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Retrospectiva 2024 e expectativas para 2025

Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS

17 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Atualização do cenário macro. Expectativa de dois cortes de juros dos Estados Unidos, que será mantida para o ano que vem. 

  • Retrospectiva 2024: o BTC começou o ano aos US$ 45.250. Tivemos: a aprovação dos ETFs de BTC à vista em janeiro, um primeiro pico importante do BTC aos US$ 77.750 em março, o Halving em abril, o último fundo do BTC em agosto, a congestão de oito meses entre março e outubro, a nova máxima histórica em novembro e em dezembro. Além disso,chegamos aos US$ 100 mil e marcamos a nova máxima histórica do BTC, alcançando os US$ 107 mil.

  • E mais: as expectativas e setores promissores para 2025; Trump propagando o mercado cripto;,a previsão de dois cortes de juros no ano que vem mantida, além da expectativa de topo do ciclo, por volta de outubro de 2025.

  • Comentamos tamém sobre um dos principais setores, que apanhou bastante nos últimos anos e que agora é o foco do mercado, Finanças Descentralizadas (DeFi).

Eu confesso. Eu não estava confiante de que o BTC chegaria aos US$ 100 mil ainda em 2024. Depois de oito meses de luta, marcamos o gol nos minutos finais do jogo.

O BTC abriu o ano cotado aos US$ 42 mil e, até o momento, está fechando próximo da máxima histórica dos US$ 107 mil, isso representa uma alta de quase 150% ao ano.

O que levou o BTC a se desempenhar tão bem assim no período? Será que ainda dá tempo de investir nesse mercado, para aproveitar essa temporada de alta? Até onde eu acredito que o BTC deve chegar? 

Cenário macro

Alguns meses antes da vitória de Trump à presidência dos Estados Unidos, segundo o site CME Group, o mercado tinha uma expectativa de pelo menos três cortes de juros no ano que vem.

Depois da confirmação da sua vitória, tivemos uma mudança no cenário-base. Devido ao estilo de governança mais expansionista de Trump, que tende a incentivar a indústria, reduzir os impostos e gerar mais margem para as empresas, esse modelo cria mais empregos, coloca mais dinheiro no bolso da população e, consequentemente, aumenta o consumo, pressionando a inflação.

Com isso, a expectativa de apenas dois cortes de juros para o ano que vem está predominando no momento.

Expectativa dos juros nos EUA 2025
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Fonte: CME (11/12/2024)

Atualmente, a expectativa do primeiro corte é para a reunião de março, enquanto o segundo deve acontecer na reunião de junho. Por isso, mesmo que esse corte seja adiado por alguns meses, podemos considerar que temos um prazo razoável para o segundo corte acontecer no segundo semestre de 2025 e ainda beneficiar o mercado cripto, com um último suspiro.

Retrospectiva 2024

Com certeza, 2024 foi um ano incrível para o mercado cripto, com muitas notícias positivas. Então, no relatório de hoje, vamos fazer uma retrospectiva por ordem cronológica dos fatos deste ano.

  • Janeiro

O BTC abriu o ano na casa dos US$ 42 mil. Considerando a máxima do ano, no momento da escrita deste relatório (US$ 107 mil), o BTC chegou a se valorizar mais de 150%.

Um dos principais motivos que favoreceu o crescimento deste mercado, certamente, foi a aprovação dos ETFs de BTC à vista, que começaram a ser negociados em janeiro. 

Desde então, as gestoras precisaram efetivamente comprar o ativo para emitir as cotas que serão negociadas do ETF, o que não era necessário nos ETFs anteriores, que simplesmente seguiam o índice determinado.

Apesar de os ETFs terem animado o mercado inicialmente, a captação deles se manteve relativamente baixa a partir de março, por aproximadamente oito meses; eles ganharam força apenas a partir de novembro, impulsionando também o BTC.

Ativos Sob gestão
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Fonte: TheBlock Data: 12 de dezembro

Outro dado interessante para observarmos é o volume de negociação desses ativos. Por meio dele, conseguimos identificar se o interesse do mercado financeiro tradicional está crescendo ou diminuindo. 

