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Relatório mensal de ações - Mistérios do Planeta

Escrito por Varos Brasil em AÇÕES

15 min de leitura

Aviso Legal: O documento subsequente é uma produção da Varos, uma casa de análise devidamente habilitada junto à Associação dos Profissionais de Investimento no Mercado de Capitais (APIMEC).

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Relatório mensal de ações - Mistérios do Planeta

Há uma música dos Novos Baianos que está no meu Top 10 de favoritas, chamada “Mistério do Planeta”. Ela começa assim:

Vou mostrando como sou

E vou sendo como posso

Jogando meu corpo no mundo

Andando por todos os cantos

E pela lei natural dos encontros

Eu deixo e recebo um tanto

E passo aos olhos nus”

Investir em ações é mais ou menos isso: “deixar e receber um tanto” e “Jogar o corpo no mundo”.

A primeira frase é algo que já falei algumas vezes. Em ações, se perdemos 90% em nove, mas ganhamos 20.000% em um, ainda vamos ganhar muito dinheiro. Muitas pessoas dizem que o próprio perfil é “arriscado”, mas não conseguem ver uma queda de 30% em um único papel. Infelizmente, não vivemos no mundo ideal e o mercado financeiro não é um jogo exato. Nós vamos errar! A questão é identificarmos o erro logo (e termos certeza), para focar em papéis que vão nos render uma boa grana. Ou seja, todos os dias, nós deixamos um tanto e recebemos outro.

Sobre jogar o corpo no mundo, apesar de investirmos apenas em ações no mercado doméstico, a renda variável é afetada por vários aspectos globais. Nas últimas duas semanas, o noticiário mostrou a todos o motivo de existir tantos jornalistas no mundo (spoiler: muito trabalho a se fazer). Guerra no Oriente Médio, Tensões na Europa e até mesmo nossa economia pregando peças. Então, vamos começar pelo começo.

Tudo começa ainda na sexta, 12 de abril. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, já alertava de antemão sobre a possibilidade de um ataque do Irã a Israel. O conflito  iniciou  no sábado, quando as Forças Armadas do Irã lançaram diversos mísseis e drones contra o território israelense. A escalada do conflito já foi suficiente para que ocorresse a fuga de capitais de investimentos de maior risco, como as ações, para ativos seguros, como os títulos do Tesouro americano, o dólar e o ouro. O que nós não sabíamos é que essa ocorrência seria apenas a entrada do cardápio de volatilidade.

O prato principal veio na última terça, 16 de abril. Devido à apresentação do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2025, o governo revisou a trajetória das contas públicas. Com a apresentação do novo arcabouço fiscal, era esperado que o governo cumprisse a meta de déficit zero em 2024. Além disso, o ano de 2025 contaria com um superávit de 0,5% do PIB e esse valor aumentaria para 1% em 2026. 

Acontece que, agora, o Executivo prevê o déficit zero apenas em 2025, com o superávit sendo iniciado em 2026, de 0,25%. A grande questão é que o adiamento da meta de déficit zero influencia a tomada de decisão do Banco Central em relação aos cortes na taxa de juros Selic. Nesse sentido, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, já sinalizou que a mudança de cenário será avaliada pelos membros do BC, e que o corte de 0,50 p.p. prometido na última reunião será discutido.

Para adicionar ainda mais risco aos mercados, houve ainda a questão dos juros americanos. Apresentando uma economia sólida, a inflação americana tem encontrado dificuldades para voltar à meta de 2%, o que inviabiliza o início do ciclo de cortes nos juros por lá. Nesse sentido, o presidente do Federal Reserve (o banco central americano), Jerome Powell, disse, também na terça-feira, que a confiança na diminuição da inflação pode “levar mais tempo”. A declaração foi uma clara resposta ao mercado, que esperava o primeiro corte em junho.

