O apetite a risco muda a depender do estágio de vida de cada investidor.
É fácil entender uma carteira mais arrojada enquanto você está iniciando a vida profissional, jovem e ainda sem muito patrimônio. Afinal, neste momento você ainda tem muito tempo à frente e, diante de um patrimônio que ainda é pequeno, o risco de perda se torna mais tolerável.
Com o passar do tempo, você ganha mais responsabilidades, uma família para cuidar e menos tempo de vida pela frente, então precisa adaptar a estratégia, já que agora é importante preservar o que já foi acumulado de forma a manter o padrão de vida adquirido.
Normalmente a classe de ativos protagonista neste primeiro momento de acumulação é a classe de ações. Mas, no momento de preservação, elas perdem um pouco de espaço para que a renda fixa possa entrar em cena.
Pensando justamente na demanda de investidores que queiram preservar patrimônio e viver da renda gerada por ele, a PIMCO, uma das maiores gestoras do mundo, criou a estratégia de renda fixa do fundo que recomendamos neste relatório: a estratégia PIMCO Income.
O fundo é destinado a investidores qualificados, como a maioria dos bons fundos de investimento no exterior disponíveis no mercado brasileiro.
A estratégia Income da PIMCO
A Pacific Investment Management Company, mundialmente conhecida pelo acrônimo PIMCO, é uma das maiores gestoras do mundo, com cerca de US$ 1,7 trilhão sob gestão, quase que majoritariamente alocados em estratégias de renda fixa.
Em 2007, os especialistas da PIMCO identificaram uma demanda de investidores mais estabelecidos na vida, com patrimônio suficiente para viver de renda. Reuniram especialistas para desenhar um produto que pudesse buscar diferentes fontes de ganhos e que tivesse eficiência no pagamento de renda, ao passo que preservasse o montante de capital acumulado.
Chegaram a uma receita vencedora e batizaram a estratégia de PIMCO Income, cujo lançamento foi em abril de 2007. Quatro anos depois, replicaram a estratégia em um domicílio na Irlanda, a fim de atender à mesma demanda, desta vez, de clientes europeus.
O objetivo, como dito anteriormente, era encontrar um equilíbrio entre preservação de capital e geração de renda, ao passo que fosse conservadora quanto a riscos. Por isso, tinha uma meta de retorno de 4,5% a 5% em dólar ao ano – o fundo acabou entregando mais do que isso, conforme veremos na análise quantitativa.
A estratégia hoje tem cerca de US$ 200 bilhões, sendo a maior do tipo em renda fixa ativa de uma gestora independente do mundo.
O benchmark
O time da PIMCO prefere ter sua performance medida pela preservação de capital e meta de retorno. Entretanto, há uma obrigação legal de declarar algum benchmark, e decidiu-se por escolher o Bloomberg Barclays US Aggregate pelo fato de ser considerado um índice conservador e com ativos de alta qualidade do mercado norte-americano.
Outro motivo é que os gestores julgaram que o índice pudesse representar o objetivo de preservação de patrimônio desejado, mas a verdade é que ele é muito diferente do fundo, que pode investir em diversos instrumentos de diferentes qualidades de crédito e de várias partes do mundo.
O índice é composto majoritariamente por títulos públicos norte-americanos (cerca de 70%), e o restante, alocado em títulos corporativos grau de investimento (investment grade), o maior nível de qualidade de crédito.
O processo de investimento
O fundo tem uma abordagem multissetorial e pode investir em várias geografias e qualidades de crédito diferentes. Procuram escolher ativos de maior rentabilidade e qualidade para atingir a meta de retorno planejada.
