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Renda fixa pós: Solis Capital Antares, mais um FoF de FIDCs

Escrito por Alessandra Bellotto, Felipe Arrais, Rodrigo Xavier, Vinicius Kenjiro em RENDA FIXA

17 min de leitura

Buscar produtos que ofereçam um diferencial de rentabilidade é um dos nossos objetivos como analistas de investimentos. Se conseguirmos achar opções que, ao mesmo tempo, contribuam para reduzir a volatilidade do nosso portfólio e melhorar a relação entre risco e retorno, meta cumprida!

Afinal, uma boa carteira de investimentos é aquela que conta com ativos cujo retorno mais do que compensa o risco corrido no médio e longo prazos. É óbvio que o estômago de cada investidor ou investidora para suportar o sobe e desce no dia a dia dos mercados é diferente. Mas, no fim das contas, todo mundo – até quem tem sangue-frio – quer ser recompensado.

A nossa recomendação de hoje tem justamente o potencial de agregar prêmios consistentemente acima da média de mercado e com volatilidade baixa. Trata-se de um novo fundo dedicado exclusivamente a investir em cotas de diferentes FIDCs: o Solis Capital Antares, que chega para fazer companhia ao Valora Guardian.

Só para relembrar, FIDC é a sigla para fundo de investimento em direitos creditórios. O instrumento foi regulamentado no fim de 2001 como um veículo de captação de recursos para empresas e instituições financeiras de menor porte diretamente com o investidor – ou seja, num modelo de desintermediação financeira, alternativo ao mercado tradicional de empréstimos bancários. O desenvolvimento do mercado começou mesmo a partir do fim de 2003.

Tanto o fundo da Solis quanto o da Valora são restritos a investidores qualificados, com mais de R$ 1 milhão em investimentos financeiros, por exigência do regulador, uma vez que ambos têm foco em crédito estruturado. Fundos destinados ao público em geral têm limite de exposição a FIDCs de 20%.

Apesar de estarmos falando de crédito estruturado, considerado mais arriscado, o investimento via fundo de fundos, que dá acesso a uma carteira diversificada, e a própria estrutura dos FIDCs, que combina uma série de proteções, atuam como mitigadores.

Se quiser saber mais sobre o funcionamento do FIDC, também conhecido como fundo de recebíveis, não deixe de ler o relatório de recomendação do Valora Guardian.

Além disso, a Solis, assim como a Valora, é uma gestora especializada nesse tipo de crédito, tocada por um time com mais de 15 anos de atuação no segmento e que contribuiu para o desenvolvimento da indústria, como contamos a seguir.

A origem da gestora

A Solis Investimentos foi fundada em 2015 por profissionais que já atuavam juntos com fundos de crédito estruturado no Grupo Petra, que ganhou o primeiro mandato para administração de um FIDC em 2005.

Voltado para atender à demanda de empresas de factoring, que viram no instrumento uma oportunidade de economizar impostos, o fundo tinha como foco comprar recebíveis originados de operações de desconto de duplicatas de múltiplos cedentes e múltiplos devedores, conhecidos como “multicedentes/multissacados”.

Além de fazer a administração dos FIDCs, cinco anos depois o grupo viu a necessidade de atuar também como custodiante desse tipo de fundo, uma vez que os grandes bancos que prestavam esse tipo de serviço optaram por deixar esse mercado. Como essa atividade só podia ser feita por instituição financeira com autorização do Banco Central, naquele momento nasceu o Banco Petra.

Por que isso é importante? Porque foi no grupo que a maior parte do time que hoje está na Solis (20 dos 30 profissionais, entre eles os principais sócios) desenvolveu a experiência para atuar com FIDC, tanto na estruturação do produto e originação dos ativos de crédito, com o olhar de quem empresta dinheiro, quanto na análise e monitoramento das operações e dos recebíveis em carteira, atendendo aos interesses de quem investe.

