Aviso Legal: O documento subsequente é uma produção da Varos, uma casa de análise devidamente habilitada junto à Associação dos Profissionais de Investimento no Mercado de Capitais (APIMEC).
Relatório mensal de Ações e retirada da ISA CTEEP (TRPL4)
Mal piscamos e já estamos na metade final do mês de maio. O tempo voou, não é mesmo?
Aconteceram várias questões nas esferas macroeconômicas, mas também tivemos a divulgação dos resultados do 1T24. Sim, o tempo entre os resultados do 4T de um ano e do 1T de outro é bem curtinho. Assim, como o relatório já está grande por conta dos comentários sobre todas as nossas ações, vamos nos restringir apenas aos resultados. Para informações de macroeconomia, você facilmente encontrará na plataforma do Circle.
Tendo dito tudo isso, vamos aos destaques e comentários sobre nossos papéis?
Aviso: os retornos do mês foram calculados a partir da data em que o relatório foi escrito. Assim, eles vão de 15/04 a 15/05.
Primeiro, um adeus
TRPL4
O resultado da ISA CTEEP no primeiro trimestre de 2024 veio levemente abaixo do esperado pelo mercado. Apesar de um crescimento na Receita Líquida, causado basicamente pelo reajuste tarifário do ciclo 2023/2024 e ajuste no cálculo da RBSE, os custos e despesas apresentaram um aumento ainda maior, resultado de uma necessidade de maiores gastos com funcionários e manutenção devido aos novos projetos em execução, além dos acordos coletivos feitos com os funcionários em 2023.
Um ponto interessante apresentado nos resultados da companhia são os investimentos que estão sendo realizados. Nos três primeiros meses de 2024, a ISA CTEEP já investiu R$ 835 milhões, mais de 50% acima do CAPEX aplicado no mesmo período de 2023. Isso demonstra o esforço da companhia em atingir seu plano de investimentos, que prevê R$ 15 bilhões em CAPEX até 2028. E para manter a disciplina, a empresa optou por voltar toda a sua atenção aos projetos que já estão sob seu comando, ou seja, nas linhas que já foram licitadas. Por conta disso, a ISA CTEEP não participou do primeiro leilão de transmissão de 2024 visando manter o controle da sua alavancagem, tendo em vista que os investimentos previstos já irão demandar muita grana.
As ações da ISA CTEEP estão em nossa carteira desde sua criação, em 19/06/2023. Nessa época, o preço de TRPL4 estava em R$ 25,16, e atualmente está em R$ 26,68, uma alta de 6,04%. Além da valorização, a empresa também fez distribuição de JCP no período totalizando R$ 2,20 por ação, o que empurrou nosso resultado para um rendimento de 14,79%.
A título de comparação, nesse mesmo período, o CDI rendeu 10,79%, e o IBOVESPA ficou com um retorno de 7,22%. Além disso, aproveitamos o momento para fazer uma revisão no nosso modelo de Valuation da companhia. A principal mudança está na forma como planilhamos os resultados históricos, que antes seguiam as normas internacionais (IFRS) conforme as demonstrações anuais divulgadas pela empresa, e agora estão de acordo com a contabilidade regulatória da ANEEL.
Com essa leve mudança nos valores dos anos anteriores, temos algumas alterações nas projeções futuras, tendo em vista que algumas variáveis do modelo consideravam as médias históricas, como a Margem EBIT, por exemplo.
Aplicando essas mudanças no Valuation, vemos a ISA CTEEP com uma atratividade menor, e somando ao fato do novo preço alvo ter sido batido, decidimos dar adeus a ela no momento, dando espaço a outros ativos com maior potencial de retorno.
Dessa forma, recomendamos a VENDA de todos os papéis de TRPL4 e o montante deve ser redistribuído entre todos os outros ativos que estão com recomendação de compra.
Os 5 Destaques do Mês
LJQQ3 - Competência e destino lado a lado
A novata da nossa carteira já chegou com uma montanha-russa de emoções. Mas vamos começar com os seus resultados.
Nos moldes do que vimos nos trimestres anteriores, mais uma vez a Lojas Quero-Quero apresentou um resultado tímido, porém, resiliente. Diante do cenário macro e por conta de algumas adversidades que impactaram as vendas, a operação do varejo continua estagnada. Em paralelo, a operação da Verdecard mostrou um bom crescimento acompanhado de uma inadimplência controlada.
Entretanto, essas melhorias não foram suficientes para salvar o 1T24 do prejuízo. No fim, a empresa apenas deu lucro por conta de um crédito de ICMS não recorrente no valor de R$ 61,4 milhões.
Depois da pandemia, houve um desaquecimento das vendas de material de construção nas áreas onde a Quero-Quero atua. Em seguida, as secas agravaram ainda mais esse cenário. Para finalizar, o cenário macroeconômico com juros mais elevados contribuiu para uma deflação dos produtos e queda de volume. Entretanto, desde o 2T23, as vendas vêm melhorando em volume e os preços já dão alguns sinais de estabilização. A gestão da empresa estima que as vendas retomem crescimento no segundo semestre. Além disso, olhando para a Receita Líquida de Serviços Financeiros + Cartão de Crédito, vimos um crescimento de 15,26% em comparação ao 1T23, atingindo R$ 202,95 milhões
A boa notícia surge ao analisarmos a Margem Bruta de Serviços Financeiros. Desde 2021, observamos um movimento de queda dessa margem devido ao aumento do custo de funding. Porém, no 2S23, esse quadro começou a apresentar sinais de reversão. No 1T24, a Margem ficou em 48%, um crescimento de 1,7 p.p. em relação ao 1T23. Desta forma, a Margem Bruta ficou em 35,1% no 1T24, indicando que a empresa está cada vez mais próxima de retomar seu nível histórico.
