Relatórios

Relatório mensal de janeiro

Escrito por Evandro Medeiros em AÇÕES

3 min de leitura

Olá, estimado(a) assinante,

Nesta edição do nosso relatório mensal, vamos destacar os ativos que, na nossa avaliação, oferecem as melhores assimetrias entre risco e retorno no momento, além de revisar o preço máximo de compra de um dos ativos recomendados.

Para chegar a essas conclusões, partimos de um princípio simples, mas fundamental no mercado financeiro: não basta avaliar apenas o retorno potencial de um investimento; é igualmente importante compreender os riscos envolvidos e a probabilidade de materialização desse retorno.

É justamente por isso que trabalhamos com pesos distintos nas carteiras, refletindo o fato de que diferentes ativos apresentam perfis de risco e retorno bastante distintos.

Nesse contexto, destacamos nossas “queridinhas” aos preços atuais:

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Elaboração e projeções: Finclass.

A TIR real representa a rentabilidade estimada acima da inflação. No caso de WIZC3, por exemplo, se nossas premissas se confirmarem integralmente, o ativo teria potencial para entregar um retorno equivalente a IPCA + 11,7%. Naturalmente, essas projeções não devem ser interpretadas de forma literal, já que o futuro é incerto e os modelos são apenas aproximações da realidade.

Justamente por isso, não consideramos sábio escolher ações apenas com base na maior TIR estimada. Trata-se de rentabilidades projetadas, que dependem de premissas econômicas, operacionais e setoriais que podem ou não se materializar ao longo do tempo.

A PRIO3, por exemplo, apresenta a maior TIR estimada dentre os ativos das carteiras, mas também carrega riscos relevantes, sendo o principal deles a exposição ao preço do petróleo, sua principal commodity.

Outro ponto importante é que ações, de forma geral, são instrumentos de maior risco quando comparadas à renda fixa. Ainda assim, dentro do universo acionário, um ativo classificado como de risco percebido médio pode ser considerado, em termos relativos, um risco baixo. Essa distinção é essencial para uma correta leitura da carteira e das classificações de risco.

Azzas 2154 (AZZA3)

Ao revisarmos os números da companhia, identificamos alguns pontos de atenção relevantes. O principal deles diz respeito à dependência de subsídios governamentais. Em 2024, a empresa recebeu R$ 540,7 milhões em benefícios fiscais de ICMS do estado do Rio de Janeiro, um dos entes federativos com maior relação dívida/PIB do país. Além disso, obteve R$ 353,8 milhões do Espírito Santo e R$ 74,4 milhões provenientes da Bahia, Goiás e Santa Catarina.

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Fonte: Azzas 2154, DFP 2024.

Ao excluir esses incentivos, a rentabilidade da empresa cai de forma significativa. Em nossa filosofia de investimento, buscamos negócios que sejam rentáveis por entregarem bons produtos e serviços a custos competitivos, e não por dependerem de subsídios governamentais que, por natureza, não são perenes.

Quanto ao valuation antigo, uma das principais premissas sobre a qual temos reservas é o “crescimento que sai de 14% em 2026 e vai caindo até a inflação em 2033”.

Embora seja possível que Azzas 2154 cresça todo ano, até chegar a um ponto em que somente repassa a inflação, acreditamos que essa trajetória não deve ser linear e, portanto, reajustamos o modelo de acordo.

A seguir as projeções antigas (primeiro gráfico) e novas (segundo gráfico):

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Fonte e elaboração: Varos.

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Fonte e elaboração: Finclass.

Com essas atualizações em mente, chegamos a um novo valor justo de R$ 25,21 por ação.

A seguir, temos a matriz de sensibilidade da margem bruta e despesas operacionais como % da receita líquida, ambos na perpetuidade.

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Elaboração e precificação: Finclass.

Ainda que haja espaço para ganhos e o preço atual seja inferior ao valor justo, optamos por aguardar o balanço do quarto trimestre e, por ora, estabelecemos AZZA3 como manter.

Conclusão

Para 2026, estamos empolgados com o potencial dos ativos recomendados. Entretanto, é preciso se atentar ao fato de que estamos em ano eleitoral, o que deve trazer não somente volatilidade, mas oportunidades ao investidor de longo prazo.

O melhor remédio para lidar com as incertezas e flutuações do mercado é o conhecimento. Com isso em mente, reiteramos a recomendação de um de nossos livros favoritos, O Jeito Peter Lynch de Investir.

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Fico por aqui. Foco no longo prazo e desejo que invistam com sabedoria.

Forte abraço,

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Sobre os analistas

Evandro Medeiros

Especialista em Ações

Analista CNPI, economista e especialista em mercado acionário da Finclass. Iniciou sua trajetória em análise de ações em 2019, cobrindo inicialmente o mercado brasileiro e, posteriormente, ampliando seu escopo para os mercados globais, com foco especial em ativos dos Estados Unidos e da Argentina, países onde também teve a oportunidade de residir. É um apaixonado declarado pela filosofia do Value Investing e um entusiasta das empresas “pouco empolgantes”, que muitas vezes oferecem uma precificação mais atrativa do que os grandes nomes conhecidos.