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Saída do Giant Zarathustra, adição do Genoa Radar e ajuste na Renda Fixa Pós

Escrito por Rodrigo Xavier em FUNDOS

18 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • As motivações que nos levaram a retirar o fundo Giant Zarathustra das nossas carteiras de valorização. Dentre os principais pontos estão a relevante diminuição de patrimônio, a forte mudança no processo de gestão e a incorporação da DAO Capital, que ainda precisa ser testada e preferimos observar de fora;

  • A entrada do Genoa Capital Radar nas carteiras recomendadas após um longo período constando apenas na nossa lista de fundos aprovados;

  • Um spoiler sobre a nossa proposta de redução de faixas de patrimônio na Finclass e como pensamos as carteiras de fundos multimercados após os movimentos da Giant Steps e Genoa;

  • Os fundos da Capitânia saem da carteira base, mas se mantêm aprovados pelo nosso time. Em seu lugar colocamos o Solis Pioneiro para carteiras de até R$ 1 milhão e redistribuímos os pesos dos fundos para quem tem mais de R$ 1 milhão.  

Fala, turma!

No relatório passado fizemos alguns ajustes na lista de fundos aprovados da Finclass, porém, nenhuma das movimentações interferiu nas carteiras que estão disponíveis em nossa área logada.

Já no relatório de hoje, efetuamos alterações nas carteiras de valorização, as quais julgamos necessárias e que vão, sim, impactar diretamente nossos portifólios.

Ao longo do último mês, tivemos conversas importantes e decisivas com gestores e times de relação com investidores dos fundos que recomendamos. Com isso, estamos convictos de que as movimentações tendem a beneficiar nossas carteiras para os próximos meses e anos.

Vamos ao relatório?

Recomendação de resgate do Giant Zarathustra

Confessamos que não foi uma decisão fácil retirar um fundo de que sempre gostamos bastante, mas, neste momento, entendemos que o mais prudente é observar de fora. A seguir, apresentamos as motivações que nos levaram a retirar o fundo Giant Zarathustra das nossas recomendações.

Breve histórico da gestora e do fundo

A Giant Steps foi fundada em 2012 por Christian Iveson, Jorge Laranjeira (que não faz mais parte do time), Flávio Terni e Rodrigo Terni. Em pouco mais de 13 anos de história, seu principal fundo, o Giant Zarathustra, acumulou retorno de 388,2%, frente a 286,9% do CDI.

Trata-se do fundo quantitativo mais famoso e longevo da indústria brasileira, que por muito tempo também se destacou por obter rentabilidades muito atrativas.

Segundo a própria gestora, um fundo quantitativo utiliza métodos estatísticos e matemáticos para identificar padrões no comportamento de um ativo. Uma vez comprovado que determinado padrão é consistente e possui poder preditivo para cenários futuros, é criado um programa que identificará quando o padrão estiver acontecendo e enviará ordens automaticamente.

A Giant nasceu com o propósito de ser uma casa totalmente sistemática. Isso significa que suas decisões de investimento são guiadas por modelos quantitativos e algoritmos, em contraste com o modelo tradicional em que um gestor humano define o que comprar ou vender.

Essa característica própria da casa e do Giant Zarathustra fez com que o fundo se mantivesse descorrelacionado em relação aos demais multimercados, o que é visto com bons olhos por nós, alocadores. Seus processos também sempre foram sólidos e bem estruturados, o que contribuiu para um histórico de sucesso em boa parte da sua trajetória.

Para o contexto das nossas carteiras, recomendamos o fundo em 2023, justamente em um momento em que a performance estava um pouco aquém do histórico vencedor. Acreditávamos que, apesar da fase mais difícil, a gestora seguia bem estruturada para se recuperar e entregar retornos bem atrativos após um período mais desafiador — algo muito comum entre os times de gestão altamente qualificados.

Então você pode estar nos perguntando, “Por que com estes pré-requisitos e possibilidade de melhora à frente vocês estão recomendando vender o fundo?”.

Vamos separar em alguns tópicos para detalhar o nosso racional.

