Uma explicação sobre o motivo pelo qual aprovamos fundos para a reserva de emergência, bem como a nossa varredura pela indústria que culminou na inclusão do Plural Tesouro Selic FI Renda Fixa Simples e na retirada do Trend DI FIC Renda Fixa Simples da nossa lista;
Revisão dos fundos para reserva de emergência, de viagens e passivos de renda fixa
Escrito por Rodrigo Xavier em FUNDOS
Neste relatório, você encontrará:
Os motivos que nos levaram a retirar a seção “Para a sua viagem” da nossa lista de aprovados. O mercado de planejamento de viagens evoluiu e nós optamos por seguir essa evolução;
Fizemos uma checagem das opções mais baratas da indústria que replicam o IMA-B, principal referencial da classe de renda fixa dinâmica. Aproveitamos também para retirar outras opções anteriormente aprovadas que seguiam referenciais diferentes, já que, pela forma como estruturamos a carteira atualmente, elas não teriam chance de entrar na carteira base.
Fala, pessoal!
Para quem nos acompanha há mais tempo, talvez já esteja claro que o escopo do time de fundos é cobrir fundos ativos de renda fixa pós-fixada, renda fixa ativa, multimercados e ações, todos com foco em investimentos locais.
Mas o que são fundos ativos?
São aqueles que têm como objetivo superar um referencial de mercado. Por exemplo, a maioria dos nossos fundos de ações busca superar o Ibovespa.
Entretanto, no intuito de ir um pouco além, também monitoramos algumas opções não ativas, como fundos para sua reserva de emergência, fundos cambiais (que podem ajudar em viagens) e, eventualmente, alguns fundos passivos.
E o que seriam estes fundos passivos?
São aqueles que buscam “apenas” replicar um índice de mercado. Por exemplo, temos em nossa carteira fundos indexados ao IMA-B, cujo objetivo é seguir de perto o índice. Nesse caso, não seria desejável superar o seu referencial, pois isso caracterizaria um descumprimento de mandato.
O objetivo deste relatório é compartilhar com os investidores e investidoras da Finclass o resultado do nosso último “pente-fino” na indústria, bem como explicar alguns ajustes conceituais que utilizamos para rever nossa estrutura de fundos aprovados.
Já oferecendo um pequeno spoiler aqui, temos algumas novidades para trazer!
Vamos ao relatório?
Antes de começar, saiba onde encontrar os fundos aprovados pelo nosso time
Na parte inferior da área de carteiras da Finclass, você pode encontrar a nossa lista com todos os fundos aprovados. Veja abaixo:
Fonte: área logada da Finclass (parte inferior)
Nela, além dos fundos presentes nas carteiras, também são encontrados mais alguns fundos que aprovamos em nossa análise, e que podem entrar na carteira da Finclass a qualquer momento, a depender de circunstâncias de mercado.
O fechamento para novas aplicações de algum fundo que esteja na carteira base pode ser um motivo que nos faça retirá-lo, uma vez que a carteira principal precisa ser totalmente implementável a todo momento, como fizemos recentemente no caso do fechamento do SPX Falcon (veja o relatório aqui).
Portanto, é necessário ter um “banco de reservas” com boas opções de fundos para nos adequarmos nestes casos específicos, ou até mesmo para efetuar uma troca quando algum fundo perde seus fundamentos, o que pode vir a acontecer.
No caso dos fundos de reserva de emergência e para viagens (cambiais), estes não entram na carteira da Finclass, mas podem te ajudar para outros propósitos e também podem ser encontrados em nossa lista a caráter adicional.
O motivo pelo qual recomendamos fundos para a reserva de emergência
Sabemos que muitos investidores da Finclass são entusiastas dos fundos de investimento, seja por admirar os renomados gestores que recomendamos, seja pela facilidade operacional que os fundos trazem no dia a dia.
