As motivações que nos levaram a recomendar o resgate dos fundos de renda fixa da Capitânia, o Premium e o Radar;
Recomendação de resgate dos fundos da Capitânia, Gávea e Brasil Capital 30
Escrito por Rodrigo Xavier em FUNDOS
Neste relatório, você encontrará:
O que nos levou a recomendar a retirada dos fundos multimercados da Gávea, o Macro e Macro Plus;
Por fim, explicamos o que nos fez recomendar a venda do Brasil Capital 30 e como ficaram as nossas carteiras de valorização por fundos após esta situação.
Fala, turma!
A gestão de uma carteira de fundos recomendados consiste num processo de muito cuidado e zelo, como detalhamos no relatório “Como funciona uma análise profissional de fundos”, por isso, diversos aspectos qualitativos e quantitativos dos nossos fundos precisam estar bem alinhados para a inclusão de uma nova peça, ou a manutenção dela.
Mediante este contexto, monitoramos constantemente os fundos que compõem nossas recomendações, considerando não apenas o histórico de performance, mas também fatores ligados às gestoras enquanto empresas, condições de mercado e o papel de cada estratégia dentro da carteira como um todo.
Como resultado desse processo, optamos por retirar alguns fundos das nossas recomendações neste momento, caso do Capitânia Premium, Capitânia Radar, Gávea Macro, Gávea Macro Plus e Brasil Capital 30 Ações.
Essa decisão não representa, necessariamente, uma avaliação negativa sobre a qualidade dos times de gestão ou sobre a credibilidade das instituições envolvidas, mas, sim, um ajuste que busca tornar a nossa lista de fundos aprovados mais enxuta, com foco em selecionar, de fato, aqueles nos quais acreditamos mais para o longo prazo e que apresentam melhor aderência às propostas das nossas carteiras
Este relatório terá o intuito de te ajudar a entender quais os fatores que nos levaram a efetuar essas retiradas e como ficam as nossas carteiras recomendadas após esta movimentação.
Primeiramente, vamos relembrar como funciona a lista de fundos aprovados da Finclass
A nossa lista de fundos aprovados contempla as estratégias que passaram pelo nosso processo de análise e que podem, a qualquer momento, integrar as carteiras recomendadas da Finclass. Ou seja, os fundos presentes nas carteiras recomendadas da Finclass não são a totalidade de fundos aprovados pelo nosso time.
Essa estrutura é necessária porque fundos de investimento estão sujeitos a períodos de fechamento para novos aportes, visto que, por vezes, o fundo fecha por entender que atingiu o volume máximo que tem capacidade de gerir sem comprometer sua estratégia e performance. Ter um conjunto mais amplo de fundos aprovados nos permite lidar com essas situações de forma ágil e responsável.
Na prática, isso garante que, caso um fundo da carteira base deixe de aceitar novas aplicações, possamos realizar substituições por alternativas de qualidade equivalente, previamente analisadas e acompanhadas. Afinal, uma carteira recomendada precisa ser passível de implementação a qualquer momento.
Além disso, esse formato amplia o leque de escolhas para o investidor mais entusiasta de fundos, que pode ajustar sua carteira de acordo com suas preferências específicas.
Vale destacar também que a presença ou ausência de um fundo na carteira base não está condicionada exclusivamente ao seu status de aberto ou fechado. Fundos que estavam indisponíveis e voltam a captar podem ser reinseridos, assim como ajustes podem ocorrer mesmo entre fundos abertos, sempre que julgarmos que a mudança contribui para um melhor equilíbrio da carteira ou para um potencial de retorno mais atrativo.
Essa introdução foi feita pois, dos cinco fundos retirados, apenas um está nas carteiras da Finclass atualmente, caso do Brasil Capital; já os demais pertencem “apenas” à lista de aprovados neste momento.
Retirada do Capitânia Premium e Capitânia Radar
A Capitânia é uma gestora independente fundada em 2003, umas das mais longevas do Brasil, e atualmente conta com um patrimônio de R$ 18,2 bilhões sob gestão em fundos no geral.
A casa sempre teve um DNA muito ligado à análise de crédito, com uma vertical também muito forte nos fundos imobiliários. Ao todo a gestora conta com 41 profissionais, sendo que boa parte do quadro já está na casa há muito tempo em um contexto estrutural de baixo turnover.
