A cada dia que passa, minha lista (Fê aqui) de pequenas e grandes metas para o ano de 2022 feita lá em janeiro está acabando. Algumas mudanças no meio do caminho foram necessárias, como já era de se esperar. Afinal, é impossível prever como o ano vai se desenrolar. E onde estaria a graça de planejar o futuro se tudo saísse exatamente de acordo?Mas, de qualquer forma, essa lista não cresce, apenas diminui.
Neste ano, já fiz uma viagem pela qual esperava há 10 anos, mas não saiu nada como planejado.
Eu já bati minhas metas de saúde em relação à temida academia em 120%, ainda no mês de agosto.
Li mais livros do que eu imaginava e conheci pessoas incríveis neste ano – o que não estava na minha lista, diga-se de passagem.
Pois bem. Veja como é difícil de mensurar uma meta ou um sonho pessoal. Nesses casos, quando comparo o cenário atual com um que imaginei e estipulei lá no dia 1º de janeiro de 2022, meu cenário base, apenas a partir desse ponto é que vejo se consegui superar o objetivo, se fui em linha ou se fiquei atrás do que estipulei inicialmente.
Com o intuito comparativo em finanças são criados e mantidos uma série de indicadores para que essa comparação seja moderadamente mais fácil. Os chamados benchmarks são utilizados para fazer tais comparações.
Aqui na série Renda Total, temos uma característica particular, que é agregar uma carteira com três dos principais tipos de investimentos disponíveis no mercado nacional: ações, FIIs e renda fixa – e cada um deles possui o seu devido benchmark.
E, no relatório de hoje, vamos explicar um pouco mais sobre cada um dos indicadores mais utilizados do mercado, além de trazer uma ferramenta para você comparar seus investimentos em relação a eles.
Ibovespa
O Ibovespa é o principal índice de ações negociadas na B3 e reúne as mais importantes empresas do mercado de capitais brasileiro. Criada em 1968, consolidou-se como referência para investidores em todo o mundo nos últimos 50 anos.
Revisado a cada quatro meses, a composição do índice é feita sobretudo das ações de grandes empresas, mas apenas seu valor de mercado não garante sua inclusão no índice. Para entrar no índice, as ações precisam atender aos critérios de sua metodologia que permeia pontos, como ter preço mínimo negociado de R$ 1 (chamado de penny stock), liquidez, entre outros.
Depois de selecionadas, as empresas do índice são ponderadas pelo seu valor de mercado do free float (ativos que se encontram em circulação). A partir disso, como resultado temos o Ibovespa, que é uma representação das principais ações negociadas.
Ifix
O objetivo do Ifix é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos fundos imobiliários negociados nos mercados de Bolsa, composto apenas por cotas de FIIs que atendam um mínimo de liquidez, tenham valor mínimo de R$ 1, entre outros critérios.
Assim como é feito com o Ibovespa, após a seleção dos fundos imobiliários que farão parte do índice, eles são ponderados pelo seu valor de mercado da totalidade das cotas emitidas pelo FII em questão, e assim é obtido o Ifix, uma representação dos principais fundos de investimento imobiliário.
De acordo com sua metodologia, o Ifix é do tipo de performance total. Isso significa que não mostra apenas a variação do preço dos ativos que compõem o índice ao longo do tempo, mas também leva em consideração o impacto da distribuição de dividendos distribuídos pelos FIIs que incorporam o índice.
Idiv
O Idiv é um indicador não tão conhecido do mercado de ações. Ele mede o desempenho médio de ações listadas de companhias abertas que se destacam em recompensar os investidores sob a forma de distribuição de dividendos e juros sobre o capital próprio (JCP).
Composto apenas por ações, o índice do mercado acionário é uma boa alternativa ao Ibovespa, para ser utilizado quando o objetivo é comparar a performance de carteiras de ações focadas em geração de renda.