- Meta de retorno: 4,5% a 5% em dólar ao ano
- Vencimento médio dos títulos em carteira permitido (duration): 0 a 8 anos
- Máxima alocação permitida em países emergentes: 20%
- Máxima alocação permitida em moedas: 30%
- Máxima alocação permitida em títulos high yield: 50%
O mandato é apenas uma diretriz de limites máximos, mas o que foi observado na prática fica distante dos limites. Historicamente, a alocação em high yield (categoria de crédito mais apimentada e, possivelmente, mais rentável no longo prazo) nunca superou 25%.
Já a duration flutuou ao longo da história do fundo de 0,5 a 6 anos estando, atualmente, no patamar de 3,87 anos.
Emergentes já chegaram a ser alocados no seu limite máximo de 20%, hoje em 13%.
Fontes de retorno
O fundo opera majoritariamente renda fixa, mas pode também fazer operações em câmbio. Mesmo dentro da renda fixa, utilizam diversos instrumentos e, ao todo, o fundo possui cinco diferentes fontes de retorno:
- Duration: o fundo pode potencializar o retorno ou se proteger alongando ou encurtando o vencimento médio dos títulos em carteira. Títulos mais longos tendem a ser mais sensíveis a mudanças no cenário econômico e podem ter maior potencial de rentabilidade ou perdas dependendo de como é operado.
- Posicionamento na curva: as operações de inclinação de curva são bastante utilizadas em renda fixa. De forma resumida, o gestor analisa as perspectivas futuras da curva de juros e, assim, consegue escolher os pontos nos quais quer estar posicionado e outros em que prefere ficar vendido.
- Crédito: títulos corporativos são mais arriscados do que títulos públicos, mas tendem a trazer retornos melhores. O espectro de crédito é amplo, e o fundo pode operar diversas qualidades diferentes dentro do crédito, além de poder explorar diferentes geografias.
- Moedas: ao decidir investir em títulos de outros países, os gestores do fundo podem escolher por fazer ou não hedge cambial, de forma a ficarem ou não expostos ao risco cambial do país em questão contra o dólar. Feito da maneira correta, isso pode aprimorar o retorno dos títulos investidos.
- Opcionalidades: é uma categoria diferente, em que se compra títulos de dívida que podem ser convertidos em outros instrumentos (como ações) se alguns pré-requisitos forem cumpridos. Um exemplo é uma empresa que tem dificuldades de pagar uma dívida e a converte em ações para entregar ao detentor do título. Isso significa um grau de segurança a mais e uma possibilidade de retornos adicionais quando as ações são vendidas no mercado.
O time de gestão
Para obter os melhores resultados em todas as classes de ativos, a PIMCO utiliza sua imensa estrutura, que contempla times especializados em diversos setores específicos. A consolidação do portfólio final e o balanceamento entre as classes fica por conta do trio de gestores, formado por Dan J. Ivascyn, que também é o Chief Investment Officer (CIO) da gestora, Alfred T. Murata e Joshua Anderson, que juntos tem um tempo médio de 20 anos de casa.
Nessa hierarquia, existem times especializados em nove classes de ativos, além das equipes de apoio de pesquisa em crédito, portfólios quantitativos, gestão de risco e análise de dados.
São mais de 340 profissionais qualificados participando direta ou indiretamente do processo de gestão do fundo. Dados, leituras, estudos, soluções, tudo está à disposição para ser usado com maestria pelos três gestores principais.
Isso sem considerar as diretrizes centrais da casa que são definidas com o apoio do Global Advisory Board, que conta com a participação de membros ilustres e famosos, como Ben Bernanke, grandes economistas e até mesmo profissionais de renome de fora do mundo dos investimentos – ao longo da pandemia da Covid-19, diversos médicos e infectologistas foram contratados para dar suporte às decisões da equipe de gestão.
Membros do Global Advisory Board:
- Ben Bernanke, ex-Presidente do Federal Reserve dos EUA e pesquisador da Brookings Institution.
- Gordon Brown, ex-Primeiro-Ministro e ex-Ministro das Finanças do Reino Unido.
- Ng Kok Song, ex-Diretor de Investimentos da Government of Singapore Investment Corporation (GIC).
