Olá, assinantes do Spiti One!
No relatório de hoje, comentamos os resultados do quarto trimestre de 2022 de mais algumas empresas que compõem nossas carteiras do Spiti One.
Vamos aos resultados e às análises individuais!
ALUPAR (ALUP11): operação segue eficiente
Fonte: Shutterstock
No dia 2 de março, a Alupar divulgou seu resultado referente ao quarto trimestre de 2022.
DESTAQUES: (i) receita líquida de R$ 2,9 bilhões em 2022, alta de 15,5% em relação ao ano passado; (ii) margem Ebitda de 84%, alta de 1,1 ponto percentual em relação a 2021; e (iii) aumento na margem líquida, que saltou 3,2 pontos percentuais em relação a 2021 e atingiu a casa dos 17,8%.
RESULTADO: o setor de transmissão de energia é conhecido por ser bem defensivo. Dificilmente, a gente vai ser surpreendido com um resultado muito abaixo ou muito acima do esperado. É aquele famoso feijão com arroz bem preparado. Mas, olhando o segmento de geração, a gente observa uma pequena queda na receita por conta da baixa no preço da energia.
RECEITA: a maior parte do aumento da receita da companhia foi impulsionada pelo reajuste de 11,73% para os contratos indexados em IPCA e 10,72% para os contratos indexados em IGP-M. O restante dessa elevação foi proporcionado pela entrada em operação da transmissora ESTE e a TSM. Com isso, a receita de transmissão saltou de R$ 1,8 bilhão (2021) para R$ 2,3 bilhões (2022). Já a geração de energia apresentou uma pequena queda na receita, que foi de R$ 773,7 milhões em 2021 para R$ 661,5 milhões em 2022.
EBITDA: a Alupar calcula seu Ebitda como a soma das contas Ebit, Depreciação & Amortização e Exaustão. Pela ótica da margem Ebitda, o ano de 2022 foi interessante, já que fechou o ano em 84%, 1,1 ponto percentual a mais que o ano anterior. Para efeito de comparação, a margem Ebitda de 2022 de uma das principais concorrentes na Bolsa, a ISA CTEEP (TRPL4), foi de 39,6%. Por outro lado, a margem Ebitda do 4T22 foi de 81,2%, uma queda de 6,1 p.p. em relação ao 3T22.
OPERACIONAL: seguindo para o lado operacional, a empresa está construindo três linhas de transmissão (TNE, ELTE e TCE). Quando essas linhas estiverem 100% em operação, a empresa vai passar a contar com uma receita adicional de mais de R$ 550 milhões. Na parte de geração, a companhia também conta com três usinas em construção: a pequena central hidrelétrica Antônio Dias (23 MW), o conjunto eólico Agreste Potiguar (63 MW) e a usina solar Pitombeira (61,7 MW). Se tudo ocorrer conforme o planejado, todas elas entrarão em operação ainda em 2023.
DÍVIDA: podemos dividir a dívida bruta consolidada em três partes: (i) R$ 666,8 milhões estão ligados à Alupar - Holding; (ii) um total de R$ 9,4 bilhões foram direcionados para as empresas operacionais que possuem fluxo de pagamento compatível com as respectivas gerações de caixa; e (iii) R$ 1,5 bilhão está ligado aos projetos que estão sendo implantados (R$ 541,6 milhões pro TCE/Alupar Colômbia, R$ 247,7 milhões pras Eólicas Agreste Potiguar, R$ 207,0 milhões pra UFV Pitombeira e R$ 513,0 milhões pra ELTE).
DIVIDENDOS: para a galera que curte dividendos, a empresa anunciou o pagamento de R$ 421,9 milhões, que é equivalente a R$ 1,44 por unit.
NOSSA VISÃO: a Alupar continua fazendo um bom trabalho tanto na transmissão como na geração de energia. Com a entrada em operação das linhas de transmissão e usinas que estão sendo construídas, a tendência é que os resultados da companhia melhorem cada vez mais. Além disso, a empresa ainda pode aumentar seu portfólio de linhas de transmissão, já que, no segundo semestre de 2023, vai acontecer um leilão de transmissão que promete movimentar mais de R$ 20 bilhões em investimentos. Diante desse cenário, reiteramos nossa recomendação de ALUP11 nos percentuais atuais para todas as carteiras.