Os FIDCs contam com estruturas complexas e são afetados por fatores que vão além dos riscos de crédito, associado à inadimplência, de liquidez (dificuldade de se desfazer do ativo) e de mercado (flutuações de preços).

Os riscos operacionais, ligados a potenciais falhas de controles internos que podem afetar, por exemplo, os níveis de proteção das carteiras e até deixar passar fraudes, além dos jurídicos, que envolvem a validação da cessão de carteiras e garantias, são até mais importantes para o sucesso da aplicação.

Foi no Petra que nasceu o fundo com foco em FIDCs que estamos recomendando hoje, o Antares – um dos primeiros do mercado, com histórico desde 2012. A ideia surgiu após o grupo ganhar o mandato exclusivo da Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa, para montar um fundo de R$ 100 milhões para comprar cotas de FIDCs. Com o sucesso da iniciativa, a casa decidiu criar um produto similar para atender à demanda de seus clientes.

Em 2015, o grupo decidiu focar a atuação na prestação de serviços fiduciários por meio do banco, que passou a se chamar Finaxis. Foi aí que o time de administração e gestão de fundos de crédito estruturado saiu para montar a Solis.

Entre os sócios da Solis que passaram pelo Grupo Petra, estão Delano Macêdo, responsável na gestora pela área de análise de crédito, originação e estruturação, e Rafael Burquim, que lidera a equipe de risco de mercado com foco na gestão de crédito líquido.

Delano, que era sócio de uma das maiores factorings do Nordeste, chegou ao Petra para liderar a diretoria de crédito do banco quando este foi criado, contribuindo para o desenvolvimento da metodologia de análise e monitoramento adotada na Solis e que apresentaremos mais adiante.

Outro sócio relevante da Solis, Ricardo Binelli, responsável pela gestão de crédito estruturado, fundou o Grupo Petra no início dos anos 2000, participando do desenvolvimento da indústria de FIDCs. À gestora, entretanto, ele só se juntou em 2019, após o fim do período de “não competição”.

Solis hoje

Com quase R$ 11 bilhões em ativos sob gestão, 30 profissionais e dois escritórios (um em São Paulo e outro em Fortaleza), um dos grandes diferenciais competitivos da gestora, além da vasta experiência da equipe, é sem dúvida o seu modelo proprietário de “business intelligence” (conhecido também como BI) para análise e monitoramento em tempo real dos ativos que compõem as carteiras – você confere na próxima seção.

Isso é importante porque, como já falamos, o fato de a aplicação apresentar volatilidade relativamente mais baixa do que fundos de crédito tradicional não significa que ela tem menos risco. Pelo contrário, no FIDC, o ativo em si pode ser até mais arriscado, por ter origem em transações comerciais e de empréstimos de companhias e instituições financeiras de menor porte a empresas pequenas, microempreendedores e pessoas físicas.

Além disso, como esse ativo tem ainda menos espaço para negociação no mercado secundário que uma debênture, por exemplo, ele acaba tendo seu preço “marcado na curva”, ou seja, sua atualização leva em conta as condições acordadas no momento da compra – o que acontece no meio do caminho dificilmente é incorporado nos preços.

É isso que faz com que a cota de um FIDC não apresente grandes variações no dia a dia e passe a sensação de aparente tranquilidade. E é por isso que a análise e monitoramento em tempo real do ativo é tão importante para controlar os riscos de inadimplência, além das fraudes, é claro!

Outra vantagem da Solis é que ela participa da estruturação dos fundos de recebíveis, aumentando as chances de originar ativos de qualidade, alinhados aos interesses de quem investe e com alto grau de proteção e governança.

Mais um ponto que nos deixa bastante confortáveis em recomendar a Solis é que seus fundos também passaram no crivo de grandes investidores institucionais, como assets, fundações e gestores de fortunas.

No segmento de crédito estruturado, a Solis atua basicamente em duas frentes: uma de fundos com foco em FIDCs e outra de FIDCs dedicados, como os produtos em parcerias com as fintechs.

