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Relatório Mensal de Fevereiro de 2025

Escrito por Vanessa Naissinger, Varos Brasil em AÇÕES

16 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Um relato sobre os acontecimentos no cenário político e econômico do Brasil e dos EUA, que deram o direcionamento para a renda variável brasileira.

  • A visão do nosso time sobre as ações que tiveram algum destaque em nossa carteira.

Macro

Começamos nosso passeio macroeconômico pelos Estados Unidos que, envolto a uma política tarifária para lá de polêmica por parte de Donald Trump, apresentou sinais claros de enfraquecimento ao longo de fevereiro. O Federal Reserve de Atlanta, que está processando os dados disponíveis para tentar fornecer pistas o mais rápido possível sobre a economia americana, revisou sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, passando de um crescimento de 2,3% para uma contração de 1,5%. Essa revisão deve-se a fatores como o aumento do déficit comercial, que atingiu um recorde em janeiro, e a diminuição dos gastos dos consumidores.

O mercado de trabalho também mostrou sinais de desaquecimento. A taxa de desemprego registrou uma leve alta em fevereiro, situando-se em 4,1%.

Além disso, as expectativas de inflação nos EUA aumentaram significativamente em fevereiro. De acordo com a pesquisa da Universidade de Michigan, as famílias americanas esperam uma inflação de 4,3% para o próximo ano - o nível mais alto desde novembro de 2023, e de 3,3% para os próximos cinco anos - o maior desde junho de 2008.

Esse aumento nas expectativas de inflação representa um desafio para o Federal Reserve, que tem como meta uma inflação anual de 2%. A persistência de expectativas inflacionárias elevadas pode levar o Fed a reconsiderar sua política monetária nos próximos meses.

Toda essa deterioração das expectativas econômicas, além do aumento das preocupações na maior economia do mundo, acabaram afetando o sentimento dos investidores e consumidores. O índice de confiança do consumidor caiu para 64,7 em fevereiro - o nível mais baixo desde novembro de 2023. Essa queda na confiança refletiu-se nos mercados acionários globais, que experimentaram volatilidade significativa ao longo do mês de fevereiro.​

O momento conturbado nos EUA é sentido de forma direta nos mercados emergentes. Com a piora nas expectativas de inflação nos EUA, aumenta a possibilidade de ajustes na política monetária americana, o que pode reduzir o apetite dos investidores por ativos de mercados emergentes. Basicamente, a taxa de juros mais alta nos EUA torna os investimentos nesses mercados menos atrativos, pois os títulos do governo americano entregam mais retorno. Isso tem potencial para diminuir o fluxo de capital estrangeiro para países como o Brasil.

Falando no Brasil, por aqui, em fevereiro de 2025, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que é uma prévia da inflação oficial, registrou um aumento de 1,23%, o maior avanço mensal desde o início de 2022. Com esse resultado, a inflação acumulada em 12 meses atingiu 4,96%, ultrapassando a meta do Banco Central de 3%, mesmo se considerarmos a margem de 1,5 ponto percentual (o que levaria a meta para 4,5%). Os principais responsáveis por essa alta foram os custos de habitação e educação.

Diante desse cenário inflacionário, segue inalterado o plano do Banco Central do Brasil de uma terceira elevação consecutiva de 100 pontos-base na taxa Selic em março, o que levará a taxa básica de juros para 14,25%. Essa medida visa conter as pressões inflacionárias. A pergunta que fica é: quantas altas a mais serão necessárias para domar a inflação? Parte dessa pergunta deve ser respondida com a divulgação da ata da próxima reunião do COPOM, a acontecer na última semana de março.

Em relação à atividade econômica, a Secretaria de Política Econômica (SPE) atualizou a perspectiva de crescimento do PIB brasileiro para 2025, reduzindo a previsão de 2,5% para 2,3%. Essa revisão reflete o patamar contracionista da política monetária e outros fatores econômicos que podem impactar o crescimento.

