Relatórios

Revisão da lista de ativos aprovados

Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS

16 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Finalmente, os Estados Unidos iniciaram o corte da taxa básica de juros este mês, ,, surpreendendo, inclusive, parte do mercado com um corte de 50 pontos-base. Apesar desse movimento representar um aumento na possibilidade de uma recessão, desde o corte, o mercado cripto vem reagindo bem.

  • No relatório de hoje, temos uma revisão da tese dos ativos aprovados. Para isso, trazemos uma visão geral das classes de DeFi, Layer 2, NFTs, DePIn e Inteligência artificial, bem como uma breve análise das principais características de cada ativo, e uma atualização da lista de aprovados.

  • Remoção dos ativos AAVE, MKR, SAND e ENJ da lista de aprovados e adição dos ativos RNDR e NEAR. Reforçamos que não são ativos recomendados na carteira de valorização e, sim, apenas uma lista complementar para quem procura aumentar a diversificação no mercado cripto, assim como o risco da carteira.

No relatório de hoje, vamos fazer uma revisão completa da lista de ativos aprovados, da seção “entusiasta cripto”, lista abordada em todos os relatórios de ativos alternativos. Para isso, vamos rever alguns conceitos básicos e aproveitar para fazer uma breve atualização fundamentalista de cada classe. 

Para não ficarmos com um conteúdo redundante nos nossos relatórios, caso você ainda não tenha familiaridade com cada uma das classes de criptoativos, aconselhamos que leia o relatório “Resumo das classes de criptoativos” antes deste, pois, hoje, vamos abordar de forma mais direta alguns critérios de análise mais técnicos, e, por isso, demandam algum conhecimento prévio sobre o assunto.

Depois da revisão de cada classe, vamos aproveitar para fazer algumas atualizações na lista de ativos aprovados. Tanto a remoção de alguns ativos, como a adição de outros ativos. Mas, vale lembrar que não são ativos recomendados na carteira de valorização, apenas uma lista complementar para aqueles investidores que procuram um maior número de criptoativos para aumentar a sua diversificação.

Cenário macro

Na última reunião do FOMC, em 18 de setembro, finalmente, tivemos o primeiro corte da taxa básica de juros dos Estados Unidos, desde o início da pandemia. Um dia antes as probabilidades ainda não estavam nítidas, com cerca de 60% de chance de um corte de 50 pontos-base, contra 40% de chance de um corte de 25 pontos-base. Qualquer cenário era possível naquele momento.

Confirmamos, então, o corte maior de 50 bps. Cenário esse que havia sido estimado pelo mercado somente se já tivéssemos uma possibilidade de recessão significativa. Porém, existe também a possibilidade desse corte de 50 bps se enquadrar em um cenário positivo; por exemplo, para compensar o adiamento prolongado do corte.

Trazendo um breve racional sobre esse corte de 50 bps, ele pode ser utilizado como uma manobra para evitar uma recessão da economia; imagine que ao diminuir o rendimento da renda fixa, esse investimento se torna menos atrativo, pois reduz o seu rendimento, fato que motiva as pessoas a guardarem menos e gastarem mais. Consequentemente, o aumento no consumo favorece a indústria, diminui o desemprego e aquece ainda mais a economia. Por isso, o corte de 50 bps tem potencial de iniciar esse ciclo e diminuir o impacto de uma recessão.

Qual seria o impacto no mercado financeiro se a recessão for confirmada?

O medo de uma recessão desestimula investimentos mais agressivos, como bolsa e criptoativos, pois se a economia estiver desacelerada, aumenta o desemprego e piora o sentimento de instabilidade financeira das pessoas; assim, os investidores tendem a investir de forma mais conservadora.

No nosso ponto de vista, mesmo com esse corte de 50 bps, motivado, em partes, pelo medo de uma recessão, enquanto esse cenário não se confirma, o corte é predominantemente benéfico para o mercado cripto. Afinal, com a renda fixa rendendo menos, fica menos atrativa e estimula os investidores a buscarem melhores retornos em investimentos mais agressivos, como a bolsa e os criptoativos.

Mas agora a grande dúvida do mercado é: o que vai acontecer nas duas últimas reuniões do FOMC deste ano?

As próximas reuniões vão acontecer nos dias 7 de novembro e 18 de dezembro. Com esses duas reuniões, daí, sim, vamos ter uma ideia melhor do que esperar do futuro da economia. 

