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Revisão de tese de investimentos dos fundos de fundos (FOFs) recomendados: RBRF11, BCIA11 e KFOF11

Escrito por Ricardo Figueiredo em FUNDOS IMOBILIÁRIOS

16 min de leitura

Olá, assinantes!

Abro este relatório com verdades inexoráveis sobre o momento dos fundos de fundos imobiliários: é o segmento com maior beta e maior volatilidade dentre os segmentos de FIIs – seguramente, o que mais sofreu e ainda sofre desde o início de 2020. Atualmente, é o setor com maior potencial de retorno de médio e longo prazos, pensando em um cenário de recuperação do nível de precificação das cotas dos FIIs.

Com isso me mente, vamos verificar o comportamento de nossos fundos de fundos (FoFs) recomendados: RBRF11 e KFOF11.

Boa leitura!

FOF-FII: as principais características

Um fundo de fundos imobiliários (FoF-FII ou simplesmente FoF) é um FII cujo patrimônio está majoritariamente alocado em cotas de outros fundos imobiliários. Sobre os rendimentos, há uma diferença entre FoF e FII de CRI ou de tijolo. No FII de CRI, o rendimento vem do pagamento realizado pelos devedores dos CRIs, e nos de tijolos, são os aluguéis que abastecem o caixa para geração de dividendos aos cotistas. No FoF, o rendimento vem do pagamento de dividendos dos FIIs investidos.

Fonte: Spiti

Nesse exemplo hipotético, o FoF tem 82% de seu patrimônio alocado em FIIs, 13% em ativos de outras categorias (pode ser, por exemplo, CRI, ações... Depende do regulamento do fundo) e 5% em caixa. A maior parte da carteira é formada por cotas de FIIs, por isso, classificamos como FoF.

Os FoFs apresentam algumas vantagens para seus investidores:

  • Diversificação: com apenas uma cota, é possível ter uma diversificação em vários segmentos de FIIs. Um FoF pode ter em sua carteira 10, 20, 30 ou quem sabe até mais FIIs, aumentando o raio de acesso setorial e minimizando o risco por conta da diversificação, tudo isso com o investimento em apenas uma cota.
  • Acesso a teses restritas: o público geral pode, através de FoFs, investir em FIIs e/ou ofertas de novas cotas que são restritos aos investidores qualificados.
  • Gestão profissional: você prefere a criação de uma carteira de FIIs feita por você, que possui formação técnica em outra área e tem agenda atribulada, ou por uma equipe dedicada exclusivamente ao mercado de fundos imobiliários e com experiência de longa data no real estate?

Mas nem tudo são flores. Também há desvantagem, ou, como gosto de dizer, ponto de atenção nos FoFs:

Taxas de administração: há um efeito cascata na cobrança de taxa de administração, ou a chamada dupla cobrança, que, a bem da verdade pode ser tripla, quádrupla... A lógica é simples: o cotista paga taxa de administração no FoF, que por sua vez paga a taxa nos FIIs investidos. Logo, o cotista do FoF tem no mínimo duas camadas de taxas de adm. No mínimo duas, porque se o FoF investe em outro FoF (sim, acontece), você terá uma camada adicional – isto é, mais uma taxa do tipo.

RBR Alpha Multiestratégia (RBRF11)

O RBR Alpha Multiestratégia, cujo código de negociação na Bolsa de Valores é RBRF11, foi inicialmente recomendado na série O Melhor dos Fundos Imobiliários em 17/6/2021 (data que usaremos como referência para análise) e passou a integrar o Spiti One já na sua concepção, em 7/11/2022.

O RBR Alpha tem gestão do RBR. A gestora possui um vasto portfólio em fundos imobiliários, além do RBRF11: RBRP11, RBRX11, RBRR11, RBRY11, RBRL11 e RPRI11.