Por fim, o IBOVESPA apresentou volatilidade significativa em fevereiro, influenciado tanto por fatores internos quanto externos. Como dissemos, as expectativas de inflação nos EUA e a possibilidade de ajustes na política monetária americana afetaram o apetite dos investidores por ativos de mercados emergentes, incluindo o Brasil. Além disso, a alta da inflação doméstica e a perspectiva de novos aumentos na taxa Selic contribuíram para a cautela dos investidores. Assim, o fluxo de capital estrangeiro na Bolsa brasileira foi impactado diretamente por esse ambiente de incertezas.

Em resumo, em fevereiro de 2025, tanto os Estados Unidos quanto o Brasil enfrentaram desafios econômicos significativos. Nos EUA, o aumento das expectativas de inflação e a revisão para baixo das projeções de crescimento econômico afetaram a confiança do consumidor e aumentaram a volatilidade nos mercados financeiros. No Brasil, a inflação elevada e a perspectiva de novos aumentos na taxa Selic pressionaram o mercado acionário.

Destaques da carteira

Agora, vamos falar de alguns ativos em particular. Nesta seção, vamos focar nos assuntos mais importantes que repercutiram em alguns ativos das nossas carteiras, no mês de fevereiro.

Sanepar (SAPR11)

A Sanepar divulgou os resultados referente ao 4T24, que animaram os investidores. O grande destaque foi o crescimento mais moderado dos custos e despesas operacionais, em comparação com trimestres anteriores, indicando uma recuperação no controle de gastos da companhia. Mais detalhes estão disponíveis na análise publicada aqui.

A melhora nos números, junto da proximidade da data de votação do Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) de 2025, prevista para ocorrer no dia 19 de março, deu impulso à cotação da empresa em fevereiro. No entanto, parte desse ganho já foi revertido nos primeiros dias de março.

Para aqueles que não lembram, a Sanepar tem um precatório em torno de R$ 4 bilhões a receber do Governo Federal, quase metade do valor de mercado da companhia. O pagamento dessa grana está previsto no orçamento de 2025 da União, e se aprovado, o valor será recebido até o final de 2026 (a história completa foi contada no relatório de entrada na carteira).

Agora, vamos ficar de olho nas novidades que podem surgir no próximo relatório, especialmente em relação à aprovação da PLOA.

Klabin (KLBN11)

Em fevereiro, a Klabin fez dois importantes comunicados aos seus acionistas. O primeiro deles foi relacionado com o Projeto Plateau. Se você não se lembra do que se trata, não tem problema, a gente vai te lembrar sobre ele.

O Projeto Plateau é uma extensão do Projeto Caetê e visa otimizar o retorno e acelerar a desalavancagem financeira da Klabin. O projeto cria quatro Sociedades de Propósito Específico (SPEs), em parceria com a Timber Investment Management Organization (TIMO), trazendo uma entrada de caixa de R$ 1,8 bilhão.

As SPEs terão 60 mil hectares de florestas plantadas e 43 mil hectares de terras produtivas. A Klabin mantém o direito de compra de madeira dessas SPEs, o que traz sinergias operacionais, além de abrir opcionalidades para maximizar o retorno dos ativos florestais. O Projeto Plateau antecipa os recursos da monetização de terras excedentes do Caetê, acelerando a desalavancagem e reduzindo o risco de venda de terras​.

No dia 2 de fevereiro, a Klabin anunciou que conseguiu fechar a parceria para o projeto. Além disso, informou que foi realizado o aporte da primeira parcela no valor de R$ 0,8 bilhão, bem como o aporte da segunda parcela de R$ 1 bilhão segue previsto para o segundo trimestre de 2025.

O segundo aviso importante tem relação com os dividendos. Foram R$ 54 milhões em dividendos, conforme aprovado pelo Conselho de Administração, em 25 de fevereiro de 2025.

●      Valor por ação (ordinária e preferencial): R$ 0,00888

●      Valor por Unit: R$ 0,04441

Os acionistas terão direito ao dividendo, conforme sua posição acionária na B3, ao final do pregão do dia 5 de março de 2025. A partir do dia 6 de março de 2025, as ações passaram a ser negociadas ex-dividendos. O pagamento foi realizado no dia 14 de março de 2025.

Por fim, vale lembrar que a empresa anunciou seus resultados do 4T24. Você pode encontrar nossa análise clicando aqui. Seguimos confiantes no nosso investimento em Klabin, por isso nossa recomendação segue como COMPRA, com preço justo de R$ 24,12.

