A JGP e sua frente de crédito
A frente de crédito da JGP é tocada por Alexandre Muller desde 2014, uma das pessoas que mais conhece o segmento no mercado brasileiro e, sem dúvida, o mais engajado em seu desenvolvimento.
Dentre suas criações está o Idex-CDI, um índice lançado pela JGP em 2019 para dar mais transparência ao segmento de crédito. Ele replica a valorização de uma cesta de debêntures indexadas ao CDI negociadas no mercado secundário brasileiro.
O JGP Corporate, que segue recomendado na série de fundos, foi o primeiro produto da casa, lançado em dezembro de 2014, quando Alexandre chegou à gestora, depois de uma longa carreira no segmento de dívida corporativa.
Economista, Alexandre trabalhou no UBS Pactual, foi sócio do BTG, onde liderou o time de análise de crédito focado em empresas da América Latina, e também fez parte da equipe de gestão de ativos de crédito da Icatu Hartford Asset – lá, participou do desenvolvimento de alguns dos primeiros fundos especializados em crédito do Brasil.
Um dos diferenciais da gestão da JGP na frente de crédito é um cuidado crescente com questões ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) na seleção de ativos.
Em julho de 2019, depois de dois anos de estudos, a casa integrou critérios ESG ao processo de análise, como a gestão de resíduos, a diversidade, a qualidade e a independência do conselho de administração das empresas emissoras de dívidas com potencial de entrar no fundo.
Outra marca é o acompanhamento do que o jargão chama de "técnico do mercado". A JGP faz um monitoramento profundo dos concorrentes, conseguindo assim antecipar problemas com outros fundos que acabam afetando fluxos e os preços de toda a indústria.
Um aprendizado relevante de 2020, quando houve o que Alexandre chama de uma crise de passivo no mercado de fundos de crédito, foi a importância de mapear os fundos com carência curta. Os produtos nomeados pelo gestor de "cash enhanced", que trazem um retorno levemente acima do CDI e têm resgate rápido, tiveram que vender títulos não tão líquidos assim às pressas na crise, derrubando os preços de todo o mercado.
Alexandre compartilhou com nossa equipe a base de dados proprietária da casa e seu sistema de monitoramento do mercado, desenvolvido a partir de 2018. Realmente, bonito de se ver.
JGP Select: um fundo com até 40% no exterior
A JGP tem uma família de fundos de crédito, em que a principal diferença entre os produtos em termos de estratégia é o investimento no exterior. Depois de analisar a fundo do ponto de vista quantitativo e qualitativo toda a família, decidimos incluir o Select na nossa seleção.
O Select foi o segundo fundo de crédito criado por Muller na JGP, em abril de 2015. A principal diferença em relação ao primeiro é a alocação no exterior. Enquanto o Corporate é vedado a comprar investimentos estrangeiros, o Select tem como alvo investir até 40% em bonds, como o mercado chama os títulos de dívida emitidos no exterior.
Em bom português, além de emprestar dinheiro para empresas brasileiras, você vai emprestar também para outras companhias latinas por meio dos ativos selecionados para o fundo. E, portanto, com maior diversificação de risco.
A equipe de gestão faz cobertura de emissores de bonds de toda a América Latina, inclusive de títulos de dívida emitidos por empresas brasileiras lá fora, com frequência com prêmios mais interessantes do que quando captam recursos internamente.
Alexandre destaca duas vantagens e um ponto de atenção para quem deseja investir na estratégia.
A primeira vantagem é o retorno potencialmente maior dos títulos brasileiros emitidos no exterior, quando convertido para reais.
A segunda vantagem é a liquidez do mercado global, em que há muito mais compradores e vendedores, facilitando a gestão ativa de que a equipe da JGP tanto gosta: ou seja, de estar sempre comprando oportunidades e se livrando do que não está mais tão atraente.
O ponto de atenção é a volatilidade. Enquanto os fundos de crédito no Brasil são historicamente muito bem comportados, lá fora a volatilidade é maior.
Para você ter uma ideia, até dezembro de 2019, para excluir o período totalmente atípico de 2020, a volatilidade histórica do Corporate era de 0,4%. A do Select, mais do que o dobro: 1,1% (ainda assim, muito menor do que um multimercado tradicional, que fica próximo de 7%).
Pesa para a volatilidade o fato de títulos emitidos no exterior com frequência serem prefixados, enquanto aqui no Brasil a maioria é pós-fixada, indexada ao CDI. Isso traz risco de mercado pro fundo. Se houver uma mudança relevante de política monetária, por exemplo, mesmo que as empresas da carteira sigam honrando suas dívidas, o retorno pode balançar.
Alexandre controla um pouco do balanço evitando títulos com vencimentos distantes demais, que têm mais volatilidade. O objetivo do gestor não é ganhar dinheiro com movimentos como o de ajuste para baixo nos juros de referência, que poderiam trazer ganhos para esse tipo de título. Ainda que isso possa acontecer eventualmente, assim como prejuízos por alta na expectativa dos juros, ele está mais focado em operar oportunidades do ponto de vista de crédito.
A equipe também busca anular a exposição às moedas estrangeiras. Esse foi um desafio importante para fundos brasileiros que investiam em bonds no passado. O longo histórico do Select, entretanto, nos traz tranquilidade sobre a capacidade da casa para o hedge do fundo, evitando excesso de volatilidade.
Para fazer um hedge bem feito, Alexandre conta que aproveitou a expertise da mesa de moedas da frente macro da JGP.
A troca com outros segmentos da gestora é, inclusive, um trunfo para o fundo. André Jakurski, um veterano dos multimercados e gestor do nosso também recomendado multimercado Strategy, faz parte do comitê de crédito, ao lado de Alexandre. Só títulos aprovados por unanimidade pelo comitê, em que os dois têm presença obrigatória, entram no fundo.
A fatia brasileira do Select é parecida com a do Corporate. A diferença é alguma alocação em ativos de empresas de capital fechado, com potencial de trazer um pouco mais de prêmio.
Além disso, a alocação máxima por ativo é mais flexível: títulos de baixo risco de crédito podem chegar a 20% do patrimônio do JGP Select, enquanto a concentração máxima no Corporate é de 10%. Para risco de crédito intermediário, o limite é de 8% no Select, enquanto no primeiro fundo da casa não passa de 4%.
O Corporate tem taxa de administração de 0,75% ao ano e o Select, de 1% ao ano, justificado pela estratégia mais sofisticada. Os dois cobram 20% de performance sobre o que exceder 104% do CDI, alinhando o gestor com nosso objetivo de retornos acima da média.
Além disso, apesar de alocar mais de 20% do patrimônio no exterior, o Select não é restrito a qualificados dada a estrutura usada para investir fora. O fundo está acessível a quem investe qualquer volume de patrimônio.
Importante destacar o prazo de resgate. Como você bem sabe, gostamos de carência longa em fundo de crédito para dar tempo ao gestor de liquidar posições em caso de estresse sem machucar os preços.
O produto da JGP tem uma carência dependente do momento do pedido de resgate. Se você fizer a solicitação até o dia 15 do mês, a cotização acontece no último dia útil do mês seguinte. Agora, se fizer depois do dia 15, no último dia do segundo mês seguinte. Ao longo desse período, o dinheiro segue rendendo. Depois ele leva mais um dia para cair na sua conta.
Abraços,
Felipe Arrais, Alessandra Bellotto, Rodrigo Xavier e Vinícius Kenjiro