O RBRF11 fez sua estreia na Bolsa em setembro/2017 e tem quatro pilares:

  • Alpha: foco em FIIs de tijolos, buscando valores descontados sob a ótica do custo de reposição, ou seja, valor necessário para repor aquele ativo no mercado, respeitando padrão construtivo e localização. Viés de valorização.
  • Beta: posições táticas em FIIs com dividendos estáveis.
  • CRI: visa gerar retorno incremental através de alocação direta em dívida imobiliária.
  • Liquidez: recurso aguardando melhores oportunidades.

Em maio/2021, a carteira do RBRF11 atendia a tais pilares e estava dividida da seguinte forma:

Fonte: RBR (Relatório Gerencial - Maio/2021)

Estratégias Alpha e CRI dominavam a carteira, buscavam um equilíbrio entre renda (através dos CRIs) sem o custo da camada do FII, ou seja, através da compra direta do CRI, ainda que isso custasse uma menor diversificação. Além disso, potencial para ganho de capital através da alocação em FIIs de tijolos representando 36% do RBRF11.

Setorialmente, ao somar alocação em CRI direito e FII de CRI, é notório como a gestão procurou dosar o apetite para ganho de capital e renda também na alocação em FIIs, uma vez que o total exposto aos recebíveis imobiliários ficou em 47% do FoF.

Observando as maiores alocações, o top 10, que respondia por 57% da carteira, era composto por:

Fonte: RBR (Relatório Gerencial - Maio/2021)

Tínhamos tijolo com preferência em escritórios com alocação diversificada e, na sequência, logística com concentração em apenas um nome, o RBRL11, gerido pela própria RBR. Essa era a cara do top 10 na alocação do RBRF11 na data citada.

O RBRF11 tinha uma DY 8,5% a.a. com spread (diferencial) para a NTN-B (Tesouro IPCA+) com vencimento em 2035 equivalente a 443 pontos-base (4,43%). Lembrando que o CDI naquele momento era de aproximadamente 4,15% a.a.

Ocorre que, entre junho de 2021 e fevereiro de 2023, o cenário se tornou muito mais desafiador para os fundos imobiliários, especialmente para os fundo de fundos, que historicamente viram o giro de carteira um elemento crucial para geração de rendimentos atrativos para os cotistas.

A taxa do Tesouro IPCA+ 2035 encerrou fevereiro em 6,38% a.a. e o CDI em 13,65% a.a. Como o rendimento por cota do RBRF11 cresceu apenas 5% do momento da recomendação até agora, de R$ 0,60/cota para R$ 0,63/cota, para que o spread do DY do FII mantivesse nível de atratividade, vimos uma forte deterioração do preço de cota no mercado secundário. Ao final de fevereiro/2023, o RBRF11 estava cotado a R$ 64,09, com isso, seu DY anualizado ficou na casa de 12,5% a.a., o que geraria um prêmio de 607 pontos-base para o título público federal.

Claramente, temos uma exigência maior de prêmio por parte do mercado, de 443 pontos-base para 607 pontos-base. Se o nível de prêmio fosse mantido, dado que o rendimento se estabilizasse em R$ 0,63/cota, o RBRF11 poderia ser negociado a R$ 73,00 sob esse prisma, uma potencial valorização (upside) de 13,9%.

Há outros aspectos que devem ser avaliados. Quando do momento de sua recomendação na série específica de FIIs, em junho/2021, o RBRF11 negociava com deságio de 3,4% em relação ao valor patrimonial (cota de 16/6/2021 versus valor patrimonial na mesma data, ou seja, R$ 89,62).

Atualmente, a cota patrimonial do RBRF11 é R$ 79,98, e, dada a cotação de fechamento de fevereiro/2023, R$ 64,09, temos um deságio de 19,9%. A cota patrimonial de FoF é formada, basicamente, pelo valor de mercado dos FIIs investidos, se há deterioração da precificação de mercado, a cota patrimonial do FOF sofrerá, mas o ágio/deságio em um fundo de fundos imobiliários tem um sinal muito claro.

