Neste relatório de performance mensal, vamos apresentar como as carteiras original e alternativa da Renda Total se comportaram durante o mês de março de 2023, um período desafiador para a economia brasileira.
Embora as incertezas econômicas com relação aos juros e convergência da dívida tenham gerado instabilidade no mercado financeiro, ambas as carteiras apresentaram resultados positivos no acumulado do ano de 2023, superando o desempenho dos principais benchmarks do mercado, como o Ibovespa e o Ifix.
Assim, na contramão dos indicadores de renda variável, a carteira original obteve um desempenho positivo de 0,51%, enquanto a alternativa subiu 0,33% no mês.
Vamos analisar em detalhes os principais fatores que influenciaram esses resultados.
Resumo do mês de março
A atenção dos investidores e economistas ficou voltada às quedas das taxas dos títulos prefixados e indexados à inflação. Para compreender essa tendência, é necessário analisar os dois fatores principais que a impulsionam.
O primeiro fator é a surpresa positiva com a apresentação do arcabouço fiscal, uma proposta que visa reduzir o endividamento do país e colocar a dívida pública em trajetória declinante. Essa medida demonstra o compromisso do governo em melhorar a situação fiscal a longo prazo.
Contudo, apesar da proposta, o entusiasmo dos investidores permanece limitado, devido às expectativas negativas que cercam a situação fiscal do país. Isso indica uma preocupação significativa com o cenário atual e ressalta a necessidade de medidas mais concretas e abrangentes para mudar essa realidade.
O segundo fator crucial na análise da queda nas taxas dos títulos prefixados e indexados à inflação são os indicadores de inflação, que impulsionaram queda nos vencimentos curtos.
Esses indicadores desempenham um papel fundamental na determinação das taxas de juros. Quando a inflação está alta, os investidores exigem maior compensação, levando à elevação das taxas de juros, em especial os de curto prazo. Por outro lado, quando o índice de preços está baixo, os investidores aceitam retornos menores, resultando em taxas de juros mais baixas.
Recentemente, os indicadores de inflação direcionados ao produtor e ao setor de serviços têm apresentado arrefecimento, gerando perspectivas positivas em relação à inflação futura. Essas perspectivas têm sido fundamentais para a queda nas taxas dos títulos prefixados e indexados à inflação.
Fonte: Broadcast | Elaborado por Spiti
Considerando esses dois fatores, a precificação na curva aponta indícios no sentido de haver espaço para cortes nas taxas de juros ainda neste ano. Isso implica que o Banco Central pode optar por reduzir as taxas de juros nos próximos meses, potencialmente levando a uma valorização ainda maior nos títulos prefixados e indexados à inflação.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, encerrou março com queda de 2,91% em seu desempenho. Esse resultado foi influenciado pela saída de investidores estrangeiros e institucionais, que retiraram R$ 2,4 bilhões e R$ 1,9 bilhões, respectivamente. A instabilidade no mercado financeiro gerou ansiedade entre os investidores, que aguardavam sinais de redução da inflação e uma possível diminuição do aumento no nível de preços no futuro próximo.
A inflação, embora tenha arrefecido para o produtor, permanece pressionada para o consumidor e acima da meta, atualmente em 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual. Uma recuperação na Bolsa ocorreu somente em meados de abril, impulsionada por sinais de estabilização da inflação e das taxas de juros.
Fonte: Infomoney
Fonte: Quantum | Elaborado por Spiti
| Acumulado em 12 meses (3/23) - % a.a) | |
| IGP-M | 0,2% |
| IGP-DI | -1,2% |
| IPCA | 4,65% |
- IPCA: mede a inflação oficial no Brasil para famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos.
- IGP-M: mede a variação de preços de bens e serviços em geral, incluindo atacado, varejo e construção civil.
- IGP-DI: mede a variação de preços de bens e serviços no mercado interno brasileiro, incluindo atacado, varejo e construção civil.
A parcela internacional da carteira alocada em BLQD39 apresentou performance positiva em dólares durante março, mas a desvalorização de 2,91% da moeda norte-americana frente ao real ofuscou essa valorização, impactando o retorno dos investimentos realizados em dólares por investidores brasileiros.
O mercado de títulos apresentou volatilidade em março, com queda significativa nas taxas dos títulos do Tesouro dos EUA de 10 anos (10Y), que foram de 4,0847% no início do mês para 3,2869% e fecharam em 3,4746%. Os títulos de 2 anos (2Y) atingiram seu ápice em 5,06% e encerraram o mês em 4,02%.
Fonte: Broadcast | Elaborado por Spiti
Bem como pontuou o especialista em FIIs da casa, Ricardo Figueiredo, o mercado de fundos imobiliários experimentou um momento histórico em março de 2023, com o índice Ifix registrando cinco meses consecutivos de desempenho negativo pela primeira vez desde 2010. Essa queda ocorreu durante momento em que a taxa Selic sofre constantes ataques, até mesmo pelo presidente eleito, e que permanece inalterada em 13,75% ao ano por seis reuniões consecutivas do Copom (Comitê de Política Monetária) desde agosto de 2022.