A má notícia (e aqui se estende para o país como um todo) foram as inundações no Rio Grande do Sul, que vitimaram centenas de pessoas (segundo dados oficiais até agora) e afetou milhões. Apesar de termos calculado o pior cenário possível, com todas as lojas em regiões afetadas serem perdidas, a gestão informou que apenas 12 lojas, das 298 no estado, foram inundadas. Todas elas possuem seguro. As chuvas impactaram significativamente a Quero-Quero e todos os gaúchos, mas, em um primeiro momento, o impacto foi muito menor do que o esperado. Seguimos acompanhando o desenrolar da situação.
Reiteramos nossa recomendação de COMPRA a um preço alvo de R$ 6,64 e um preço teto de R$ 6,34.
CEAB3 - A joia da coroa
Mais um grande resultado da C&A. De praxe, a empresa mostrou melhora nas margens, conseguindo até reverter o prejuízo que costumamos ver no primeiro trimestre (com ajudinha de um não recorrente).
O que chama atenção é o incremento nas vendas. A empresa está entregando o que prometeu: maior rentabilidade das lojas. Tudo isso fez do 1T24 o melhor primeiro trimestre desde o IPO. Entre o 1T23 e o 1T24, a C&A abriu quatro lojas e fechou duas. A empresa está segurando a expansão e focando em absorver os benefícios dos investimentos que fez. Mesmo com poucas aberturas, a Receita Líquida teve um aumento de 17,12% em relação ao 1T23, fechando em R$ 1,27 bilhão.
As vendas por m² atingiram R$ 1,9 mil, um aumento de 22,4% em comparação ao 1T23. Esse crescimento foi possível devido às melhorias na gestão de sortimento e de logística que já comentamos em outros resultados, como precificação dinâmica, push & pull e processos de test & learn. Como resultado, as coleções são mais aceitas e chegam mais rapidamente nas lojas onde são demandadas, diminuindo a ruptura de estoque e a necessidade de remarcações.
Passando para os serviços financeiros, observamos um crescimento de 55,1% em relação ao 1T23, principalmente por conta do crescimento da C&A Pay. A receita fechou em R$ 122,9 milhões. No período, foram emitidos mais de 496 mil novos cartões. Conforme a C&A Pay cresce, a parceria Bradescard vai sumindo. Dessa receita, ela contribuiu com apenas R$ 12,8 milhões. Contudo, o crescimento da C&A Pay tem sua outra face. Conforme a carteira se expande, a taxa de inadimplência também cresce. De todo modo, o atraso da carteira está em níveis aceitáveis. A carteira vencida há mais de 90 dias está em 21,1%, uma piora de 1 p.p. em relação ao 4T23.
Continuando com os resultados, podemos falar de Margens. A empresa segue mostrando melhoras na eficiência da produção. A implementação do push-pull segue em pleno vapor e já representa 40% das vendas. O objetivo é atingir 60% de implementação. Além disso, a nova estratégia de precificação dinâmica e o uso de algoritmos para auxiliar na criação das coleções têm se mostrado um sucesso. A Margem EBIT fechou em 3,8%, um aumento de incríveis 11,36 p.p. em comparação ao 1T23. Sem o não recorrente, teria ficado em -0,4%.
Com essa sequência de resultados, a empresa manteve a alavancagem financeira de 1,5x dívida líquida/EBITDA atingida no trimestre passado. No 1T23, a alavancagem estava em 4x.
A CEAB3 continua entregando resultados excelentes, exatamente como previmos no passado. À medida que nos aproximamos do nosso preço alvo, as revisões passam a ser constantes, como fizemos no mês passado. Não se surpreenda com novas revisões no preço (para cima ou para baixo), pois levar um foguete como esse à Lua requer uma boa sensibilidade ao humor do mercado.
Enquanto “sobrevoamos a órbita lunar”, a recomendação ainda é de COMPRA a um preço alvo de R$ 14,95 e um preço teto de R$ 14,58.
TGMA3 - Olha quem está voltando
A Tegma apresentou um resultado levemente acima de nossas expectativas, que eram bastante conservadoras. No entanto, decepcionou o consenso de mercado, que esperava uma Receita Líquida maior e margens melhores.
Na nossa visão, porém, o operacional foi bom, com um problema de margem sobre o qual iremos falar mais adiante. De forma consolidada, a Tegma reportou uma receita líquida de R$ 389,2 milhões no 1T24, representando um aumento de 15,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando reportou R$ 336 milhões.
A Margem Bruta de Logística Automotiva foi de 19,3%, um aumento de 1,4 pontos percentuais em relação aos 17,9% do 1T23. Com isso, o Lucro Bruto atingiu R$ 67 milhões. Esse aumento de margem é atribuído à melhor diluição dos custos fixos, decorrente do aumento no volume de veículos transportados e na distância média percorrida.
A má notícia é a Margem Bruta de Logística Integrada. Com Lucro Bruto de R$ 6,6 milhões, no 1T24 ela foi de 15,8%, representando uma redução de 1,6 pontos percentuais em comparação aos 17,5% do 1T23. Essa queda pode ser principalmente atribuída à descontinuação de operações do Burguer King, o que afetou negativamente a diluição de custos nesta divisão. De forma consolidada, a Margem Bruta da Tegma no 1T24 foi de 18,9%, um aumento de 1,1 pontos percentuais em relação ao 1T23, que foi de 17,8%.
De maneira consolidada, o EBIT da Tegma foi de R$ 44,5 milhões no 1T24, mostrando um crescimento de 10,5% em relação ao 1T23, quando foi de R$ 40,2 milhões. Este aumento no EBIT consolidado reflete o forte desempenho da Divisão de Logística Automotiva, que compensou as dificuldades enfrentadas pela Divisão de Logística Integrada.