Somada às incertezas relacionadas ao déficit zero, a perspectiva de taxas de juros mais altas nos Estados Unidos fará com que os investidores resgatem seus investimentos em países emergentes e passem a investir na renda fixa americana. No dia 16 de março, o Ibovespa teve uma queda de 0,75%, com os investidores estrangeiros sacando R$ 1,33 bilhão. O dólar atingiu o maior patamar desde março do ano passado, sendo cotado a R$ 5,26, uma alta de 1,61% no dia. A tela do app para acompanhar as ações parecia a bandeira do Japão com um fundo branco e ponto vermelho.

Sobre a música dos Novos Baianos, ela continua:

“E no ar que fez que assistiu

Abra um parênteses, não esqueça

Que independente disso

Eu não passo de um malandro

De um moleque do Brasil

Que peço e dou esmolas”

Bem, não somos malandros. Não somos moleques. Não pedimos esmolas. Mas somos do Brasil! Então, apesar do caos do mês de abril, é importante ver como fechou o primeiro trimestre da economia tupiniquim.

O destaque vai para a última ata divulgada pelo Copom. Em relação à conjuntura econômica, o comitê ainda considera o ambiente externo volátil, marcado pelos debates sobre o início do ciclo de cortes de juros nas principais economias. 

No âmbito doméstico, o comitê debateu sobre a divulgação do PIB do quarto trimestre, no qual houve uma forte diminuição do crescimento da Agropecuária. O resultado foi um crescimento trimestral praticamente nulo. 

Pelo lado da demanda, a visão do comitê é que houve uma redução na força do consumo das famílias se comparado aos trimestres anteriores. A ata destaca que a sustentação desse indicador se deu por um mercado de trabalho dinâmico, tanto no nível de emprego quanto de salários, pela expansão dos benefícios sociais, pela lenta desalavancagem das famílias e pelo processo desinflacionário brasileiro, que contribuiu para o aumento da renda real.

O Copom mantém a sua visão de um consumo mais resiliente nos próximos meses, e destaca que a desaceleração econômica apresentada nos últimos trimestres de 2023 já era esperada pelo comitê. 

Além das dúvidas quanto à condução da política monetária em países desenvolvidos, o comitê voltou a ressaltar sobre as possíveis incertezas em relação à dívida pública, que podem elevar a taxa de juros neutra da economia. Nesse sentido, a ata novamente comentou sobre a necessidade de reformas estruturais e disciplina fiscal.

Falando da inflação interna, o comitê julgou que a dinâmica desinflacionária não divergiu significativamente do que era esperado, mas avalia que o cenário de inflação se mostra mais incerto. Ele indica que o fortalecimento do processo desinflacionário, agora em seu segundo estágio, estará mais relacionado ao mercado de trabalho e à demanda agregada. 

Nesse sentido, a avaliação do Copom é que um mercado de trabalho mais apertado pode potencialmente retardar a convergência da inflação, sendo este um ponto de atenção para os próximos períodos. Nessa perspectiva, reajustes salariais acima da meta de inflação, mas sem ganhos de produtividade, podem afetar o crescimento econômico real e influenciar consequentemente a condução da política monetária.

Além disso, o comitê também mostra preocupação com a desancoragem de expectativas. É possível perceber esse movimento comparando as últimas expectativas do boletim Focus com as atuais metas de inflação. Para todos os anos, de 2023 a 2025, apesar de estarem dentro do intervalo de tolerância, as taxas esperadas estão acima das metas. 

Frente às incertezas mencionadas, o Copom preferiu antecipar uma redução da mesma magnitude apenas na próxima reunião e não mais em futuras reuniões, como havia feito nas últimas divulgações. Assim, a taxa Selic foi reduzida de 11,25% para 10,75% ao ano, com a mesma redução  já antecipada para a próxima reunião, que ocorrerá no início de maio.

Contudo, o comitê ressaltou que a alteração na comunicação se deu por uma mudança na incerteza e não no cenário-base, que ainda se trata de uma política monetária que dê continuidade à dinâmica desinflacionária.

