Olá, queridas e queridos assinantes da série Renda Total!
Neste relatório, trazemos uma atualização dos principais acontecimentos internacionais e nacionais que afetaram não somente o mercado, mas também as carteiras original e alternativa da série Renda Total.
O bom humor internacional contagiou o Brasil e trouxe um respiro após o mês conturbado que foi junho para os ativos de risco. Em julho, a carteira original fechou com uma redução de 0,1%, ao passo que a alternativa performou positivamente e fechou o mês com alta de 0,3%. O destaque do mês ficou para os nossos FIIs, tanto nos ganhos de capital quanto no pagamento de dividendos.
Por falar nos proventos, o ativo que chamou atenção positivamente foi a Vivo (VIVT3), que pagou fartos dividendos no mês de julho e adicionou aos pagamentos já previstos dos nossos FIIs selecionados. Em 12 meses, a carteira original acumula dividendos de 7,5%, e a carteira alternativa, 8,13%.
Antes de entrar no detalhe dos nossos ativos, vamos analisar esse sentimento positivo que contagiou o Brasil.
Cenário internacional
O que vimos no mês de junho foi muito similar a um pêndulo, que está entrando em sintonia com os dados que estão ainda oscilando, e são a referência soberana para saber se o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deve continuar com uma mão leve ou mais pesada no aumento dos juros. A aposta do mercado no final de julho foi de um movimento mais sutil e elevações de menor magnitude.
Ainda na analogia do pêndulo, no início de julho o mercado estava tendendo para o viés mais negativo, já que o medo de recessão global pairava no ar, como explicamos em nosso último relatório mensal. Ao longo do mês, o pêndulo foi gradativamente pendendo para o lado positivo: mesmo com o dado oficial de inflação nos EUA acima do esperado, o PIB veio abaixo das expectativas junto com uma série de dados predecessores de atividade do país, o que deu motivos para o Fed se posicionar de uma maneira mais branda quanto aos próximos aumentos.
Com isso em vista, em julho, o mercado se recuperou da forte queda registrada no mês anterior. No Brasil, tivemos uma variação positiva de 4,69% no Ibovespa, reduzindo a perda do índice no ano para 1,58%, e o Ifix, principal referência de FIIs, apresentou uma variação positiva de 0,66%, acumulando um ganho de 0,33% em 2022. Já em relação ao dólar, houve queda de 1,16%.
Fonte: Broadcast. Elaborado por Spiti
Como explicamos, boa parte desse rali positivo é reflexo da reversão das expectativas de aumento da taxa de juros nos Estados Unidos. Depois de uma elevação em junho e que persistiu até o início de julho, quando os crescentes temores de inflação empurraram as expectativas de pico do Fed para 1%, confirmamos em julho um aumento de 0,75% e uma redução quanto à expectativa de taxa terminal.
O Fed também mostrou em sua ata um aumento na confiança de que o aperto moderado dos juros será suficiente para aproximar a inflação de sua meta de 2%. Seu discurso mais brando animou o mercado, fazendo com que as taxas de juros globais caíssem acentuadamente e as moedas emergentes se valorizassem.
Vale lembrar que um dos principais papéis de qualquer banco central é o de controle de inflação através da manutenção da taxa de juros. Alguns dados acessórios, conhecidos como dados predecessores ou dados leves, podem fornecer indicativos sobre a efetividade e a necessidade de um posicionamento mais duro ou não da instituição.
A variação do PIB é outro parâmetro importante, pois mostra como está a economia dos países. No caso dos EUA, está em patamar negativo já há dois trimestres. E alguns dados predecessores, como o Índice dos Gerentes de Compras (PMI) e a pesquisa do Fed Filadélfia, já indicaram um enfraquecimento econômico em julho.
A leitura do mercado após a divulgação dos dados e o posterior posicionamento do banco central norte-americano fornece indícios de que não será necessário um aperto tão duro como se esperava, uma vez que os dados mostram que na margem a economia americana já está enfraquecendo no atual ritmo de elevação de juros. Isso fez com que os juros por lá cedessem, o dólar se enfraquecesse em relação aos pares globais e as Bolsas pelo mundo subissem de modo generalizado.
