ALUPAR (ALUP11): tudo dentro do esperado
Fonte: Alupar
No dia 10 de maio, a Alupar divulgou seu resultado referente ao primeiro trimestre de 2022.
DESTAQUES: (i) receita líquida de R$ 795,6 milhões no 1T23, alta de 11,5% em relação ao 1T22; (ii) Ebitda saiu de R$ 622,2 no 1T22 para R$ 672,4 milhões no 1T23, um crescimento de 8,1%; e (iii) o lucro líquido foi de R$ 144,1 milhões, representando uma queda de 13,6% em relação ao 1T22.
RESULTADO: no segmento de transmissão, a empresa registrou no 1T23 uma receita líquida de R$ 606,7 milhões, 11% superior que a do 1T22. Esse crescimento se deve a entrada em operação da transmissora ESTE e ao reajuste tarifário das RAPs. Na parte de geração, a receita foi de R$ 192,3 milhões, um crescimento de 16,5% em relação ao 1T22. A alta na receita de geração fica na conta do aumento na receita das usinas de Ferreira Gomes, Verde 8 e La Virgen.
EBITDA: a Alupar fechou o primeiro Ebitda de transmissão do ano em R$ 555,4 milhões, um crescimento de 11,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem Ebitda também teve um leve crescimento, saindo de 91,3% no 1T22 para 91,6% no 1T23. O aumento foi impulsionado pelo crescimento da receita da empresa, juntamente com uma quase estagnação nas despesas e custos operacionais.
Por outro lado, o Ebitda de geração apresentou uma leve queda, atingindo o valor total de R$ 129,8 milhões no 1T23, em comparação com R$ 132,1 milhões registrados no 1T22.
LUCRO LÍQUIDO: sofreu uma queda significativa de R$ 166,9 milhões no primeiro trimestre de 2022 para R$ 144,1 milhões no mesmo período de 2023. Esse decréscimo pode ser atribuído, em grande parte, ao resultado financeiro, que apresentou um desempenho ainda pior, passando de -R$ 224,3 milhões no 1T22 para -R$ 283,6 milhões no 1T23.
OPERACIONAL: a empresa está construindo três linhas de transmissão: TNE, ELTE e TCE. O projeto TNE ainda está em fase inicial de projeto, o TCE já está com 71% do projeto em construção e a ELTE está com 66% do projeto concluído.
Quando os três projetos estiverem prontos, a companhia vai contar com mais R$ 560 milhões de receita. Na parte de geração, a companhia também conta com duas usinas em construção: o conjunto eólico Agreste Potiguar (63 MW) e a usina solar Pitombeira (61,7 MW). Se tudo ocorrer conforme o planejado, todas elas entrarão em operação ainda em 2023.
NOSSA VISÃO: a Alupar está desempenhando um excelente trabalho tanto na transmissão quanto na geração de energia. Com a entrada em operação de novas linhas de transmissão e usinas em construção, espera-se que os resultados da empresa continuem a melhorar significativamente.
Além disso, há a possibilidade de ampliação do portfólio de linhas de transmissão, uma vez que está previsto um leilão de transmissão no segundo semestre de 2023 com investimentos estimados em mais de R$ 20 bilhões. No entanto, é importante ressaltar que a rentabilidade desses leilões pode não ser tão favorável, o que demanda uma reavaliação do modelo atual.
Ao final das análises, é possível notar que a Alupar apresenta boas perspectivas, mas é importante avaliar se essas expectativas já não estão precificadas no valor atual das suas ações. Por isso, nossa recomendação é MANTER as ações ALUP11.
Arezzo (ARZZ3): mais do mesmo
Fonte: Arezzo
DESTAQUES: (i) recorde de receita bruta no primeiro trimestre, com R$ 1,286 bilhão (crescimento de 23% em relação ao 1T22); (ii) faturamento da AR&CO cresceu 45,8% vs 1T22; (iii) volume recorde de clientes na base ativa do canal online: 5,5 milhões (+19% vs 1T22); e (iv) aquisição da Vicenza.
RESULTADO: no trimestre, vimos que o resultado da Arezzo seguiu os moldes do ano passado: um bom crescimento na receita e as margens mais comprimidas.
A receita bruta da companhia atingiu a marca de R$ 1,285 bilhão no trimestre, mais um recorde trimestral. Isso dá um crescimento de 23,4% se comparado ao 1T22.
Porém, esse crescimento poderia ter sido melhor, pois o desempenho no mercado externo deixou a desejar. Isso aconteceu porque houve uma retração nas lojas de departamento nos EUA e a empresa está fazendo algumas mudanças estruturais para melhorar a eficiência operacional da operação norte-americana.
Veja o desempenho das marcas no trimestre (vs 1T22):
- Arezzo: R$ 347,95 milhões (+13,44%);
- Schutz: R$ 193,73 milhões (+8,5%);
- Anacapri: R$ 91,2 milhões (+22,75%);
- AR&CO: R$ 287,35 (+45,8%);
- Outros (A.Birman, Fiever e Alme no mercado interno): R$ 248,4 milhões (+54,66%);
- Mercado externo: R$ 117,3 milhões (-6,1%).
Além disso, a empresa vem seguindo a estratégia de crescimento inorgânico e botou mais uma marca sob seu guarda-chuva. Em janeiro, ela anunciou a aquisição da Vicenza, uma marca de bolsas e calçados com produção própria e mais de 30 anos de mercado. Em 2022, a marca teve uma receita bruta de R$ 80 milhões e um Ebitda de R$ 13 milhões. A empresa pagou um total de R$ 173 milhões, sendo que 60% será pago em dinheiro e o restante em ações da empresa, com um lockup de quatro anos.
