Olá, queridas e queridos assinantes da série Renda Total!
Neste relatório, trazemos uma atualização dos principais acontecimentos internacionais e nacionais que afetaram não somente o mercado como um todo, mas também as carteiras original e alternativa da série Renda Total.
O mês de agosto foi muito positivo para os ativos da renda variável no Brasil e para as nossas carteiras alternativa e original que no mês apresentaram performances de 3,8% e 5,4%, respectivamente, e já acumulam taxas de dividendos anual de 8,61% e 7,84%, nessa ordem. O movimento contínuo de melhora nos indicadores de mercado, que teve início ao final de julho, se estendeu por agosto: o Ifix, índice de FIIs, chegou a valorizar 5,76% no mês e atingiu 6,11% em 2022 até o fim do mês, quebrando a barreira dos 2.900 pontos pela primeira vez no ano.
O índice da Bolsa nacional, o Ibovespa, não ficou para trás. Subiu 6,16% em agosto, e no ano já acumula rendimento de 4,48% até o final de agosto. Com relação ao dólar, houve desvalorização de 0,19% no mês, e na variação anual o real está com 7,21% de valorização relação à moeda norte-americana.
Fonte: Broadcast | Elaborado por Spiti
Nas próximas linhas, vamos esmiuçar os fatos do mês passado para verificar os principais acontecimentos que impactaram os resultados.
Cenário internacional
O cenário externo foi marcado pelo posicionamento duro dos dirigentes dos bancos centrais como um todo no combate à alta do índice de preços. A inflação ao consumidor e ao produtor dos Estados Unidos de julho, liberada no início de agosto, ficou abaixo das expectativas do mercado. O resultado de CPI (inflação ao consumidor) veio estável, ante o consenso de alta de 0,2%.
Na comparação anual, a variação foi de 8,5% contra uma expectativa de 8,7%. Boa parte dessa desaceleração se deu por conta da queda do preço da gasolina. No entanto, mesmo sem esse item, as altas no núcleo (inflação sem a variação dos preços de energia e alimentos) também vieram abaixo do esperado pelo mercado.
Esses dados mostraram na margem um arrefecimento do aumento dos preços e um primeiro sinal de melhora no cenário inflacionário, o que reduziu o número de apostas dos mais pessimistas no começo do mês.
No entanto, mesmo com números melhores, ao longo de agosto dirigentes do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) e o presidente da instituição, Jerome Powell, não deixaram de se posicionar com cautela para relembrar o mercado de que, no momento, o importante para a instituição é conter a inflação e estabilizar os preços, mesmo que isso seja feito comprometendo o crescimento econômico do país por um período.Assim, os dados, ainda que melhores que o esperado, e o posicionamento firme com relação ao combate à inflação do país trouxeram volatilidade aos títulos de renda fixa norte-americana e às perspectivas de juros internacionais. Durante agosto, a taxa do título de 10 anos nos EUA foi de 2,60% para 3,13% no fechamento do mês.
Cenário nacional
Internamente, os destaques do mês de agosto foram a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) e os resultados da inflação.
Na última reunião, o comitê tomou a decisão de elevar a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, para 13,75% ao ano, alta que já estava precificada pelo mercado.
Entretanto, o mais importante desse evento foi a indicação feita na ata pelos diretores de que vão avaliar a necessidade de um ajuste residual da Selic na sua próxima reunião, na segunda quinzena de setembro. Isso reforçou a perspectiva de que o ciclo de alta dos juros está perto de seu término.
Essa sinalização causou forte e disseminada queda das taxas de juros, o que se traduziu em uma volatilidade mais intensa dos juros de médio e longo prazos. Já os de curto prazo se estabilizaram perto de 13,75%, indicando mais uma vez que o mercado também tem convicção de que o ciclo de aperto monetário promovido pelo Banco Central está terminando.
Tão importante quanto o fim do ciclo de elevação da alta da juros foram os resultados de inflação e a redução as perspectivas de inflação do mercado. A inflação de julho, medida pelo IPCA, foi a primeira deflação em tempos, no valor de -0,68%. Vale mencionar que o valor veio em linha com o esperado pelo mercado.
Essa queda refletiu majoritariamente a redução dos preços de energia e dos combustíveis. Entretanto, quando analisamos os dados do núcleo da inflação, índice que não leva em consideração a variação de alimentos e energia, o resultado também desacelerou de forma relevante entre junho e julho, quando passou de um resultado de 0,89% para 0,59%.
Outros resultados de indicadores de inflação além do número oficial (IPCA) vieram negativos, como o IGP-DI e o IPCA-15. Com esses acontecimentos, a curva de juros oscilou em toda a sua extensão, principalmente nas primeiras duas semanas de agosto. Veja como ficaram as perspectivas de juros futuras no mês:
Fonte: Broadcast | Elaborado por Spiti
Um dos reflexos da redução das taxas de juros foi também a queda da medida de risco, mensurada pelo Credit Default Swap (CDS), que atingiu em julho de 2022 o nível máximo desde o início da pandemia e agora já está retornando para a média.
Fonte: Broadcast | Elaborado por Spiti
No entanto, mesmo com o movimento de melhora que vimos no mês de agosto, como podemos ver como o gráfico acima, as taxas de juros dos títulos públicos, que são referência para construção do índice CDS, ainda estão acima da média histórica.
Deflação e impactos nos fundos de papel
A leitura de um cenário inflacionário no curto prazo mais amistoso após os dados deflacionários e os indícios do Banco Central e do mercado sobre o fim do ciclo de alta da taxa de juros foram algumas das forças motores que afetaram positivamente nossa carteira em agosto.