Nesse índice, não entram BDRs (Brazilian Depositary Receipts, ativos que representam ações de empresas estrangeiras emitidas e negociadas no Brasil), companhias que estão em recuperação judicial ou que estejam submetidas a qualquer outro regime especial disciplinado em lei.
Além disso, para entrar na composição do índice, é necessário, assim como o Ibovespa, ser uma companhia cujo preço mínimo é negociado acima de R$ 1, critérios mínimos de volume de negociação, estar entre as 33% empresas que mais pagaram dividendos dos últimos 36 meses e ter o somatório dos dividend yields (DY) de cada 12 meses consecutivos observados no período de 36 meses maior do que 0.
Segundo sua metodologia, esse índice é do tipo de performance total, assim como o Ifix, ou seja, além de mostrar as variações de preço dos ativos que compõem o referencial ao longo do tempo, incorpora também o efeito que a distribuição de lucros das empresas do índice teria.
CDI
Muitas vezes vejo alguns comentários com simplificações do tipo “CDI é a Selic”. Pois bem, por mais que andem lado a lado, a definição é um pouco mais complexa. O CDI é um dos mais conhecidos benchmarks no mundo de investimentos, uma taxa pós-fixada obtida no final de cada dia útil através da taxa de depósito interbancário (DI).
Essa taxa é conhecida por, de fato, andar lado a lado com a Selic, a taxa básica de juros da economia. A DI é obtida no final de cada dia útil depois de encerradas todas as operações interbancárias, pois, por regulamentação do Banco Central, nenhuma instituição financeira pode terminar o dia com caixa negativo.
Sendo assim, para não dormirem com o caixa negativo, os bancos podem emitir um título que tem prazo de um dia, chamado de certificado de depósito interbancário ou interfinanceiro, o famoso CDI.
Assim, a taxa DI corresponde à média das taxas de juros dos depósitos interbancários com prazo de um dia, o CDI. As taxas destes seguem de maneira muito próxima a Selic, ou seja, a taxa DI do dia também terá o mesmo comportamento.
IMA-B
Os títulos públicos possuem diferentes perfis, que variam de acordo com a forma de remuneração e vencimento. Por exemplo, a remuneração pode ser uma taxa de juros fixa (prefixada), associada a uma porcentagem pós-fixada, como a Selic, ou juros que são adicionados à variação da inflação em determinado período.
Por conta de tantas variáveis, vão existir diferentes benchmarks. E o Índice de Mercado Anbima, conhecido como IMA, é um deles, sendo a principal referência para os investimentos em renda fixa.
Ele é uma das formas de os investidores acompanharem o desempenho das aplicações e avaliarem comparativamente as opções de ativos disponíveis no mercado.
O IMA-B, por exemplo, é um subíndice formado por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA, as chamadas NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional – Série B) ou Tesouro IPCA+.
A sua composição é definida pela Anbima e é composto por títulos públicos indexados à inflação para refletir as suas performances ponderadas pelo seu peso dentro do índice:
Apresentamos aqui os cinco benchmarks mais comuns do mercado, mas como comparar de maneira correta os seus investimentos com cada um deles?
A princípio, existem dois pontos de partida fundamentais:
1. Escolher o benchmark correto
Para comparar investimentos, é importante colocar lado a lado a performance de ativos com seus respectivos benchmarks do setor. Por exemplo, não é correto compararmos o desempenho de uma carteira de ações contra o Ifix ou CDI.
Por mais que o resultado da comparação mista seja válido, estamos falando de investimentos de naturezas diferentes, e isso faz com que se perca o rigor e o poder de comparar a efetividade dos investimentos contra outros do mesmo setor.
O ideal é utilizar o benchmark respectivo de cada setor ou, no caso de renda fixa, comparar com o investimento que possua natureza similar – ativos de inflação contra o IMA-B e pós-fixados contra o CDI.
2. Escolher o mesmo prazo
Além de escolher o benchmark ideal, é importante selecionar o mesmo prazo, para entender como o ativo e o índice de referência performaram na mesma janela de tempo e assim poder realizar uma comparação justa.
