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Neste relatório, apresentamos mais uma análise da performance das carteiras original e alternativa da série Renda Total ao longo do mês de abril de 2023.
Traremos um panorama mensal dos acontecimentos internacionais e nacionais e o desempenho das carteiras contra benchmarks relevantes do mercado financeiro, como Ibovespa (índice da Bolsa), Ifix (que acompanha o desempenho dos fundos imobiliários), o CDI e a taxa de câmbio do dólar.
No mês de abril, a carteira original registrou um retorno de 3,06%, enquanto a alternativa obteve um retorno ligeiramente superior, de 3,07%. Esses resultados indicam um desempenho positivo para ambas as composições, superando o retorno do Ibovespa, que foi de 2,50%. Vale ressaltar que o Ifix registrou um retorno de 3,52% no mesmo período.
Em termos de investimentos conservadores, o CDI apresentou um retorno de 0,92% no mês de abril, o que indica uma performance relativamente estável. Por outro lado, a taxa de câmbio do dólar registrou uma desvalorização de 1,57% em relação à moeda local.
No acumulado de 12 meses, a taxa de dividend yield (DY) da carteira original foi de 7,05%, enquanto a da alternativa apresentou um retorno superior: 8,29%.
Nos próximos tópicos deste relatório, vamos trazer os principais eventos e analisar em detalhes os componentes das carteiras, identificar os principais fatores que influenciaram o desempenho e fornecer uma visão abrangente da performance dos investimentos.
Cenário internacional
No cenário internacional, os Estados Unidos apresentaram dados econômicos aquecidos nos campos de atividade empregatícia e inflação. Além disso, o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, apontou um possível fim do ciclo de aperto monetário, que trouxe uma leve calma aos mais preocupados.
Já na zona do euro, o Banco Central Europeu (BCE) ainda se encontra distante do fim do ciclo de aperto monetário, enquanto dados de inflação, em especial o núcleo, continua em trajetória de ascensão.
A crise dos bancos de menor porte nos EUA continuou a gerar repercussões no mercado financeiro. Um dos desdobramentos desse cenário foi a intervenção no First Republic Bank, que acabou sendo parcialmente vendido ao JP Morgan.
Esse episódio marcou mais um ponto na crise bancária que começou há dois meses e levantou debates sobre o aperto das taxas de juros e a rentabilidade esperada do setor, uma vez que os custos de captação aumentaram e as expectativas de uma regulação mais rígida se intensificam.
Do lado dos juros, o Federal Reserve aumentou as taxas de juros para a faixa entre 5,0% e 5,25%, refletindo a continuidade da política de normalização monetária. Essa decisão foi tomada com base em dados correntes de atividade e mercado de trabalho nos EUA, que se mantiveram resilientes.
Apesar disso, ainda não foi descartado a possibilidade de um possível aperto adicional da política monetária. Contudo, em divulgação oficial, o Fed retirou os aumentos que já eram dados em reuniões subsequentes, o que já aliviou pressão na curva de curto prazo. A curva de juros precifica algumas apostas com perspectivas de corte da taxa em julho, caso o cenário econômico justifique.
A persistência de dados mistos sobre emprego e inflação ainda dá fôlego ao argumento que justifica o atual patamar de juros nos Estados Unidos, impactando a cadeia de juros global, uma vez que são considerados como referência de "safe haven" (porto seguro) ou ativos livres de risco no mundo.
Assim, quando o Fed mencionou em comunicado a suspensão das próximas elevações, que anteriormente eram consideradas prováveis, os juros de curto prazo nos Estados Unidos registraram queda. No Brasil, o efeito também foi observado, com os juros de longo prazo apresentando redução significativa.
Cenário nacional
Já aqui no Brasil, a proposta para o novo arcabouço fiscal foi objeto de discussão no Congresso. Essa proposta estabelece uma faixa para o crescimento real dos gastos públicos e incentiva o governo a aumentar as receitas de forma recorrente.
No entanto, as discussões parlamentares indicaram uma possível tendência de endurecer a proposta, buscando maior controle fiscal. O desfecho desse debate terá implicações para a política fiscal e a percepção de risco no mercado financeiro – lembramos que, desde a divulgação, o efeito nos juros foi na margem positivo.