- Anne-Marie Slaughter, Presidente e Diretora Geral da New America, Professora Emérita de Política e Assuntos Internacionais da Cátedra Bert G. Kerstetter ‘66 da Universidade de Princeton e ex-Diretora de Planejamento de Políticas do Departamento de Estado dos EUA.
- Jean-Claude Trichet, ex-Presidente do Banco Central Europeu e atual Presidente do grupo europeu da Comissão Trilateral.
Diferencial de estrutura
A gestora se tornou um grande hub de talentos, reunindo analistas, pesquisadores, economistas, cientistas de dados, entre outros, atuando de forma interconectada e com constante troca de informações. Um movimento comum em grandes gestoras é o alto investimento em tecnologia e análise de dados em tempo real.
A tecnologia permite a coleta de dados no mundo todo, desde leitura de resultados de empresas em tempo real até monitoramento via satélite de ranqueamento geográfico para análise do mercado imobiliário.
Fonte: Pimco. Adaptação: Spiti
O tamanho da gestora atrapalha a gestão?
Comumente ficamos atentos ao tamanho que a estratégia toma e se ela acaba atrapalhando a geração de retornos ao longo do tempo. Aqui no Brasil, onde os mercados são muito menos líquidos e eficientes, costumamos torcer o nariz quando um gestor deixa a estratégia crescer demais.
No caso da gestão de renda fixa feita pela PIMCO, o tamanho é primordial, já que ela acaba tendo uma importância na eficiência do próprio mercado. O mercado de renda fixa é um mercado de balcão, no qual partes podem fazer negócios diretamente sem a necessidade de um intermediário ou da participação em um sistema em que todos monitoram a operação feita.
Muitos dos negócios, portanto, acontecem com uma grande assimetria de informações, diferentemente do mercado de ações, em que tudo é feito através das Bolsas reguladas. Por ser uma referência em gestão de renda fixa e por ter um patrimônio gigantesco, a PIMCO é constantemente abordada por empresas para propor negócios ou para pedir ajuda.
Um exemplo poderia ser uma empresa que está com a corda no pescoço e precisa vender alguns bilhões de dívidas de uma vez, sem que o preço da própria dívida vire pó. Basta uma ligação para a PIMCO e uma negociação vantajosa para as duas partes é feita.
Outro exemplo é quando uma empresa precisa tomar mais crédito e não quer estruturar uma operação com um grande banco. A PIMCO por diversas vezes consegue estruturar o crédito diretamente com a empresa, levando geralmente a emissão inteira dos títulos para colocar dentro dos fundos e obter retornos superiores aos da média do mercado, sem que outros players tenham ciência do que foi feito.
Outro benefício de ter um grande porte é a capacidade de cobrar taxas mais atrativas (pois ganham no volume), além da capacidade de reter e contratar talentos. Hoje a PIMCO conta com profissionais extremamente renomados, como os já citados Ben Bernanke, ex-presidente do Federal Reserve (Fed) entre 2006 e 2014, que ajudou os Estados Unidos a atravessar a grande crise econômica de 2008 e que iniciou o grande processo de afrouxamento monetário, conhecido como Quantitative Easing (QE).
Esses são alguns dos fatores que nos levam a crer que, enquanto a gestão passiva é vantajosa para o investimento em ações globais, na renda fixa há oportunidades mais claras para gestores ativos. Portanto, se você é um investidor ou investidora qualificado(a) vale a pena contar com fundos ativos recomendados para montar sua exposição a renda fixa global.
A gestão ativa em renda fixa
O que foi dito nos parágrafos anteriores reforça a importância da gestão ativa em renda fixa, pois apenas com a iniciativa dos gestores esses negócios diferenciados, feitos de maneira personalizada no mercado de balcão, são efetuados.