Vale mencionar ainda que, conforme o mercado evoluiu, a Solis passou a diversificar as fontes de ativos. Até 2018, segundo explicou Binelli em uma das várias conversas que tivemos com a casa antes de partir para a recomendação de fato, a gestora acabava concentrando os investimentos nos FIDCs “multicedentes/multissacados”.

Isso não só porque o mercado era restrito em opções, mas porque esse, na visão de Binelli, era o único segmento que oferecia retornos considerados atrativos – ou eram esses, ou eram os fundos de grandes empresas, que não tinham prêmio.

Ele lembra que em 2018, ano que marcou a entrada do fundo de FIDCs da Solis nas plataformas, a gestora chegou a ter de fechá-lo para captação porque havia mais dinheiro do que ativos para comprar.

Isso só começou a mudar com o desenvolvimento do mercado e implementação de uma nova agenda pelo Banco Central para fomentar a desbancarização do crédito e aumentar a oferta, atraindo novos participantes, como as fintechs, e dando mais segurança ao mercado, com a regulamentação da duplicata escritural e a criação das registradoras de recebíveis, por exemplo.

Processo de gestão: de olho em tudo

O histórico da Solis com FIDCs talvez seja o primeiro aspecto que salta aos olhos. Para nós, entretanto, o que deu muita confiança para a recomendação foi a maneira de a gestora investir. Por ser um mercado com tantas especificidades e casos de fraudes, ter um processo muito bem estruturado é essencial para mitigar riscos.

Na Solis, o processo de investimento reúne toda a experiência acumulada pela equipe durante anos – portanto, ela sabe o que olhar e onde podem estar os problemas –, utiliza muita tecnologia, o que facilita e torna muito mais eficiente o trabalho no dia a dia, e, acima de tudo, conta com um monitoramento constante da carteira.

A seguir, explicamos cada uma das etapas.

Originação

Todo o processo se inicia com a seleção das operações que vão entrar na carteira do fundo e a originação, como é chamada, é um dos pontos-chave para a Solis. É nessa etapa que o gestor define de cara o risco que ele quer correr, o retorno esperado e, mais do que essas duas variáveis, o case de investimento.

Pra escolher bem é preciso ter várias opções disponíveis. Portanto, é extremamente importante começar com um “funil grande de operações”. Nesse quesito, a Solis tem um diferencial. Os vários anos de mercado e o tamanho da gestora dão acesso a uma enorme quantidade de FIDCs e poder para decidir o que entra na carteira.

E aqui entra mais um dos diferenciais da gestora. Além de conseguir ficar com as melhores operações, a Solis é muito ativa durante esse processo, influenciando nas estruturas e no regulamento de modo que as operações já saiam de acordo com os seus interesses.

A ideia é escolher bem desde o início para evitar problemas no futuro. Assim, não basta só ter uma boa classificação de risco ou uma alta remuneração, entra em jogo a estrutura que sustenta o FIDC, o setor de atuação ou mesmo o tipo de lastro do fundo.

Cada FIDC é único, não existe um igual ao outro, por isso essa parte do processo é tão importante. A Solis se preocupa tanto que um dos pontos de análise na hora de decidir pelo investimento é se o fundo tem demanda para ser negociado no mercado secundário se houver necessidade de fazer uma venda – mesmo sendo o objetivo carregar as operações.

“A gente não vende os FIDCs, temos nossas ferramentas de liquidez [para pagar resgates, se necessário], mas é bom ter na nossa carteira o que todo mundo quer”, reforçou Binelli.

Conhecendo o emissor

Outra etapa importante é conhecer profundamente quem é o responsável pelo FIDC, ou seja, quem está buscando essa estrutura para levantar dinheiro. Para isso, a gestora recorre a questionários e pesquisas, a fim de levantar todos os detalhes de quem, no final das contas, origina os créditos do fundo.