No ágio, você está pagando um prêmio em relação ao preço negociado em Bolsa dos FIIs que estão no FoF. No deságio, temos o inverso: há um desconto, é como se você estivesse comprando mais barato do que o preço de mercado todos os FIIs que estão no FoF. Guarde esse conceito, pois ele será importante adiante.

Esse maior deságio do que tínhamos no momento da recomendação traz uma mensagem muito clara: o mercado penalizou mais a cota do mercado do que ocorreu com a cota patrimonial. Olhe o resultado obtido pelo RBRF11 desde 16/6/2021 até o encerramento de fevereiro/2023.

Fonte: Economatica

Enquanto o Ifix, no período, caiu 2,05%, o RBRF11 teve retorno de -9,60% – lembrando que este é o chamado retorno total, ou seja, considera os dividendos recebidos.

Mas o mercado precificou o RBRF11 como resultado das escolhas feitas pelo gestor e o resultado patrimonial gerado por ele? Não, e mostrarei agora, inclusive, sendo esse o modelo que julgo ser o correto para analisar a geração de valor patrimonial feita pelo gestor de um FoF.

Em 16/6/2021, a cota patrimonial do RBRF11 era de R$ 89,62. Ao observarmos a atual, R$ 79,98, podemos inferir que houve uma redução patrimonial de 10,7%. Ocorre que, de lá para cá, o FII gerou R$ 12,24 de dividendos. Logo, sob a ótica do patrimônio, de fato, o gestor do RBRF11 transformou esses R$ 89,62 em R$ 92,22 (R$ 79,98 + R$ 12,24), ou seja, valor 2,90% superior ao momento da recomendação.

Se não temos um esplendor de retorno sob esse prisma, como contraponto, digo que o gestor conseguiu, mesmo nesse cenário mais difícil para FIIs, promover um retorno total sob a ótica do patrimônio, superior àquele que vemos pelo preço da cota de mercado – que, sim, também considera os dividendos recebidos (-9,60%).

A carteira atual do RBRF11, tomando por base o relatório gerencial com dados do fechamento de janeiro/2023, reduziu a estratégia Beta e zerou a liquidez para reforçar a estratégia Alpha. Além disso, reduziu posição em CRI e logística e reforçou alocação em escritórios e outros segmentos de tijolos.

Fonte: RBR (Relatório Gerencial - Janeiro/2023)

Observando as atuais maiores alocações, o top 10 responde por 57% da carteira, que era composto por:

Fonte: RBR (Relatório Gerencial - Janeiro/2023)

Tijolo segue com preferência em escritórios, mas com uma alocação diferente da que tínhamos no momento da recomendação. Veja o exemplo de HGPO11, um FII que detém dois ativos de excelente qualidade no Itaim Bibi. Sequer figurava no top 10 e hoje lidera a alocação, e estamos falando de um FII de liquidez limitada especialmente para um institucional (atualmente, o FII negocia em média R$ 380 mil por dia). E se 10% do patrimônio do RBRF11 está alocado em HGPO11, podemos inferir que é uma alocação de aproximadamente R$ 110 milhões, lembrando que esse FII tem valor de mercado de aproximadamente R$ 431 milhões.

Tivemos redução de exposição em outros fundos de escritórios, trocas de CRIs, enfim, a gestão definitivamente foi atuante na tentativa de otimizar o portfólio do RBRF11.

Isso se refletiu na composição das receitas do FoF. Em maio/2021, quando olhávamos para o perfil da receita acumulada nos 12 meses anteriores do RBRF11, 23% vinha justamente do ganho de capital com giro de posições. Analisando a demonstração de resultados de janeiro/2023, nos últimos 12 meses toda a receita do RBRF11 veio de rendimentos de FIIs e CRIs, sem qualquer ajuda de ganho de capital. Por óbvio, em um ou outro mês pode ter ocorrido ganho de capital, mas no acumulado o resultado foi um prejuízo de mais de R$ 1,5 milhão com o giro de posição.

