Relatórios

Reforço para a renda fixa dinâmica: Icatu Vanguarda Inflação Crédito Privado

Escrito por Vinicius Kenjiro, Felipe Arrais, Alessandra Bellotto, Rodrigo Xavier em RENDA FIXA

18 min de leitura

Como já havíamos adiantado, nossa caixinha renda fixa dinâmica ganha um novo integrante hoje: um fundo da gestora de recursos do grupo segurador Icatu, que busca retornos acima da inflação no médio prazo por meio de uma gestão ativa nos mercados de juros e de crédito privado.

Batizado de Icatu Vanguarda Inflação Crédito Privado, o fundo chamou a nossa atenção pelo dinamismo com que opera. Para começar, são duas as equipes que tocam o fundo – uma de renda fixa e outra de crédito –, que atuam de forma independente, cada uma em busca de oportunidades em seu pedaço para compor o portfólio final.

No livro de renda fixa, o gestor define qual o risco de mercado o fundo vai correr sob dois aspectos basicamente: o nível de duration (prazo médio de vencimento) e o nível de indexação do portfólio consolidado, este último dado pela maior ou menor exposição a operações indexadas à inflação ou prefixadas, a depender do cenário macroeconômico. O time também define se quer explorar apostas táticas em inclinação da curva de juros, inflação implícita e possíveis hedges.

Não há uma obrigação de manter a carteira 100% indexada o tempo todo, apesar de o fundo ter como benchmark o IMA-B 5, o índice que mede o desempenho dos títulos públicos atrelados ao IPCA com prazo de até cinco anos. Mas como o objetivo é gerar retorno acima da inflação no médio prazo, desde o seu início, o fundo nunca chegou a ter indexação ao IPCA menor que 60%.

Na crise gerada pela pandemia, por exemplo, por meio do uso de instrumentos derivativos, o fundo chegou a ter uma exposição a indexados à inflação equivalente a 120% do patrimônio, o que permitiu capturar muito da alta de preços. Já no período pré-eleição, como forma de proteger o fundo e diante da expectativa de deflação por conta de corte de impostos, a exposição foi reduzida para perto dos 70%. Nesse momento, por exemplo, o fundo ficou mais exposto ao CDI.

Parte do trabalho da equipe de renda fixa, como falamos anteriormente, também é feita por meio de uma gestão ativa de duration. A depender do nível de preços, dos juros e do momento do ciclo monetário, o time define a duration (quanto maior o prazo, maior o risco) para o portfólio como um todo e como será feita a sua composição, se via prefixados ou indexados à inflação.

O Icatu Vanguarda Inflação Crédito Privado costuma rodar com um prazo médio dos ativos entre 2,5 e 3,5 anos, em linha com a carteira do IMA-B 5, mas também não é uma obrigação. Com o fechamento recente da curva de juros de mercado (quando a taxa cai, o preço sobe), a equipe de renda fixa optou por realizar os ganhos, o que contribuiu naturalmente para a redução de duration ao deixar a carteira mais pós-fixada. Antes da eleição, o fundo estava com um duration perto da mínima histórica, em 1,8 ano.

Ao longo de outubro, diante do movimento global de abertura das inflações implícitas e, no Brasil, da volta das pressões de preços, após três meses de deflação, o fundo voltou a aumentar a indexação ao IPCA, encerrando o mês com mais de 90%. Sazonalmente, o período entre fim e começo de ano costuma ter inflação mais alta.

O time de renda fixa também aproveitou a volatilidade do período eleitoral para elevar o prazo médio da carteira, que chegou a 2,18 anos no fim do mês, conforme a gestora destacou em carta de outubro. Naquele momento, 100% do risco de duration do fundo estava em indexados à inflação, tanto por meio de NTN-Bs (títulos públicos atrelados ao IPCA) quanto de instrumentos derivativos usados para trocar o indexador dos ativos de crédito para juro real.

No braço de crédito, a gestora só opera com ativos de alta qualidade, conhecidos como high grade. Aqui, também não há limites predefinidos para o tamanho da exposição em crédito. Extrapolando, o fundo pode ir de zero a 100% do patrimônio, mas sempre rodou entre 45% e 95%.