Pense em uma ação de uma empresa listada na Bolsa dos Estados Unidos, que gestores de ações do mundo inteiro estão estudando, comprando e vendendo – a mesmíssima ação. Portanto, para obter retornos superiores aos do mercado, você precisa de uma capacidade de gestão melhor do que a média ou uma informação melhor do que aquela que o mercado já possui – o que é bastante difícil em mercados competitivos como os existentes além da fronteira brasileira.
Quando falamos da renda fixa, às vezes um crédito é emitido pela mesma empresa em condições extremamente diferentes. Citamos o exemplo de uma empresa que se encontra em um momento difícil e pode precisar de alguém com calibre para estruturar um crédito volumoso, e que, depois de arrumar a casa, emite títulos em condições muito diferentes.
A gestão ativa tem o desafio de bater a gestão passiva em mercados mais eficientes, o que não é nada fácil. Entretanto, apenas ela é capaz de se aproveitar de oportunidades específicas que aparecem de tempos em tempos.
A análise quantitativa
Entendemos a qualidade e robustez da equipe e processo de investimento da PIMCO, mas o que importa se o investidor ou a investidora não ganhar dinheiro?
Por isso, vamos entender se os investidores do fundo estão satisfeitos com os retornos entregues para ter um gostinho do que podemos esperar para o futuro. É necessário lembrar sempre que retornos passados não são garantia de retornos futuros, mas a análise do passado nos mostra como os gestores puderam navegar em mercados ao longo do tempo, quando não tinham visibilidade do que aconteceria pela frente.
Precisamos fazer algumas observações importantes antes de prosseguirmos. A primeira é relembrar que o benchmark não representa as mesmas classes de ativos que o fundo opera e foi escolhido apenas por uma questão regulatória. Olharemos, então, a análise quantitativa em relação com o benchmark, mas com uma interpretação do retorno absoluto entregue e da preservação de capital ao longo do tempo.
Também destaco que, com exceções pontuais, as análises serão exibidas em dólar (sem a interferência da variação do real contra o dólar no período), já que queremos analisar a expertise do gestor sem um elemento que polua a análise.
Da mesma forma, sempre que você vir a frase Simulação PIMCO Income, saiba que se trata da análise do fundo, considerando o reinvestimento da renda paga pelo fundo – aqui no Brasil não temos a possibilidade de ter renda distribuída por fundos. Dessa forma, investimos em categorias que reinvestem os proventos – e com a sobretaxa do fundo constituído aqui no país. Assim, saberemos não apenas se o fundo é bom, mas se o veículo disponível no Brasil é viável.
Retorno acumulado
Gosto sempre de começar por esta análise, pois se o fundo sequer tem um retorno acumulado atrativo ao longo do tempo, dificilmente prosseguimos para alguma outra etapa. Ou seja, ela é importante, mas não o suficiente para determinar se um fundo é realmente bom.
Note que há uma grande diferença de rentabilidade entre a classe institucional, que possui a menor taxa possível (0,55% ao ano), e a taxa total obtida através do veículo brasileiro (1,56% ao ano).
Antes de prosseguir, faço questão de explorar um pouco mais a questão das taxas cobradas por esses fundos.
No exterior, existem diversas classes disponíveis para investimento. As classes institucionais costumam ser mais baratas e são acessadas diretamente por instituições como fundos de pensão, gestoras de fortunas, family offices e alocadores, que montam estruturas de acesso ao fundo, como aqueles que a XP tem criado aqui no Brasil e que podem acessar a classe institucional lá fora mesmo que esteja distribuindo para o varejo na outra ponta.
Se você quisesse investir na classe de varejo PIMCO Income diretamente no exterior, teria que pagar uma taxa final muito próxima da cobrada aqui em solo nacional, de 1,45% ao ano.
Outro fator que deve ser levado em consideração é que aqui o investimento mínimo é de R$ 5 mil – algo em torno de US$ 868. Lá fora dificilmente encontraremos um mínimo de investimento menor do que US$ 1 mil.