Caso queira entender mais no detalhe sobre o histórico do Zarathustra e da Giant, sugiro a leitura do seu relatório de recomendação em julho de 2023 (clique aqui). Só deixo o alerta de que muitas coisas mudaram entre os tempos de hoje e a forma como a gestora atuava no momento da recomendação.

Os impactos sofridos pela perda de patrimônio

Ocorre que após nossa recomendação as coisas foram de mal a pior, tanto para a indústria de fundos multimercados quanto para a Giant. O fluxo de resgates foi intenso e a rentabilidade foi muito abaixo do esperado, fatores estes que prejudicaram demais a estrutura da gestora.

No seu auge, a Giant chegou a gerir pouco mais de R$ 7,5 bilhões, próximo do fim de 2022. Porém, com o CDI nas alturas, movimentos do mercado muito erráticos e mau desempenho por questões que poderiam ser melhoradas na gestão interna, a casa caiu para pouco mais de R$ 1 bilhão nos dias atuais (já contando com o patrimônio da DAO Capital, que trataremos mais à frente).

Essa queda de patrimônio sob gestão interfere bastante no modus operandi da gestora, que precisou se reinventar para sobreviver ao novo contexto.

Sempre gostamos de lembrar que no fim do dia uma gestora não deixa de ser uma empresa, portanto, no caso de uma perda de faturamento relevante os impactos serão sentidos.

Conversamos recentemente com o Mauro Shinzato, sócio da Giant com bastante conhecimento técnico, mas também muita desenvoltura para comunicação — por conta disso, em meio à redução da estrutura, ele assume a área de relação com investidores no lugar do Pedro Simonetti.

A estrutura se reduziu de 70 para 19 pessoas, das quais 14 são sócias. A situação poderia ser mais complexa, porém ter a XP como parceira ajudou a casa a se manter viva.

Mesmo com os cortes de pessoas, a XP sempre prestou apoio, tanto financeiro (como sócia com 49%) quanto estratégico, conectando a Giant a parceiros globais, o que lhe proporcionou maior habilidade para encontrar maneiras de gerir sua “crise”. A confiança mútua ajudou na reestruturação da Giant com processos científicos mais robustos e menos dependentes de indivíduos, o que amplia a capacidade de se manter resistente aos desafios.

Fazemos este gancho no assunto pessoas e processos para citar a saída do Jorge Laranjeiras, um dos fundadores e bastante atuante na gestão. A saída dele também marcou uma mudança no modelo de pesquisa. Antes, cada integrante conduzia linhas de pesquisa específicas de longo prazo, em um ambiente fragmentado. Agora, a estrutura se tornou mais modular e generalista, com foco maior em equities e maior atenção aos modelos de curto prazo, algo que se mostrou importante para o novo contexto dos mercados.

O ambiente da indústria prejudicou ainda mais

Nos últimos dois anos ocorreu o que ficou conhecido como “winter quant”, que afetou negativamente a maioria dos fundos quantitativos mundo afora, e mostrou a necessidade de fortalecer a inteligência de alocação de riscos e aprimorar os processos.

Os anos de 2023 e 2024 também foram tenebrosos para a indústria de fundos multimercados como um todo no Brasil, muito por conta da dificuldade que os gestores enfrentaram para fazer leitura de cenário num mercado extremamente imprevisível e com o CDI em patamares muito elevados. Diante deste contexto a classe foi alvo de muitos questionamentos e até mesmo ataques do mercado e mídia, o que gerou fortes resgates e prejuízos de imagem aos gestores deste segmento.

Mauro nos disse que a essência da Giant não mudou, mas os ajustes são representativos e foram necessários para garantir a sobrevivência da casa.

Conectando o passado recente com o futuro

Como vocês sabem, nós fomos acompanhando e conversando com a casa ao longo do tempo, quando dissemos que a reduziram de 70 para 19 pessoas, não ficamos sabendo disso por agora, vimos o movimento acontecendo.

Nas conversas sempre ouvimos que os ganhos com um time maior de expansão e automação começaram a ser menores, e a estrutura maior já não oferecia o melhor custo-benefício, por isso, foram reduzindo custos principalmente na área de engenharia de dados, e permitindo que os próprios gestores lidassem diretamente com o tratamento das informações.