Apesar do resultado com margens apertadas nesse 1T24, continuamos com uma visão otimista para a Tegma. As despesas com honorários advocatícios em consultorias processuais acerca de questões concorrenciais, bem como questões tributárias, não devem se firmar como despesas recorrentes.
A perda do contrato com o Burger King foi um golpe duro, mas há boas chances de que isso seja apenas temporário até que a empresa consiga um novo cliente para preencher o espaço no armazém. Além disso, a empresa conseguiu renegociar as tarifas com a Unilever, o que deve melhorar os resultados do 2T24. É importante mencionar também que a Electrolux teve um volume de viagens abaixo do esperado no 1T24, mas essa situação já começou a melhorar agora no início do segundo trimestre. Portanto, acreditamos que nos próximos trimestres, a empresa deve seguir recuperando margens.
Vale destacar, ainda, que a Tegma possui duas operações no Rio Grande do Sul. Uma delas é grande, localizada em Gravataí, com 300 operadores diretos. No entanto, essa operação foi pouco afetada. Ela atende à GM, que tem fábrica na região. Inclusive, a fábrica da GM continua funcionando normalmente. A operação mais afetada foi a de Guaíba, responsável por receber carros importados da Argentina. Entretanto, é uma operação menor, cujo fluxo está sendo redirecionado para Gravataí.
Mesmo com esses cenários, continuamos acompanhando o case. A TGMA3 está apenas na carteira de Renda, com um DY projetado de 6,97%.
VALE3 - Ainda que eu ande no vale…
O resultado do 1T24 veio em linha com o que esperávamos e um pouco abaixo do que o consenso de mercado previa. Se você tem acompanhado nossos relatórios sobre a empresa, já sabe que ela está envolvida em muitos ruídos.
Entre eles, a empresa segue enfrentando represálias do governo, como a suspensão da Licença de Operação de Onça Puma e as negociações das concessões da Estrada de Ferro Carajás (EFC) e da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). Além disso, há as ações judiciais internacionais pelo caso da Samarco, que já causaram uma alteração no guidance de provisionamento da empresa (voltaremos a isso em breve). Bem como, há um receio muito grande do mercado quanto a uma possível recessão chinesa que poderia resultar em menor consumo de minério de ferro pelo mercado chinês, atualmente o principal cliente da companhia.
Nada disso mudou principalmente em relação ao último fator. Tanto que no 1T24, o minério de ferro foi bastante volátil, chegando a ser negociado pouco abaixo dos US$ 100 em alguns dias. Porém, o desempenho operacional da companhia segue saudável. Ao analisar o desempenho da Vale no primeiro trimestre, notamos um aumento significativo de 15% nas vendas de minério de ferro em comparação com o mesmo período do ano anterior, evidenciando a solidez das operações nesse segmento. O projeto Salobo 3, voltado para a extração de cobre, atingiu cerca de 90% de sua capacidade de processamento durante esse período. Quanto ao níquel, as unidades no Canadá e na Indonésia reportaram uma melhora considerável em relação ao ano passado.
Apesar dos ruídos e das preocupações em relação a uma possível recessão chinesa, a empresa segue investindo e com o operacional em ordem. Nosso modelo não teve revisão das projeções e seguimos confiantes de que o preço do minério de ferro permanecerá acima da média projetada por nós para 2024, que era de US$ 108. Enquanto o minério se mantiver acima dos patamares projetados, a empresa deve garantir um bom retorno de capital aos seus acionistas, seja por meio de dividendos ou recompra de ações.
Nada muda. Apesar dos ruídos, ainda andamos no vale da sombra do minério. Aliás, a VALE3 é um destaque, pois fechou o mês com uma alta de quase 3%. Assim, seguimos recomendando a COMPRA na Carteira de Valorização, a um preço alvo de R$ 83,56 e um preço teto de R$ 78,92, e na Carteira de Renda a um DY projetado de 12,64%.
SLCE3 - Pero que sí, pero que no
Apesar de estar perdendo força, o El Niño ainda é uma pedra no sapato das empresas do setor agrícola. Durante a safra 23/24, esse fenômeno climático tem trazido diversos desafios para essas empresas, e a SLC não ficou de fora. Com a safra de soja da companhia totalmente colhida, sua produtividade foi de 3.276 kg/ha, 16% inferior ao apresentado na safra 22/23.
Acompanhando a queda de produtividade, a quantidade faturada de soja no 1T24 foi de 507,6 mil toneladas, uma queda de 16% em relação ao 1T23. Além disso, o preço unitário também não ajudou e despencou 25% na comparação com o 1T23. Em contrapartida, o algodão em pluma apresentou resultados melhores, com aumento na quantidade faturada e nos preços de 51,7% e 15,4%, respectivamente. Isso foi possível devido ao cenário favorável de oferta e demanda no mercado global e à produtividade recorde do algodão que a empresa atingiu na safra passada.
Dado todo esse cenário, como apenas uma cultura agrícola apresentou crescimento na Receita, no total a Receita Líquida atingiu R$ 1,9 bilhão no 1T24, uma queda de 11,8% se comparado com o 1T23. Mesmo assim, essa queda contribuiu para um Lucro Bruto 44,7% menor, o que resultou em uma Margem Bruta de 33% neste trimestre (-19,6p.p. vs 1T23).