Na coletiva de imprensa do presidente do FED, Jerome Powell, após o anúncio do corte de 50 bps, ele deixou bem claro que o corte continuará nas próximas reuniões, mas conforme o tom do seu discurso, a chance de dois cortes de 25 bps parecia provável. Porém, não é isso que estamos observando nas probabilidades da CME atualmente, conforme a tabela abaixo.

Tabela de probabilidades para as próximas reuniões

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Fonte: CME (25 de setembro)

Consultando a tabela no dia 25 de setembro, para a reunião de novembro, tínhamos uma probabilidade predominante de 62,2% de um segundo corte de 50 bps, contra 37,8% de um corte de 25 bps. Seguindo a lógica do corte recente, se de fato tivermos mais um corte de 50 bps, certamente aumentarão as chances de uma recessão nos Estados Unidos.

Para o final do ano, na reunião de dezembro, ainda há chances significativas de 35,4% de um terceiro corte de 50 bps. Se isso não acontecer, é bem provável que aconteça em janeiro do ano que vem.

A maior queda nos juros deve acontecer no ano que vem, e conforme as probabilidades e o gráfico de pontos da última reunião, é possível que a taxa básica de juros dos Estados Unidos volte para baixo dos 3%, na faixa dos 275-300.

Votos dos participantes da política monetária do FOMC

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Fonte: CME Atualizado 18/09

De fato, se a recessão vier, o mercado cripto e, até mesmo, a bolsa podem sofrer de forma significativa. Porém, historicamente, esse cenário de recessão só ficou nítido depois que ela, de fato, já estava acontecendo e só foi identificada cerca de seis meses a um ano depois do primeiro corte. 

Por isso, independentemente do ritmo, durante este período inicial, o corte de juros deve ser predominantemente positivo para os mercados de risco. Falando especificamente do mercado cripto, o prazo de um ano seria mais do que o suficiente para aproveitarmos ao máximo a temporada de alta do ciclo atual.

Por enquanto, o mercado cripto vem reagindo bem ao corte de 50 bps. Na semana do corte, o BTC fechou com uma alta de 7,5%, o ETH com uma alta superior 11%, a AVAX com alta maior ainda 15% e a PENDLE extremamente positiva com 25%.

Outro sinal interessante de acompanharmos é o movimento dos investidores institucionais, que podemos rastrear por meio dos ETFs à vista de BTC e ETH. 

ETFs de BTC à Vista

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Fonte: Farside

Nos ETFs de BTC, é nítida a predominância da ponta compradora nas últimas semanas. Enquanto nos ETFs de ETH, o cenário vem melhorando aos poucos, demonstrando alguma força compradora nos últimos dias, pois, aparentemente, a Grayscale já está perdendo força na ponta vendedora, conforme a tabela a seguir.

ETFs de ETH à Vista

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Fonte: Farside

Vale lembrar que, se tivermos mais um corte de 50 bps em novembro, as chances de uma recessão aumentam e talvez o mercado não reaja tão bem assim no primeiro momento. Mas um corte de 25 bps certamente seria bastante positivo para amenizar esse sentimento.

Resumo e atualização dos projetos

Hoje, vamos abordar exclusivamente os ativos que não fazem parte dos recomendados na carteira de valorização. Por conta disso, e pelo grande número de ativos, também não vamos nos aprofundar muito nas análises dos ativos, assim como foi feito recentemente nos relatórios da AVAX e da PENDLE

Nessa lista de ativos aprovados, vamos fazer um breve resumo do setor e destacar apenas as principais características de cada um dos projetos. Para facilitar o entendimento em alguns casos, vamos fazer um comparativo dos ativos dentro da mesma classe.

  • Finanças Descentralizadas (DeFi)

Como a Avalanche (AVAX), a Chainlink (LINK) e a Pendle (PENDLE) fazem parte dos ativos recomendados na carteira de valorização, não vamos abordá-las neste relatório. Portanto, hoje, vamos focar nossa análise na Aave (AAVE), Maker (MKR) e Lido (LDO), alguns projetos aprovados que aparecem no ranking de maiores ativos de DeFi abaixo.

Ranking de projetos de DeFi

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Fonte: Cryptoslate

A AAVE, MKR e podemos citar também a Uniswap (UNI) são projetos com um bom histórico, usabilidades reais e produtos que já funcionam muito bem. A Lido, apesar de já ter algum histórico, é um projeto mais novo e se beneficia de uma narrativa mais recente, a de restaking.