Nos últimos meses, fizemos alterações em ambas as carteiras recomendadas (original e alternativa) com foco na redução indireta de FIIs que se prejudicariam no curto prazo com o movimento de deflação atual. Porém, como vamos mostrar adiante, mesmo os ativos que tiveram resultado negativo – e aqui destacamos o KNIP11 –, reafirmamos nossa posição de COMPRA em ambas as carteiras para esse ativo, por conta da qualidade de gestão e histórico de entrega de dividendos, que neste ano já atingiu 16,1% anualizado.
Além disso, o resultado de julho foi apenas o 15º mês de deflação das 511 medições feitas pelo IPCA, considerando o período desde o começo do Plano Real, em 1994. Também precisamos salientar que existem diferenças na maneira de os FIIs entregarem seus rendimentos, o que pode mascarar o seu valor real.
Fonte: Spiti
Para fins comparativos, trouxemos dois fundos que possuem grande parte de suas carteiras alocados em ativos indexados à inflação, mas que apresentam estratégias diferentes.
Um ativo que hoje não está mais em nossa carteira, o MCCI11, por exemplo, preza em ter um fluxo mais constante e uma taxa de dividendo menor, ao passo que o KNIP11 prefere entregar o valor referente ao mês corrente e possuir uma volatilidade maior na recorrência dos pagamentos. Portanto, precisamos ter cuidado em observar apenas o resultado do mês em questão e utilizá-lo para julgar a capacidade de pagamento dos FIIs, ou até mesmo comparar o dividend yield (DY) mensal de cada um.
Ambos os ativos sentiram em seus resultados a deflação pontual, mas ela fica mais evidente no KNIP11, que teve uma sequência de pregões de negativos que não faz jus à entrega de valor que vimos até então no ano de 2022 – sua cota desvalorizou 2,78% em agosto e 3% em julho. Isso aconteceu sem que tenham acontecido grandes mudanças conjunturais no fundo ou perspectivas macroeconômicas de impacto no médio e longo prazo no país. Portanto, continuaremos nosso posicionamento no ativo.
Importante salientar que vimos esse movimento negativo nas cotas de curto prazo em outros FIIs recomendados, mas reafirmamos aqui o nosso posicionamento nos fundos de papel selecionados.
E mesmo com o resultado negativo pontual desses ativos, os FIIs selecionados foram os maiores responsáveis pelo resultado positivo das carteiras da série Renda Total no último mês.
Dito isso, vamos aos números.
Desempenho das carteiras original e alternativa Renda Total em agosto de 2022
O bom humor dos mercados nacionais e a queda dos juros nacionais de forma generalizada impulsionaram a performance dos nossos ativos, com destaque para os FIIs, tanto nos ganhos de capital quanto no pagamento de dividendos.
No mês, a carteira original fechou em alta de 5,4%, e a alternativa, em 3,8%. No ano, o acumulado das carteiras original e alternativa estão em 9,3% e 5,7%, respectivamente.
No gráfico a seguir, que traz as performances de cada categoria em agosto, é possível observar o efeito positivo dos FIIs em relação aos ganhos de capital em ambas as carteiras recomendadas:
Fonte: Quantum | Elaborado por Spiti
Fonte: Spiti
Fonte: Spiti
O resultado positivo do mês ficou marcado pelos ativos de renda variável e os de renda fixa pela redução das taxas de juros durante o mês.
Os destaques positivos individuais do mês ficam para os FIIs de tijolo, sobretudo os segmentos de escritórios, logística e renda urbana, como LVBI11 e KNRI11, que contribuíram, respectivamente, com 0,45% e 0,71% para as carteiras. Já na fatia de ações, destacamos o impacto positivo de BEEF3, BBAS3 e ITUB4 em nossas carteiras.
E, como mencionamos previamente, o resultado negativo do mês de ambas as carteiras fica para KNIP11, por conta da deflação do mês de julho.
Performance dos fundos de debêntures incentivadas
Para obter o cálculo de rentabilidade dos nossos fundos de debêntures, utilizamos a metodologia da Anbima. Como comentamos no relatório passado, consideramos o pagamento de dividendos no quinto dia útil do mês, como ambos os fundos recomendados, IFRA11 e KDIF11, fazem. Além disso, o retorno apresentado se refere ao das cotas patrimoniais, e não das de mercado, uma vez que o exercício aqui é verificar a geração de valor para quem investe.
No mês de agosto, a cota patrimonial ajustada pelos dividendos dos fundos recomendados caminhou em patamar positivo e, mesmo que tenha performado abaixo do IMA-B no mês, no acumulado do ano os fundos superam o benchmark:
Taxa de dividendos
A taxa de dividendos paga mês a mês pode ser encontrada na tabela a seguir:
Os destaques do mês ficam para os pagamentos de dividendos não recorrentes de empresas e dos cupons dos títulos públicos da carteira original. Na análise individual, a Taesa (TAEE11) foi responsável por 56% dos dividendos provenientes das nossas ações.
Conclusão
Mesmo com o resultado de deflação e o seu impacto nas cotas dos FIIs de papel, o resultado de agosto foi muito positivo para a carteira, o melhor resultado mensal deste ano até o momento, assim como foi julho.
No ano, nossas carteiras original e alternativa até o momento apresentam performances de 5,7% e 9,3%, respectivamente, e com taxa de dividendo calculada de 7,84% para a original e de 8,61% para a alternativa.
Aproveitamos também para reafirmar o nosso posicionamento de recomendação de COMPRA para o KNIP11, principalmente nesse cenário de desvalorização pontual, que na nossa visão é momentâneo e foi causado pelos resultados de deflação.
Abraços,
Filipe Colus e Gui Cadonhotto