O primeiro aspecto a ser analisado é o pessoal. Ao longo dos anos, os problemas de fraudes da indústria tornaram essa variável relevante. Assim, saber os potenciais riscos de imagem e se existe algum relacionamento entre emissor, cedente (quem tem o direito creditório) e sacado (o devedor) é importante.

Um ponto interessante nessa etapa é o uso da tecnologia e a utilização de programas dedicados que fazem o trabalho de varrer a internet e os múltiplos bancos de dados. Além de dar uma nota para quem está sendo analisado, há uma verificação da existência de processos contra a pessoa nos mais diferentes órgãos (Justiça, Ibama, Polícia Federal, Serasa, entre outros).

A Solis analisa ainda várias outras questões sobre o emissor, como a capacidade de originação de ativos, o processo de concessão de crédito e as ferramentas de mitigação de risco de fraude, o público-alvo, se o planejamento estratégico faz sentido, qual a finalidade da emissão das cotas e o uso do dinheiro.

Outro fator relevante nessa etapa é verificar a solidez financeira do emissor. Em um momento ruim da economia com inadimplência crescendo, por exemplo, talvez seja necessário que o emissor coloque mais dinheiro para segurar os níveis de proteção previstos no regulamento, aumentando a fatia do patrimônio em cotas subordinadas, as primeiras a absorverem perdas em casa de inadimplência.

Regulamento

Com a operação escolhida e o emissor aprovado, a casa entra na terceira etapa do processo: a análise do regulamento do FIDC. Nessa fase, a Solis avalia o risco da estrutura, se existem conflitos de interesse entre os participantes do fundo (gestor, emissor, consultor, entre outros) e, por último, se o fundo é capaz de honrar o que está sendo prometido no regulamento em relação à remuneração.

Como Binelli comentou, os vários problemas com FIDCs no passado poderiam ter sido evitados caso o regulamento fosse analisado com atenção pelas gestoras. É lá que estão as regras do jogo. Por conta disso, a Solis faz uma análise minuciosa e exige que várias cláusulas consideradas importantes estejam no regulamento.

A gestora impõe, por exemplo, uma estrutura de capital mínima para proteger os investidores da cota sênior – portanto, um nível de subordinação adequada – e limites de concentração por cedente e sacado. Além disso, em todas as operações, a Solis exige a participação de todos os tipos de cotistas nas assembleias, para evitar que o poder de decisão fique somente com os detentores das cotas subordinadas, como é comum.

Uma cláusula que precisa estar nos regulamentos dos FIDCs investidos é a exigência de o emissor das cotas ou quem escolhe o crédito ser detentor das cotas subordinadas, sem que possa vendê-las. Na visão da gestora, a obrigatoriedade é necessária porque alinha os interesses do emissor do fundo aos dos cotistas.

Casos de venda da subordinada, inclusive, são considerados eventos de avaliação. “Foram poucos FIDCs que deram problema. Mas, entre eles, a grande maioria teve venda de cota subordinada”, reforçou o gestor.

Um dos grandes diferenciais da Solis nessa etapa é que a gestora faz as exigências e propõe mudanças específicas do regulamento para que ele fique de acordo com as suas diretrizes. Portanto, estamos falando de ajustes finos, o que aproxima muito o gestor do emissor das cotas. Qualquer alteração é discutida e tem de ser aprovada pelas duas partes.

Tivemos a oportunidade de ver de perto como isso acontece na prática e, realmente, são várias mudanças e críticas feitas pela equipe da Solis no regulamento. A casa é extremamente detalhista nesse quesito.

Screening anti-fraude

O screening anti-fraude, definido pela Solis como ferramental usado para proteger o cotista daquilo que nem o regulamento, nem a estrutura conseguem fazer – a fraude – é, na verdade, é um processo contínuo. Ele é feito antes do investimento e a cada trimestre. Como já são vários anos de experiência, a equipe da Solis sabe que os FIDCs podem esconder algumas surpresas e que adimplência do crédito não é garantia de lastro de qualidade.