Arezzo (ARZZ3): gerindo marcas como ninguém
Fonte: Arezzo
DESTAQUES: (i) faturamento anual recorde, fechando 2022 com R$ 5,2 bilhões (crescimento de 43,4% em relação a 2021); (ii) margem Ebit anual caiu 3 p.p. em relação a 2021; (iii) todas as marcas cresceram pelo menos 25% em relação a 2021; e (iv) abertura de 72 lojas no ano.
RESULTADO: a receita bruta da companhia atingiu a marca de R$ 5,2 bilhões no ano (recorde anual) e R$ 1,6 bilhão no trimestre, outro recorde. Isso dá um crescimento de 43,4% comparando ano a ano e de 19,6% comparando o mesmo trimestre de cada ano. Essa expansão foi acima do que a própria empresa esperava (26% no ano), mesmo num ambiente mais desafiador, com eventos como Copa do Mundo, além da pressão inflacionária.
Todas as marcas tiveram um belo desempenho no ano:
- Arezzo: R$ 1,38 bilhão (+29,6%)
- Schutz: R$ 804 milhões (+32,5%)
- Anacapri: R$ 369 milhões (+26,3%)
- AR&CO: R$ 1,2 bilhão (55,7%)
- Outros (A.Birman, Fiever e Alme no mercado interno): R$ 925 milhões (+77,7%)
- Mercado Externo: R$ 154 milhões (+9,4%)
Isso é fruto da assertividade das coleções e da abertura de lojas, mais de 70 no ano.
Olhando pra margem bruta, vemos um crescimento de 1.3 p.p. em relação a 2021. Isso não é só fruto da assertividade das coleções, que aumenta a venda a preço cheio. As vendas no canal de lojas próprias foram um dos grandes destaques do ano, aumentando 72% em relação a 2021 e fechando o ano com uma receita bruta de R$ 1,13 bilhão. Com isso, ela aumentou sua representatividade na receita de 18% em 2021 para 21,67% em 2022. Como esse canal é DTC (sigla em inglês para direto ao consumidor), a margem bruta acaba aumentando conforme cresce.
A margem Ebit da empresa, no entanto, caiu 3 p.p. em relação a 2021, fechando em 13%. O motivo disso foi o crescimento das despesas comerciais. Para conseguir um aumento desses, a empresa destinou uma boa quantia ao marketing da empresa. Inclusive, acabaram de contratar Gisele Bündchen para ser garota propaganda.
Com essas medidas, as despesas comerciais, que correspondiam a 57,5% da receita líquida em 2021, chegaram a 65,2% em 2022. Enquanto isso, as despesas gerais e administrativas foram diluídas com o crescimento da receita, saindo de 29,5% da receita líquida em 2021 e fechando em 19,1% da receita em 2022.
A margem líquida acabou caindo por conta da piora na margem Ebit, fechando em 11,2% no ano, o que deu um lucro líquido de R$ 422,5 milhões.
Com esse resultado, a empresa fechou o ano em uma posição confortável, com um endividamento de R$ 534 bilhões e uma relação dívida líquida/Ebitda de 0,5x.
NOSSA VISÃO: a Arezzo teve um bom resultado e segue em forte expansão. Ao que tudo indica, pretende continuar comprando marcas e a dívida é baixa. Em outras palavras, ela tem espaço pra se endividar e adquirir mais marcas pro seu portfólio.
Neste ano, as margens se deterioraram um pouco, mas isso é fruto do forte investimento em marketing. Pelo crescimento da receita, vemos que essas despesas não estão sendo em vão. Além disso, conforme as novas lojas amadurecerem, as despesas serão diluídas, e as margens potencialmente voltarão ao seu nível histórico. Diante disso, a recomendação de ARZZ3 nos percentuais vigentes está mantida.