E onde podemos encontrar a variação ou a cotação desses benchmarks? É isso que será apresentado a seguir.
Como obter os valores dos indicadores
CDI
O Banco Central possui uma ferramenta que permite calcular quanto o CDI acumulou num período de tempo, e ela pode ser encontrada aqui:
- https://www3.bcb.gov.br/CALCIDADAO/publico/exibirFormCorrecaoValores.do?method=exibirFormCorrecaoValores&aba=5
Os dados a serem incluídos são as datas inicial e final, valor a ser corrigido e qual o percentual do CDI. Como queremos o total do índice, usamos 100% do CDI:
Imagem com dados de exemplo para calcular o CDI do período
Fonte: Banco Central
Resultado da pesquisa
Fonte: Banco Central
Como resultado desse exemplo, temos que, no período entre 11/11/2020 e 1º/7/2022, o CDI teve uma performance de 10,38%.
IMA-B
As performances mensal e anual, a cotação do IMA-B, entre outras informações relativas a esse índice, podem ser consultadas no próprio site da Anbima. Veja a seguir como é a página:
Fonte: Anbima
- 1 – Selecione o subíndice deseja analisar;
- 2 – Escolha o período a ser analisado;
- 3 – Verifique as variações anual, mensal e diária dos índices;
- 4 – Nesse item, você pode consultar também a composição dos subíndices, como mostramos na tabela 1.
Índices de Bolsa: Ibovespa, Idiv e Ifix
As cotações em tempo real podem ser consultados diretamente nos sites da B3 e do Google Finance. No caso do Finance, ele também mostra o valor da variação de acordo com a janela temporal escolhida (destacado em azul na imagem a seguir), o que facilita a comparação, ao passo que, na página da Bolsa, seriam necessários alguns cálculos extras por parte do usuário:
Fonte: Google Finance
Tabela 2 – Consulta dos benchmarks de Bolsa
Fonte: Spiti
Ferramenta comparativa
Vamos disponibilizar para você uma ferramenta muito prática, que vai possibilitar comparar a performance de ativos de mesma natureza de acordo com o desempenho do seu benchmark, sendo que o resultado será dado na forma percentual.
Assim, se esse número indicar acima de 100%, significa que o ativo ou carteira performou acima do referencial; da mesma forma, se for inferior a esse valor, quer dizer que o desempenho ficou abaixo do índice de referência.
No exemplo abaixo, vamos utilizar a ferramenta para comparar a performance de um de nossos fundos imobiliários recomendados, o KNRI11, contra o seu benchmark, o Ifix.
Após escolher o KNRI11 em um dos sites indicados, selecionei o período anual (YTD) até a data atual e coletei a sua performance (12,26%).
Fonte: Google Finance
Com esses dados em mãos, vou compará-lo com o desempenho do Ifix no mesmo período e inserir na ferramenta que disponibilizamos (que você consegue baixar no fim do relatório).
Fonte: Google Finance
Exemplo de comparação com as informações preenchidas
Fonte: Spiti
Você preencherá a primeira coluna com a performance do benchmark, e a segunda, com o desempenho do ativo. Não se esqueça de colocar esse dado na mesma linha do índice.
A partir disso, na terceira coluna você encontrará o resultado da performance comparativa. No caso, verificamos que o KNRI11 no período analisado performou 203,65% acima do benchmark, o Ifix.
Conclusão
Da mesma forma que podemos fazer análises comparativas em relação às nossas metas pessoais, podemos – e devemos – aplicar isso em nossos investimentos. Somente assim teremos uma noção da sua real performance contra outros ativos do mesmo setor e seus principais referenciais, os benchmarks.
E, com a ferramenta que elaboramos, utilizando os índices corretos e escolhendo as janelas temporais adequadas, você terá em mãos uma comparação efetiva e justa de como os seus ativos e sua carteira performam em comparação com o benchmark.
Você pode baixar a ferramenta clicando aqui
Abraços,
Gui Cadonhotto e Filipe Colus