Há algum tempo, publicamos uma ferramenta que auxiliou — e auxilia até hoje — o controle de seus investimentos, principalmente aqueles adequados à carteira do Renda Total.
A ideia desse novo relatório é atualizar essa ferramenta para os novos percentuais recomendados e compartilhá-la com nossos novos assinantes.
Vou te mostrar aqui o passo a passo de como utilizá-la da melhor maneira possível e, acredite, isso vai te ajudar mais do que muitas ferramentas pagas por aí.
Apresentação da ferramenta
A ferramenta consiste em uma planilha dividida em três partes: carteira ideal, sua carteira e ajustes necessários para adequar sua carteira.
Fonte: Spiti
Parte 1 – Divisão macro da carteira ideal
Na parte 1, chamada “Carteira Ideal”, você pode verificar exatamente qual seria a distribuição ideal do seu dinheiro de acordo com as nossas recomendações. Para isso, preencha o campo “Investimento no Renda Total”, destacado em amarelo, para verificar como esse montante deve ser dividido entre as diferentes categorias de investimento que temos no Renda Total: fundos imobiliários, ações, títulos de dívida corporativa, títulos públicos e internacional.
Fonte: Spiti
Parte 2 – Sua carteira hoje
Na parte 2, “Sua Carteira”, você consegue, a partir do preenchimento das células amarelas, verificar como está a distribuição atual da sua carteira de renda em termos percentuais.
Após a inserção dos valores, as células que ficarem destacadas em vermelho indicam que você está com exposição acima da recomendada na respectiva categoria frente à carteira recomendada do Renda Total, enquanto aquelas destacadas em verde apontam que sua exposição está abaixo do que consideramos ideal.
Já as que ficarem levemente amareladas mostram que, apesar de não estarem com um percentual “cravado” em relação ao recomendado para a categoria em questão, a diferença é pequena e não precisa de ajuste.
Importante: se o campo destacado em azul contiver o texto “Atenção: ajustar valores das carteiras”, a soma dos valores totais da sua carteira não está batendo com o número indicado na célula “Investimento no Renda Total”, apresentado na parte 1. Porém o restante dos cálculos é feito de forma independente, ou seja, não afetará a avaliação da sua carteira.
Parte 3 – Ajustes necessários
Na parte 3, “Ajustes necessários para adequar sua carteira”, com base nas informações fornecidas na etapa anterior, você verá os ajustes que deve realizar para ter a exposição percentual adequada em cada uma das categorias de ativos.
A partir disso, você vai ter informações importantes, como quais categorias você deve vender (células em vermelho) ou comprar (células em verde) para rebalancear sua carteira e qual o valor exato de cada uma dessas compras e/ou vendas a serem realizadas com base no patrimônio a ser investido.
Se a diferença entre a situação atual da sua carteira e como ela deveria estar não for relevante, a tabela e o gráfico de ajuste não indicarão valor de compra ou venda para aquela categoria em específico.
Se a sua carteira não precisar de ajuste essa será a sua visão nessa parte da planilha:
Extra: Parte 4 – Socorro! Me perdi
Podemos considerar essa como uma parte extra da planilha. Se você ainda tiver dificuldade em relação aos termos apresentados, acesse o link em azul na parte de baixo do arquivo, e você terá acesso a um relatório com bastante conteúdo explicativo para entender mais sobre as categorias de investimentos que recomendamos na série.
Fonte: Spiti
Agora que apresentamos cada uma das seções da nossa ferramenta, vamos mostrar como usá-la na prática. Para isso, trazemos três simulações:
- Montagem de uma carteira a partir do zero;
- Adequação de uma carteira já montada, mas sem uma estratégia definida;
- Realização de um novo aporte em uma carteira já ajustada à nossa recomendação.
Exemplo 1 – Começando a investir na carteira Renda Total
Imagine que você se tornou assinante da série Renda Total há pouco tempo e vai começar a montar sua carteira. Você tem R$ 100 mil para aplicar e quer entender qual direção seguir.
O primeiro passo é preencher a célula destacada em amarelo, na parte 1, “Investimento no Renda Total”, com o valor a ser investido em nossa carteira.
Ao fazer isso, você terá agora um ponto de partida. Na coluna “Valor (R$)”, é possível ver qual o montante que cada uma das categorias dentro do Renda Total deve ter do seu dinheiro.
Nesse caso, temos o seguinte:
Com esses valores em mãos, você pode dar o segundo passo: consultar os ativos recomendados na sua área de assinante e fazer a divisão por ativo.
Dentro da seção Recomendados, temos listados os ativos indicados por nossa equipe de analistas e qual o percentual que cada um deve ter individualmente em sua carteira.