Houve uma unificação das áreas operacionais e de sistemas liderada por José Ivan, especialista em operações e riscos. Os cortes foram concentrados nas áreas de suporte, enquanto o time de gestão não sofreu alterações significativas logo de cara.

Há pouco mais de um ano, iniciou-se um projeto interno que nomearam “Foundation”, como se fosse uma espécie de nova fundação da gestora, movimento pelo qual fez os ajustes de equipe e no modelo principal do trabalho citados acima.

A nova prerrogativa de gestão prevê um padrão de volatilidade menor do que o visto historicamente (entre 6% e 7% agora), com maior atuação em equities pois tem mais mercado para atuar e com modelos mais descorrelacionados visando buscar um Sharpe de 1 ou pouco mais que isso.

O time defende todas essas mudanças dizendo que uma casa quantitativa está num eterno “work in progress”, ou seja, precisa sempre se reinventar, inclusive colocando seus cotistas e alocadores no centro das decisões em muitos casos. Os backtests feitos pela gestora para testar o novo modelo de atuação estão indo muito bem, porém, nunca é garantido projetar o futuro com base apenas no passado, embora seja possível observar tendências.

A incorporação da DAO Capital

A Giant adquiriu a DAO Capital em uma operação combinada com a sua sócia XP Investimentos. O objetivo foi unir competências distintas: por um lado temos a Giant com sua inteligência e histórico no mundo quant, por outro temos a DAO Capital com gestores formados em um modelo de gestão mais convencional de ações sob o olhar fundamentalista e que depois migrou com sucesso para o modelo quantitativo.

A operação foi estruturada com participação societária (equity) e não desembolso financeiro, garantindo alinhamento de longo prazo entre os times. Para a Giant, que já vinha estudando a aquisição há mais de um ano, trata-se de uma integração natural que fortalece sua base de produtos e mantém o dinamismo de crescimento sem perder o alinhamento com seus parceiros.

A DAO apresentou bons resultados ajustados ao risco ao longo da sua história, um exemplo disso foi ter sofrido um máximo drawdown de apenas 9% no mesmo período em que o Ibovespa caiu cerca de 40%.

A DAO Capital agrega novas competências à casa. Seu foco em modelos multifatoriais permite navegar em diferentes classes de ativos — crédito, renda variável e derivativos de juros — com estratégias sofisticadas de precificação e leitura de mercado.

Para a Giant, a aquisição representa uma oportunidade de ampliar o leque de sinais de alfa, indo para além da literatura acadêmica e reforçando a combinação entre análise fundamentalista e quantitativa.

Outro ponto interessante foi a complementaridade estratégica entre as casas. Enquanto a DAO precisava de maior força comercial, área em que a Giant já se consolidou, a Giant reconheceu o valor da expertise tecnológica e das abordagens inovadoras da DAO.

A nossa visão e a decisão por recomendar a venda

Como puderam perceber, até agora citamos mais fatos do que opiniões. A verdade é que preferimos guardá-las para este final.

De maneira objetiva e pragmática, o que gostaríamos de destacar é que, em nossa visão, as mudanças foram muitas e bastante relevantes.

A redução tão intensa de patrimônio e de pessoas já seria suficiente para enxergarmos o projeto da “nova” Giant como, literalmente, uma nova gestora. Além disso, as revisões de processos de gestão e análise reforçam a percepção de que estamos lidando com um fundo diferente. Até mesmo o padrão de volatilidade e os mercados em que atua sofreram ajustes.

A incorporação da DAO também traz novos desafios corporativos. Ambos os lados irão passar por um processo de aculturamento, que exige adaptações e pode ser bastante desafiador. Eu, Rodrigo, já passei por processos de incorporação e fusão de empresas na carreira e pude observar de perto que não é tão simples quanto possa parecer.

Portanto, considerando todos esses fatores, estamos retirando o fundo das carteiras da Finclass e também da nossa lista de fundos aprovados.

Ainda que reconheçamos como válida a tentativa de reinvenção, optamos por dar prioridade a outros fundos enquanto a “nova Giant” se reestrutura e se organiza.

