Relatórios

Renda fixa dinâmica: Fundos Taxa Zero

Escrito por Vinicius Kenjiro, Felipe Arrais, Alessandra Bellotto, Rodrigo Xavier em RENDA FIXA

2 min de leitura

“Taxa zero? Ficaram bonzinhos agora? É caridade? Claro que tem uma letra pequena, uma cobrança oculta…

Esses são os comentários (passíveis de serem reproduzidos aqui com censura livre) que lemos e escutamos desde que essas opções surgiram.

Mas, sim, a taxa zero é verdadeira, não tem pegadinha. Não, os gestores de fundos não viraram frades. Eles dão esse empurrão para que você se sinta estimulado a sair da zona de conforto da poupança ou do fundo caro do banco, abra a conta na corretora e comece a experimentá-la. Depois de descobrir o mundo maravilhoso dos investimentos fora do banco, muito provavelmente você vai querer investir em outros produtos. A corretora vai ganhar nesse segundo momento. Tão simples e honesto quanto isso.É como aquele bônus que você ganha na loja no dia do seu aniversário. Sim, é um dinheiro pra gastar de verdade. Mas eles só te dão porque acham que você, ao ir até a loja, vai acabar gastando mais – e você vai.Pois bem, esses fundos são legais, sim, para a sua reserva de emergência: aquele dinheiro que não pode correr risco algum (nem de crédito!) e precisa estar à mão. Assim como ele é um bom instrumento para sua reserva de oportunidade.Se você pede o resgate de manhã, o dinheiro está na conta da corretora à tarde. Aí rapidinho você transfere pro seu banco. É o substituto perfeito pra poupança.

Bom, então vamos as opções disponíveis no mercado. Eles fazem exatamente a mesma coisa e vão render perto de 100% do CDI, escolha o que for mais conveniente para você. Para mais informações sobre cada um dos fundos, acesse a tabela de recomendados do Spiti One aqui.

Fonte: Spiti

Vale dizer que recentemente a XP decidiu restringir o acesso ao seu fundo taxa zero. Por isso um deles na tabela acima está fechado.

A corretora fechou o fundo que antes fazia esse papel - mais antigo - e passou a oferecer outro produto no lugar, que limita a aplicação a R$ 100 mil por CPF.

Trata-se do Trend DI FIC Renda Fixa Simples, que hoje dá para dizer que tem taxa de administração efetivamente zero. Isso porque o regulamento trazia a possibilidade de cobrança de uma taxa de administração máxima de 0,1%, mas que acabou sendo zerada com a alteração no documento no dia 23 de setembro de 2022.

Para nós, investidores, essa mudança não deixa de ser um retrocesso. Para quem está na XP, a alternativa é investir no novo produto até o limite de R$ 100 mil. Para quem usa o fundo também como caixa, para ir pagando as contas do mês, ou ainda como reserva de oportunidade, à espera, como o próprio nome diz, de uma oportunidade de investimento, um caminho é buscar alternativas nas demais corretoras.

Um abraço,

Felipe Arrais, Alessandra Bellotto, Rodrigo Xavier e Vinícius Kenjiro

Sobre os analistas

Vinicius Kenjiro

Fund Research Analyst

É especialista de fundos da Spiti. Bacharel em Administração pela USP, com passagem pela Erasmus University Rotterdam, Vinícius atuou na análise financeira e social de um fundo de impacto social, nas áreas de agricultura e inclusão financeira. Fascinado pelo mercado financeiro, traz na bagagem a experiência de ter estado do outro lado da indústria e a vontade de impactar a vida das pessoas por meio da educação financeira e dos investimentos.

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.

Alessandra Bellotto

É gerente executiva de análise de fundos de investimentos na Spiti. Jornalista com pós-graduação em informações econômicas e mercados de capitais, traz na bagagem a experiência e o relacionamento de mercado de quem passou mais de duas décadas nas redações da Gazeta Mercantil e do Valor Econômico, de onde saiu após 13 anos para se juntar ao time da Spiti. Sempre atuou com foco na cobertura e edição de finanças e investimentos para pessoas físicas, em especial fundos. Foi premiada por duas vezes pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por seu trabalho de educação ao investidor, e uma vez pela BM&FBolvespa, atual B3.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.