Quanto à divulgação do indicador em si, o IPCA de fevereiro foi de 0,83%, acima das expectativas do consenso de 0,78%. Com o resultado, o índice acumula alta de 4,50% nos últimos 12 meses, acima da meta de inflação, mas ainda dentro do intervalo de tolerância. 

Os grupos de Educação e Alimentação e Bebidas tiveram a maior participação no resultado, contribuindo com 0,29 p.p. cada, devido aos reajustes nas mensalidades escolares e à piora nas condições de oferta, respectivamente. A alta dos combustíveis foi capturada no grupo de Transportes, que contribuiu com 0,15 p.p. no resultado cheio.

Voltando à música:

“Mas ando e penso sempre com mais de um

Por isso ninguém vê minha sacola”

Olha aí! Na nossa carteira, sempre andamos e pensamos com mais de um ativo. É o princípio da diversificação!

E, diferente do eu-lírico, nós mostramos o que temos. Vamos aos destaques e comentários sobre nossos papéis?

C&A (CEAB3)

Ao longo do mês de março, a ação da C&A ficou na faixa dos R$ 9 a R$ 9,50. Porém, na última semana do mês, ela disparou e fechou em R$ 10,68. Em abril, ela chegou a atingir os R$ 12 e fez muita gente esquecer que ela estava em nove em março.

A verdade é que desde o resultado do 4T23, a C&A caiu na boca do povo. Como mencionamos no relatório passado, esperamos continuar vendo os frutos dos investimentos da empresa nos resultados de 2024.

Em suma, devido a todos os investimentos em logística, gestão de sortimento, estoques e preço, a empresa conseguiu fazer o que muitos tiveram dificuldade no período: aumentar a receita e as margens ao mesmo tempo. 

Contudo, as benesses dos investimentos estão longe de acabar A empresa continua na fase de absorver as melhorias e atingir melhores níveis de margem, ou seja, ainda há alavancagem operacional a ser capturada. Posteriormente, quando a gestão considerar que a operação está lapidada, a abertura de lojas será retomada. 

Em paralelo, a C&A Pay vem amadurecendo, com o atraso da carteira diminuindo e os índices de inadimplência se estabilizando. O amadurecimento da financeira tende a contribuir de duas maneiras para os resultados futuros: fomentando as vendas do varejo e aumentando a receita de serviços financeiros. 

Devido a  esses fatores, a ação da empresa continua a subir e já está bem próxima do preço-alvo. 

Como adotamos premissas conservadoras no modelo, estamos reavaliando para definir o futuro da ação na carteira. Enquanto isso, estamos alterando nossa recomendação para MANTER, com o mesmo preço-alvo de R$ 12,38.

Vale (VALE3)

Uma das ações que impactaram negativamente o desempenho de nossa carteira em março foi a Vale. O quejá era esperado por nós. Se você leu nosso relatório do mês passado, viu que há vários problemas pendentes sobre a empresa, como interferência do governo, ações judiciais internacionais devido ao caso da Samarco e a queda no consumo de minério de ferro pelo mercado chinês.

Nada disso mudou. Inclusive, ressaltamos que o terceiro ponto é o mais preocupante de todos, uma vez que o cenário chinês projetado pelo mercado influencia o preço do minério de ferro. A commodity  teve uma queda significativa em março, chegando a atingir pouco menos de US$ 100 por tonelada. Não à toa, o preço da ação ficou brevemente abaixo dos R$ 60 no mês passado.

Desde o início do ano, o minério de ferro está em queda, porém, isso ainda não afetou nosso modelo. Nossa projeção para 2024 é que o minério fique em torno de US$ 108 por tonelada. De janeiro para cá, o preço médio da tonelada está em cerca de US$ 117, com  margem para ajustes.

Fonte: Bloomberg

Além disso, nosso preço médio para os demais anos da projeção continua a cair linearmente para convergir com a média dos últimos 10 anos, que é de aproximadamente US$ 96 em 2027.