Para completar, na Zona do Euro, os PMIs da região também mostraram enfraquecimento da indústria e estagnação do setor de serviços, enquanto o Banco Central Europeu (BCE) subiu a taxa dos juros básicos além das expectativas no mês.
As Bolsas refletiram a leitura dos dados de atividade e de inflação, o posicionamento mais brando do Fed e os bons resultados dos negócios no segundo trimestre, que contribuíram para o ganho do mercado acionário.
Para ilustrar esse bom desempenho, o percentual de resultados acima do esperado se aproxima de 75% das divulgações. No início de julho, o número era ligeiramente superior a 60%.
Mas quem no final do dia vai determinar se o banco central precisa continuar ou não a elevação dos juros é a própria inflação medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI, em inglês).
Variação ano a ano do índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos (CPI)
Fonte: Bureau of Labor Statistics. Elaborado por The New York Times
De forma resumida, os dados mais recentes de inflação aferidos pelo CPI ainda estão em patamar elevados e com aceleração nos núcleos, que é a inflação calculada sem o efeito de combustíveis e alimentos. Por sua vez, o mercado de trabalho se mantém próximo do pleno emprego, com forte geração de vagas em julho e rápido aumento dos salários nominais, o que levanta a possibilidade de maior inércia no curso da inflação – pessoas com maior salário têm a possibilidade de gastar mais na margem e continuar o processo inflacionário.
Ainda que os dados de inflação (que são os soberanos quando o assunto é política monetária) preocupem, vimos ao longo do mês de julho uma oscilação dos mercados, passando do campo negativo para o positivo, o que impulsionou não somente o cenário externo, mas também o nosso.
Cenário nacional
Por aqui, o Banco Central promoveu novas altas da taxa básica de juros, levando-a para 13,75% ao ano, e sinalizou que espera que o atual nível seja suficiente para reverter o cenário de alta da inflação. Ainda assim, deixou em aberto uma possibilidade de um aumento residual de 0,25% caso entenda que há necessidade para isso.
Já a recuperação dos preços das commodities no exterior, a quedas dos juros dos títulos do Tesouro norte-americano e a desvalorização do dólar foram importantes para que o real se fortalece na última semana de julho.
Fonte: Bloomberg
Com isso, as nossas taxas de juros futuros recuaram de forma generalizada, movidas pela apreciação do real e queda dos juros no exterior.
Fonte: Broadcast. Elaborado por Spiti
A queda dos juros e das taxas dos títulos públicos brasileiros afetou positivamente o risco-país medido pelo CDS (o Credit Default Swap, uma medida de risco de crédito de países). Veja no gráfico a seguir que saímos do pico de 15 de julho, em que o indicador marcava 322, o patamar mais alto desde o início da pandemia, e a última leitura, do dia 9 de agosto, está em 261:
Fonte: Broadcast. Elaborado por Spiti
Internamente, a B3 acompanhou a valorização das Bolsas internacionais. Além disso, fatores domésticos contribuíram para a alta das ações locais.
Em primeiro lugar, destaque para os números fortes do mercado de trabalho de junho. A taxa de desemprego recuou novamente e atingiu a marca de 8,7%, sem contar que o crescimento da população ocupada continuou robusto e disseminado.
E, em segundo lugar, o resultado surpreendente de ações ligadas a commodities, que puxaram o índice para cima. Um exemplo disso foi o resultado apresentado pela Petrobras, que ficou acima das expectativas do mercado.
Agora, vamos olhar mais de perto os ativos recomendados e como isso afetou a performance da carteira.
Desempenho das carteiras original e alternativa Renda Total em julho de 2022
O bom humor dos mercados internacionais e a queda dos juros de forma generalizada empurrou a performance dos nossos ativos, com destaque para os FIIs, tanto nos ganhos de capital quanto no pagamento de dividendos.