Afinal, eles tornam a declaração anual de IR bem mais simples, reduzem a necessidade de controlar o preço das cotas e ainda evitam um giro de carteira constante, já que há um gestor profissional fazendo esse trabalho por nós.
Dito isso, lá atrás, reconhecendo a importância de construir uma reserva de emergência antes de começar a investir (temos vídeos e posts explicativos sobre o tema na comunidade!), resolvemos buscar as opções de fundos mais baratas e eficientes para quem está nessa fase.
E, para a nossa surpresa (e alegria), existem fundos que investem exclusivamente em Tesouro Selic e não cobram taxa de administração, ou seja, são de graça e atendem nossa necessidade!
Mas como assim, de graça?
Estes fundos são oferecidos por corretoras que querem atrair novos investidores. Elas disponibilizam o produto sem taxa para que você abra conta na plataforma e, depois, conheça outros investimentos. Elas perdem de um lado, mas ganham do outro.
A partir disto, nossos critérios de seleção são bem claros:
- O fundo precisa ter taxa zero;
- Investir obrigatoriamente apenas em Tesouro Selic;
- Estar disponível em uma corretora que passe pelo nosso crivo de confiabilidade.
A revisão dos fundos para a reserva de emergência
Por meio dos filtros que mencionamos, fizemos nossa tradicional varredura pelas corretoras para verificar se há algum novo fundo elegível à reserva e se os fundos vigentes continuam disponíveis nas mesmas condições.
É raro que algum fundo mude sem que a gente fique sabendo imediatamente, mas não custa nada validar tudo com calma no nosso monitoramento de rotina, não é verdade?
Essa é uma checagem que costumamos fazer de tempos em tempos, mas como fazia um tempo que nada mudava, vínhamos apenas mantendo tudo como estava.
Abaixo, deixo o resultado do nosso levantamento.
Elaboração: Finclass
- Os dois primeiros fundos da lista estão no BTG e não há nenhuma diferença efetiva entre eles. Talvez a corretora pudesse manter apenas um, mas, por uma decisão interna, optaram por deixar ambos;
- O fundo da Pi/Toro segue normalmente disponível na plataforma, sem nenhuma novidade relevante;
- Na XP, mantivemos o fundo Trend DI FIC Renda Fixa, que continua disponível e dentro dos filtros que exigimos.
- Retiramos o fundo Trend DI Simples FIRF. Apesar de ainda estar enquadrado nos filtros, ele já está fechado para novos aportes há algum tempo e fora da prateleira de fundos da XP. Preferimos não o remover antes porque muitos assinantes antigos ainda mantinham saldo neste fundo para fazer a reserva. Porém, dado que já faz mais de 2 anos que ele segue dessa forma, optamos por retirá-lo dessa vez.
- E temos novidade! Quem utiliza a Genial como corretora agora pode aplicar no fundo Plural Tesouro Selic Renda Fixa Simples, que está sendo incluído pela primeira vez na nossa lista de recomendações.
Passadas as explicações sobre cada fundo, vamos conferir se eles estão performando dentro do esperado.
Abaixo, você encontra a rentabilidade mensal dos últimos 12 meses, lembrando que o mandato é acompanhar de perto a Selic, e consequentemente o CDI.
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
Perceba que as rentabilidades estão bem parecidas e dentro dos valores esperados, com pequenas diferenças que consideramos totalmente normais.
Isso acontece porque os diferentes prazos de vencimento dos títulos do Tesouro Selic oferecem microtaxas prefixadas junto com a variação da própria Selic, o que faz com que os retornos dos fundos oscilem levemente no dia a dia por conta da marcação a mercado, mas são diferenças ínfimas, como podem ver.
Não estamos entrando em mais detalhes ou estatísticas aqui, já que o fundo de reserva de emergência é algo bem tranquilo mesmo, mas a trajetória dos fundos seguiu estável e dentro do esperado.