BTG Pactual (BPAC11): um verdadeiro anticlímax
Fonte: Shutterstock
No dia 14 de fevereiro, o BTG Pactual divulgou seu resultado referente ao quarto trimestre de 2022.
DESTAQUES: (i) como já era esperado, o 4T22 do BTG foi fortemente impactado pela exposição ao risco de crédito de Americanas, o que causou queda no lucro líquido e na rentabilidade em relação ao trimestre anterior; (ii) no acumulado do ano, o BTG conseguiu um forte crescimento de receita, cerca de 24%, atingindo mais de R$ 17 bilhões; (iii) em 2022, o BTG fechou com ROE (retorno sobre patrimônio líquido) de 20,8%, ligeiramente superior à expectativa de 20% que o banco havia informado para o ano; e (iv) para 2023, o BTG projeta maior eficiência operacional, além de crescimentos do ROE, da receita e do lucro.
NADA É TÃO RUIM QUE NÃO POSSA PIORAR: assim como ocorreu nos resultados do Itaú (ITUB4), que falaremos mais adiante, os números do BTG Pactual (BPAC11) também foram impactados pela recuperação judicial da Americanas.
O BTG optou por provisionar quase R$ 1,2 bilhão em função da exposição do banco a créditos cedidos para a Americanas.
Com esse provisionamento, o resultado do lucro líquido foi impactado negativamente em R$ 580 milhões. Isso também afetou o retorno sobre o patrimônio médio (ROAE), que caiu para 16,7%.
Sem o efeito Americanas, o BTG teria apresentado lucro líquido de R$ 2,3 bilhões e ROAE de 22%.
O lado negativo é que o BTG informou que a provisão realizada equivale a 63% da sua exposição de R$ 1,9 bilhão em Americanas. Ou seja, a situação ainda pode piorar. Diferentemente de Itaú e Bradesco, que provisionaram 100% da exposição, o BTG ainda pode sofrer com uma eventual piora das finanças da Americanas.
RESULTADO: no 4T22, o BTG apresentou lucro líquido ajustado de R$ 1,8 bilhão. Esse resultado é 23,3% inferior ao resultado do 3T22 e 0,8% inferior ao do 4T21.
No acumulado de 2022, o lucro líquido ajustado foi de R$ 8,3 bilhões, crescimento de 28% em relação a 2021. Já o ROAE ajustado em 2022 foi de 20,8%, muito parecido com os 20,3% apresentados em 2021.
Fonte: BTG Pactual
RECEITAS: o BTG apresentou receita total de R$ 3,6 bilhões no 4T22. Assim como o lucro líquido, a receita total do quarto trimestre foi bastante inferior (-23,8%) à receita observada no terceiro trimestre. No acumulado de 2022, a receita total foi de R$ 17,2 bilhões, cerca de 24% superior à receita total de 2021.
Fonte: BTG Pactual
Esse aumento representativo na receita em 2022 se deve a alguns fatores pontuais.
A receita com Wealth Management & Consumer Banking atingiu R$ 686 milhões no trimestre, resultado 5% superior ao trimestre anterior e 53% superior ao quarto trimestre de 2021. Em 2022, a receita com esse segmento foi de R$ 2,5 bilhões, crescimento de incríveis 66% em relação a 2021.
Outra linha de receita que apresentou forte crescimento em 2022 foi a de Sales & Trading. Beneficiando-se do crescimento acelerado da base de clientes do BTG, essa linha de receita cresceu 23,8% em relação a 2021.
No Asset Management, o BTG apresentou receita recorde no ano, cerca de R$ 1,6 bilhão, uma alta de 31% em relação a 2021. Os ativos sob gestão chegaram a R$ 1,3 trilhão.
O destaque negativo foi a queda da receita no segmento de Investment Banking, que caiu 20% em relação a 2021.
DESPESAS OPERACIONAIS: em 2022, o BTG apresentou um aumento de 36% nas despesas operacionais em relação a 2021. Porém, no 4T22, as despesas operacionais tiveram queda de 7%, impactadas pela queda de 39% nos bônus distribuídos em relação ao 3T21.