Nesse caso, outro fator que também contribuiu para essa queda relevante, além da Receita menor, foi a variação do valor justo dos ativos biológicos. Essa variação foi negativa em R$ 140,7 milhões neste trimestre, enquanto no 1T23 esse valor contribuiu positivamente com R$ 854,8 milhões. Acontece que, a queda no preço das commodities vendidas pela empresa gera uma expectativa de Margens menores para essas culturas, gerando uma variação negativa. Além disso, a SLC divulgou uma projeção de área plantada menor para soja, o que também contribuiu para esse valor negativo neste trimestre.
Apesar de ter sido um impacto considerável, vale destacar que essa variação não tem efeito caixa. Dessa forma, o EBITDA Ajustado da SLC (que desconsidera essa variação do ativo biológico) atingiu R$ 704,2 milhões, uma queda de 29% na comparação com o 1T23. Com esse resultado, a companhia viu sua Margem EBITDA cair 8,6p.p. nesse período, fechando o trimestre em 36%. Apesar de ser uma queda significativa, esse valor de EBITDA ficou apenas 1,5% abaixo do esperado pelo consenso da Bloomberg. Aliás, de forma geral os resultados da SLC vieram levemente abaixo do que era esperado pelo mercado, exceto no caso da Receita, que superou a expectativa em cerca de 5%.
Por fim, a expectativa para os próximos resultados é de um aumento de área, visto que a companhia divulgou um fato relevante em abril de 2024: a ampliação da parceria com a Agro Penido. Essa parceria, que antes tinha prazo até a safra 27/28, foi estendida até a safra 43/44. Com essa expansão no prazo, houve também uma adição de 18,7 mil hectares, com potencial de plantio de 30,7 mil hectares. Dentro dessa área adicionada, 9,8 mil hectares são já agricultáveis e 8,9 mil são áreas de pastagens.
Com esse incremento de área, naturalmente que esperamos um CAPEX maior para os próximos trimestres. O próprio CFO da SLC mencionou na teleconferência que os investimentos em melhoramento de solo e aquisição de máquinas já estão acontecendo.
Mesmo com esses desafios, a SLC ainda fechou este mês com uma variação positiva, crescendo aos poucos, do jeito que a gente gosta. Seguimos recomendando a COMPRA na Carteira de Valorização, com um preço alvo de R$ 27,20 e um preço teto de R$ 27,95, e na Carteira de Renda com um DY projetado de 4,73%
E o resto?
FLRY3
No primeiro trimestre do ano, o Fleury reportou bons resultados, em linha com o consenso, com destaque especial para os ganhos de margem operacionais. O laboratório também anunciou a aquisição da São Lucas Diagnósticos em Santa Catarina. Com essa aquisição, o Fleury dá mais um importante passo na consolidação do segmento de Medicina Diagnóstica do país.
A Receita Bruta alcançou R$ 2.055,6 milhões, com crescimento de 7,0% em relação ao 1T23. Tal evolução é consequência do crescimento orgânico proforma de 6,6% e 11,9% de B2B. O EBIT fechou em R$ 327,2 milhões, 12% acima do 1T23 e 0,85 p.p maior na margem, atingindo 17,2%. O EBITDA totalizou R$ 517,1 milhões com margem de 27,2%, um aumento de 11,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Consequentemente, mantemos o viés positivo para as ações de Fleury (FLRY3). Os resultados do primeiro trimestre mostraram, mais uma vez, uma sólida resiliência do segmento de Unidades de Atendimento, core business da companhia.
Com os resultados do 1T24, seguimos recomendando a COMPRA na Carteira de Valorização, com um preço alvo de R$ 22,33 e um preço teto de R$ 17,45.
KEPL3
Revertendo a situação apresentada ao longo de 2023, quando foi impactada pela base de comparação alta com os resultados de 2022 (que foi o melhor ano da história da companhia), a Kepler voltou a apresentar crescimento relevante no 1T24. Ao mesmo tempo, a empresa manteve suas margens em patamares saudáveis, apesar de ter sido impactada pelo mix de produtos e por efeitos de uma nova legislação tributária.
A Receita Líquida foi de R$ 380,3 milhões, um crescimento de 17,7% em relação ao 1T23. Os destaques foram o aumento nas linhas de “Negócios Internacionais” e “Portos”, que cresceram 70,2% e 40,6%, respectivamente. A Margem EBIT da empresa foi de 21,2%, levemente impactada em -0.4 p.p em relação ao 1T23, principalmente por efeitos pontuais, como projetos estratégicos não recorrentes.
Em relação aos impostos, há um ponto de atenção com a alíquota efetiva chegando a 34,8%, um aumento de 6,5 p.p. Isso ocorreu devido às alterações trazidas pela Lei 14.789/2023, que eliminaram as isenções de subvenções governamentais de custo (como salários, por exemplo), mantendo apenas a possibilidade de crédito de subvenções para investimento. Apesar do aumento da alíquota, essa mudança não trouxe impacto ao Valuation da Kepler.
Por fim, a diretoria informou em sua apresentação de resultados que pretende lançar ainda neste ano uma planta piloto voltada à locação de unidades de armazenagem (atualmente, ela apenas vende). Para isso, a Kepler está procurando parceiros para compartilhar o investimento neste novo modelo de negócios.
A KEPL3 está apenas na carteira de Renda, com um DY projetado de 8,41%. Reiteramos a COMPRA do ativo.
BBAS3
O Banco do Brasil (BBAS3) bateu as expectativas do mercado e apresentou um resultado acima do esperado no 1T24. No trimestre, o Lucro Líquido ajustado foi de R$ 9,3 bilhões, uma queda de 1,5% em relação ao 4T23. Na comparação com o 1T23, o Lucro Líquido cresceu 8,8%.
Na nossa análise, o resultado foi muito satisfatório. O BB conseguiu expandir a carteira de crédito mantendo a inadimplência controlada. Além disso, houve um crescimento na receita com prestação de serviços e uma melhoria no índice de eficiência, atingindo o melhor índice da história.
