Os motivos que nos levaram a recomendar venda da debênture perpétua da Vale (CVRDA6).
Recomendação de venda da debênture CVRDA6 – destinado aos assinantes mais antigos
Escrito por Guilherme Cadonhotto em RENDA FIXA
Neste relatório, você encontrará:
Um guia mostrando o passo a passo de como efetuar a venda com segurança, a qual deve ser efetuada até 31 de outubro, às 19h20
O que trago hoje é uma espécie de resolução de uma “pendência” que tínhamos com os assinantes mais antigos.
Digo isso porque, lá em 2021, recomendamos a compra da debênture participativa da Vale (CVRDA6) para a carteira de renda, ainda na época da extinta Spiti.
Ao nos juntarmos com a Finclass, optamos por retirá-la da carteira, mantendo apenas como uma opção aprovada para os assinantes mais antigos.
Abaixo, explico o que está acontecendo e o passo a passo de como sair do ativo com segurança.
Vamos lá?
Sobre a debênture perpétua da Vale (CVRDA6)
Trata-se de uma debênture participativa, também conhecida como uma debênture perpétua, que não tem data de vencimento.
Em uma debênture perpétua, você recebe em sua conta os pagamentos de juros constante, mas o valor principal que investiu no preço daquele ativo não é recebido de volta na forma de amortização.
Ao contrário de uma debênture tradicional, a debênture participativa vincula a remuneração do capital investido ao desempenho operacional da empresa.
Em outras palavras, quando a companhia apresenta bons resultados de faturamento ou lucro, o retorno ao investidor tende a ser elevado; porém, em períodos de desempenho financeiro desfavorável, a rentabilidade também é reduzida.
No caso específico dessa emissão, a remuneração está atrelada à receita proveniente da extração de minério de ferro em determinadas minas localizadas nas regiões Norte e Sudeste, onde a companhia mantém operações.
Conforme descrito no prospecto da oferta, os detentores da debênture têm direito a 1,8% da receita gerada por essas minas com a produção de minério de ferro, a principal fonte de receita da Vale. Os pagamentos são realizados semestralmente, nos meses de abril e outubro.
Na época, estávamos diante de um ativo que entregava um retorno muito atrativo atrelado a duas minas bem produtivas em uma das principais empresas de mineração de ferro do mundo, o que trazia um volume de liquidez bem relevante para a debênture. Isso nos trouxe um conforto para adicionar o ativo em nossa lista de recomendados.
No período desde a recomendação até hoje, a debênture trouxe um retorno médio de 9,25% ao ano:
Fonte: Anbima Data | Elaboração: Finclass
Talvez você esteja se perguntando: “Poxa, Gui, o retorno no período até que foi bom, por que deveríamos vender a debênture da Vale?”
Bom, o motivo dessa recomendação de venda é única e exclusivamente por conta da liquidez.
Quem me conhece há mais tempo, assim como todo o time de análise da Finclass, sabe que adotamos uma postura de muita cautela e zelo com o dinheiro dos nossos assinantes. Por isso, não basta que um ativo tenha bons fundamentos e remunere bem para justificar uma recomendação: ele também precisa oferecer as condições necessárias para uma jornada estável enquanto se está investido nele.
No caso da CVRDA6, com a oferta de recompra pela Vale que explicaremos a seguir, a tendência é que o volume de negócios do ativo diminua bastante, o que poderia prejudicar algum investidor ou investidora em uma venda futura.
A Vale anunciou uma oferta de aquisição opcional de sua debênture
A Vale anunciou uma oferta de aquisição opcional (você pode optar por participar ou não dessa oferta) da sua 6ª emissão de debêntures – a CVRDA6.
Na prática, isso significa que a empresa ofereceu recomprar a sua dívida dos seus credores, que são os detentores dessas debêntures. O preço oferecido está fixado em R$ 42,00 por debênture, bem em linha com o valor justo do papel.
O problema é que se a Vale adquirir um grande volume das debêntures, a liquidez do ativo pode ter uma diminuição significativa, dado que diminui a quantidade de títulos disponíveis e detentores do ativo negociando no mercado.