Para isso acontecer, a gestora exige dos FIDCs investidos a abertura de suas carteiras, duplicata a duplicata, pelo menos com uma periodicidade mensal. Isso vale especialmente para os “multicedente/multissacado”. A surpresa talvez seja que a maioria dos fundos envia diariamente essas carteiras pelo longo histórico de relacionamento com o time de gestão.

E o uso de tecnologia nesse processo é intensivo. Afinal, monitorar uma carteira com milhares ou até milhões de créditos (mesmo sendo feito por amostragem) não é tarefa fácil para uma pessoa. O responsável por fazer todo acompanhamento é o BI da Solis que recebe todos os dados e acusa possíveis problemas.

Durante esse processo, a busca é por operações chamadas lá dentro de "heterodoxas". Duplicatas frias são um exemplo, mas muitas vezes não estamos falando de uma fraude propriamente dita. Existem muitos casos em que operações heterodoxas são duplicatas que, por alguma razão, embutem um risco diferente daquele imaginado – caso das comissárias, quando o fundo acha que está correndo risco do sacado, mas na verdade está correndo o risco de quem cedeu o crédito.

Em geral, os créditos “problemáticos” possuem características específicas, e a gestora consegue identificá-los com alguma facilidade por todos os anos de experiência nesse universo. Alguns indicativos são valores "redondinhos" que parecem terem sido forjados, sacados que não pagam boletos, uma numeração de recebível diferente, recompras persistentes e pagamentos feitos em praças totalmente distintas daquela onde o sacado reside ou tem escritório.

Ao identificar operações desse tipo, a Solis entra em contato com o responsável pelo FIDC para entender melhor a situação. Os indícios, como o próprio nome deixa claro, são somente indicativos e nem sempre significam operações com problemas. No entanto, é sempre um alerta e a gestora sabe que precisa de atenção nessa área.

Um ponto interessante levantado pelo gestor é que recebíveis com algum tipo de problema são comuns e sempre vão existir. Por isso o ponto aqui talvez não é zerá-los, mas procurar reduzi-los até um nível que não se tornem uma grande ameaça para o fundo.

Monitoramento

Por fim, a Solis faz o monitoramento da carteira dos FIDCs. Essa etapa do processo de investimento é feita continuamente – podendo até ser diária para aqueles que entregam a carteira todos os dias ou mensalmente para os que abrem carteira uma vez por mês – e tem o objetivo de acompanhar indicadores de crédito. E, assim como o screening anti-fraude, o monitoramento é feito pelo BI da gestora.

Um dos acompanhamentos é quase uma duplicidade do trabalho feito pelo administrador do fundo, que é a aderência da carteira ao regulamento. Nessa parte, a gestora verifica, por exemplo, os limites de concentração por cedente e, a qualquer sinal de quebra, o sistema já sinaliza a equipe.

O segundo monitoramento são análises dos indicadores em relação à média histórica. Se, por exemplo, a média histórica de créditos vencidos é de 4% e, por alguma razão, o índice atinge 7%, o sistema dá um alerta, e a gestora entra em contato com o responsável pelo FIDC para entender melhor as razões.

Uma última análise é a própria base de dados da Solis e o cruzamento das carteiras dos FIDCs dentro do BI. Com esse processo, a gestora consegue saber exatamente quais carteiras estão expostas a uma empresa específica ou até mesmo a exposição geográfica do Antares.

O cruzamento de dados talvez seja a análise mais interessante e é um diferencial e tanto da Solis. A casa consegue, por exemplo, antecipar possíveis problemas nas carteiras dos FIDCs. Se por acaso um sacado deixa de pagar a sua duplicata, a Solis consegue verificar imediatamente quais carteiras têm exposição àquela empresa e qual o tamanho do problema.

Um histórico de dez anos bem-sucedido

O fundo de FIDCs que recomendamos hoje, o Solis Capital Antares, teve início em 2012, ainda sob a gestão do Petra. Desde então, até o mês de julho, nunca teve um mês com resultado negativo. Além disso, só ficou abaixo do CDI em dois dos 124 meses de existência.