Depois da euforia inicial do lançamento, durante a estagnação do BTC de março a outubro, as negociações dos ETFs também caíram bastante. Mas, com a retomada da alta, o volume acompanhou o movimento do ativo, apesar da leve queda nas últimas semanas, depois que o BTC atingiu os US$ 100 mil.

Volume de negociação
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Fonte: TheBlock

O curioso também é que o maior ETF de BTC à vista, o IBIT, da maior gestora do mundo, a BlackRock, superou o seu próprio ETF de Ouro em apenas 10 meses, sendo que o seu ETF de ouro já possui mais de 20 anos. Esse movimento mostra o forte interesse do mercado financeiro tradicional pelo ativo.

  • Abril

Abril certamente merece um destaque. Podemos considerar que tivemos o equivalente a um aniversário bissexto do BTC. No dia 20 de abril, aconteceu o Halving, desde então, a produção de novas moedas caiu pela metade. Esse é um fato raro e que acontece a cada quatro anos.

Historicamente, é depois do Halving que a temporada de alta fica mais forte. Desde abril, o BTC chegou a subir mais de 60%, o que com certeza já é significativo; mas, acredite: a alta está só começando.

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Este ano aconteceu o quarto Halving do BTC. Mas, conforme o mercado cresce, é claro que os movimentos de alta proporcionados por ele tendem a diminuir sua amplitude, conforme podemos ver no gráfico acima. 

Então, para a temporada atual, espero uma valorização entre 150% e 175%, depois do Halving. Sendo que ele aconteceu quando o BTC estava na casa dos US$ 64 mil, isso projeta o ativo para a casa dos US$ 160 mil a US$ 176 mil. Esse é um objetivo plausível, porém devemos estar preparados para realizar aos poucos, mesmo que não chegue a esse patamar. Mas não se preocupe,  vamos detalhar essa estratégia de realização no próximo relatório.

  • Maio

Quatro meses depois da aprovação dos ETFs de BTC à vista, também foram aprovados os ETFs de ETH à vista.

Não vou negar, os primeiros meses foram extremamente difíceis. Até meados de outubro, os ETFs antigos da Grayscale - que foram convertidos para ETF à vista - perderam capital continuamente e a somatória dos ativos sob gestão até diminuiu nos primeiros meses de negociação, pois a Grayscale vendia mais ETH do que os demais ETFs conseguiam captar.

Apenas a partir de novembro, depois da vitória de Trump, que os ETFs de ETH começaram a captar em ritmo considerável.

Ativos sob gestão dos ETFs de ETH 
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Fonte: TheBlock

As compras dos ETFs de ETH começaram ao mesmo tempo da retomada de compra dos ETFs de BTC e, inclusive, estão em ritmo acelerado. Considerando que os ETFs de ETH estão captando em média 33% dos ETFs de BTC e que, em tamanho de capitalização, o ETH é de menos de 25% do BTC, podemos dizer que, proporcionalmente, os ETFs de ETH estão em um ritmo interessante de crescimento.

Volume de negociação
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Fonte: TheBlock

Ao mesmo tempo, o volume negociado também explodiu. Enquanto nos ETFs, de BTC, o volume está caindo aos poucos, nos ETFs, de ETH, só estão aumentando. Esse otimismo do mercado com a descolada dos ETFs de ETH foi um dos principais fatores para desbloquear a temporada das altcoins, a Altseason.

  • Outubro

O primeiro pico importante do BTC foi aos US$ 77.750; em março e agosto, o BTC deu a melhor oportunidade recente de compra na casa dos US$ 50 mil, por apenas 12 horas.

Gráfico de preços do BTC em 2024
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Fonte: TradingView Adaptação: Finclass

Mas, em uma visão mais ampla, podemos considerar que o BTC ficou congestionado por oito meses, de março até o final de outubro, onde oscilou predominantemente entre US$ 56 mil e US$ 72 mil.