Essa queda drástica nos bônus do trimestre foi devida ao efeito Americanas. O provisionamento realizado causou uma queda de R$ 153 milhões nos bônus.
Fonte: BTG Pactual
CARTEIRA DE CRÉDITO: no 4T22, o portfólio de crédito do BTG aumentou 20,2% em relação ao trimestre anterior, passando de R$ 144,8 bilhões para R$ 159,6 bilhões. O crescimento em relação ao 4T21 foi de 32,5%.
Fonte: BTG Pactual
GESTÃO DE CAPITAL: no 4T22, assim como no acumulado do ano, o BTG apresentou estabilidade nos índices de capital. O Índice de Basileia (IB), indicador que aponta o mínimo que os bancos possuem de fato em relação aos seus ativos totais, fechou o ano em 15,1%, em conformidade com as normas do Banco Central. Já o índice de cobertura de liquidez (LCR) encerrou o trimestre em 233%.
GUIDANCE 2023: para 2023, o BTG projeta ganho de eficiência operacional representado pelo aumento da receita proporcionalmente maior que o aumento dos custos. Dessa forma, a gestão projeta um ROE superior aos 20,8% de 2022.
O BTG também acredita que o portfólio de crédito crescerá próximo a 15%, sem abrir mão da qualidade do crédito.
A expectativa negativa fica por conta das receitas de Investment Banking, que devem continuar a diminuir, assim como ocorreu entre 2022 e 2021.
NOSSA VISÃO: afetado pelo caso Americanas e alguns outros fatores que foram comentados, o BTG Pactual (BPAC11) apresentou dificuldades tanto no quarto trimestre de 2022 quanto no acumulado do ano.
Embora o resultado não tenha sido de todo ruim, em perspectiva ao resultado apresentado pelo Itaú (ITUB4) e, principalmente, pelo Banco do Brasil (BBAS3), o BTG causou um verdadeiro anticlímax em nós.
Apesar disso, o BTG ainda mostra sinais de crescimento e potencial de valorização. A partir de agora, ficaremos ainda mais de olho no resultado da empresa no próximo trimestre.
Ainda assim, reiteramos nossa recomendação de compra para BPAC11.
Eletrobras (ELET3): resultado apático, mas dentro do esperado
Fonte: Shutterstock
No dia 13 de março, a Eletrobras divulgou seu resultado referente ao quarto trimestre de 2022.
DESTAQUES: (i) receita líquida de R$ 9 bilhões no 4T22, 14,3% inferior ao do trimestre anterior; (ii) Ebitda ajustado somou R$ 4,4 bilhões, 10% abaixo do resultado do 4T21; e (iii) reportou prejuízo de R$ 479 milhões no quarto trimestre de 2022, revertendo lucro de R$ 610 milhões do 3T21.
RESULTADO: no quarto trimestre de 2022, a Eletrobras teve um prejuízo líquido de R$ 479 milhões, em contraste com o lucro líquido de R$ 610 milhões alcançado no mesmo período do ano anterior. No quarto trimestre de 2022, a empresa registrou um resultado negativo, influenciado por três fatores principais.
O primeiro deles foi uma despesa de R$ 1,3 bilhão referente ao Plano de Demissão Voluntária (PDV), uma ocorrência não recorrente, ou seja, algo que não deve se repetir no futuro. O segundo fator foi a provisão de R$ 2,5 bilhões de recebíveis da Amazonas Energia. E, por fim, o terceiro foi a queda de R$ 946 milhões no resultado financeiro, que ocorreu principalmente devido ao aumento das despesas financeiras com encargos de dívida.
Todos esses fatores contribuíram para que o resultado final do quarto trimestre fosse negativo. Esses encargos foram aumentados por conta da consolidação da SPE Santo Antônio Energia e das obrigações estabelecidas pela Lei nº 14.182/2021, para a obtenção das novas outorgas de concessão de geração de energia elétrica por mais 30 anos.
No entanto, a reversão das perdas em investimentos em SPEs, como Saesa, Jirau, Sinop, IE Madeira e São Manoel, no valor líquido de R$ 918 milhões, e os deságios obtidos em acordos judiciais de empréstimo compulsório, no montante de R$ 563 milhões, parcialmente compensaram esses efeitos negativos.