Seguiremos acompanhando de fora e, no futuro, podemos recomendá-lo novamente caso o resultado do novo projeto se mostre consistente o suficiente para voltar.

Entrada do Genoa Capital Radar em nossa proposta de Multimercados

O fundo da Giant estava presente nas carteiras de valorização para patrimônios iguais ou maiores que R$ 500 mil, logo, precisamos repor seu espaço aumentando a posição de alguma peça que já estivesse na carteira ou acionando a nossa lista de fundos aprovados para uma reposição.

Neste momento optamos por incluir uma peça que já estávamos querendo trazer para dentro das carteiras faz tempo, o que nos faltava era a oportunidade e agora ela veio.

O fundo Genoa Radar alia boa performance a um certo grau de descorrelação em relação à maioria dos multimercados da indústria, o que, de certa forma, o favorece na hora de escolhermos a peça que entra na carteira base da Finclass.

Agora, vamos falar um pouco sobre o estilo da gestora e seu momento atual.

Breve histórico da Genoa

A Genoa Capital foi fundada em 2019 pelos sócios André Raduan, Emerson Codogno, Mariano Steinert, Lucas Cachapuz e Rodrigo Noel. Tanto eles, quanto boa parte da equipe já trabalhavam junto por mais de 10 anos à frente da família de multimercados Itaú Hedge Plus, um dos melhores produtos do Itaú e que frequentemente figurou entre os melhores fundos multimercado da indústria brasileira.

Na Genoa, o próprio time de gestão se reconhece como um fundo macro trading, o que significa que, pelo lado macro busca gerar retornos explorando variáveis da economia, como juros, câmbio, inflação e crescimento, tanto no Brasil quanto no exterior. Já pelo lado trading, a estratégia costuma ser ativa e dinâmica, aproveitando oportunidades derivadas de mudanças na política monetária, fiscal ou em tendências globais.

Neste sentido, o fundo seria capaz de simplesmente trocar toda a carteira de maneira rápida caso julgue necessário, sem nenhum compromisso firmado de manter alguma posição para o longo prazo.

A Genoa atualmente conta com três estratégias por meio de seus fundos:

- Genoa Capital Arpa: fundo long biased

- Genoa Capital Sagres: fundo quantitativo

- Genoa Capital Radar: fundo Multimercado

Observação: a casa também conta com o Genoa Vestas, que é a versão alavancada do Radar, porém ainda não está disponível em plataformas de investimento.

O grande foco é no Radar, o famoso “flagship” da casa, para onde toda a inteligência é direcionada. As outras duas estratégias podem ser vistas como spin-offs da estratégia principal, e atendem diversos outros propósitos de investidores e cotistas.

O momento da Genoa

Em meio às relevantes quedas de patrimônio vistas em muitos fundos multimercados, a Genoa também sofreu redução, porém pequena. Assim, do ponto de vista de receita, isso acabou não sendo um problema.

Outro ponto que merece destaque é o aumento da relevância da estratégia do Vestas dentro da distribuição total de ativos sob gestão. Como essa estratégia possui um custo de rebate menor — já que a Genoa não precisa repassar grandes valores de comissão para distribuidores — o ROA da instituição chegou a aumentar, mantendo a receita praticamente estável em comparação ao período anterior à queda de patrimônio.

Diante desse contexto, e já enxergando oportunidades à frente, a Genoa até ampliou um pouco o time e intensificou os investimentos em tecnologia, sobretudo em inteligência artificial.

A gestora, que sempre teve uma pegada mais forte para o uso de dados em suas análises, vem se estruturando cada vez mais para explorar essa nova onda de IA. Inclusive, já utiliza uma solução proprietária nomeada por eles de “Glades”, para armazenar e distribuir informações e dados de mercado, além de registrar reuniões e rotinas internas.

Um aspecto interessante dessa IA, desenvolvida com o apoio de empresas conceituadas do setor, é que ela não sofre com interferência externa — ou seja, não se “contamina” com informações de usuários comuns, como ocorre nas bases de conhecimento das IAs convencionais.