Uma das principais características do setor de Finanças Descentralizadas é o Total Value Locked (TVL) do projeto, ou seja, o quanto há de dinheiro depositado nele, disponível para que esses projetos realizem suas operações financeiras. Isso porque, quanto mais capital nessas operações, mais seguro ele fica, mais credibilidade passa para o mercado e, consequentemente, mais usuários atrai.

Ranking por TVL

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Fonte: dappradar

A Lido é de longe o projeto de maior TVL, com mais de US$ 25 bilhões depositados nele. É um projeto que visa facilitar o staking de ETH, trabalhando como um intermediário. A Eingenlayer, terceiro colocado, aproveitou do bom desempenho da Lido para se beneficiar do staking e desenvolveu o restaking. A AAVE e a MKR, focadas em empréstimos, vem logo em seguida e, como podemos ver, são bem menores em TVL do que a Lido.

Valor total bloqueado nos projetos de DeFi

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Fonte: TheBlock

A Lido e a EngenLayer ganharam bastante mercado este ano, enquanto a AAVE simplesmente se manteve e a Maker vem perdendo participação desde o final do ano passado.

Atualmente, a Lido é a maior plataforma a disponibilizar o serviço de staking de ETH, seguida das maiores exchanges do mundo: Coinbase, Kraken e Binance. Apesar de estar perdendo um pouco o market share do mercado, conforme o gráfico abaixo, essa distribuição dos validadores em diferentes projetos é importante para que nenhum projeto tenha muito poder na rede, o que a colocaria em risco. Os investidores do mercado cripto sabem do perigo e, naturalmente, vão se distribuindo entre os diversos projetos.

Projetos de Liquid Staking

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Fonte: DeFillama

A Lido domina cerca de 70% do chamado "liquid staking". A modalidade recebe este nome, pois ao colocar o ETH em staking, o investidor recebe o token stETH como “comprovante de depósito”. Este ativo pode, por sua vez, ser colocado em outro projeto, como na Pendle ou na EigenLayer, para otimizar o rendimento.

Por facilitar o acesso ao staking de ETH, a Lido cobra um percentual do rendimento que ele obtém ao intermediar a operação, equivalente a uma taxa de serviço. Então, como seu TVL é gigantesco, já dá para imaginar que ela também recebe taxas generosas; essa é outra característica importante dos projetos de DeFi.

Taxas recebidas pelos projetos de DeFi em 30 dias e um ano

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Fonte: DeFillama

A Lido só perde para as stablecoins USDT, USDC e para a rede da Ethereum quando o assunto é o recebimento de taxas. Apesar da AAVE e da MKR serem projetos com um marketcap maior, a LDO recebe muito mais taxas do que os dois projetos juntos. A Uniswap é outro projeto que rentabiliza bastante com as taxas, devido ao alto número de transações que ela demanda.

Resumindo, a Lido é um projeto com uma capitalização menor do que a metade da AAVE, tem um TVL 2,5x maior e, consequentemente, recebe muito mais em taxas; a mesma está em uma classe em plena ascensão e se beneficia mais ainda da nova narrativa de restaking. A AAVE e a MKR ativos são bons, mas atualmente vejo muito mais potencial de retorno na LDO.

Por isso, vamos diminuir as opções de investimentos na classe de DeFi, retirando a AAVE e a MKR da nossa lista de aprovados. De qualquer forma, ainda mantemos uma representatividade da classe de DeFi relevante com a LINK, a LIDO, a PENDLE e também podemos considerar a AVAX.

  • Segundas camadas (Layer 2)

Uma classe de ativos cada vez mais importante, principalmente para a rede da Ethereum, é a chamada “segunda camada”, ou em inglês, Layer 2. Atualmente, existem dezenas de projetos dedicados a resolver a dificuldade de escalabilidade da rede da Ethereum, ou seja, ser capaz de executar um elevado número de transações por segundo a baixo custo. 

Maiores projetos de Layer 2

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Fonte: Cryptoslate

A Polygon é atualmente o maior projeto de segunda camada da rede da Ethereum. Recentemente, o antigo token MATIC foi trocado pelo POL, dando origem à Polygon 2.0.

O novo ativo está sendo considerado como “hiper produtivo”, ou seja, ganhou diversas aplicações, além de continuar sendo o ativo utilizado para pagamento de taxas da rede (gás) e de staking, assim como o antigo token, a MATIC.