A trajetória negativa do Ifix foi acentuada pela inadimplência de grandes devedores em fundos imobiliários de maior risco de crédito (high yield), como DEVA11, HCTR11, VSLH11 e TORD11. No entanto, alguns fundos de tijolo, como PVBI11 e BTLG11, apresentaram recuperação em março.
Aqui no Renda Total, não há alocação em fundos imobiliários high yield de CRI, devido à assimetria desfavorável entre risco e retorno. Em vez disso, são preferidos ativos high grade, com CRIs de maior qualidade e menor risco de crédito.
Agora, dentro desse cenário, como nossas carteiras performaram?
Desempenho das carteiras original e alternativa Renda Total em março de 2023
As carteiras original e alternativa apresentaram desempenhos semelhantes em março, impactadas pelas variações do Ibovespa e dos juros. A original teve um desempenho positivo de 0,51%, enquanto a alternativa subiu 0,33% no mês.
No acumulado do ano de 2023, ambas as carteiras ainda apresentam desempenhos positivos, com alta de 1,1% na original e de 0,6% na alternativa. Em relação aos principais benchmarks do mercado, apenas o CDI apresenta resultado positivo no ano, e ainda assim superamos nossos pares comparáveis, Ibovespa e Ifix, que, no agregado, amargam perdas de 5,31% e 2,03% no ano, respectivamente, até o momento da elaboração deste relatório.
Fonte: Quantum | Elaborado por Spiti
Os investimentos em títulos públicos foram os destaques positivos nas carteiras original e alternativa da Renda Total em março, apresentando altas de 0,75% e 0,37%, respectivamente. Esses desempenhos foram influenciados pela queda da taxa de juros, que beneficiou esse tipo de investimento.
Do outro lado, as ações apresentaram quedas significativas de 0,7% e 0,56% nas carteiras original e alternativa, respectivamente, puxadas principalmente pelo índice do setor, que refletiu aumento de percepção de risco e fluxo de saída de investimentos na Bolsa de estrangeiros e institucionais, bem como as incertezas quanto à convergência da inflação e das taxas de juros no país. Apesar disso, os investimentos em FIIs e crédito privado apresentaram resultados positivos.
As principais ações detratoras foram Minerva (BEEF3) e Vale (VALE3), com quedas expressivas. Itaú (ITUB4) e Taesa (TAEE11) também tiveram desempenhos negativos. Ainda, B3 (B3SA3) e Banco do Brasil (BBAS3) apresentaram baixas, porém menos acentuadas. Comparativamente, ambas as carteiras tiveram um desempenho superior ao Ibovespa, que registrou -2,9% no mesmo período.
A queda nas ações pode ter impactado moderadamente no curto prazo, mas é importante ressaltar que essa fatia dos investimentos é extremamente relevante para as carteiras Renda Total. É por meio desses ativos de renda variável que temos participação em setores específicos que distribuem historicamente patamar interessante de dividendos.
No entanto, como mencionado anteriormente, nossa estratégia de investimento diversificada nos ajuda a minimizar os riscos associados à volatilidade do mercado de ações.
Taxa de dividendos
A taxa de dividendos paga mês a mês pode ser encontrada na tabela a seguir:
Carteira alternativa
Antes de fecharmos o relatório, trazemos nesta seção o percentual recomendado da carteira alternativa, bem como o preço máximo dos FIIs que foram recomendados exclusivamente para essa carteira: PORD11 e KNCR11.
Conclusão
No mês de março de 2023, as carteiras original e alternativa da Renda Total enfrentaram mais um período desafiador na economia brasileira, mas ainda assim obtiveram resultados positivos. A original apresentou um desempenho positivo de 0,51%, enquanto a alternativa de 0,33%, sustentada principalmente pela parcela de títulos públicos e FIIs.
No acumulado do ano de 2023, ambas as carteiras superaram os principais benchmarks do mercado, como o Ibovespa e o Ifix. A queda nas taxas dos títulos prefixados e indexados à inflação foi impulsionada por dois fatores principais: a surpresa positiva com a apresentação do arcabouço fiscal e os indicadores de inflação, que impulsionaram a queda nos vencimentos curtos.
Ainda assim, as ações foram impactadas negativamente devido à instabilidade no mercado financeiro, enquanto os investimentos em títulos públicos, FIIs e crédito privado apresentaram resultados positivos. A taxa de dividendos nos últimos 12 meses foi de 6,91% para a carteira original e 8,14% para a carteira alternativa.
Abraços,
Filipe Colus e Gui Cadonhotto