No 4T22, a empresa registrou uma redução de 14% na receita operacional líquida em comparação com o mesmo período do ano anterior, que passou de R$ 10,5 bilhões no quarto trimestre de 2021 para R$ 9 bilhões no trimestre analisado.
Essa redução foi influenciada pela deflação do período que piorou significativamente a receita de transmissão. Por outro lado, a receita de geração apresentou um crescimento de R$ 337 milhões no quarto trimestre de 2022, impulsionado pela consolidação da Saesa e pelos esforços da empresa na venda antecipada de energia disponível.
O Ebitda IFRS caiu de R$ 2 bilhões no 4T21 para R$ 1,4 bilhão no 4T22, devido principalmente à provisão de PCLD mencionada, à redução da receita de Transmissão e ao aumento do PMSO. O Ebitda ajustado apresentou uma redução de 10%, passando de R$ 4,9 bilhões no 4T21 para R$ 4,4 bilhões no 4T22, influenciado pela queda da receita de transmissão decorrente da deflação.
NOSSA VISÃO: a Eletrobras enfrenta atualmente desafios significativos em seu setor. Recentemente, a empresa passou por um processo de privatização, o que exigirá a adoção de medidas que podem afetar seu desempenho no curto prazo, mas que são essenciais para garantir sua sustentabilidade e sucesso a longo prazo. Entre essas medidas, destaca-se o PDV.
Além disso, o setor elétrico como um todo enfrenta um cenário complexo. O preço baixo da energia e a forte concorrência nos leilões de transmissão têm reduzido os investimentos e aumentado a pressão sobre as empresas do setor.
Nesse contexto, estamos preparando um relatório detalhado sobre a situação da Eletrobras e avaliando seu potencial como investimento em nossas carteiras. Por enquanto, nossa recomendação permanece inalterada até que possamos avaliar todas as informações relevantes e tomar uma decisão informada.
Gerdau (GGBR4): um olhar sobre o todo
Fonte: Shutterstock
DESTAQUES: (i) receita líquida de R$ 17,9 bilhões no 4T22, 16,7% inferior ao do trimestre anterior; (ii) Ebitda ajustado somou R$ 3,6 bilhões, 39,3% abaixo do resultado do 4T21, com margem Ebitda ajustada de 20,2% (-7,6 p.p. vs 4T21); (iii) lucro líquido ajustado de R$ 1,3 bilhão, 61,7% inferior ao do 4T21 e margem líquida ajustada de 7,4% (-8,7 p.p. vs 4T21); (iv) fluxo de caixa livre de R$ 10,5 bilhões no ano (+9,1% vs 2021), maior da série histórica; e (v) pagamento de dividendos no montante de R$ 333 milhões, R$ 0,20 por ação.
RESULTADO: a produção de aço bruto somou 2,9 milhões de toneladas no 4T22, recuo de 12,6% em relação ao trimestre anterior. No acumulado de 2022, a produção de aço atingiu 12,6 milhões de toneladas, redução de 4,7% na comparação anual. As vendas somaram 2,7 milhões de toneladas no 4T22, queda de 6,4% vs 4T21, e de 11,9 milhões em 2022 (-6,4 p.p. vs 2021). O quarto trimestre do ano é o período com menor volume historicamente, entretanto, este último foi ainda mais impactado com as eleições no Brasil e a Copa do Mundo, que a empresa considera que ampliaram ainda mais sua sazonalidade.
A receita líquida no 4T22 totalizou R$ 18 bilhões, 16,7% inferior ao do 3T22, porém, em 2022 como um todo, somou R$ 82,4 bilhões, um aumento de 5,2% frente a 2021.
O lucro bruto foi de R$ 2,9 bilhões no 4T22, redução de 43,5% na comparação com o trimestre anterior e de R$ 18,7 bilhões no ano (-9,9% vs 2021). A margem bruta ficou em 16,3% no 4T22, retração de 6,1 p.p. versus 4T21 e 22,8% em 2022 (-3,8 p.p. vs 2021), explicada pela maior pressão de custos, com o carvão aumentando mais de 50% ao longo do ano, por exemplo.
