Relatórios

Performance das carteiras original e alternativa da série Renda Total em julho de 2022

Escrito por Felipe Arrais, Fillipe Colus, Guilherme Cadonhotto em RENDA TOTAL

8 min de leitura

Olá, queridas e queridos assinantes da série Renda Total!

Neste relatório, trazemos uma atualização dos principais acontecimentos internacionais e nacionais que afetaram não somente o mercado, mas também as carteiras original e alternativa da série Renda Total.

O bom humor internacional contagiou o Brasil e trouxe um respiro após o mês conturbado que foi junho para os ativos de risco. Em julho, a carteira original fechou com uma redução de 0,1%, ao passo que a alternativa performou positivamente e fechou o mês com alta de 0,3%. O destaque do mês ficou para os nossos FIIs, tanto nos ganhos de capital quanto no pagamento de dividendos.

Por falar nos proventos, o ativo que chamou atenção positivamente foi a Vivo (VIVT3), que pagou fartos dividendos no mês de julho e adicionou aos pagamentos já previstos dos nossos FIIs selecionados. Em 12 meses, a carteira original acumula dividendos de 7,5%, e a carteira alternativa, 8,13%.

Antes de entrar no detalhe dos nossos ativos, vamos analisar esse sentimento positivo que contagiou o Brasil.

Cenário internacional

O que vimos no mês de junho foi muito similar a um pêndulo, que está entrando em sintonia com os dados que estão ainda oscilando, e são a referência soberana para saber se o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deve continuar com uma mão leve ou mais pesada no aumento dos juros. A aposta do mercado no final de julho foi de um movimento mais sutil e elevações de menor magnitude.

Ainda na analogia do pêndulo, no início de julho o mercado estava tendendo para o viés mais negativo, já que o medo de recessão global pairava no ar, como explicamos em nosso último relatório mensal. Ao longo do mês, o pêndulo foi gradativamente pendendo para o lado positivo: mesmo com o dado oficial de inflação nos EUA acima do esperado, o PIB veio abaixo das expectativas junto com uma série de dados predecessores de atividade do país, o que deu motivos para o Fed se posicionar de uma maneira mais branda quanto aos próximos aumentos.

Com isso em vista, em julho, o mercado se recuperou da forte queda registrada no mês anterior. No Brasil, tivemos uma variação positiva de 4,69% no Ibovespa, reduzindo a perda do índice no ano para 1,58%, e o Ifix, principal referência de FIIs, apresentou uma variação positiva de 0,66%, acumulando um ganho de 0,33% em 2022. Já em relação ao dólar, houve queda de 1,16%.

Fonte: Broadcast. Elaborado por Spiti

Como explicamos, boa parte desse rali positivo é reflexo da reversão das expectativas de aumento da taxa de juros nos Estados Unidos. Depois de uma elevação em junho e que persistiu até o início de julho, quando os crescentes temores de inflação empurraram as expectativas de pico do Fed para 1%, confirmamos em julho um aumento de 0,75% e uma redução quanto à expectativa de taxa terminal.

O Fed também mostrou em sua ata um aumento na confiança de que o aperto moderado dos juros será suficiente para aproximar a inflação de sua meta de 2%. Seu discurso mais brando animou o mercado, fazendo com que as taxas de juros globais caíssem acentuadamente e as moedas emergentes se valorizassem.

Vale lembrar que um dos principais papéis de qualquer banco central é o de controle de inflação através da manutenção da taxa de juros. Alguns dados acessórios, conhecidos como dados predecessores ou dados leves, podem fornecer indicativos sobre a efetividade e a necessidade de um posicionamento mais duro ou não da instituição.

A variação do PIB é outro parâmetro importante, pois mostra como está a economia dos países. No caso dos EUA, está em patamar negativo já há dois trimestres. E alguns dados predecessores, como o Índice dos Gerentes de Compras (PMI) e a pesquisa do Fed Filadélfia, já indicaram um enfraquecimento econômico em julho.

A leitura do mercado após a divulgação dos dados e o posterior posicionamento do banco central norte-americano fornece indícios de que não será necessário um aperto tão duro como se esperava, uma vez que os dados mostram que na margem a economia americana já está enfraquecendo no atual ritmo de elevação de juros. Isso fez com que os juros por lá cedessem, o dólar se enfraquecesse em relação aos pares globais e as Bolsas pelo mundo subissem de modo generalizado.