Conforme Marc Boiron, CEO da Polygon, o token POL vai incorporar taxas de múltiplas operações da rede, dar direito de receber distribuição de subsídios, de participar da gestão do tesouro da comunidade e até mesmo nas decisões das recompensas da rede. Tudo isso vai permitir um envolvimento maior com a comunidade e aumentar sua eficiência.

Outra novidade é que o POL também será utilizado na chamada AggLayer, um novo modelo focado na interoperabilidade entre os projetos de Layer 1, como Ethereum, Bitcoin e Solana. A AggLayer vai armazenar alguns dados dessas cadeias e garantir a segurança de transações atômicas entre elas.

Número de transações das segundas camadas

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Fonte: Dune (@steakhouse)

Por isso, apesar do baixo desempenho do POL este ano, seguimos confiantes na sua dominância do setor. Pois, conforme podemos ver no gráfico acima, a Polygon sempre foi e segue sendo o principal projeto de escalabilidade da rede da Ethereum. A Arbitrum (ARB - Azul-claro) até ganhou certa força nos últimos anos, mas quem se destacou recentemente, depois da última atualização da Ethereum, foi a rede da BASE (Azul-escuro). Apesar da sua alta atividade, a rede não possui um ativo próprio para podermos investir nela, mas, com certeza, está bem interessante.

  • Non-Fungible Tokens (NFTs)

É fato: os NFTs estão passando por sua baixa histórica. Quer dizer que este mercado acabou? Certamente, não; mas precisamos investir nele da forma mais conservadora possível.

Ranking de maiores projetos de NFTs

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Fonte: Cryptoslate

A Immutable X (IMX) é atualmente o maior projeto do setor e o 36º maior criptoativo do mundo. Além de ser uma segunda camada da rede da Ethereum, assim como a Polygon, seu diferencial é ser focada na negociação de NFTs. 

Por ser um marketplace de negociação, o projeto não possui uma coleção de NFTs que o representa; ele depende de diversos projetos que utilizam do seu sistema. Essa estratégia o torna mais resiliente ao fracasso desses parceiros, pois, mesmo que alguns deles falhem, existe a possibilidade de serem criados outros jogos no futuro.

Volume de negociação em cada rede

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Fonte: TheBlock

A Rede da Ethereum sempre foi predominante no setor de NFTs. Somente no final de 2023 que a rede do BTC ganhou bastante força, e, este ano, a rede Solana também ficou relevante, proporcionalmente falando; mas, por enquanto, os NFTs não tiveram tanto sucesso quanto em 2021 e 2022.

O número de transações na Immutable X (IMX) está relativamente estável nos últimos meses, mas, conforme podemos ver no gráfico abaixo, o volume financeiro está bem inferior ao do ano passado.

Número de transações e volume negociado

Fonte: DappRadar

Aqui, podemos ter dois motivos. O primeiro seria a negociação de ativos de baixo valor financeiro; mas, de qualquer forma, demonstra atividade de usuários. O outro fator foi a queda do ETH, que chegou a se desvalorizar 45% desde a sua máxima do ano.

Por isso, hoje, vamos remover o projeto Sandbox, que apesar de ser possível a criação de diversos jogos dentro dele, depende do seu modelo limitado de desenvolvimento; também vamos remover a ENJ da lista de aprovados, já que não possui um diferencial muito grande em relação ao que temos na IMX.

É fato que a luz de alerta está acesa para os NFTs, mas para termos, pelo menos, uma opção nesse setor, vamos deixar a IMX como nosso ativo preferido da classe.

  • Decentralized Physical Infrastructure (DePIn)

As chamadas Redes de Infraestrutura Física Descentralizadas são, na nossa opinião, as mais revolucionárias do mercado cripto e têm um leque de aplicações muito grande, como mobilidade, meio ambiente, internet, IoT, identidade, web3, big data, armazenamento, entre outros.

Projetos de DePIn

Fonte: iotex

Muitos projetos continuam na sua fase inicial, o que representa um risco elevado para essas aplicações, principalmente para as que estão listadas na zona verde acima; afinal, esses projetos dependem de aparelhos físicos ao redor do mundo, o que desacelera seu ritmo de crescimento. 

Enquanto isso, os que precisam apenas de uma infraestrutura digital, na zona azul, conseguem crescer mais rapidamente, pois precisam apenas de uma infraestrutura focada no digital; porém isso não quer dizer, necessariamente, que são investimentos mais seguros, uma vez que a digitalização abre portas para outros tipos de riscos.