Às vésperas da eleição, o fundo estava operando na faixa de 70% a 75%. No fim de outubro, o portfólio de crédito já representava 79% do patrimônio.

Nessa mesa, vale destacar, a equipe de gestão está de olho no prêmio de risco de crédito, ou seja, quanto o ativo paga a mais em relação ao referencial. Assim, desde que o spread de crédito esteja atrativo, o fundo pode comprar emissões com diferentes prazos e benchmarks, de IPCA a CDI, e neutralizar o risco de mercado, transformando um ativo em IPCA para CDI, ou vice-versa, a depender do que foi definido para o portfólio.

Até porque é a mesa de renda fixa que faz a gestão do risco de mercado e decide se o fundo deve ficar mais ou menos indexado e o nível de duration da carteira como um todo, de acordo com o momento macro.

O fundo, no fim das contas, vai ser a composição das duas mesas, que vão se complementando ao longo do tempo, sem se fiar a limites predefinidos de risco para cada uma delas. Em alguns momentos, vai ser mais fácil ganhar dinheiro operando risco de mercado e, em outros, com crédito.

“Somos bem ativos, operamos de fato como um fundo ‘total return’ [que busca retorno total]”, disse Rachel Cunha, da área de Relações com Investidores da Icatu Vanguarda.

Em outubro, o fundo, que é destinado ao público geral, rendeu 1,85%. No ano, o ganho chega a 10,25%, contra 9,12% do IMA-B 5 – mais à frente apresentamos os detalhes da nossa análise quantitativa do fundo.

Mas, antes, confira a história da gestora e do time que toca o fundo.

Uma gestora com DNA de seguradora

A Icatu Vanguarda nasceu em 2010, mas a experiência de gestão de recursos é mais antiga. Vem desde a criação pelo Banco Icatu da Icatu Investimentos, em 1998, uma das primeiras gestoras independentes a operar no Brasil.

A Icatu Investimentos foi uma das incursões do Grupo Icatu, conhecido pela sua atuação no mercado de seguros e previdência, na gestão de recursos. Em 2002, a empresa deixou de ter participação do grupo segurador.

Em 2004, a Icatu Hartford, seguradora do grupo criada em parceria com a norte-americana The Hartford, decidiu montar uma estrutura própria para fazer a gestão das reservas acumuladas pelas vendas de produtos de seguros de vida, previdência e capitalização.

Em 2010, com o fim da joint venture, o grupo Icatu passou a deter 100% da seguradora, momento em que foi criada a Icatu Vanguarda, já com a responsabilidade de fazer a gestão de recursos não só do grupo segurador, mas de terceiros, especialmente investidores institucionais, dada a experiência e o foco em buscar retornos acima da inflação no médio prazo.

Hoje, a Icatu Vanguarda reúne R$ 38 bilhões de ativos sob gestão, dos quais 35% estão em previdência. Os fundos tradicionais, distribuídos em plataformas, representam apenas 8% do patrimônio total. Aumentar essa fatia é um desafio, mas, segundo Rachel, isso se deve à própria característica dos produtos da Icatu Vanguarda, com foco na geração de retorno real em médio e longo prazos, enquanto o investidor individual tem uma visão de mais curto prazo.

Para nós, que priorizamos uma alocação estrutural para o longo prazo, essa característica da Icatu é uma vantagem. A experiência bem-sucedida de gerir as reservas da seguradora é mais um ponto a favor, uma vez que demonstra solidez e consistência de retornos. Desde 2017, a gestora é reconhecida com o mais alto rating de qualidade e gestão de recursos e investimentos concedido pela Moody’s: a avaliação MQ1. A nota, que é relevante para investidores institucionais, foi reafirmada durante a crise.

A Icatu Vanguarda é uma gestora fundamentalista, multiproduto, mas que se destaca nas estratégias de inflação e crédito. Conta hoje com um time de mais 60 pessoas ligadas, direta ou indiretamente, à gestão, e com boa parte formada dentro de casa. A asset funciona como uma espécie de holding, para a qual respondem as mesas de crédito, renda fixa, o time macroeconômico e responsável pelos multimercados e a equipe de renda variável.