Como o rendimento inclusive cresceu de lá para cá, como vimos, de R$ 0,60/cota para R$ 0,63/cota, essa mudança na composição da carteira permitiu que as receitas ficassem menos dependentes no curto prazo desse giro de posição, mas sem que o RBRF11 abrisse mão de adquirir posições descontadas pensando em ganho de capital no futuro, com uma melhor situação para o mercado de FIIs, em especial para os de tijolos. Há ainda uma reserva de R$ 0,58/cota (base janeiro/2023), que dá ao time de gestão a possibilidade de enfrentar alguma oscilação negativa nos rendimentos recebidos pelos FIIs e CRIs, e assim minimizar o impacto nos rendimentos do RBRF11.

Fonte: RBR (Relatório Gerencial Janeiro/23)

Por fim, lembre-se de que a cota patrimonial de um FoF é composta pelo valor de mercado dos FIIs investidos. Logo, como tais FIIs estão com descontos, há uma segunda camada de desconto para o RBRF11, assim como para praticamente todos os FoFs do mercado.

Há o desconto explícito, que é aquele medido pela diferença da cota de mercado do FoF e sua cota patrimonial, e também um desconto implícito, que é o adicional que seria gerado caso os FIIs investidos, que também estão notoriamente descontados em sua maioria, vissem seus respectivos valores de mercado convergirem para suas cotas patrimoniais. Dessa forma, elevariam ainda mais a cota patrimonial do RBRF11, abrindo espaço para mais uma onda de correção.

Esse é o típico cenário em que vejo maior valor para alocação em FoFs, quando temos o chamado duplo desconto, por óbvio, considerando carteiras com estratégias equilibradas e alocações em ativos de qualidade – caso do RBRF11.

O RBRF11 permanece com a alocação recomendada de 1,0% em todas as carteiras a partir de R$ 100 mil, com preço máximo para compra (pmax) em R$ 80,00/cota. No atual patamar de precificação, considerando o fluxo de caixa esperado pela atual alocação do RBRF11, temos um carrego de rendimento esperado para 2023 de aproximadamente 12,4% a.a., levando em conta também o preço da cota do RBRF11 no pregão de 28/2/2023, patamar de renda que julgo extremamente atrativo, principalmente ao considerarmos que há desconto de 14% para a cota patrimonial do FoF.

Kinea Fundo de Fundos (KFOF11)

O Kinea Fundo de Fundos, cujo código de negociação na Bolsa de Valores é KFOF11, foi recomendado na série O Melhor dos Fundos Imobiliários em 29/9/2022 (data que usaremos como referência para análise) e já integrou o Spiti One desde sua concepção, em 7/11/2022.

O FOF tem gestão do Kinea, uma das mais longevas gestoras de FIIs listados na B3. A gestora possui diversas estratégias, além do KFOF11: KNIP11, KNCR11, KNHY11, KNSC11 e KNRE11 para citar os FIIs de Papel (CRI), e apenas uma estratégia híbrida em tijolos, o KNRI11.

O KFOF11 fez sua estreia na Bolsa em janeiro/2019, e no momento de sua entrada na carteira da série de FIIs, o patrimônio do FoF estava mais concentrado em tijolos do que o RBRF11 na mesma data. Apenas 26% da alocação do KFOF11 estava em FII de papel (CRI) e o restante em tijolos, com exceção de 2,1% que estava em caixa.

Importante ainda destacar que a gestão Kinea divide a alocação em tática, que busca potencial de retorno em prazo mais curto, e imobiliária, que foca em qualidade e tem viés de longo prazo. Sob tais óticas, a carteira do KFOF11 tinha 61,3% em estratégia imobiliária e 36,6% em alocação tática, e o restante em caixa.