Até aqui já deu para perceber que a casa segue em boa forma do ponto de vista de estrutura. A seguir, vamos a um ponto fundamental: a performance. Veja abaixo como tem sido a trajetória da Genoa.

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

Fonte: Quantum Axis  |  Elaboração: Finclass

Perceba que o fundo que tem cerca de 5 anos de existência e performou bem acima do CDI desde o seu início.

Porém, nas janelas mais recentes estão meio que empatados. Isso ocorre pois poucos ativos e estratégias ficaram acima do CDI em janelas de 3 anos ou menos, uma vez que os mercados no geral não foram favoráveis a ativos de natureza mais ariscada e o nosso juro local subiu para patamares bastante elevados.

Um ponto importante de se destacar é que a indústria de multimercados sofreu muito mais que a Genoa, como podemos ver pela performance do IHFA, que é uma média de fundos multimercado mais arrojados, o que mostrou que a casa soube se ajustar para enfrentar o momento mais difícil.

Como sempre falamos, o mercado é cíclico, já no atual momento existem algumas sinalizações de que possamos ter um novo ciclo melhor para multimercado e estar posicionado num fundo como o Radar faz todo o sentido.

A gestora tem capacidade de receber novos aportes?

Essa era uma pergunta que precisávamos fazer para eles, e fizemos!

Da última vez que revisamos nossas carteiras recomendadas com chances de incluir novas peças — como está acontecendo agora — o Radar estava fechado e sem previsão de abertura. Por conta disso, não foi possível trazê-lo.

Nós não queremos colocar um fundo em nossa proposta que, muito provavelmente, fechará nos próximos dias para novas aplicações. Isso não faria sentido para o nosso dia a dia nem para os investidores da Finclass.

Sobre esse tema, o Tarik Barros, RI da Genoa, nos garantiu que eles têm uma folga razoável de capacity (capacidade de gerir novos recursos), uma vez que, com os avanços em tecnologia e o ligeiro crescimento recente do time de gestão, o escopo de análise também se ampliou. Com isso, a capacidade de acessar novos mercados e enxergar mais oportunidades também aumentou.

Exemplos citados por ele foram os mercados de juros de países mais alternativos como Hungria, República Tcheca e Austrália.

De um total de R$ 27 bilhões — que é o montante que a gestora considera viável para administrar sem perder performance — apenas R$ 23 bilhões estão preenchidos, já considerando que o Vestas é alavancado e consome um pouco mais do que o patrimônio apresentado ao mercado.

Portanto, se nada muito diferente ocorrer, o fundo deve permanecer aberto por um bom tempo.

A Genoa está otimista com o mercado brasileiro

Como já mencionamos, o fundo é um macro trading, portanto nunca vai se apegar excessivamente a uma posição e, se necessário, pode desmontar rapidamente grande parte da carteira. Assim, as “visões” de hoje podem mudar de forma significativa amanhã.

Apesar disso, a casa demonstra otimismo com a conjuntura geral. No Brasil, enxerga um juro real insustentável de se manter, o que abre espaço para o início do ciclo de cortes. Além disso, ainda que em um horizonte mais distante, uma eventual troca de governo poderia ser bastante benéfica para operações em bolsa e juros.

Na temática de ações, o racional é estar risk-on, ou seja, posicionados de forma ativa na bolsa brasileira e ampliando as exposições.

No cenário global, a visão é de uma economia americana em desaceleração, o que abre perspectivas de um corte de juros gradual ao longo do tempo. Por isso, a gestora mantém posições aplicadas em juros nos EUA (aposta na queda dos juros). Ainda assim, os imbróglios geopolíticos e estruturais causados pelos Estados Unidos e por Trump recentemente permanecem como pontos de atenção, o que, na visão da casa, tende a desvalorizar o dólar — justificando as posições vendidas na moeda (aposta na queda do dólar).

Por fim, emergentes podem se beneficiar desse movimento de enfraquecimento dos EUA e do dólar, e a gestora também tem posições direcionadas neste sentido.

Um spoiler sobre a nossa redução de faixas de patrimônio para as carteiras de valorização

Nos próximos dias iremos divulgar um relatório com uma proposta de redução das faixas de patrimônio das carteiras de valorização da Finclass.