Apenas para fins ilustrativos, mostrarei o retorno da simulação do fundo e do benchmark em reais:
Desde o lançamento do fundo, o dólar se fortaleceu fortemente frente ao real, potencializando a percepção de retorno de investidores que tivessem investido em uma versão sem hedge cambial desde o início. Exatamente por isso só mostraremos esse gráfico para efeitos didáticos, pois o dólar poderia ter ido para o lado contrário e se enfraquecido em comparação à moeda brasileira.
O movimento da moeda norte-americana nada nos diz sobre a expertise da equipe de gestão. Assim, o que está sendo feito em termos de gestão ativa será analisado sempre em dólar.
A jornada dos investidores
Com o retorno acumulado desde o início tendo se mostrado satisfatório, podemos avançar para a próxima etapa. Vamos verificar se todos os investidores tiveram condições de obter bons retornos independentemente do dia que escolheram para investir no fundo.
Para isso, fazemos a análise de janelas móveis, que mostra o retorno médio anual que um investidor ou uma investidora teria obtido caso tivesse entrado no fundo em uma determinada data e permanecido no investimento pelo tempo da janela de análise. Começaremos pela janela de dois anos, um pouco mais curta do que aquelas que olhamos para fundos de ações, mas que, por se tratar de renda fixa, está dentro do horizonte de investimento esperado.
Quem investisse no fundo teria retornos anuais superiores ao índice em 74,3% dos pontos de entrada possíveis para análise da janela de dois anos. Chamaremos esse percentual de taxa de sucesso, pois representa o percentual de janelas em que o fundo teria batido o benchmark. Cabe ainda dizer que o investidor ou a investidora só teria tido retornos negativos em 1,8% das janelas de observação.
Estamos usando exemplos hipotéticos porque os retornos negativos só teriam se materializado se a pessoa investidora tivesse sacado o patrimônio no ápice das crises de 2008 e de 2020. É importante salientar que não achamos prudente sacar o dinheiro em momentos de crise, pois, para isso, temos nossa reserva de emergência.
Lembremos que o objetivo do fundo era obter retornos entre 4,5% e 5% ao ano, mas o retorno médio obtido nas janelas de um ano foi de 8% ao ano em dólar.
Vamos agora expandir o horizonte da janela para três anos:
Aumentando apenas um ano o período investido, subimos a taxa de sucesso para 83,3%, e a média de retorno anual para janelas de três anos subiu para 8,6% ao ano.
Apesar de a renda fixa permitir um horizonte de investimento um pouco mais curto quando comparado ao exigido para ações, é importante ter a visão de longo prazo. Vejamos se é possível melhorar ainda mais os números quando expandimos nosso horizonte para cinco anos:
Agora a taxa de sucesso aumentou para 94,8%, e o retorno médio anual obtido foi de 9,26% ao ano.
Para a janela de cinco anos notamos que não houve possibilidade de obter retornos negativos, e um investidor ou uma investidora só teria recebido um retorno médio anual abaixo da meta de 4,5% a 5% ao ano traçada pela PIMCO se tivesse entrado no fundo em março de 2015 e saído no ápice da crise de 2020.
Retornos anormais pós-crise de 2008
Olhando para os gráficos de janelas móveis de retorno anualizado, podemos notar um retorno maior nos primeiros anos pós-crise de 2008. Isso se deve ao fato de que a crise acabou provocando uma queda vertiginosa de preços de ativos de crédito no mundo todo. Na ocasião, foi um prato cheio para o time de gestão da PIMCO, que soube aproveitar a liquidação nos mercados e entregar retornos muito superiores às metas nos anos seguintes.
Portanto, é um retorno anormal e que não deve se repetir por padrão. É satisfatório, porém, notar que, mesmo depois desse período de anormalidade, os retornos entregues ficaram em linha com a meta.
