Relatórios

Reforço na renda fixa global: BHYG39 e BLQD39

Escrito por Felipe Arrais, Rodrigo Xavier, Vinicius Kenjiro em FUNDOS

5 min de leitura

Olá, assinantes do Spiti One!

Atualmente, temos em várias carteiras do Spiti One dois ETFs de renda fixa global listados no Brasil, USDB11 e BNDX11, o que já é ótimo, devido ao fato de serem ativos de qualidade para compor um portfólio diversificado.

No entanto, ainda não contávamos com BDRs de ETF, ou seja, os valores mobiliários emitidos no Brasil, que possuem como lastro cotas de ETFs emitidos no exterior.

A questão é que os BDRs são certificados que possuem um lastro em um ativo no exterior que é cotado em outra moeda. Assim, diante de oferta e demanda por esses ativos aqui no mercado brasileiro, o preço de um BDR pode se distanciar do seu preço justo.

Mas, para isso, temos os formadores de mercado. Eles atuam ao longo do pregão dando e tirando liquidez dos papéis negociados, de forma a garantir que o preço não se distancie tanto do preço do ativo no exterior, incluindo, é claro, a variação cambial. E os ativos que vamos recomendar hoje contam com a presença desse importante prestador de serviço

Sem os formadores de mercado, não conseguimos garantir que o preço do ativo acompanhará de maneira fiel o ativo lastreado no exterior. Vamos então começar falando sobre como verificar se um BDR já teve seu formador de mercado contratado.

Como verificar as regras de atuação dos formadores e mercado

A contratação de formadores de mercado para BDRs acontece de maneira passiva, ao contrário do que costumeiramente acontece com ETFs.

Em um ETF, a gestora responsável pelo fundo possui interesse que seu produto seja eficiente e siga de perto o índice a que se propõe. Para isso, ela vai atrás de empresas competentes para contratá-las como formadores de mercado.

No caso dos BDRs, existem cinco postos disponíveis para cada BDR de ETF, e as empresas se candidatam para ocupar a vaga, comprometendo-se com algum nível de eficiência de spread, o chamado spread máximo permitido.

A empresa que oferecer as melhores condições e cumprir os requisitos solicitados acaba sendo eleita para ocupar uma das vagas. Esse sistema provoca certa competição, de forma que os spreads máximos permitidos para os principais BDRs de ETF sejam relativamente baixos.

A média dos spreads máximos permitidos para os BDRs de ETF que recomendamos é de 0,35%. Isso na prática significa que o preço do ativo pode se distanciar no máximo 0,35% do preço do ativo lastro no exterior.

Os contratos de formadores de mercado são renovados semestralmente, e foi justamente esse o motivo pelo qual os BDRs de ETF de renda fixa demoraram para ter formadores alocados. Afinal, eles chegaram ao mercado brasileiro bem próximo da virada do semestre e, portanto, a B3 optou por dar andamento com novas contratações na segunda metade do ano.

Para verificar as regras de atuação dos formadores de mercado, assim como quais são as empresas responsáveis por atuar em cada BDR, basta clicar neste link. Você deverá descer até o campo “BDRs” e selecionar a opção “Regras de atuação de formadores de mercado” para fazer o download da planilha com todos os dados.

Fonte: B3. Adaptação: Spiti

Agora, sim, vamos às nossas recomendações de hoje.

BDR do ETF iShares iBoxx $ High Yield Corporate Bond (BHYG39)

Essa recomendação chega ao Spiti One justamente num momento que as taxas de juros nos EUA e países desenvolvidos estão em patamares altos, porém, com a inflação já começando a arrefecer, o que nos indica que vem cortes de juros pela frente. Nesse contexto, a renda fixa pode se beneficiar bastante.

Inclusive, montamos uma tese de investimento que trata bem dessa questão no relatório "O retorno da renda fixa global e como ajustar nas carteiras do Spiti One", publicado na mesma data deste (27/2/2023).

Portanto, em uma alocação diversificada em renda fixa, a maior parte do retorno esperado no futuro pode vir como contribuição de títulos com um pouco mais de risco e também de retorno.

O HYG foi o primeiro ETF da categoria high yield a ser lançado no mercado. Sua aderência ao índice de referência tem sido sólida ao longo do tempo, cobrindo a parte mais líquida do mercado de bonds high yield.