A projeção é que, aproveitando a estrutura de logística, a rede de multimarcas e a plataforma digital da Arezzo, a Vicenza seja capaz de aumentar o faturamento em 50% neste ano e 60% em 2024. Em 2025, a marca pode chegar a faturar R$ 300 milhões.
Agora, seguindo para a margem bruta, vemos uma queda de 1 p.p. em relação ao 1T22. Isso aconteceu justamente por conta do resultado no exterior.
A distribuição das vendas por canal (franquias, multimarcas, lojas próprias e e-commerce) se manteve em linha com o 1T22, tendo pouco impacto na margem bruta. A participação desses canais no resultado tem uma forte influência no indicador, uma vez que, por meio das lojas próprias e e-commerce, a empresa fica com toda diferença entre o custo de produção e o valor da venda. Quando se trata de franquias e multimarcas, a empresa vende para um terceiro revendedor. Dessa forma, ela acaba sacrificando um pouco a margem.
A margem Ebit da empresa, no entanto, caiu 9 p.p. em relação ao 1T22, fechando em 10,2%. Mas isso não é algo extremamente alarmante. No 1T22, houve um ganho não recorrente de créditos extemporâneos de impostos no valor de R$ 65,6 milhões. Se não fosse isso, a margem Ebit daquele trimestre também teria ficado em torno de 10%.
A expectativa é que a margem retorne ao longo de 2023, mas, até agora, não vimos esse sinal com clareza.
A margem líquida, como é de se esperar, também caiu por conta da piora na margem Ebit, fechando em 6,1% no ano, o que deu um lucro líquido de R$ 63,39 milhões.
NOSSA VISÃO: a Arezzo segue em forte expansão adquirindo outras marcas e expandindo as que já possui.
No ano passado, a empresa investiu fortemente em marketing e agora a tendência é que vejamos a receita em patamares cada vez mais altos e que aos poucos as margens aumentem até o nível histórico.
Esse crescimento todo fez brilhar os olhos dos investidores e jogou o preço da ação para as alturas. Mas pode ser que esse preço esteja muito esticado. Já vimos uma bela queda no valor da ação: de fevereiro pra cá, ARZZ3 foi de quase R$ 90 para perto dos R$ 60. E é possível que vejamos uma queda ainda maior.
A Arezzo conta com muitos incentivos de ICMS. Para dar uma noção do quão relevantes são esses incentivos, eles representam, na média, quase metade do Ebit da empresa. Além disso, hoje, o resultado originado pelos incentivos fiscais não é tributado no Imposto de Renda. Acontece que, no novo arcabouço fiscal, o governo está querendo taxar os ganhos com os incentivos. No caso da Arezzo, essa isenção representa, em média, 30% do lucro líquido. No ano passado, chegou a representar 44%.
Diante disso, o retorno da empresa pode ser muito prejudicado. Então, vamos manter a recomendação de MANTER para ARZZ3 até tomarmos uma decisão definitiva sobre a continuidade dela na carteira.
BTG (BPAC11): cenário difícil, mas resultado promissor
Fonte: RI BTG
No último dia 8 de maio, o BTG divulgou seu resultado referente ao primeiro trimestre de 2023.
DESTAQUES: (i) o trimestre foi marcado por receita recorde de R$ 4,8 bilhões e forte desempenho do lucro líquido, R$ 2,3 bilhões; (ii) o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) anualizado atingiu a marca de R$ 20,9%, uma significante melhora frente aos 16,7% do 4T22; (iii) o total de ativos cresceu 4,4% vs 4T22, atingindo os R$ 470,4 bilhões; e (iv) o índice de Basileia encerrou o trimestre em 15,5% vs 15,1% no 4T22.
RECEITA: no 1T23, a empresa obteve uma receita de R$ 4,8 bilhões, apresentando um aumento de 10,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, houve um crescimento de 32,4% em comparação ao 4T22, que foi afetado pela realização de uma provisão não-recorrente.
Fonte: RI BTG
As maiores fontes de receita foram a área de Corporate & SME Lending (R$ 1,2 bilhão), Sales & Trading (R$ 1,5 bilhão), Wealth Management (R$ 694 milhões), Asset Management (R$ 443 milhões) e Investment Banking (R$ 260 milhões).
INVESTMENT BANKING: no trimestre, a área de Investment Banking teve uma receita de R$ 260,2 milhões vs R$ 485 milhões no 4T22, afetada por um mercado de capitais mais restritivo. Mesmo assim, o desempenho da área foi impulsionado pelas atividades de fusões e aquisições (M&A), que geraram um recorde de receita para o trimestre devido ao grande número de transações concluídas. Em relação ao 1T22, a queda nessa linha de receita foi de 25,9%.
Fonte: RI BTG
CORPORATE & SME LENDING: no 1T23, as receitas de Corporate & SME Lending atingiram R$ 1,2 bilhão, um valor significativamente maior do que o registrado no 4T22, que foi influenciado por uma provisão não-recorrente. Em relação ao 1T22, as receitas aumentaram 46,0%, enquanto o portfólio de Corporate & SME cresceu 29%. Nesse período, os spreads líquidos anualizados aumentaram cerca de 20 pontos-base.