  • Novembro

No mês das eleições dos Estados Unidos, o tema “criptoativos” se tornou uma questão política fundamental, com os candidatos sendo constantemente pressionados a se e o posicionar sobre o assunto.

Enquanto Kamala Harris praticamente se recusava a falar sobre o assunto, dizendo apenas que apoia a evolução da inteligência artificial e a aplicação da tecnologia Blockchain, Donald Trump aproveitou a temática para se fortalecer.

Foi então que, com a confirmação da vitória de Trump no dia 6 de novembro, o BTC superou a máxima histórica daquele momento; nos US$ 73 mil dólares, rompeu a congestão comentada anteriormente, renovou sua máxima histórica por diversos dias seguidos e decolou cerca de 45% em poucas semanas.

  • Dezembro

Finalmente, o grande momento - esperado desde 2017 - chegou! Em 5 de dezembro, o BTC bateu os US$ 100 mil e marcou a nova máxima dos US$ 107 mil. 

Já era de se esperar uma forte pressão vendedora, devido à expectativa do mercado e  barreira psicológica do número redondo. Desde então, estamos congestionados próximos dos US$ 100 mil.

Além desses fatos, que podemos considerar mais pontuais, também temos outros acontecimentos marcantes que foram evoluindo durante todo o ano, e que comentaremos a seguir.

Melhores setores de 2024 

Assim como no caso de ações, temos os setores que melhor se desempenharam em determinado momento, a depender do cenário econômico. No mercado cripto, a dinâmica é semelhante, mas não necessariamente por questões de mercado; costumamos dizer que somos mais impactados por narrativas.

Aqui, também podemos dividir os criptoativos em classes e subclasses. Caso você ainda não tenha familiaridade com essa divisão, sugiro a apreciação deste relatório, antes de continuar a sua leitura.

  • Adoção das Stablecoins

Começamos por um setor que não pode ser considerado necessariamente um investimento, mas que cresceu muito este ano, o de stablecoins. Por serem ativos de valor estável, trazem segurança para o mercado e ainda proporcionam liquidez.

No segundo trimestre de 2024, as stablecoins realizaram mais de 1,1 bilhão de transações, equivalente a US$ 8,5 trilhões de dólares. Só para termos uma referência, esse volume financeiro é maior do que o que a VISA processa mundialmente. Mas, em número de transações, a empresa de pagamentos ainda está bem na frente.

Crescimento das stablecoins 
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Fonte: a16z

Por isso, as stablecoins cumprem um papel fundamental neste mercado e são consideradas uma estrutura base para uma alta eficiência do mercado cripto. No decorrer desta atual temporada de alta, o número de ativos em circulação e o volume de negociação só tendem a crescer.

  • Desempenho dos setores

Começando por uma visão geral do mercado cripto, podemos listar as narrativas e setores do mercado cripto que mais se popularizaram, com base nos temas mais abordados nas redes sociais.

Quem é mais antenado em tecnologia deve ter sido bombardeado por conteúdos de inteligência artificial neste ano, o que acabou impactando positivamente os criptoativos relacionados ao tema.

Setores em alta nas redes sociais
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Fonte: a16z

Outro setor que se manteve com um alto interesse é o de Finanças Descentralizadas (DeFi). Mas não necessariamente por um bom motivo. A SEC, equivalente à CVM no Brasil, pegou no pé do setor este ano e causou bastante polêmica sobre o assunto. Por isso, apesar de bastante comentado, foi um dos setores que teve pior desempenho, conforme a linha amarela no gráfico abaixo.

Performance dos setores cripto
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Fonte: TheBlock

Um fato interessante é que, praticamente durante todo o ano de 2024, o BTC ainda foi, de longe, o ativo que melhor se desempenhou; por isso, nossa fatia de alternativos saiu perdendo para nosso benchmark (BTC) no ano.

  • Inteligência Artificial (IA)

As classes de Inteligência Artificial (IA) e de Memecoins foram dois setores que se destacaram no ano; para não distorcer o gráfico acima e facilitar a visualização, comentaremos separadamente sobre essas duas narrativas.