Segundo contou Rachel, há muita troca de informações entre as mesas, o que traz ganhos de sinergia para a gestora, mas as decisões são tomadas de forma independente. O time de crédito pode decidir comprar o ativo de uma empresa em que a equipe de ações está fora ou até operando na ponta vendida, por entender que a emissão de dívida tem taxas atrativas e boas garantias.

Os pontos em comum são as áreas de suporte operacional, administrativo e gerenciamento de risco (back e middle office), além do CEO e da área de Relações com Investidores (RI).

Uma curiosidade antes de apresentar os times de renda fixa e crédito. O CEO da Icatu Vanguarda, Bernardo Schneider, ingressou na Icatu Vanguarda logo que a gestora iniciou suas atividades. Foi o primeiro estagiário. Em 2005, foi transferido para a mesa de renda fixa e crédito privado e, em 2008, virou gestor de portfólio da área, assumindo a responsabilidade por R$ 17 bilhões em ativos nos fundos abertos e exclusivos. Em 2018, virou CEO.

Os times de crédito e renda fixa

A equipe de crédito privado, que atua para todos os fundos com mandato para investir em títulos de dívida, é formada por dez pessoas. A liderança da área é dividida entre os gestores de portfólio Alan Corrêa e Antonio Coutinho Corrêa, que respondem diretamente ao CEO.

Alan ingressou na Icatu Vanguarda em 2008, na área de renda variável. Em 2010, mudou de mesa e tornou-se gestor de fundos de crédito privado. Em 2011, ele saiu do grupo para trabalhar em um family office, mas voltou em 2016 como responsável pela gestão dos fundos de crédito privado.

Antonio, por sua vez, ingressou na Icatu Vanguarda em 2010 na área de análise de crédito e, em 2012, passou a ser responsável pela gestão do portfólio de crédito privado. Em 2016, foi para a XP Investimentos como sócio na área de análise e gestão de renda fixa e crédito privado da asset do grupo. Em 2019, voltou para a Icatu, tornando-se corresponsável pela gestão dos fundos de crédito privado, ao lado de Alan.

No time de análise de crédito, são seis profissionais, entre eles Marco Antonio Pereira, que está na casa desde 2003 e lidera o time. Sua experiência profissional no mercado, contudo, começou em 1978 na Fininvest CFI, onde ficou por 12 anos. Em 1995, passou a integrar a equipe do Banco Icatu, tendo estruturado e chefiado a área de crédito por cinco anos. Teve ainda passagens pelo setor público, como gerente de acompanhamento de empresas na CVM (a xerife do mercado), e pelo setor corporativo, na gerência de crédito siderúrgica CSN, posição que ocupou por três anos.

Um ganho recente na mesa de crédito foi a contratação de um analista de dados, para o monitoramento em tempo real da parte mais técnica do mercado, envolvendo liquidez, precificação, distribuição dos ativos, prazo necessário para liquidar posições sem gerar prejuízos, entre outros. O time conta ainda com uma pessoa para cuidar do operacional das transações.

Já a mesa de renda fixa, responsável pela gestão do risco de mercado, tem três profissionais que atuam diretamente na área. Mas ela conta com o suporte do time macroeconômico da mesa de multimercados, além de consultoria externa.

Na liderança, respondendo diretamente ao CEO, está o gestor de portfólio Marcos Rechtman. Cria da casa, como ele mesmo disse, ingressou no grupo em 2008, mas na Icatu Seguros, na área de gestão entre ativos e passivos atuariais (ALM). Na Icatu Vanguarda, entrou em 2010 na área de análise de crédito.

Em 2011, passou para o time de renda fixa, tornando-se responsável pela gestão dos fundos de inflação e ALM e, no início de 2016, assumiu a gestão de risco de mercado de todos os fundos de renda fixa.

O processo de análise e investimento

Como já destacado aqui, a Icatu é bastante conservadora quando se trata de crédito, até por fazer parte de um grupo segurador. Além de só olhar para ativos de alta qualidade, conta com a experiência de 40 anos em crédito de Marco Antonio para liderar o time de análise.