C&A (CEAB3)

A C&A, como esperado, entregou mais um ótimo resultado no 4T24. Ao longo de 2024, vimos os efeitos dos investimentos na operação refletidos no aumento das margens da empresa.

O resultado disso foi a entrega de uma Margem EBIT recorde de 10,6% em 2024. Só não foi superior a 2019, porque, naquele ano, teve um ganho de créditos tributários não recorrentes de quase R$ 700 milhões.

Ajustamos o nosso modelo e estamos projetando um crescimento médio da Receita de 7,4%, uma Margem Bruta que varia entre 54,7% e 55,8%, e uma Margem EBIT que varia entre 8,4% e 8,7%.

Por mais que em 2025 provavelmente ainda vejamos alguma melhora nas Margens, não consideramos isso no modelo. Faremos como fizemos até o momento: vamos ajustando a projeção conforme a empresa for entregando as melhoras.

Outro gatilho que ainda não estamos considerando no modelo é a melhoria das vendas por m² da empresa. Ela está com um projeto que visa aumentar as vendas de lojas que estão performando abaixo de seu potencial. A expectativa é que as vendas por m² nessas lojas aumentem entre 20% e 30%.

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Foram mapeadas 232 lojas. Dessas, 75 já estão no projeto. Ao concluir tudo, isso pode elevar o preço justo de R$ 1 para R$ 3, a depender de quanto conseguirem aumentar as vendas por m² em cada loja.

Dito isso, continuamos vendo CEAB3 com bons olhos. A operação segue crescendo e, se o cenário macroeconômico melhorar, ela pode subir com mais vigor que suas concorrentes.  Dessa forma, seguimos com a recomendação de COMPRA para a empresa.

Fleury (FLRY3)

O Conselho de Administração do Grupo Fleury aprovou o pagamento de R$ 254 milhões em dividendos aos acionistas, referente ao lucro líquido de 2024. O valor por ação será de R$ 0,4667, e o pagamento será realizado a quem possuir os papéis, em 6 de março de 2025, com o crédito previsto para 9 de maio de 2025.

Banco do Brasil (BBAS3)

No início de fevereiro, o Banco do Brasil (BBAS3) apresentou seu resultado referente ao 4T24. Na nossa visão, o resultado foi sólido, mas com desafios significativos no curto prazo.

Apesar de o Lucro Líquido ter ficado dentro do esperado, a deterioração da carteira de crédito do agronegócio e o guidance conservador fizeram com que o resultado tenha sido levemente negativo.

Além da deterioração do crédito, outro fator apontado como vilão pelo mercado foi a pressão sobre o capital do banco. A queda no Índice de Capital Principal foi, em grande parte, consequência da marcação a mercado de títulos disponíveis para venda que o BB mantém em seu balanço. Com a alta das taxas de juros futuras no final do ano, esses títulos se desvalorizaram, reduzindo o Patrimônio Líquido Ajustado do banco e, consequentemente, o Índice de Capital.

Outro ponto relevante foi a adoção da Resolução 4.966 em 2025, que deve impactar negativamente o Patrimônio Líquido em 5,4%, principalmente devido ao conceito de perda esperada.

Para mais detalhes sobre o resultado trimestral, basta acessar nossa análise.

Lojas Quero-Quero (LJQQ3)

A ação das Lojas Quero-Quero começou o mês de fevereiro avaliada em R$ 2,32 e fechou em R$ 2,16, uma queda de 6,9%.

O mercado ainda não está olhando para o LJQQ3. Como mencionado anteriormente, a empresa tem tido dificuldades para lidar com o ambiente macroeconômico desfavorável e a operação de serviços financeiros tem ficado com margens cada vez mais apertadas. A boa notícia é que a empresa está com o pé no freio e controlando o caixa. A alavancagem da empresa segue em 0,4x e a abertura de lojas está controlada.

O comportamento da ação deve continuar assim, até que haja sinais de reversão no cenário macroeconômico. Enquanto os juros não caírem, dificilmente a ação subirá.