Desempenho dos principais setores durante o ano
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Fonte: TheBlock

O mercado cripto está disposto a solucionar alguns dos grandes desafios da inteligência artificial. Estamos criando a possibilidade de desafiarmos as grandes empresas de tecnologia que dominam o setor. 

A descentralização, por meio do blockchain, possibilita uma colaboração mundial para a alimentação de uma super inteligência, graças à colaboração dos usuários - semelhante ao que aconteceu com a Wikipédia. Esse banco de dados pode ser público e acessado por qualquer pessoa ou robô.

Em seguida, também temos os projetos focados em computação distribuída, semelhantes ao computador na nuvem da Amazon. A diferença é que seria uma rede de computadores espalhados ao redor do mundo, sem depender do sistema centralizado de uma empresa, que pode sofrer alguma pane e ficar fora do ar.

Essas duas super ferramentas combinadas e um supercomputador mundial, com uma superinteligência distribuída, podem ser capazes de desafiar as grandes empresas de tecnologia atuais, focadas em IA, e, assim, conseguiremos diminuir a hegemonia delas.

  • Meme coins

No gráfico anterior, vemos como as memecoins (linha amarela) foram o segundo setor a puxar forte, a partir de março, e marcaram um pico no final de maio, retomando a forte alta em novembro, juntamente com o BTC. 

Devido a este belo desempenho, podemos afirmar que esse foi o ano dos memes. Mas calma, não se anime muito. Por serem ativos totalmente sem fundamentos, esse é um mercado extremamente arriscado, e quem se aventura nele, precisa adotar uma estratégia específica.

Os investidores dessa classe de ativos geralmente investem em dezenas de memecoins, para ter a chance de acertar um ou outro projeto e pagar o prejuízo das outras.

Por isso, essa estratégia demanda bastante tempo. Primeiro porque você precisa acompanhar de perto os seus preços para realizar o lucro quando a oportunidade aparecer, pois ela pode durar poucas horas. Segundo, pois você precisa ficar trocando os ativos da sua carteira constantemente. E, para fazer essa troca, você precisa analisar ativos novos com frequência.

Além desses riscos de mercado, é preciso saber manusear as carteiras quentes, se aventurar em sites desconhecidos, correr o risco de cair em golpes de sites falsos e, até mesmo, de perder todo o saldo disponível na carteira.

Na minha opinião, é um modelo que se assemelha bastante ao mercado de apostas. Pois muitos saem perdendo e poucos saem ganhando. Por isso, não recomendo para investidores iniciantes e nem para aqueles que não têm tempo para acompanhar o mercado.

  • DeFi - Finanças Descentralizadas

Entramos em uma das classes que ainda não se desempenharam muito bem no ano, principalmente devido à forte pressão regulatória da SEC: as Finanças Descentralizadas (DeFi).

Mas, logo depois da vitória de Trump e do anúncio da mudança do presidente da SEC, essa classe de ativos ganhou bastante força; por isso, a partir de agora, vejo com um dos setores com mais potencial.

Cerca de 34% dos endereços diários ativos do mercado cripto são de usuários do mercado de Finanças Descentralizadas (DeFi); e, desde 2022, as Exchanges descentralizadas (DEX) correspondem a aproximadamente 10% do volume negociado no mercado à vista.

Percentual de negociações das DEX no mercado à vista
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Fonte: a16z

Considerando todas as subclasses do DeFi, como staking, empréstimos, DEX, RWA, entre outros, já são cerca de US$ 169 bilhões depositados nesses projetos, sendo Lido, Aave e Uniswap as mais utilizadas hoje em dia.

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Fonte: a16z

Embora as aplicações ainda sejam limitadas, certamente o DeFi é uma alternativa extremamente promissora, que pode resolver diversos problemas das finanças tradicionais.

Além das inúmeras aplicações dos RWAs, outra solução interessante é trazer liquidez para os ativos tradicionais - por exemplo, possibilitando a negociação de ações 24h por dia, por meio da tokenização. Em um mercado globalizado, com notícias da China, Rússia, Oriente Médio acontecendo durante a noite do Ocidente, essa possibilidade de negociação pode ser bastante interessante para aproveitar algumas oportunidades.