Os dois fundos que faziam parte da nossa recomendação de renda fixa eram o Capitânia Premium (para investidores em geral) e o Capitânia Radar (para investidor qualificado, ou seja, quem tenha no mínimo R$ 1 milhão para investimentos ou tenha certificação de mercado que habilite a condição de qualificado).
Uma explicação sobre os fundos da Capitânia
O Capitânia Premium é um fundo com prazo de resgate em 45 dias e que explora os papéis mais tradicionais da classe do crédito, como debêntures e LFs, além de oportunidades em FIDCs (fundos de investimento em direito creditório) e FIIs (fundos imobiliários).
Já o Capitânia Radar 90, que, como o nome já indica, tem prazo de 90 dias para resgatar, tem uma estrutura de gestão parecida com o Premium, porém um pouco mais “apimentada”.
O time de gestão sempre se referiu ao Radar como uma opção mais sofisticada que o Premium, mas sem grandes excessos na exposição ao risco. No Radar, o fundo consegue alocar em debêntures de empresas fechadas e ter uma exposição de até 40% em produtos estruturados (CRAs, CRIs, cotas de FIDCs, FIIs, Fiagro e debêntures de infraestrutura), diferentemente do Premium, que não pode investir em S.A. fechada e tem um limite de 20% de exposição a estruturados.
Ponto crítico relacionado ao estilo da estratégia e como consequência à performance
Ao longo do tempo, a gestão rotacionou com algo entre 2% e 10% alocado em fundos imobiliários. Essa alocação pode ser interessante em alguns cenários econômicos, sobretudo em períodos de Selic mais baixa, já que traz diversificação e potencial de ganhos adicionais. No entanto, esse tipo de exposição introduz uma dose maior de volatilidade dentro de uma classe de investimentos que preza muito a estabilidade e previsibilidade.
Entendemos que, dentro de contextos mais específicos na construção de portfolio, a proposta da Capitânia pode ser interessante, mas em tempos de CDI nas alturas, o famoso custo do carrego pesa bastante, isso é quando o CDI elevado pressiona fundos de crédito a não cometer nenhum “erro” pois podem demorar muito para serem recuperados, e isso pesou a favor da retirada dos fundos.
Daí você pode me perguntar, “mas, Rodrigo, então por que não retirou o fundo antes?”.
Tivemos uma ótima conversa com o time de imobiliários da casa no meio do ano passado, responsável por aquela parcela que gira entre 2% e 10% de FIIs na carteira. Ali nos passaram com muita clareza que havia oportunidade no setor por conta das expectativas de queda no juro futuro e cenário macro, o que de certa forma ocorreu no 2º semestre de 2025, quando o Ifix subiu 8,37% e o CDI, 7,43%.
Além disso, eles tinham fechado alguns bons negócios imobiliários que destravariam valor para a carteira naquele momento, por isso, optamos por aguardar para não sair justo no momento de uma “boa recuperação”.
Ocorre que os movimentos não fluíram da melhor maneira e os fundos ficaram um pouco abaixo do CDI e Ifix, o que nos tira este argumento de aguardar uma recuperação.
Veja abaixo alguns gráficos de rentabilidade.
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
Perceba que a estratégia em tempos de Selic em patamar elevado apresentou maior dificuldade para rentabilizar e, infelizmente, ficou abaixo do CDI nos últimos 2 anos.
Outro ponto crítico é que as quedas pontuais geram muito desconforto para quem investe em renda fixa pós-fixada. Veja o gráfico abaixo:
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
O fundo, por conta dessa exposição que foge ao convencional, por muitas vezes tem quedas pontuais, as quais na maioria parte do tempo ficam em até 0,4% ou até mais que isso.
Isso acaba desvirtuando um pouco do que queremos para a classe neste momento, uma vez que os investidores buscam rentabilidade sempre positiva por aqui, mesmo que não seja uma rentabilidade muito alta.
Na tabela abaixo, apresento os números dos fundos desde o início, e ambos superam o CDI por conta dos tempos de bonança, mas a jornada de como essa rentabilidade se dá importa, e o futuro com previsão de taxas de juros elevadas por um bom tempo dificulta as coisas.