Fonte: Kinea (Relatório Gerencial - Agosto/2022)

Como a ideia é sempre termos estratégias complementares, note como o KFOF11 ataca pontos onde o RBRF11 era mais tímido. maior exposição a tijolos, maior exposição ao segmento de shopping center e varejo, uma pitada de agro e até mesmo, alocação pequena em outros FoFs.

Em relação ao top 10 na alocação, nomes conhecidos, mas proporções distintas, como já falamos:

Fonte: Kinea (Relatório Gerencial - Agosto/2022, com posição de 30/6/2022)

Quer mais diferenças? Olhe o tamanho da concentração do top 10: 2/3 do patrimônio do KFOF11 explicado por 10 FIIs. E como estavam os rendimentos do FoF?

No momento de sua recomendação na série de FIIs, o KFOF11 tinha uma DY de 11,9% a.a. com spread (diferencial) para a NTN-B (Tesouro IPCA+) com vencimento em 2035 equivalente a 603 pontos-base (6,03%). Lembrando que o CDI naquele momento já estava no patamar que temos hoje, ou seja, aproximadamente 13,65% a.a.

O mercado já estava exigindo maior nível de prêmio de risco para os fundos imobiliários, em especial para os FoFs.

A taxa do Tesouro IPCA+ 2035 encerrou fevereiro em 6,38% a.a., e o CDI, como já citei, em 13,65% a.a. O rendimento por cota do KFOF11 permaneceu no mesmo patamar que estava há meses, quando foi recomendado na série original, ou seja, R$ 0,72/cota. Ao final de fevereiro/2023, o KFOF11 estava cotado a R$ 77,93, e com isso seu DY anualizado ficou na casa de 11,7% a.a., o que geraria um prêmio de 529 pontos-base para o título público federal.

Note como, nos últimos cinco meses, a dinâmica do mercado apresentou uma sútil diferença. O nível de DY ficou praticamente estável, mas com o aumento das taxas do Tesouro IPCA+, houve pequena redução do spread (diferencial). Se não podemos afirmar que o mercado teria encontrado um limite para precificar a cota do KFOF11, de forma que gere um nível de DY que ofereça o prêmio de risco desejado, no mínimo temos que reconhecer que essa dinâmica simplista que muitas vezes guia o mercado de preços de cotas dos FIIs vem encontrando maior dificuldade. Afinal, como explicar os níveis de desconto pelos quais os ativos estão negociando apenas com a justificativa “porque deve oferecer um rendimento com prêmio de risco de x%”?

E sobre o P/VP desse FoF, em setembro/2022, o KFOF11 negociava com deságio de 8,8% em relação ao valor patrimonial (cota de 28/9/2022 versus valor patrimonial de conhecimento público na mesma data, ou seja, R$ 99,71).

Atualmente, a cota patrimonial do KFOF11 é R$ 88,14 (base 31/1/2023), e, dada a cotação de fechamento de fevereiro/2023, R$ 77,21, temos um deságio de 12,4%.

Assim como nos demais FOFs recomendados, observamos aceleração do nível de deságio como reflexo do mercado penalizando mais a cota do FOF no mercado secundário do que ocorreu com a cota patrimonial. A janela desafiadora com deterioração mais intensa dos preços das cotas dos FIIs e elevação do patamar de remuneração oferecido pela renda fixa custaram um resultado ruim para o KFOF11, ainda que estejamos falando de uma janela de apenas cinco meses, muito pequena para fazer qualquer tipo de afirmação, em se tratando de investimentos imobiliários.

Fonte: Economatica

Enquanto o Ifix, no período, caiu 5,61%, o KFOF11 teve retorno de -8,61% – lembrando que este é o chamado retorno total, ou seja, considera os dividendos recebidos.

E lá vamos nós verificar se as escolhas feitas pelo gestor do KFOF11, através da evolução da cota patrimonial e rendimentos, tiveram resultado similar ao que vimos na cota de mercado com os rendimentos.