No modelo, usamos a curva DI projetada em nosso custo de capital e na fórmula da Margem Bruta. Por conta disso, o preço justo veio caindo ao longo do tempo. Entretanto, a queda de juros fará com que ele suba novamente. O mais provável é que isso aconteça conforme as eleições forem se aproximando. Dito isso, fizemos uma matriz de sensibilidade do preço em função do nível de juros, para mostrar o quanto isso impacta no modelo:

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No resto, estamos sendo bem conservadores nas projeções. A Receita está crescendo a uma taxa próxima à inflação; tanto a Margem Bruta quanto EBIT estão sendo projetadas em patamares abaixo do histórico. Vamos ajustar, conforme o cenário macroeconômico melhorar.

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Mesmo com tais projeções, a empresa está apresentando uma TIR de 35%. Logo, a conclusão que chegamos é que LJQQ3 tem muito valor para destravar. Essas quedas atuais não são reflexos de perda de fundamento. Dessa forma, seguimos com a recomendação de COMPRA para a empresa.

Tegma (TGMA3)

Em fevereiro, não tivemos fatos relevantes ou comunicados publicados pela empresa. Em outras palavras, nada relevante aconteceu. No entanto, a alta na cotação da ação pode ter sido impulsionada pelas boas expectativas de vendas de carros novos para 2025.

Vale lembrar que os dados de vendas de veículos em 2024 mostraram um crescimento expressivo de 14,15%, totalizando 2.634.514 unidades, impulsionado pela oferta de crédito e pela recuperação econômica. Esse aumento beneficiou diretamente a Tegma, que expandiu significativamente o volume de veículos transportados, sustentando um desempenho financeiro sólido no 3T24 e no 4T24.

Entretanto, as projeções para 2025 indicavam uma desaceleração do crescimento para 5%, refletindo fatores como juros mais altos, volatilidade cambial e um cenário econômico global mais incerto. Acontece que os números mais recentes de janeiro e fevereiro de 2025 apontam que o mercado segue em expansão, com crescimento acumulado de 8,59% nas vendas de automóveis e comerciais leves, em relação ao mesmo período de 2024.

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Fonte: FENABRAVE

Esse desempenho ainda sugere uma demanda saudável no curto prazo, o que pode continuar sustentando os volumes operacionais da Tegma no início do ano. Traduzindo: o 1T25 da empresa deve vir muito bom!

Em relação ao 4T24, a empresa apresentou um resultado expressivo, que superou as nossas expectativas e do mercado. Para conferir os detalhes, acesse nossa análise por aqui. Seguimos com a nossa recomendação de MANTER para as ações da companhia, com preço justo de R$ 37,21.

Kepler Weber (KEPL3)

A Kepler Weber foi a ação com a performance mais detratora da nossa carteira no mês de fevereiro. O resultado divulgado pela empresa do 4T24 veio abaixo do 4T23, em termos de faturamento e rentabilidade - apesar de, no consolidado, 2024 ter sido o segundo melhor ano da companhia, atrás apenas de 2022. O principal ponto de atenção foi a redução de rentabilidade da companhia, relacionada principalmente a uma maior dificuldade de precificação de produtos; isso acontece dado que o cenário de preço de commodities em baixa e juros maiores impacta a disponibilidade da renda dos produtores, que, por sua vez, pressionam por mais descontos. Mais comentários sobre o resultado da companhia podem ser acessados aqui.

O que aconteceu depois da divulgação do resultado foi que o Citi mudou sua recomendação de compra para neutro, o que já atrai um fluxo de venda para ação (vale lembrar que apenas Citi e XP, dos chamados “bancões”, cobrem Kepler, sendo que a XP continua com compra). Ainda nesse sentido, os fundos de ações vêm tomando muito resgate: foram R$ 18,1 bilhões retirados só em janeiro e fevereiro. Apesar de não haver uma divulgação dos números específicos atuais da Trígono e de outros fundos investidos na Kepler, como praticamente a indústria inteira está nessa direção, é evidente que isso acaba impactando ações de menor capitalização como a companhia.

Apesar disso, a nossa visão para a empresa continua positiva, considerando que:

  • A guerra comercial entre EUA e China tende a aumentar a demanda chinesa pela soja brasileira;
  • A safra de soja deste ano deve ser 10% maior que a de 24, aumentando a pressão do déficit de armazenagem e na cadeia logística;
  • A Argentina vem com aumento de produção relevante também, sendo que a Kepler já vendeu para lá no 4T24; 
  • O preço do milho subiu quase 20% nos últimos 2 meses, o que melhora a rentabilidade do produtor.