Um questionamento que eu faço e que só o tempo trará a resposta é:
“E se os próximos anos pós-crise da pandemia da Covid-19 e forte ajuste de juros em países desenvolvidos forem similares?”
Esperamos que sim, embora isso não seja necessário para que o fundo já tenha sua qualidade comprovada em gestão ativa e oportunística na renda fixa.
Gestão de risco
É importante analisar como o fundo se comporta em períodos de estresse do mercado. Uma boa gestão de risco não é sobre não ter quedas, mas, sim, sobre amortecê-las ao máximo e se recuperar rapidamente.
Olharemos a análise de perda máxima consecutiva, a famosa análise de drawdown ou linha d’água, como é chamada por alguns aqui no Brasil. Ela mede o quanto um ativo apresenta de queda desde o último pico e quanto tempo ele demora para retomar o mesmo patamar.
Em crises extremas, como as de 2008 e do ano passado, o fundo perde consideravelmente mais que o benchmark, algo que é esperado. Precisamos lembrar aqui que 70% do índice é composto de títulos públicos norte-americanos, enquanto os 30% restantes são de títulos de dívida de alta qualidade.
O que podemos notar é que, mesmo caindo mais, a recuperação não é mais demorada. Em crises de menor porte, notamos que a queda do índice tende a ser maior ou mais lenta que a do fundo, mesmo tendo um portfólio de maior qualidade.
Observe também que, durante a crise de crédito na Europa, a queda foi alinhada, mas o benchmark demorou mais para se recuperar. Durante a intensificação da trade war entre EUA e China, a queda do benchmark foi até superior à queda do fundo.
Análise de risco vs retorno
Vamos agora verificar o quanto o fundo entrega para cada unidade de risco incorrido. Vou relembrar aqui a análise que gosto de fazer. Nela, eu não utilizo o indicador mais comum, que é a volatilidade – ou o desvio dos retornos diários de um ativo em relação à média (desvio padrão) e pode ser para cima ou para baixo.
Como o desvio para cima é desejável (afinal, representa mais retorno), nós nos atentaremos apenas à volatilidade dos retornos negativos, o chamado downside risk. De forma resumida, não nos importaremos com os “sustos” para cima, apenas aqueles para baixo.
A forma correta de ler o gráfico é a seguinte: quanto mais para cima, maior o retorno médio anual; e, quanto mais para esquerda, menores os “sustos” para baixo.
No gráfico acima, repare que eu ilustro os retornos do fundo e benchmark também em reais, apenas para que tenhamos em mente que o efeito do câmbio aumenta a volatilidade dos retornos negativos. Na amostra em questão, isso ajudou o retorno do fundo a se intensificar (mas poderia ter prejudicado o retorno se o dólar tivesse andado na outra direção).
Entretanto, o que é importante para nós é olharmos o que acontece com as “bolinhas” circuladas em vermelho, que representam os retornos em moeda nativa, o dólar. Podemos ver que tanto o índice quanto o fundo possuem níveis quase idênticos de downside risk, mas que o fundo entrega um maior retorno médio anualizado.
Posicionamento histórico
Vejamos agora como a gestão ativa se movimentou na prática ao longo dos anos de existência da estratégia. O gráfico abaixo, produzido pela própria PIMCO e adaptado por nós, mostra como as fatias ficam maiores ou menores ao longo do tempo, de acordo com as oportunidades encontradas até novembro de 2020, apenas para que tenhamos uma dimensão da versatilidade de posicionamento ao longo do tempo.
O fato de os gestores não se sentirem obrigados a acompanhar o benchmark oferece essa liberdade para a equipe aproveitar movimentos oportunísticos e manobrar a alocação de acordo com o momento.
Fonte: Pimco. Adaptação: Spiti
Alocação do portfólio
Depois de olhar as movimentações históricas entre classes de ativos, vejamos como está a fotografia do portfólio, que retrata a alocação do fim de outubro de 2022.