Trata-se de um histórico longo, que atesta a qualidade da gestão, especialmente considerando o perfil mais arriscado do crédito que compõe a estratégia. Estamos falando de ativos com lastro em duplicatas, empréstimos para empresas de menor porte, microempreendedores e pessoas físicas, que geralmente estão fora do mercado tradicional de crédito.

Entretanto, como já contamos aqui, a Solis influencia a originação e estruturação dos fundos que vão entrar no Antares, definindo os níveis de proteção em cotas subordinadas, o spread excedente, os limites de concentração, os pré-requisitos para um ativo fazer parte da carteira, a governança... Ou seja, ela molda o produto de acordo com o que considera justo e interessante para o investimento.

O fundo de fundos, por exemplo, só investe em cotas do tipo sênior e mezanino, que têm prioridade no pagamento da remuneração, e exige um nível médio de cotas subordinadas, as primeiras a absorverem perdas em casa de inadimplência, entre 35% e 40% em relação ao patrimônio.

A carteira chega a reunir mais de 70 FIDCs. O tíquete médio dos recebíveis costuma ser muito baixo, na casa dos R$ 5 mil, o que diminui o risco de não pagamento da dívida.

Até pela expertise dos profissionais da casa no segmento e pelo retorno relativamente mais atrativo, o Antares ainda é muito concentrado em fundos de recebíveis “multicedentes/multissacados”, os FIDCs de empresas de factoring. No fim de outubro, eles representavam metade (51%) do patrimônio.

Apesar do risco relativamente maior desse tipo de ativo, esses FIDCs já têm uma diversificação natural, por contar com recebíveis de vários cedentes e devedores, e exposição a diferentes segmentos da economia. Além disso, o prazo dos títulos tende a ser mais curto, de 60 dias, em média, o que permite ajustes rápidos no perfil da carteira, buscando, por exemplo, setores mais defensivos em momentos de crise e ativos com prêmios maiores.

Na pandemia, o fundo não deixou de sofrer resgates, mas fez todos os pagamentos sem dificuldade. Além disso, não teve problema com os ativos em carteira. Segundo contou Binelli, o gestor negociou com as empresas de factoring a amortização antecipada dos recebíveis, conseguindo levantar R$ 150 milhões.

“Em 60 dias, construímos um colchão de liquidez para passarmos pela crise”, disse. Com os recursos da amortização, o caixa do fundo subiu a 40%, o que foi mais do que suficiente para honrar os saques. Mas isso só foi possível pela proximidade que a gestora tem dos cedentes e emissores dos fundos.

Vale ressaltar ainda que, por conta do prazo de resgate de 60 dias, o fundo direciona parcela do patrimônio para FIDCs abertos, assim como mantém sempre uma posição de caixa de forma que, somada ao fluxo de amortização dos fundos fechados, garanta uma boa liquidez para eventuais resgates. A política do Antares é sempre manter um caixa de pelo menos 25% do fundo.

A Solis tem ainda buscado diversificar o lastro dos ativos, até com menos risco. A carteira do Antares hoje tem exposição a segmentos como crédito consignado dos setores público e privado, recebíveis de cartão, crédito corporativo e fintechs.

A gestão tem se provado efetiva. Historicamente, o Antares entrega retornos anuais acima de 120% do CDI. Nos últimos dois anos, foi até maior: 145,7% do referencial em 2020 e 153,6% em 2021. Neste ano, alcança 120,5%. A rentabilidade-alvo do fundo gira entre CDI+ 3% a 3,5%.

O fundo cobra taxa de administração de 0,8% (0,40% no master e 0,40% no fundo de cotas) e performance de 20% sobre o que exceder 110% do CDI. Além disso, com o objetivo de preservar a liquidez do produto e trazer mais segurança aos cotistas, o prazo de resgate, como mencionamos acima, é de 60 dias corridos.