A empresa deve continuar como uma pagadora de dividendos atrativa, o que faz com que o carrego da ação seja interessante para nossa carteira, além do seu potencial de valorização. Dessa forma, mantemos nossa recomendação de COMPRA para KEPL3, com preço justo de R$ 11,83.

Taurus (TASA4)

A Taurus prepara para o mês de abril o lançamento de dois novos produtos: a pistola TX9 e a submetralhadora RPC (Raging Pistol Carbine).

Além de ter seu foco principal no mercado militar e policial mundial, a TX9 poderá ser a arma de entrada da Taurus no mercado de Law Enforcement (mercado composto por uma variedade de agências do país, compreendendo policiais, forças de Defesa, agentes de tribunais e de vários outros órgãos municipais, estaduais e federais) dos Estados Unidos. Já a submetralhadora RPC vem sendo desenvolvida há cerca de cinco anos e será a arma mais compacta e leve da categoria, com potencial também de atender ao mercado militar e de segurança mundial.

Os dois novos produtos da companhia chamam a atenção por serem as armas de suas respectivas categorias, com mais tecnologias de materiais embarcada no mundo: Grafeno, Cerakote® Graphene, DLC (Diamond Like Carbon) e Polímero de Fibras Longas; todas visam proporcionar maior leveza, resistência, robustez e durabilidade à arma, além de maior imunidade à corrosão. 

O lançamento das duas armas será feito junto à inauguração da Taurus Shooting Academy, academia de tiro voltada ao treinamento de grupos de elite da área de segurança e de armeiros e atiradores, que farão uma especialização em armas da Taurus, contando com instrutores de renome nacional e internacional.

Bradesco (BBDC4)

No dia 7 de fevereiro, o Bradesco (BBDC4) anunciou seu resultado referente ao 4T24.

O banco seguiu avançando em seu plano de reestruturação, com destaque para a melhora na qualidade da carteira de crédito e a recuperação gradual das margens. O crescimento do crédito voltou a ganhar tração, com destaque para os segmentos de financiamento imobiliário e crédito para pequenas e médias empresas.

A reação do mercado ao resultado foi mista. Enquanto alguns analistas destacaram a recuperação expressiva da lucratividade e a melhora na qualidade da carteira, outros mantiveram uma postura cautelosa, citando desafios macroeconômicos e o impacto de um guidance mais conservador para 2025.

Para nós, o resultado apresentado foi positivo. O plano de reestruturação tem apresentado sinais relevantes de melhoria operacional no Bradesco.

Para mais detalhes sobre o resultado trimestral, basta acessar nossa análise.

Banco ABC Brasil (ABCB4)

Na segunda semana de fevereiro, foi a vez do Banco ABC Brasil (ABCB4) divulgar seu resultado referente ao 4T24.

Anteriormente, nossa projeção era de que o banco continuaria sua estratégia de crescimento moderado na carteira e ganho gradual de eficiência. O resultado do 4T24 confirmou parte dessas expectativas, com crescimento da carteira dentro do guidance e melhora da qualidade dos ativos. No entanto, a pressão na margem financeira exigiu uma postura mais conservadora.

A percepção do mercado foi mista. Enquanto o crescimento da carteira e a qualidade dos ativos foram pontos positivos, houve preocupação com a queda dos spreads e a maior concorrência no Corporate. O guidance para 2025 também reforçou um cenário desafiador para a expansão da rentabilidade.

Os principais destaques positivos foram o crescimento da carteira de crédito e da receita com serviços. Já os grandes destaques negativos foram a redução da margem com clientes e aumento da despesa de provisão.

Para mais detalhes sobre o resultado trimestral, basta acessar nossa análise.

Banco BMG (BMGB4)

Ainda em fevereiro, no dia 18, foi a vez do BMG (BMGB4) divulgar seu resultado do 4T24.

O banco seguiu implementando sua estratégia de foco no crédito consignado e na eficiência operacional. O 4T24 consolidou melhorias importantes, como crescimento da margem financeira, redução do NPL 90 e avanço na digitalização da operação.