O banco fechou o 1T24 com um índice de cobertura de 196%, uma leve queda em relação ao 4T23. Na média do Sistema Financeiro Nacional (SFN), o índice de cobertura é de 190,6%.
O que deve acontecer nos próximos meses é que a safra mais antiga e de pior qualidade sofra um write off. Em outras palavras, esses créditos problemáticos, já 100% provisionados, serão eliminados do cálculo. Ao mesmo tempo, a nova safra, de maior qualidade, passará a ser considerada nos cálculos. Por conta desses ajustes, o índice de cobertura tende a crescer sem a necessidade de novos reforços de provisão.
Em relação ao crédito agrícola, em 10 meses do Plano Safra 23/24, o BB concedeu R$ 200 bilhões em empréstimos, enquanto nos 12 meses do Plano Safra 22/23, o montante concedido foi de R$ 196 bilhões. No crédito à PF, o BB priorizou o crédito consignado em detrimento do crédito pessoal e do cartão de crédito, visando melhorar a qualidade da carteira PF.
Por fim, o BB comparou o resultado apresentado com o Guidance estipulado para 2024. Ao que tudo indica, o banco conseguirá, sem grandes problemas, ficar dentro do Guidance no crescimento da Carteira de Crédito, na expansão da MFB e no crescimento das Despesas Administrativas. Porém, para atingir o Guidance de crescimento da PCLD e de Lucro Líquido Ajustado, o banco precisará controlar a despesa de PCLD nos próximos trimestres. Nossa aposta, devido à nova safra de crédito e ao reforço de provisão dos últimos trimestres, é que o BB, possivelmente, alcançará o Guidance em todas as linhas.
Assim, seguimos recomendando a COMPRA na Carteira de Valorização, com um preço alvo de R$ 34,57 e um preço teto de R$ 38,23, e na Carteira de Renda com um DY projetado de 8,23%.
KLBN11
Os resultados da Klabin vieram muito em linha com o que era esperado pelo mercado, com uma recuperação no preço da celulose e início da operação da máquina (MP) 28. Por outro lado, a empresa apresentou uma queda no volume de vendas devido a uma parada de manutenção que não estava programada.
Essa parada de manutenção ocorreu na unidade de Ortigueira/PR e contribuiu para uma queda de 6% no volume produzido de celulose, em comparação com o 1T23. Com isso, o volume de vendas desse produto seguiu a tendência e apresentou queda de 3% nesse mesmo período. Outro fator que contribuiu para esse volume menor de vendas foi uma sobrecarga no porto de Paranaguá/PR.
Um ponto de atenção é a queda de 15% do EBITDA da companhia, fechando o trimestre em R$ 1,6 bilhão. Além daquela parada não programada que comentamos, essa queda no Resultado Operacional reflete também uma parada programada na unidade de Octacílio Costa. Acontece que não houve nenhuma interrupção na produção no mesmo trimestre do ano anterior.
Com essa queda no EBITDA, naturalmente o indicador de alavancagem aumenta, dado que a Klabin é uma empresa bastante alavancada. Neste trimestre, o indicador fechou em 3,5x, um crescimento de 0,9x em comparação com 1T23 e de 0,2x em relação ao 4T23. É importante lembrar que a empresa não possui covenants, mas segue uma política de endividamento que a mesma precisa seguir. Dentro dessa política, a Klabin diz que o ciclo de investimento inclui projetos que envolvam pelo menos US$ 1 bilhão, flexibilizando o limite de alavancagem para 4,5x. O Projeto Caetê custarará US$ 1,16 bilhão para os cofres da Klabin. Assim, é esperado que essa alavancagem aumente.
Por fim, nós, aqui da VAROS, achamos que os resultados tiveram seus pontos positivos e negativos. Do lado positivo, temos o aumento de preço de celulose e a MP28 conseguindo pegar tração trimestre a trimestre. Por outro lado, a alavancagem e os altos investimentos nos preocupam.
Como o foco da companhia são os dividendos, continuamos acompanhando o case. A KLBN11 está presente apenas na carteira de Renda, com um DY projetado de 6,5%.
ABCB4
No 1T24, o Banco ABC Brasil (ABCB4) atendeu às expectativas do mercado e apresentou um Lucro Líquido Recorrente de R$ 223 milhões. Esse lucro representa um crescimento de 17,4% em relação ao 1T23 e uma queda de 3,6% em relação ao 4T23. A receita com Banco de Investimentos teve o melhor primeiro trimestre da história e cresceu 194% em relação ao 1T23.
Apesar do Lucro Líquido ter ficado dentro do consenso do mercado, não consideramos o resultado como muito positivo. Parte do Lucro Líquido apresentado só foi possível devido a menores despesas de provisão. Essa redução foi viabilizada, pois o banco optou por diminuir o Índice de Cobertura no período, que é a relação entre o saldo das provisões e as operações com atraso acima de 90 dias. Ou seja, queimou as reservas existentes. Porém, como justificativa, a gestão diz que o atual movimento de expansão da carteira de crédito, juntamente com os créditos inadimplentes 100% provisionados que sofrerão write off, normalizarão o Índice de Cobertura nos próximos trimestres. De qualquer forma, esperávamos um resultado melhor, principalmente em relação à Margem Financeira Bruta (MFB).
Quando olhamos para a inadimplência da carteira de forma global, ela fechou o 1T24 em 3,6% em comparação com 3,5% no trimestre anterior. Se desconsiderarmos o evento específico, essas inadimplências seriam de 2,4% em ambos os trimestres. Para o futuro, a gestão do banco afirma que a qualidade das safras de empréstimos concedidos em 2023 é superior à de 2020. Portanto, a inadimplência tende a cair.