Veja abaixo a distribuição dos títulos investidos pelo ETF HYG por rating de crédito:

Fonte: iShares. Adaptação: Spiti

Além da diferença de rating de crédito em relação ao SHV, o HYG também explora títulos mais longos, o que aumenta também risco de mercado e potencial de retornos. Veja abaixo a distribuição dos títulos por vencimento:

Fonte: iShares. Adaptação: Spiti

O prazo médio dos vencimentos dos títulos ponderado pelo peso está na casa de 5,5 anos. Além disso, a duration desse ETF é mais elevada que o anterior, de aproximadamente 4,24 anos, o que naturalmente faz com que o risco de mercado seja também muito mais relevante.

Por isso, devemos ter a dimensão do risco de mercado mais elevado juntamente com o risco de crédito.

Como investir?

Você pode comprar esse ativo de qualquer home broker pelo ticker BHYG39. Para conferir as informações de listagem, basta clicar neste link.

Caso queira, você pode conferir a página oficial do ETF clicando aqui.

Fonte: iShares. Adaptação: Spiti

BDR do ETF iShares iBoxx $ Investment Grade Corporate Bond (BLQD39)

O BLQD39 é o BDR de ETF que segue o LQD, uma excelente opção para investidores de longo prazo como composição central na caixinha de alta qualidade. Isso porque apresenta um baixo risco de crédito, mas, por ser focado em créditos corporativos, possuem um risco superior ao risco do governo, portanto, devem pagar um retorno mais atrativo ao longo do tempo.

Ele seleciona apenas títulos com pelo menos três anos de vencimento. O prazo médio de vencimento dos títulos em carteira é 13 anos, o que acarreta uma maior duration para o ETF (8,65 anos), portanto, o torna mais suscetível a risco de mercado.

Fonte: iShares. Adaptação: Spiti

Lembre-se sempre de que BDRs estão expostos à variação cambial, e que todo provento pago mensalmente será taxado em 3% pelo banco depositário.

Como investir?

Você pode comprar este ativo de qualquer home broker pelo ticker BLQD39. Para conferir as informações de listagem, basta clicar neste link.

Fonte: iShares. Adaptação: Spiti

Qual o peso do BLQD39 e BHYG39 nas carteiras?

Os BDRs recomendados hoje estarão presentes apenas nas carteiras de R$ 50 mil, R$ 100 mil e R$ 500 mil.

Nas carteiras de valor inferior a R$ 50 mil os BDRs não foram incluídos por adequação eficiente do portfólio, já nas carteiras de R$ 1 milhão ou mais nossa preferência é por montar via fundo de investimento, Oaktree e Pimco atualmente.

A entrada dos BDRs vem junto com uma revisão da nossa proposta de alocação dentro da fatia de investimentos globais, que pode ser compreendida em detalhes no relatório que disponibilizamos aqui.

Abaixo podemos ver como ficou a nova proposta pós inclusão dos BDRs.

Carteiras de R$ 5 mil e R$ 10 mil (sem alteração)

Fonte: Spiti

Carteira de R$ 30 mil

Fonte: Spiti

Carteiras de R$ 50 mil

Fonte: Spiti

Carteiras de R$ 100 mil e R$ 500 mil

Fonte: Spiti

Carteiras de R$ 1 milhão ou mais

Fonte: Spiti

Ficamos por aqui

Antes de nos despedir, é importante ressaltar dois pontos:

  • Não sabemos quando as variáveis econômicas irão se estabilizar a ponto de mudar a direção da política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos);
  • Quando esse movimento se tornar claro, os preços já terão andado na frente, não havendo possibilidade de correr para comprar os ETFs e BDRs de renda fixa.

Lembremos sempre de nosso plano de alocação, que mantém de forma estrutural exposição à renda fixa global. Montar posições aos poucos vai fazer com que capturemos diferentes preços de entrada e pavimentará o caminho para uma performance futura mais atraente.

Um grande abraço,

Felipe Arrais, Rodrigo Xavier e Vinicius Kenjiro

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Sobre os analistas

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.

Vinicius Kenjiro

Fund Research Analyst

É especialista de fundos da Spiti. Bacharel em Administração pela USP, com passagem pela Erasmus University Rotterdam, Vinícius atuou na análise financeira e social de um fundo de impacto social, nas áreas de agricultura e inclusão financeira. Fascinado pelo mercado financeiro, traz na bagagem a experiência de ter estado do outro lado da indústria e a vontade de impactar a vida das pessoas por meio da educação financeira e dos investimentos.