Alupar: é hora de dar tchau
Olá, assinante do Spiti One!
O motivo para a remoção de Alupar é que o mercado já precificou as ações e agora somente uma expansão rentável das linhas de transmissão justificaria o preço pelo qual as ações estão sendo cotadas.
Não temos nada a criticar sobre a Alupar, até porque ela trouxe 48% de rentabilidade para a carteira Small Caps desde que foi recomendada na série e 12,8% desde que iniciamos o Spiti One. A empresa é uma das maiores do setor, atuando tanto na transmissão quanto na geração de energia. Ela é bem estruturada e supera suas concorrentes em termos operacionais.
No entanto, essas características não são suficientes para manter a empresa em nossa carteira. Afinal, estamos em busca de ações com potencial de valorização, o que, infelizmente, não se aplica à Alupar.
A empresa se destaca como uma das maiores do Brasil em termos de Receita Anual Permitida (RAP), com 30 concessões de linhas de transmissão sob seu comando. Além disso, suas usinas têm uma capacidade instalada combinada de mais de 600 MW. Essas atividades resultaram em uma receita líquida de R$ 3,8 bilhões para a empresa em 2022.
O grande problema da Alupar é que suas ações já estão bem precificadas no mercado, levando em consideração seus ativos. Além disso, não identificamos boas oportunidades de expansão de suas atividades no momento.
Recentemente, ocorreu um leilão de transmissão de energia que não apresentou boa rentabilidade nos lotes. Dadas as baixíssimas rentabilidades dos últimos leilões de transmissão de energia, se o jogo não virar, a realidade é que novos projetos vão adicionar pouquíssimo valor à empresa, se não acabarem por destruir valor para os acionistas.
Por esse motivo, acreditamos que projetar um crescimento exponencial das linhas de transmissão da Alupar não faz muito sentido. Resta-nos considerar a Receita Anual Permitida das linhas existentes e corrigi-las anualmente pela inflação.Na margem Ebit, utilizamos a média dos últimos anos, que foi de 82%, o que representa uma margem sólida para uma empresa que atua nesse ramo. Foi o que falamos, não temos o que reclamar do operacional da companhia.
Dessa forma, trazendo a valor presente os fluxos de caixa da Alupar descontados por seu custo de capital ano a ano, chegamos ao valor de R$ 24,70 para ALUP11, cotação bem abaixo do preço de tela em 11 de julho (R$ 28,78). A TIR (taxa interna de retorno), por sua vez, foi de 12,2%, também abaixo do WACC (sigla en inglês para custo médio ponderado de capital) de longo prazo da empresa, de 13,3%.
Ainda assim, concedemos mais um "voto de confiança" à Alupar e simulamos diferentes cenários para sua margem Ebit. Mesmo considerando uma margem Ebit bastante elevada (90%, o que é bastante alto para o setor), as ações não apresentaram um potencial de valorização que justificasse continuidade em nossa carteira.
Portanto, considerando o alto grau de otimismo necessário e, por consequência, risco envolvido nas projeções para a companhia chegar apenas a um valor próximo ao atual, optamos por retirar ALUP11 do Spiti One.
E como ficam as nossas carteiras recomendadas no Spiti One?
Na sexta-feira passada, 14/7, disparamos avisos por e-mail e SMS sobre a recomendação de venda de Alupar (ALUP11) para todas as carteiras de R$ 50 mil ou mais, sem adição de outra ação aos nossos portfólios.
Por isso, o valor que era destinado para a empresa deve ser redistribuído nas demais ações conforme mostramos na tabela abaixo:
O espaço deixado pela empresa foi distribuído nas demais ações, que ficaram com pesos idênticos para carteiras acima de R$ 500 mil e relativamente próximos naquelas abaixo de R$ 500 mil.
Note que não fizemos ajustes proporcionais em C&A (CEAB3), pois já estava com um peso levemente acima das outras, e em Itaú (ITUB4), porque estamos na fase final da sua revisão de tese e optamos por não efetuar ajustes neste momento.
Essas mudanças fazem parte do nosso processo de revisão das carteiras do Spiti One em conjunto com as séries O Melhor da Bolsa e Small Caps. Tais análises devem se encerrar no decorrer do mês de julho. Portanto, ajustes percentuais entre as ações das carteiras devem acontecer marginalmente à medida que avançarmos nas revisões.
Abraços,
Leandro Siqueira