Continuamos monitorando a dinâmica do minério de ferro e o desenrolar dos dados econômicos chineses. Por enquanto, apesar da recente retomada da importação do minério pela China (linha branca), os estoques no país estão aumentando desde janeiro e já atingiram os patamares mais altos do último ano (linha azul), o que pode indicar um viés baixista de curto prazo para o minério caso a demanda não se mostre resiliente.

Fonte: Bloomberg

Logo, se os preços continuarem em queda e a China não mostrar sinais mais claros de recuperação, de modo que o preço médio do minério de ferro para 2024 caia abaixo de nossa projeção, nosso alerta será ativado e faremos uma revisão do modelo.

Até o momento, nossa única atualização foi o custo de capital da companhia e nossa recomendação segue sendo de COMPRA, com o mesmo preço-alvo de R$ 83,56.

Fleury (FLRY3)

Durante o mês de março, o Grupo Fleury reportou seu balanço referente ao ano de 2023. Cabe destacar que os resultados do ano ficaram um pouco abaixo das nossas expectativas, principalmente no crescimento da receita. Entretanto, a companhia conseguiu gerar caixa e manter o nível de endividamento controlado, o que abre espaço para futuras aquisições.

O ponto positivo foi que o negócio de UAs (Unidades de atendimento) continua resiliente, mesmo em um cenário de alta sinistralidade e pressão por parte das fontes pagadoras. 

Também durante o mês de março, realizamos uma conversa com a equipe de Relações de Investidores do Fleury. Na ocasião, eles destacaram que planejam manter o ritmo de crescimento orgânico observado em 2023. Essa expansão será impulsionada pelo aumento no volume de exames, não pelo aumento do ticket médio. Primeiramente, ao ampliar a quantidade  de exames, eles alcançam uma maior alavancagem operacional, reduzindo custos fixos e ampliando a margem. Em segundo lugar, conseguem expandir a participação de mercado, já que laboratórios menores não conseguem competir em preço.

Além disso, o pipeline de M&A (Fusões e Aquisições) segue aquecido, com cerca de 60 oportunidades mapeadas. Claro que tudo depende do valor. Também deixaram claro que não vão sair comprando a qualquer preço (até deram o exemplo de que queriam muito comprar a Alliar, mas não estavam dispostos a pagar a quantia que o Tanure pagou). O que ajuda o Fleury nesse quesito é a baixa alavancagem. Enquanto os outros players estão bem alavancados, o Fleury está com uma dívida líquida/EBITDA de 1,2x, aumentando o poder de fogo para futuras compras.

Mesmo com a queda das ações, seguimos enxergando o case de Fleury com bons olhos. A empresa permanece como uma das líderes do segmento de Medicina Diagnóstica e também está expandindo seus serviços para outros elos da cadeia.

Klabin (KLBN11)

Em 2023, a empresa apresentou uma queda de 20% no seu EBITDA ajustado, em comparação com 2022. Isso teve como uma das principais influências a queda de 43% no EBITDA do segmento de Celulose, principalmente devido aos menores preços e à valorização do real frente ao dólar.

Mas essa queda não foi exclusividade da Klabin, visto que a Suzano (SUZB3) também sofreu com seu EBITDA ajustado de 2023, que foi 35% menor em comparação com o de 2022, também impactado pelo segmento de Celulose.

Apesar disso, sabemos que os investidores gostam de olhar o futuro, criando expectativas que impactam o valor das ações. E foi exatamente isso que fez a Klabin ser um dos destaques positivos deste mês.

Nesse primeiro trimestre de 2024, a Suzano (SUZB3) anunciou ao mercado dois aumentos no preço da celulose que eles vendem, um ao final de fevereiro e outro ao final de março. Esses incrementos no preço poderiam chegar entre US$ 30 e US$ 80 por tonelada em março e US$ 30 e US$ 100 por tonelada em maio. 

