Talvez você já deva ter escutado algo sobre o Brasil ser o país da renda fixa ou o paraíso dos rentistas. Essa pecha recai sobre nós devido ao nosso legado de combate à inflação.
Quando há um aumento generalizado de preços, uma das principais armas utilizadas pelos bancos centrais é a elevação da taxa básica de juros, com o objetivo de encarecer e restringir a oferta do crédito para conter o consumo de bens e serviços. Com isso, esfria-se a atividade econômica, abrindo espaço para a queda dos preços.
Como no Brasil convivemos por muitos anos com índices de inflação elevadíssimos, os juros sempre foram muito altos, fazendo da renda fixa soberana, de títulos emitidos pelo governo, a aplicação mais rentável e segura do país – ou seja, com o pagamento de juros gordos, quem investia não tinha estímulo algum para correr riscos na economia real.
Nossa história sugere que vivemos em uma constante corrida de gato e rato: a inflação sobe, forçando os juros a aumentarem até que a inflação ceda e os juros possam ser cortados novamente, em um ciclo que se perpetua ao longo do tempo.
Com o estouro da pandemia, em uma tentativa de animar a economia que ficou paralisada, nossa taxa básica de juros, a Selic, foi cortada até patamares nunca vistos, chegando a 2% ao ano. Esse processo impulsionou o interesse por investimentos em renda variável e ativos no exterior. Afinal, com juros de 2% ao ano, a renda fixa perdeu boa parte de sua atratividade.
Muito se especulou na ocasião sobre a possibilidade de estarmos diante de uma mudança estrutural em que o Brasil finalmente teria taxas de juros mais comportadas. Nem terminamos o ano de 2022 e a Selic já voltou para o nível de 13,75% ao ano.
Com juros e inflação em níveis elevados na maior parte do tempo, a régua para investir em ativos de risco no Brasil fica muito alta. Afinal, com a Selic pagando 13,75% ao ano, o quanto você deveria receber na Bolsa para se sentir satisfeito? Já quando a Selic estava em 2%, um retorno de 10% na Bolsa já parecia excelente, não é mesmo?
Num país emergente com tantos desafios como o nosso, é muito difícil ganhar dinheiro consistentemente sem contar com a renda fixa. Sendo assim, nesse relatório trazemos uma das nossas recomendações dentro da Renda Fixa Dinâmica, o Western Asset IMA-B 5.
O estreante na categoria: Western Asset IMA B-5
Por dentro da gestora
A Western Asset – ou simplesmente Western – é uma gestora de recursos global. A casa nasceu em 1971 com um viés para operar renda fixa. No entanto, com o passar do tempo, cresceu e expandiu as suas operações tanto do ponto de vista de presença ao redor do mundo como de novas estratégias para os seus clientes. Desde julho de 2020, faz parte da Franklin Resources.
Com nove escritórios espalhados pelos principais centros financeiros do mundo – Pasadena (matriz), Nova Iorque, Londres, Zurique, Hong Kong, Singapura, Tóquio, Melbourne e São Paulo –, possui mais de US$ 400 bilhões sob gestão.
Nosso foco será a divisão brasileira da Western. Afinal, quem faz a gestão dos produtos no país é o time local. Contudo, vale ressaltar que existe uma troca relevante de informações entre as regionais.
Com equipes atuando localmente, a gestora consegue ter uma visão macroeconômica mais aprofundada de cada realidade, diversidade de opiniões e respostas mais rápidas a eventos ao redor do planeta. Nesse sentido, esse modelo de profunda integração e forte presença mundial são extremamente positivos, porque permitem o intercâmbio de ideias e soluções entre as diferentes regiões.
No Brasil, onde está há 18 anos, a Western reúne US$ 8,8 bilhões sob gestão – o equivalente a mais ou menos R$ 46 bilhões. Os recursos estão divididos entre cinco estratégias: renda fixa (61,5%), balanceado (20%), renda variável (9%), multimercados (9%) e moedas (0,5%). Cada uma delas abrange uma variedade de produtos, tanto focados no mercado local como no exterior.
Dos 62 profissionais alocados no escritório brasileiro, 20 dedicam-se exclusivamente à gestão. O time todo da casa é bem sênior, com boa parte tendo iniciado no mercado ainda na década de 1990. Para se ter uma ideia, vários deles trabalham juntos desde o Citigroup Asset Management, que deu origem à Western Asset Brasil, quando, em 2005, o braço global de gestão de recursos do Citi foi vendido para a Legg Mason (a antiga controladora da Western).