Em relação ao 4T22, a carteira de crédito diminuiu em R$ 1 bilhão. Isso mostra que o BTG tem sido mais cauteloso na hora de conceder crédito. Devido ao ocorrido com a Americanas no trimestre anterior, o banco optou por diminuir o crédito a PME (pequenas e médias empresas) e a aumentar o crédito a large corporate, que são empresas maiores e com menor risco de crédito.
Fonte: RI BTG
SALES & TRADING: as receitas de Sales & Trading alcançaram R$ 1,5 bilhão, apresentando um aumento de 31,0% em relação ao 4T22. Apesar das condições de mercado desafiadoras, esse crescimento foi possível por conta das diversas mesas de operações adicionadas nos últimos dois anos e que agora estão ganhando tração, como soja, milho, açúcar e etanol.
ASSET MANAGEMENT: no 1T23, o total de ativos sob gestão aumentou 1,4% em relação ao 4T22 e 22,4% em comparação com o 1T22, alcançando R$ 716,8 bilhões. Esse resultado foi significativo, considerando a conjuntura macroeconômica atual, em que o Ibovespa apresentou queda de cerca de 7%.
As receitas de Asset Management totalizaram R$ 442,6 milhões no 1T23, apresentando um aumento de 3,1% em relação ao trimestre anterior. Na comparação anual, as receitas apresentaram um crescimento expressivo de 41,4%, saindo de R$ 313,1 milhões para R$ 442,6 milhões.
Fonte: RI BTG
WEALTH MANAGEMENT & CONSUMER BANKING: a área alcançou receitas recorde de R$ 693,8 milhões no 1T23, marcando o 17º trimestre consecutivo de crescimento. O aumento de receita foi impulsionado pela expansão de 4,0% do Wealth under Management (WuM) no período, que foi resultado da forte captação líquida nos segmentos de private banking e varejo de alta renda. Em relação ao 1T22, as receitas aumentaram 21,6%, ultrapassando os R$ 570,4 milhões registrados no período, enquanto o WuM cresceu 24,1%.
Fonte: RI BTG
DESPESAS OPERACIONAIS: as despesas operacionais cresceram 12,8% no 1T23, atingindo a marca dos R$ 2,1 bilhões. Esse crescimento se deve principalmente às maiores despesas com bônus, que totalizaram R$ 524,5 milhões, representando um crescimento de 51,3% em relação ao 4T22.
LUCRO LÍQUIDO: o lucro líquido reportado no 1T23 foi de R$ 2,26 bilhões, crescimento de 10% em relação ao 1T22 e de 28% em relação ao 4T22. Esse aumento substancial no lucro líquido também aumentou a rentabilidade do patrimônio líquido (ROE), que subiu para uma taxa anualizada de 20,9%, frente a 16,7% do trimestre anterior.
Fonte: RI BTG
ANÁLISE DO BALANÇO: no fim do 1T23, os ativos totais registraram um aumento de 4,4%, subindo de R$ 450,6 bilhões no 4T22 para R$ 470,4 bilhões. Já no lado do passivo, houve um aumento de 13,2% no financiamento por meio de títulos e valores mobiliários, que passou de R$ 79,8 bilhões no 4T22 para R$ 90,4 bilhões no 1T23. O patrimônio líquido aumentou para R$ 44,2 bilhões, em comparação com R$ 42,4 bilhões no fim do 4T22, com o lucro líquido do trimestre contribuindo significativamente para esse resultado.
BASILEIA: o Índice de Basileia do BTG encerrou o 1T23 em 15,5%, o maior patamar nos últimos trimestres. A visão da gestão é que, devido ao cenário macroeconômico desafiador, o banco precisava encerrar o trimestre com um balanço mais robusto e bem capitalizado. A tendência é que, à medida que a situação melhore, o BTG volte a alocar parte do patrimônio líquido, diminuindo o índice.
Fonte: RI BTG
NOSSA VISÃO: fomos surpreendidos de forma positiva pelo resultado do BTG no 1T23. Apesar de todos os desafios vividos nos últimos meses, o banco conseguiu crescer receita e lucro sem comprometer a qualidade de crédito da carteira. Para o próximo trimestre, à medida que o cenário macroeconômico melhore, principalmente a partir de uma queda na taxa de juros, a tendência é que o resultado do BTG seja ainda melhor. O banco tende a se beneficiar bastante com o aquecimento do mercado de capitais, principalmente com a volta das empresas na emissão do crédito privado.
Ao que tudo indica, o BTG tem uma boa perspectiva de futuro. Mas como quem vê cara não vê coração, estamos indo a fundo na análise para confirmar se realmente vale uma nova recomendação de compra. Enquanto isso, seguimos com a recomendação de MANTER para BPAC11.
Eletrobras (ELET3): resultado dentro do esperado e mais instabilidade política
Fonte: Shutterstock
No dia 4 de maio, a Eletrobras divulgou seu resultado referente ao primeiro trimestre de 2023.
DESTAQUES: (i) receita líquida de R$ 9,2 bilhões no 1T23, 13% superior ao mesmo trimestre do ano anterior; (ii) o Ebitda foi de R$ 4,9 bilhões, 44% acima do resultado do 1T22; (iii) a dívida líquida está em R$ 36,7 bilhões, um aumento de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior; e (iv) o lucro líquido da companhia ficou em R$ 406 milhões, uma queda de 85% por conta do grande impacto negativo do resultado financeiro.