O Ebitda ajustado somou R$ 3,6 bilhões no 4T22, 32,4% abaixo do 4T21, e R$ 21,5 bilhões em 2022, 7,4% inferior a 2021. A margem Ebitda ajustada foi de 25,4% no tri (-5,2 p.p. vs 4T21) e 26,1% no ano (-3,5 p.p. vs 2021), explicado pelo aumento nas despesas de 12,1% no trimestre e de 3,9% no ano. Desse montante, 29,2% foram oriundos da operação Brasil, 48,2% da operação Estados Unidos, 11,8% da unidade de aços especiais e 10,8% da unidade América do Sul.
O lucro líquido ajustado foi de R$ 1,3 bilhão no trimestre, redução de 55,9% quando comparado ao 4T21 e de R$ 11,6 bilhões no ano (-16,5% vs 2021), explicado, sobretudo, pela maior pressão de custos e, principalmente, pela forte base de comparação do ano 2021, quando a companhia registrou o maior lucro líquido ajustado de sua história.
O fluxo de caixa livre do 4T22 foi de R$ 1,1 bilhão. No ano, a empresa atingiu R$ 10,5 bilhões, sua maior geração de fluxo de caixa livre da história, representando uma conversão de caixa de 48% do Ebitda ajustado, reflexo da disciplina nos investimentos de capex e capital de giro, bem como da consistente redução do seu endividamento.
REMUNERAÇÃO AOS ACIONISTAS: ao longo do ano, a empresa distribui R$ 6,1 bilhões (+13,6% vs 2021) em proventos, um payout de aproximadamente 70%. A Gerdau anunciou que aprovou a distribuição de dividendos no montante de R$ 333 milhões, equivalente a R$ 0,20 por ação. O pagamento ocorrerá em 23 de março de 2023, com base na posição acionária de 14 de março.
A companhia não fez novas recompras ao longo do 4T22. Assim, com 44,5 milhões das 55 milhões de ações previstas, a empresa continua com 81,0% do total do Programa de Recompras feito.
NOSSA VISÃO: apesar de o resultado trimestral parecer fraco visto em linhas gerais, o anual foi sólido e mostra a resiliência da operação da empresa. O cenário macroeconômico ainda é desafiador no segmento, especialmente em função das pressões inflacionárias nos insumos (como carvão e coque).
Ainda assim, a companhia foi capaz de entregar uma forte geração de fluxo de caixa livre positiva e manteve sua desalavancagem baixa, medida pelo indicador dívida líquida/Ebitda, no patamar de 0,33x. Com boas perspectivas pela frente, dado o processo de reshoring nos EUA, retomada na venda de veículos com a melhor oferta de semicondutores, além do segmento de óleo e gás ainda aquecido, reiteramos a manutenção de GGBR4 com os percentuais mantidos.
Itaú Unibanco (ITUB4): cautela, eficiência e quase tudo que há de bom
Fonte: Shutterstock
No dia 7 de fevereiro, o Itaú divulgou seu resultado referente ao quarto trimestre de 2022.
DESTAQUES: (i) o quarto trimestre foi marcado por um aumento nas provisões para conter o efeito negativo da Americanas; (ii) mesmo com esse percalço, o Itaú conseguiu entregar um ROE competitivo (19,3%) e crescer a margem financeira com clientes; (iii) diferentemente dos principais concorrentes, o crescimento da margem financeira não causou aumento representativo na inadimplência dos empréstimos, que se manteve em patamares baixos; e (iv) o custo de crédito em R$ 32,3 bilhões ultrapassou a pior expectativa do guidance, e o Itaú projeta uma piora para o próximo ano.
O SEGURO MORREU DE VELHO: no 4T22, o Itaú optou por reconhecer em seus resultados todos os impactos causados pela recuperação judicial (RJ) da Americanas. Na prática, o banco passou a classificar o crédito da varejista como “H”, a pior classificação possível. Como consequência, o Itaú provisionou 100% da exposição a Americanas, aumentando a provisão já existente em cerca de R$ 1,3 bilhão (R$ 719 milhões, líquidos de impostos).