Confira, a seguir, os indicadores quantitativos do Antares.

Agregador de sharpe na essência, um mergulho nos indicadores

Como já explicamos, o Solis Antares é uma adição e tanto para a sua carteira. Por suas características e os ativos que investe, quase não tem volatilidade e traz um retorno interessante no médio e longo prazos – mostraremos a seguir os números –, sendo, portanto, um agregador de sharpe na essência.

Pra quem não se lembra, o índice de sharpe é uma medida que une risco e o retorno em um só número. Então, essencialmente, ele nos mostra se o retorno do ativo compensa o risco e vice-versa. Saindo um pouco do “financês”, sharpe seria nosso indicador pra acusar aquele famoso “bom e barato”, sabe?

Agora, quando dizemos que o Antares é um agregador de sharpe, queremos mostrar primeiro que ele tem uma ótima relação entre risco e retorno. E segundo, nosso objetivo é mostrar a você que ele pode diminuir a volatilidade da sua carteira ao mesmo tempo que não prejudica o seu retorno.

Mas, afinal, qual é esse número?

O Antares tem um dos maiores resultados entre os nossos recomendados e o seu sharpe em dois anos alcança o valor de 7,66.

Fontes: Quantum Axis e Spiti

Vale reforçar que o índice de sharpe é só uma das medidas na hora de avaliar o quantitativo de um fundo sendo necessário ter outras visões dessa mesma questão. Por isso, no gráfico abaixo separamos a volatilidade do retorno. A maneira correta de interpretar o gráfico é sabendo que, quanto mais para cima, maior o retorno e, quanto mais para direita, maior a volatilidade.

Fontes: Quantum Axis e Spiti

Pelo gráfico, podemos ver como o fundo possui uma volatilidade parecida comparado com os demais próximos a ele, mas apresenta um retorno um pouco mais elevado. Ou seja, um indicativo de que a relação risco versus retorno é positiva.

E, pra mostrar como o fundo roda sem grandes solavancos ou altos e baixos, analisamos ainda o número de dias que o fundo teve cotas negativas. Foram nove ao todo, sendo grande parte delas bem no começo do Antares – portanto, uma fase de maturação da estratégia – e em 2020, ano da pandemia.

Fontes: Quantum Axis e Spiti

Com relação ao retorno do Antares, só temos pontos positivos. O fundo entrega retornos acima do CDI em todas as janelas móveis de 12 e 36 meses, portanto apresenta uma consistência de 100%. E, desde o início do fundo em 2012, o retorno acumulado é de 183,38% até setembro contra 132,93% do índice.

Para mais detalhes sobre o fundo e onde encontrá-lo, acesse a área logada do Spiti One.

Um grande abraço,

Felipe Arrais, Alessandra Bellotto, Rodrigo Xavier e Vinícius Kenjiro

Sobre os analistas

Alessandra Bellotto

É gerente executiva de análise de fundos de investimentos na Spiti. Jornalista com pós-graduação em informações econômicas e mercados de capitais, traz na bagagem a experiência e o relacionamento de mercado de quem passou mais de duas décadas nas redações da Gazeta Mercantil e do Valor Econômico, de onde saiu após 13 anos para se juntar ao time da Spiti. Sempre atuou com foco na cobertura e edição de finanças e investimentos para pessoas físicas, em especial fundos. Foi premiada por duas vezes pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por seu trabalho de educação ao investidor, e uma vez pela BM&FBolvespa, atual B3.

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.

Vinicius Kenjiro

Fund Research Analyst

É especialista de fundos da Spiti. Bacharel em Administração pela USP, com passagem pela Erasmus University Rotterdam, Vinícius atuou na análise financeira e social de um fundo de impacto social, nas áreas de agricultura e inclusão financeira. Fascinado pelo mercado financeiro, traz na bagagem a experiência de ter estado do outro lado da indústria e a vontade de impactar a vida das pessoas por meio da educação financeira e dos investimentos.