Diante disso, estamos realizando a inclusão do Plural Tesouro Selic FI Renda Fixa Simples e a retirada do Trend DI FIC Renda Fixa Simples da nossa lista.
Estamos deixando de recomendar fundos cambiais
Eu, Rodrigo, viajei recentemente para a Europa e confesso que não cogitei acumular os recursos me utilizando dos fundos cambiais, optei por ir guardando os euros em uma conta de débito internacional.
Ao conversar com diversos colegas, tanto do mercado financeiro quanto amigos pessoais, a maioria preferiu fazer dessa maneira também, cada um com sua forma de estudar as melhores alternativas de se programar para a viagem.
E, poxa, justo eu que sou o analista de fundos da Finclass e extremamente alinhado na vida pessoal com o que disseminamos por aqui preferi fazer de outra forma. Então, por que eu deveria incentivar meus assinantes a fazer por fundo?
Essa foi uma reflexão importante que fiz antes de tomar a decisão.
“Mas, Rodrigo, então me ajude a entender este movimento?”
A resposta é que fazia sentido investir em um fundo atrelado ao câmbio no passado, o investidor poderia acompanhar a valorização da moeda americana (dependendo do caso o euro) e, teoricamente, preservar seu o poder de compra em moeda estrangeira durante o período de planejamento.
No entanto, com a evolução das alternativas disponíveis no mercado e as mudanças nas condições financeiras, essa estratégia deixou de ser a mais eficiente para esse objetivo específico.
Hoje, segundo a nossa visão, existem opções mais práticas, baratas e previsíveis, como os cartões de débito internacionais (como a Wise, Nomad e outras plataformas similares), que tornam desnecessário o uso dos fundos cambiais.
Enquanto escrevo este relatório, já ouço falar sobre alternativas ainda mais eficientes, como as contas digitais em dólar que utilizam stablecoins. Nelas, é possível eliminar o IOF da operação (já que, tecnicamente, não se trata de uma operação cambial tradicional) e ainda fazer o saldo parado na conta render alguma coisa.
O nosso time já vem estudando sobre o tema para trazer algum conteúdo sobre essas contas digitais de stablecoins com mais detalhes para você.
Mas, enfim, a única certeza que tenho é que o mercado não para de evoluir, e os fundos cambiais parecem ter ficado um pouco para trás, até mesmo do ponto de vista de praticidade e comodidade, que eu sei ser um dos fatores mais valorizados por quem gosta de investir através de fundos.
O avanço dos cartões internacionais
Nossa intenção aqui não é escrever um relatório contando os detalhes de como se organizar para uma viagem e quais as melhores maneiras de fazer as coisas, porém vou listar alguns benefícios que os “famosos” cartões internacionais já oferecem, na linha de clarear a ideia para você de que os fundos cambiais talvez não sejam mais necessários.
Nos últimos anos, plataformas como Wise, C6, Nomad e outras carteiras digitais internacionais transformaram completamente a forma de lidar com dinheiro em viagens. Hoje, é possível abrir uma conta em moeda estrangeira, converter reais a taxas muito próximas do câmbio turismo e usar o saldo diretamente em dólar, euro ou outras moedas — tudo de maneira simples, rápida e transparente.
Essas ferramentas oferecem várias vantagens práticas em relação aos fundos cambiais:
- Compras internacionais: pode ser usado em estabelecimentos físicos, online e em aplicativos que aceitam a bandeira do cartão.
- Saques em moeda local: permite sacar dinheiro em caixas eletrônicos em diversos países, com conversão automática da sua conta.
- Câmbio: a conversão de moedas é feita utilizando a taxa de câmbio comercial, o que tende a ser mais vantajoso e transparente do que cartões de crédito tradicionais.
- Controle financeiro: você acompanha seus gastos em tempo real pelo aplicativo e pode congelar ou desbloquear o cartão instantaneamente.