No fim das contas, o ABCB4 conseguiu atingir o Lucro Líquido Recorrente de R$ 223 milhões no 1T24. Esse lucro representa um Retorno Anualizado sobre o Patrimônio Líquido (ROAE) de 15,1%. No trimestre anterior, o ROAE era de 16% e no 1T23 era de 14,4%. Parece ser uma questão de tempo para que o ROAE melhore.
O ABCB4 está presente apenas na carteira de Renda, com um DY projetado de 6,8%.
BBDC4
No 1T24, o Bradesco (BBDC4) apresentou um Lucro Líquido Recorrente de R$ 4,2 bilhões. O lucro apresentado representa crescimento de 46,3% em relação ao 4T23 e queda de 1,6% em relação ao 1T23.
De forma geral, o resultado foi positivo. Esse foi o primeiro trimestre após o anúncio do plano de reestruturação. Apesar da melhora tímida, já é possível ver sinais da nova política de crédito, principalmente na queda da despesa de PDD. Além disso, o crédito fornecido pelo BBDC voltou a crescer em quase todos os segmentos.
A despesa de PDD no 1T24 foi de R$ 7,8 bilhões, queda de 25,8% em relação ao 4T23 e queda de 17,9% em relação ao 1T24. A queda na despesa de PDD, aliada ao fato do índice de cobertura ter se mantido estável, nos mostra que o Bradesco já colhe frutos da melhora na qualidade de crédito da carteira. A queda da PDD no trimestre impactou diretamente a Margem Financeira Líquida (MFL), que é o resultado da PDD subtraída da MFB. No trimestre, a MFL apresentada foi de R$ 7,8 bilhões, cerca de 31% superior à apresentada no 4T23 e 2,9% superior à do 1T23. Perceba que, apesar da queda da MFB, a baixa despesa de PDD no trimestre resultou em crescimento da MFL.
O índice de inadimplência acima de 90 dias (NPL 90) fechou o 1T24 em 4,8%. No trimestre anterior, esse índice era de 5,1%. O índice de cobertura manteve-se estável em 164%, evidenciando a melhora na qualidade da carteira do BBDC.
Por fim, o Bradesco divulgou a comparação do resultado realizado no 1T24 e o Guidance projetado para 2024. As Receitas de Prestação de Serviços, Despesas Operacionais, Resultados das Operações de Seguros e PDD Expandida dão indícios que ficarão dentro do Guidance de forma bastante tranquila. Porém, o Bradesco terá que acelerar a expansão da carteira de crédito e aumentar o crédito às linhas mais arriscadas para conseguir ficar dentro do Guidance dessas contas.
Continuamos confiantes com os sinais de melhora que estamos vendo do banco. Seguimos recomendando a COMPRA na Carteira de Valorização, com um preço alvo de R$ 19,36 e um preço teto de R$ 18,66, e na Carteira de Renda com um DY projetado de 8,09%
TASA4
Como já comentamos em nossos relatórios anteriores, o mercado de armas teve um boom durante o período da pandemia, considerando os anos de 2020, 2021 e 2022. Ao longo de 2023, como esperado, as vendas voltaram a um nível normalizado, ainda que se mantendo em patamares superiores aos vistos nos anos pré-pandemia, sendo 2019 o “cenário base”. Agora, em 2024, essa tendência de normalização continua em evidência, com os números de mercado passando, finalmente, a ter uma base de comparação mais compatível.
O resultado apresentado pela Taurus no primeiro trimestre é prova disso, com seus principais números relativamente estáveis em comparação com o 1T23 e, de forma positiva, apresentando evolução frente ao 4T23. Vamos analisar em mais detalhes cada um deles:
A Receita Líquida foi de R$ 448,9 milhões, uma redução de -0,9% em relação ao 1T23, mas um aumento de 7,1% em relação ao 4T23. Os EUA representaram 86,4% da Receita, com R$ 418 milhões (-2,3% x 1T23, +7,6% x 4T23). Como também já comentamos, o último trimestre do ano tende a ter um maior movimento, com as promoções da Black Friday e do Natal, além do início do período de caça no país. O ponto de atenção, entretanto, era que os distribuidores estavam tentando aumentar o giro do estoque como forma de proteção do custo financeiro por conta da inflação. Os distribuidores estavam com um estoque de aproximadamente um mês, quando historicamente eles possuem estoque para cerca de três meses. Com as vendas feitas nesse período, a empresa acreditava que os estoques voltariam a níveis mais adequados, ainda que em um patamar diferente diante do cenário de inflação.
No 1T24 essa expectativa se concretizou, com a Taurus vendendo 310 mil armas, ante 267 mil no 4T23 (+16,6%). É importante salientar que isso ocorreu indo na contramão do Adjusted NICS (indicador de intenção de compras de armas nos EUA), que reduziu em 16% no período, devido ao efeito de sazonalidade trimestral após as vendas de fim de ano.
Ainda assim, o NICS se mantém em nível 16,7% acima do 1T19, além da expectativa de continuar em tendência positiva considerando as eleições presidenciais de 2024. Fato este, que, tradicionalmente, leva ao aumento da demanda, devido à insegurança com relação à política a ser adotada pelo governo a ser eleito.
Partindo para o Brasil, a história vista ao longo de 2023 pouco mudou até agora. O país representou 6% da receita, com faturamento de R$ 25 milhões (-48,7% vs 1T23). Apesar da regulamentação de autorizações de novas aquisições por parte dos CACs e de novos registros ter sido publicada em dezembro de 2023, a empresa informou que as novas regras estão sendo ainda “assimiladas pelos órgãos de controle”. Com isso, não foram concedidas novas autorizações no 1T24. Além disso, ainda há outra pendência importante em termos de clientes: o processo de compras de armas de fogo pelas Polícias Militares, Corpos de Bombeiros Militares e pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República continua sob revisão.