Ainda assim, uma emissão precisa ser aprovada por unanimidade no comitê de crédito, que é formado pelo próprio Marco Antonio, pelos dois gestores de portfólio de crédito, Alan e Antonio, e pelo CEO, Bernardo.

No universo de high grade, a análise vai além do risco de o emissor não pagar a dívida, uma vez que essa probabilidade é muito baixa. Hoje, segundo explicou Alan, isso conta, mas é ainda mais importante acompanhar as mudanças de percepção em relação à qualidade do emissor e à própria dinâmica de mercado, porque isso tem reflexo nos preços.

“Antes, se a empresa não pagasse sua dívida, não tinha o que fazer com o ativo. Hoje, qualquer alteração de sentimento pode ser expressa no preço”, disse Alan. Em vez de os questionamentos se restringirem à capacidade de pagamento do emissor, o gestor precisa avaliar o comportamento do ativo no mercado, se ele está caro ou barato, por exemplo.

No crédito, o fundo assume tanto o risco de carrego do spread de crédito, relativo ao rendimento esperado com as taxas pagas pelos ativos, como o de ganho ou perda de capital num eventual fechamento ou abertura desse prêmio. Se a dinâmica para carregar um ativo piorar, com a queda dos prêmios de risco de crédito, o gestor pode optar por reduzir a carteira e embolsar os ganhos.

De duas a três vezes no ano, a equipe faz movimentos mais importantes na carteira. No dia a dia, são feitos ajustes pontuais nas posições.

Outro importante aspecto ao avaliar uma emissão é a liquidez, ou seja, a capacidade de o gestor de se desfazer do ativo sem gerar impacto para os preços. Apesar de o mercado secundário de transações de crédito ter evoluído, ele ainda não chegou no nível da Bolsa, que tem preço na tela durante todo o pregão e negocia um volume muito maior no secundário.

Esse é um acompanhamento importante que a casa faz (o analista de dados vem para ajudar nisso). Saber se uma emissão está concentrada em poucos participantes ou não, por exemplo, vai ajudar o gestor a decidir como fazer uma eventual saída do ativo, a fim de evitar que o fundo seja penalizado.

Toda emissão aprovada pelo comitê recebe um rating interno para definir a exposição máxima ao ativo e como ele deve ser alocado nos diferentes fundos. São atribuídas notas de 1 a 6: 1 para uma emissão aprovada de menor risco e 5 para uma mais arriscada. Nota 6 recebe a emissão vetada.

Para dar o rating, são levados em consideração cinco fatores, cada um com peso de 20%, conforme o diagrama abaixo.

Fonte: Icatu Vanguarda

A Icatu divide ainda a família de fundos de crédito, como o nosso recomendado de hoje, em três grupos de risco, de acordo com fatores como liquidez e os mandatos dos próprios produtos, sendo o G1 o grupo mais restrito e o G3, o mais amplo.

Uma emissão aprovada no comitê de crédito com nota 5 (a mais arriscada) poderá ser alocada nos fundos que fazem parte do G3 ocupando um espaço de até 2% do limite em crédito privado. Já no G1, mais conservador, pode ocupar no máximo 1% do limite de crédito privado, que nesses fundos não ultrapassa 50% do patrimônio – isso vai significar uma alocação de até 0,5% do portfólio como um todo, conforme a tabela abaixo.

Fonte: Icatu Vanguarda

O Icatu Vanguarda Inflação Crédito Privado faz parte grupo 3, que conta com mais flexibilidade, podendo ter um duration maior, e por conta do mandato de crédito mais amplo, que vai além de 50% de exposição em crédito.

E a definição do risco de mercado?

Na gestão do risco de mercado, conforme destacou Marcos Rechtman, o cenário macroeconômico e como ele se reflete nos preços de mercado é o que baliza a tomada de decisão. A partir dessa avaliação, o time define qual a indexação e o nível de duration que considera interessante diante da meta de gerar retornos reais no médio prazo. Como mencionamos anteriormente, é natural que o fundo, para se proteger da inflação, carregue uma composição grande em IPCA.