Assim, a Klabin também deve praticar aumento de preço em suas vendas. O fato animou o mercado, já que um dos motivos das empresas desse setor terem sofrido com seus resultados no ano passado foi justamente o menor preço dessa commodity. O aumento de preço pode ajudar a uma melhora nas margens e, consequentemente, no fluxo de caixa da empresa.

Esse incremento no fluxo de caixa devido a melhores condições de preço pode ajudar a Klabin a bancar o Projeto Caetê, anunciado em dezembro de 2023, com um investimento de aproximadamente US$ 1,16 bilhão, estimado para acontecer no 2T24.

O projeto conta com a compra de 150 mil hectares, sendo 85 mil hectares de áreas florestais produtivas, localizadas no Estado do Paraná. Toda essa área resulta em 31,5 milhões de toneladas de madeira, que servirá para o abastecimento do Projeto Puma II, que, aliás, está em período de ramp-up atualmente.

Com o Projeto Caetê, a Klabin estima ter uma menor necessidade de investimentos relacionados à compra de madeira em pé de terceiros. Além disso, também prevê menores custos operacionais, estimando uma redução do custo caixa total entre R$ 350 e R$ 400 milhões.

Ademais, uma das maiores preocupações na Klabin é sobre a sua alavancagem, que ao final de 2023 estava em 3,3x Dívida Líquida/EBITDA. Com esse Projeto no pipeline, a expectativa é que sua alavancagem aumente. Mas caso a empresa consiga incrementar seus preços de venda, melhorar sua margem e seu fluxo de caixa, a alavancagem se manterá mais controlada, o que é algo positivo.

Portanto, ficaremos atentos aos resultados do 1T24, que serão divulgados no dia 25 de abril, e no aumento de sua alavancagem após os investimentos do Projeto Caetê, que devem ser divulgados apenas no 2T24. Contudo, a expectativa é de melhora na margem, ainda mais com o Projeto Puma II ganhando tração nesses próximos trimestres.

Taurus (TASA4)

No final do mês de março, a Taurus divulgou seu resultado referente ao 4T23, conforme detalhamos em outro relatório. Como já era esperado, os números não surpreendem, já que no Brasil as regulamentações para o retorno do mercado de armas só foram apresentadas no final de 2023, ou seja, não surtiram efeito no último trimestre ainda. Apesar de ser um resultado sem novidades em si, a empresa sofreu ao longo do mês, impactando a carteira em -0,5%. 

A nossa tese, porém, está baseada nas várias frentes de melhoria do mercado que podem ocorrer ao longo do ano:

  • Retomada do mercado brasileiro a partir do 2T24;
  • Aumento de demanda nos EUA dado o ano de eleição presidencial (o NICS, índice de intenção de compra de armas nos EUA, já mostra essa tendência);
  • Operação da fábrica na Índia iniciada em março;
  • Joint venture na Arábia Saudita a ser confirmada até o 3T24;
  • Possibilidade de atendimento de novos segmentos, como o de medical devices e de automação industrial, na unidade de MIM (Metal Injection Molding).

Além disso, a empresa anunciou em 6 de abril que venceu sua primeira licitação na Índia,  que prevê o fornecimento de 550 submetralhadoras ao Exército Indiano.

O montante em si não é tão relevante, cerca de US$ 511 mil, sendo que a Taurus possui 49% de participação na joint venture, o que corresponde a US$ 255 mil. Apesar disso, vale lembrar que esse valor é “livre de custos”, já que a Taurus participa da JV apenas com transferência de tecnologia, sendo a Jindal responsável pelos aportes financeiros. O importante é que a empresa começa a fazer seu nome no país, ganhando aval para participação em ainda mais licitações do próprio Exército, da Marinha, da Força Aérea, assim como para as forças policiais e paramilitares indianas. 

Dito isso, mantemos nossa recomendação de COMPRA para Taurus, com o preço-alvo de R$ 17,27 e TIR de 18,2%.

E as outras?