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
Ponto crítico relacionado ao time de gestão
Na conversa que tivemos em novembro de 2025, dessa vez com o time de crédito da Capitânia, recebemos a notícia da saída do Arturo Profili do time de gestão diretamente ligado aos fundos que recomendamos. Ele iria tocar um núcleo específico de produtos estruturados mais sofisticados, que passaria até por originação e análise de papéis alternativos.
Quem assumiu seu lugar foi o Christopher Smith, que sempre foi muito competente e seu braço direito na gestão dos fundos,
Ocorre que o Arturo sempre foi o principal gestor e nossa proximidade e confiança nele era muito grande.
Ainda assim, mantivemos a recomendação para aguardar maturar aquela questão da recuperação e também dando um voto de confiança ao Christopher e time.
A situação já estava bem difícil para uma manutenção mediante o fato de a cota não estar respondendo ao que esperávamos e eis que, no dia 6/2, o Arturo anuncia sua saída oficialmente da gestora, a qual pode ser vista na integra no LinkedIn.
Ainda que ele tenha sido bem transparente e respeitoso, o somatório de fatores nos fez efetivar a decisão de retirar os fundos da nossa lista de opções recomendadas. Não que falte confiança no time que está lá, que julgamos muito competente, mas por entender que temos opções mais bem alinhadas ao que queremos para a classe.
Conclusão
Por meio do relatório de 16/9 (link), nós já havíamos retirado os fundos da carteira base da Finclass, porém mantivemos na lista de aprovados. O que estamos fazendo agora, porém, é uma recomendação de venda de fato, tanto do Capitânia Premium, quanto do Capitânia Radar.
Em suma, a nossa orientação para resgatar o fundo passa muito por mudança importante no time (saída do Arturo da gestão direta e até da casa), falta de alinhamento dos produtos com o que queremos para a classe renda fixa pós-fixada e, por fim, a falta de perspectiva clara de que teremos retornos atrativos e estáveis no futuro.
Retirada do Gávea Macro e Gávea Macro Plus
A Gávea Investimentos foi fundada em 2003, no Rio de Janeiro, por seu fundador e Chairman Armínio Fraga, após sua saída do Banco Central, em parceria com Luiz Fraga, atual co-CIO de Private Equity.
Na parte de multimercados, Gabriel Srour atua como o co-CIO da casa, portanto, está mais relacionado aos fundos que recomendamos.
A gestora tem a característica de ser mais exposta em estratégias fora do Brasil do que a maioria dos nossos gestores recomendados, e atualmente monitora e investe em mais de 20 países.
Em 2023 alcançou R$ 18 bilhões de patrimônio sob gestão em fundos, mas atualmente gere cerca de R$ 5,5 bilhões, ou seja, houve uma queda bastante relevante. Além disso, também reduziu sua estrutura de 80 para 60 pessoas no decorrer dos últimos anos.
Uma explicação sobre os fundos da Gávea
A estratégia da Gávea sempre teve foco macro. Inicialmente concentrada em ativos locais, passou a incorporar de forma mais relevante a diversificação internacional após a flexibilização das regras da CVM, em 2008, que ampliou a possibilidade de investimento no exterior por fundos multimercados, principalmente nos mercados emergentes.
Um dos principais diferenciais da casa é a diversificação geográfica: em geral, apenas 20% a 25% da exposição está no Brasil, com o restante distribuído globalmente.
Ao longo de sua trajetória, construiu histórico mais concentrado em posições de moedas e juros, embora também tenha tido momentos oportunísticos e relevantes em ações, sempre dentro da lógica macro que caracteriza a casa.
Os fundos Gávea Macro (2008) e Gávea Macro Plus (2016) seguem a mesma filosofia, diferenciando-se principalmente pelo nível de risco. O Macro apresenta menor volatilidade, enquanto o Macro Plus é uma versão mais alavancada da mesma estratégia e, portanto, mais agressiva.
