto a aumentar o posicionamento de risco de suas carteiras no campo internacional.
E, em meio a esse cenário, como ficou nossa carteira?
Nossos ativos tiveram performance positiva no mês, com destaque para os títulos públicos e os FIIs em ambas as carteiras.
No mês, a carteira original fechou em alta de 0,29%, e a alternativa, em 1,02%. No ano, o acumulado das carteiras original e alternativa estão em 10,5% e 6,0%, respectivamente.
Fonte: Spiti
No gráfico a seguir, que traz as performances de cada categoria em setembro, é possível observar o efeito positivo das fatias de títulos públicos, FIIs e proteção nas duas carteiras recomendadas:
Fonte: Spiti
Fonte: Spiti
Fonte: Spiti
Os destaques positivos do mês ficam para os FIIs de tijolo, sobretudo PATL11, do segmento de logística, HGRU11, de renda urbana, e o CPTS11, de papel. Já na parte de ações, destacamos o impacto positivo de VALE3, ITUB4 e B3SA3 em nossas carteiras.
Já o destaque negativo ainda se mantém com KNIP11 e RBRR11, FIIs que seguem afetados pelos dados de deflação pontual, e TAEE11 e BEEF3 são as ações detratoras do mês de setembro.
Performance dos fundos de debêntures incentivadas
Para obter o cálculo de rentabilidade dos nossos fundos de debêntures, utilizamos a metodologia da Anbima, a entidade que representa as instituições do mercado de capitais nacional. Como comentamos em relatório passado, consideramos o pagamento de dividendos do quinto dia útil do mês, como os fundos recomendados, IFRA11 e KDIF11, fazem. Além disso, o retorno apresentado se refere ao das cotas patrimoniais, e não o das de mercado, uma vez que o exercício aqui é verificar a geração de valor para quem investe.
No mês de setembro, a cota patrimonial ajustada pelos dividendos do KDIF11 caminhou em patamar positivo, enquanto IFRA11 teve leve performance negativa, impactada principalmente pela redução da distribuição de dividendos por conta dos dados de deflação dos últimos meses:
Taxa de dividendos
A taxa de dividendos paga mês a mês pode ser encontrada na tabela a seguir:
Conclusão
Apesar da volatilidade no Ibovespa, nossa carteira performou positivamente em setembro, e vimos que nossa fatia de proteção se mostrou eficiente no controle dessa instabilidade após a disparada da cotação do dólar durante o mês.
Além disso, a atratividade dos nossos ativos de Bolsa continua presente. A análise do prêmio do investidor mostra que este continua em patamar elevado até mesmo quando o comparamos à Bolsa norte-americana, levando em consideração até mesmo o nível elevado de juro real do país, que se encontra próximo de 8%.
Abraços,
Filipe Colus e Gui Cadonhotto