Isso significa que, mesmo se o pior ocorrer e o calote for completo, o efeito negativo já foi todo considerado nesse resultado. A partir de agora, apenas eventos positivos de recuperação de crédito podem surpreender.
RESULTADO: o resultado recorrente do banco no 4T22 foi de R$ 7,7 bilhões, frente a um resultado de R$ 8,1 bilhões no terceiro trimestre. Desconsiderando o efeito Americanas, o resultado do trimestre analisado seria de R$ 8,4 bilhões. No consolidado, o resultado de 2022 foi de R$ 30,8 bilhões, versus um resultado de R$ 26,9 bilhões em 2021.
Esse resultado leva a um ROE (retorno sobre patrimônio) de 19,3%. Sem o efeito Americanas, o ROE subiria para 21%, um valor bastante representativo.
CARTEIRA DE CRÉDITO: outro resultado que chama nossa atenção, mas dessa vez pelo lado negativo, é o da carteira de créditos. No último trimestre, a carteira de crédito para pessoas físicas cresceu 3,7%, com destaque para a linha de cartão de crédito, que aumentou 4,9%.
No acumulado anual, a carteira de crédito total cresceu 11% em relação a 2021. É um resultado decepcionante, uma vez que o guidance de 2022 apontava uma expectativa de crescimento entre 15,5% e 17,5%.
MARGEM FINANCEIRA: no 4T22, a margem financeira com clientes foi de R$ 24,2 bilhões, frente a R$ 23,4 bilhões no trimestre anterior e a R$ 19,9 bilhões no 4T21. No acumulado do ano, o resultado foi de R$ 89,6 bilhões, cerca de 27% superior ao resultado de 2021. O crescimento foi, inclusive, ligeiramente superior à melhor expectativa do guidance de 2022.
O mais importante nisso é que o Itaú conseguiu expandir os empréstimos mais rentáveis e, mesmo assim, manteve a inadimplência sob controle.
Já a margem financeira com o mercado ficou dentro da expectativa do guidance de 2022, embora tenha sofrido uma queda representativa se comparada a 2021.
RECEITA DE SERVIÇOS: de forma geral, entre 2021 e 2022, houve um crescimento nas receitas de 7,8%, quase no centro do guidance de 2022, que tinha uma expectativa de crescimento entre 7% e 9%.
Os destaques positivos ficam por conta da receita com seguros, que cresceu 11,4% no trimestre e 25,5% no ano, e a receita com cartões, que aumentou 4,2% no trimestre e 17,8% no ano.
CUSTO DO CRÉDITO: no último trimestre de 2022, o custo do crédito no Itaú foi de R$ 9,8 bilhões – não fosse o caso Americanas, teria sido de R$ 8,5 bilhões. Em 2022, o custo total do crédito foi de R$ 32,3 bilhões, ficando acima do pior cenário do guidance, que era de R$ 31 bilhões.
É um aumento considerável em relação a 2021, em que o custo do crédito foi de R$ 20,2 bilhões.
GUIDANCE 2022: outros indicadores importantes, como as despesas não recorrentes de juros e alíquota efetiva de imposto, ficaram dentro da expectativa do guidance de 2022.
Em suma, o Itaú conseguiu cumprir com as projeções do guidance de 2022, e o mercado se mostrou satisfeito com o resultado apresentado em 2022.
Fonte: Itaú
GUIDANCE 2022: o Itaú fez projeções conservadoras para 2023. O crescimento da carteira entre 6% e 9% é mais modesto quando comparado com o que o banco produziu nos anos anteriores. Isso tem total relação com o cenário macroeconômico desafiador vivido atualmente.
O guidance do crescimento da margem financeira mostra a continuação da forte expansão, crescendo entre 13,5% e 16,5%.
A margem financeira com o mercado entre R$ 2 bilhões e R$ 4 bilhões mostra que o banco acredita que, apesar dos desafios, vai conseguir mais um ano de margens positivas.