Dessa forma, a demanda reprimida no mercado brasileiro segue se acumulando. Importante lembrar que, a empresa já desenvolveu o calibre inédito .38 TPC, que será a arma com maior energia vendida no país, dentro do limite estabelecido pela nova regulamentação. Isso poderá se traduzir em uma grande vantagem competitiva para a Taurus, dado que os concorrentes internacionais dificilmente desenvolverão um novo calibre dessa forma para atender apenas ao mercado brasileiro.
Apesar da dificuldade no mercado civil nacional, a Taurus segue bem-sucedida em licitações: em abril, ela conquistou um fornecimento de 400 fuzis e 400 carabinas para a Polícia Militar de Santa Catarina. Há ainda uma licitação relevante da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) para a aquisição de 32 mil fuzis, que deve ter sua conclusão no dia 24 de maio.
A linha de Outros Países representou 7,6% da Receita, com R$ 31,6 milhões (+2,6% vs 1T23). As maiores vendas feitas pela empresa foram para Honduras, Haiti, México e Guatemala. Há também expectativas positivas em termos de licitações internacionais, com a empresa participando de um edital de 5 mil fuzis do Exército das Filipinas, de 3 mil pistolas para a Polícia do Chile, além de fornecimentos na Índia, nosso próximo tópico.
Com relação à licitação dos 425 mil fuzis na Índia, a JV da Taurus está na quarta fase do processo, representada pelos testes de verão, que incluem a avaliação do uso das armas em condições extremas de altas temperaturas, prevista para ter início ainda em maio. A quinta e última etapa será composta pelos testes de inverno, a serem realizados até o final do ano de 2024. Depois disso, os vencedores serão anunciados. Além dessa megalicitação, a Taurus está disputando licitações de 5,4 mil pistolas 9mm e 1,9 mil submetralhadoras T9 para a Border Security Force, de 1,8 mil submetralhadoras T9 para a Sashastra Seema Bal (SSB) e de 5,6 mil unidades da T9 para a Uttar Pradesh Special Task Force.
No mercado civil, a Taurus vem produzindo lotes piloto de pistolas conforme os pedidos firmados pelos distribuidores e já realizou suas primeiras vendas no 1T24. O plano da empresa é lançar um revólver no 2S24 e mais dois modelos de pistolas no 1S25, todos com foco no mercado civil, além de ampliar sua participação nas licitações institucionais e diversificar seus fornecedores de componentes críticos no país.
Já na Arábia Saudita, a empresa segue com a previsão de que o plano de negócios, incluindo a criação de um plano de possível localização da fábrica e a estruturação de
proposta de contrato da JV, seja apresentado ainda até o final do 1S24.
Voltando aos números do resultado, o Custo dos Produtos Vendidos teve um aumento de 9,6% ante 1T23, impactado pela inflação acumulada nos últimos 12 meses, desvalorização do dólar contra o real em 4,8% no período, menor diluição de custos fixos com o volume produzido 37% menor e o dissídio de 4% concedido em julho de 23. Com isso, a Margem Bruta da companhia foi de 32,4%, redução de 6,5 p.p vs 1T23. Esse patamar ainda continua bem superior ao das concorrentes listadas, Ruger com 21,5% e Smith com 28,7%.
Se por um lado o CPV aumentou, por outro as Despesas Operacionais reduziram em 25,2%. Como percentual sobre a Receita Líquida, elas saíram de 26,5% para 20%. Os principais motivos para isso foram reversões de provisões trabalhistas, nas quais a empresa, junto de seus auditores e Conselho, concluiu que estava sendo muito conservadora em suas estimativas. Além disso, créditos de impostos a recuperar e a própria valorização do câmbio também contribuíram para a melhora do resultado. Essa valorização reduziu as despesas da fábrica nos EUA contabilizadas em reais.
Dessa forma, a Margem EBIT da empresa chegou a 12,4%, praticamente estável em relação ao 1T23 (-0,02 p.p.) e com um aumento de 5,7 p.p. em relação ao 4T23.
O Resultado Financeiro, por sua vez, apresentou um prejuízo líquido de R$ 26 milhões, ante um prejuízo de R$ 0,1 milhões no 1T23, devido principalmente às variações cambiais, que não possuem efeito caixa, além do menor volume de aplicações financeiras e da redução da taxa de juros que remuneram essas aplicações. Com isso, o Lucro Líquido da companhia foi de R$ 18,9 milhões no 1T24, ante um Lucro de R$ 35,4 milhões no 1T23, representando uma Margem Líquida de 4,2% (-3,6 p.p. vs 1T23).
A empresa investiu R$ 22,2 milhões no 1T24, direcionados à aquisição de máquinas e equipamentos, além de manutenção. Mais de 80% desse valor foi financiado com recursos de créditos do Finep, que possuem taxas extremamente atrativas Com esse investimento, a empresa se mantém no caminho para fazer um nível de Capex em 2024 similar ou inferior ao de 2023.
Por fim, precisamos comentar sobre o desastre ambiental que assola o estado do Rio Grande do Sul, onde a fábrica brasileira da Taurus está sediada, especificamente na cidade de São Leopoldo. A unidade da empresa não foi afetada pelas enchentes, ainda assim, a companhia chegou a paralisar suas atividades no dia 6 de maio, em solidariedade aos seus funcionários e à população. A produção, porém, já está sendo retomada de forma gradual nesta semana. A diretoria salientou que, apesar do aeroporto de Porto Alegre estar interditado, a Taurus já está totalmente preparada para escoar sua produção por outro aeroporto. Além disso, o fluxo terrestre pelas estradas que ligam a cidade à Santa Catarina e São Paulo está funcionando, o que permite à empresa transportar seus produtos para o restante do país, bem como receber matérias-primas de seus fornecedores.