É o caso do executivo à frente da operação local, Marc Forster, e do head de investimentos, Paulo Clini, que começou sua carreira em 1992 no Bank Boston e ficou cerca de seis anos no Citi antes de virar a Western.
Nossa recomendação faz parte do universo da renda fixa – mais especificamente da estratégia de risco de mercado. Por isso, é importante conhecer o time responsável. Destaque para Sergio Evangelista, que começou no mercado em 1985 no Citi, onde ficou até a Western assumir as operações locais.
Sergio é um dos gestores de renda fixa da casa e o encarregado pela parte de risco de mercado – ou, para simplificar, a parcela focada nos juros locais. Ao lado do gestor, trabalham Leonardo Curi, trader de renda fixa, e o economista da Western, Adauto Lima. Os três estão na Western desde o início.
O processo de investimento
Se fôssemos descrever em uma palavra a forma de investir do nosso recomendado de hoje, sem dúvida, ficaríamos com processo. Em nossa conversa com o time da Western, conseguimos perceber que, pelo menos, a estratégia de renda fixa que opera risco de mercado segue uma metodologia muito bem desenhada.
Tudo começa pelos fóruns de tomada de decisão ou, como são chamados, comitês de renda fixa. Nele, o head de investimentos, gestores, traders e analistas discutem o cenário político-econômico e as condições de mercado para compreender melhor os impactos das diferentes variáveis para os preços dos ativos.
Durante os comitês, por exemplo, são avaliados os modelos de risco em relação ao grau de convicção da equipe para as posições e comparados os prêmios com os riscos presentes no mercado, assim como a sensibilidade dos ativos a alterações na curva de juros. E, é claro, são discutidas as perspectivas para as políticas monetária e fiscal do país.
A partir daí, chega-se a uma visão macro do que deve ser feito. Os representantes saem das discussões com a definição das classes e subclasses de ativos que compõem as preferências da equipe do ponto de vista risco versus retorno, de como será a utilização total e por investimento do orçamento de risco e a implementação – tanto em termos de instrumento (prefixados, indexados à inflação ou o próprio CDI) como dos vencimentos – da visão macro. Eles também saem dos comitês com uma ideia dos pontos de entrada e saída de cada operação.
Como se trata de diretrizes abrangentes, o passo seguinte é descer para o nível de cada produto. Nesse segundo momento, a equipe precisa unir tudo aquilo que foi decidido em comitê com os limites de risco do produto e as especificidades do mandato. Em outras palavras, precisa ser feita uma tradução das discussões para a realidade de cada fundo levando em conta – só para citar alguns exemplos – o objetivo do produto, o benchmark e o perfil de liquidez.
Para não ficarmos apenas no campo das ideias, vamos ver como a gestora faz na prática com o nosso recomendado de hoje, o fundo de renda fixa Western IMA-B 5 Ativo.
De maneira simples, o que acontece é que, na hora de montar a alocação do fundo, a gestora usa como base a própria composição do IMA-B 5 – o índice formado por títulos públicos indexados à inflação com vencimento de até cinco anos. Nas palavras da casa, o índice funciona como o “chassi” do fundo.
Podemos dizer que a gestão ativa fica para um segundo momento. Somente a partir da composição do índice e com as ideias provenientes das discussões no comitê é que o gestor toma as decisões de alocação.
Na prática, o gestor traduz a visão do time de renda fixa para dentro da composição do IMA-B 5, ou seja, faz “alterações” na carteira do índice. É comum, por exemplo, dar mais peso para alguns vencimentos em detrimento de outros ou até mesmo trocar uma exposição a indexados à inflação por títulos prefixados.
Dessa forma, o fundo consegue refletir as convicções da casa e, ao mesmo tempo, não se distanciar da base da alocação, que é o IMA-B 5. Como estamos falando de um produto que busca superar o índice e tem um objetivo de retorno entre 1 e 2 pontos percentuais ao ano acima do seu benchmark, faz todo sentido pensar a alocação assim.
Os números
Agora que você já conhece a Western e o processo de investimento da casa, chegou o momento de nos aprofundarmos na análise quantitativa da nossa recomendação.