RESULTADO: no 1T23, a receita operacional líquida registrou um crescimento significativo de 13%, alcançando R$ 9,2 bilhões em comparação com os R$ 8,2 bilhões do mesmo período do ano anterior. Na parte de geração, esse aumento foi impulsionado principalmente pela incorporação da Saesa, que contribuiu com uma receita adicional de R$ 1,1 bilhão para as receitas de geração. Já na transmissão, o crescimento da receita aconteceu por conta da variação da RAP (receita anual permitida), que foi reajustada pela inflação de 11,7%.
EBITDA: os custos e despesas operacionais tiveram uma queda saindo de R$ 6,1 bilhões no 1T22 para R$ 5,7 bilhões no 1T23. Essa diferença se dá por conta da redução de provisões operacionais, que saíram de R$ 1,9 bilhão no 1T22 para R$ 576 milhões no 1T23. Com isso, a gente viu a margem Ebitda subir de 42% para 53%.
RESULTADO FINANCEIRO: no 1T23, o resultado financeiro registrou uma mudança significativa em relação ao mesmo período do ano anterior. Enquanto no 1T22 o resultado foi positivo, alcançando R$ 589 milhões, no 1T23 apresentou um resultado negativo de R$ 3,1 bilhões. Os maiores culpados disso tudo foram os encargos de dívida e as atualizações monetárias de obrigação com a CDE e de revitalização de revitalização de bacias hidrográficas. Os encargos saíram de R$ 856 milhões no 1T22 para R$ 1,9 bilhão no 1T23.
Vale destacar que esse resultado foi influenciado principalmente pela consolidação da Saesa, que teve uma despesa financeira registrada de R$ 709 milhões. Já as atualizações monetárias, que já haviam sido estabelecidas nos novos contratos de concessão firmados em 2022, totalizaram R$ 1,7 bilhão.
LUCRO LÍQUIDO: no primeiro trimestre de 2023, a Eletrobras apresentou um lucro líquido de R$ 406 milhões, um declínio significativo em relação aos R$ 2,7 bilhões registrados no mesmo período de 2022. Apesar da melhora do resultado operacional do 1T22 para 1T23, o lucro da empresa foi prejudicado por um resultado financeiro muito negativo.
NOSSA VISÃO: a Eletrobras está enfrentando desafios significativos após sua privatização, e a empresa está trabalhando para melhorar sua eficiência. Como parte desse esforço, 2.494 funcionários aderiram ao Plano de Demissão Voluntária, e até abril deste ano, 1.974 já haviam deixado a empresa. Esse é um passo importante para melhorar a capacidade operacional da empresa, mas a diretoria da Eletrobras ainda espera reduzir ainda mais o número de funcionários e já anunciou um novo PDV para maio de 2023.
Embora a empresa tenha tudo para entregar bons resultados no futuro, a curto prazo, enquanto coloca ordem na casa, é provável que os resultados não sejam tão positivos, especialmente considerando as dificuldades do setor de geração em função do baixo preço da energia.
E para piorar, o governo não para de dizer por aí que vai voltar atrás na privatização. Inclusive, ontem, o Governo Federal interpôs uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) a fim de contestar a limitação de 10% no direito a voto de qualquer acionista da empresa, aprovada durante o processo de privatização no ano passado.
Apesar de ser algo difícil de reverter, essas atitudes do governo acabam gerando uma grande incerteza sobre a companhia. Afinal de contas, a reestatização da Eletrobras seria o fim da linha para as nossas perspectivas de melhora operacional na companhia.
Nesse contexto, estamos preparando um relatório detalhado sobre a situação da Eletrobras e avaliando seu potencial como investimento em nossa carteira. Por enquanto, nossa recomendação permanece como MANTER ELET3, até que uma decisão definitiva seja tomada quanto à sua permanência em nossa carteira.
Gerdau (GGBR4): avançando trimestre a trimestre
Fonte: Shutterstock
No último dia 3 de maio, a Gerdau divulgou seu resultado referente ao primeiro trimestre de 2023.
DESTAQUES: (i) vendas atingiram 3,0 milhões de toneladas de aço no trimestre, aumento de 11,5% em comparação ao 4T22; (ii) segundo melhor Ebitda ajustado da história para o período, totalizando R$ 4,3 bilhões; (iii) lucro líquido ajustado de R$ 2,4 bilhões, aumento de 79,1% em comparação ao 4T22; e (iv) geração de fluxo de caixa livre de R$ 2,7 bilhões, 140% maior do que o 4T22, mas 11% menor do que o 1T22.
RESULTADO: a produção de aço bruto no trimestre foi de 3,0 milhões de toneladas (+4,2% em relação ao 4T22 e -12,3% versus 1T22).
O volume vendido pelas principais operações de negócio foi 11,5% maior em relação ao 4T22 e ficou praticamente em linha com o 1T22 (-2,5%). A participação das vendas de aço por unidade da América do Norte apresentou forte demanda, chegando a 36,6%, se aproximando da marca das vendas no Brasil.
Fonte: Gerdau - Release de Resultados 1T23
A receita líquida foi de R$ 18,9 bilhões, crescimento de 5,1% versus o 4T22, mas 7,2% menor do que o 1T22. A receita líquida por tonelada fechou o trimestre em R$ 6,3 mil, redução de 5,8% vs 4T22, devido a menor paridade no mercado basileiro com o produto importado.
O lucro bruto totalizou R$ 3,6 bilhões, crescimento de 23,9% frente ao 4T22 (dada a demanda aquecida por reshoring, nearshoring e infraestrutura, além da proteção de importação do mercado na América do Norte), mas 30% menor em relação ao mesmo período do ano passado, afetada pelo redução de vendas no comparativo. A margem bruta seguiu a mesma tendência, crescendo 2,9 p.p. vs 4T22, mas reduzindo 6,3 p.p. vs 1T22.