Para completar, na Zona do Euro, os PMIs da região também mostraram enfraquecimento da indústria e estagnação do setor de serviços, enquanto o Banco Central Europeu (BCE) subiu a taxa dos juros básicos além das expectativas no mês.

As Bolsas refletiram a leitura dos dados de atividade e de inflação, o posicionamento mais brando do Fed e os bons resultados dos negócios no segundo trimestre, que contribuíram para o ganho do mercado acionário.

Para ilustrar esse bom desempenho, o percentual de resultados acima do esperado se aproxima de 75% das divulgações. No início de julho, o número era ligeiramente superior a 60%.

Mas quem no final do dia vai determinar se o banco central precisa continuar ou não a elevação dos juros é a própria inflação medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI, em inglês).

Variação ano a ano do índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos (CPI)

Fonte: Bureau of Labor Statistics. Elaborado por The New York Times

De forma resumida, os dados mais recentes de inflação aferidos pelo CPI ainda estão em patamar elevados e com aceleração nos núcleos, que é a inflação calculada sem o efeito de combustíveis e alimentos. Por sua vez, o mercado de trabalho se mantém próximo do pleno emprego, com forte geração de vagas em julho e rápido aumento dos salários nominais, o que levanta a possibilidade de maior inércia no curso da inflação – pessoas com maior salário têm a possibilidade de gastar mais na margem e continuar o processo inflacionário.

Ainda que os dados de inflação (que são os soberanos quando o assunto é política monetária) preocupem, vimos ao longo do mês de julho uma oscilação dos mercados, passando do campo negativo para o positivo, o que impulsionou não somente o cenário externo, mas também o nosso.

Cenário nacional

Por aqui, o Banco Central promoveu novas altas da taxa básica de juros, levando-a para 13,75% ao ano, e sinalizou que espera que o atual nível seja suficiente para reverter o cenário de alta da inflação. Ainda assim, deixou em aberto uma possibilidade de um aumento residual de 0,25% caso entenda que há necessidade para isso.

Já a recuperação dos preços das commodities no exterior, a quedas dos juros dos títulos do Tesouro norte-americano e a desvalorização do dólar foram importantes para que o real se fortalece na última semana de julho.

Fonte: Bloomberg

Com isso, as nossas taxas de juros futuros recuaram de forma generalizada, movidas pela apreciação do real e queda dos juros no exterior.

Fonte: Broadcast. Elaborado por Spiti

A queda dos juros e das taxas dos títulos públicos brasileiros afetou positivamente o risco-país medido pelo CDS (o Credit Default Swap, uma medida de risco de crédito de países). Veja no gráfico a seguir que saímos do pico de 15 de julho, em que o indicador marcava 322, o patamar mais alto desde o início da pandemia, e a última leitura, do dia 9 de agosto, está em 261:

Fonte: Broadcast. Elaborado por Spiti

Internamente, a B3 acompanhou a valorização das Bolsas internacionais. Além disso, fatores domésticos contribuíram para a alta das ações locais.

Em primeiro lugar, destaque para os números fortes do mercado de trabalho de junho. A taxa de desemprego recuou novamente e atingiu a marca de 8,7%, sem contar que o crescimento da população ocupada continuou robusto e disseminado.

E, em segundo lugar, o resultado surpreendente de ações ligadas a commodities, que puxaram o índice para cima. Um exemplo disso foi o resultado apresentado pela Petrobras, que ficou acima das expectativas do mercado.

Agora, vamos olhar mais de perto os ativos recomendados e como isso afetou a performance da carteira.

Desempenho das carteiras original e alternativa Renda Total em julho de 2022

O bom humor dos mercados internacionais e a queda dos juros de forma generalizada empurrou a performance dos nossos ativos, com destaque para os FIIs, tanto nos ganhos de capital quanto no pagamento de dividendos.

No mês, a carteira original de Renda Total fechou com uma redução de 0,1%, ao passo que a alternativa performou positivamente e fechou o mês com alta de 0,3%. No ano, o acumulado das carteiras original e alternativa estão em 3,3% e 2,2% respectivamente.

jan/22fev/22mar/22abr/22mai/22jun/22jul/22 2022
CDI 0,7% 0,8% 0,9% 0,8% 1,0% 1,0% 1,0% 6,5%
Ibovespa 7,0% 0,9% 6,1%(10,1%) 3,2%(11,5%) 4,7%(1,6%)
Ifix(1,0%)(1,3%) 1,4% 1,2% 0,3%(0,9%) 0,7% 0,3%
RT - Alternativa 0,6% 0,6% 3,3%(0,6%) 0,6%(2,7%) 0,3% 2,2%
RT - Original 0,3% 1,5% 4,2%(1,1%) 1,4%(2,8%)(0,1%) 3,3%