No momento da recomendação na série de FIIs, a cota patrimonial do KFOF11 era R$ 99,71. Ao observarmos a atual, R$ 88,14, podemos inferir que houve uma redução patrimonial de 11,6%. Porém, assim como fizemos nos casos anteriores, vamos retornar os dividendos distribuídos ao patrimônio do FoF.

No caso do KFOF11, o FII gerou R$ 4,32/cota em dividendos, logo, sob a ótica do patrimônio, o gestor do FoF transformou esses R$ 88,14 em R$ 92,46 (R$ 88,14 + R$ 4,32) ou seja, valor 7,27% inferior ao momento da recomendação (sempre pela ótica patrimonial). Nesse caso, veja como a evolução patrimonial teve retorno levemente superior ao que vimos com o retorno total pelo preço de mercado (-8,61%).

E, em se tratando de uma janela menor, apenas cinco meses, como se comportou do ponto de vista de composição a carteira de FIIs investidos pelo KFOF11? Observando o relatório gerencial de janeiro/2023, que contém a posição de novembro/2022, vimos poucas mudanças.

Fonte: Kinea (Relatório Gerencial - Janeiro/2023, com posição de 30/11/2022)

Observando as atuais maiores alocações, o top 10 responde por 63% da carteira, que era composto por:

Fonte: Kinea (Relatório Gerencial - Janeiro/2023, com posição de 30/11/2022)

Sim, pouca coisa mudou no top 10. Uma queda marginal na participação desse grupo no total da carteira, mas ainda se mantém em patamar elevado. MALL11 deixou de figurar no top 10, ainda que mantenha presença na carteira do KFOF11. Setor educacional apareceu no top 10 com o RBED11, mas, para além dessas mudanças pequenas no top 10, chamo atenção para a expansão da participação da alocação tática, que saiu de 36,6% para 44,5%, crescimento de praticamente 8 p.p., e isso, a meu ver, traz uma mensagem de maior convicção de teses descontadas e/ou com viés de curto prazo.

Mesmo a expansão da alocação no segmento de FII de papel (CRI), que tem caráter mais defensivo, acaba sendo encarada como movimento tático, seja pelo viés de rendimentos mais robustos oriundos especialmente de estratégias mais voltadas para o CDI, caso do KNCR11, seja pelo viés de desconto no preço da cota, caso do MCCI11, que sequer era investido do KFOF11 no meio de 2022 e atualmente é a 11ª maior alocação do FoF.

E, em se tratando de ganho de capital, se a vida não foi fácil para RBRF11, não seria diferente para o KFOF11. Mas a estratégia seguiu, ou seja, o fundo focou em alocação que lhe gerasse maior perenidade dos rendimentos recebidos para menor dependência do ganho de capital oriundo do giro de cota.

Nesse ponto, a estratégia tem logrado êxito, uma vez que o rendimento mensal tem se mantido nos R$ 0,72/cota. O guidance (expectativa) informado pela gestão permanece no intervalo de R$ 0,65 e R$ 0,75 por cota para o primeiro semestre de 2023 sem que o ganho de capital tenha figurado no resultado desde outubro/2022, quando inclusive o giro de carteira trouxe prejuízo para o KFOF11. Há ainda uma bem-vinda reserva acumulada de R$ 0,40/cota, que pode ser utilizada para normalizar a distribuição de algum mês que porventura tenhamos algum impacto negativo oriundo dos rendimentos.

Fonte: Kinea (Relatório Gerencial - Janeiro/2023)

E sobre o duplo desconto tão comum nos FOFs, aqui no KFOF11 não é diferente. Considerando a posição de 31/1/2023, a cota de mercado teria desconto de 15,2% para a cota patrimonial do KFOF11, e mais 23,4% de desconto caso as cotas de mercado dos FIIs investidos caminhassem para o patamar de suas respectivas cotas patrimoniais. Tudo isso perfaz um upside potencial de 42%.