Quando o mercado está muito volátil, provocando variações relevantes nos parâmetros definidos para o fundo, a mesa entra para operar. Em outubro de 2021, mês bastante conturbado para o Brasil (por conta da PEC dos Precatórios), Marcos disse que aproveitou a abertura forte da curva de juros para esticar a duration do fundo e tentar capturar um ganho de capital.

Ele faz isso todo dia? Não. Tudo vai depender do momento e dos níveis de preços. Teve muita variação e surgiram oportunidades, o time entra no mercado e ajusta a composição. Mas, como destacou o gestor, a expectativa é não precisar fazer mudanças com tanta frequência.

No dia a dia, a rotina começa com reuniões matinais em que cada time expõe o seu cenário e o que está fazendo, assim como a equipe de macro traz as notícias que impactaram os mercados.

Uma vez por semana, a mesa de renda fixa tem reunião com o time de multimercados para falar de cenário macro e de posições. E Marcos também se reúne com o seu time uma vez por semana para falar mais especificamente sobre o cenário de juros.

Além disso, uma vez por mês, a equipe se reúne com um consultor externo para debater um tema macro a ser definido, em que todos da gestora são convidados a participar.

Os números do nosso recomendado

Como você sabe, aqui na série, nossa receita para avaliar um fundo é a junção de um olhar qualitativo minucioso e detalhista com uma análise quantitativa muito bem-feita. Se chegou até aqui, sabe que a primeira parte já foi feita. Chegou a hora de entrarmos de cabeça nos números e mostrar por que gostamos do Icatu Vanguarda Inflação Crédito Privado – agora do lado quantitativo.

De início, um ponto que chamou nossa atenção em relação ao produto – além, é claro, do dinamismo da gestão – foi o balanço entre risco e retorno. A seguir, mostramos o que isso significa em números, mas basicamente o fundo se destaca porque a sua volatilidade é relativamente baixa para o nível de retorno que entrega aos cotistas, que, diga-se de passagem, fica acima quando comparado a índices extremamente difíceis de bater.

Desde o seu início, em 2014, a estratégia apresenta uma volatilidade de 3,5% ao ano. Para se ter uma ideia, no mesmo período, a volatilidade do IMA-B 5 (benchmark oficial do fundo) ficou em 3,1% ao ano, e a do IMA Geral, pouco acima, em 3,8% ao ano.

Já na avaliação dos últimos três anos, que engloba um período de maior estresse do mercado, a volatilidade acaba ficando ligeiramente acima. Enquanto o Icatu Vanguarda Inflação Crédito Privado registrou oscilação de 4,5% ao ano, o IMA-B 5 marcou 3,6% e o IMA Geral, 3,7%.

No gráfico abaixo, em que calculamos a volatilidade em janelas móveis de 12 meses desde o início do fundo, dá para ter uma noção do seu comportamento em vários períodos, especialmente naqueles momentos de maior risco.

Fonte: Quantum. Elaborado por Spiti

O IMA Geral é mais difícil de aparecer por aqui, então vale uma pequena explicação do porquê resolvemos inclui-lo na análise. O índice, para quem não conhece, é formado por todos os títulos que compõem a dívida pública do país, ou seja, é uma junção dos indexados à inflação, prefixados e pós-fixados.

Decerto é um indicador mais amplo se comparado ao IMA-B 5, que é formado somente por títulos públicos indexados à inflação com vencimento de até cinco anos. No entanto, exatamente por ter essa característica, o IMA Geral nos parece ser um bom benchmark para incluir na comparação com um fundo que é bastante dinâmico, como nosso recomendado de hoje.

Passamos agora para os indicadores de retorno acumulado desde o início do fundo e nos últimos três anos.

Fonte: Quantum. Elaborado por Spiti

Fonte: Quantum. Elaborado por Spiti

Veja que o Icatu Vanguarda Inflação Crédito Privado bate todos os índices em termos de retorno acumulado desde seu início, em abril de 2014, ao entregar 159,24% contra 146,64% do IMA-B 5, 131,61% do IMA Geral e 103% do CDI.

A vantagem em relação ao IMA-B 5, no entanto, diminuiu um pouco no período pós-pandemia, uma vez que o fundo se descolou negativamente. Nos últimos três anos, Icatu Vanguarda Inflação Crédito Privado teve ganho de 24,76% contra 24,45% do índice. Vale lembrar que o IMA-B 5 é um dos índices mais competitivos do mercado local em termos de retorno ajustado ao risco, fazendo com que seja muito difícil batê-lo com consistência.