O Ebitda ajustado chegou a R$ 4,3 bilhões no 1T23, 19,1% superior ao trimestre anterior, com margem Ebitda de 22,9% no período (2,7 p.p. acima do 4T22). Em comparação ao 1T22, o Ebitda ajustado foi 25,8% menor, explicado principalmente pelos resultados recordes obtidos naquele período. Ainda assim, o resultado atual representa o segundo maior Ebitda para um primeiro trimestre reportado pela empresa.
O resultado financeiro foi de -R$ 50 milhões, redução de 90% frente os números do 4T22 (-R$ 498 milhões) e do 1T22 (-R$ 503 milhões), influenciados por não recorrentes de atualização de créditos tributários (R$ 253 milhões). Outro fator foi a menor despesa financeira, apesar do cenário de alta de taxas de juros, devido ao processo de redução de dívida executado pela empresa nos últimos anos.
O lucro líquido ajustado no 1T22 foi de R$ 2,4 bilhões, 79,1% maior do que o 4T22, impulsionado pelos resultados operacionais, e 18,8% menor do que o 1T22.
Assim como nos últimos trimestres, a empresa vem mantendo seu endividamento baixo, com a relação dívida líquida/Ebitda de 0,31x (com 0,33x no 4T22).
Fonte: Gerdau - Release de Resultados 1T23
No trimestre analisado, a empresa investiu R$ 954 milhões como capex, sendo R$ 667 milhões destinados à Manutenção e R$ 287 milhões em Expansão e Atualização Tecnológica. Com isso, a geração de fluxo de caixa livre da empresa registrou o montante de R$ 2,7 bilhões. Em função da disciplina nos investimentos de capex e em capital de giro, além da redução do endividamento, 62% do Ebitda do trimestre foi convertido em fluxo de caixa livre. Para o ano, o plano de investimentos da empresa, recém-aprovado pelo Conselho de Administração, prevê o valor de R$ 5 bilhões.
RETORNO AO ACIONISTA: em conjunto com o resultado, a companhia anunciou bonificação em ações na proporção de 1 ação para cada 20 ações com base na posição acionária final do dia 21/3/2023. As novas ações foram creditadas na posição dos acionistas em 24/3/2023.
A empresa também aprovou a distribuição de proventos sob a forma de juros sobre capital próprio no montante de R$ 892 milhões (R$ 0,51 por ação). O pagamento ocorrerá em 29 de maio de 2023, com base na posição acionária de 15 de maio de 2023, ficando ex-dividendos no dia 16 de maio de 2023.
Além disso, a Gerdau anunciou um programa de recompra de ações, com uma quantidade a ser adquirida de até 55 milhões de ações preferenciais, aproximadamente 5% das ações preferenciais em circulação, com prazo máximo de 18 meses.
NOSSA VISÃO: o resultado da Gerdau superou as expectativas do mercado, principalmente em função dos números fortes na unidade dos Estados Unidos e da forte geração de fluxo de caixa livre no período.
Entretanto, é justamente dos EUA que parece vir a maior parte da incerteza sobre a ação, devido ao cenário de possível recessão no país. Por ora, essa preocupação parece anestesiada por conta dos incentivos do governo norte-americano à construção e infraestrutura por meio do Infrastructure Bill.
Como é um case que ainda está sob revisão, nossa recomendação é MANTER as ações GGBR4 na carteira.
Itaú (ITUB4): resultado bom, dentro do esperado
Fonte: Shutterstock
No último dia 8 de maio, o Itaú divulgou seu resultado referente ao primeiro trimestre de 2023.
DESTAQUES: (i) o lucro líquido no 1T23 foi de R$ 8,4 bilhões, representando um aumento de 10% no trimestre; (ii) o ROE passou de 19,3% para 20,7%, em linha com o apresentado antes do 4T22; (iii) a carteira de crédito cresceu 1% no 1T23, atingindo R$ 1,15 trilhão; e (iv) o índice de inadimplência acima de 90 dias permaneceu em 2,9%, enquanto o índice de inadimplência entre 15 e 90 dias atingiu 2,5%, crescimento de 0,3 ponto percentual.
MARGEM FINANCEIRA GERENCIAL: a margem financeira com clientes apresentou uma queda de 0,7% no 1T23. No entanto, em comparação com o 1T22, houve um aumento de 20,0% na margem financeira com clientes. A margem financeira com o mercado foi de R$ 645 milhões no 1T23. Isso representa uma queda de 13,8% em relação ao 4T22 e de 36% em relação ao 1T22.
Ao todo, a margem financeira gerencial do 1T23 ficou na casa dos R$ 24,7 bilhões, queda de 1,1% em relação ao 4T22 e crescimento de 17,3% em relação ao 1T22.
CUSTO DO CRÉDITO: no 1T23, houve uma redução de R$ 717 milhões no custo do crédito em relação ao trimestre anterior. Essa diminuição se deve à menor despesa de provisão para créditos de liquidação duvidosa e a normalização do fluxo de despesas relacionadas a PDD. Em comparação com o 1T22, houve um aumento significativo de R$ 2,1 bilhões no custo do crédito.