Fonte: Kinea (Relatório Gerencial - Janeiro/2023)

Diante do exposto, o KFOF11 permanece com a alocação recomendada de 7,5% para as carteiras de R$ 5 mil, 5% para as carteiras de R$ 10 mil, 2% para as carteiras de R$ 30 mil, 1,5% para carteiras de R$ 50 mil e 1% para todas as carteiras iguais ou maiores que R$ 100 mil, com preço máximo para compra (pmax) em R$ 87,00/cota.

No atual patamar de precificação, considerando o fluxo de caixa esperado pela atual alocação do KFOF11 e a estimativa de distribuição informada pelo gestor, temos um carrego de rendimento esperado para 2023 de aproximadamente 11,7% a.a. considerando o preço da cota do KFOF11 no pregão de 28/2/2023, patamar que oferece rendimento robusto, mesmo comparado com a renda fixa de curto prazo, com substancial prêmio para o Tesouro IPCA+ 2035. Aqui, falamos de aproximadamente 530 pontos-base, e com interessante potencial de ganho de capital advindo do desconto de 11% para a cota patrimonial do FoF.

Conclusão

Encerro este relatório reforçando as recomendações em nossas teses de fundo de fundos imobiliários: RBRF11 e KFOF11.  

Mantivemos os percentuais recomendados diante de um cenário que ainda se mostra desafiador para FIIs de tijolos e FoFs especialmente. Porém, diante do atual nível de carrego de renda, sempre próximo a 12% a.a., com os níveis de desconto para a atual cota patrimonial, entre 11% e 14%, e com esse nível podendo alcançar patamar superior por conta da figura do duplo desconto, entendemos que há assimetria de risco benéfica para os assinantes, especialmente porque temos um foco de médio e longo prazos, esperando que tais teses entreguem resultados em linha com o perfil de risco, em horizonte de 24 a 36 meses, horizonte de tempo que entendemos ser suficiente para vislumbrarmos melhores condições no mercado de juros, tanto de curto quanto de longo prazo.

As mudanças nas carteiras dos FoFs visaram defender nível de renda que gerasse menor dependência de ganho de capital oriundo de giro de carteira, e entendo que os gestores foram hábeis em tais movimentos, basta vermos o nível e composição detalhada dos últimos rendimentos.

Ratifico a recomendação de:

  • RBRF11 para 1,0% em todas as carteiras a partir de R$ 100 mil, com preço máximo de compra em R$ 80,00/cota.
  • KFOF11 para 7,5% para as carteiras de R$ 5 mil, 5% para as carteiras de R$ 10 mil, 2% para as carteiras de R$ 30 mil, 1,5% para as carteiras de R$ 50 mil e 1% para todas as carteiras iguais ou maiores que R$ 100 mil, com preço máximo de compra em R$ 87,00/cota.

Acompanhe a tabela de recomendados na área do assinante, no site da Spiti, para identificar eventuais alterações de preço máximo para aquisição.

Para elogios, sugestões e críticas construtivas, sintam-se a vontade para nos contatar pelo e-mail spitione@invistaspiti.com.br

Obrigado pela costumeira paciência!

Bons investimentos!

Ricardo Figueiredo

Sobre os analistas

Ricardo Figueiredo

Sócio

É analista CNPI, especialista em fundos imobiliários da Finclass. Bacharel em Economia com especialização em Mercados Financeiros e MBA em Gestão Financeira e Atuarial, começou a carreira como professor na área de tecnologia. Migrou para mercado financeiro, no qual atua há quase 20 anos. Entre 2003 e 2021, passou pela área de investimentos da Vivest, maior fundo de pensão de capital privado do país. Realizou análise e gestão de investimentos em imóveis e carteira de fundos imobiliários, que totalizavam mais de R$ 1,2 bilhão. Acredita que todo e qualquer conhecimento não disseminado perde sua utilidade e, por isso, quer levar conteúdo de finanças para todos, com linguagem leve e de forma responsável.