Aqui, vale mencionar uma brincadeira que o Rodrigo fez em uma de nossas discussões sobre a recomendação do fundo. No fim das contas, não queremos ganhar de goleada do ASA de Arapiraca. Nosso objetivo é jogar na Champions League e ficar frente a frente com os melhores times europeus, mesmo que consigamos somente um empate ou aquela vitória suada – como o nosso recomendado, que bateu o IMA-B 5 por uma diferença pequena.

Além de ter um retorno ajustado pelo risco atrativo, é importante mencionar ainda que o fundo, na janela que acreditamos ser mais interessante para a caixinha da renda fixa dinâmica – no mínimo três anos –, é extremamente consistente contra CDI e IMA Geral, e suficientemente consistente contra o IMA-B 5.

Em outras palavras, é bem provável que quem investiu no fundo, independentemente da janela, obteve retornos acima desses índices.

Abaixo, você encontra uma tabela com a consistência do fundo contra cada um desses benchmarks. Adicionalmente, apresentamos um gráfico de janelas móveis de três anos, que mostra a mesma informação, mas de forma mais visual.

Fonte: Spiti

Fonte: Quantum. Elaborado por Spiti

Pra quem nunca ouviu falar, a consistência mostra, em porcentagem, o número de vezes que um investidor ou uma investidora superaria o benchmark se mantivesse o seu investimento no fundo em determinada janela de tempo. Pode parecer complicado, mas vamos a um exemplo para facilitar.

No caso do Icatu Vanguarda Inflação Crédito Privado, a consistência contra o CDI é de 100% em três anos. Resumidamente, isso quer dizer que se você tivesse investido no fundo e permanecido com o dinheiro aplicado por três anos, independentemente de quando foi feito o investimento, teria obtido um retorno acima do índice sempre.

Já em relação ao IMA-B 5, o fundo apresentou uma consistência de 55,5% contra o índice. Pode parecer um valor baixo, mas aqui vale destacar que o indicador foi prejudicado pela performance mais recente do fundo, especialmente depois da pandemia – o gráfico acima mostra o descolamento a partir de 2020.

E, como dissemos anteriormente, estamos comparando o fundo contra um índice que tem um dos melhores desempenhos do mercado local e, por isso, é difícil de superar. Basta olhar a grande vantagem que ele tem em relação ao nosso custo de oportunidade, superando o CDI em 100% das janelas.

No entanto, para não restarem dúvidas e obter uma perspectiva diferente do “problema”, fizemos a distribuição do excesso de retorno anualizado (ou alfa, como é chamado no mercado) gerado pelo fundo na janela de 36 meses. Nossa intenção era verificar se o fundo ficou muito pra trás do benchmark quando perdeu e o quanto de alfa gerou quando superou o índice.

Fonte: Quantum. Elaborado por Spiti

A partir do gráfico, podemos notar que o fundo, quando supera o IMA-B 5, apresenta um alfa maior que 4 pontos percentuais em 40,9% das vezes. Já nas janelas em que fica atrás do índice, as perdas ficam concentradas na faixa entre -2 e -1 ponto percentual.

Vale lembrar que, apesar de o benchmark oficial ser o IMA-B 5, o fundo é extremamente dinâmico, não se limitando a investir apenas em títulos indexados a inflação com prazo de até cinco anos, como o índice. Os times de gestão podem operar vencimentos mais longos e até mesmo explorar oportunidades em prefixados, que possuem um risco mais elevado, além do risco de crédito.

Afastar-se do que um índice consistente como o IMA-B 5 propõe tem ônus e bônus. O ônus, como comentamos, é ficar com uma consistência um pouco prejudicada. O bônus é um belo excesso de retorno nas janelas positivas com uma perda menor nas janelas negativas, conforme o gráfico acima é capaz de evidenciar.