Além disso, possibilitaria uma negociação mais global, automatizada e, até mesmo, sem interferência das Bolsas, em casos extremos que geram o famoso “Circuit Breaker”, quando todas as ordens são travadas por um determinado período para evitar um pânico do mercado financeiro. 

  • Comentários gerais

Outra classe que se desempenhou bem foi a de Primeiras Camadas, bastante favorecida pela Solana, que, por sua vez, se beneficiou bastante da narrativa de memecoins.

Conforme o gráfico citado acima, neste ano, os maiores ativos do mercado, que compõem o índice dos 30 dos maiores ativos, sofreram menos durante o início do ano; com isso, nossa carteira se defendeu bem até meados de agosto, quando acrescentamos a PENDLE e aumentamos a exposição da nossa carteira nas altcoins.

Isso porque esse ciclo também foi muito focado em infraestrutura cripto - entenda como se fossem as ruas, sistemas de saneamento e de energia das cidades. O foco do mercado, por enquanto, não está na aplicação para o usuário final.

Comparativo dos desenvolvedores de cada projeto
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Fonte: a16z

Depois de reforçada a fundação do mercado, também aumenta-se a sua capacidade de crescimento e, consequentemente, é reduzido drasticamente o custo operacional. A Base certamente foi um dos cases de maior sucesso este ano, mas o projeto ainda não possui um criptoativo que o representa para podermos investir nele.

Por isso, também é interessante analisar quais são as principais áreas de interesses dos desenvolvedores e, assim, podermos identificar quais classes vão evoluir de forma mais acelerada.

Atividade dos desenvolvedores por categoria

Fonte: a16z

O mercado de DeFi foi o que mais atraiu novos desenvolvedores (+3,5%) em relação a 2023; inclusive, é a única classe que atrai mais “devs” do que infraestrutura. 

Por isso, além do mercado ter apanhado com a regulação da SEC até 2024, e ter se desempenhado mal durante todo o período, a atenção está voltada para o mercado de DeFi. Quando os investidores perceberem que esses ativos estão com seus preços defasados, mesmo estando em destaque, provavelmente será uma das classes que melhor pode se desempenhar daqui para frente. 

Visão geral do BTC

Apenas três meses no negativo este ano. Mas quem acompanha nosso trabalho há mais tempo, já sabia que essa era nossa expectativa para 2024 - um ano de alta.

Histórico de desempenho do BTC por mês

Fonte: Bitcoin Monthly Return

Agora, digo mais. Boa parte de 2025 pode ser tão positiva quanto 2024. Mas talvez o fechamento de 2025 não seja tão positivo, pois é possível iniciarmos a temporada de baixa por volta do último trimestre.

  • Hash Rate

Um dos principais dados, que reforçam a segurança do BTC, é o HashRate, a força computacional da rede. Essa importante característica seguiu crescendo consistentemente neste ano.

Histórico do Hash Rate do Bitcoin

Fonte: CoinMetrics.io

Inclusive, no dia 19 de novembro, o hashrate do BTC atingiu sua máxima histórica. Consequentemente, também temos a dificuldade de mineração nas máximas, tornando esse mercado cada vez mais profissional, onde somente os mineradores mais eficientes conseguem sobreviver.

  • Número de carteiras ativas / transações na rede

Outro dado interessante é o número de usuários mensais ativos, que podemos medir pelo número de carteiras cripto no celular - dado que bateu um novo recorde, de 29 milhões, em junho deste ano. 

Uma informação curiosa é como os Estados Unidos estão perdendo marketshare e os outros países, como Nigéria, Argentina e Rússia, estão ganhando adoção.,cada um desses lugares está passando por um desafio específico, de pobreza, inflação descontrolada e guerra, respectivamente.

Fonte: a16z

O BTC vem mostrando cada vez mais seu poder de adaptação nos mais diversos cenários econômicos. Se você quer entender mais sobre essa análise fundamentalista do BTC, sugiro a leitura do nosso relatório anterior de alternativos.