Atualizamos nosso modelo incorporando os resultados do 1T24 e adequando o custo de capital da empresa aos novos dados do DI, CDS e de inflação. Com isso, chegamos ao DY projetado de 8,41%.
AMBP3
O grande destaque negativo do mês é a queda de Ambipar (AMBP3). Novamente, estamos testando todos os cenários antes de comunicá-lo sobre a decisão final. A demora nessa resposta se deve ao fato de termos encontrado um documento que esclareceu bastante alguns pontos duvidosos. Por enquanto, a recomendação é MANTER.
E como ficam as ações recomendadas?
Como falamos, a mudança se deu com a saída da TRPL4! Com a venda desses papéis, a instrução é que o montante seja redistribuído entre os papéis que possuem recomendação de compra. Dessa forma, como AMBP3 está com recomendação de “manter”, essa é a única que você não deve aumentar a posição.
Para facilitar, basta conferir na tabela abaixo como ficam as novas distribuições após a atualização:
Fonte: Finclass
Porém, após os ajustes, caso você venda mais de R$ 20 mil com lucro nessas operações, ainda há mais uma etapa a ser realizada.
Pagando a DARF
DARF significa Documento de Arrecadação de Receitas Federais. Ele é um formulário utilizado por pessoas físicas para declarar seus rendimentos no mercado financeiro.
Para as operações comuns, existe a isenção de imposto se o ganho de capital existir em vendas de um volume menor que R$ 20 mil dentro de um mesmo mês. Já no day trade, essa isenção não existe.
No caso dos fundos de investimento em ações, a alíquota do Imposto de Renda é fixa em 15% sobre os rendimentos, independentemente do prazo da aplicação. O imposto é cobrado somente no momento do resgate das cotas do fundo.
O prazo para pagamento do imposto sobre o ganho de capital em ações é até o último dia útil do mês seguinte ao da venda das ações.
Você deve emitir um DARF com o código 6015 e pagar no banco de sua preferência ou em casas lotéricas.
Mas atenção: se você não fizer o pagamento no prazo, além dos juros, você pagará multa. Tenho certeza que não vai querer ter problemas com a Receita Federal.
Como emitir um DARF?
Agora que você já sabe o que é a tributação sobre o investimento em ações, aprendeu a calcular o ganho de capital e o imposto que precisa pagar (se for o caso), chegou a hora de aprender a emitir um DARF.
Para emitir o DARF, você vai precisar acessar o site da Receita e entrar no Sicalc Web, sistema de cálculos e pagamentos da Receita. E, para facilitar a sua vida, deixamos o link aqui.
Site para emitir o Darf: Sicalc (economia.gov.br)
Na primeira página, serão solicitados o seu CPF e a sua data de nascimento. Depois, basta clicar na caixinha de verificação de segurança para o botão “Continuar” ser liberado.
Fonte: Receita Federal
Na sequência, o sistema vai pedir o seu domicílio atual (normalmente, essa opção já vem preenchida). Porém, caso isso não aconteça, você pode digitar o nome da sua cidade que vai aparecer um número de identificação na lista ao lado.
Fonte: Finclass
Nessa mesma página, aparece o campo onde você digita o código do imposto, aquele que falamos lá em cima, o 6015.
Fonte: Finclass
Depois, novos campos aparecerão. Agora, é só preenchê-los com bastante atenção.
Em relação à data de consolidação, você pode deixar a que está no sistema. O tipo de apuração já foi definido quando você indicou o código 6015.
O período de apuração é o mês referente ao seu lucro, ou seja, aquele em que você vendeu suas ações com lucro acima de R$ 20 mil.
Fonte: Finclass
Agora, você verá que a data de vencimento será o último dia do mês seguinte, como mencionamos lá em cima.
Abaixo, você vai inserir o valor do imposto a pagar. Preste atenção, pois aqui não é para inserir o valor do lucro.
Fonte: Finclass
Assim que preencher todos os dados, o botão “Calcular” será liberado. Ao clicar nele, você perceberá que o imposto será cadastrado na tabela.
Fonte: Finclass
Agora, é só clicar em “Emitir Darf” e realizar o pagamento até o vencimento, em qualquer grande banco ou casa lotérica. Ele é assimi:
Fonte: Finclass
****E sobre as ações das carteiras “O Melhor da Bolsa e Small Caps”?
Fique tranquilo! Ainda faremos o acompanhamento das ações que faziam parte das carteiras “O Melhor da Bolsa” e “Small Caps” para que, de forma gradual, você possa ajustar suas carteiras pessoais.
Vamos avisar o momento ideal de vender as ações recomendadas nas carteiras extintas e, ao mesmo tempo, recomendaremos as ações da Carteira de Valorização. Assim, aos poucos, você poderá alinhar suas carteiras.
Se você se lembra, já terminamos as recomendações do “O Melhor da Bolsa”. A maioria das ações continua recomendada em nossas carteiras, enquanto outras foram encerradas. Para mais informações sobre as datas de encerramento, consulte relatórios anteriores.
Passamos agora para a antiga carteira de “Small Caps”.
Small Caps
Na carteira de Small Caps, das 13 ações que tínhamos lá, sobraram duas ações para acompanharmos.
Apesar de a GUAR3 ter chegado perto de seu preço alvo, ela permanece em nossa carteira.
Das duas ações restantes, seguem abaixo seus preços máximos de compra e preços-alvos:
Abraços,
Time VAROS.