Consequentemente, isso eleva o risco de enfrentar maior dificuldade de liquidar a posição por um preço mais justo no futuro.
Por esse motivo, entendemos que antecipar a venda antes desse evento de queda na liquidez é a estratégia mais adequada neste momento, pensando que existem oportunidades em outros ativos que entregam melhor assimetria de risco.
Como aderir a oferta de recompra
* Importante: Antes de tudo, ressalto que prazo para adesão é até 31 de outubro às 19h20. Após esse horário, não será mais possível aderir a recompra.
No site da Vale, há um passo a passo explicativo sobre como os investidores podem aderir à oferta.
Antes de tudo, preencha o Termo de Intenção em formato digital. Para acessar ao termo, clique aqui. Neste documento, você deverá preencher todos os campos solicitados.
Preencha suas informações pessoais nos campos que estão dentro dos quadros vermelhos:
Fonte: Vale
Mais abaixo, você deverá preencher a quantidade de debêntures que possui, e que deseja vender:
Fonte: Vale
Por fim, coloque o local e a data. Após isso, faça a assinatura digital.
Fonte: Vale
O documento deve ser assinado digitalmente com validade jurídica, o que significa:
- Use um certificado digital ICP-Brasil (como o e-CPF ou e-CNPJ);
- Se você não tiver um certificado, pode usar uma plataforma de assinatura eletrônica aceita legalmente no Brasil, como por exemplo os sites DocuSign, Clicksign ou ZapSign.
Se usar uma dessas plataformas, baixe o PDF assinado contendo o carimbo de tempo e o certificado de assinatura digital (isso comprova validade jurídica).
Depois de assinado, envie o Termo de Intenção Digital à Vale, ao Agente Fiduciário e ao Citi por meio dos seguintes e-mails:
Após o envio, sua corretora ou agente de custódia deverá registrar sua manifestação no Sistema NoMe da B3. Portanto, verifique com sua corretora se o registro foi efetivado — sem isso, a adesão não é considerada válida.
Para isso, entre em contato com o atendimento da sua corretora e peça para o setor de Renda Fixa/Operações estruturadas confirmar o registro no NoMe.
Importante: todas as debêntures devem estar custodiadas na B3/CETIP até 31 de outubro de 2025 (se esse for o seu caso, não precisa fazer o procedimento abaixo).
Aqueles que tiverem as debêntures atualmente custodiadas pelo escriturador Bradesco, devem fazer mais um passo a passo:
1. Preencher a Ordem de Transferência de Ativos Escriturais - OTA e apresentar a documentação para transferência das debêntures à CETIP.
2. Encaminhar o formulário para seu agente de custódia/corretora de valores para assinatura.
3. A corretora selecionada pelo investidor, irá direcionar a OTA com os documentos ao Escriturador Bradesco (prazo de 4 dias a partir do recebimento da documentação).
4. Caso tenha qualquer dúvida nessa etapa, entrar em contato com bcsf.analiseprocesso@bradesco.com.br .
Conclusão
Considerando o anúncio da recompra e o prazo limitado para adesão (até 31 de outubro), entendemos que a melhor estratégia é vender a debênture CVRDA6.
Mesmo que estejamos falando de um ativo atrelado a uma das maiores empresas de mineração do mundo e que oferece uma rentabilidade atrativa, alocar capital em um papel com risco de liquidez elevado — que pode resultar em desvalorização significativa em uma venda futura — não seria a melhor decisão.
Neste momento, existem títulos públicos, ETFs e fundos de crédito privado com maior diversificação de risco e liquidez superior, e que atualmente compõem a carteira da Finclass.
Em caso de dúvidas, sinta-se à vontade para nos acionar na comunidade e nas lives semanais.
Abraços,
Guilherme Cadonhotto
Sobre os analistas
Guilherme Cadonhotto
Sócio
Além de estrategista-chefe da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como uma das principais autoridades brasileiras em renda fixa, ensinando seus assinantes e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.