Expectativas para o BTC

Fazendo uma breve atualização dos motivos da alta do BTC, comentados no relatório anterior, podemos começar com as expectativas do mercado para o governo de Trump.

Um dos movimentos mais aguardados, e prometidos por Trump, era a demissão de Gary Gensler, o atual presidente da SEC, personagem que restringiu bastante o crescimento do mercado cripto nos dois últimos anos e que teria ainda mais dois anos de mandato. Recentemente, Trump já indicou Paul Atkins para substituir Gensler. Atkins é apoiador de novas tecnologias do mercado financeiro e também sócio de uma empresa de tokenização de ativos.

Ainda não temos a confirmação de Atkins, mas, caso aconteça, o mercado cripto visa uma regulamentação mais branda, além de um amplo crescimento e aceitação do mercado financeiro tradicional.

Agora, se Trump vai mesmo continuar propagando a palavra cripto nos Estados Unidos de forma clara e intensa, é o que precisamos acompanhar nos próximos meses. 

Mas, por enquanto, podemos dizer que o Trump vai favorecer o crescimento do mercado, o que tende a reforçar ou, quem sabe, prolongar a temporada de alta. Inclusive, quando o BTC bateu os US$ 100 mil, ele parabenizou os investidores e ainda assumiu que foi um dos responsáveis pelo feito do ativo, postando um “de nada” no X, antigo Twitter.

Fonte: x

Precisamos acompanhar de perto para ver se, de fato, ele cumprirá suas promessas de apoiar o mercado cripto. Caso contrário, isso pode frustrar o mercado.

Depois da confirmação da sua vitória, seguimos com a possibilidade de mais dois cortes no ano que vem, cenário relativamente estável. Mas se o Trump não conseguir finalizar o pouso suave da economia no ano que vem, e se tivermos apenas um corte de juros, podemos ter uma alta do mercado cripto amenizada. Por outro lado, se tivermos três cortes, podemos estender a alta.

Mas, Thales, até quando vai durar essa temporada alta? Ainda dá tempo de comprar mesmo com o BTC nas suas máximas históricas?

Pense comigo: quem não comprou quando o BTC renovou sua máxima histórica, no dia 6 de novembro, nos U$ 74 mil e não comprou até agora, já deixou muito dinheiro na mesa. 

Fazendo uma comparação com os dois últimos ciclos do BTC, no gráfico abaixo, a temporada de alta, durou cerca de 550 dias depois dos Halvings de 2016 e de 2020, ou seja, 1 ano e meio. Sendo que o último Halving foi em abril deste ano, a expectativa é que a atual temporada de alta dure até outubro de 2025. Então, pode ficar tranquilo, ainda temos bastante tempo para aproveitar a atual temporada de alta. 

Histórico de preços do BTC 

Fonte: TradingView Adaptação: Finclass

É importante repararmos que, no final do ciclo, temos a alta mais forte. Então, além de termos bastante tempo, você ainda se beneficiará do melhor momento do mercado. Mas, calma, pode não ser tão fácil assim, pois aqui entra uma dúvida que pode fazer bastante diferença em 2025:

Será que vamos seguir o padrão que tivemos em 2017 ou em 2021?

Isso porque tivemos dois movimentos completamente diferentes nos ciclos anteriores. Conforme a imagem a seguir, em 2017, o BTC se valorizou de forma “contínua” - claro que com algumas quedas no meio do caminho na casa dos 30%. Mas podemos considerar um movimento consistente e com um pico bem marcante, nos dando um pouco tempo para uma realização significativa. Aproximadamente, um mês e meio depois do pico daquela época (US$ 20 mil), o BTC caiu quase 70%.

Dinâmica de preços do BTC de 2017 a 2022

Fonte: TradingView Adaptação: Finclass

Só que a dinâmica foi completamente diferente no ciclo de 2021. O BTC iniciou a temporada de alta em um ritmo extremamente forte, até mesmo mais forte do que em 2017, e congestionou por alguns meses. Já a segunda queda foi de 55% - movimento que não havia acontecido em 2017. 