Fonte: Spiti

No gráfico a seguir, que traz as performances de cada categoria em julho, é possível observar o efeito positivo dos FIIs em relação aos ganhos de capital em ambas as carteiras recomendadas:

Fonte: Quantum. Elaborado por Spiti

Atribuição de performance da carteira original

Fonte: Quantum. Elaborado por Spiti

Atribuição de performance da carteira alternativa

Fonte: Quantum. Elaborado por Spiti

Os destaques positivos do mês de julho entre as ações ficaram com Taesa (TAEE11), Itaú (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3). Já o destaque negativo para o período ficou com a Vale (VALE3), por conta da baixa atividade e receios quanto à resiliência do setor de construção da China e queda do preço do minério de ferro.

Do lado dos FIIs, o nosso top 3 de performances positivas ficou com o HGBS11, KNRI11 e BCFF11, enquanto as três negativas foram BRCR11, KNIP11 e PATL11.

Sobre os fundos de crédito

Traremos também um acompanhamento mensal dos nossos fundos de crédito recomendados, o KDIF11 e o IFRA11. Para isso, vamos utilizar a metodologia de acompanhamento da Anbima, a entidade de representa o mercado, tanto para títulos de crédito privado quanto para fundos de investimentos com cota ajustada pelos dividendos, conforme as melhores práticas recomendadas.

Para aferir o cálculo de rentabilidade, estamos considerando o pagamento de dividendos no quinto dia útil, tal qual ambos os fundos recomendados fazem. Além disso, o retorno apresentado se refere ao das cotas patrimoniais, e não das de mercado, uma vez que o exercício aqui é o de verificar a geração de valor para quem investe.

Vale lembrar que a cota de mercado sofre influência de outros pontos que podem distorcer essa verificação, como por exemplo a oferta e demanda dos fundos, como mencionamos no nosso último relatório.

No mês de julho, a cota patrimonial ajustada pelos dividendos dos fundos recomendados caminhou em patamar negativo no mês. Ainda assim, no acumulado do ano supera seu benchmark, o IMA-B:

Taxa de dividendos

A taxa de dividendos paga mês a mês pode ser encontrada na tabela a seguir:

O pagamento de dividendos de julho veio acima do registrado no mês anterior. Aqui, destacamos a Vivo (VIVT3), que, sozinha, foi responsável por 22% dos dividendos recebidos do mês. Os títulos públicos foram responsáveis pelo pagamento de 29% dos dividendos recebidos, e o FIIs, por 41% do total.

Conclusão

O mês de julho trouxe um respiro depois de um desafiador junho. Quando analisamos o mercado internacional, vimos uma redução das apostas de elevação da taxa de juros e uma queda generalizada destas, o que impulsionou a performance positiva de ativos de risco mundo afora.

O otimismo internacional afetou as nossas carteiras de forma positiva, principalmente no que tange a queda dos juros, sendo que o destaque de julho ficou para os FIIs, que performaram positivamente no mês, tanto na parte de ganhos de capital quanto no pagamento de dividendos.

Sobre os fundos de créditos, KDIF11 e IFRA11 continuam trabalhando acima do benchmark no ano. Vale lembrar que o KDIF11 está realizando sua sexta emissão, como explicamos no relatório de semana passada.

No ano, nossa carteira fecha o mês de agosto performando acima dos índices de referência de mercado, o Ifix e o Ibovespa, e com dividendo calculado de 7,50% para a carteira original e 8,13% para a alternativa.

Abraços,

Fê Colus e Gui Cadonhotto

Sobre os analistas

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.

Fillipe Colus

É especialista em renda fixa da Spiti, bacharel em Engenharia Mecânica e especialista em Finanças. Auxiliou mais de 15 empresas com recomendações financeiras e operacionais em dois anos de consultoria estratégia e trabalhou na KPMG, ao lado de executivos e diretores de empresas líderes de segmentos, bem como no mercado público, auxiliando órgãos federais. Acredita que conhecimento bom deve ser repassado de uma forma simples e direta. Por isso, adora falar de finanças para quebrar tabus, e faz isso até nas horas vagas.

Guilherme Cadonhotto

Sócio

Além de estrategista-chefe da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como uma das principais autoridades brasileiras em renda fixa, ensinando seus assinantes e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.