Relatórios

Resultados do 4T22 de Vivo (VIVT3) e Hypera Pharma (HYPE3)

Escrito por Leandro Siqueira, Felipe Arrais em AÇÕES

6 min de leitura

Olá, assinantes do Spiti One!

No relatório de hoje, comentamos os resultados da Vivo Telefônica (VIVT3) e Hypera Pharma (HYPE3).

Vivo (VIVT3): avançando onde importa

Fonte: Shutterstock

No último dia 15 de fevereiro, a Vivo divulgou seu resultado referente ao quarto trimestre de 2022.

DESTAQUES: (i) receita operacional líquida de R$ 12,6 bilhões no 4T22, aumento de 10,1% versus o 4T21; (ii) receita líquida com telefonia móvel atingiu R$ 8,9 bilhões, crescimento de 13,4% na comparação anual; (iii) Ebitda recorrente atingiu R$ 5,2 bilhões, crescimento de 6,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior; e (iv) lucro líquido totalizou R$ 1,1 bilhão, redução de 57,2% versus o 4T21, explicado principalmente pelo reconhecimento no 4T21 de crédito fiscal no valor de R$ 1,4 bilhão.

Fonte: RI Vivo

RECEITA: a Vivo reportou receita operacional líquida de R$ 12,6 bilhões no 4T22, aumento de 10,1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. No ano como um todo, a receita operacional líquida totalizou R$ 48 bilhões, crescimento de 9,1% em comparação a 2021.

A receita líquida com telefonia móvel atingiu R$ 33 bilhões, crescimento de 12,6% na comparação anual e de R$ 8,9 bilhões no 4T22 (+13,4% versus 4T21).

As receitas de pós-pago (80% da receita de serviço móvel) e de pré-pago cresceram 11,4% e 15,1% no ano, respectivamente, impulsionadas: (i) pelo aumento da base de clientes, com saldo positivo de portabilidade de outras operadoras; (ii) pelos reajustes anuais de preços; e (iii) churn (porcentagem de clientes que cancelam o plano) em níveis mínimos históricos.

A receita com a venda de aparelhos atingiu R$ 3,1 bilhões no ano, crescimento de 17,5%, impulsionada pela venda de smartphones compatíveis com 5G (que já representam mais de 50% do faturamento total) e acessórios oferecidos pela Vivo.

A receita com telefonia fixa totalizou R$ 14,9 bilhões, aumento de 2,1% na comparação anual. Destaque para a receita com fibra (FTTH), que alcançou R$ 5,3 bilhões, superior em 22% à receita de 2021. Nos últimos 12 meses, a rede de fibra da Vivo adicionou 3,7 milhões de casas passadas, conectou 874 mil novos clientes e chegou a 82 novas cidades, cobrindo 409 municípios até agora. Ao final de 2022, a companhia alcançou 23,3 milhões de casas passadas e atingiu a marca de 5,5 milhões de clientes.

Fonte: RI Vivo

O segmento de dados corporativos, TIC e outros também apresentou grande crescimento, com receita de R$ 3,7 bilhões (+16,1% versus 2021), por conta do portfólio de produtos da companhia, que conta com soluções de cloud, TI, cibersegurança e equipamentos que auxiliam empresas a digitalizar suas operações. 

As receitas de telefonia fixa não core (voz fixa, xDSL e DTH) somaram R$ 992 milhões, redução de 17,1% na comparação anual.

EBITDA: o Ebitda recorrente atingiu R$ 19,3 bilhões, crescimento de 7% na comparação com 2021. A margem Ebitda ficou em 40,1% (-0,8 p.p. vs 2021), impactada pelo aumento de custos com pessoal (R$ 4,8 bilhões) em 18,9%, devido a reajuste anual de salários, despesas com remuneração variável, maior atividade comercial no B2B e aquisição da Vita IT. Os custos comerciais e de infraestrutura, com maior representatividade na operação como um todo, somaram R$ 12,7 bilhões (+3,9% vs 2021), por conta das maiores despesas com publicidade e tecnologia.

RESULTADO LÍQUIDO: o lucro líquido totalizou R$ 4 bilhões, queda de 34,5% contra 2021, explicada principalmente pelo reconhecimento no 4T21 de crédito fiscal no valor de R$ 1,4 bilhão. Esse valor era referente à decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a inconstitucionalidade da incidência do IRPJ e da CSLL sobre as correções à taxa Selic recebidas em razão de devolução de impostos recolhidos indevidamente. Houve também aumento das despesas financeiras, com o resultado financeiro atingindo R$ -1,7 bilhão (+56,8% vs 2021), consequência do maior endividamento médio e do aumento das taxas de juros no período.

NOSSA VISÃO: a Vivo entregou mais um resultado resiliente, com as receitas de fibra e telefonia móvel continuando a ganhar representatividade no seu resultado. Além disso, a empresa vem evoluindo nos seus negócios digitais, tanto no B2C, com o Vivo Money e a oferta de serviços financeiros aos clientes pós-pago, quanto no B2B, com uma ampla oferta de serviços de cloud, cibersegurança, IoT e Big Data, que tendem a continuar crescendo fortemente com o avanço do 5G. 