Mas, logo em seguida, o BTC se recuperou, e subiu 130%, voltando a renovar o seu topo histórico e formando um padrão conhecido por “topo duplo”, semelhante a um “M”. Assim, ficamos próximos das máximas por,aproximadamente, um ano inteiro.

O ciclo de 2017 foi semelhante ao anterior de 2014; Será que o ciclo atual, de 2025, será semelhante ao de 2021? 

Para identificarmos isso, precisaremos acompanhar a amplitude desse movimento atual e observar com que frequência as quedas acontecerão durante essa temporada de alta. 

Caso elas aconteçam aproximadamente a cada dois meses, na casa dos 25%, devemos seguir o padrão de 2017. Se subirmos em ritmo forte, como está sendo até o momento, quase sem paradas nos próximos dois meses, provavelmente,repetiremos o padrão de 2021 e enfrentaremos uma queda forte por volta do segundo trimestre de 2025. 

A segunda opção será mais desafiadora devido à queda intermediária de quase 50% , mas, por outro lado, teremos um ponto de saída mais nítido quando voltarmos para próximo da máxima, quem sabe, por volta de outubro.

Entusiasta Cripto

No relatório anterior, a dominância do BTC ainda estava na casa dos 59%, mas eu comentei que me sentia confiante em dizer que a Altseason já havia começado, porém, naquele momento, ainda era apenas meu sentimento de mercado. Agora, sim, podemos dizer que a temporada das altcoins está confirmada.

Desde agosto, aumentamos o risco da carteira de alternativos com a recomendação da PENDLE, nosso menor ativo atualmente, em 114º de capitalização. Em outubro, trocamos um ativo grande, a AVAX, por outro ativo relativamente pequeno na época, a ONDO, que naquele momento estava em 70º lugar de capitalização e, hoje, depois do seu bom desempenho, já está em 58º lugar.

Conforme vimos no decorrer deste relatório, estar posicionado nos maiores ativos do mercado foi uma escolha boa, pois foram os ativos que mais seguraram uma queda. Agora, visando a transição do mercado, temos mais exposição aos criptoativos menores e devemos carregá-los por um bom período. 

Apesar do foco em DeFi na nossa carteira, as subclasses são bem diferentes entre si e já trazem uma diversificação interessante para nossa carteira.

Ativos aprovados
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Fonte: Finclass Data: 12 de dezembro

Conclusão

2024 certamente foi um ano desafiador para o mercado cripto, principalmente por questões regulatórias rígidas, que seguraram a evolução do BTC por mais de oito meses; mas essas barreiras foram sendo derrubadas aos poucos.

Mesmo assim, o Bitcoin superou as minhas expectativas e chegamos este mês aos tão esperados US$ 100 mil. Agora, em um cenário regulatório favorável: com o novo presidente da SEC, Trump propagando o mercado cripto, diminuindo as chances de uma recessão nos Estados Unidos, mirando, pelo menos, dois cortes de juros por lá. Temos tudo para que 2025 seja um ano tão bom quanto 2024.

Mas não se esqueça: esse mercado é extremamente volátil, e isso só tende a aumentar a partir de agora. Lembre-se também que, se seguirmos o padrão do ciclo anterior, em algum momento, podemos ter uma queda na casa dos 50% no segundo trimestre de 2025. Esteja preparado para este cenário.

Reforço que não fique esperando uma queda acontecer - ou vai ficar de fora. Pois, em 2021, isso praticamente não aconteceu. Portanto, se você tiver um perfil conservador, vá comprando aos poucos;, mas se estiver disposto a correr um risco maior, quanto antes fizer seus aportes durante a temporada de alta, melhor será.

Para finalizar, gostaria de deixar meu muito obrigado pelo acompanhamento durante este ano. Espero que tenha te guiado muito bem nesta jornada até aqui.

Desejo a todos muitas realizações natalinas, e que 2025 seja muito melhor do que 2024 - em todos os quesitos.

Forte abraço e nos vemos no ano que vem,

Thales

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.