Talvez você nunca tenha reparado que isso existe, pois, para o assinante da Finclass, basta informar o valor do patrimônio a ser investido que nossa ferramenta já indica automaticamente a carteira correspondente. Porém, por trás disso, existem sete propostas, que vão incorporando mais ativos/fundos, pontos de equilíbrio e elementos diversificadores à medida que o patrimônio cresce.

Com o tempo, no entanto, as referências monetárias se ajustam, a disponibilidade de opções no mercado muda e até mesmo a jornada do investidor pode demandar simplificações.

Pensando nisso, reduzimos de sete para quatro faixas de patrimônio. Veja abaixo:

Elaboração: Finclass

Os detalhes serão explicados no relatório que publicaremos, mas julgamos necessário já iniciar o tema. Devido à proximidade deste relatório com o de redução das faixas, consideramos importante antecipar alguns movimentos, já que estamos recomendando alterações na carteira base de valorização da Finclass.

Ace capital fica apenas nas carteiras menores de R$ 50 mil, Absolute Vertex entra nas carteiras maiores que R$ 1 milhão e Genoa Radar para quem tem até R$ 1 milhão

Atualmente a proposta dos multimercados começa só com o fundo Ace Capital para quem tem até R$ 10 mil, depois adicionamos o Absolute Vertex nas de R$ 10 mil até R$ 30 mil, na sequência já incluímos o Kinea Atlas para quem tem entre R$ 30 mil e R$ 50 mil, e assim vamos seguindo.

Ao analisar toda a estrutura de fundos aprovados e as novas faixas consideradas, o nosso time chegou à conclusão de que faria sentido efetuar algumas mudanças estratégicas.

O que seria a nossa nova proposta?

Fazendo a simples troca do Giant Zarathustra pelo Genoa Radar, ele entraria apenas nas carteiras de R$ 500 mil ou mais, porém, dado o contexto achamos que poderia ser incluído em carteiras menores que isso, até por suas características de gestão e por ter um valor mínimo para aplicação inicial bem acessível, no caso a partir de R$ 500 reais.

Após estudos e debates internos, a nossa proposta para Multimercado que detém 12% da alocação estrutural passaria a ser a seguinte:

- Até R$ 50 mil:

[ 6% ] Ace Capital

[ 6% ] Genoa Radar

- De R$ 50 mil até R$ 200 mil

[ 4% ] Genoa Radar

[ 4% ] Absolute Vertex

[ 4% ] Kinea Atlas

- De R$ 200 mil até R$ 1 milhão

[ 3% ] Genoa Radar

[ 3% ] Absolute Vertex

[ 3% ] Kapitalo Kappa ou Kapitalo Zeta

[ 3% ] Ibiuna Hedge ST

- Acima de 1 milhão

[ 3% ] Absolute Vertex

[ 3% ] Kapitalo Kappa ou Zeta

[ 3% ] Ibiuna Hedge ST

[ 3% ] SPX Nimitz

O que muda, efetivamente, é que para valores entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão o Genoa Radar ocupa o lugar do Giant Zarathustra, enquanto o Absolute Vertex permanece na proposta de quem tem R$ 1 milhão ou mais.

Nos valores entre R$ 50 mil e R$ 500 mil, o Genoa Radar ocupa o lugar que antes era da Ace Capital, e para valores abaixo de R$ 50 mil, divide espaço com a Ace.

Perceba que temos muitas peças aprovadas e procuramos fazer uma espécie de “equilíbrio que faça sentido” entre elas.

Por que o Ace Capital sai de algumas faixas patrimoniais?

Não tem nenhuma relação com perda de fundamentos, tanto que ele continua nas carteiras até R$ 50 mil, onde boa parte da nossa base de assinantes se encontra.

Ocorre que o Ace tem uma característica mais peculiar, que é ser um Multimercado de volatilidade mais baixa estruturalmente, num estilo de gestão de ex-tesoureiros, o que gostamos bastante, mas achamos que na composição atual das nossas recomendações agregaria menor valor do ponto de vista de carteira do que um macro trading como Genoa.

“Mas eu gosto muito do Ace e desejaria continuar com ele, posso fazer isso?”