Por isso, nessa classe de ativos, preferimos  focar em projetos que já possuem uma estrutura mínima e algum tempo de mercado. No ranking de maiores projetos focados em DePIn, temos:

Ranking dos maiores ativos de DePin

Fonte: Cryptoslate

A ICP ficou com uma péssima imagem, depois do seu lançamento, por ter tentado manipular seu preço, fazendo um acordo com as maiores exchanges do mundo para inflar seu valor de mercado desde o primeiro dia de negociação; só isso já a fez perder bastante credibilidade.

A Bittensor, focada em inteligência artificial, é relativamente nova e ganhou força somente este ano; por isso, precisamos acompanhar por mais algum tempo seu desenvolvimento.

O primeiro ativo aprovado da lista é a Filecoin (FIL), um projeto de armazenamento de dados descentralizado, que, inicialmente, aproveitava o espaço livre de computadores ao redor do mundo; mas, hoje em dia, já temos computadores totalmente dedicados para esta finalidade, inviabilizando o uso do computador caseiro. Sua principal concorrente atualmente é a Arweave (AR), em sexto lugar no ranking.

A The Graph (GRT), outro ativo aprovado, é um compilador de dados dos blockchains, ferramenta que agiliza bastante o desenvolvimento de projetos. 

Analisando as diversas possibilidades do setor, hoje, vamos ampliar nosso número de projetos nessa classe, conforme justificado no próximo item.

  • Novos ativos aprovados

Uma das subclasses que faltava na nossa lista de ativos aprovados é a de Inteligência Artificial (IA). Apesar da FIL e da GRT terem alguma relação com este mercado, não é seu foco principal de aplicação.

Nesta subclasse de IA, optamos pela NEAR. O ativo inicialmente foi lançado em 2020 para ser um concorrente da Ethereum, com foco na computação em nuvem. No entanto, no começo deste ano, o projeto anunciou a mudança de estratégia para surfar a onda de inteligência artificial, criando a NEAR IA, um novo laboratório de pesquisa para o desenvolvimento de uma inteligência artificial descentralizada.

Ranking de inteligência artificial

Fonte: Coinmarketcap

A NEAR pretende desenvolver uma IA global, de desenvolvimento coletivo, com base em uma rede aberta, democrática e transparente. Conforme disse seu co-fundador, Illia Polosukhin, é extremamente importante descentralizar o poder das grandes empresas de tecnologia para evitar que elas nos controlem. 

Seu número de usuários vem crescendo de forma acelerada, porém ainda é predominantemente concentrado na Ásia, com mais de 75% dos seus usuários. Porém, com certeza, só de ter um público inicial para apoiar seu crescimento já é um fator bastante positivo para, pelo menos, mostrar o seu funcionamento para o mundo.

Precisamos ressaltar que o setor de IA já subiu bastante desde o ano passado; por isso, é necessário tomar um cuidado redobrado; contudo, certamente ainda vemos muito potencial de crescimento e o tema deve permanecer em alta por bastante tempo. 

Um segundo ativo que vamos adicionar na lista de aprovados é a Render (RENDER). Como o próprio nome já diz, o ativo tem um foco em renderização descentralizada de vídeos 3D, o que, no fundo, é baseado em força computacional de processamento na nuvem. Mas o projeto também tem seu braço em aprendizado de máquina, e, consequentemente, também pode ser utilizado para inteligência artificial. 

A proposta  mistura um pouco do processamento de vídeo aplicada ao metaverso e à realidade aumentada, tudo processado pela computação descentralizada. Por isso, até certo ponto, há uma certa relação com o metaverso do Sandbox (SAND), ativo que removemos da lista, entretanto a RENDER possui uma usabilidade mais ampla e, por isso, a consideramos menos arriscada.

No começo deste ano, ocorreu uma votação da comunidade para a migração da rede do projeto. Cerca de 15% votaram para a RENDER permanecer na Polygon, 55% votaram para a migração para a Solana e outros 31% votaram nas demais redes, como Aptos, Ethereum entre outras. Assim, sua migração para a Solana foi executada, e, para isso, o ativo também mudou de nome, de RNDR para RENDER. 

Por isso, apesar de criticarmos bastante o ecossistema da Solana, a RENDER não tem relação com meme coins nem airdrops, o que tira ela dessas narrativas. Portanto, se você quer ter alguma exposição em outra blockchain, pode ser uma boa alternativa. Por enquanto, os resultados desta migração não foram tão interessantes, mas convenhamos que o mercado cripto também não colaborou nos últimos meses.