Ponto crítico relacionado à parte quantitativa
Os fundos vinham performando bem e dentro do esperado para um produto recomendado até 2022. Em conversa recente com o time da gestora, eles destacaram que os anos entre 2020 e 2022 foram bons; já em 2023 e 2024 houve uma queda de performance, ficando levemente abaixo do esperado. Em 2025, porém, ocorreram erros relevantes nos calls, o que resultou em um desempenho bastante aquém do esperado.
Para dar clareza aos números: o CDI subiu 14,31% em 2025, enquanto o Gávea Macro avançou apenas 3,16% e o Gávea Macro Plus caiu 0,96%, uma diferença bastante expressiva.
Costumamos analisar fundos multimercados com mais cuidado em janelas de três anos, e a dificuldade de recuperação ficou bastante evidente nos últimos tempos, como já se pode deduzir pelos dados expostos acima. Veja a seguir como os números se comportam sob essa ótica.
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
Esperávamos alguma recuperação da casa, especialmente pelo know-how do time. No entanto, algo parece ter se perdido no caminho, sobretudo em 2025.
Abaixo, apresentamos o resultado dos últimos cinco anos, desta vez incluindo o IHFA (Índice de Hedge Funds da Anbima), que reflete a média dos fundos multimercados com maior apetite por risco.
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
Vale notar que o período pós-pandemia foi bastante desafiador para toda a indústria. Como consequência, os resgates em fundos multimercados — acompanhados de uma migração massiva para a renda fixa — foram expressivos, o que dificultou significativamente o trabalho de muitos gestores.
A Gávea conseguiu se manter ligeiramente dentro da média, ou até um pouco acima, em 2023 e 2024. No entanto, 2025 foi, de fato, um ano bastante ruim.
Ponto crítico relacionado à parte qualitativa
Períodos ruins são normais. Todos os grandes gestores que estão há mais tempo no mercado já passaram por fases desafiadoras. Inclusive, embora 2025 tenha sido fraco para a Gávea, boa parte dos “erros” decorreu de apostas que, à época, faziam bastante sentido, como aumentar a exposição ao dólar no início do ano, diante da expectativa de um governo Trump mais pró-América.
No entanto, de forma pouco esperada, as políticas tarifárias e o estilo controverso de governar trouxeram desdobramentos que prejudicaram essas posições.
O ponto que mais nos chamou atenção, contudo, surgiu nas conversas com o time: percebemos mudanças no processo de investimento que nos incomodaram, em grande parte associadas à redução da equipe.
É compreensível ajustar o quadro quando a receita cai de forma relevante, visto que a gestora passou a gerir menos de um terço do patrimônio que já teve no passado. Mas com isso houve saída de profissionais qualificados. Embora as lideranças tenham sido mantidas, observamos certa “juniorização” do time, com maior espaço para pessoas menos experientes.
Naturalmente, profissionais mais jovens ou menos experientes podem performar bem, especialmente quando treinados por lideranças seniores. Porém, entendemos que parte da solidez do processo acabou se perdendo, e os resultados recentes refletiram isso.
No time de equities, por exemplo, a equipe foi reduzida de oito para quatro pessoas, e a análise migrou de uma abordagem mais bottom-up para uma visão mais top-down, com foco mais setorial e menos aprofundamento nas empresas. Ajustes de simplificação de análise com certeza ocorreram em alguns outros aspectos.
Sabemos que é muito difícil determinar o momento de saída, afinal, como diria David Swensen, grande referência para nós alocadores e analistas de fundos, gestores competentes que enfrentam ciclos ruins muitas vezes conseguem se recuperar de forma consistente.
Em diversas situações, é preciso conceder tempo e confiança. Neste caso específico, contudo, entendemos que a combinação de desempenho fraco e mudanças no processo justificou a decisão de sair dos fundos, e o tempo também de certa forma já foi dado.
Conclusão
Também na linha de reduzir a quantidade de fundos recomendados, a fim de focar nas teses de maior convicção — e eventualmente abrir espaço para novas estratégias em prospecção —, somado a resultados aquém do esperado e a alguns pontos qualitativos relacionados a processo e equipe, decidimos retirar os fundos Gávea Macro e Gávea Macro Plus da nossa lista de recomendados.
Há muitos profissionais competentes na gestora, que é uma casa relevante na indústria brasileira de fundos. É plenamente possível que haja uma recuperação e, com toda sinceridade, torcemos para isso. Ainda assim, neste momento, entendemos que a decisão precisava ser tomada.
