No relatório de hoje, concluímos a temporada de resultados do primeiro trimestre de 2023 das nossas ações recomendadas, com Ambipar (AMBP3) e Vivo Telefônica (VIVT3).
Vamos aos resultados!
Ambipar (AMBP3): um pouco de cautela, mas fundamentos ainda seguem fortes
Fonte: Ambipar
DESTAQUES: (i) crescimento da receita líquida de 22,8% em relação ao 1T22; (ii) aumento na margem Ebitda em 1,2 p.p. do 1T22 para o 1T23; (iii) devido ao aumento da dívida líquida e da taxa básica de juros, o resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 276 milhões no 1T23 (aumento de 200% em relação ao 1T22); e (iv) lucro líquido de 1T23 apresentou uma forte queda, saindo de R$ 49 milhões no 1T22 para apenas R$ 10 milhões no 1T23.
RESULTADOS
Environment
A receita bruta desse segmento apresentou um crescimento de 20,8% em relação ao 1T22 e -2% em comparação ao 4T23. Como durante esse último trimestre a empresa não realizou nenhuma aquisição, a tendência era mesmo que a receita não tivesse um aumento significativo.
O que preocupou um pouco foi que a empresa apresentou um crescimento orgânico da sua receita de apenas 3%. No entanto, esse baixo crescimento pode ser explicado por conta de um crescimento abaixo do esperado no Peru e a não renovação de alguns contratos no Brasil. Além disso, temos que ressaltar que a receita da companhia é afetada pela sazonalidade, já que o 4T é conhecido por apresentar melhores resultados devido a uma maior procura por serviços ambientais por parte dos clientes.
Fonte: DFP
Os custos e despesas operacionais se mantiveram praticamente estáveis, um aumento de apenas 3% em relação ao 4T22. Por conta disso, com uma receita menor, a gente viu a margem Ebitda do 1T23 cair para 28%.
Fonte: DFP
ResponseO segmento de Response teve um crescimento da receita bruta de 79% em relação ao 1T22. O que já era esperado, já que a Ambipar fez diversas aquisições nesse meio-tempo. Quando a gente compara a receita do 1T23 com a do trimestre anterior, observamos uma queda na receita de 6,1%. Essa queda foi impulsionada por uma redução de 34% na receita da Witt O’Brien’s, que possui uma volatilidade natural do negócio.
Fonte: DFP
Os custos e despesas operacionais caíram apenas 0,5% em relação ao 4T22. E com uma queda mais acentuada da receita por conta da WOB, a gente viu a margem Ebitda da Ambipar recuar para 23,3%.
Fonte: DFP
A margem Ebitda teve uma queda por causa da inclusão dos números da WOB, que tem uma margem menor, e também pelo aumento de serviços industriais na América do Norte.Mesmo assim, a empresa conseguiu manter a estabilidade da margem graças a uma estrutura corporativa eficiente, que ajudou a diluir as despesas enquanto a receita crescia. Apesar de a WOB ter contribuído menos para a margem, outras áreas compensaram com margens maiores.
Fonte: DFP
Analisando os resultados consolidados, podemos observar um crescimento orgânico de 12% o que parece um bom resultado, pois projetamos a receita das empresas que já estão em operação crescendo junto com a inflação.
LUCRO LÍQUIDO: o que preocupou muito o mercado foi a grande queda no lucro líquido, que saiu de R$ 49 milhões no 1T22 para R$ 10 milhões no 1T23. Um dos principais pontos que afetou o lucro líquido da companhia foi o resultado financeiro, que teve um crescimento de 202,8% em relação ao 1T23. Além disso, a empresa teve despesas não recorrentes de R$ 120 milhões (custos de listagem e transações da HPX).
Fonte: DFP
NOSSA VISÃO: apesar de os resultados não terem sido expressivos, a queda nas ações após a divulgação dos resultados não parece justificada. O primeiro trimestre do ano costuma ser impactado pela sazonalidade na receita, que é mais forte no final do ano.
A alta da taxa Selic também está prejudicando a empresa, resultando em um resultado financeiro negativo e tornando mais caro para a empresa captar recursos para financiar seu crescimento. A administração da Ambipar mencionou que o custo de alavancar o balanço está alto e os mercados de crédito estão piores devido a um problema financeiro específico no início do ano no mercado de crédito brasileiro.
Um ponto positivo foi o crescimento orgânico de 12%, superando nossas expectativas que estavam em torno da inflação.
Os fundamentos da empresa continuam os mesmos e uma queda na taxa Selic beneficiaria os resultados e facilitaria o plano de expansão por aquisições.
Com os números do 1T23 em mãos, atualizamos o WACC (sigla em inglês para custo médio ponderado de capital) e a inflação implícita no modelo. Com isso, alteramos nosso preço-alvo para R$ 37,23 e preço-teto para R$ 32,52. Com esse resultado, reiteramos a recomendação de COMPRA para AMBP3.