- Cartão digital: costuma ter cartão virtual que pode ser usado imediatamente para compras online, aumentando a segurança.
- Gratuidade: não costuma ter anuidade nem taxa de manutenção. A emissão é gratuita para residentes no Brasil.
Na prática, isso significa que o cartão internacional cumpre exatamente o papel que o investidor busca quando pensa em um fundo cambial para viagens: proteger-se da variação do dólar e ter poder de compra garantido no exterior. Só que faz isso de maneira muito mais direta e eficiente.
Uma reflexão sob a ótica dos valores financeiros
Imagine alguém que vai viajar daqui a seis meses e quer reservar R$ 10 mil para a viagem.
Se essa pessoa aplicar em um fundo cambial, o resultado dependerá do comportamento do dólar até lá. Pode ser que o dólar suba e ela tenha lucro — mas também pode cair, e o valor em reais encolher.
Um aspecto ruim do fundo cambial é que ao resgatar o investimento, ainda haverá tributação sobre o lucro (22,5% se resgatarem em menos de 6 meses, ou 20% entre 6 meses e 1 ano) e, depois, a necessidade de comprar a moeda efetivamente, pagando o câmbio do dia com as demais taxas embutidas.
Com um cartão internacional, a pessoa pode converter parte do valor hoje, travando o câmbio atual, e ir completando aos poucos nos próximos meses.
Dessa forma, ela dilui o risco da variação do dólar, garante previsibilidade e já terá o dinheiro em moeda estrangeira na conta, pronto para usar quando embarcar.
Ponto de atenção:
Em operações de remessas muito pequenas as tarifas fixas cobradas por algumas dessas plataformas que citamos podem representar um custo proporcionalmente alto, reduzindo a eficiência da conversão.
Por isso, o ideal é planejar e concentrar os envios em valores um pouco maiores, aproveitando melhor o custo-benefício.
É importante comparar as cotações entre diferentes serviços e verificar o câmbio efetivo total (incluindo taxa, spread e IOF), já que é ele que define o custo real da operação.
Com esse cuidado, o investidor garante que a conveniência da ferramenta não se perca em pequenas ineficiências de execução.
Conclusões sobre os fundos destinados a viagens
A retirada destes fundos da nossa lista de aprovados não tem relação com a capacidade dos gestores, os quais no dia a dia cumprem bem seu objetivo que é seguir a referida moeda de perto, mas sim com uma ideia que passa por indicar ao nosso assinante o que seria a melhor experiência efetivamente.
Os fundos cambiais podem ser uma ferramenta válida dentro de estratégias específicas de diversificação de investimentos, porém, para essa finalidade preferimos ativos dolarizados, para obter a variação do câmbio somada à valorização do ativo.
Mas para objetivos práticos e de curto prazo, como planejar uma viagem internacional, eles perderam espaço.
A combinação de simplicidade, transparência e custo baixo dos cartões de débito internacionais e dos outros produtos que estão surgindo no mercado tornou o processo de planejar e usar recursos no exterior muito mais eficiente.
Por conta do que foi explicado neste tópico, deixamos de recomendar os fundos cambiais para o planejamento de viagens. Portanto, a seção “Para a sua viagem” foi suprimida da nossa área logada.
Veja Abaixo os fundos que foram retirados da nossa lista de aprovados:
Elaboração: Finclass
Revisando os passivos da classe renda fixa dinâmica
Neste tópico, abordarei dois pontos principais: o primeiro envolve uma pesquisa completa no mercado em busca de opções com bom custo e que acompanhem o IMA-B; o segundo traz uma reflexão mais conceitual, relacionada ao direcionamento de recomendarmos apenas fundos que tenham potencial de integrar a carteira base da Finclass.
Entendendo o IMA-B e o motivo que nos faz considerar a recomendação de fundos passivos a ele
O IMA-B é um índice calculado pela Anbima que mede o desempenho de uma carteira teórica composta por títulos públicos federais indexados ao IPCA, os chamados Tesouro IPCA+ (ou NTN-B).