Com um histórico consistente de pagamento de dividendos, a possibilidade de redução de capital social em R$ 5 bilhões, que aguarda aprovação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e que será restituída aos acionistas, além do novo programa de recompra de ações de R$ 500 milhões, vemos com bons olhos as perspectivas futuras de retorno aos acionistas. 

Dessa forma, reiteramos nossa recomendação para VIVT3 nos percentuais recomendados das carteiras.

Hypera Pharma (HYPE3): sem grandes enxaquecas

Fonte: Abrafarma

DESTAQUES: (i) a Hypera reportou um aumento recorde na receita líquida, de R$ 2,1 bilhões, um aumento de 30,4% em relação ao 4T21; (ii) as vendas para o mercado institucional progrediram de maneira avassaladora, atingindo a meta estipulada para 2026, na qual chegariam a 5% da receita líquida com as vendas nesse segmento; e (iii) Ebitda das operações continuadas foi de R$ 756,5 milhões, resultado 24,6% acima do 4T21 e estável se comparado com a margem Ebitda do 4T21.

RESULTADO: a empresa conseguiu manter-se em linha com o guidance, tendo portanto um belo resultado para o ano de 2022. Ela conseguiu performar 2,5 p.p. acima das concorrentes no sell-out (venda direta para o consumidor), conforme informado pelo IQVIA, exclui o segmento de fórmulas infantis.

A margem bruta da empresa ficou em 63,1% em 2022, resultado 0,9 p.p. menor do que em 2021. Esse número se deu pelo aumento das vendas no mercado institucional, que, por comprarem em maior quantidade, exigem preços mais camaradas, reduzindo assim a margem bruta.

RECEITA: a Hypera Pharma apresentou um crescimento expressivo em sua receita líquida em 2022, alcançando R$ 7,5 bilhões, aumento de 27,1% em relação ao ano anterior. Esse resultado se deve, em alguns pontos, ao crescimento orgânico do sell-out superior ao do mercado e à contribuição do portfólio de medicamentos adquirido no início do ano (Sanofi). 

Pela primeira vez, a empresa obteve ganhos de market share em todas as suas unidades de negócio dedicadas ao varejo farmacêutico, em especial as power brands (marcas com +R$100 milhões de sell-out). Além disso, a empresa registrou um crescimento estrondoso no mercado institucional, contribuindo para a melhoria do seu desempenho financeiro.

Um ponto de atenção é o resultado financeiro, que saiu da casa dos R$ 323,7 milhões em 2021 e atingiu R$ 871,6 milhões em 2022, aumento de 169%. Essa elevação é reflexo do maior endividamento da companhia, que emitiu R$ 2 bilhões em debêntures no ano de 2022, e do aumento da taxa Selic. 

Essas despesas estão impactando diretamente o lucro líquido, já que saímos de uma margem líquida da casa dos 30% nos últimos cinco anos e passamos aos 22,5% em 2021 e 2022.

Fonte: RI Hypera Pharma

EBITDA: ao olharmos a margem Ebitda, percebemos que ela também ficou estável em relação ao ano de 2021. Para chegar a esse resultado, houve contribuições na redução das despesas com marketing e diluição de outras receitas/despesas. Esses apertos foram compensados pelo maior gasto em P&D (pesquisa e desenvolvimento) e aumento das despesas administrativas. 

O lado positivo desse aumento de gastos com P&D é que a empresa possui a receita atrelada a um índice de inovação, que mede o quanto da receita líquida veio de produtos lançados nos últimos cinco anos, e que em 2022 foi de 22%. Logo, um aumento das despesas nessa frente pode resultar bons frutos para o futuro da receita da empresa.

NOSSA VISÃO: a Hypera encerrou o ano com resultado estável e, de acordo com as nossas projeções, mostraram um crescimento resiliente e uma trajetória de consolidação de suas marcas. Esperamos que a empresa continue ganhando market share nos próximos anos e melhorando suas margens. 

Fonte: RI Hypera Pharma

De todo modo, o valor da empresa não depende apenas do resultado operacional dela. O aumento dos juros influencia diretamente o custo de capital da empresa e isso inevitavelmente impacta no preço-alvo. Por conta disso, em breve soltaremos um relatório em que nos aprofundaremos no case da Hypera e decidiremos sobre o futuro da empresa em nossa carteira.

Dado o exposto neste relatório, por ora, mantemos os percentuais de alocação estabelecidos para HYPE3 nas carteiras do Spiti One.

Para elogios, sugestões e críticas construtivas, sintam-se a vontade para nos contatar pelo e-mail spitione@invistaspiti.com.br

Abraços,

Leandro Siqueira

Sobre os analistas

Leandro Siqueira

Fundador

É especialista em ações da Varos e bacharel em Economia pela UFRJ. Atuou na gestão de clube de investimentos e no banco de investimento Modal antes de fundar a plataforma de educação financeira Varos. Hoje, lidera um time de sete analistas CNPI e é apaixonado por mergulhar no dia a dia de negócios das empresas, buscando encontrar oportunidades de crescimento e geração de caixa a preços que sejam uma verdadeira barganha.

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.