Ainda vale dizer que, mesmo com o descolamento negativo observado pós-pandemia, o fundo tem uma rentabilidade histórica mais expressiva que a do índice. Mas será que esse retorno melhor veio à custa de um risco muito maior? Tendo isso em mente, decidimos rodar uma análise de Sharpe.

Para quem não sabe, o índice de Sharpe mede a relação entre risco e retorno de investimento por meio de um único número. Para chegar no resultado, dividimos o retorno anualizado de um ativo (subtraído do custo de oportunidade, no caso o CDI) pela volatilidade anualizada. Quanto maior o resultado, melhor, uma vez que sugere que o risco corrido foi compensado pelo retorno obtido.

Veja abaixo o resultado:

Fonte: Quantum Axis e Spiti

Em nossas varreduras pelo mercado em busca de oportunidades para recomendar, o fundo da Icatu frequentemente aparecia como um dos melhores índices de Sharpe da indústria de renda fixa.

Detalhes da recomendação

O Icatu Vanguarda Inflação Crédito Privado traz para a nossa caixinha de renda fixa dinâmica uma gestão, como o próprio nome diz, extremamente dinâmica. Para nós, a ideia de operar tanto o risco de mercado como o de crédito para montar a carteira do fundo dá flexibilidade para os gestores buscarem oportunidades onde elas estiverem. Além disso, a estratégia tem um histórico extenso e vem entregando resultados consistentes sem incorrer em grandes riscos.

Pra quem, como nós, gostou do fundo e quer investir, o produto está disponível em várias plataformas. No Banco Inter, BTG e Toro, o fundo está com aplicação e movimentação mínima de R$ 500. Já na Modalmais, você encontra o produto com aplicação inicial de R$ 5 mil e movimentação de R$ 1 mil.

O fundo tem taxa de administração de 0,4% e performance de 20% sobre o que exceder 100% do IMA-B 5. O período de resgate é D+6 dias úteis, sendo 5 dias úteis para a cotização e 1 dia útil para liquidação.

Abaixo, você encontra a tabela com todos os detalhes do fundo.

Ficamos por aqui!

Nossa caixinha de renda fixa dinâmica ganha mais um integrante!

Dessa forma, já é possível ter uma melhor diversificação numa fatia que representa 20% de nossa alocação recomendada. Colocar nosso novo recomendado ao lado do fundo Western Asset IMA-B 5 Ativo e completar com uma pitada de fundos de infra listados em Bolsa nos parece uma boa pedida, embora – importante dizer – nossa busca por novas opções para essa caixinha continua.

Aliás, estamos sempre vasculhando o mercado em busca de oportunidades, e isso não vale somente para a caixinha de renda fixa dinâmica.

Nossa série tem evoluído com o único objetivo de entregar um resultado melhor para você (e seu bolso). Entendemos, porém, que mudanças podem causar certa aflição ou insegurança. Por isso, fique à vontade para enviar um e-mail para fundos@invistaspiti.com.br e nos contar o que está achando das mudanças.

Conte conosco nesse período de adaptação.

Um grande abraço,

Felipe Arrais, Alessandra Bellotto, Rodrigo Xavier e Vinícius Yoshida

Sobre os analistas

Vinicius Kenjiro

Fund Research Analyst

É especialista de fundos da Spiti. Bacharel em Administração pela USP, com passagem pela Erasmus University Rotterdam, Vinícius atuou na análise financeira e social de um fundo de impacto social, nas áreas de agricultura e inclusão financeira. Fascinado pelo mercado financeiro, traz na bagagem a experiência de ter estado do outro lado da indústria e a vontade de impactar a vida das pessoas por meio da educação financeira e dos investimentos.

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.

Alessandra Bellotto

É gerente executiva de análise de fundos de investimentos na Spiti. Jornalista com pós-graduação em informações econômicas e mercados de capitais, traz na bagagem a experiência e o relacionamento de mercado de quem passou mais de duas décadas nas redações da Gazeta Mercantil e do Valor Econômico, de onde saiu após 13 anos para se juntar ao time da Spiti. Sempre atuou com foco na cobertura e edição de finanças e investimentos para pessoas físicas, em especial fundos. Foi premiada por duas vezes pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por seu trabalho de educação ao investidor, e uma vez pela BM&FBolvespa, atual B3.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.