Fonte: Spiti
Vivo (VIVT3): resultados sólidos, sem surpresas
Fonte: Shutterstock
No dia 9 de maio, a Vivo divulgou seu resultado referente ao primeiro trimestre de 2023.
DESTAQUES: (i) receita líquida de R$ 12,7 bilhões, apresentando o maior crescimento em mais de uma década (+12,1% vs 1T22), impulsionada pela receita de serviço móvel (+15,9% vs 1T22); (ii) aumento de 14,9% no número de acessos móveis, chegando aos 98 milhões e 41,9% de market share no pós-pago; (iii) rede de fibra (FTTH) presente em 436 cidades (+95 cidades na comparação anual), chegando a 5,7 milhões de casas conectadas (+16,8% vs 1T22); (iv) Ebitda de R$ 4,9 bilhões, crescimento de 9,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior; e (iv) lucro líquido totalizou R$ 835 milhões, aumento de 11,3% vs 1T22.
Fonte: Vivo - Release de resultados 1T23
RESULTADO: a Vivo reportou receita operacional líquida de R$ 12,7 bilhões no 1T23, aumento de 12,1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.
A receita líquida com telefonia móvel atingiu R$ 8,8 bilhões, crescimento de 16,3% na comparação anual. A receita de pós-pago cresceu 15,4% no ano, impulsionada pelo aumento da base de clientes, reajustes anuais de preço e churn historicamente baixo em 1%.
A receita com a venda de aparelhos atingiu R$ 854 milhões no ano, crescimento de 20,6%, impulsionada pela venda de smartphones compatíveis com 5G (que já representam mais de 68% do faturamento total) e acessórios oferecidos pela Vivo.
A receita de negócios fixos totalizou R$ 3,9 bilhões, aumento de 3,5% na comparação anual. Destaque para a receita com fibra (FTTH), que alcançou R$ 1,5 bilhão, superior em 17,7% à receita do 1T22. Nos últimos 12 meses, a rede de fibra da Vivo adicionou 3,8 milhões de casas passadas, conectou 813 mil novos clientes e chegou a 95 novas cidades, cobrindo 436 municípios até agora.
O segmento de dados corporativos, TIC e outros também apresentou grande crescimento, com receita de R$ 1,1 bilhão (+23,9% versus 1T22), graças ao portfólio diversificado de produtos da companhia, que conta com soluções de cloud, TI, cibersegurança e equipamentos que auxiliam empresas a digitalizar suas operações.
Fonte: Vivo - Release de resultados 1T23
O Ebitda atingiu R$ 4,9 bilhões, crescimento de 9,6% na comparação com 1T22. A margem Ebitda ficou em 38,9% (-0,9 p.p. vs 1T22), impactada pelo aumento de custos com pessoal em 22,6%, devido a reajuste anual de salários, despesas com remuneração variável, maior atividade comercial no B2B e lançamentos de novos negócios.
O resultado financeiro foi uma despesa líquida de R$ 657 milhões (+25,5% vs 1T22) em função do maior endividamento médio, do aumento da taxa de juros e menores receitas com aplicações financeiras. Com isso, o lucro líquido totalizou R$ 835 bilhões, aumento de 11,3% contra 1T22.
NOSSA VISÃO: a Vivo entregou mais um resultado resiliente, com as receitas de fibra e telefonia móvel continuando a ganhar representatividade no seu resultado. Além disso, a empresa vem evoluindo nos seus negócios digitais. O B2C, com o Vivo Money, chegou aos R$ 239 milhões, e o Vivo Seguros conta com mais de 300 mil aparelhos segurados. Em março, a companhia anunciou a aquisição da Vale Saúde Sempre, startup que atua como marketplace de serviços de saúde, ampliando assim sua presença em serviços digitais em healthcare. No B2B, com uma ampla oferta de serviços de cloud, cibersegurança, IoT, Big Data, venda e aluguel de equipamentos de TI, a empresa atingiu a marca de R$ 813 milhões, crescimento de 32% contra o 1T22.
Com um histórico consistente de pagamento de proventos, o Conselho de Administração aprovou o pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) no valor bruto de R$ 396 milhões. A empresa ainda fez a recompra de R$ 72 milhões em ações do seu programa em vigor até 2024. Considerando os dividendos, juros sobre capital próprio declarados e as recompras realizadas entre março de 2022 e março de 2023, o valor bruto por ação foi de R$ 3,04, representando um dividend yield de 8,7% no ano.
Vemos com bons olhos as perspectivas de retorno aos acionistas apresentadas pela companhia. Dessa forma, reiteramos nossa recomendação de COMPRA para VIVT3.
Ficamos por aqui!
Em caso de dúvidas, sugestões ou críticas construtivas, sinta-se à vontade para nos contatar pelo e-mail spitione@invistaspiti.com.br.
Abraços,
Leandro Siqueira