Um concorrente da RENDER que vem crescendo em ritmo acelerado é a Akash (AKT), um ativo bem menor, com os mesmos focos, em computação distribuída, IA, big data e DePIn, mas sua desvantagem é que está em uma rede menos utilizada pelo mercado cripto, da Cosmos.

Entusiasta Cripto

Hoje, então, fizemos uma revisão da lista de ativos aprovados. Diminuímos o número de projetos relacionados à classe de Finanças descentralizadas, retirando a AAVE e a MKR, pois a Lido nos parece mais promissora atualmente. Inclusive, também acrescentamos a PENDLE recentemente. Assim, ficamos com três opções de projetos em DeFi.

Também retiramos dois projetos de NFTs, o Sandbox (SAND) e o Enjin (ENJ), que eram mais focados em metaverso e jogos. Mas ainda acreditamos no aumento da usabilidade dos NFTs, e, por isso, ainda deixamos uma alternativa de investimento nessa classe, mantendo somente a Immutable X (IMX)

Ativos aprovados

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Fonte: Finclass Data 26/09

No caso de DePIN, aumentamos o número de ativos na classe, porém, como pode notar, são em subclasses bem diferentes, soluções inovadoras, e, certamente, com muito potencial, pois são mercados explorados e já validados pelas grandes empresas de tecnologia atualmente - só precisamos adaptar o serviço para uma infraestrutura descentralizada. Neste caso, também vale notar que optamos por alguns dos maiores projetos do setor, pois a complexidade de crescimento é muito maior do que na Lido ou na Pendle, que basicamente são operados por contratos inteligentes altamente escaláveis.

De qualquer forma, a AAVE e a MKR certamente ainda são ativos muito interessantes, mas que estão perdendo mercado aos poucos. Outra opção interessante no mercado de DeFi é a Uniswap, que segue bastante consistente em suas operações.

Já no mercado de NFTs, precisamos mesmo restringir nossa exposição no momento, investindo apenas em projetos mais flexíveis. Outra boa opção para acompanharmos de perto na classe é a Ronin (RON), mas ela continua com um número de projetos relativamente pequeno no seu ecossistema, o que aumenta o seu risco.

Conclusão

No relatório de hoje, aproveitamos para fazer uma revisão geral da lista de ativos aprovados. Reforçamos que essa lista não faz parte dos ativos recomendados na nossa carteira de valorização e, por isso, não fazemos um acompanhamento mais de perto sobre o desempenho desses ativos. 

Como, em geral, são ativos menores, lembre-se que eles representam maior risco e, portanto, não são compatíveis com a grande maioria dos investidores. Esta lista é somente para quem tem um perfil mais agressivo e está disposto a aumentar o risco da carteira. A ideia é simples: quanto mais você sai do BTC para investir em outros ativos, maior será o seu risco, mesmo aumentando a sua diversificação.

Nosso foco hoje foi restringir um pouco a lista, deixando somente os ativos que mais gostamos em cada classe. Conforme comentamos, a AAVE e a MKR, certamente, são ótimos ativos. O Sandbox segue sendo o líder de metaverso, porém esse mercado vem sofrendo bastante depois que o hype da mudança de nome do Facebook para Meta passou. Por fim, a ENJ, de fato, perdeu bastante mercado e está com fundamentos fracos. 

Apesar da Filecoin (FIL) e da The Graph (GRT) se beneficiarem bastante da narrativa de inteligência artificial, nós estávamos sentindo falta de um ativo focado em IA, e, por isso, acrescentamos a NEAR. A RENDER também tem um pé nesta narrativa, mas a ideia de um computador descentralizado, capaz de executar as mais diversas tarefas, inclusive, inteligência artificial, também nos fascina.

No meio de tantos projetos inovadores, é difícil escolher aqueles com maior potencial, pois cada um possui seu diferencial competitivo. De qualquer forma, ativos da mesma classe tendem a se desempenhar de forma semelhante, por isso, o que importa mais, neste caso, é ter alguma exposição à classe que te interessa. 

Também não podemos esquecer de levar em consideração o tamanho do ativo. Claro que, quanto menor sua capitalização, maior é seu poder de retorno; porém, seu risco é desproporcional. 

Dos oito ativos que não fazem parte das recomendações, acreditamos que escolher quatro ou cinco deles já pode te ajudar a alcançar um nível de diversificação e retorno interessante.

Forte abraço,

Thales

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.