No mês, a carteira original de Renda Total fechou com uma redução de 0,1%, ao passo que a alternativa performou positivamente e fechou o mês com alta de 0,3%. No ano, o acumulado das carteiras original e alternativa estão em 3,3% e 2,2% respectivamente.
| jan/22 | fev/22 | mar/22 | abr/22 | mai/22 | jun/22 | jul/22 | 2022 | |
| CDI | 0,7% | 0,8% | 0,9% | 0,8% | 1,0% | 1,0% | 1,0% | 6,5% |
| Ibovespa | 7,0% | 0,9% | 6,1% | (10,1%) | 3,2% | (11,5%) | 4,7% | (1,6%) |
| Ifix | (1,0%) | (1,3%) | 1,4% | 1,2% | 0,3% | (0,9%) | 0,7% | 0,3% |
| RT - Alternativa | 0,6% | 0,6% | 3,3% | (0,6%) | 0,6% | (2,7%) | 0,3% | 2,2% |
| RT - Original | 0,3% | 1,5% | 4,2% | (1,1%) | 1,4% | (2,8%) | (0,1%) | 3,3% |
Fonte: Spiti
No gráfico a seguir, que traz as performances de cada categoria em julho, é possível observar o efeito positivo dos FIIs em relação aos ganhos de capital em ambas as carteiras recomendadas:
Fonte: Quantum. Elaborado por Spiti
Atribuição de performance da carteira original
Fonte: Quantum. Elaborado por Spiti
Atribuição de performance da carteira alternativa
Fonte: Quantum. Elaborado por Spiti
Os destaques positivos do mês de julho entre as ações ficaram com Taesa (TAEE11), Itaú (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3). Já o destaque negativo para o período ficou com a Vale (VALE3), por conta da baixa atividade e receios quanto à resiliência do setor de construção da China e queda do preço do minério de ferro.
Do lado dos FIIs, o nosso top 3 de performances positivas ficou com o HGBS11, KNRI11 e BCFF11, enquanto as três negativas foram BRCR11, KNIP11 e PATL11.
Sobre os fundos de crédito
Traremos também um acompanhamento mensal dos nossos fundos de crédito recomendados, o KDIF11 e o IFRA11. Para isso, vamos utilizar a metodologia de acompanhamento da Anbima, a entidade de representa o mercado, tanto para títulos de crédito privado quanto para fundos de investimentos com cota ajustada pelos dividendos, conforme as melhores práticas recomendadas.
Para aferir o cálculo de rentabilidade, estamos considerando o pagamento de dividendos no quinto dia útil, tal qual ambos os fundos recomendados fazem. Além disso, o retorno apresentado se refere ao das cotas patrimoniais, e não das de mercado, uma vez que o exercício aqui é o de verificar a geração de valor para quem investe.
Vale lembrar que a cota de mercado sofre influência de outros pontos que podem distorcer essa verificação, como por exemplo a oferta e demanda dos fundos, como mencionamos no nosso último relatório.
No mês de julho, a cota patrimonial ajustada pelos dividendos dos fundos recomendados caminhou em patamar negativo no mês. Ainda assim, no acumulado do ano supera seu benchmark, o IMA-B:
Taxa de dividendos
A taxa de dividendos paga mês a mês pode ser encontrada na tabela a seguir:
O pagamento de dividendos de julho veio acima do registrado no mês anterior. Aqui, destacamos a Vivo (VIVT3), que, sozinha, foi responsável por 22% dos dividendos recebidos do mês. Os títulos públicos foram responsáveis pelo pagamento de 29% dos dividendos recebidos, e o FIIs, por 41% do total.
Conclusão
O mês de julho trouxe um respiro depois de um desafiador junho. Quando analisamos o mercado internacional, vimos uma redução das apostas de elevação da taxa de juros e uma queda generalizada destas, o que impulsionou a performance positiva de ativos de risco mundo afora.
O otimismo internacional afetou as nossas carteiras de forma positiva, principalmente no que tange a queda dos juros, sendo que o destaque de julho ficou para os FIIs, que performaram positivamente no mês, tanto na parte de ganhos de capital quanto no pagamento de dividendos.
Sobre os fundos de créditos, KDIF11 e IFRA11 continuam trabalhando acima do benchmark no ano. Vale lembrar que o KDIF11 está realizando sua sexta emissão, como explicamos no relatório de semana passada.
No ano, nossa carteira fecha o mês de agosto performando acima dos índices de referência de mercado, o Ifix e o Ibovespa, e com dividendo calculado de 7,50% para a carteira original e 8,13% para a alternativa.
Abraços,
Fê Colus e Gui Cadonhotto