Ele reflete a variação combinada da inflação (IPCA) e dos juros reais desses papéis, servindo como uma referência importante para acompanhar o mercado de renda fixa atrelado à inflação.
Por isso, é amplamente utilizado como benchmark por fundos de investimento de renda fixa e de previdência que buscam retorno real acima da inflação.
Mas você pode estar se perguntando, “se a proposta da Finclass é recomendar fundos ativos, por que recomendam e consideram na carteira os fundos passivos ao IMA-B?”.
Ocorre que em nossas prospecções de mercado temos dificuldade de encontrar fundos que se sustentem tanto pela análise qualitativa quanto quantitativa para superar de maneira consistente o IMA-B, então considerar parte da carteira em fundos passivos poderia ser uma alternativa.
Na nossa visão, o IMA-B é um índice bastante competitivo, e pouquíssimos fundos na indústria nos deixam confortáveis quando o objetivo é superar seu desempenho.
Atualmente, a carteira de fundos dessa classe é composta por 50% em fundos passivos atrelados ao IMA-B, 25% alocados no fundo de infraestrutura listado em bolsa da Kinea (KFID11) e 25% no fundo de infraestrutura do Itaú (IFRA11). A isenção de Imposto de Renda desses ativos é um fator que conta a favor dos fundos, contribuindo para que ambos passassem em nosso rígido crivo de análise. Além disso, contam com equipes altamente qualificadas, processos de gestão consistentes e uma estrutura institucional sólida.
Poderíamos considerar apenas esses dois fundos de infraestrutura na recomendação, mas, por serem negociados em bolsa, apresentam volatilidade maior do que gostaríamos para o portfólio. A presença dos fundos passivos ajuda a equilibrar a trajetória de resultados e a manter maior aderência à estratégia, especialmente em momentos de mercado mais estressado.
Revisando as opções baratas que replicam o IMA-B
Feita a contextualização inicial, agora podemos compartilhar como conduzimos a nossa busca pelas melhores opções disponíveis no mercado.
Realizamos uma varredura nas principais corretoras do país utilizando os seguintes critérios para seleção:
- O fundo deve ter, em seu regulamento, o compromisso formal de seguir o IMA-B;
- Taxa de administração efetiva igual ou inferior a 0,30%;
- Aderência diária muito próxima ao índice, com correlação acima de 0,99 e tracking error abaixo de 0,05%;
- Estar disponível em corretoras de alta confiabilidade.
Sendo que:
- Correlação: mede o quanto o desempenho do fundo se movimenta em linha com o índice de referência (benchmark), é um indicador que vai de -1 até 1. Quanto mais próxima de 1, maior a aderência. Veja abaixo a fórmula:
Elaboração: Finclass
- Tracking error: mostra o desvio padrão da diferença entre o retorno do fundo e o retorno do índice, ou seja, o quanto o fundo se afasta da performance esperada do benchmark. Quanto menor for, mais aderente o fundo passivo está em relação ao seu índice de referência. Veja abaixo a fórmula:
Elaboração: Finclass
Observação: no caso dos ETFs, é comum ver pequenos descasamentos nas métricas estatísticas apontadas acima, já que, por serem negociados em bolsa, por vezes descasam alguma cotação de fechamento. Ainda assim, consideramos aceitáveis diferenças pontuais, especialmente quando o retorno do ETF acompanha de perto a variação do índice em janelas de tempo mais longas.
Atualmente, recomendamos o Trend Inflação Geral, gerido pela XP, e o ETF IMAB11, gerido pelo Itaú, ambos com o objetivo de replicar o comportamento do IMA-B. Após concluirmos a análise, confirmamos a manutenção dessas duas peças em nossa recomendação, considerando a flexibilização que adotamos para ETFs em razão de suas particularidades operacionais.