Fonte: Pimco. Adaptação: Spiti
A estratégia da PIMCO reforça o que sempre temos falado sobre a importância de ter uma “pizza de investimentos” bastante colorida. A diversificação é uma forma de se proteger em caso de algumas convicções se provarem erradas e de ter a chance de ganhar em diversos cenários futuros possíveis.
Estrutura de custos
A PIMCO é uma das gestoras que tem atuação direta no mercado brasileiro. Portanto, ela constitui os próprios fundos e se encarregam de negociar localmente a distribuição em parceria com outras empresas.
Vejamos abaixo como está constituída a estrutura de investimentos do fundo:
Fontes: PIMCO, Quantum Axis e Spiti
Para investidores institucionais como fundos de pensão, alocadores, gestores de fortuna e family offices, o acesso é direto no fundo-mãe aqui no Brasil, com taxa de administração de 0,08% ao ano, que serve para pagar os custos de manter um fundo aberto e que se soma à taxa do fundo no exterior, totalizando 0,63% ao ano.
Para pessoa física, a entrada é na casca final, com taxa de 0,93% ao ano, que é utilizada para financiar a estrutura de distribuição (pagar comissões de distribuição), totalizando 1,56% quando somada com a taxa lá de fora.
Gostaríamos que as taxas fossem as menores possíveis, mas é importante dizer que o fundo só está sendo sugerido porque, mesmo com esses encargos, ele se mostrou atrativo para o investidor ou a investidora com base nos estudos quantitativos. Lembre-se também de que colocamos um ajuste matemático para embutir a taxa extra no histórico do fundo original.
Como investir?
O fundo é distribuído de duas maneiras:
- Fundos espelhos constituídos por corretoras como Ágora e Itaú;
- Fundos constituídos pela PIMCO Brasil e disponibilizados diretamente nas plataformas das corretoras.
Veja abaixo as tabelas de informações essenciais, em que você pode analisar todas as características operacionais do fundo e escolher onde investir.
| Estratégia sem hedge cambial | PIMCO Income Dólar |
| Nome do Fundo | PIMCO Income Dólar IE FIC FIM |
| Público Alvo | Investidores qualificados |
| CNPJ | 32.225.478/0001-06 |
| Tributação | Longo Prazo (tabela regressiva de IR) |
| Início da Estratégia | 02/04/2007 |
| Início do Fundo | 27/02/2019 |
| Aplicação Mínima | R$ 5.000,00 |
| Saldo Mínimo de permanência | R$ 1.000,00 |
| Movimentação Mínima | R$ 1.000,00 |
| Cotização de Resgate | D+1 a D+8 (de acordo com a data de solicitação) |
| Liquidação de Resgate | D+6 a D+13 (de acordo com a data de solicitação) |
| Taxa de Administração do Veículo | 0,93% |
| Taxa de Administração Total* | 1,56% |
| Onde Encontrar? | Ágora (espelho), Bradesco (espelho), BTG Digital, Genial, Guide, Inter, Itaú (espelho), Mirae, Órama, Vitreo, Warren e XP. |
Conclusão
A diversificação é de extrema importância, inclusive dentro da carteira global. Apesar das ações internacionais serem frequentemente o alvo de maior interesse de investidores que querem internacionalizar parte da carteira, a renda fixa deve ter seu lugar preservado.
Se pudermos fazer isso contando com a expertise de grandes gestoras como Pimco e Oaktree, melhor ainda.
O foco em oportunidades fora do radar e exposição alta à títulos mais apimentados entregue pelo fundo da Oaktree complementa muito bem o viés de preservação de patrimônio do fundo Pimco Income, fazendo com que, juntos, possam dar conta de 100% de sua alocação em renda fixa global.
Um grande abraço,
Felipe Arrais, Alessandra Bellotto, Rodrigo Marras Xavier e Vinicius Yoshida.