Caso a proposta seja aprovada de forma mais rígida, com metas fiscais mais robustas, isso poderia contribuir para uma melhora na confiança dos investidores em relação à sustentabilidade das contas públicas brasileiras.
Além disso, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa de juros em 13,75% ao ano pela sétima reunião consecutiva. Em fala após decisão, o BC reconheceu os avanços do novo arcabouço fiscal, mas ressaltou que não há uma relação mecânica entre a convergência da inflação e a aprovação desse arcabouço.
A decisão de dar pouco guidance sobre as próximas ações foi considerada acertada por participantes do mercado, levando em conta as indicações para as diretorias do Banco Central e a definição das metas de inflação, a serem feitas neste mês de maio.
Por fim, é importante destacar que a manutenção dos estímulos fiscais por parte do Executivo e a atividade econômica aquecida no Brasil podem influenciar as expectativas de inflação. O índice de preços ao produtor já demonstra sinais de desaceleração, sendo crucial observar se ocorre o mesmo comportamento na medição ao consumidor e se há convergência das expectativas de inflação. A ausência desses indícios poderia complicar o processo de desinflação e postergar a possibilidade de reduções nas taxas de juros pelo Banco Central.
Performance das carteiras original e alternativa da série Renda Total em abril de 2023
As carteiras original e alternativa apresentaram desempenhos semelhantes em março, impulsionadas positivamente pela queda de juros e dos nossos FIIs. A original teve um desempenho positivo de 3,06%, enquanto a alternativa subiu 3,07% no mês.
No acumulado do ano de 2023, ambas as carteiras apresentaram desempenhos positivos, com um aumento de 2,6% na carteira original e de 0,6% na alternativa. Em comparação com os principais benchmarks do mercado, apenas o CDI obteve resultados positivos no ano. Além disso, superamos nossos pares comparáveis: Ibovespa e Ifix.
Até o momento da elaboração deste relatório, o Ibovespa registrou um retorno negativo de 4,75% no ano, enquanto o Ifix teve um retorno positivo de 0,67%.
Fonte: Spiti
No mês de abril, as duas melhores ações foram B3 (B3SA3), com uma valorização de 12,85%, e Telefônica Brasil (VIVT3), com uma alta de 8,16%. Por outro lado, as detratoras foram Minerva (BEEF3), com -15,55%, e Vale (VALE3), com -9,83%. Lembramos que esses movimentos negativos são normais no curto prazo e temos uma parcela comedida em ambas, o que permite sustentar tais movimentos e oscilações. Prova disso é o resultado positivo no mês da parcela de ações.
Em relação aos fundos imobiliários, os destaques positivos foram o BTG Pactual Fundo de Fundos FII (BCFF11), que apresentou valorização de 10,63%, e o Bresco Logística FII (BRCO11), com alta de 10,48%. Já os que sustentaram menor alta foram o Capitânia Securities II FII (CPTS11), com uma variação de apenas 0,49%, e o Kinea Índices de Preços FII (KNIP11), com um aumento modesto de 0,93%.
Comparativamente, ambas as carteiras de ações e FIIs apresentaram um desempenho superior ao Ibovespa, que registrou -2,9% no mesmo período, ficando atrás apenas do Ifix, que teve um mês muito positivo, com alta de 3,52%. A carteira de ações teve uma valorização de 0,6% na original e de 0,35% na alternativa, enquanto os FIIs alcançaram 2,0% na original e 2,43% na alternativa.
Os outros segmentos da carteira, como a parcela internacional, títulos públicos e crédito privado, apresentaram variações menores. Nossa recomendação internacional, o BDR de ETF BLQD39, teve uma queda de 5,37%, impactando negativamente o desempenho da carteira. O principal motivador para tal resultado foi a queda da cotação da nossa moeda local, apesar da queda de juros nos Estados Unidos, que beneficia esse ativo.
Os resultados totais para o mês de abril foram de 3,06% na carteira original e de 3,07% na alternativa, mostrando uma performance positiva e estável apesar das oscilações nos ativos individuais.