O primeiro ponto que nos chamou a atenção foi a consistência do produto quando comparado com o IMA-B 5. Em nossos estudos, notamos que o Western Asset IMA-B 5 Ativo supera na maior parte do tempo – e em janelas de 24 meses e 36 meses – um índice que é extremamente difícil de bater no longo prazo.
Para se ter uma ideia, são poucos os multimercados da indústria que conseguem superar de forma consistente esse benchmark. Vale dizer que, em geral, esse não é um mandato da classe, mas mostra como a recomendação de hoje é uma adição e tanto para a nossa seleção de fundos.
Nas janelas móveis de dois anos, quando comparado ao índice, o fundo da Western apresentou uma consistência de 64%. Agora, se avaliados períodos de três anos, podemos ver um número até maior, próximo de 79%. O resultado pode parecer confuso, mas vamos com calma, que você vai entender.
De maneira simples, os percentuais indicam que, durante toda a história do fundo, na maior parte do tempo um investidor ou uma investidora teria superado o IMA-B 5 se mantivesse a aplicação por dois ou três anos. Uma pessoa que tivesse entrado no fundo em qualquer momento e ficado por três anos teria ganhado do índice em 79% das vezes. Já se tivesse esperado dois anos, as chances iriam para 64%.
Sem dúvidas, a consistência é uma métrica importantíssima para avaliar um fundo. Agora, mais do que saber se o produto ficou acima ou abaixo do seu benchmark, é necessário quantificar esses valores. Isso é feito por meio do cálculo do excesso de retorno sobre o índice gerado pelo fundo, também conhecido no mercado como alfa, nessas mesmas janelas.
No gráfico abaixo, apresentamos a distribuição do alfa – ou excesso de retorno – nas janelas de dois e três anos em cima do IMA-B 5. Como estamos tratando de períodos diferentes, anualizamos os retornos para que os gráficos ficassem na mesma base e conseguíssemos fazer a comparação.
Fonte: Quantum. Elaborado por Spiti
Fonte: Quantum. Elaborado por Spiti
Note que o gestor entrega um alfa entre 0 e 1% na maior parte das vezes: 41,2% em janelas de três anos e 49,2% em dois anos. O resultado está em linha com o que a gestora se propõe, que é transitar entre 1 e 2 pontos percentuais ao ano acima do seu benchmark.
Vale ressaltar que pode parecer um excesso de retorno pequeno, especialmente quando estamos falando de um fundo com gestão ativa. Porém, como se trata de um índice difícil de bater no longo prazo, qualquer ganho acima dele é bastante positivo.
Desde o seu início, em agosto de 2013 – portanto, praticamente dez anos de histórico –, o fundo acumula um retorno de 160,61%. No mesmo período, o IMA-B 5 apresentou ganho de 159,51%, e o CDI variou 114,55%. Abaixo, você confere o gráfico do retorno acumulado do Western na comparação com os dois benchmarks.
Fonte: Quantum. Elaborado por Spiti
A volatilidade do fundo gira em torno de 4% a 5%, que é um pouco acima do indicador do IMA-B 5. Enquanto o Western Asset IMA-B 5 Ativo apresentou uma volatilidade anual de 4,85% desde o início, o índice ficou em 3,10%. É bom lembrar que o fundo parte do índice para montar as suas posições e, para conseguir ganhos maiores, é necessário correr mais risco.
Todos os detalhes da recomendação
O Western IMA-B 5 Ativo é uma ótima opção para você que quer aumentar a exposição da sua carteira, de forma ativa, ao índice IMA-B 5. O fundo já tem um histórico considerável e, ao longo do tempo, a gestão mostrou que consegue entregar retornos consistentes contra o seu benchmark e ainda superá-lo com alguma folga, tanto em janelas de dois como de três anos.
O fundo tem taxa de administração de 0,4% e não cobra performance. E, por se tratar de uma estratégia que investe somente em títulos públicos e, portanto, conta com uma maior liquidez dos mercados, o período de resgate é de um dia útil sendo D0 para cotização e D+1 para liquidação.
Para mais detalhes do fundo, acesse a tabela de recomendação do Spiti One aqui.
Um grande abraço,
Felipe Arrais, Alessandra Bellotto, Rodrigo Xavier e Vinícius Kenjiro