Para encontrar os FIIs recomendados, por exemplo, basta abrir a opção “Fundos Imobiliários” entre as que estão embaixo do gráfico. Em seguida, uma lista vai aparecer e você pode usá-la como referência para começar a alocar por ativos, levando em consideração o percentual de cada um:
Você deve seguir esses mesmos passos com todas as categorias dos investimentos que temos em Renda Total para alocar nos ativos recomendados.
Detalhe importante: se os valores ficarem levemente distantes da alocação ideal, não se preocupe. Se aproxime o máximo possível do recomendado entendendo que percentuais “cravados” são improváveis de se atingir.
Exemplo 2 – Adequação de uma carteira já montada, mas sem uma estratégia definida
Neste exemplo, é fundamental ressaltar um ponto: os ativos que aparecem na aba Recomendados são as únicas recomendações de compra para a nossa carteira. Ou seja, não há substituições.
Mas entendemos a dificuldade que vamos trazer neste exemplo, isto é, se você já tiver uma carteira montada há muito tempo, mas quiser se adequar à nossa recomendada. Desfazer-se de posições antigas pode ser bastante complicado, porque você pode ter que realizar prejuízos ou mesmo lidar com a falta de liquidez, como é o caso de debêntures.
Então, vamos simular que você tenha sua própria carteira de renda, ou seja, composta apenas por ativos que paguem dividendos recorrentes, e que, após uma análise da sua situação, decidiu não se desfazer deles. Como exemplo, vamos usar o portfólio a seguir, que possui ativos que não recomendamos (sinalizados com nomes genéricos) e alguns recomendados, como KDFI11 e IFRA11:
A partir desses dados, vamos ao próximo passo, que é agrupar os ativos por categoria, como mostramos na tabela 2.
Em seguida, vamos adicionar os dados dessa carteira hipotética à nossa planilha, e o resultado será o seguinte:
A partir dos resultados obtidos, podemos chegar às seguintes conclusões:
- A carteira está com exposição acima do que recomendamos em dívida corporativa e títulos públicos (células em vermelho);
- E está com exposição muito abaixo do recomendado em fundos imobiliários (célula em verde).
O próximo passo é verificar quais ajustes a planilha recomenda para cada categoria, que você pode encontrar na parte “Ajustes necessários para adequar sua carteira”:
Exemplo 3 – Realização de novos aportes
O exemplo a seguir leva em conta uma pessoa que montou uma carteira seguindo à risca as nossas recomendações, e agora deseja fazer um aporte novo (como exemplo, vamos imaginar um valor de R$ 5 mil), mas não sabe como dividir esse montante entre as categorias.
Para isso, vamos utilizar inicialmente a parte 1 da planilha e colocar o valor (R$ 5 mil) na célula amarela:
A tabela vai mostrar como dividir esse dinheiro entre as categorias sem fugir dos percentuais recomendados – lembrando que estamos considerando que a carteira já está balanceada.
Com os valores em mão, bastará você ir para a tabela de recomendados e verificar em quais ativos investir esse recurso.
Não é necessário investir em todas as opções em todos os aportes que fizer, uma vez que você pode não ter o valor para aplicação mínima em todos os ativos.
É importante que você se atente à proporção que cada ativo terá depois dos aportes para que possa programar os próximos investimentos de modo a completar a sua carteira.
Conclusão
Muitas pessoas nos questionam se é possível considerar algum investimento que paga dividendos sem ser recomendado nosso como parcela da categoria do Renda Total. Assim como os economistas gostam de falar, nossa resposta para esse caso é: depende.
Por um lado, ao fazer isso, adicionam-se ativos que não são recomendados para a carteira Renda Total e que podem causar problemas em relação à performance e ao controle, afinal, não vamos acompanhar as novidades e alterações com relação a esse ativo que você colocou na carteira.
Por outro, mantê-los evitaria um leve trabalho adicional nesse processo de montagem de carteira. Na minha humilde opinião, ter um ativo não acompanhado por uma equipe de especialistas e profissionais é pior do que ter esse pequeno trabalho inicial.
As outras duas opções que mostramos no relatório envolvem se desfazer das compras antigas e investir de forma diversificada na carteira Renda Total, ou fazer aportes adicionais.
Mesmo sendo mais complexos operacionalmente, esses dois outros métodos que apresentamos e que envolvem a venda dos ativos antigos são, na nossa visão, os melhores caminhos no médio e longo prazos para construção da carteira do Renda Total.
Também mostramos como fazer a gestão de sua carteira de renda de forma mais eficiente, usando a ferramenta de controle que elaboramos, independentemente do método que você decidir seguir. Caso queira manter seus ativos, a ferramenta mostra como está sua divisão setorial, assim como mostra como dividir os novos aportes nas categorias recomendadas.
E se você já segue todas as recomendações do Renda Total por completo, pode usar a ferramenta para verificar se seus investimentos estão dentro do que indicamos.
Clique abaixo para fazer o download da planilha e bom proveito!
Abraços,
Guilherme Cadonhotto