O grande destaque negativo do mês é a queda de Ambipar (AMBP3). Novamente, estamos testando todos os cenários antes de te falar a decisão final. Por enquanto, a recomendação é MANTER. 

Sobre os bancos, temos Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4) e Banco ABC (ABCB4). Como a temporada de resultados já se aproxima (sim, pouquíssimo tempo de descanso), já conseguimos desenhar algumas expectativas para eles. No geral, as expectativas são boas. Nossa maior expectativa está no BBDC. Se a gestão conseguir dar mostras de evolução, o mercado pode começar a comprar a ideia deles e refletir isso no preço, que está bem descontado. Já para o ABCB, além da inadimplência, é legal olhar se o banco vai conseguir aumentar a carteira de crédito de forma significativa, já que esse foi o calcanhar de Aquiles no último ano. Por fim, a quebra de safra já tem sido sentida no aumento da inadimplência da carteira do Agro do BB. Não seria uma surpresa se voltasse a subir, mas de forma moderada. Por outro lado, a tendência é de queda na inadimplência das carteiras PJ e PF, o que deve segurar a inadimplência do BB como um todo.

No caso de Tegma (TGMA3), a maior novidade foi o anúncio de dividendos e JCP. O valor dos dividendos por ação será de R$ 0,54 e o valor de JCP será de R$ 0,18 por ação. Lembrando que, para o JCP, há a incidência do Imposto de Renda à alíquota de 15%. Terão direito ao recebimento dos referidos proventos todos os titulares de ações ordinárias da Companhia até o dia 11 de abril de 2024, que é a data de corte. Os pagamentos serão efetuados em 23 de abril de 2024.

Já para SLC Agrícola (SLCE3) e Transmissão Paulista (TRPL4), não aconteceram grandes mudanças desde o último relatório.

Para encerrar esse capítulo, falta o trecho da música que não citamos:

“Passado, presente

Participo sendo o mistério do planeta”

Tanto no passado quanto no presente, contem conosco na jornada pelos investimentos.

E como ficam as ações recomendadas?

Como falamos, não houve mudanças neste relatório! Nem nos ativos selecionados, nem nos pesos de cada um na carteira. Outra questão é que os preços-alvo e teto permanecem inalterados.

Para facilitar, basta conferir como ficam as novas distribuições após a atualização na tabela abaixo:

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****E sobre as ações das carteiras “O Melhor da Bolsa e Small Caps”?

Fique tranquilo. Ainda faremos o acompanhamento das ações que estavam nas carteiras “O Melhor da Bolsa” e “Small Caps” para que, de forma gradual, você possa ajustar suas carteiras pessoais. 

Vamos avisar o momento ideal de vender as ações recomendadas nas carteiras extintas e, ao mesmo tempo, recomendaremos as ações da Carteira de Valorização. Assim, aos poucos, você poderá alinhar suas carteiras.

Se você se lembra, já terminamos as recomendações do “O Melhor da Bolsa”. A maioria continua recomendada em nossas carteiras e outras foram encerradas.

Passamos agora para a antiga carteira de “Small Caps”.

Small Caps

Na carteira de Small Caps, das 13 ações que tínhamos lá, sobraram quatro ações para acompanharmos.

Dessas, a JSL recentemente teve uma boa alta e atingiu o preço-alvo que demos na última atualização. Ao revisarmos o case, chegamos ao preço-alvo de R$ 11,20, com base na cotação do dia 18 de abril de 2024. Como a ação fechou o pregão em R$ 12,11, nós oficialmente ultrapassamos o preço-alvo. Assim, estamos recomendando VENDER JSLG3 e embolsar o lucro que tivemos com a recomendação.

Das três ações restantes, seguem abaixo seus preços máximos de compra e preços-alvos:

Abraços,

Time VAROS.

Sobre os analistas

Varos Brasil

Varos

Varos é uma casa de análise credenciada pela APIMEC, e liderada pelo Leandro Siqueira, especialista em ações e Valuation.