Taxa de dividendos
A taxa de dividendos paga mês a mês pode ser encontrada na tabela a seguir:
No acumulado de 12 meses, a taxa de dividend yield (DY) da carteira original foi de 7,05%, enquanto a da alternativa apresentou um retorno superior, com 8,29%.
Ambas as carteiras conseguiram manter uma distribuição de dividendos relativamente estável, mesmo em face das oscilações do mercado e das incertezas econômicas, reforçando a solidez e a capacidade dessas estratégias de investimento em gerar renda passiva para os investidores.
Carteira alternativa
Antes de fecharmos o relatório, trazemos nesta seção o percentual recomendado da carteira alternativa, bem como o preço máximo dos FIIs que foram recomendados para essa carteira: PORD11 e KNCR11.
Lembrando que o PORD11 também é nossa recomendação para substituir o KNIP11 no caso de quem não é investidor qualificado.
Carteira Renda Total alternativa
| Nome | Classe | Percentual | Categoria | Preço máximo |
| HGLG11 | FII | 5,0% | Logística | R$ 170,00 |
| KNIP11 | FII | 10,0% | Papel | R$ 99,50 |
| KNCR11 | FII | 3,5% | Papel | R$ 104,50 |
| BCFF11 | FII | 2,5% | FoF | R$ 77,00 |
| KNRI11 | FII | 5,0% | Híbrido | R$ 160,00 |
| CPTS11 | FII | 5,0% | Papel | R$ 93,50 |
| PORD11 | FII | 5,0% | Papel | R$ 102,00 |
| HGRU11 | FII | 6,0% | Renda Urbana | R$ 128,00 |
| PVBI11 | FII | 5,0% | Logística | R$ 101,00 |
| BRCO11 | FII | 2,5% | Logística | R$ 111,00 |
| RBRF11 | FII | 1,5% | FoF | R$ 83,00 |
| RBRR11 | FII | 1,5% | Papel | R$ 96,00 |
| XPML11 | FII | 5,0% | Shopping | R$ 105,00 |
| KDIF11 | Crédito Privado | 2,5% | Fundo de Deb. Incentivada | NA |
| IFRA11 | Crédito Privado | 2,5% | Fundo de Deb. Incentivada | NA |
| LCA Pré 2 Anos | Crédito Privado | 2,5% | Crédito Privado | NA |
| ITUB4 | Ações | 5,0% | Ações | R$ 34,40 |
| TAEE11 | Ações | 7,5% | Ações | R$ 53,00 |
| VALE3 | Ações | 7,5% | Ações | R$ 106,00 |
| VIVT3 | Ações | 5,0% | Ações | R$ 58,00 |
| IPCA+ 2055 | Título Público | 2,5% | Título Público | NA |
| IPCA+ 2032 | Título Público | 2,5% | Título Público | NA |
| CVRDA6 | Crédito Privado | 2,5% | Crédito Privado | NA |
| BLQD39 | Renda Fixa Internacional | 2,5% | Proteção | NA |
Fonte: Spiti
Agora, se você segue a carteira original e quer saber as informações relativas a ela, basta entrar na seção de recomendados da série.
Conclusão
Neste relatório, apresentamos uma análise detalhada da performance das carteiras da série Renda Total no mês de abril de 2023, bem como um panorama dos acontecimentos internacionais e nacionais que impactaram o mercado financeiro. Observamos um desempenho positivo para ambas as carteiras, com retornos superiores ao Ibovespa e ao CDI, e resultados estáveis em relação ao Ifix no mês.
No cenário internacional, as políticas monetárias dos Estados Unidos e da zona do euro, juntamente com a crise dos bancos de menor porte nos EUA, continuaram a influenciar os mercados globais. No Brasil, o debate sobre o novo arcabouço fiscal e a manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano foram fatores relevantes na economia nacional.
As carteiras original e alternativa da série Renda Total obtiveram desempenhos semelhantes e positivos em abril, impulsionadas pela queda de juros e pelo bom desempenho dos fundos imobiliários. No acumulado do ano, ambas as carteiras também apresentaram resultados positivos, superando os principais benchmarks do mercado.
Abraços,
Filipe Colus e Gui Cadonhotto