Do ponto de vista de novas adições, chegamos a duas alternativas que quase entrara”, porém ficaram de fora por conta de alguns detalhes. A primeira foi o BTG Pactual Tesouro IPCA Geral, que acabou ficando de fora porque apresentou desvios acima do esperado nos últimos meses quando olhamos as métricas de correlação e tracking error — não é nada muito expressivo, mas suficiente para impedir a recomendação, a qual deve estar bastante alinhada às métricas que utilizamos.
A segunda foi o BB Tesouro Inflação, que mostrou alta oscilação de disponibilidade na plataforma do Banco do Brasil — ora aparece, ora deixa de estar acessível. Como para nós é essencial que o fundo esteja efetivamente disponível para o investidor, essa instabilidade operacional inviabilizou sua inclusão no momento.
Resumidamente, nada mudou nas recomendações de passivos ao IMA-B, os mesmos fundos que recomendávamos antes continuam e nenhuma nova peça entrou na lista de aprovados.
Retirada dos fundos que seguem o IMA-B 5+
O IMA-B 5+ é um subíndice da família IMA, calculado pela Anbima, que acompanha o desempenho dos títulos públicos indexados ao IPCA com vencimentos acima de cinco anos, ou o Tesouro IPCA que citamos acima na abordagem do IMA-B.
Por focar em títulos mais longos, o IMA-B 5+ tende a ser mais volátil do que o IMA-B amplo. Isso ocorre porque papéis longos são mais sensíveis às mudanças nas expectativas de juros e inflação.
Em cenários de queda das taxas de juros, o índice costuma apresentar valorização mais forte; já em períodos de alta de juros, pode sofrer quedas mais acentuadas.
Compreendido o que é o índice, lá no passado o utilizamos para, estrategicamente, compor nossa carteira. Entretanto, desde março deste ano adotamos uma premissa de alocação de só utilizar fundos passivos ligados ao IMA-B nas carteiras de fundos, cujas motivações explicamos em detalhes por meio do relatório de 17/3 (aqui).
De lá para cá, mantivemos as recomendações dos passivos atrelados ao IMA-B 5+, mas, após uma reflexão mais profunda sobre o tema, decidimos retirar esses fundos.
Aqui, estabelecemos um conceito: exceto pelos fundos destinados à reserva de emergência, só manteremos uma peça em nossa proposta caso ela esteja elegível para compor a carteira a qualquer momento, o que, no momento atual, não se aplica a esses fundos.
Nada impede que possamos mudar de estratégia no futuro, mas por ora é assim que vamos seguir.
Essa decisão não está relacionada a qualquer problema no cumprimento do mandato de seguir de perto seu índice de referência, pois eles acompanham corretamente o IMA-B 5+. Trata-se apenas de um ajuste de conceito da nossa proposta.
Portanto, abaixo listamos os fundos que estão sendo retirados da nossa lista:
Elaboração: Finclass
Ficamos por aqui
Como puderam acompanhar, além de revisar os fundos para reserva de emergência e passivos ao IMA-B, trouxemos algumas retiradas de outros fundos da lista por motivo conceitual.
Não temos mais fundos cambiais para viagens por acreditar que existem outras maneiras melhores para fazer este planejamento.
Também retiramos os passivos ao IMA-B 5+, pois dada a maneira como construímos a carteira de fundos, eles não seriam “encaixáveis” na carteira base atual.
De tempos em tempos, é preciso deixar as coisas mais equalizadas, por isso, julgamos necessário fazer este relatório de ajustes para facilitar a compreensão geral dos assinantes do nosso trabalho.
Esperamos que esta leitura tenha sido útil para você e reforçamos que estamos sempre à disposição para esclarecer dúvidas por meio das nossas lives, comunidade e demais canais de comunicação.
Um grande abraço e bons investimentos!
Rodrigo Xavier
Sobre os analistas
Rodrigo Xavier
Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.