Os fundos seguem no nosso peer group de monitoramento entre os multimercados elegíveis, porém deixam de ser uma recomendação ativa da Finclass.
Retirada do Brasil Capital 30
A Brasil Capital é uma gestora de ações fundada em 2008 por ex-funcionários da Fama Investimentos e da Hedging-Griffo. Inicialmente, foi criada para gerir recursos de uma família específica e dos sócios fundadores, mas, devido ao seu sucesso, passou a se abrir para novos investidores, inclusive para o público de varejo.
Atualmente, o time, que já contou com 18 pessoas, é composto por 12 profissionais. O patrimônio sob gestão em fundos, que chegou na casa dos R$ 10 bilhões, encontra-se hoje em R$ 1,7 bilhão. Diante dessa redução de patrimônio, os ajustes na estrutura nos pareceram necessários e diligentes.
Apesar da queda no patrimônio, o fato de cerca de 90% dos recursos estarem alocados por investidores institucionais confere certa “estabilidade” à saúde financeira da gestora, já que se trata de um capital mais resiliente às oscilações do mercado. Isso ainda permite remunerar o time e a estrutura como um todo dentro de algo que faça sentido econômico para a gestora se manter.
Uma breve explicação sobre a estratégia e time de gestão
A casa é totalmente focada em ações, naquele modelo clássico da escola fundamentalista, com rigoroso controle de risco.
Os pilares da estratégia visam investir em empresas com vantagens competitivas, geridas por executivos de altíssimo nível e alinhados aos sócios minoritários. Em paralelo, buscam companhias cujo valor intrínseco seja superior ao preço negociado no mercado.
Além disso, uma característica marcante é a alta qualificação do time de gestão, quase todo composto por profissionais com certificação CFA (Chartered Financial Analyst). Soma-se a isso o fato de trabalharem juntos há bastante tempo, o que invariavelmente aumenta a sinergia e as chances de bons resultados.
Ponto crítico relacionado à parte quantitativa
A gestora foi, por muito tempo, um case de sucesso no mercado, com rentabilidades excepcionais. Desde o início em outubro de 2008 até 10/2/26, acumulou rentabilidade de 1.607%, contra 355% do Ibovespa — pouco mais de 4,5 vezes o índice. Por isso, merece muito respeito.
Ocorre que, no período pós-pandemia, as coisas passaram a ficar mais difíceis. Além de não repetir aqueles ótimos retornos, a gestora passou a ficar, de forma recorrente, abaixo do seu benchmark.
Abaixo, apresentamos o retorno acumulado em janelas móveis de cinco anos, período que podemos considerar suficiente para um gestor de ações se provar. Os dados mais recentes mostram um fundo com maior dificuldade de performar.
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
Infelizmente, no nosso peer group de monitoramento dos fundos de ações o fundo foi começando a figurar nos piores quartis de retorno absoluto e ajustado ao risco frequentemente, tanto em janelas de curto prazo quanto nas de 5 anos, que olhamos com ainda mais afinco.
O tempo hábil para uma reversão em meio à saída do André, que abordaremos com mais cuidado na próxima seção, foi dado, mas os resultados ficaram um pouco aquém do que esperávamos.
Ponto crítico relacionado à parte qualitativa
Ao longo da história, a casa sempre teve dois principais gestores, o Ary Zanetta e André Ribeiro, com apoio de um time altamente qualificado, como mencionamos anteriormente.
Ocorre que o André saiu da gestora em um processo que perdurou por quase 3 anos desde o seu anúncio até a saída efetiva. Em 2023 o fundo performou bem e acima do mercado, num contexto do André mais ativo no dia-dia, mas depois, juntamente com uma boa parte do mercado foi apresentada grandes dificuldade de superar o Ibovespa, seu principal referencial, o que trouxe uma certa preocupação.
Atualmente a decisão final da gestora fica com o Ary, num processo um pouco mais “centralizado” do que antes, segundo nossas percepções.
Este pode ser considerado como um ponto de relativa piora no processo, que funcionava muito bem da forma anterior e contava com a opinião muito qualificada de quem fez parte de algo importante construído no passado.