Fonte: RI Itaú
RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS: no 1T23, as receitas provenientes de prestação de serviços e resultado de seguros foram de R$ 12,4 bilhões, o que representa uma redução de 0,9% em comparação com o 4T22. Esse declínio foi ocasionado pelos efeitos sazonais desfavoráveis nas linhas de emissão em cartões, além da diminuição das receitas de assessoria financeira e corretagem, decorrente da redução da atividade no mercado de capitais. Por outro lado, houve um aumento nas receitas provenientes da administração de consórcios. Em comparação com o 1T22, a receita apresentou um crescimento de 6,7%.
DESPESAS OPERACIONAIS: as despesas operacionais foram de R$ 13,8 bilhões no 1T23 vs 14,6 bilhões no 4T22, queda de 5,3%. Porém, em relação às despesas do 1T22, houve um crescimento de 7,7%. Isso se deve ao aumento das despesas com pessoal, por conta da participação nos resultados e dos acordos coletivos de trabalho, ao aumento das despesas administrativas e das despesas de provisões trabalhistas, em função do maior volume de ações e acordos no período.
ÍNDICE DE EFICIÊNCIA: em relação ao 1T22, o aumento de 7,9% das despesas não recorrentes de juros frente ao aumento de 14,4% nas receitas, fizeram com que o índice de eficiência caísse para 39,8%, o menor da série histórica. Esse índice representa a relação entre as despesas e as receitas, portanto, quanto menor, melhor.
LUCRO LÍQUIDO: o Itaú reportou lucro líquido gerencial de R$ 8,4 bilhões no 1T23, crescimento de 10% vs 4T22 e de 14,6% em relação ao 1T22. Esse aumento no lucro líquido levou o ROE anualizado para 20,7%, o que representa um ganho de 1,4 ponto percentual em relação ao 4T22.
Fonte: RI Itaú
BALANÇO PATRIMONIAL: no trimestre, os ativos totais apresentaram um aumento significativo de 3,1%, impulsionado pelo crescimento de R$ 17,7 bilhões em títulos e valores mobiliários, R$ 16,1 bilhões em outros ativos, especialmente na carteira de câmbio, e R$ 15,6 bilhões em aplicações interfinanceiras de liquidez.
Já no período de 12 meses, o crescimento dos ativos foi de R$ 119,6 bilhões em títulos e valores mobiliários e R$ 87,9 bilhões nas operações de crédito, graças às expansões das carteiras de crédito pessoal, imobiliário e de consignado.
Em relação aos passivos, no 1T23, os depósitos aumentaram em R$ 43,4 bilhões (sendo os depósitos a prazo responsáveis pelo crescimento de 8,1%) e os recursos obtidos por meio de aceites e emissão de títulos cresceram em R$ 20,2 bilhões, com destaque para as captações de LCAs e LCIs, que registraram altas de 13,9% e 11,6%, respectivamente. Nos últimos 12 meses, os depósitos aumentaram em R$ 107,8 bilhões, enquanto os recursos provenientes de aceites e emissão de títulos cresceram em R$ 104,7 bilhões.
O aumento do patrimônio líquido no trimestre foi de 3,1%, passando de R$ 160 bilhões ao final do 4T22 para R$ 164,9 bilhões ao final do 1T23. No 1T22, o patrimônio líquido era de R$ 144,4 bilhões. Esse aumento está relacionado ao lucro gerencial do período, que foi parcialmente compensado pelo crescimento da proporção de pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio, bem como pela aquisição de ações para tesouraria.
CARTEIRA DE CRÉDITO: a carteira de pessoas físicas cresceu 0,9% no trimestre e 16,2% em 12 meses, atingindo o montante de R$ 402,5 bilhões. O crescimento no trimestre foi impulsionado principalmente pelo aumento de 5,4% em crédito pessoal, de 3,2% em crédito imobiliário e de 2,1% em crédito consignado. Em 12 meses, destaca-se o crescimento de 26,0% em crédito pessoal, de 21,3% em crédito imobiliário, e de 17,1% em crédito consignado.
Em relação à carteira de pessoas jurídicas, que totalizou R$ 298,7 bilhões no final do 1T23, houve uma redução de 1,2% em relação ao 4T22 e um crescimento de 5,2% em relação ao 1T22.
CAPTAÇÕES: o total de captações atingiu R$ 1,3 trilhão ao final do 1T23. No trimestre, isso representa um crescimento de 3,9% no total captado, e nos 12 últimos meses, o crescimento é de 17,05%. O total de recursos sob gestão cresceu 0,5% no trimestre e 6,6% desde o 1T22, atingindo R$ 1,6 bilhão.
QUALIDADE DO CRÉDITO: o índice de inadimplência acima de 90 dias (NPL 90) permaneceu estagnado no trimestre em 2,9%. No 1T23, houve um aumento no índice de inadimplência entre 15 e 90 dias (NPL 15-90) que passou de 2,2% para 2,5%, influenciado principalmente pela sazonalidade comum do período, especialmente no segmento de pessoas físicas no Brasil.
ÍNDICES DE CAPITAL: o Itaú encerrou o 1T23 com Índice de Basileia de 15%, mostrando-se estável em relação ao 4T22. Isso significa que o aumento do lucro no trimestre foi compensado pelo crescimento da carteira de crédito e pelos ajustes patrimoniais.
Fonte: RI Itaú
NOSSA VISÃO: enxergamos como positivo o resultado do Itaú no 1T23, que veio dentro do esperado. O banco conseguiu continuar a expansão de suas captações e carteira de crédito sem comprometer a qualidade do crédito. Essa expansão causou um impacto representativo no crescimento da receita, que foi mais do que proporcional ao aumento das despesas. Em última análise, o crescimento da receita de forma bastante superior ao crescimento das despesas causou aumentos significativos no lucro líquido e no ROE.