Embora o índice de capital do Itaú já esteja em um patamar satisfatório (13,5%), ele não pretende melhorar a política de distribuição de dividendos no curto prazo.
Fonte: Itaú
NOSSA VISÃO: o Itaú, mesmo convivendo um cenário extremamente desafiador com a alta na taxa de juros, conseguiu manter sua eficiência operacional e apresentar um resultado satisfatório.
O uso da tecnologia para a análise do perfil de crédito dos clientes permitiu ao banco continuar a expansão da margem financeira sem diminuir a qualidade do crédito, um fato raro no setor. O banco possui margem de segurança para aumentar ainda mais a margem financeira e expandir a carteira de crédito no curto prazo.
Diante desse cenário, reiteramos nossa recomendação em ITUB4 e mantemos os percentuais atuais para as carteiras.
PRIO (PRIO3): por que é a queridinha?
Fonte: Shutterstock
No dia 1º de março, a PRIO divulgou seu resultado referente ao quarto trimestre de 2022.
DESTAQUES: (i) receita de US$ 1,2 bilhão, uma alta de 54% ante 2021; (ii) alta na produção, que bateu 40.470 boepd (barris de petróleo por dia), 28% a mais do que em 2021; (iii) margem Ebit (em dólar) de 64,49%; e (iv) caixa operacional gerado de pouco mais de US$ 915 milhões, 115% a mais que no ano anterior.
RESULTADO: primeiro, precisamos relembrar que existem duas principais formas de uma empresa buscar por vantagem competitiva: diferenciação do produto ou de preços, no sentido operacional. Como a PRIO é uma empresa de petróleo, não faz nenhum sentido ela buscar a diferenciação dos seus produtos (commodity é isso). Então, sobra pra ela focar no operacional – e a companhia dá aula nesse quesito.
O melhor exemplo disso é o lifting cost, que é o custo de extração (ou um dos principais custos do setor). A PRIO registrou um lifting cost de US$ 8,6/bbl (dólares por barril), o menor de todos os tempos.
Fonte: PRIO
Isso tudo em um ano em que a empresa incorporou a DOMO, adquiriu os 40% restantes do campo de Itaipu, além da Hunter Queen (uma sonda pra auxiliar na perfuração).
Como boa parte dos ganhos da PRIO são em dólar (e muitos custos em reais), vamos trazer tudo para a moeda norte-americana. Em 2022, a companhia faturou US$ 1,2 bilhão, uma alta de 54% ante 2021. Esse recorde de receita foi muito por conta da produção, que bateu 40.470 boepd (barris de petróleo por dia), 28% a mais do que em 2021, e de um preço médio de venda de US$ 100,12. (34% maior que 2021).
EBIT: em 2022, a PRIO apresentou uma margem Ebit (em dólar) de 64,49%, uma alta de 16,35 p.p. Uma margem operacional dessa magnitude coroa um momento operacional muito bom da companhia. Claro, o mercado de petróleo é sempre muito volátil, por isso, a atuação operacional precisa ser muito boa para mitigar esse problema. Para se ter uma ideia, a empresa gerou, em 2022, de caixa operacional, pouco mais de US$ 915 milhões, 115% a mais que no ano anterior.
NOSSA VISÃO: a PRIO está passando por um momento desafiador de testar a sinergia com as aquisições recentes. É o momento de validar sua capacidade operacional, enquanto o mundo continua com o tradicional ruído sobre a commodity. Um aumento de produção com a redução dos custos operacionais é uma das grandes justificativas da empresa ser uma das queridinhas da Bolsa, apesar de estar amargando uma queda de 13,57% no ano até 13/3/2023.
Em breve, soltaremos um relatório aprofundando o case da PRIO e decidiremos sobre o futuro da empresa em nossa carteira. Por enquanto, a recomendação de PRIO3 e os percentuais permanecem inalterados.
Para elogios, sugestões e críticas construtivas, sintam-se a vontade para nos contatar pelo e-mail spitione@invistaspiti.com.br
Abraços,
Leandro Siqueira