Questões específicas da Finclass
Em 2024 a Finclass tomou uma decisão estratégica de não manter carteiras focadas exclusivamente em uma única classe de ativos (como ações, FIIs ou renda fixa) ou em instrumentos específicos (fundos, CDBs etc.).
Com isso, os fundos de ações passaram a disputar espaço dentro de uma carteira completa e diversificada, com alocações previamente definidas e, portanto, com vagas mais limitadas. A estrutura atual contempla: 15% em renda fixa pós-fixada, 20% em renda fixa ativa, 15% em ações, 15% em FIIs, 12% em fundos multimercados, 20% em ativos internacionais e 3% em alternativos (criptoativos, commodities e outros).
Diante desse novo desenho, entendemos que a nossa lista de fundos aprovados estava extensa, inclusive nos fundos de ações, o que poderia diminuir o nosso foco nas teses de maior convicção da casa e nos obrigaria a retirar alguns fundos.
Conclusão
Nesse contexto mais desafiador para a gestora, tanto sob a ótica quantitativa quanto qualitativa, e considerando a necessidade de adaptação ao novo modelo de alocação, decidimos recomendar o resgate do fundo Brasil Capital 30 FIA.
O fundo seguirá em nosso monitoramento quantitativo, mas deixa de ser uma recomendação da Finclass.
Como ficam as nossas carteiras com a saída da Brasil Capital 30?
Dos fundos retirados da lista de aprovados hoje, apenas o Brasil Capital 30 estava na carteira base e, por isso, precisamos reajustar a proposta.
O fundo ocupava espaço em todas as carteiras de valorização executadas por fundos.
Vamos às adaptações.
>>> Carteira para valores de até R$ 50 mil
>>> Carteira para valores entre R$ 50 mil até R$ 200 mil
>>> Carteira para valores entre R$ 200 mil até R$ 1 milhão
>>> Carteira para valores acima de R$ 1 milhão
Como puderam observar, nós optamos por aumentar as apostas no Ibiuna Equities, o equiparando em termos de peso ao Real Investor quando o assunto são fundos de ações long only.
O fundo vem rodando bem na área de ações, comandada por André Lion e sua equipe com alta consistência, o que nos deixou confortável para executar este movimento.
Além disso, gostamos do estilo de gestão do Lion, que parte de uma premissa bottom-up de análise, mas reconhecendo a importância de olhar o cenário econômico e compreendendo que empresas estão contidas neste cenário mais amplo.
Com essa abordagem, ele tende a se afastar de quedas mais acentuadas ou do não auferimento de resultados atrativos quando o mercado tem o ritmo mais ditado pela conjuntura econômica.
O que fazer se estiver com dinheiro aplicado nos fundos retirados?
Caso você possua em sua carteira algum dos fundos que tiveram recomendação de venda e queira continuar contando com o acompanhamento mais próximo do nosso time de análise, recomendamos a substituição desse fundo por uma alternativa aprovada por nós.
Para realizar essa troca, você pode optar por seguir diretamente a carteira base disponível na plataforma ou escolher outro fundo entre aqueles que permanecem na lista de aprovados, de acordo com suas preferências e objetivos.
Como detalhamos ao longo deste relatório, a retirada desses fundos não decorre de problemas de maior gravidade, ainda assim, a partir de agora, deixaremos de realizar um acompanhamento aprofundado e contínuo dessas estratégias, o que limita a nossa capacidade de oferecer análises mais refinadas e interação recorrente com os gestores.
Ficamos por aqui
Tomar a decisão de retirar uma recomendação é muito difícil, porém, por vezes necessário!
Mas estamos tranquilos no sentido de que todo o processo de análise foi feito corretamente, desde o acompanhamento rotineiro até o aviso da retirada dos fundos para as gestoras, sempre de maneira muito transparente e respeitosa.
Eu espero que essa leitura tenha sido proveitosa para você. Com já sabem, estamos sempre à disposição para conversar nas nossas lives semanais, que acontecem toda quarta-feira, às 17h, e também na comunidade do aplicativo Circle.
Um grande abraço e bons investimentos!
Rodrigo Xavier.
Sobre os analistas
Rodrigo Xavier
Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.