A cada novo resultado, o Itaú se mostra como um dos maiores e mais bem geridos bancos no Brasil. O banco consegue ser rentável sem assumir grandes riscos, o que traz uma enorme segurança ao acionista, mesmo em cenários econômicos desafiadores. Por conta disso, enquanto continuamos revendo o case e indo a fundo nos números, recomendamos MANTER ITUB4 na carteira.
SIMPAR (SIMH3): nada de novo no front… ou quase isso
Fonte: RI Simpar
No dia 2 de maio, a Simpar divulgou seu resultado referente ao primeiro trimestre de 2023.
DESTAQUES: (i) recorde de receita líquida no primeiro trimestre, R$ 7,4 bilhões, ganho de 62% em comparação anual. (ii) recorde de Ebitda, R$ 2 bilhões, ganho de 30% na comparação anual; (iii) reprecificação da empresa, dada a mudança de patamar no valuation de JSL (JSLG3).
RESULTADO: se você vem acompanhando mais de perto a empresa, já está sabendo tudo sobre seu endividamento. De lá pra cá, não aconteceu nenhuma mudança brusca, exceto por algumas quitações antecipadas realizadas na Movida (MOVI3). Isso fez o caixa de Movida cair de R$ 6,8 bilhões para R$ 3,9 bilhões. Mas ela conseguiu diminuir sua dívida bruta (que caiu para R$ 15 bilhões) e cortou a conta de fornecedores pela metade. Isso deixou o balanço mais leve, ao mesmo tempo que diminuiu o custo de carrego do caixa.
No mais, a dívida consolidada de Simpar segue de longo prazo, com uma posição de caixa confortável que cobre grande parte das amortizações até 2026.
Fonte: RI Simpar
A alavancagem financeira segue controlada, ao passo que o índice dívida líquida/Ebitda está em 3,7x. É bom lembrar que, para covenants, o que importa mesmo é o Ebitda adicionado, que é a soma do custo de venda de ativos seminovos ao Ebitda. Quando a gente faz isso, o índice cai ainda mais e fica em saudáveis 2,3x, sendo que o máximo é 3,5x. Em outras palavras, a empresa segue cumprindo firmemente seus compromissos e está longe de colocar em risco esse propósito. Logo, não há temor com relação a qualquer tipo de insolvência aqui.
O problema dessa dívida alta é que ela come o lucro líquido da empresa. O resultado financeiro foi uma despesa de R$ 1,3 bilhão, que levou embora todo o lucro operacional (Ebit). Não fosse a subvenção de ICMS, que é uma espécie de benefício fiscal, o lucro líquido teria sido ainda menor que os R$ 77 milhões.
Outros destaques negativos ficam por conta da Movida, que teve contração de margem Ebitda, em razão da normalização dos preços dos carros novos, e do aumento da depreciação (+71% na comparação anual), que, por sua vez, também impacta o lucro líquido além do impacto já causado pela dívida.
Especificamente entre as controladas, fica o destaque para a consolidação do crescimento inorgânico da Automob, que teve uma receita líquida 5x maior na comparação anual. A receita da empresa acumulada nos últimos 12 meses já atingiu R$ 5,5 bilhões. São 84 lojas e 26 marcas diferentes que, inclusive, atendem ao mercado de alto luxo, que é bastante promissor. Na call de resultados, o CEO destacou que a fila de espera no mercado de carros de luxo anda bem grande, o que gera oportunidades no segmento.
Além dela, a JSL (JSLG3), depois da aquisição da IC Transportes, também mudou de patamar. Trata-se de uma empresa com 40 anos de atuação, mais de 2,4 mil ativos, cujo faturamento em 2022 foi de R$ 1,7 bilhão. Seus principais clientes são grandes, tais como Raízen, Braskem, ExxonMobil, entre outros. Sem contar que a receita líquida da JSL ainda cresceu 20% na comparação anual, sem levarmos em consideração a aquisição, atingindo R$ 1,5 bilhão. Com isso, a JSL segue em um círculo virtuoso, de ganho de escala, ganho de margem operacional e consolidação de mercado com diversificação de setores de atuação.
Por fim, a Vamos apresentou um resultado forte nesse 1T23. Basicamente, ela mostrou crescimento em todas as linhas, desde a receita líquida até o lucro líquido, mesmo com a leve compressão da margem líquida, que saiu de 12,8% para 10%. No segmento de concessionárias, o destaque fica para as aquisições da Tietê Veículos e da DHL Tratores. A primeira posicionou a Vamos como a maior rede de concessionárias Volkswagen do Brasil; a segunda, como a maior rede de concessionárias de tratores Valtra da América Latina.
NOSSA VISÃO: em primeiro lugar, ressaltamos que a cotação de mercado da empresa anda com um desconto muito grande, quando levamos em consideração os preços de tela de suas controladas com capital aberto.
Fonte: Spiti (planilha de valuation)
Basicamente, o mercado está falando que as empresas de capital fechado têm valor negativo. Isso até poderia acontecer se estivéssemos falando de companhias que queimam caixa, sem perspectiva de turnaround. Mas não é isso que acontece com Simpar. A maior das controladas de capital fechado, a Automob, tem receita de R$ 5,5 bilhões e é lucrativa. Por isso, esse desconto nos parece muito exagerado.
Em segundo lugar, nas teses de investimento em empresas alavancadas como a Simpar, não é a última linha do resultado que importa, mas o acompanhamento da evolução do Ebit e do Ebitda. Ou seja, eles têm que crescer o suficiente para pagar o juros da dívida com uma certa folga. Mas por que isso?