Contudo, apesar dos avanços, o mercado se manteve neutro sobre os resultados, pois os desafios estruturais permanecem. Os analistas de mercado destacaram que a rentabilidade ainda precisa crescer para justificar uma reavaliação positiva das ações.

O banco segue reestruturando sua operação, vendendo ativos não essenciais, otimizando custos e reforçando sua capitalização. Em 2025, a descontinuação do crédito consignado EUA, o possível investimento no consignado privado e o impacto da venda da BMG Seguros no balanço deverão colocar o banco em outro patamar de rentabilidade, mas ainda abaixo do custo de capital apontado pelo mercado (~17,7%).

SLC Agrícola (SLCE3)

Em fevereiro de 2025, as ações da SLC Agrícola (SLCE3) apresentaram alta de 4%, contribuindo positivamente para o retorno da carteira de valorização. Boa parte desse aumento pode ser atribuída à volatilidade observada nos mercados de capitais, desde a posse de Donald Trump. A SLC, por ser uma exportadora de commodities, é altamente suscetível às oscilações do dólar e à guerra tarifária iniciada pelo governo americano.

Além disso, no início de fevereiro, a XP Investimentos publicou um relatório projetando uma possível revisão do guidance da SLC para cima — até o momento, porém, não houve comunicado oficial por parte da empresa. Basicamente, a XP acredita que as estimativas de produtividade da SLC serão revisadas para um patamar superior ao inicialmente previsto, uma vez que a maior parte da safra de soja no Brasil foi plantada tardiamente, coincidindo com o período ideal de chuvas e, consequentemente, maximizando a produção. No entanto, esse aumento de produtividade pode não resultar necessariamente em um melhor desempenho operacional, pois uma oferta maior pode pressionar os preços para baixo.

Outro fator que contribuiu para a valorização do SLCE3 em fevereiro foi a manutenção da recomendação de compra do Itaú para o papel, com preço-alvo de R$ 25. Atualmente, esse preço-alvo representa um upside de mais de 30%.

No início de março, a SLC anunciou a aquisição da Sierentz Agro Brasil por US$ 135 milhões (cerca de R$ 780 milhões). Embora essa transação não tenha ocorrido dentro do mês de fevereiro e, portanto, não explique a movimentação da cotação no período, vale a pena mencioná-la. Com essa aquisição, a empresa expandirá sua área plantada em 13% para a safra 2024/2025, aumentando sua presença nos estados do Maranhão, Piauí e Pará. Além disso, a transação reforça a estratégia de diversificação geográfica da SLC Agrícola, contribuindo para a mitigação de riscos climáticos.

Na metade de março, a SLC divulgará ao mercado seus resultados referentes ao 4T24. Acreditamos que, na call de resultados, pontos importantes como, o impacto da política tarifária e um possível aumento do guidance, serão elucidados.

Por ora, optamos por manter inalterada nossas premissas no modelo de Valuation de SLCE3. Assim, mantemos a recomendação de COMPRA de SLCE3 com preço-alvo de R$ 23,43.

Conclusão

Embora o cenário atual seja desafiador, com inflação elevada e expectativas de crescimento mais modesto tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, momentos como este podem oferecer oportunidades para investidores estratégicos. A volatilidade do mercado e o ambiente de incertezas podem, na verdade, criar janelas para acumular patrimônio, especialmente no mercado de ações, onde o preço dos ativos tende a refletir os desafios de curto prazo, mas também oferece um potencial de valorização a longo prazo. Com uma análise cuidadosa e paciência, nós podemos aproveitar essas fases difíceis para posicionar nossos portfólios de forma vantajosa, esperando por uma recuperação econômica futura.

Abraços,

Time VAROS.

Sobre os analistas

Vanessa Naissinger

Analista de Investimentos

Formada em Administração pela Universidade Feevale, Vanessa iniciou sua carreira no time de experiência do cliente da XP Inc. e atualmente é analista de ações CNPI na VAROS Research, especializada em empresas dos setores de energia elétrica e saneamento básico.

Varos Brasil

Varos

Varos é uma casa de análise credenciada pela APIMEC, e liderada pelo Leandro Siqueira, especialista em ações e Valuation.