Com certeza. Como sempre falamos, a carteira base passa por escolhas do nosso ponto de vista de composição de portfólio e até disponibilidade de acesso, mas todos os fundos aprovados são convicções da casa e são aptos para estarem na sua carteira de investimentos.

Ocorre que nesse ajuste das faixas nós aproveitamos para deixar tudo o mais equilibrado possível do ponto de vista de quem recomenda para uma base de ao menos 100 mil pessoas. É bem verdade que nem todas as pessoas que têm acesso à nossa plataforma seguem nossas carteiras, mas a prerrogativa é de que recomendamos para muita gente, portanto, devemos tentar nos aproximar ao máximo possível de algo que faria sentido para a maioria.

Esperamos que tenha ficado clara essa dinâmica, mas caso não tenha, fique tranquilo(a), estaremos disponíveis nas lives e comunidade para auxiliá-los nessa adaptação.

Capitânia sai da carteira base (permanece aprovada) e o Solis pioneiro entra em seu lugar

De um lado temos o Solis Pioneiro, fundo aprovado pelo nosso time focado em Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) que, apesar de ter riscos que não aparecem na cota e jamais devem ser ignorados, oferece muita previsibilidade e boa relação risco-retorno para o investidor. Esse perfil agrada na renda fixa pós pela sua simplicidade e recorrência em superar o CDI se muito bem gerido, caso da Solis Investimentos.

Fato é que confiamos bastante na gestora e por isso topamos o “risco FIDC” dela. Para quem se interessa por mais detalhes sobre FIDCs e a forma de gerir da Solis, sugerimos a leitura do relatório de recomendação do Solis Antares, que é a versão destinada a investidores qualificados (aqui). Além dele, vale consultar também o relatório de subida do próprio Solis Pioneiro (aqui) com detalhes sobre a versão adaptada ao público geral da estratégia.

Por outro lado, há também a Capitânia Investimentos, por meio dos nossos fundos recomendados Capitânia Premium e Capitânia Radar, que tem em seu regulamento a permissão para manter FIIs na carteira. Historicamente a casa rotacionou com algo entre 2% e 10% nos fundos imobiliários. Essa alocação pode ser interessante em horizontes de tempo mais longos, já que traz diversificação e potencial de ganhos adicionais. No entanto, esse tipo de exposição introduz uma dose maior de volatilidade dentro de uma classe de investimentos que preza muito por estabilidade e previsibilidade.

Entendemos que, dentro de contextos mais específicos ou para investidores mais arrojados, a proposta da Capitânia pode ser muito interessante, até pela qualidade e prestígio do time de gestão, tanto que manteremos como um fundo aprovado, mas não vamos mantê-lo na alocação base, aquela que compõe as carteiras da Finclass, ficando apenas como opção dentre os fundos que aprovamos.

Dado o perfil médio do nosso assinante e às dinâmicas que estamos estruturando, optamos por seguir dessa forma. Assim, conseguimos alinhar melhor o portfólio aos objetivos propostos e oferecer uma experiência de investimento mais equilibrada utilizando o Solis Pioneiro nas carteiras abaixo de R$ 1 milhão. Para carteiras maiores, ajustamos os pesos na alocação com os fundos que já compunham a proposta.

Já considerando a proposta de redução de faixas citada acima, veja como ficaram as nossas alocações para a renda fixa pós-fixada:

- Até R$ 1 milhão

[ 7,5% ] SPX Seahawk

[ 7,5% ] Solis Pioneiro

- Acima de R$ 1 milhão

[ 7,5% ] SPX Seahawk

[ 3,75% ] Solis Antares

[ 3,75% ] Valora Guardian

Ficamos por aqui...

Neste relatório fizemos ajustes que julgamos necessários em nossas carteiras recomendadas.

Não se trata de problemas muito complexos, porém, é o nosso dever estar sempre buscando a melhor forma de ajudar os investidores da Finclass a montar a melhor carteira de investimentos possível, por isso, de tempos em tempos ajustes são necessários.

Um grande abraço e bons investimentos!

Rodrigo Xavier e Ana Farias

Sobre os analistas

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.