Simples. Apesar da ata hawkish do Banco Central após a última reunião do Copom, as expectativas do mercado apontam para uma queda da taxa Selic em breve. E essa queda é muito esperada pelas empresas alavancadas. É só pensar que boa parte dos juros da dívida pagos pela Simpar é atrelada ao CDI. Isso quer dizer que a queda na Selic, e, por consequência, do CDI, vai aliviar a linha de despesas financeiras da companhia. Quando esse alívio acontecer, quanto maior o Ebit, melhor, pois mais dinheiro vai sobrar após o pagamento dos juros. Em outras palavras, vai destravar o lucro líquido.
Por isso, mais importante que o lucro líquido, agora, é perceber se o Ebit está dando conta de pagar os juros da dívida, e a resposta é sim. Preferimos o Ebit ao Ebitda, já que a depreciação pode ser considerada uma proxy do capex necessário para manter a operação. Ou seja, tudo que deprecia vai precisar ser trocado mais cedo ou mais tarde.
Para o lucro líquido, o importante é olhar para frente, para um momento de Selic mais baixa. Sabemos que é tentador perpetuar cenários negativos, mas lembre-se que isso não é certo. Cenários econômicos são cíclicos e a história do nosso país já provou isso várias vezes.
Por esse motivo, nossa recomendação para SIMH3 permanece como COMPRA. Ressaltamos que as boas surpresas na JSL, na Automob e na Vamos culminaram em uma revisão do nosso modelo de valuation. Isso, somado a uma leve queda no custo de capital, fez com que alterássemos nosso preço-alvo para R$ 13,92, com preço-teto em R$ 12,13.
Sinqia (SQIA3): mantendo tendências
Fonte: Sinquia
DESTAQUES: (i) receita líquida de R$ 164,2 milhões, crescimento de 18,3% vs 1T22; (ii) lucro bruto de R$ 67,3 milhões, aumento de 15% no comparativo trimestral; (iii) Ebitda ajustado de R$ 43,8 milhões, aumento de 20,9% em relação ao 1T22; e (iv) integração da Compliasset, aumentando a base de clientes para 964.
RESULTADO: o número total de clientes totalizou 964 no trimestre, resultando em uma adição de 250 nomes em relação ao 1T21. Isso foi impulsionado por novas vendas e pela consolidação da base da Compliasset, aquisição mais recente da companhia, voltada a soluções tecnológicas para gestão de programas de compliance regulatório.
Fonte: Sinqia - Release de resultados 1T23
A receita líquida foi de R$ 164,9 milhões, crescimento de 18,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Contribuindo para essa linha, tivemos o aumento de 19,8% do segmento de software, que somou R$ 140,3 milhões, e pelo crescimento de 10% do segmento de serviços, que totalizou R$ 23,9 milhões no período.
Fonte: Sinqia - Release de resultados 1T23
A receita recorrente atingiu recorde de R$ 139,5 milhões, aumento de 22,9% ante o 1T22, atingindo a marca de 84,9% sobre a receita líquida total. Isso representou uma alta de mais de 3,2 p.p. vs 1T22 e de 3 p.p. vs 4T22.
As despesas comerciais, gerais e administrativas totalizaram R$ 28,4 milhões, 17,2% superiores ao 1T22. Os maiores aumentos foram observados nas linhas Comercial e Administrativo e TI e Facilities, em decorrência do aumento do quadro de colaboradores e reajustes salariais e gastos com sistemas de segurança da informação. Assim, como proporção da receita líquida, as despesas representaram 17,3%, estáveis em relação ao mesmo período do ano anterior.
Em relação ao Ebitda ajustado, este atingiu recorde de R$ 43,8 milhões no trimestre, alta de 20,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, com expansão de 0,6 p.p. na margem Ebitda ajustada, que atingiu recorde de 26,7% no período. Isso aconteceu em função da consolidação dos resultados provenientes das aquisições realizadas nos últimos trimestres e pelos ganhos de escala obtidos no período.
O lucro líquido foi de R$ 13,1 milhões, em linha com o mesmo trimestre do ano passado (R$ 13,4 milhões ou -2,1%). Em relação ao endividamento, o múltiplo dívida líquida/Ebitda anualizado no trimestre ficou em 2x patamar próximo ao do 4T22 de 1,8x. A geração de caixa foi de R$ 26,4 milhões, conversão de 60,3% do Ebitda ajustado.
NOSSA VISÃO: a Sinqia apresentou resultados dentro do consenso de mercado no trimestre. Como positivo, o crescimento das receitas recorrentes traz maior previsibilidade para a operação da empresa. Por outro lado, o cenário atual requer mais critério para a estratégia de M&A que a companhia segue, exigindo maior equilíbrio entre alavancagem e crescimento.
A empresa espera que suas iniciativas de precificação e otimização de despesas gerem resultados a partir do segundo semestre de 2023. Isso é importante porque ela precisa de fato rentabilizar sua operação, já que apresentou uma margem líquida em patamar menor que 10%.
No final das contas, a Sinqia parece ter boas perspectivas, entretanto, precisamos entender se elas já não estão precificadas hoje no valor da sua cotação. Dessa forma, a nossa recomendação é de MANTER para SQIA3.
Ficamos por aqui!
Em caso de dúvidas, sugestões ou críticas construtivas, sinta-se à vontade para nos contatar pelo e-mail spitione@invistaspiti.com.br
Abraços,